Êxodo 3 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Êxodo 3 na sua vida hoje

22 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Êxodo 3?

Êxodo 3 narra o chamado de Moisés no monte Horebe, quando Deus se revela a ele numa sarça ardente que não se consome. O Senhor declara ter visto a aflição de Israel no Egito e anuncia seu plano de libertação, chamando Moisés para ser o instrumento dessa obra. Nesse encontro, Deus revela seu nome eterno, "EU SOU", promete estar com Moisés e descreve tanto a resistência de Faraó quanto a futura saída vitoriosa do povo.

Temas principais em Êxodo 3

Chamado de Deus e vocação relutante (versículos 1-12)

Moisés é chamado em meio à sua rotina de pastor, e reage com insegurança e senso de incapacidade. O diálogo mostra que o fundamento da vocação não está na autoconfiança de Moisés, mas na presença e promessa de Deus que o envia.

Versículos-chave: 10, 11, 12

A santidade de Deus (versículos 4-6)

A ordem para tirar as sandálias e o temor de Moisés diante da revelação divina sublinham a santidade absoluta de Deus. O encontro no monte mostra que a aproximação ao Senhor exige reverência e reconhecimento de sua diferença radical em relação a tudo o que é criado.

Versículos-chave: 5, 6

Compaixão e intervenção de Deus (versículos 7-9, 16-17)

Deus vê, ouve e conhece profundamente a dor do povo escravizado. Ele não é indiferente ao sofrimento, mas desce para livrar e conduzir a uma terra boa. A libertação nasce da aliança e da compaixão de Deus, não do mérito humano.

Versículos-chave: 7, 8, 17

Revelação do nome divino (versículos 13-15)

Ao declarar "EU SOU O QUE SOU", Deus se apresenta como o Ser autoexistente, fiel e constante, que permanece o mesmo ao longo das gerações. O nome liga o Deus que fala a Moisés ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó, mostrando continuidade na história da salvação.

Versículos-chave: 14, 15

Soberania de Deus sobre reis e nações (versículos 18-22)

Deus antecipa a resistência de Faraó e, ao mesmo tempo, afirma que estenderá sua mão com maravilhas, garantindo a saída do povo e até mesmo o favor diante dos egípcios. A narrativa destaca que o poder dos impérios está subordinado ao propósito divino.

Versículos-chave: 19, 20, 21

Contexto histórico e literario

Êxodo 3 se passa após muitos anos de permanência de Israel no Egito, quando a família de Jacó já havia se tornado um povo numeroso e escravizado. Moisés, que crescera na corte egípcia e depois fugira por causa do homicídio de um egípcio, vive agora como pastor em Midiã, casado com a filha de Jetro, um sacerdote daquela região. O cenário é o deserto, junto ao monte de Deus, Horebe, tradicionalmente identificado com a mesma região do Sinai, onde mais tarde o povo receberia a Lei. O encontro na sarça ardente marca a virada da história: Deus passa de uma ação mais oculta, preservando o povo, para uma ação poderosa e pública de libertação. A menção das nações cananeias (cananeu, heteu, amorreu, perizeu, heveu e jebuseu) situa a promessa de Deus dentro do contexto geopolítico da terra de Canaã, um território já habitado por vários povos, para o qual o Senhor conduzirá Israel em cumprimento às promessas feitas aos patriarcas.

Estrutura de Êxodo 3

O capítulo pode ser dividido em quatro movimentos principais:

1) CENA NO DESERTO E A SARÇA ARDENTE (3.1-3) Moisés é apresentado em sua rotina de pastor, conduzindo o rebanho até Horebe. A visão da sarça que arde sem se consumir desperta sua curiosidade e o conduz ao encontro com Deus.

2) REVELAÇÃO DE DEUS E SANTIDADE (3.4-6) Deus chama Moisés pelo nome, ordena que ele não se aproxime e tire as sandálias, pois o lugar é santo. Em seguida, identifica-se como o Deus dos patriarcas. A reação de Moisés é de temor e reverência.

