Êxodo 34 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Êxodo 34 na sua vida hoje

35 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Êxodo 34?

Êxodo 34 narra a renovação da aliança após o pecado do bezerro de ouro. Deus manda Moisés lavrar duas novas tábuas, revela seu caráter misericordioso e justo, reafirma mandamentos centrais, especialmente a exclusividade da adoração, e estabelece festas e práticas de consagração. Moisés permanece quarenta dias e quarenta noites no monte Sinai, recebe novamente as palavras da aliança, e desce com o rosto resplandecente por ter estado na presença do Senhor.

Temas principais em Êxodo 34

Renovação da aliança após o pecado (versículos 1-4, 10, 27-28)

Mesmo depois da rebelião do povo, Deus chama Moisés de volta ao Sinai, dá novas tábuas e reafirma sua aliança com Israel. A história não termina na quebra das primeiras tábuas; Deus recomeça com seu povo.

Versículos-chave: 1, 10, 27, 28

Revelação do caráter de Deus (versículos 5-7)

Deus se apresenta como misericordioso, piedoso, tardio em irar-se, grande em bondade e verdade, que perdoa o pecado mas não deixa o culpado impune. A aliança se baseia nesse caráter santo, amoroso e justo.

Versículos-chave: 6, 7

Exclusividade da adoração e zelo de Deus (versículos 11-17)

O Senhor ordena destruir altares e ídolos das nações e proíbe alianças que levem à idolatria. Deus se revela como Deus zeloso, que exige adoração exclusiva, sem mistura com cultos estranhos.

Versículos-chave: 12, 13, 14, 17

Consagração do tempo, dos primogênitos e das colheitas (versículos 18-26)

O descanso sabático, as festas e a consagração dos primogênitos e primícias lembram que tudo pertence a Deus: o tempo, a família, o trabalho e os recursos.

Versículos-chave: 18, 21, 22, 26

Transformação pela presença de Deus (versículos 29-35)

O rosto de Moisés resplandece após falar com o Senhor, evidenciando que a comunhão com Deus deixa marcas visíveis. O véu mostra tanto a glória divina quanto a limitação do povo em contemplá-la plenamente.

Versículos-chave: 29, 30, 33, 35

Contexto histórico e literario

Êxodo 34 se situa logo após o episódio do bezerro de ouro (Êxodo 32–33). Israel já havia recebido a Lei e construído o bezerro enquanto Moisés estava no monte. Ao descer, Moisés quebrou as primeiras tábuas como sinal da quebra da aliança. Depois, intercedeu pelo povo e pediu para conhecer melhor a glória de Deus. Agora, neste capítulo, acontece a renovação formal da aliança. O cenário é o monte Sinai, provavelmente a mesma área onde Israel acampava desde Êxodo 19. A menção às nações cananeias (amoritas, cananeus, heteus, perizeus, heveus e jebuseus) aponta para o futuro ingresso na terra prometida, ainda que o povo esteja no deserto. As festas mencionadas (pães ázimos, semanas/primícias e colheita) estão relacionadas ao calendário agrícola da terra de Canaã, unindo memória da libertação do Egito com a expectativa de vida estável na nova terra. O uso das tábuas de pedra reflete as práticas antigas de tratados e códigos legais gravados em materiais duráveis, como marca permanente do pacto entre um grande rei e seu povo.

Estrutura de Êxodo 34

Êxodo 34 apresenta uma composição bem organizada:

  1. Preparação das novas tábuas e subida ao Sinai (34:1-4)

    • Ordem divina a Moisés para lavrar duas tábuas
    • Instrução para subir sozinho e santidade do monte
  2. Teofania e autorrevelação do nome de Deus (34:5-9)

    • O Senhor desce na nuvem
    • Proclamação do nome e do caráter divino
    • Adoração de Moisés e súplica pela presença e perdão
  3. Renovação formal da aliança e promessas (34:10-11)

    • Deus anuncia maravilhas inéditas
    • Confirma a expulsão das nações diante de Israel
  4. Advertências contra alianças e idolatria (34:12-17)

