Êxodo 29:1
" Isto é o que lhes hás de fazer, para os santificar, para que me administrem o sacerdócio: Toma um novilho e dois carneiros sem mácula, "
Entenda os temas principais e aplique Êxodo 29 na sua vida hoje
46 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Arão e seus filhos são separados para o sacerdócio por meio de lavagem com água, vestes especiais, unção com óleo e sacrifícios específicos. Tudo comunica que eles não pertencem mais a si mesmos, mas ao serviço de Deus.
O novilho e os carneiros são oferecidos como sacrifício pelo pecado, holocausto e ofertas de consagração. O sangue é aplicado em pessoas, altar e utensílios, simbolizando perdão, purificação e dedicação total.
O altar é purificado e declarado santíssimo, e tudo o que o toca se torna santo. O culto a Deus é cercado de cuidado, separação e ordem, indicando que aproximar-se de Deus não é algo comum.
Dois cordeiros por dia, oferecidos de manhã e à tarde, estabelecem um sacrifício contínuo ao longo das gerações. Esse serviço permanente está ligado à promessa de Deus de encontrar-se com o povo, falar com eles e habitar no meio de Israel.
Êxodo 29 está inserido no contexto da aliança de Deus com Israel no monte Sinai, logo após a saída do Egito. Deus está estabelecendo o sistema de culto que será central na vida da nação. O tabernáculo já foi instruído nos capítulos anteriores, e agora é detalhada a consagração dos sacerdotes que servirão ali.
Arão e seus filhos (Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar) são da tribo de Levi, escolhidos para o sacerdócio. O ritual de consagração, com lavagem, vestes especiais, unção com óleo e sacrifícios, segue um padrão conhecido no antigo Oriente Próximo para instalação de sacerdotes e dedicação de altares, mas aqui recebe um conteúdo teológico próprio: tudo é feito conforme a ordem de Deus, para o serviço exclusivo a Ele.
Os sacrifícios de novilho e carneiros seguem categorias que aparecerão com mais detalhes em Levítico: sacrifício pelo pecado, holocausto e ofertas de consagração. O uso do sangue nas orelhas, polegares das mãos e pés dos sacerdotes expressa a consagração total da escuta, do agir e do andar deles ao serviço de Deus. O período de sete dias de consagração reflete o simbolismo de plenitude e completude no calendário bíblico.
O holocausto contínuo, com dois cordeiros por dia, estabelece um ritmo diário de culto e sacrifício, ligando o povo à presença de Deus de maneira constante. Esse sistema sacrificial e sacerdotal será o centro da vida religiosa de Israel até a construção do templo e, posteriormente, até sua destruição.
Êxodo 29 é um texto instrutivo, em forma de mandamentos diretos de Deus a Moisés, organizado de maneira sequencial e ritual.
Introdução ao propósito do ritual (v.1)
– Apresentação: santificar Arão e seus filhos para o sacerdócio.
Preparação dos elementos e das pessoas (v.2-9)
– Preparação dos animais e pães ázimos (v.1-3).
– Apresentação de Arão e seus filhos, lavagem com água (v.4).
– Vestes sacerdotais de Arão e imposição da mitra com a coroa da santidade (v.5-6).
– Unção com o óleo da unção (v.7).
– Vestes dos filhos de Arão e estabelecimento do sacerdócio perpétuo (v.8-9).
Sacrifício do novilho pelo pecado (v.10-14)
– Imposição de mãos sobre o novilho (v.10).
– Imolação, aplicação do sangue no altar, queima da gordura e queima do restante fora do arraial como sacrifício pelo pecado (v.11-14).
Primeiro carneiro: holocausto (v.15-18)
– Imposição de mãos, imolação e aspersão do sangue ao redor do altar (v.15-16).
– Preparação do animal e queima total como holocausto de cheiro suave (v.17-18).
Segundo carneiro: sacrifício das consagrações (v.19-28)
– Imposição de mãos e aplicação específica do sangue em Arão e seus filhos (orelha, polegares das mãos e dos pés) e no altar (v.19-20).
– Mistura do sangue com o óleo da unção e aspersão sobre sacerdotes e suas vestes (v.21).
– Separação das partes do carneiro e dos pães para oferta com movimento e no altar (v.22-25).