3) PROPÓSITO DIVINO E CHAMADO DE MOISÉS (3.7-12) Deus declara ter visto a aflição de Israel, anuncia que desceu para libertar o povo e o plano de levá-lo a uma terra boa. Em seguida, designa Moisés como enviado a Faraó. Moisés questiona sua própria capacidade, e Deus responde com a promessa de estar com ele e com um sinal ligado ao culto naquele mesmo monte.

4) REVELAÇÃO DO NOME E INSTRUÇÕES DETALHADAS (3.13-22) Moisés antecipa a pergunta sobre o nome de Deus, e o Senhor responde com a revelação "EU SOU O QUE SOU". Deus reforça sua identidade como Deus dos pais de Israel, descreve o conteúdo da mensagem que Moisés deve transmitir aos anciãos e a Faraó, prevê a resistência do rei do Egito, anuncia as maravilhas que fará e a graça que dará ao povo, culminando no despojo dos egípcios na saída.

Significado teológico

Êxodo 3 é um dos textos centrais para a compreensão bíblica de Deus, de seu nome e de seu agir na história. Primeiro, o capítulo enfatiza a transcendência e a santidade de Deus: ele se manifesta em fogo, separa um lugar como "terra santa" e desperta temor em Moisés. Ao mesmo tempo, revela sua proximidade compassiva: vê a aflição, ouve o clamor, conhece as dores e desce para libertar. Essa tensão entre transcendência e proximidade marca toda a teologia bíblica.

A revelação do nome "EU SOU O QUE SOU" aponta para a autoexistência e imutabilidade de Deus. Ele não depende de nada fora de si, é fiel a si mesmo e às suas promessas. Ao associar esse nome ao título "Deus de Abraão, Isaque e Jacó", o texto mostra que o Deus eterno se vincula a pessoas e famílias concretas na história, mantendo uma aliança que atravessa gerações.

Teologicamente, o chamado de Moisés evidencia que a missão nasce da iniciativa divina. Deus chama quem parece inadequado aos próprios olhos, e a base da missão não são as capacidades naturais do mensageiro, mas a presença de Deus: "Certamente eu serei contigo". A libertação do Egito é apresentada como obra soberana de Deus, que governa sobre reis e impérios, conduz a história segundo seu plano e garante tanto o livramento quanto a provisão para o povo.

O capítulo também antecipa temas centrais para a fé bíblica: a redenção como ato de Deus em favor de um povo oprimido, o culto como resposta ao libertador ("servireis a Deus neste monte") e a formação de uma comunidade que conhece o nome do Senhor e carrega sua memória de geração em geração.

Aplicação restauradora e de saúde mental

A narrativa de Êxodo 3 oferece um quadro poderoso de cuidado e intervenção em meio ao sofrimento prolongado. O povo está há muito tempo sob opressão, e o texto enfatiza que Deus vê, ouve e conhece profundamente essa dor. Essa ênfase pode funcionar como antídoto espiritual para sentimentos de abandono e invisibilidade, comuns em situações de abuso, ansiedade crônica ou desânimo. O fato de Deus "descer" para livrar reforça a ideia de uma presença que não observa à distância, mas se envolve na história.

Do ponto de vista emocional, o capítulo legitima a experiência de medo e insegurança de Moisés. Ele não aparece como herói pronto, mas como alguém que se sente incapaz, reagindo com a pergunta: "Quem sou eu?". A resposta divina desloca o foco da autoimagem frágil para a companhia firme de Deus. Esse movimento é terapêutico: em vez de negar a fragilidade, ela é acolhida e enquadrada dentro de uma relação com um Deus que sustenta.

