Êxodo 21 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Êxodo 21 na sua vida hoje

36 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Êxodo 21?

Êxodo 21 inaugura uma longa seção de estatutos civis e sociais dados a Israel logo após os Dez Mandamentos. O capítulo trata de servidão hebreia, proteção de mulheres e servas, punição para homicídio, agressão e sequestro, princípio de retribuição proporcional ("olho por olho"), e responsabilidade em casos de animais perigosos e danos materiais. Em tudo, o foco é estabelecer justiça, limites ao abuso de poder e dignidade básica até mesmo para os mais vulneráveis.

Temas principais em Êxodo 21

Limites e proteção na servidão hebreia (versículos Êxodo 21:2-11)

A servidão entre hebreus é regulada com limite de tempo, possibilidade de libertação e proteção contra abusos físicos e familiares. Até em um sistema imperfeito, Deus estabelece freios à exploração e mecanismos de liberdade.

Versículos-chave: 2, 6, 10, 11

Valor sagrado da vida humana e gravidade do homicídio (versículos Êxodo 21:12-17)

O homicídio intencional, agressão aos pais, sequestro e maldição aos pais são crimes capitais. A vida humana e a honra da família são protegidas com máxima seriedade.

Versículos-chave: 12, 14, 16, 17

Justiça proporcional: "olho por olho" (versículos Êxodo 21:22-25)

O princípio de "vida por vida, olho por olho" não incentiva vingança descontrolada, mas limita a punição para que seja proporcional ao dano causado, promovendo equilíbrio e coibindo excessos.

Versículos-chave: 23, 24, 25

Responsabilidade por danos e negligência (versículos Êxodo 21:18-21, 28-36)

Quem causa dano físico a outro, direta ou indiretamente (por animais, covas ou descuido), é responsabilizado. O texto enfatiza reparação, compensação financeira e prevenção de novos prejuízos.

Versículos-chave: 19, 28, 29, 33, 34, 36

Dignidade de servos e servas (versículos Êxodo 21:7-11, 20-21, 26-27, 32)

Mesmo em uma estrutura de servidão, servos e servas têm direitos: proteção contra violência excessiva, compensação por mutilações e garantias de sustento, vestimenta e cuidado conjugal.

Versículos-chave: 9, 10, 11, 26, 27, 32

Contexto histórico e literario

Êxodo 21 se insere nos primeiros momentos da formação de Israel como nação, logo após a saída do Egito e a entrega dos Dez Mandamentos no Sinai. O povo, que viveu por séculos sob opressão, precisava de um código que definisse justiça, responsabilidade e relações sociais em sua nova realidade comunitária.

Os estatutos sobre servos hebreus (vv. 2-11) refletem uma forma de servidão contratual comum no antigo Oriente Próximo, muitas vezes ligada a dívidas ou pobreza extrema. Diferente de escravidão racial hereditária, havia limites temporais (seis anos de serviço) e expectativa de libertação. Esses regulamentos buscavam humanizar um sistema já existente na cultura, introduzindo prazos, possibilidades de resgate e direitos para mulheres.

As leis sobre homicídio, agressão e sequestro (vv. 12-17) se alinham a códigos legais contemporâneos, como o Código de Hamurabi, mas com ênfase na santidade da vida e na responsabilidade diante de Deus. O refúgio mencionado no v. 13 aponta para a futura instituição das cidades de refúgio, onde alguém que matasse sem intenção poderia escapar da vingança de sangue.

O princípio de "olho por olho" (vv. 23-25) era um padrão jurídico conhecido em outras nações, mas aqui assume função clara de limitar represálias e padronizar decisões judiciais. Não é incentivo à vingança pessoal, e sim critério para os juízes avaliarem casos.

As leis sobre animais perigosos e danos a propriedades (vv. 28-36) refletem uma sociedade agrária em que bois, jumentos e poços eram parte do cotidiano e podiam causar acidentes. A legislação enfatiza a responsabilidade do dono em conhecer os riscos e prevenir novos danos, estabelecendo compensações financeiras adequadas.