– Determinação da porção do peito e do ombro para Arão e seus filhos, como estatuto perpétuo (v.26-28).
Vestes sagradas e duração da consagração (v.29-35)
– Uso das vestes de Arão por seus sucessores (v.29-30).
– Cozimento e consumo da carne e do pão, com restrição a estranhos (v.31-33).
– Queima do que sobrar até a manhã (v.34).
– Reafirmação: tudo será feito por sete dias (v.35).
Consagração do altar (v.36-37)
– Novilho diário por sacrifício pelo pecado para expiar o altar (v.36).
– Sete dias de expiação e declaração do altar como santíssimo (v.37).
Holocausto contínuo e promessa da presença de Deus (v.38-46)
– Instruções sobre os dois cordeiros diários e suas ofertas de cereais e libações (v.38-41).
– Definição do holocausto contínuo ao longo das gerações (v.42).
– Promessa de encontro, santificação, habitação e identidade de Deus no meio de Israel (v.43-46).
Êxodo 29 traz uma teologia rica da santidade de Deus, do sacerdócio e da mediação, mostrando como um povo pecador pode viver em aliança com um Deus santo.
A consagração de Arão e seus filhos destaca que ninguém se aproxima de Deus em seu próprio mérito. O sacerdote é chamado, separado e preparado por Deus. Lavagem com água, vestes específicas, unção com óleo e aplicação do sangue compõem um quadro de purificação, revestimento, capacitação e expiação. O sacerdócio não é apenas função, mas identidade consagrada.
A centralidade do sangue aponta para a gravidade do pecado e a necessidade de expiação. O sacrifício pelo pecado, o holocausto e o carneiro das consagrações formam um conjunto de ofertas que lida com culpa, entrega total e dedicação ao serviço. O sangue nas orelhas, mãos e pés dos sacerdotes simboliza que ouvir, agir e andar pertencem ao Senhor. O altar, uma vez purificado e santificado, torna-se “santíssimo”, espaço de encontro entre o Deus santo e o povo.
O holocausto contínuo, oferecido de manhã e à tarde, ensina a ideia de culto permanente. A relação com Deus não se reduz a momentos ocasionais, mas é sustentada por uma entrega constante. O texto associa esse sacrifício contínuo ao lugar onde Deus se encontra com Seu povo e fala com ele, ligando o culto à Palavra e à presença divina.
Teologicamente, o capítulo enfatiza que Deus não apenas liberta Israel do Egito, mas o traz para viver em Sua presença: “para habitar no meio deles”. A redenção tem um propósito relacional. O Deus que salva é o mesmo que habita, santifica e se revela. O povo aprende que sua identidade está enraizada nesse Deus que diz: “Eu sou o Senhor seu Deus”.
Lido à luz de toda a Escritura, o capítulo prepara o entendimento da obra de Cristo como sumo sacerdote perfeito e sacrifício definitivo. A multiplicidade de rituais, sangue e sacrifícios aponta para a necessidade de uma solução plena e final, que, mais tarde, será cumprida em um sacerdócio e um sacrifício únicos e eternos.
Êxodo 29 transmite uma forte mensagem de pertencimento, propósito e cuidado divino por meio da linguagem de consagração. Mesmo em um texto ritual, aparecem elementos que tocam áreas profundas da experiência humana: sentimento de culpa, necessidade de purificação, busca por identidade e desejo de proximidade com Deus.
A ideia de ser “separado” e “santificado” pode falar a quem se sente sem valor ou sem lugar. Arão e seus filhos não se consagram sozinhos; Deus é quem toma a iniciativa, define o processo e assegura que, ao final, eles estão aptos a servir. Isso confronta sentimentos de inadequação absoluta, mostrando um Deus que prepara e transforma.
O uso do sangue como símbolo de expiação traz à tona a realidade da culpa, mas também a possibilidade real de perdão. O texto não minimiza o pecado, mas enfatiza que ele pode ser tratado, coberto e purificado, abrindo espaço para uma relação restaurada com Deus. Essa visão pode aliviar o peso de culpas persistentes, quando se compreende que o perdão é parte do plano divino.