    • Proibição de alianças com os povos da terra
    • Ordem de destruir altares, estátuas e bosques sagrados
    • Ênfase no zelo de Deus e na exclusividade da adoração
  5. Estatutos cultuais e festas religiosas (34:18-26)

    • Festa dos pães ázimos
    • Consagração dos primogênitos
    • Observância do sábado
    • Festa das semanas e da colheita
    • Regulamentos sobre sacrifícios e primícias
  6. Conclusão da entrega das tábuas (34:27-28)

    • Ordem para escrever as palavras da aliança
    • Permanência de Moisés quarenta dias e quarenta noites
  7. A face resplandecente de Moisés e o véu (34:29-35)

    • Descida do monte com o rosto brilhando
    • Reação temerosa de Arão e do povo
    • Uso do véu entre encontros com Deus e com o povo

Significado teológico

Teologicamente, Êxodo 34 é um dos capítulos centrais de todo o Antigo Testamento. A autodeclaração de Deus em 34:6-7 funciona como um "credo" fundamental de Israel, repetido e ecoado em diversos outros textos. Essa revelação mostra um Deus que equilibra perfeitamente misericórdia e justiça: Ele é rico em amor leal, perdoa a iniquidade, transgressão e pecado, mas não declara inocente o culpado. A renovação da aliança, após a idolatria, revela a graça perseverante de Deus, que não abandona seu povo, mas restaura a relação com base em sua própria fidelidade.

O zelo de Deus pela adoração exclusiva destaca que a idolatria não é apenas erro religioso, mas infidelidade de aliança. As advertências contra alianças com as nações e contra casamentos que conduzam à idolatria mostram que a relação com Deus envolve lealdade integral, sem divisões do coração.

Os mandamentos sobre festas, primogênitos, primícias e sábado reforçam a teologia de que Deus é o dono da vida, do tempo, da terra e da história. Israel é chamado a lembrar continuamente a libertação do Egito, reconhecer a provisão de Deus e viver em gratidão e dependência.

A face resplandecente de Moisés ilustra como a presença divina transforma. A glória refletida em Moisés aponta para a mediação necessária entre Deus santo e um povo pecador. Ao mesmo tempo, antecipa uma revelação mais plena e duradoura de glória na história da redenção. A lei escrita novamente nas tábuas também antecipa a promessa de uma lei escrita no coração, em uma aliança ainda mais profunda.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Neste capítulo, a narrativa comunica esperança para situações de culpa e falha. Israel havia rompido a aliança com a idolatria, mas Deus chama novamente, reescreve as tábuas e renova o pacto. Isso fala a experiências humanas de recomeço após quedas graves, mostrando um Deus que continua presente e disposto a restaurar relações.

A revelação do caráter de Deus como misericordioso, piedoso e tardio em irar-se traz conforto a quem se sente pesado pelo passado. Ao mesmo tempo, a ênfase na justiça divina evita distorções: não se trata de permissividade, mas de graça firme e responsável.

A face resplandecente de Moisés pode ser lida, em chave terapêutica, como um sinal de que encontros profundos com Deus têm impacto visível na identidade e na forma de estar no mundo. A reação de medo do povo revela a dificuldade humana em lidar com a santidade e com mudanças marcantes, algo comum em processos de transformação pessoal. O uso do véu simboliza limites e ritmos: nem tudo pode ser visto ou suportado de uma vez. Isso ressoa com processos graduais de cura e crescimento, em que a luz vai sendo acolhida aos poucos.

warning Importante: maus usos comuns

O texto fala da visitação da iniquidade dos pais sobre os filhos até a terceira e quarta geração. Lido sem cuidado, isso pode alimentar medo de maldições inevitáveis ou sensação de condenação hereditária. Em seu contexto, a passagem aponta para as consequências coletivas e duradouras do pecado, não para uma fatalidade absoluta sobre indivíduos. Leitura equilibrada considera também outras afirmações bíblicas sobre responsabilidade pessoal e misericórdia abundante.

