Êxodo 19 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Êxodo 19 na sua vida hoje

25 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Êxodo 19?

Êxodo 19 descreve a chegada de Israel ao deserto do Sinai e o momento solene em que Deus se revela ao povo para estabelecer sua aliança. O capítulo mostra Deus lembrando o cuidado que teve ao tirá-los do Egito, declarando seu propósito de fazer deles um reino de sacerdotes e uma nação santa, e preparando-os com santificação e limites ao redor do monte para a manifestação da Sua glória. A cena culmina com trovões, relâmpagos, fogo, fumaça e o som de trombeta, enquanto o Senhor desce sobre o Sinai e chama Moisés para representar o povo diante dEle.

Temas principais em Êxodo 19

Aliança de Deus com Israel (versículos 4-8)

Deus recorda o que fez aos egípcios, fala de como trouxe Israel a Si e propõe uma aliança condicional: se ouvirem a Sua voz e guardarem o Seu pacto, serão sua propriedade peculiar, reino sacerdotal e povo santo. O capítulo prepara o cenário para a entrega da Lei, mostrando que a obediência flui da relação de aliança com o Deus que já os salvou do Egito.

Versículos-chave: 4, 5, 6

Santidade de Deus e necessidade de santificação (versículos 10-15, 21-24)

A santidade de Deus se manifesta na exigência de que o povo se santifique, lave suas roupas, se abstenha de relações sexuais por um tempo e respeite os limites ao redor do monte. Aproximar-se de Deus não é algo informal; exige preparação, reverência e respeito às ordens divinas, revelando a distância entre o Deus santo e o povo pecador.

Versículos-chave: 10, 11, 12, 22

Manifestação visível da presença de Deus (versículos 16-20)

Trovões, relâmpagos, nuvem espessa, fogo, fumaça como de fornalha, tremor do monte e o som crescente da trombeta marcam a descida de Deus ao Sinai. Esses sinais visíveis e audíveis confirmam a autoridade de Deus, geram temor no povo e autenticam Moisés como mediador da revelação.

Versículos-chave: 16, 18, 19

O papel de Moisés como mediador (versículos 3, 7-9, 19-25)

Moisés sobe e desce o monte, ouve a voz de Deus e leva a mensagem ao povo, depois leva a resposta do povo a Deus. Ele atua como intermediário entre o Deus santo e a comunidade, papel que se torna um modelo de mediação e aponta para a necessidade de um mediador na relação entre Deus e a humanidade.

Versículos-chave: 3, 8, 19, 20

Vocação sacerdotal de todo o povo (versículos 5-6, 22)

Deus declara que Israel será um reino sacerdotal e uma nação santa, indicando que sua identidade não é apenas a de um povo libertado da escravidão, mas de um povo chamado a representar Deus entre as nações, vivendo em santidade e serviço diante do Senhor.

Versículos-chave: 5, 6

Contexto histórico e literario

Êxodo 19 se passa cerca de três meses após a saída de Israel do Egito. O povo, organizado em tribos e acampado em torno da liderança de Moisés, chega ao deserto do Sinai, uma região montanhosa no noroeste da Península do Sinai. Ali, Deus havia prometido a Moisés que serviria ao Senhor naquele monte após a libertação do Egito.

O capítulo marca a transição da história da libertação (Êxodo 1–18) para a formação de Israel como nação de aliança (Êxodo 19–24). A partir deste ponto, o povo deixa de ser apenas um grupo de ex-escravos e passa a ser constituído formalmente como povo de Deus, com leis, responsabilidades e um chamado espiritual específico.

Nesse contexto antigo do Oriente Médio, tratados de suserania entre reis e povos vassalos eram comuns. A estrutura de Êxodo 19 antecipa algo semelhante: o Senhor, verdadeiro Rei, lembra o que fez (libertação do Egito), oferece uma aliança e estabelece condições (ouvir a voz e guardar a aliança). O monte Sinai se torna o lugar central dessa revelação, um local sagrado delimitado, onde o contato direto com a presença de Deus poderia ser fatal, caso não fossem respeitados os limites e a santificação exigidos.

Há também menção a sacerdotes (verso 22), sugerindo que já existiam funções sacerdotais primárias antes da instituição formal do sacerdócio levítico em Êxodo 28–29. Isso indica um período de transição na organização religiosa de Israel. A manifestação teofânica (fogo, nuvem, trovões) reforça o padrão bíblico de que Deus se revela de forma visível e poderosa em momentos-chave da história da salvação.

