Êxodo 15:1
" Então cantou Moisés e os filhos de Israel este cântico ao SENHOR, e falaram, dizendo: Cantarei ao SENHOR, porque gloriosamente triunfou; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro. "
Entenda os temas principais e aplique Êxodo 15 na sua vida hoje
27 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Moisés e todo o povo respondem à libertação com um cântico que exalta o poder, a santidade e a fidelidade do Senhor. A salvação é reconhecida como totalmente obra de Deus, que derrota o inimigo e conduz seu povo.
Deus é descrito como ‘homem de guerra’, aquele que luta em favor de Israel, destrói o exército de Faraó e frustra a presunção do inimigo. A batalha e a vitória pertencem ao Senhor.
As nações ao redor ficam tomadas de pavor ao ouvirem o que Deus fez por Israel. Ao mesmo tempo, há a promessa de que Deus plantará seu povo no monte da herança e no santuário que ele mesmo estabeleceu.
Logo após o grande livramento, o povo enfrenta três dias sem água, encontra águas amargas em Mara e reage com murmuração contra Moisés, revelando fragilidade de confiança mesmo depois de grandes milagres.
O Senhor mostra uma árvore que torna doces as águas de Mara, dá estatutos, prova o povo e se apresenta como aquele que cura. Ele vincula proteção e saúde à escuta atenta e obediência aos seus mandamentos.
Após Mara, o povo chega a Elim, onde encontra doze fontes de água e setenta palmeiras. É um contraste com a amargura anterior e mostra que Deus também prepara momentos de alívio e abundância no caminho.
Versículos-chave: 27
Êxodo 15 está situado logo após o evento central da passagem pelo Mar Vermelho, quando o Senhor abriu o mar para que Israel escapasse do exército de Faraó. Israel acabara de sair do Egito, onde fora escravo por gerações, e agora iniciava a caminhada pelo deserto rumo ao Sinai e, mais adiante, à terra prometida.
O cântico de Moisés (vs. 1–18) é um dos textos poéticos mais antigos da Bíblia, uma celebração litúrgica da vitória de Deus sobre o poder imperial egípcio. Ele descreve, em linguagem poética, tanto a destruição do exército de Faraó quanto a reputação de Deus se espalhando entre as nações vizinhas, como filisteus, edomitas, moabitas e cananeus (vs. 14–16). Esse contexto revela como o êxodo se tornou um marco histórico conhecido e temido.
A segunda parte do capítulo (vs. 22–27) já introduz a realidade do deserto. O povo entra na região de Sur, área sem muitos recursos hídricos, e rapidamente experimenta sede, frustração e teste de fé. Mara e Elim provavelmente eram pontos de parada conhecidos em rotas do deserto, mas aqui ganham significado teológico: Mara como lugar de prova e transformação; Elim como sinal da provisão abundante de Deus.
O versículo 26 ecoa a mentalidade da aliança: bênçãos ligadas à obediência. As doenças enviadas sobre o Egito são lembradas como juízo, e Israel é chamado a viver de forma diferente, sob a proteção do Deus que se revela como “o Senhor que te sara”.
Êxodo 15 apresenta uma estrutura que combina poesia e narrativa:
Cântico de Moisés e de Israel (15:1-18)
Cântico de Miriã e participação das mulheres (15:20-21)
Narrativa de Mara: prova e cura (15:22-26)
Narrativa de Elim: descanso e provisão (15:27)
A alternância entre poesia e narrativa cria um contraste entre exaltação triunfante e desafios práticos da caminhada, mostrando que a fé celebrada no cântico é logo testada na realidade do deserto.
Teologicamente, Êxodo 15 é um capítulo-chave sobre quem Deus é e como ele age na história. O Senhor é apresentado como Salvador, Guerreiro, Rei, Pastor e Médico.
O cântico mostra que a salvação é primariamente obra de Deus, não do esforço humano. Israel não vence o Egito com poder militar, mas vê o Senhor agir soberanamente, jogando cavalos, cavaleiros e carros no mar. Essa ênfase alimenta a confiança de que a libertação verdadeira vem do agir divino, e não de alianças políticas ou forças humanas.