Estrutura de Êxodo 21

Êxodo 21 é um conjunto de "juízos" ou decisões legais casuísticas (baseadas em casos), frequentemente introduzidas por fórmulas como "se". O capítulo pode ser organizado em blocos temáticos:

  1. Servidão hebreia masculina (21:2-6)

    • Duração do serviço
    • Situações familiares e saída
    • Escolha pela servidão permanente marcada pelo furo da orelha
  2. Servidão feminina e direitos conjugais (21:7-11)

    • Venda de filha como serva
    • Possível casamento com o senhor ou seu filho
    • Direitos de alimento, vestimenta e intimidade
    • Libertação em caso de negligência
  3. Crimes capitais contra a vida e a família (21:12-17)

    • Homicídio intencional e não intencional
    • Ferir pai ou mãe
    • Sequestro
    • Amaldiçoar pai ou mãe
  4. Agressões e compensações civis (21:18-21)

    • Brigas que resultam em ferimentos, sem morte
    • Responsabilidade de pagar tratamento e tempo perdido
    • Agressão contra servo ou serva
  5. Acidente com mulher grávida e princípio de retribuição (21:22-25)

    • Dano a gestante em briga alheia
    • Indenização por aborto e danos
    • Fórmula de retribuição proporcional: vida por vida, olho por olho etc.
  6. Direitos de servos em casos de mutilação (21:26-27)

    • Danos físicos irreversíveis (olho, dente)
    • Libertação como compensação
  7. Animais perigosos e responsabilidade do dono (21:28-32)

    • Boi que mata pessoa
    • Casos sem histórico anterior e com negligência conhecida
    • Possibilidade de resgate da vida do dono
    • Caso envolvendo servos
  8. Danos por descuido e prejuízos entre vizinhos (21:33-36)

    • Cova aberta sem proteção
    • Boi que mata boi de outro
    • Diferença entre acidente imprevisto e negligência reiterada

O estilo é objetivo, jurídico e concentrado em exemplos concretos, revelando como os princípios morais dos Dez Mandamentos são aplicados a situações práticas do cotidiano.

Significado teológico

O capítulo mostra que o Deus que libertou da escravidão do Egito também ordena a vida social do povo livre. A espiritualidade bíblica é concretizada em leis que tratam de trabalho, violência, família, propriedade e responsabilidade civil.

A dignidade humana, mesmo em contextos imperfeitos, é afirmada pela limitação da servidão, pela proteção de servas e mulheres, pela proibição do sequestro e pela gravidade atribuída ao homicídio e aos maus-tratos familiares. A vida não pertence ao ser humano; pertence a Deus.

O princípio de "olho por olho" ganha relevância teológica como expressão de justiça proporcional. Ele impede que o mal seja pago com exagero de maldade e cria um padrão de cuidado para que a pena nunca ultrapasse o dano. Jesus, no Novo Testamento, retoma esse princípio não para negá-lo como padrão jurídico, mas para ampliar a ética do Reino em nível pessoal, chamando à não vingança e ao amor ao inimigo.

Outro ponto importante é a ideia de responsabilidade solidária: Deus vê e julga não apenas pecados religiosos, mas também negligência, abuso de poder, violência doméstica e desrespeito à autoridade familiar. A lei revela o caráter de Deus como juiz justo, defensor dos fracos e regulador da vida em comunidade.

Esses mandamentos civis também mostram a pedagogia divina: em uma cultura antiga, Deus conduz um povo real, com estruturas sociais já existentes, dando passos concretos que apontam para maior justiça e misericórdia, preparando o caminho para a revelação plena em Cristo.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Êxodo 21 pode causar desconforto emocional ao abordar servidão, violência, pena de morte e tratamento de mulheres e servos. Ao mesmo tempo, o texto traz elementos de cuidado, limites à violência e proteção aos vulneráveis, o que pode oferecer alívio e senso de que Deus se importa com injustiças concretas.