Estrutura de Êxodo 19

O capítulo pode ser organizado em blocos bem definidos:

  1. Chegada ao Sinai e cenário (19:1-2)
  • Narra a chegada de Israel ao deserto do Sinai, vindo de Refidim, e o acampamento em frente ao monte. Funciona como introdução geográfica e narrativa para o que seguirá.
  1. Proposta da aliança e identidade do povo (19:3-6)
  • Moisés sobe ao encontro de Deus.
  • Deus relembra a libertação do Egito e o cuidado divino.
  • Proclama as condições da aliança (ouvir a voz, guardar a aliança) e as promessas (propriedade peculiar, reino sacerdotal, nação santa).
  1. Resposta do povo e confirmação divina (19:7-9)
  • Moisés comunica as palavras do Senhor aos anciãos.
  • O povo responde unanimemente: “Tudo o que o Senhor tem falado, faremos”.
  • Deus anuncia que virá numa nuvem espessa para que o povo ouça e creia na mediação de Moisés.
  1. Preparação e santificação do povo (19:10-15)
  • Ordem para santificar o povo em dois dias.
  • Lavagem das roupas e abstinência sexual como sinais de consagração.
  • Estabelecimento do terceiro dia como momento da descida de Deus.
  1. Limites ao redor do monte e advertências (19:12-13)
  • Definição rigorosa de fronteiras ao redor do monte.
  • Proibição de tocar o monte, com pena de morte por apedrejamento ou flechas.
  1. Teofania no Sinai (19:16-20)
  • Trovões, relâmpagos, nuvem espessa, som forte de trombeta.
  • O povo treme; Moisés conduz o povo ao pé do monte.
  • O monte fumega, treme e o Senhor desce em fogo.
  • Moisés fala e Deus responde audivelmente.
  1. Advertência final e limites reafirmados (19:21-25)
  • Deus manda Moisés descer para advertir o povo e os sacerdotes.
  • Reforço de que somente Moisés e, depois, Arão podem subir.
  • Moisés volta ao povo com as instruções finais.

Significado teológico

Êxodo 19 é um dos capítulos centrais de toda a Bíblia porque prepara o cenário para a entrega da Lei e estrutura a identidade de Israel como povo da aliança.

A revelação de Deus é precedida por um lembrete da graça: antes de qualquer mandamento, Deus lembra o que fez ao libertar Israel do Egito e “trazê-los a Si” (v.4). A obediência não é meio de conquista da salvação, mas resposta ao ato salvador já realizado por Deus. A aliança é relacional: Deus não apenas dá leis, Ele chama o povo para Si.

A identidade de Israel como “propriedade peculiar”, “reino sacerdotal” e “povo santo” (v.5-6) mostra que a eleição divina é ao mesmo tempo privilégio e responsabilidade. Ser povo de Deus significa pertencer a Ele de modo especial, representar Seu caráter entre as nações e viver separado para Sua vontade.

O capítulo destaca fortemente a santidade de Deus. Os limites ao redor do monte, as ordens de santificação e a ameaça de morte para quem ultrapassar as fronteiras apontam para o fato de que a presença de Deus, em Sua pureza absoluta, é perigosa para o pecador. Isso reforça a necessidade de mediação e preparação para se aproximar de Deus.

Moisés aparece como mediador entre Deus e o povo, subindo e descendo, transmitindo palavras e respostas. Esse papel antecipa a importância de um mediador na relação com o Deus santo. A voz de Deus que responde em alta voz (v.19) autentica Moisés diante da comunidade.

Por fim, a manifestação teofânica no Sinai (fogo, nuvem, tremor) revela um Deus transcendente, poderoso e soberano sobre toda a terra (v.5). A teologia de Êxodo 19 une graça e temor, proximidade (“vos trouxe a mim”) e distância (limites rígidos), mostrando que o mesmo Deus que salva é o Deus santo que exige reverência e santidade do seu povo.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Êxodo 19 oferece um quadro rico para reflexão terapêutica sobre identidade, limites e segurança. O povo, recém-liberto da escravidão, recebe de Deus uma nova identidade: propriedade preciosa, reino sacerdotal, nação santa. Essa fala divina quebra a lógica de inferioridade e desvalorização associada à escravidão e constrói um senso de valor baseado no relacionamento com Deus, não no passado de opressão.