As ordens de destruir altares e símbolos de culto das nações, bem como a menção a expulsar povos, podem ser mal interpretadas como licença para violência religiosa hoje. São comandos específicos para um momento histórico particular, dentro de um plano redentivo único. Não autorizam intolerância ou agressão em contextos atuais.

Quem vive com culpa intensa pode ler a expressão "não tem por inocente o culpado" de forma desesperadora, esquecendo a ênfase anterior no perdão. É importante manter juntas as duas dimensões: Deus é justo, mas também é abundante em graça e perdão para quem se volta a Ele.

Aplicação prática para hoje

Êxodo 34 oferece várias implicações práticas para a vida cotidiana:

  1. Recomeços após falhas graves: Assim como novas tábuas foram dadas após a quebra das primeiras, a ideia de renovação lembra que histórias marcadas por erros podem ser retomadas, com responsabilidade, arrependimento e graça.

  2. Conhecer o caráter de Deus: A autodescrição divina em 34:6-7 incentiva a construir a espiritualidade com base em quem Deus é: misericordioso e justo. Isso influencia a forma de lidar com culpa, disciplina, perdão e expectativas.

  3. Cuidado com alianças que distorcem valores: As advertências contra alianças com povos idólatras apontam, em termos atuais, para vigilância nas parcerias, ambientes e compromissos que definem direção de vida. Nem toda associação é neutra; algumas moldam convicções e práticas.

  4. Exclusividade na adoração: O zelo de Deus confronta formas sutis de idolatria moderna, como quando trabalho, dinheiro, status ou relacionamentos ocupam o lugar central que pertence a Deus.

  5. Consagração de tempo e recursos: O sábado, as festas, primogênitos e primícias lembram a importância de separar tempo e recursos para Deus, reconhecendo que tudo vem dEle. Isso pode se traduzir em ritmos saudáveis de descanso, celebração, gratidão e generosidade.

  6. Vida transformada pela presença de Deus: O rosto de Moisés brilhando sugere que relacionamentos profundos com Deus se refletem em atitudes, caráter e postura. A transformação interior tende a se tornar perceptível, mesmo sem ostentação.

Perguntas frequentes

Por que Moisés precisou de novas tábuas da lei em Êxodo 34?

As primeiras tábuas foram quebradas por Moisés quando ele viu o povo adorando o bezerro de ouro (Êxodo 32). Esse ato simbolizou a quebra da aliança por parte de Israel. Em Êxodo 34, Deus manda Moisés lavrar novas tábuas para mostrar que está renovando a aliança, reestabelecendo o compromisso com o povo e reafirmando as mesmas palavras que estavam nas primeiras tábuas.

O que significa a descrição de Deus como misericordioso e justo em Êxodo 34:6-7?

Essa passagem apresenta um retrato equilibrado do caráter de Deus. Ele é misericordioso, piedoso, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade, o que indica amor leal, paciência e disposição em perdoar iniquidade, transgressão e pecado. Ao mesmo tempo, Ele “ao culpado não tem por inocente”, mostrando que não ignora nem banaliza o mal. Misericórdia e justiça coexistem na forma como Deus se relaciona com seu povo.

Como entender a visitação da iniquidade dos pais sobre os filhos até a terceira e quarta geração?

No contexto de Êxodo 34, a expressão aponta para o fato de que escolhas de uma geração afetam as seguintes. Em sociedades coletivas, o pecado de líderes e pais traz consequências sociais, espirituais e até materiais para descendentes. Não significa que alguém é automaticamente condenado pelos pecados de seus ancestrais, mas que o pecado gera efeitos duradouros. Em outros textos, a Escritura enfatiza também a responsabilidade pessoal e o desejo de Deus de mostrar misericórdia a milhares de gerações dos que o amam.

Por que Deus proíbe alianças com os povos da terra e ordena destruir seus altares?