O holocausto contínuo, com seu ritmo diário, sugere estabilidade, rotina e constância. Em contextos de ansiedade e instabilidade, a imagem de uma adoração que não cessa, sustentada por um Deus que promete estar presente e falar, pode nutrir um senso de segurança espiritual.
Por fim, a afirmação de que Deus habita no meio do povo ressignifica o passado doloroso de escravidão: Ele não apenas tira Israel do Egito, mas dá um novo sentido à história, conduzindo à presença e comunhão. Isso dialoga com processos de cura em que experiências traumáticas são inseridas em uma narrativa maior de cuidado e propósito.
O texto de Êxodo 29, com sua ênfase em sangue, sacrifícios e queima de animais, pode causar desconforto em pessoas sensíveis a imagens de violência, abuso religioso ou experiências traumáticas ligadas a culpa excessiva.
Alguns riscos de má interpretação incluem:
– Uso distorcido do conceito de “santidade” e “consagração” para justificar controle excessivo, perfeccionismo doentio ou manipulação religiosa, exigindo de pessoas um padrão inatingível e sem espaço para graça. – Leitura literalista dos rituais como exigência atual, gerando medo de não estar “fazendo o suficiente” para ser aceito por Deus. – Interpretação do foco em sangue e sacrifícios como sinal de um Deus cruel, reforçando imagens distorcidas para quem já carrega traumas espirituais ou religiosos.
Em contextos de saúde mental, é importante:
– Ressaltar o caráter histórico e pedagógico desses rituais dentro da aliança antiga.
– Enfatizar que o objetivo é mostrar a seriedade do pecado e a profundidade do cuidado de Deus em prover um caminho de perdão e aproximação, e não alimentar terror ou obsessão com culpa.
– Lembrar que a narrativa maior da Bíblia a respeito de Deus inclui amor, misericórdia e desejo de habitar com o povo.
Pessoas com histórico de abuso espiritual, escrúpulos religiosos (escrupulosidade) ou traumas ligados a imagens de sangue e sacrifício podem precisar de acompanhamento cuidadoso ao lidar com este tipo de texto, integrando leitura bíblica com apoio pastoral e, se necessário, profissional de saúde mental.
Êxodo 29, embora profundamente ritual, sugere princípios práticos para a vida de fé e para o cotidiano.
Viver como pessoa consagrada
A consagração de Arão e seus filhos ressalta que vida, dons e rotinas podem ser separados para Deus. Isso se traduz em escolhas diárias: trabalhar com integridade, tratar pessoas com respeito, administrar tempo e recursos com consciência de que tudo pertence ao Senhor.
Cuidar do “altar” interior
O altar é purificado, ungido e declarado santíssimo. Na prática, isso inspira cuidado com o que ocupa o centro da vida: prioridades, afetos, pensamentos e decisões. Avaliar o que é colocado no “altar” do coração (valores, ambições, relacionamentos) e alinhar isso ao caráter de Deus ajuda a manter foco e coerência.
Estabelecer ritmos de devoção contínua
O holocausto contínuo de manhã e à tarde aponta para um relacionamento com Deus sustentado por constância, não por impulsos esporádicos. Na prática, isso pode significar momentos fixos de leitura bíblica, oração, reflexão e gratidão, mesmo que breves, moldando o dia desde o começo até o fim.
Reconhecer e lidar com a culpa de forma saudável
O capítulo mostra que a culpa não é ignorada, mas tratada por meio de expiação. Em termos práticos, isso encoraja a não negar falhas, mas a encará-las, confessá-las e buscar reparação quando possível. Em vez de alimentar autocondenação interminável, aprender a receber o perdão e seguir em frente com responsabilidade.
Servir a partir de identidade, não apenas de função
Os sacerdotes são ungidos, vestidos e marcados antes de exercerem seu serviço. Isso lembra que o fazer deve nascer do ser. Em qualquer área (família, trabalho, igreja), é saudável servir a partir de uma identidade firmada em Deus, e não de necessidade de aprovação, medo ou obrigação vazia.
Ver a vida como resposta à presença de Deus
Deus afirma que tirou Israel do Egito para habitar no meio do povo. De forma prática, isso inspira a organizar planos, relacionamentos e carreira não apenas como busca de sucesso ou segurança, mas como resposta a um Deus que se aproxima, guia e deseja comunhão.