Os limites ao redor do monte funcionam como um símbolo importante de fronteiras saudáveis. A aproximação a algo poderoso sem respeito e preparação traz risco. Em termos emocionais, isso ilustra como a clareza de limites protege tanto o indivíduo quanto o coletivo, evitando invasões destrutivas, abusos e confusões de papel.

A santificação exigida (lavar as roupas, abster-se de certas atividades) sugere a importância de preparação e de rituais na transição entre fases da vida. Pessoas feridas, em mudança ou em recuperação, frequentemente se beneficiam de tempos de preparo, reflexão e purificação simbólica antes de novos começos.

A presença de um mediador confiável (Moisés) traz segurança em um contexto de grande intensidade (trovões, fogo, tremor). Em linguagem terapêutica, a figura de Moisés lembra o papel de pessoas que ajudam a traduzir situações assustadoras, organizar significados e dar contorno aos medos, favorecendo uma experiência de Deus que, embora reverente, não se torna paralisante.

warning Importante: maus usos comuns

Algumas leituras de Êxodo 19 podem gerar distorções emocionais se não forem bem compreendidas.

  1. Visão de Deus apenas como aterrorizante: o foco nos trovões, morte para quem tocar o monte e proibições pode alimentar uma imagem de Deus exclusivamente punitiva e ameaçadora, apagando a introdução cheia de cuidado e graça (v.4). Isso pode reforçar medos religiosos, culpa excessiva e dificuldade de experimentar o amor de Deus.

  2. Rigorismo e perfeccionismo espiritual: a exigência de santificação e limites pode ser interpretada como necessidade de perfeição absoluta para se aproximar de Deus. Pessoas com tendência a perfeccionismo ou escrúpulos religiosos podem se angustiar, sentindo que nunca estarão “suficientemente puras”.

  3. Uso abusivo de autoridade espiritual: o papel de Moisés como mediador legítimo pode ser distorcido para justificar lideranças abusivas, que se colocam além de qualquer questionamento e usam o medo para controlar. O texto, no entanto, mostra Moisés como servo obediente, não como tirano.

  4. Culpabilização em contextos de trauma: a linguagem da morte como consequência de ultrapassar limites pode ser aplicada de forma indevida a pessoas que sofreram abusos, sugerindo que suas dores são punições de Deus, o que contraria o caráter justo e compassivo do Senhor revelado em outras partes das Escrituras.

Uma leitura equilibrada mantém unidos a graça de Deus que resgata, a santidade que convida à transformação e a segurança de limites que protegem, sem cair em terror religioso nem em permissividade.

Aplicação prática para hoje

Êxodo 19 sugere caminhos concretos para a vida diária.

  1. Viver a partir de uma nova identidade: assim como Israel recebeu um novo nome diante de Deus, pessoas marcadas por histórias de rejeição, fracasso ou opressão podem aprender a enxergar a si mesmas à luz do que Deus diz, e não apenas de seu passado ou das opiniões humanas. Isso implica lembrar constantemente a graça recebida antes de pensar em desempenho.

  2. Valorizar limites saudáveis: os termos ao redor do monte convidam a reconhecer que limites claros protegem relacionamentos. Na prática, isso envolve aprender a dizer “não” quando algo invade ou fere, respeitar o espaço alheio, entender papéis (pais, líderes, amigos) e saber que nem tudo pode ser abordado de qualquer jeito, em qualquer momento.

  3. Preparar-se para momentos importantes: a santificação de dois dias antes da manifestação de Deus inspira a criar tempos de preparo para decisões grandes, encontros significativos e mudanças de fase. Isso pode incluir períodos de oração, reflexão, revisão de motivações, organização do ambiente e afastamento temporário de distrações.

  4. Cultivar reverência na espiritualidade: a cena do Sinai lembra que a fé não é apenas intimidade e espontaneidade, mas também respeito e temor saudável. Na prática, isso se traduz em levar a sério a adoração, o uso do nome de Deus, a atenção às Escrituras e o cuidado com atitudes no culto e na vida diária.

  5. Reconhecer a importância de mediação e apoio: assim como o povo precisava de Moisés para organizar a experiência com Deus, pessoas hoje se beneficiam de mentores espirituais, conselheiros sábios e comunidades de fé que ajudam a interpretar e viver a relação com Deus de forma mais clara e segura.