As alianças políticas e familiares na época incluíam participação na adoração dos deuses dessas nações. Para Israel, que havia sido chamado a ser povo exclusivo de Deus, essas alianças representariam um caminho quase certo para a idolatria. A ordem de destruir altares, estátuas e bosques sagrados é uma forma de romper com o sistema religioso que competia com a fidelidade ao Senhor. O foco está na preservação da pureza da adoração, não em hostilidade étnica generalizada.

Por que o rosto de Moisés resplandecia quando ele desceu do monte?

O rosto de Moisés resplandecia porque ele havia estado em profunda comunhão com Deus, ouvindo suas palavras e recebendo a aliança renovada. A luz em seu rosto servia como sinal visível da glória de Deus refletida nele. O brilho causou temor no povo, que não estava acostumado a essa manifestação de santidade. Por isso, Moisés passou a usar um véu ao falar com o povo, retirando-o apenas quando entrava na presença do Senhor.

Qual é a importância das festas e dos primogênitos em Êxodo 34?

As festas (pães ázimos, semanas/primícias e colheita) e a consagração dos primogênitos e das primícias da terra funcionam como lembretes concretos de que Deus libertou o povo do Egito, sustenta a vida e dá a colheita. Essas práticas estruturavam o calendário de Israel, marcando tempos de memória, gratidão e consagração. Também ajudavam o povo a reconhecer, na rotina agrícola e familiar, que tudo pertence ao Senhor.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Êxodo 34 mostra um Deus que não desiste de um povo que falhou profundamente. Depois do bezerro de ouro, seria compreensível esperar apenas juízo. Em vez disso, o texto descreve um encontro em que Deus se apresenta como misericordioso, piedoso e tardio em irar-se. Essa visão do coração de Deus fala a histórias marcadas por arrependimentos e culpa. A cena de Moisés lavrando novamente as tábuas, subindo de madrugada ao monte, carrega o peso de um recomeço. Há cansaço, responsabilidade, talvez lembranças dolorosas do que ocorreu antes. Mas, acima de tudo, há a iniciativa de Deus em renovar a aliança. Essa iniciativa comunica que o relacionamento não foi descartado. Quando Deus passa diante de Moisés e proclama quem Ele é, o texto oferece abrigo emocional a quem carrega medos sobre como Deus reage à fraqueza humana. A ênfase em bondade e verdade, em perdão e firmeza, apresenta um Deus que não fecha os olhos para o mal, mas também não fecha o coração para quem busca recomeçar. A figura de Moisés descendo com o rosto resplandecente também traz um consolo sutil. A transformação não nasce do esforço de parecer diferente, mas da convivência com Deus. O brilho no rosto de Moisés não foi planejado nem controlado por ele; é fruto de ter estado com o Senhor. Isso sugere que processos de cura profunda, às vezes, acontecem de forma silenciosa, enquanto a pessoa apenas permanece na presença de Deus. O temor do povo diante da glória refletida em Moisés mostra como nem sempre é fácil lidar com mudanças, mesmo quando são boas. A presença do véu aponta para limites e ritmos. Nem tudo precisa ser exposto ou compreendido de uma vez. Há um cuidado em proteger o povo de algo que, naquele momento, eles não conseguiam suportar plenamente. Isso ecoa a ideia de que Deus conhece as fragilidades emocionais e conduz transformações em doses suportáveis, em um caminho que leva em conta o tempo de cada um.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético e teológico, Êxodo 34 é um texto-chave. A narrativa retoma o fio interrompido pelo pecado do bezerro de ouro, reposicionando Israel novamente sob a aliança sinaítica. A estrutura do capítulo mostra uma combinação de teofania, fórmula de autoapresentação divina, estipulações da aliança e um relato narrativo sobre a mediação de Moisés. A autodeclaração de Deus em 34:6-7 é particularmente importante. Ela funciona como uma fórmula confessional que será retomada em textos posteriores (como Números 14, Neemias 9, Salmos e profetas), servindo de base para a compreensão de quem é YHWH. Termos como “misericordioso” e “tardio em irar-se” têm conotações de lealdade firme e amor pactual. Já a afirmação sobre não ter por inocente o culpado dialoga com a teologia da justiça retributiva de Deus, sem negar sua longa paciência. A renovação da aliança é confirmada por dois elementos: a ordem de lavrar novas tábuas (vv. 1-4, 27-28) e a recapitulação de mandamentos, muitos deles com paralelos fortes em Êxodo 23. Nota-se que, após a crise da idolatria, a ênfase recai sobre a pureza do culto: proibição de alianças com povos idólatras, destruição de altares, rejeição de imagens de fundição e regulamentos sobre festas e sacrifícios. O texto funciona como um resumo seletivo de exigências centrais da aliança. Historicamente, as referências às nações cananeias e à ampliação do território (v. 24) projetam o futuro de Israel na terra prometida. A promessa de que ninguém cobiçará a terra enquanto os homens sobem para as festas mostra uma teologia da proteção divina condicionada à obediência cultual: o compromisso com o culto legítimo não será uma fragilidade geopolítica, mas parte da própria forma como Deus cuida da nação. O relato do rosto resplandecente de Moisés (vv. 29-35) destaca a singularidade desse mediador. Ele entra e sai da presença divina, e sua aparência atesta essa proximidade. O uso do véu cria uma distinção entre o momento de revelação diante de Deus e o momento de comunicação ao povo. O texto mostra tanto a realidade da glória revelada quanto a incapacidade do povo de lidar plenamente com ela. Teologicamente, essa passagem ilustra a tensão entre revelação e ocultamento, típica da relação entre o Deus santo e uma comunidade ainda em processo de formação. No conjunto do Pentateuco, Êxodo 34 reafirma a estrutura de tratado de aliança: prólogo histórico (libertação do Egito), estipulações (leis e festas), bênçãos e maldições implícitas, e a figura de um mediador que recebe e transmite as palavras do Soberano divino ao povo.