A descrição do Senhor como “homem de guerra” evidencia sua disposição de intervir em favor dos oprimidos e de confrontar poderes injustos. Ao mesmo tempo, o verso 11 ressalta a santidade única de Deus: não há outros deuses comparáveis em pureza, glória e capacidade de realizar maravilhas. A vitória sobre o Egito não é apenas um ato de força, mas uma revelação do caráter santo de Deus.
O cântico também aponta para a dimensão da aliança e do culto. Israel é conduzido “à habitação da tua santidade” e ao “santuário” estabelecido por Deus (v.17). O propósito da libertação não é apenas sair do Egito, mas ser plantado na presença de Deus, em seu monte e templo. A realeza eterna do Senhor (v.18) antecipa a compreensão de Deus como rei sobre seu povo e sobre todas as nações.
A segunda parte do capítulo traz a teologia da prova e da obediência. Em Mara, Deus transforma águas amargas em doces por meio de um sinal simples (a árvore) e, naquele lugar, dá estatutos e ordenança, provando o povo. O versículo 26 mostra a relação entre obediência à voz de Deus e proteção contra enfermidades, ligando fé, ética e bem-estar. Deus se revela como “o Senhor que te sara”, abrangendo cura física, proteção e restauração integral dentro da aliança.
Assim, Êxodo 15 une celebração e instrução: o Deus que salva soberanamente também chama seu povo a ouvir, obedecer e caminhar com ele, confiando tanto em seu poder quanto em seu cuidado contínuo.
Este capítulo tem forte valor terapêutico ao mostrar que grandes livramentos podem ser seguidos de novas provações, sem que isso signifique ausência de Deus. O contraste entre o cântico triunfante e a murmuração em Mara revela a humanidade de Israel: mesmo depois de experimentar um milagre extraordinário, o povo sente medo, sede e frustração.
Em termos emocionais, o cântico oferece um espaço para expressar alegria, alívio e gratidão após momentos de opressão. A poesia declara que Deus vê a injustiça, intervém e derrota aquilo que parecia invencível. Isso fortalece a esperança de que situações opressoras não têm a palavra final.
A cena de Mara fala diretamente à experiência da “amargura” na vida: momentos em que a realidade frustra expectativas e gera reclamação. A resposta de Deus não é rejeitar o povo, mas revelar um caminho de transformação – simbolizado pela árvore que adoça as águas – e ensinar, por meio de estatutos, uma nova forma de viver. Deus se apresenta como aquele que cura, o que traz conforto a pessoas que carregam feridas físicas, emocionais ou espirituais.
O movimento final até Elim, com suas fontes e palmeiras, sugere que Deus não apenas sustenta no limite, mas também conduz a tempos de descanso e refrigério. Em perspectiva terapêutica, o capítulo legitima tanto o clamor em meio à necessidade quanto o descanso na abundância, mostrando que ambos fazem parte da jornada com Deus.
O texto pode ser mal interpretado de forma a gerar algumas armadilhas emocionais e espirituais:
Crença de que toda enfermidade é punição direta de Deus: o versículo 26, se isolado do contexto bíblico mais amplo, pode ser usado para culpar pessoas doentes, sugerindo que estão enfermas por desobediência. Isso pode produzir culpa tóxica e afastamento espiritual.
Expectativa de cura automática mediante obediência: a promessa de não trazer sobre Israel as enfermidades do Egito está ligada a um contexto específico de aliança. Transformá-la em fórmula rígida pode gerar frustração, quando pessoas obedientes continuam enfrentando doenças ou limitações.
Distorção da imagem de Deus como apenas juiz severo: focar apenas nas pragas do Egito e nas ameaças de enfermidades pode obscurecer a revelação de Deus como aquele que sarou, guiou com beneficência e conduziu a Elim, lugar de descanso.
Minimização do sofrimento e da queixa: a murmuração de Israel é reprovada, mas isso não significa que toda expressão de dor ou angústia seja errada. Usar o texto para silenciar qualquer desabafo pode intensificar sofrimento interno.
Espiritualização irresponsável de decisões de saúde: interpretar “eu sou o Senhor que te sara” como incentivo a rejeitar tratamentos médicos ou cuidados responsáveis pode colocar vidas em risco e gerar conflitos internos desnecessários.
Lidas com cuidado, essas passagens convidam a uma confiança madura em Deus, sem culpabilizar automaticamente o sofrimento nem simplificar questões complexas de saúde física e emocional.