  6. Entender vocação como serviço: ser “reino sacerdotal” aponta para uma vida em que cada aspecto — trabalho, família, relacionamentos — é vivido diante de Deus, em serviço e intercessão pelo mundo. Isso se transforma em atitudes concretas de justiça, compaixão e integridade onde quer que se esteja.

Perguntas frequentes

Por que Deus trouxe Israel especificamente ao monte Sinai?

O Sinai já havia sido mencionado quando Deus chamou Moisés, com a promessa de que o povo serviria ao Senhor naquele monte após sair do Egito. Ali Deus escolheu estabelecer formalmente Sua aliança com Israel, dando a Lei e definindo sua identidade nacional e espiritual. O monte se torna um ponto de encontro entre céu e terra, um lugar de revelação marcante e fundadora para a história do povo.

O que significa Israel ser "propriedade peculiar", "reino sacerdotal" e "povo santo"?

“Propriedade peculiar” indica que, embora toda a terra pertença a Deus, Israel é separado de modo especial para Ele. “Reino sacerdotal” aponta para uma vocação de mediação: o povo como um todo é chamado a representar Deus entre as nações e a levar as nações a Deus. “Povo santo” significa separado para Deus, vivendo de acordo com Seus padrões. Juntos, os títulos mostram que a eleição traz privilégio, missão e responsabilidade.

Por que era tão grave tocar o monte Sinai?

O monte havia sido separado como área da manifestação direta da santidade de Deus. O contato irreverente com essa presença, sem a mediação e a preparação estabelecidas por Deus, significaria a morte, não por capricho, mas porque o Deus absolutamente santo não pode ser tratado como algo comum. O rigor dos limites ensinava o povo a distinguir entre o sagrado e o profano e a aproximar-se de Deus com temor e respeito.

Qual a importância da santificação e da lavagem das roupas?

A santificação e a lavagem das roupas eram sinais externos de uma separação interior para Deus naquele momento especial. As roupas limpas representavam pureza, ordem e prontidão. A santificação não era apenas ritual, mas comunicava que o encontro com Deus exigia um coração disposto, um afastamento momentâneo de rotinas e um reconhecimento de que aquele tempo era diferente, dedicado à presença do Senhor.

Por que Moisés é tão central em Êxodo 19?

Moisés é chamado por Deus ao monte, recebe as palavras da aliança, transmite-as ao povo, leva a resposta deles de volta a Deus e é reconhecido publicamente quando Deus fala com ele em voz audível. Ele encarna a função de mediador entre o Deus santo e a comunidade, ajudando o povo a ouvir, compreender e responder ao Senhor. Seu papel prepara o entendimento bíblico de que o acesso a Deus se dá por meio de um mediador estabelecido pelo próprio Deus.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Êxodo 19 mostra um povo que acabou de sair de uma longa história de dor, opressão e desvalorização. Em meio a essa trajetória marcada por sofrimento, Deus fala com palavras que tocam o coração: “vos trouxe a mim” e “sereis a minha propriedade peculiar”. Há uma ternura implícita nisso. Deus não apenas os tirou de um lugar ruim, Ele os trouxe para perto de Si. A cena do Sinai é impressionante e assustadora: trovões, relâmpagos, montanha tremendo, som de trombeta crescendo. É natural imaginar o medo daquele povo. Mesmo assim, Deus prepara o encontro com cuidado. Ele não chega de surpresa, manda se santificar, lavar roupas, separar alguns dias. Dá tempo e orientação para que o povo se organize emocionalmente e espiritualmente. Esse cuidado mostra um Deus que se importa com a fragilidade humana diante de Sua grandeza. Em um contexto de corações feridos, esse capítulo fala de um Deus que não ignora a história de dor, mas a ressignifica com uma nova identidade. Gente marcada pela escravidão passa a ser chamada de “reino sacerdotal” e “povo santo”. Em termos emocionais, isso é um recomeço profundo: não mais definidos apenas pelo passado difícil, mas pelo valor que Deus lhes atribui. O cuidado com os limites ao redor do monte também fala de proteção. Deus sabe até onde o povo pode ir e estabelece fronteiras que preservam a vida. Há um equilíbrio delicado entre proximidade e reverência. Deus se aproxima, mas não se impõe de qualquer jeito. Ele se revela de forma forte, mas também coloca Moisés como alguém que caminha entre Ele e o povo, ajudando a traduzir, acalmar e organizar. Isso lembra como é importante, em tempos de medo ou mudanças profundas, ter pessoas que ajudem a mediar, a dar nome aos sentimentos e a tornar a experiência de Deus menos confusa e mais acolhedora. No fundo, Êxodo 19 é um convite a enxergar que, mesmo quando tudo parece estremecer ao redor — como aquele monte tremendo —, o propósito de Deus é firmar uma relação de aliança, em que corações partidos são recebidos, valorizados e convidados a uma vida nova na presença de um Deus que ama com seriedade e santidade.