Life
Life

Êxodo 34 toca em áreas muito concretas da vida: compromissos, ritmo de trabalho, uso de recursos e influência de ambientes. A advertência contra alianças com os moradores da terra e contra casamentos que levem à idolatria levanta a questão de com quem se caminha de perto. Na prática, parcerias profundas tendem a alinhar valores, objetivos e costumes. O texto mostra a importância de avaliar que tipo de impacto relacionamentos e alianças exercem sobre prioridades espirituais e éticas. As ordens de destruir altares e símbolos de culto de outros deuses têm um paralelo atual em retirar de posições centrais aquilo que concorre com Deus: hábitos, ambições ou padrões que, se mantidos, acabam determinando escolhas e desejos. O ponto aqui é clareza e firmeza: não basta apenas reduzir a influência de algo que desvia, muitas vezes é preciso cortar pela raiz. As instruções sobre festas e primícias sugerem que a vida não deve ser organizada apenas em torno da produtividade. A festa dos pães ázimos, a festa das semanas e a festa da colheita são marcos de memória e gratidão, que reorganizam o calendário em torno da ação de Deus na história e na provisão cotidiana. Em termos práticos, isso inspira a criação de ritmos de celebração, pausa e reconhecimento da origem de tudo que se tem. O sábado, mencionado novamente no v. 21, é colocado até mesmo acima de exigências sazonais intensas como arar e colher. Isso indica que o descanso e a confiança em Deus não devem ser sacrificados nem mesmo em épocas de maior demanda. Em cenários atuais de sobrecarga de trabalho, a lógica do sábado aponta para a necessidade de limites saudáveis, lembrando que o valor da vida não se mede apenas por produção. A consagração dos primogênitos e das primícias mostra uma postura de colocar Deus em primeiro lugar no que é mais precioso: a continuação da família e o resultado do trabalho. Hoje, isso se conecta com como se administra dinheiro, tempo e talentos. A ideia não é apenas dar algo a Deus, mas reconhecer, na prática, que tudo é dEle. Moisés descendo com o rosto resplandecente ilustra que uma vida moldada pela presença de Deus impacta o ambiente, mesmo sem palavras. As pessoas percebem atitudes, serenidade, integridade e coerência. Essa transformação não depende de esforço em parecer espiritual, mas de um relacionamento real e constante com Deus, que, aos poucos, se traduz em escolhas diferentes no cuidado com o trabalho, a família e as responsabilidades diárias.