Há um aspecto terapêutico na percepção de que Deus não ignora brigas, abusos, maus-tratos de trabalhadores, violência doméstica ou negligência que causa dano a terceiros. O sofrimento causado por outros, mesmo dentro de estruturas sociais imperfeitas, é visto, nomeado e tratado como assunto sério diante de Deus.

O princípio de justiça proporcional também pode oferecer base para curar percepções distorcidas de justiça — seja para quem foi vítima de excessos, seja para quem lutou com culpa desproporcional. A imagem de um Deus que estabelece limites claros para punições e exige reparação aponta para um cuidado ordenado com o trauma e com as consequências do pecado.

Para quem carrega memórias de abuso de autoridade, este capítulo, lido no contexto maior da Bíblia, mostra que Deus não legitima violência ilimitada. Ele intervém no mundo real, trazendo freios, exigindo reparo e denunciando comportamentos destrutivos dentro da família e da sociedade.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns pontos do capítulo podem ser especialmente sensíveis:

  • Versos sobre servidão e venda de filhas (vv. 2-7) podem acionar memórias de abuso, exploração econômica, abandono familiar ou tráfico de pessoas.
  • Leis sobre agressão física, morte e pena capital (vv. 12-17, 20-21, 28-32) podem ser gatilho para quem viveu violência, perdeu alguém de forma traumática ou tem medo intenso de punição.
  • A linguagem de maldição contra pai e mãe (v. 17) pode entrar em choque com experiências de pais abusivos, trazendo confusão sobre honra, culpa e justiça.
  • O princípio de "olho por olho" (vv. 23-25), sem contexto, pode ser mal interpretado como incentivo a vingança ou retaliação, reforçando padrões de relacionamento destrutivos.

Em contextos pastorais ou terapêuticos, é recomendável: - Ler o capítulo dentro do panorama bíblico mais amplo de misericórdia, graça e revelação progressiva. - Reforçar que o texto descreve regulamentos para uma sociedade antiga específica, não instruções literais para repetir hoje. - Dar espaço para que sentimentos de revolta, tristeza ou confusão sejam reconhecidos. - Evitar usar essas leis para justificar qualquer forma de abuso moderno, submissão forçada ou violência religiosa.

Aplicação prática para hoje

Êxodo 21 convida a aplicar a justiça de Deus em áreas concretas da vida:

  1. Responsabilidade nas relações de trabalho

    • Enxergar funcionários, prestadores de serviços e pessoas em posição de vulnerabilidade como portadores de dignidade, não como "propriedade" a ser explorada.
    • Estabelecer limites claros, horários, remuneração justa e proteção contra abusos.
  2. Cuidado com o uso da força e da autoridade

    • Reconhecer que qualquer posição de poder (familiar, profissional, espiritual) vem acompanhada de maior responsabilidade diante de Deus.
    • Evitar explosões de raiva, agressões verbais ou físicas, lembrando que Deus leva a sério toda forma de violência.
  3. Reparação de danos

    • Quando causar prejuízo (emocional, material ou físico), buscar não apenas pedir perdão, mas também reparar o dano na medida do possível.
    • Construir relações baseadas em responsabilização e restauração, não em negação ou minimização de erros.
  4. Prevenção e cuidado com riscos

    • Tomar medidas práticas para evitar acidentes e danos aos outros: manutenção de ambientes, cuidado com animais, veículos, objetos perigosos.
    • Entender que negligência também é uma forma de injustiça.
  5. Respeito à família e à geração anterior

    • Valorizar a seriedade do relacionamento com pai e mãe, mesmo reconhecendo contextos difíceis, e buscar atitudes que não reproduzam desprezo ou violência.
  6. Uso moderado da ideia de justiça

    • Rejeitar tanto a vingança desmedida quanto a impunidade completa.
    • Buscar equilíbrio em conflitos, disciplinando sem crueldade e corrigindo sem humilhar.