Mind
Mind

Êxodo 19 funciona como um portal teológico e literário no livro do Êxodo. Ele conecta a narrativa da libertação (capítulos 1–18) à legislação e ao estabelecimento formal da aliança (20–24). A estrutura do capítulo guarda semelhanças com tratados de suserania do antigo Oriente Próximo: lembrança do beneplácito do soberano (v.4), estipulação condicional da aliança (v.5), definição da identidade e do status do povo (v.6) e a resposta do vassalo (v.8). O versículo 4 é teologicamente denso. A metáfora de “levar sobre asas de águia” expressa cuidado e proteção, não apenas libertação política. Em vez de simplesmente tirar Israel do Egito, Deus os traz “a Si”, indicando que o objetivo último da redenção é a comunhão com o próprio Deus. A aliança, portanto, é mais relacional do que meramente legal. Os títulos “propriedade peculiar”, “reino sacerdotal” e “povo santo” (v.5-6) definem o papel de Israel na economia da revelação. “Propriedade peculiar” (segulá) ressalta a escolha especial de Israel entre as nações, sem negar a soberania universal de Deus sobre toda a terra. “Reino sacerdotal” sugere que a vocação sacerdotal não se limita a um grupo, mas perpassa a identidade de todo o povo, chamado a mediar o conhecimento de Deus às outras nações. “Povo santo” delimita o padrão ético e cultual decorrente dessa eleição. A santificação (v.10-15) introduz a dimensão ritual da aproximação a Deus. A lavagem das roupas e a abstinência sexual temporária funcionam como sinais tangíveis de consagração, sublinhando a distinção entre o cotidiano e o momento teofânico excepcional. A proibição estrita de tocar o monte (v.12-13) ilustra o princípio teológico da transcendência divina: a presença não domesticada de Deus é perigosa para o ser humano em sua condição comum. Moisés aparece como figura-chave de mediação. Ele sobe ao monte (v.3), leva a mensagem de Deus ao povo (v.7), traz de volta a resposta do povo a Deus (v.8) e, finalmente, é chamado ao cume do monte na teofania (v.20). O diálogo audível entre Deus e Moisés, enquanto o som da trombeta cresce (v.19), tem função pedagógica: autenticar Moisés como profeta e reforçar a autoridade da revelação que será dada no capítulo seguinte. A teofania em si (v.16-20) segue um padrão reconhecível: nuvem, fogo, tremor, som. Esses elementos reaparecem em outros contextos bíblicos associados à presença divina, como no tabernáculo e no templo. No Sinai, eles marcam a transição de Israel de grupo recém-liberto para povo do pacto, vivendo sob a lei revelada de um Deus ao mesmo tempo gracioso e terrivelmente santo.

Life
Life

Êxodo 19 traz uma série de princípios que se traduzem em escolhas bem práticas. Logo de início, Deus lembra o que fez, antes de dizer o que o povo deve fazer. Esse padrão — lembrar a graça antes das exigências — ajuda a organizar a vida: decisões e obediência saudáveis nascem de consciência de gratidão, não apenas de pressão ou medo. Quando Deus chama Israel de “propriedade peculiar” e “reino sacerdotal”, Ele está redefinindo a forma como aquele povo se enxerga. Na prática, isso inspira pessoas e comunidades a não basearem seu valor apenas em resultados, cargos ou histórias passadas, mas em quem são diante de Deus. Essa visão sustenta atitudes diferentes no trabalho, na família e na sociedade, com mais dignidade e responsabilidade. Os limites ao redor do monte oferecem um retrato claro de fronteiras saudáveis. Há um espaço que não pode ser invadido, mesmo por curiosidade. Em termos concretos, isso sugere aprender a reconhecer zonas de respeito na vida: limites físicos, emocionais e espirituais. Respeitar horários, preservar descanso, não ultrapassar o espaço do outro, evitar intimidades forçadas — tudo isso tem um eco nesse princípio de que aproximações importantes precisam de cuidado. A preparação para o terceiro dia, com santificação e ajustes na rotina, mostra que momentos significativos não acontecem por acaso. Há coisas na vida que exigem preparo: mudanças de trabalho, decisões familiares, conversas difíceis, compromissos espirituais. Planejar, separar tempo, rever hábitos e entrar nesses momentos com consciência faz diferença nos resultados. O modo como Deus confirma Moisés diante do povo também fala de liderança. A autoridade de Moisés não se baseia apenas em carisma pessoal, mas na relação dele com Deus e na fidelidade ao que Deus diz. No dia a dia, isso encoraja lideranças — em casa, na igreja, no trabalho — a buscarem coerência, transparência e alinhamento com princípios justos, em vez de usar o medo como instrumento de controle. Por fim, a ideia de Israel como “reino sacerdotal” desce ao chão da vida quando se percebe que toda área — profissão, vizinhança, amizades — pode ser vivida como espaço de serviço e representação de valores do Reino de Deus. Isso se traduz em pequenos gestos de justiça, honestidade, cuidado com os vulneráveis e compromisso em ser presença de paz onde quer que se esteja.