Soul
Soul

No plano da formação espiritual e da perspectiva eterna, Êxodo 34 revela o tipo de relação que Deus deseja estabelecer com seu povo. Não se trata apenas de obedecer normas, mas de viver dentro de uma aliança em que Deus se deixa conhecer: Ele fala de si mesmo, mostra seu caráter e convida a um caminhar contínuo em sua presença. A autodescrição divina como misericordioso, piedoso e tardio em irar-se indica que o caminho de volta, após quedas, permanece aberto enquanto há disposição de voltar-se para Ele. A renovação das tábuas, depois de um pecado tão grave, é um sinal de que a história da pessoa ou da comunidade não precisa ser definida por um único momento de falha. Espiritualmente, isso alimenta uma confiança para permanecer na jornada, em vez de desistir diante da própria imperfeição. A ênfase na exclusividade da adoração aponta para o coração humano como lugar de disputa espiritual. Outros deuses, no contexto bíblico, representam não apenas estátuas, mas sistemas de valores, seguranças e promessas de sentido. A formação espiritual passa por discernir o que, na prática, ocupa o centro da confiança: poder, prazer, controle, segurança material ou o próprio Deus. As festas e o sábado estruturam o tempo em torno da lembrança de quem Deus é e do que Ele fez. Em termos de espiritualidade, isso ensina a não viver apenas reagindo ao dia a dia, mas a marcar ritmos de encontro, memória e gratidão. A alma é moldada por aquilo que é repetido; práticas constantes de adoração e lembrança da fidelidade divina formam um caráter voltado para o eterno. Moisés, que passa quarenta dias e noites no monte, simboliza uma vida centrada na presença de Deus, mesmo em meio a responsabilidades pesadas. O brilho em seu rosto não é um objetivo em si, mas consequência de estar diante do Senhor. Espiritualmente, isso sugere que a verdadeira transformação, inclusive aquela que terá ressonância na eternidade, nasce do olhar fixo em Deus e de um relacionamento sustentado ao longo do tempo. O véu sobre o rosto de Moisés indica que, naquele momento da história, a glória de Deus ainda era contemplada de modo parcial e mediado. Isso aponta para uma caminhada em direção a uma revelação mais plena, em que barreiras entre Deus e seu povo seriam tratadas de modo mais profundo. A perspectiva eterna vê esse capítulo como parte de um processo em que Deus conduz a humanidade a conhecer mais e mais sua glória, não para esmagar, mas para transformar e acolher em comunhão duradoura.

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Versículos em Êxodo 34

Êxodo 34:1

" Então disse o SENHOR a Moisés: Lavra duas tábuas de pedra, como as primeiras; e eu escreverei nas tábuas as mesmas palavras que estavam nas primeiras tábuas, que tu quebraste. "

Êxodo 34:2

" E prepara-te para amanhã, para que subas pela manhã ao monte Sinai, e ali põe-te diante de mim no cume do monte. "

Êxodo 34:3

" E ninguém suba contigo, e também ninguém apareça em todo o monte; nem ovelhas nem bois se apascentem defronte do monte. "

Êxodo 34:4

" Então Moisés lavrou duas tábuas de pedra, como as primeiras; e levantando-se pela manhã de madrugada, subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe tinha ordenado; e levou as duas tábuas de pedra nas suas mãos. "

Êxodo 34:6

" Passando, pois, o Senhor perante ele, clamou: O Senhor, o Senhor Deus, misericordioso e piedoso, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade; "

Êxodo 34:7

" Que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniqüidade, e a transgressão e o pecado; que ao culpado não tem por inocente; que visita a iniqüidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até a terceira e quarta geração. "

Êxodo 34:9

" E disse: Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, vá agora o Senhor no meio de nós; porque este é povo de dura cerviz; porém perdoa a nossa iniqüidade e o nosso pecado, e toma-nos por tua herança. "