A santidade de Deus, expressa na ordem de tirar as sandálias, também pode ser lida como convite a reconhecer limites, reverência e cuidado ao lidar com aquilo que é sagrado. Em contextos de estresse intenso, essa consciência de um Deus maior, santo e estável pode trazer regulação emocional, oferecendo um ponto de referência firme diante da instabilidade das circunstâncias.

warning Importante: maus usos comuns

Algumas leituras deste capítulo podem gerar tensões emocionais se não forem bem compreendidas. A ideia de que Deus demorou a agir por tantos anos de sofrimento pode ser interpretada como indiferença divina, agravando sentimentos de abandono em pessoas feridas. Também é possível que o chamado de Moisés seja lido de forma moralista, como se Deus sempre exigisse que alguém assuma grandes responsabilidades, o que pode aumentar a culpa em quem já se sente exausto ou incapaz.

Outra dificuldade potencial é a imagem das pragas e do "ferir" o Egito, que aparece no final do capítulo como promessa de intervenção forte. Sem contexto, isso pode alimentar medos de punição divina indiscriminada ou reforçar concepções distorcidas de Deus como apenas severo. Para pessoas com história de abuso religioso, a linguagem de obediência a uma voz poderosa também pode reativar memórias dolorosas de controle e manipulação espiritual.

Nessas situações, é importante ler o texto à luz de todo o testemunho bíblico sobre o caráter de Deus, lembrando que a iniciativa divina aqui é de libertação de um povo oprimido, não de opressão adicional, e que o chamado de Moisés é singular na história da redenção, não um padrão de exigência impossível para todas as pessoas.

Aplicação prática para hoje

Êxodo 3 sugere vários princípios práticos para a vida diária. Um deles é a percepção de que Deus pode se revelar em meio à rotina comum, como aconteceu com Moisés enquanto pastoreava o rebanho. Isso encoraja atenção e sensibilidade às pequenas "sarças" – situações fora do comum que despertam a consciência de que algo de Deus pode estar em ação.

Outro aspecto prático é a forma como o texto trata a insegurança. Moisés não é censurado por reconhecer seus limites; o ponto de mudança está em ouvir e levar a sério a promessa: "Eu serei contigo". Esse padrão sugere que decisões difíceis, responsabilidades novas e desafios complexos podem ser enfrentados não na autoconfiança, mas na confiança em um Deus presente.

A santidade do lugar onde Deus se manifesta incentiva respeito em relação a espaços, tempos e práticas dedicadas ao Senhor. Separar momentos de reverência e atenção exclusiva a Deus, em meio a uma vida agitada, ecoa o gesto de tirar as sandálias: é uma forma simbólica de reconhecer que se está diante de algo maior do que os próprios interesses.

Por fim, o capítulo mostra que Deus se importa com injustiças estruturais, como a escravidão do povo no Egito. Isso inspira uma ética de sensibilidade ao sofrimento coletivo, encorajando engajamento responsável em causas de justiça e cuidado com os vulneráveis, lembrando que a libertação bíblica envolve tanto a dimensão espiritual quanto a realidade concreta da vida em sociedade.

Perguntas frequentes

O que significa a sarça que ardia e não se consumia em Êxodo 3?

A sarça que ardia sem se consumir é um sinal extraordinário usado por Deus para atrair Moisés e marcar o caráter sobrenatural da revelação. O fogo, na Bíblia, frequentemente simboliza a presença de Deus, sua santidade e pureza. O fato de a sarça não se consumir sugere um fogo que não depende do combustível natural, apontando para um Deus que é autoexistente e não se esgota. Também pode ser visto como imagem de um Deus que se envolve com uma realidade frágil (como um arbusto do deserto) sem destruí-la, preservando o que escolhe usar.

Por que Moisés teve que tirar as sandálias diante da sarça ardente?

Tirar as sandálias era um gesto cultural de respeito e humildade diante de algo sagrado. Quando Deus diz que o lugar é "terra santa", ele está marcando aquele espaço como separado para sua presença. As sandálias, ligadas ao pó e à impureza do caminho, são removidas como sinal de reverência. O gesto ensina que a aproximação a Deus não é casual, mas envolve reconhecimento de sua santidade e da própria limitação humana.

O que significa o nome de Deus "EU SOU O QUE SOU" em Êxodo 3.14?