Perguntas frequentes

Êxodo 21 apoia a escravidão como algo aprovado por Deus?

O capítulo regula uma forma de servidão existente na cultura da época, especialmente ligada a dívida e pobreza, mas não apresenta a servidão como ideal definitivo de Deus. Ao contrário, Deus coloca limites, prevê libertação após seis anos, protege contra abusos físicos e garante direitos a servas. Ao longo da revelação bíblica, vê-se um movimento em direção à liberdade, igualdade em Cristo e condenação de qualquer exploração, o que se opõe claramente a sistemas de escravidão baseados em raça, violência e mercantilização de pessoas como conhecidos na história recente.

O que significa o servo ter a orelha furada no versículo 6?

O furo da orelha, diante dos juízes e na porta da casa, era um sinal público e legal de que aquele servo havia decidido permanecer para sempre com seu senhor. Representava um compromisso vitalício, assumido de forma consciente, frequentemente por amor à família formada naquele lar e por segurança econômica. Era um ato jurídico e simbólico, registrando essa escolha diante da comunidade.

Como entender o princípio de "olho por olho, dente por dente" em Êxodo 21:24?

Esse princípio é um critério judicial de proporcionalidade, não um convite à vingança pessoal. Servia para orientar juízes a aplicar penas que correspondessem ao dano causado, impedindo tanto punições leves demais quanto represálias exageradas. No Novo Testamento, Jesus chama seus discípulos a irem além desse padrão em relações pessoais, respondendo ao mal com graça e não com retaliação, sem negar a importância da justiça em nível social.

Por que há pena de morte para quem ferir ou amaldiçoar pai ou mãe?

Na cultura de Israel, a família era a célula central da sociedade, e a honra aos pais estava diretamente ligada à fidelidade a Deus (como no Quinto Mandamento). Ferir fisicamente os pais ou amaldiçoá-los representava rebelião grave contra a ordem estabelecida por Deus. A pena severa sublinha a seriedade com que Deus valoriza o respeito aos pais e a estabilidade familiar em uma sociedade que estava sendo formada.

Qual é o sentido das leis sobre bois que matam pessoas ou outros animais?

Essas leis tratam de responsabilidade por riscos conhecidos. Se um boi, sem histórico, mata alguém, o animal é morto, mas o dono é inocentado. Porém, se o boi já era conhecido como perigoso e o dono não tomou cuidado, ele se torna culpado, podendo até responder com a própria vida, ou pagar resgate. A mensagem é que Deus considera grave a negligência que expõe outros a perigo e exige prevenção, cuidado e reparação em caso de danos.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Êxodo 21 fala de temas duros: servidão, violência, morte, injustiças. Em meio a tudo isso, aparece um Deus que se importa com pessoas reais, machucadas em situações concretas. Ele não fala apenas de adoração no monte, mas entra nos becos da vida diária, onde há briga, abuso de poder, descuido e dor. Há uma ternura escondida no cuidado com aqueles que quase sempre são esquecidos: a serva que poderia ser descartada, o servo ferido, a mulher grávida atingida por uma briga que nem era dela, o trabalhador que perde dias de serviço por ter sido agredido. O coração de Deus aparece justamente quando Ele diz que nada disso passa despercebido, que essas situações pedem reparação, proteção, limites. Para quem carrega marcas de injustiças sofridas, este capítulo mostra um Deus que não chama o sofrimento de "exagero" nem de "normal". Ao contrário, Ele o nomeia, cria leis para coibir abusos, exige compensação e responsabiliza quem faz mal ou quem se omite. Isso não apaga a dor, mas revela um Deus próximo, que olha para dores antigas, sociais e familiares, e declara: isso é assunto sério para Mim. E para quem vive com culpa por erros cometidos, também há espaço de alívio quando se percebe que Deus não é caótico em Sua justiça. Ele fala de proporcionalidade, de reparação concreta, de espaços de refúgio quando não houve intenção. Isso revela um Deus que conhece as nuances da história de cada um, que sabe diferenciar o acidente da maldade planejada. No fim, mesmo num texto cheio de leis, a mensagem que toca o coração é que Deus não é indiferente ao que acontece dentro de casa, no trabalho e entre vizinhos. Ele vê cada ferida, cada abandono, cada grito sufocado, e estabelece um caminho para que a vida em comunidade seja menos cruel e mais próxima do cuidado que Ele deseja para todos.