Êxodo 34:10

" Então disse: Eis que eu faço uma aliança; farei diante de todo o teu povo maravilhas que nunca foram feitas em toda a terra, nem em nação alguma; de maneira que todo este povo, em cujo meio tu estás, veja a obra do Senhor; porque coisa terrível é o que faço contigo. "

Êxodo 34:11

" Guarda o que eu te ordeno hoje; eis que eu lançarei fora diante de ti os amorreus, e os cananeus, e os heteus, e os perizeus, e os heveus e os jebuseus. "

Êxodo 34:12

" Guarda-te de fazeres aliança com os moradores da terra aonde hás de entrar; para que não seja por laço no meio de ti. "

Êxodo 34:15

" Para que não faças aliança com os moradores da terra, e quando eles se prostituírem após os seus deuses, ou sacrificarem aos seus deuses, tu, como convidado deles, comas também dos seus sacrifícios, "

Êxodo 34:16

" E tomes mulheres das suas filhas para os teus filhos, e suas filhas, prostituindo-se com os seus deuses, façam que também teus filhos se prostituam com os seus deuses. "

Êxodo 34:18

" A festa dos pães ázimos guardarás; sete dias comerás pães ázimos, como te tenho ordenado, ao tempo apontado do mês de Abibe; porque no mês de Abibe saíste do Egito. "

Êxodo 34:19

" Tudo o que abre a madre meu é, até todo o teu gado, que seja macho, e que abre a madre de vacas e de ovelhas; "

Êxodo 34:20

" O burro, porém, que abrir a madre, resgatarás com um cordeiro; mas, se o não resgatares, cortar-lhe-ás a cabeça; todo o primogênito de teus filhos resgatarás. E ninguém aparecerá vazio diante de mim. "

Êxodo 34:22

" Também guardarás a festa das semanas, que é a festa das primícias da sega do trigo, e a festa da colheita no fim do ano. "

Êxodo 34:24

" Porque eu lançarei fora as nações de diante de ti, e alargarei o teu território; ninguém cobiçará a tua terra, quando subires para aparecer três vezes no ano diante do Senhor teu Deus. "

Êxodo 34:25

" Não sacrificarás o sangue do meu sacrifício com pão levedado, nem o sacrifício da festa da páscoa ficará da noite para a manhã. "

Êxodo 34:26

" As primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à casa do Senhor teu Deus; não cozerás o cabrito no leite de sua mãe. "

Êxodo 34:27

" Disse mais o Senhor a Moisés: Escreve estas palavras; porque conforme ao teor destas palavras tenho feito aliança contigo e com Israel. "

Êxodo 34:28

" E esteve ali com o Senhor quarenta dias e quarenta noites; não comeu pão, nem bebeu água, e escreveu nas tábuas as palavras da aliança, os dez mandamentos. "

Êxodo 34:29

" E aconteceu que, descendo Moisés do monte Sinai trazia as duas tábuas do testemunho em suas mãos, sim, quando desceu do monte, Moisés não sabia que a pele do seu rosto resplandecia, depois que falara com ele. "

Êxodo 34:30

" Olhando, pois, Arão e todos os filhos de Israel para Moisés, eis que a pele do seu rosto resplandecia; por isso temeram chegar-se a ele. "

Êxodo 34:31

" Então Moisés os chamou, e Arão e todos os príncipes da congregação tornaram-se a ele; e Moisés lhes falou. "

Êxodo 34:32

" Depois chegaram também todos os filhos de Israel; e ele lhes ordenou tudo o que o Senhor falara com ele no monte Sinai. "

Êxodo 34:34

" Porém, entrando Moisés perante o Senhor, para falar com ele, tirava o véu até sair; e, saindo, falava com os filhos de Israel o que lhe era ordenado. "

Êxodo 34:35

" Assim, pois, viam os filhos de Israel o rosto de Moisés, e que resplandecia a pele do seu rosto; e tornava Moisés a pôr o véu sobre o seu rosto, até entrar para falar com ele. "

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