O nome "EU SOU O QUE SOU" aponta para Deus como aquele que simplesmente é, o Ser absoluto e autoexistente. Ele não é definido por forças externas, não depende de ninguém e permanece fiel a si mesmo. Em linguagem simples, comunica que Deus é constante, confiável e presente. Ao dizer "EU SOU me enviou a vós", Deus está se apresentando como aquele que sempre estará sendo Deus para seu povo, em todas as circunstâncias.

Por que Deus escolheu Moisés, que se considerava incapaz, para libertar Israel?

O texto mostra que a escolha de Deus não segue os critérios humanos de autoconfiança ou prestígio. Moisés tinha um passado complicado no Egito e vivia anonimemente em Midiã, mas Deus o chama mesmo assim. A ênfase recai na promessa: "Certamente eu serei contigo". Isso indica que o sucesso da missão não dependeria da grandeza de Moisés, e sim da presença e do agir de Deus. A narrativa ilustra um princípio amplo na Bíblia: Deus frequentemente age por meio de pessoas conscientes de suas limitações, para deixar claro que a obra é dele.

O que significa a promessa de uma terra que "mana leite e mel"?

A expressão "terra que mana leite e mel" é uma forma figurada de descrever uma terra fértil e abundante. O leite remete à criação de gado e pastagens boas; o mel, normalmente entendido como mel silvestre ou xarope doce de frutas, sugere riqueza de vegetação e frutos. Em contraste com a aflição e a escravidão no Egito, essa linguagem comunica alívio, liberdade, provisão e espaço amplo para viver. Trata-se de uma imagem concreta da bondade de Deus ao conduzir o povo a uma nova realidade.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Êxodo 3 revela um Deus que não é indiferente à dor prolongada. As palavras "Tenho visto atentamente a aflição do meu povo" soam como um abraço para quem sofre há muito tempo. O sofrimento de Israel não é ignorado, nem minimizado. A dor tem rosto e história diante de Deus, e o texto insiste em verbos de cuidado: ver, ouvir, conhecer, descer. Esse encadeamento mostra um movimento de empatia divina que se transforma em ação. Moisés, na cena, é alguém marcado por experiências difíceis: rejeitado, fugitivo, vivendo longe da terra onde cresceu. Sua reação de medo e de se esconder do rosto de Deus é compreensível. Não há um herói invulnerável aqui, mas um homem assustado, inseguro, que se sente pequeno diante de uma tarefa grande demais. É tocante perceber que Deus, em vez de descartá-lo por causa de sua insegurança, responde com uma promessa de presença: "Certamente eu serei contigo". A esperança não nasce de uma confiança forçada em si mesmo, e sim de uma companhia fiel que não abandona. A imagem da sarça é igualmente consoladora. Deus escolhe algo simples, comum no deserto, para ser o lugar de sua manifestação. Não é um cedro majestoso, mas um arbusto frágil, que, sustentado pelo fogo de Deus, não é consumido. Há aqui um eco de como a fragilidade humana pode ser habitada por uma presença que não destrói, mas ilumina. Para corações cansados, Êxodo 3 sussurra que o Deus santo também é o Deus que se aproxima, fala pelo nome, conhece as feridas e inicia histórias de libertação mesmo depois de longos períodos de silêncio aparente.