Mind
Mind

Êxodo 21 abre a seção conhecida como "Livro da Aliança" (Êxodo 20–23), que detalha em forma casuística como os Dez Mandamentos se desdobram na vida civil de Israel. Trata-se de um código jurídico teocrático, destinado a um povo recém-liberto, em transição de escravos para nação organizada. No bloco sobre servidão hebreia (vv. 2-6), vê-se uma forma de servidão limitada e regulada. O limite de seis anos e a libertação no sétimo ano indicam que a servidão não é vista como estado permanente inevitável. O caso da família formada durante a servidão e a possibilidade de o servo optar por permanecer de forma vitalícia, com a orelha furada, mostram a preocupação com vínculos familiares e comprometimento voluntário. A seção sobre servas (vv. 7-11) pode causar estranhamento moderno, mas, em seu contexto, representa avanço em proteção. A serva com função de concubina ou futura esposa não pode ser tratada como mera propriedade descartável. Se o senhor desistir dela ou assumir outra esposa, a primeira mantém direitos garantidos de alimento, vestimenta e intimidade. A negação destes direitos resulta em libertação. Isso cria, dentro de um sistema patriarcal, salvaguardas mínimas para mulheres vulneráveis. Os vv. 12-17 apresentam crimes capitais. A distinção entre homicídio intencional e não intencional (vv. 12-14) prepara o terreno para o conceito de cidades de refúgio. Ferir ou amaldiçoar pai e mãe (vv. 15, 17) e o sequestro (v. 16) são colocados na mesma categoria de gravidade, indicando a centralidade da família e da liberdade pessoal na ética de Israel. Nos vv. 18-27, a legislação sobre agressões físicas e danos a servos mostra um equilíbrio entre punição e reparação: o agressor paga a perda de tempo de trabalho e as despesas de cura (v. 19). Em casos de mutilação de servos, a consequência é a libertação (vv. 26-27), o que desencoraja abusos severos. Os vv. 20-21, muitas vezes mal compreendidos, não permitem impunidade absoluta, mas precisam ser lidos dentro do quadro mais amplo: o agressor é "castigado" se o servo morre sob sua mão, e a menção a "porque é dinheiro seu" indica, para a mentalidade da época, uma forma de prejuízo autoimposto, ainda que o texto não explicite todas as sanções adicionais. A famosa passagem de "olho por olho" (vv. 22-25) está ligada a um caso específico: dano a mulher grávida em briga de terceiros. Se não há dano maior, há multa; se acontece morte, aplica-se o princípio de vida por vida e outros paralelos. O texto não esclarece se a aplicação é sempre literal ou frequentemente convertida em compensação financeira, como parece ocorrer em outros códigos antigos, mas o objetivo geral é assegurar proporcionalidade. A parte final (vv. 28-36) trata de danos decorrentes de animais e acidentes. A distinção entre boi sem histórico de violência e boi já conhecido como perigoso é crucial: a negligência agravada eleva a responsabilidade do dono a ponto de ser ele mesmo merecedor de morte, salvo pagamento de resgate (vv. 29-30). Já em prejuízos entre animais de vizinhos ou em casos de cova aberta, prevalecem fórmulas de compensação e partilha de perdas (vv. 33-36), com forte senso de equidade. Em conjunto, Êxodo 21 apresenta um sistema em que a lei busca conter a violência, proteger os vulneráveis e estruturar a vida social de forma a refletir, ainda que de maneira inicial e culturalmente condicionada, a justiça do Deus que tirou Israel da casa da servidão.