A riqueza de detalhes mostra a seriedade do sacerdócio e da aproximação a um Deus santo. Cada gesto comunica algo: a lavagem representa purificação; as vestes, um novo status; a unção com óleo, capacitação e separação; o sangue, expiação e dedicação total. O povo precisava entender que ninguém se apresenta diante de Deus de qualquer maneira. O detalhamento também serve para que o ritual pudesse ser repetido com fidelidade ao longo do tempo.
O sangue, símbolo de vida e expiação, aplicado na orelha, mão e pé direitos indica consagração completa: o que se ouve (orelha), o que se faz (mãos) e por onde se anda (pés). É uma linguagem simbólica que declara que toda a vida do sacerdote é entregue ao serviço de Deus. Nada fica de fora: mente, ações e caminhos passam a ser marcados pela aliança e pela santidade.
Quando o texto diz que o altar é “santíssimo” e que tudo o que o tocar será santo, está afirmando que o altar pertence de forma exclusiva a Deus e é instrumento do encontro entre Ele e o povo. O contato com aquilo que Deus santifica transforma o status do que é comum para o que é separado. Teologicamente, o altar torna-se um ponto de mediação: lugar onde o pecado é tratado e a relação com Deus é preservada.
O holocausto contínuo estabelecia um ritmo diário de adoração e intercessão em favor do povo. Dois cordeiros, acompanhados de oferta de cereais e libação de vinho, oferecidos todos os dias, expressavam entrega permanente a Deus. Além disso, o texto associa esse sacrifício ao lugar onde Deus se encontraria com Israel e falaria com Moisés. Assim, o holocausto contínuo servia como sinal visível da aliança e da presença constante de Deus no meio da nação.
No fim do capítulo, Deus relembra que tirou Israel do Egito para habitar no meio do povo e ser o seu Deus. Isso conecta redenção e presença: Deus não apenas livra da escravidão, mas conduz a um relacionamento de comunhão e culto. O sistema de sacerdócio, sacrifícios e tabernáculo não é um peso sem sentido, mas a forma pela qual o povo redimido aprende a viver perto de um Deus santo que escolheu habitar entre eles.
Êxodo 29 revela um Deus que não só chama, mas cuida em cada detalhe daqueles que coloca ao seu serviço. A consagração de Arão e seus filhos é um processo longo, cheio de símbolos, como se Deus estivesse, passo a passo, dizendo: “vocês me pertencem, e Eu cuido de tudo o que vocês são”. A lavagem com água, as novas vestes, o óleo sobre a cabeça, o sangue que marca o corpo: cada gesto conta uma história de acolhimento e transformação. Nesse capítulo, a culpa não é escondida nem negada. Ela é reconhecida e tratada por meio dos sacrifícios. Em vez de deixar o povo perdido em seu erro, Deus fornece um caminho de expiação, um modo seguro de se aproximar de Sua presença. Isso revela um Deus que não abandona em meio à fraqueza, mas prepara espaço para que o pecador possa estar perto, sem ser destruído. Há também um aspecto profundamente consolador na promessa final: Deus tirou Israel da escravidão para habitar no meio deles. A história de dor do Egito não é o último capítulo. O objetivo é comunhão, proximidade, presença constante. As marcas do passado não definem o fim; Deus reescreve a história e dá um novo foco: viver diante de um Deus que se declara “vosso Deus” e que deseja caminhar junto, dia após dia. O holocausto contínuo de manhã e à tarde desenha um cenário de cuidado permanente. Não há hiatos no olhar de Deus; a vida do povo é, simbolicamente, envolvida por essa adoração constante. Até nos dias mais comuns ou difíceis, a imagem que surge é a de um Deus que está ali, no meio do arraial, mantendo a aliança, falando, santificando, sustentando em silêncio e fidelidade.