Mind
Mind

Êxodo 3 é um texto denso em teologia, linguagem e contexto histórico. Literariamente, a cena da sarça ardente funciona como teofania inaugural para a missão de Moisés. O cenário no monte Horebe antecipa o papel dessa região como lugar de aliança e revelação da Lei. A descrição do "anjo do Senhor" no meio da sarça, seguida pela fala de Deus em primeira pessoa, sugere uma forma de manifestação divina em que mensageiro e presença se sobrepõem na narrativa, algo recorrente no Antigo Testamento. Do ponto de vista da crítica histórica e da teologia bíblica, o capítulo marca a transição da fase patriarcal para a formação do povo como nação. A repetida referência ao "Deus de Abraão, Isaque e Jacó" ancora a nova etapa de libertação na antiga aliança. Não se trata de um novo deus, mas do mesmo que atuou nas gerações anteriores, agora intervindo em escala nacional. A revelação do nome em 3.14 tem sido amplamente discutida na exegese. A expressão hebraica traduzida como "EU SOU O QUE SOU" comporta nuances como "Eu serei o que serei", indicando tanto a autoexistência de Deus quanto sua liberdade soberana em ser e agir na história. O uso do verbo "ser" associado ao nome divino ressalta a ideia de um Deus que não é definido por função ou limitação específica, mas por uma presença contínua. Em seguida, o nome é conectado ao memorial de geração em geração, o que dá ao texto forte caráter litúrgico e identitário para Israel. Os versículos finais (18-22) desempenham função programática: antecipam a narrativa das pragas e do êxodo, incluindo a resistência de Faraó e o despojo dos egípcios. A menção à "mão forte" e às "maravilhas" insere o tema do poder de Deus sobre as potências imperiais. Sob a perspectiva da teologia do êxodo, esse capítulo estabelece os eixos principais: Deus como libertador, o povo como destinatário da promessa, Moisés como mediador e a história como palco do cumprimento das alianças patriarcais.

Life
Life

A trajetória de Moisés em Êxodo 3 oferece um espelho para muitos processos de vida. Ele está longe do centro do poder, vivendo uma rotina simples de trabalho, quando algo inusitado chama sua atenção. Há um princípio prático aqui: mudanças significativas muitas vezes começam quando se presta atenção ao que foge do padrão e se dá um passo na direção de entender melhor o que está acontecendo. A capacidade de parar, observar e se aproximar é o que abre espaço para novas direções. No diálogo com Deus, aparece com força a questão da identidade: "Quem sou eu, que vá a Faraó?". Moisés carrega história, fracassos e limitações. A resposta divina não oferece uma lista de qualidades, mas uma certeza: "Eu serei contigo". Em termos de vida prática, isso desloca o foco da busca constante por autoafirmação para a confiança em uma parceria com Deus. Decisões difíceis, mudanças de carreira, confrontos com injustiças e responsabilidades familiares ganham outra perspectiva quando não dependem apenas da própria força. O chamado também envolve clareza de missão. Deus define o conteúdo da mensagem de Moisés, o público (anciãos de Israel, rei do Egito) e até antecipa obstáculos. Isso mostra que, na prática, a fé não dispensa planejamento nem lucidez sobre resistências. Esperar oposição não é sinal de fracasso, mas parte realista do caminho, especialmente quando se confrontam estruturas injustas. Por fim, a ordem de tirar as sandálias sugere um estilo de vida que sabe diferenciar momentos e espaços. Em meio a agendas cheias, estabelecer ritmos de reverência, descanso e escuta atenta a Deus ajuda a realinhar prioridades. Um coração que reconhece "terra santa" em meio ao comum tende a lidar melhor com pressões, porque aprende a enxergar o cotidiano à luz de algo maior do que suas próprias metas imediatas.