Êxodo 15 oferece aplicações práticas para diferentes áreas da vida:
Transformar livramentos em louvor: o cântico de Moisés e de Miriã mostra que experiências de libertação podem se tornar memória viva por meio da adoração. Registrar, cantar ou narrar o que Deus fez fortalece a fé coletiva e pessoal.
Reconhecer a ação de Deus nas batalhas: Israel aprende a ver o Senhor como aquele que luta por eles. Em conflitos, injustiças e opressões, a postura prática é buscar a justiça, mas também depender da direção e intervenção de Deus, evitando respostas movidas apenas por vingança.
Lidar com as “Maras” do caminho: quando as circunstâncias se mostram amargas, o texto mostra duas atitudes contrastantes: murmuração e clamor. Murmurar alimenta ressentimento; clamar abre espaço para que Deus mostre saídas inesperadas, como a árvore que adoça as águas.
Valorizar a obediência como caminho de cuidado: os estatutos dados em Mara indicam que a obediência aos mandamentos de Deus está ligada à proteção e ao bem-estar do povo. Na prática, isso incentiva escolhas éticas, disciplina espiritual e responsabilidade na vida diária.
Não romantizar nem o milagre nem o deserto: o mesmo povo que canta também sente sede. Viver pela fé significa reconhecer que períodos de triunfo e de prova se alternam. Planejamento, prudência e comunidade são importantes para atravessar cada fase.
Acolher o descanso quando ele vem: Elim lembra que Deus também prepara lugares de refrigério. É saudável aceitar tempos de descanso, restauração e celebração, sem culpa, como parte do cuidado de Deus.
Construir memória comunitária: Miriã liderando as mulheres com tamboris e danças mostra a importância da expressão coletiva de fé. Praticamente, isso incentiva famílias e comunidades a celebrarem juntas as intervenções de Deus, envolvendo diferentes gerações e dons.
É uma poesia de louvor que Moisés e os filhos de Israel cantam ao Senhor após a travessia do Mar Vermelho. O cântico celebra a derrota do exército de Faraó, exalta o poder e a santidade de Deus e proclama que o Senhor reinará para sempre. Ele também antecipa a entrada do povo na herança e no santuário preparado por Deus.
A expressão ‘homem de guerra’ destaca Deus como aquele que luta em favor de seu povo e derrota seus inimigos. Em contraste com os deuses do Egito, que fracassam, o Senhor se mostra poderoso para julgar a opressão e libertar Israel. A linguagem é militar porque descreve um livramento em contexto de perseguição e ameaça real.
Miriã é apresentada como profetisa e irmã de Arão. Em Êxodo 15, ela toma um tamboril, lidera as mulheres em danças e ecoa o refrão do cântico de Moisés: ‘Cantai ao Senhor, porque gloriosamente triunfou’. Sua atuação mostra que mulheres também participaram ativamente da celebração e da liderança espiritual naquele momento.
Depois de três dias no deserto sem encontrar água, Israel chega a um lugar chamado Mara, onde há água, mas ela é imprópria para beber, descrita como ‘amarga’. O povo murmura contra Moisés, e ele clama ao Senhor. Deus então mostra uma árvore que, lançada nas águas, torna-as doces. Mara se torna um lugar de prova, instrução e revelação de Deus como aquele que transforma e cuida.
Essa declaração faz parte de uma palavra de Deus em Mara, na qual ele promete não trazer sobre Israel as enfermidades que vieram sobre o Egito, se o povo ouvir e obedecer seus mandamentos. ‘O Senhor que te sara’ apresenta Deus como fonte de cura, proteção e restauração para o povo da aliança. Não é uma fórmula mágica, mas uma revelação do caráter de Deus como aquele que cuida integralmente dos seus.
Elim é um oásis no deserto, onde Israel encontra doze fontes de água e setenta palmeiras e se acampa junto das águas. O número doze pode lembrar as doze tribos, e setenta um número de plenitude, sugerindo provisão ampla e descanso para todo o povo. Teologicamente, Elim simboliza que, depois da prova e da amargura, Deus também conduz a lugares de refrigério e abundância.