Life
Life

Êxodo 21 mostra a fé aterrissando na vida prática: trabalho, conflitos, acidentes, família, responsabilidade. Não é um texto distante do cotidiano; ele lida com situações que, em essência, continuam existindo, ainda que os formatos tenham mudado. Nas relações de trabalho, a lógica é clara: tempo de serviço limitado, possibilidade de sair, proteção contra maus-tratos, compensação por danos. Aplicado ao dia a dia atual, inspira relações mais justas no emprego: contratos claros, respeito a horários, pagamento adequado e cuidado com a saúde física e emocional do trabalhador. A ideia de que ferimentos e doenças decorrentes de conflitos exigem reparação (v. 19) confronta culturas que normalizam "queimar" pessoas até a exaustão. No âmbito familiar, o texto enfatiza a seriedade do relacionamento com pai e mãe e a necessidade de cuidar da mulher dentro do casamento (vv. 10-11, 15, 17). Hoje, isso encoraja uma visão de compromisso conjugal que não tolera negligência emocional, material ou física, e lembra que agressão e desprezo dentro da família têm peso espiritual e social. Os casos de briga, danos corporais e aborto involuntário (vv. 18-25) levam a refletir sobre autocontrole, prevenção de conflitos e responsabilidade por consequências indiretas das próprias atitudes. Entrar em discussões agressivas não é algo neutro: pode atingir pessoas inocentes, como a mulher grávida do texto. A mensagem prática é aprender a administrar conflitos antes que eles cresçam e atinjam terceiros. A parte dos bois e das covas (vv. 28-36) fala de responsabilidade sobre riscos sob nosso cuidado. Traduzindo para hoje: proprietários de veículos, empresas, animais de estimação, imóveis e equipamentos potencialmente perigosos precisam agir com prevenção. Se há histórico de risco e mesmo assim ninguém faz nada, isso se torna culpa, não apenas acidente. Em termos práticos, isso envolve manutenção, sinalização, treinamento, seguros e cultura de segurança. O princípio de justiça proporcional ensina a não exagerar em reações. Em conflitos, disciplina de filhos, correção de subordinados ou resposta a ofensas, a medida da resposta não deve ser maior que o dano. Isso protege relacionamentos de ciclos de vingança e ajuda a criar ambientes em que erros são tratados com firmeza, mas sem crueldade. No conjunto, Êxodo 21 convida a assumir responsabilidade pelas pessoas sob nosso cuidado, repensar como usamos poder e autoridade, e transformar no cotidiano o valor que Deus dá à vida, ao corpo, à família e ao trabalho.

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Versículos em Êxodo 21

Êxodo 21:3

" Se entrou só com o seu corpo, só com o seu corpo sairá; se ele era homem casado, sua mulher sairá com ele. "

Êxodo 21:4

" Se seu senhor lhe houver dado uma mulher e ela lhe houver dado filhos ou filhas, a mulher e seus filhos serão de seu senhor, e ele sairá sozinho. "

Êxodo 21:5

" Mas se aquele servo expressamente disser: Eu amo a meu senhor, e a minha mulher, e a meus filhos; não quero sair livre, "

Êxodo 21:6

" Então seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta, ou ao umbral da porta, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre. "

Êxodo 21:8

" Se ela não agradar ao seu senhor, e ele não se desposar com ela, fará que se resgate; não poderá vendê-la a um povo estranho, agindo deslealmente com ela. "

Êxodo 21:10

" Se lhe tomar outra, não diminuirá o mantimento desta, nem o seu vestido, nem a sua obrigação marital. "

Êxodo 21:10 mostra que Deus protege a esposa de ser trocada ou negligenciada. Mesmo se o homem assumisse outro compromisso, comida, roupa e intimidade não …