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Versículos em Êxodo 19

Êxodo 19:1

" Ao terceiro mês da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no mesmo dia chegaram ao deserto de Sinai, "

Êxodo 19:1 mostra o povo de Israel chegando ao deserto do Sinai três meses após sair da escravidão no Egito. Esse versículo marca a transição …

Ler análise completa

Êxodo 19:2

" Porque partiram de Refidim e entraram no deserto de Sinai, onde se acamparam. Israel, pois, ali se acampou em frente ao monte. "

Êxodo 19:3

" E subiu Moisés a Deus, e o Senhor o chamou do monte, dizendo: Assim falarás à casa de Jacó, e anunciarás aos filhos de Israel: "

Êxodo 19:5

" Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha. "

Êxodo 19:6

" E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel. "

Êxodo 19:7

" E veio Moisés, e chamou os anciãos do povo, e expôs diante deles todas estas palavras, que o Senhor lhe tinha ordenado. "

Êxodo 19:8

" Então todo o povo respondeu a uma voz, e disse: Tudo o que o Senhor tem falado, faremos. E relatou Moisés ao Senhor as palavras do povo. "

Êxodo 19:9

" E disse o Senhor a Moisés: Eis que eu virei a ti numa nuvem espessa, para que o povo ouça, falando eu contigo, e para que também te creiam eternamente. Porque Moisés tinha anunciado as palavras do seu povo ao Senhor. "

Êxodo 19:11

" E estejam prontos para o terceiro dia; porquanto no terceiro dia o Senhor descerá diante dos olhos de todo o povo sobre o monte Sinai. "

Êxodo 19:12

" E marcarás limites ao povo em redor, dizendo: Guardai-vos, não subais ao monte, nem toqueis o seu termo; todo aquele que tocar o monte, certamente morrerá. "

Êxodo 19:13

" Nenhuma mão tocará nele; porque certamente será apedrejado ou asseteado; quer seja animal, quer seja homem, não viverá; soando a buzina longamente, então subirão ao monte. "

Êxodo 19:16

" E aconteceu que, ao terceiro dia, ao amanhecer, houve trovões e relâmpagos sobre o monte, e uma espessa nuvem, e um sonido de buzina mui forte, de maneira que estremeceu todo o povo que estava no arraial. "

Êxodo 19:18

" E todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo; e a sua fumaça subiu como fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente. "

Êxodo 19:20

" E, descendo o Senhor sobre o monte Sinai, sobre o cume do monte, chamou o Senhor a Moisés ao cume do monte; e Moisés subiu. "

Êxodo 19:21

" E disse o Senhor a Moisés: Desce, adverte ao povo que não traspasse o termo para ver o Senhor, para que muitos deles não pereçam. "

Êxodo 19:22

" E também os sacerdotes, que se chegam ao Senhor, se hão de santificar, para que o Senhor não se lance sobre eles. "

Êxodo 19:23

" Então disse Moisés ao Senhor: O povo não poderá subir ao monte Sinai, porque tu nos tens advertido, dizendo: Marca termos ao redor do monte, e santifica-o. "

Êxodo 19:24

" E disse-lhe o Senhor: Vai, desce; depois subirás tu, e Arão contigo; os sacerdotes, porém, e o povo não traspassem o termo para subir ao Senhor, para que não se lance sobre eles. "

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