Êxodo 15 revela um coração de povo que passa de um extremo ao outro: do cântico e da alegria após o livramento, à sede e à murmuração no deserto. Essa oscilação é profundamente humana. Quando as águas do mar se abrem, parece fácil confiar; mas quando as águas de Mara são amargas, os medos e as queixas voltam à tona. Em meio a essas mudanças, a figura de Deus permanece constante. Ele é descrito como força, cântico e salvação (v.2), Aquele que defende, guia e cuida. Mesmo quando o povo reclama, Deus não abandona; responde mostrando a Moisés a árvore que adoça as águas. Não é apenas um milagre físico, mas um gesto de cuidado com a sede, a frustração e o desânimo de um povo cansado. O cântico inteiro é cheio de emoção: alívio, admiração, espanto diante da grandeza do Senhor. E, ao final, quando o povo chega a Elim, com doze fontes e setenta palmeiras, há um suspiro de descanso. Isso mostra que Deus não espera que o coração humano viva sempre em euforia espiritual. Ele conhece as fases de exaustão, as tensões da caminhada e prepara momentos de refrigério. O capítulo também apresenta Deus como ‘o Senhor que te sara’. Essa cura não se limita ao corpo; alcança lembranças de escravidão, medos profundos, marcas da opressão. Em meio às dores e às águas amargas da vida, este texto lembra que há um Deus que transforma, que guia com beneficência e que, pacientemente, ensina um povo ferido a confiar novamente. O coração encontra consolo ao perceber que, mesmo quando reage com murmuração, continua sendo conduzido por mãos fiéis.
Do ponto de vista exegético, Êxodo 15 é um texto fundamental tanto pela sua antiguidade poética quanto pela densidade teológica. O cântico de Moisés (vs. 1–18) apresenta diversas características típicas da poesia hebraica: paralelismo, imagens vívidas (as águas amontoadas, o inimigo afundando como chumbo), hipérboles e uma forte ênfase na ação divina. O foco está quase inteiramente no agir do Senhor, não no mérito humano. A autodesignação do Senhor como ‘homem de guerra’ (v.3) deve ser lida no contexto do mundo antigo, em que a divindade protetora de um povo era frequentemente associada à capacidade de defender e vencer batalhas. Aqui, Deus se mostra superior a todos os ‘deuses’ do Egito e das nações vizinhas. O verso 11, com sua pergunta retórica ‘Quem é como tu entre os deuses?’, afirma a incomparabilidade do Senhor e prepara o caminho para a posterior ênfase bíblica no monoteísmo. Os versículos 13–17 projetam o olhar para o futuro: mencionam não apenas o êxodo em si, mas o impacto desse evento nas nações (Filístia, Edom, Moabe e Canaã) e a instalação de Israel no ‘monte da tua herança’ e no ‘santuário’ que Deus estabeleceu. Muitos intérpretes veem aqui uma antecipação tanto da conquista de Canaã quanto do estabelecimento do templo. O verso 18, declarando que o Senhor reinará eternamente, insere o episódio do Mar Vermelho numa perspectiva de realeza divina duradoura. A transição para a prosa narrativa em 15:19-27 cria uma ponte entre teologia e experiência cotidiana. O pequeno sumário no v.19 retoma o evento do mar, e em seguida a narrativa desloca-se para a jornada no deserto de Sur. O relato de Mara é estruturado de modo a evidenciar o padrão bíblico de prova: carência, murmuração, intercessão, intervenção divina, instrução. A referência a ‘estatutos e uma ordenança’ (v.25) antecipa a legislação que será detalhada no Sinai, indicando que o relacionamento de Deus com Israel é normativo, não apenas experiencial. O versículo 26 merece atenção especial. Ele associa escuta (‘ouvires atento’), retidão (‘fizeres o que é reto’), obediência aos mandamentos e guarda dos estatutos com a promessa de proteção contra as enfermidades que afligiram o Egito. O texto vincula saúde à fidelidade pactual, num contexto específico da aliança mosaica. A autoapresentação ‘eu sou o Senhor que te sara’ une o tema da cura com a identidade do Deus da aliança, sem reduzir a doença a uma simples equação de pecado individual. Por fim, o breve versículo 27, com Elim e suas doze fontes e setenta palmeiras, não é apenas um detalhe geográfico, mas um elemento literário que fecha o capítulo com uma nota de provisão e repouso. A composição de Êxodo 15, portanto, alterna entre poesia e prosa, entre celebração e teste, consolidando a imagem de Deus como libertador, rei, legislador e cuidador de seu povo.