Sob a perspectiva do estudo bíblico, Êxodo 29 é um texto-chave para compreender a teologia do sacerdócio e do culto no Antigo Testamento. O capítulo sistematiza, em forma de instruções, a instalação de Arão e seus filhos como sacerdotes e a consagração do altar. É uma espécie de rito de inauguração do sistema sacrificial ligado ao tabernáculo. O processo de consagração dos sacerdotes combina vários elementos simbólicos: lavagem (purificação), vestes (investidura oficial), unção com óleo (separação e capacitação pelo Espírito) e sangue (expiação e consagração). Essa sequência mostra que o sacerdote não é apenas um funcionário do culto, mas um mediador que precisa ser transformado em sua condição diante de Deus. Ele representa o povo, mas também deve refletir a santidade de Deus. Os sacrifícios são apresentados de forma ordenada: primeiro, o novilho pelo pecado, lidando com a culpa; em seguida, o carneiro como holocausto, simbolizando entrega total; por fim, o carneiro das consagrações, com ênfase na dedicação específica dos sacerdotes. A aplicação do sangue nas extremidades do corpo dá um caráter abrangente à consagração, e a aspersão de sangue e óleo sobre vestes e pessoas une expiação e unção em um único ato. A consagração do altar segue lógica semelhante: expiação diária com um novilho por sete dias, culminando na declaração de que o altar é santíssimo. Historicamente, isso alinha o tabernáculo com práticas de dedicaçãode santuários na região do antigo Oriente Próximo, mas com uma teologia própria: tudo se dá por comando direto de YHWH, em função da Sua presença no meio de Israel. O holocausto contínuo (tamid), com dois cordeiros diários, é apresentado como instituição perpétua. Ele estrutura o tempo sagrado da nação e garante um culto regular, sobre o qual outras ofertas se apoiam. O texto associa esse holocausto à função do tabernáculo como lugar de encontro e revelação: Deus se encontra com Moisés e com Israel ali, e Sua glória santifica o local. Do ponto de vista teológico-canônico, o capítulo prepara terreno para a reflexão posterior sobre a necessidade de um sacerdócio santo, que, na revelação progressiva, encontrará sua plenitude em um único sacerdote perfeito e definitivo.
Lendo Êxodo 29 com foco no cotidiano, o que se destaca é organização, propósito e constância. O culto não é improvisado: há preparo, horários, funções definidas, responsabilidades claras para Arão e seus filhos. Isso desenha um modelo de vida em que o que é importante não fica nas mãos do acaso, mas é tratado com intenção e disciplina. A consagração dos sacerdotes mostra que quem lidera ou serve em qualquer área precisa ser trabalhado antes de agir. Eles são lavados, vestidos, ungidos e marcados. Em termos práticos, isso lembra que caráter, valores e motivações precisam ser alinhados antes de se assumir responsabilidades maiores em família, trabalho ou comunidade. Não se trata apenas de competência técnica, mas de vida ajustada ao que se pretende representar. O ritmo diário do holocausto contínuo sugere a importância de hábitos estáveis. Assim como o sacrifício era oferecido de manhã e à tarde, muitas decisões práticas se beneficiam de rotinas consistentes: iniciar e encerrar o dia com momentos de alinhamento interno, revisar prioridades, agradecer, ajustar rumos. Esse padrão ajuda a não viver apenas reagindo a urgências, mas guiado por convicções. O tratamento do que sobra dos sacrifícios e do pão, com a ordem de não guardar para o dia seguinte o que era santo, também toca em algo prático: lidar com o que é especial sem banalizar. Isso inspira a proteger limites em áreas delicadas da vida (tempo em família, descanso, integridade), sem permitir que aquilo que é “santo” seja consumido por pressa ou descuido. Ao final, quando Deus diz que tirou Israel do Egito para habitar no meio do povo, surge um princípio de propósito. A vida não é só sair de uma situação ruim, mas caminhar em direção a algo: viver de modo coerente com a presença de Deus no meio da rotina. Escolhas diárias em finanças, relacionamentos, trabalho e lazer podem ser revisitadas à luz dessa pergunta de fundo: como organizar tudo isso considerando que Deus deseja habitar no centro da história pessoal e comunitária?