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Êxodo 21:12

" Quem ferir alguém, de modo que este morra, certamente será morto. "

Êxodo 21:12 mostra que Deus leva a vida humana muito a sério: quem tira a vida de outra pessoa de propósito merece juízo. O versículo …

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Êxodo 21:13

" Porém se lhe não armou cilada, mas Deus lho entregou nas mãos, ordenar-te-ei um lugar para onde fugirá. "

Êxodo 21:14

" Mas se alguém agir premeditadamente contra o seu próximo, matando-o à traição, tirá-lo-ás do meu altar, para que morra. "

Êxodo 21:18

" E se dois homens pelejarem, ferindo-se um ao outro com pedra ou com o punho, e este não morrer, mas cair na cama, "

Êxodo 21:19

" Se ele tornar a levantar-se e andar fora, sobre o seu bordão, então aquele que o feriu será absolvido; somente lhe pagará o tempo que perdera e o fará curar totalmente. "

Êxodo 21:20

" Se alguém ferir a seu servo, ou a sua serva, com pau, e morrer debaixo da sua mão, certamente será castigado; "

Êxodo 21:21

" Porém se sobreviver por um ou dois dias, não será castigado, porque é dinheiro seu. "

Êxodo 21:21 reflete uma lei antiga que regulava a violência contra servos, sem aprová-la. Mostra um sistema limitado, bem diferente do ideal de Deus. Hoje, …

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Êxodo 21:22

" Se alguns homens pelejarem, e um ferir uma mulher grávida, e for causa de que aborte, porém não havendo outro dano, certamente será multado, conforme o que lhe impuser o marido da mulher, e julgarem os juízes. "

Êxodo 21:22 mostra que, para Deus, a vida do bebê no ventre e o bem-estar da mãe têm grande valor. Mesmo num acidente durante briga, …

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Êxodo 21:24

" Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, "

Êxodo 21:24, “olho por olho, dente por dente”, limitava a vingança, impedindo castigos exagerados. A pena deveria ser proporcional ao dano, protegendo a justiça e …

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Êxodo 21:26

" E quando alguém ferir o olho do seu servo, ou o olho da sua serva, e o danificar, o deixará ir livre pelo seu olho. "

Êxodo 21:28

" E se algum boi escornear homem ou mulher, que morra, o boi será apedrejado certamente, e a sua carne não se comerá; mas o dono do boi será absolvido. "

Êxodo 21:29

" Mas se o boi dantes era escorneador, e o seu dono foi conhecedor disso, e não o guardou, matando homem ou mulher, o boi será apedrejado, e também o seu dono morrerá. "

Êxodo 21:30

" Se lhe for imposto resgate, então dará por resgate da sua vida tudo quanto lhe for imposto, "

Êxodo 21:30 mostra que Deus permite substituição da pena de morte por pagamento financeiro, quando há responsabilidade por dano grave. O versículo ensina que a …

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Êxodo 21:32

" Se o boi escornear um servo, ou uma serva, dar-se-á trinta siclos de prata ao seu senhor, e o boi será apedrejado. "

Êxodo 21:33

" Se alguém abrir uma cova, ou se alguém cavar uma cova, e não a cobrir, e nela cair um boi ou um jumento, "

Êxodo 21:34

" O dono da cova o pagará; pagará em dinheiro ao seu dono, mas o animal morto será seu. "

Êxodo 21:34 mostra que quem causa um dano é responsável por reparar a perda. Se alguém abre uma cova e um animal cai ali, deve …

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Êxodo 21:35

" Se o boi de alguém ferir o boi do seu próximo, e morrer, então se venderá o boi vivo, e o dinheiro dele se repartirá igualmente, e também repartirão entre si o boi morto. "

Êxodo 21:36

" Mas se foi notório que aquele boi antes era escorneador, e seu dono não o guardou, certamente pagará boi por boi; porém o morto será seu. "

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