Soul
Soul

Êxodo 3 é uma janela para o mistério de quem Deus é e de como ele se envolve com o destino eterno de um povo. O nome "EU SOU O QUE SOU" não é apenas uma fórmula abstrata; ele aponta para um Deus cuja existência não oscila, cujas promessas não caducam e cuja presença atravessa gerações. Em termos espirituais, isso significa que a relação com Deus não se apoia em algo passageiro, mas em Aquele que simplesmente é, antes e depois de todas as coisas. A cena também revela um padrão de chamado e resposta que toca a dimensão da vocação espiritual. Deus chama pelo nome, em um lugar específico, em um tempo determinado, e vincula a vida de Moisés a um propósito que o transcende: libertar um povo para que o sirva. A libertação do Egito não é fim em si; o objetivo é o culto, a adoração, o serviço a Deus: "servireis a Deus neste monte". A verdadeira liberdade, no horizonte bíblico, não é apenas sair de uma escravidão, mas ser conduzido a um relacionamento de aliança com o Deus vivo. Do ponto de vista da formação espiritual, a experiência de Moisés na sarça ensina que se aproximar de Deus envolve reverência e transformação. O gesto de cobrir o rosto, de tirar as sandálias, expressa um reconhecimento profundo de que se entra em uma realidade que não pode ser manipulada. Esse encontro redefine a história de Moisés por completo: daquele momento em diante, sua biografia passa a ser lida dentro da grande história de Deus com seu povo. O capítulo, assim, orienta o olhar para além das circunstâncias imediatas de opressão ou exílio. Ele mostra que, mesmo nos desertos prolongados, há um Deus que vê, chama e conduz a um futuro de promessa. A espiritualidade que brota de Êxodo 3 é uma espiritualidade de aliança: conhecer o nome de Deus, lembrar sua fidelidade de geração em geração e responder com uma vida que se deixa inserir no movimento de libertação e adoração que ele iniciou.

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Versículos em Êxodo 3

Êxodo 3:1

" E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã; e levou o rebanho atrás do deserto, e chegou ao monte de Deus, a Horebe. "

Êxodo 3:2

" E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia. "

Êxodo 3:3

" E Moisés disse: Agora me virarei para lá, e verei esta grande visão, porque a sarça não se queima. "

Êxodo 3:4

" E vendo o Senhor que se virava para ver, bradou Deus a ele do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés. Respondeu ele: Eis-me aqui. "

Êxodo 3:5

" E disse: Não te chegues para cá; tira os sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa. "

Êxodo 3:6

" Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus. "

Êxodo 3:7

" E disse o Senhor: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores. "

Êxodo 3:7 mostra que Deus vê, ouve e conhece profundamente o sofrimento do seu povo e não é indiferente à injustiça. O versículo ensina que …

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Êxodo 3:8

" Portanto desci para livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra, a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel; ao lugar do cananeu, e do heteu, e do amorreu, e do perizeu, e do heveu, e do jebuseu. "

Êxodo 3:9

" E agora, eis que o clamor dos filhos de Israel é vindo a mim, e também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem. "

Êxodo 3:12

" E disse: Certamente eu serei contigo; e isto te será por sinal de que eu te enviei: Quando houveres tirado este povo do Egito, servireis a Deus neste monte. "

Êxodo 3:13

" Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? "

Êxodo 3:14

" E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. "

Êxodo 3:14 mostra Deus revelando que é eterno, constante e totalmente confiável: “Eu Sou” não depende de nada nem de ninguém. Em tempos de mudança, …

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Êxodo 3:15

" E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração. "

Êxodo 3:16

" Vai, e ajunta os anciãos de Israel e dize-lhes: O Senhor Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, me apareceu, dizendo: Certamente vos tenho visitado e visto o que vos é feito no Egito. "

Êxodo 3:17

" Portanto eu disse: Far-vos-ei subir da aflição do Egito à terra do cananeu, do heteu, do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuseu, a uma terra que mana leite e mel. "

Êxodo 3:18

" E ouvirão a tua voz; e irás, tu com os anciãos de Israel, ao rei do Egito, e dir-lhe-eis: O Senhor Deus dos hebreus nos encontrou. Agora, pois, deixa-nos ir caminho de três dias para o deserto, para que sacrifiquemos ao Senhor nosso Deus. "

Êxodo 3:20

" Porque eu estenderei a minha mão, e ferirei ao Egito com todas as minhas maravilhas que farei no meio dele; depois vos deixará ir. "

Êxodo 3:21

" E eu darei graça a este povo aos olhos dos egípcios; e acontecerá que, quando sairdes, não saireis vazios, "

Êxodo 3:22

" Porque cada mulher pedirá à sua vizinha e à sua hóspeda jóias de prata, e jóias de ouro, e vestes, as quais poreis sobre vossos filhos e sobre vossas filhas; e despojareis os egípcios. "

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