Êxodo 29 mergulha em temas profundos da jornada espiritual: santidade, mediação, expiação e presença de Deus. O capítulo não descreve apenas ritos antigos, mas revela uma realidade espiritual: para que Deus habite no meio de um povo, é necessário um caminho preparado, um sacerdócio consagrado e um altar purificado. Arão e seus filhos passam por um processo que reconfigura toda a identidade: lavados, revestidos, ungidos, marcados com sangue. Em termos espirituais, isso ilustra uma passagem da condição comum para uma existência voltada ao sagrado. A vocação aqui não é primeiro funcional, mas ontológica: eles são separados para pertencer a Deus de forma especial. Isso aponta para uma dimensão da fé em que a pessoa não apenas crê em Deus, mas se entende como pertencente a Ele em mente, corpo e espírito. O sangue aplicado nas partes do corpo e no altar confronta a tendência humana de tratar o pecado como algo superficial. A seriedade da expiação revela que a comunhão com Deus é preciosa demais para ser barata. Ao mesmo tempo, a insistência divina em prover sacrifícios e rituais mostra que Deus não se satisfaz em ficar distante; Ele abre caminho, resgata, perdoa e instala meios de aproximação. O holocausto contínuo, que atravessa gerações, representa um testemunho permanente de entrega e adoração. Espiritualmente, isso sugere que o relacionamento com Deus não é um evento isolado, mas um fluxo contínuo: cada dia começa e termina à luz da presença dEle. O tabernáculo se torna o ponto de encontro, o lugar onde Deus fala, santifica e se faz conhecer. No clímax do capítulo, Deus declara que tirou Israel do Egito para habitar no meio deles. A libertação não é um fim em si; ela serve à comunhão. Esse princípio atravessa toda a história bíblica: a salvação divina visa restaurar a presença de Deus com Seu povo. A espiritualidade que brota dessa visão é marcada por gratidão e resposta: viver como quem foi resgatado para caminhar com Deus, encontrando nEle o centro da identidade, o sentido do passado e a direção do futuro eterno.
" Isto é o que lhes hás de fazer, para os santificar, para que me administrem o sacerdócio: Toma um novilho e dois carneiros sem mácula, "
" E pão ázimo, e bolos ázimos, amassados com azeite, e coscorões ázimos, untados com azeite; com flor de farinha de trigo os farás, "
" E os porás num cesto, e os trarás no cesto, com o novilho e os dois carneiros. "
" Então farás chegar a Arão e a seus filhos à porta da tenda da congregação, e os lavarás com água; "
" Depois tomarás as vestes, e vestirás a Arão da túnica e do manto do éfode, e do éfode, e do peitoral; e o cingirás com o cinto de obra de artífice do éfode. "
" E a mitra porás sobre a sua cabeça; a coroa da santidade porás sobre a mitra. "
" E tomarás o azeite da unção, e o derramarás sobre a sua cabeça; assim o ungirás. "
" Depois farás chegar seus filhos, e lhes farás vestir túnicas. "
" E os cingirás com o cinto, a Arão e a seus filhos, e lhes atarás as tiaras, para que tenham o sacerdócio por estatuto perpétuo, e consagrarás a Arão e a seus filhos; "
" E farás chegar o novilho diante da tenda da congregação, e Arão e seus filhos porão as suas mãos sobre a cabeça do novilho; "
" E imolarás o novilho perante o Senhor, à porta da tenda da congregação. "
" Depois tomarás do sangue do novilho, e o porás com o teu dedo sobre as pontas do altar, e todo o sangue restante derramarás à base do altar. "
" Também tomarás toda a gordura que cobre as entranhas, e o redenho de sobre o fígado, e ambos os rins, e a gordura que houver neles, e queimá-los-ás sobre o altar; "
" Mas a carne do novilho, e a sua pele, e o seu esterco queimarás com fogo fora do arraial; é sacrifício pelo pecado. "
" Depois tomarás um carneiro, e Arão e seus filhos porão as suas mãos sobre a cabeça do carneiro, "
" E imolarás o carneiro, e tomarás o seu sangue, e o espalharás sobre o altar ao redor; "
" E partirás o carneiro por suas partes, e lavarás as suas entranhas e as suas pernas, e as porás sobre as suas partes e sobre a sua cabeça. "
" Assim queimarás todo o carneiro sobre o altar; é um holocausto para o Senhor, cheiro suave; uma oferta queimada ao Senhor. "
" Depois tomarás o outro carneiro, e Arão e seus filhos porão as suas mãos sobre a sua cabeça; "
" E imolarás o carneiro e tomarás do seu sangue, e o porás sobre a ponta da orelha direita de Arão, e sobre as pontas das orelhas direitas de seus filhos, como também sobre os dedos polegares das suas mãos direitas, e sobre os dedos polegares dos seus pés direitos; e o restante do sangue espalharás sobre o altar ao redor; "
" Então tomarás do sangue, que estará sobre o altar, e do azeite da unção, e o espargirás sobre Arão e sobre as suas vestes, e sobre seus filhos, e sobre as vestes de seus filhos com ele; para que ele seja santificado, e as suas vestes, também seus filhos, e as vestes de seus filhos com ele. "
" Depois tomarás do carneiro a gordura, e a cauda, e a gordura que cobre as entranhas, e o redenho do fígado, e ambos os rins com a gordura que houver neles, e o ombro direito, porque é carneiro das consagrações; "
" E um pão, e um bolo de pão azeitado, e um coscorão do cesto dos pães ázimos que estão diante do Senhor. "
" E tudo porás nas mãos de Arão, e nas mãos de seus filhos; e com movimento oferecerás perante o Senhor. "
" Depois o tomarás das suas mãos e o queimarás no altar sobre o holocausto por cheiro suave perante o Senhor; é oferta queimada ao Senhor. "
" E tomarás o peito do carneiro das consagrações, que é de Arão, e com movimento oferecerás perante o Senhor; e isto será a tua porção. "
" E santificarás o peito da oferta de movimento e o ombro da oferta alçada, que foi movido e alçado do carneiro das consagrações, que for de Arão e de seus filhos. "
" E será para Arão e para seus filhos por estatuto perpétuo dos filhos de Israel, porque é oferta alçada; e a oferta alçada será dos filhos de Israel, dos seus sacrifícios pacíficos; a sua oferta alçada será para o Senhor. "
" E as vestes sagradas, que são de Arão, serão de seus filhos depois dele, para serem ungidos com elas para serem consagrados com elas. "
" Sete dias as vestirá aquele que de seus filhos for sacerdote em seu lugar, quando entrar na tenda da congregação para ministrar no santuário. "
" E tomarás o carneiro das consagrações e cozerás a sua carne no lugar santo; "
" E Arão e seus filhos comerão a carne deste carneiro, e o pão que está no cesto, à porta da tenda da congregação. "
" E comerão as coisas com que for feita expiação, para consagrá-los, e para santificá-los; mas o estranho delas não comerá, porque são santas. "
" E se sobejar alguma coisa da carne das consagrações ou do pão até pela manhã, o que sobejar queimarás com fogo; não se comerá, porque é santo. "
" Assim, pois, farás a Arão e a seus filhos conforme a tudo o que eu te tenho ordenado; por sete dias os consagrarás. "
" Também cada dia prepararás um novilho por sacrifício pelo pecado para as expiações, e purificarás o altar, fazendo expiação sobre ele; e o ungirás para santificá-lo. "
" Sete dias farás expiação pelo altar, e o santificarás; e o altar será santíssimo; tudo o que tocar o altar será santo. "
" Isto, pois, é o que oferecereis sobre o altar: dois cordeiros de um ano, cada dia, continuamente. "
" Um cordeiro oferecerás pela manhã, e o outro cordeiro oferecerás à tarde. "
" Com um cordeiro a décima parte de flor de farinha, misturada com a quarta parte de um him de azeite batido, e para libação a quarta parte de um him de vinho, "
" E o outro cordeiro oferecerás à tarde, e com ele farás como com a oferta da manhã, e conforme à sua libação, por cheiro suave; oferta queimada é ao Senhor. "
" Este será o holocausto contínuo por vossas gerações, à porta da tenda da congregação, perante o Senhor, onde vos encontrarei, para falar contigo ali. "
" E ali virei aos filhos de Israel, para que por minha glória sejam santificados. "
" E santificarei a tenda da congregação e o altar; também santificarei a Arão e seus filhos, para que me administrem o sacerdócio. "
" E habitarei no meio dos filhos de Israel, e lhes serei o seu Deus, "
" E saberão que eu sou o Senhor seu Deus, que os tenho tirado da terra do Egito, para habitar no meio deles. Eu sou o Senhor seu Deus. "
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