Êxodo 15 traz lições muito práticas para a forma como pessoas e comunidades lidam com crises, vitórias e necessidades diárias. Israel acaba de experimentar um livramento extraordinário, mas em pouco tempo enfrenta sede e frustração. A trajetória mostra que milagres não eliminam desafios futuros; eles servem como base para a confiança quando o caminho volta a ficar difícil. Uma primeira aplicação está na gestão da memória: o cântico de Moisés transforma a experiência de libertação em algo que pode ser relembrado, repetido e ensinado. Na prática, isso inspira famílias e comunidades a registrarem seus marcos de superação – por meio de histórias, canções, celebrações – para que, diante de novas provações, não se esqueçam do que já foi vivido com Deus. O episódio de Mara expõe um padrão muito comum na vida real: sob pressão, surge a tendência de procurar culpados. O povo murmura contra Moisés, em vez de buscar soluções. Em termos práticos, o texto estimula uma mudança de postura: sair da reclamação paralisante para o clamor e a busca ativa de direção. Moisés, pressionado, não devolve a acusação; ele clama ao Senhor, modelo de liderança que, em vez de reagir apenas emocionalmente, leva o problema à fonte de sabedoria. A resposta divina vem de forma simples: uma árvore que adoça as águas. Isso sugere que, muitas vezes, a provisão de Deus pode aparecer em recursos que já estão próximos, mas ainda não foram percebidos. No cotidiano, isso se traduz em olhar com atenção para possibilidades reais – conselhos sábios, ajustes de atitude, alternativas de trabalho, apoio comunitário – que podem transformar contextos “amargos”. O foco em obediência e mandamentos em Mara mostra que estilo de vida tem impacto concreto. Caminhar segundo os princípios de Deus envolve escolhas éticas, cuidado com o corpo, responsabilidade nos relacionamentos, justiça nas decisões. Tudo isso cria um ambiente mais saudável, ainda que não elimine por completo problemas ou enfermidades. Por fim, Elim lembra a importância do descanso. Depois de sede, amargura e tensão, há um acampamento junto a doze fontes e setenta palmeiras. Na prática, isso encoraja a planejar e aceitar períodos de pausa, restauração e convivência saudável. Não se trata apenas de “sobreviver ao deserto”, mas de aprender a usufruir os oásis que Deus coloca ao longo da jornada, para seguir adiante com mais equilíbrio e forças renovadas.
Em profundidade espiritual, Êxodo 15 é um hino à grandeza de Deus e à vocação do seu povo. O cântico de Moisés liga salvação, adoração e destino: o Deus que lança o cavalo e o cavaleiro no mar é o mesmo que guia, em beneficência, até a habitação da sua santidade. A libertação não é apenas saída da escravidão; é entrada em comunhão. A pergunta “Quem é como tu entre os deuses?” (v.11) convida a alma a contemplar a singularidade do Senhor. Ele não é apenas mais um entre muitos, mas o Santo, admirável em louvores e realizador de maravilhas. Quando a fé se fixa nessa visão elevada de Deus, as circunstâncias, ainda que difíceis, ganham nova perspectiva: não são o centro da história, mas o cenário em que a glória de Deus se manifesta. O cântico também projeta um futuro: o povo sendo plantado no monte da herança e no santuário que as mãos de Deus estabeleceram (v.17). Isso indica que a jornada com Deus tem um destino definido, não é errante. Em termos espirituais, aponta para a realidade de ser conduzido a um lugar de habitação permanente com o Senhor, antecipando temas que mais tarde se desdobram na esperança eterna – Deus habitando com seu povo de forma plena. A declaração “O Senhor reinará eterna e perpetuamente” (v.18) ancora a alma numa realeza que não passa. Reinos humanos sobem e caem; o poder de Faraó pareceu inabalável até ser vencido em um só ato de Deus. O coração que se entrega a esse Rei eterno encontra fundamento que não depende de estruturas humanas, ciclos políticos ou forças visíveis. Mara e Elim acrescentam uma dimensão formativa a essa caminhada. Em Mara, o povo é provado, recebe estatutos e é convidado a ouvir atentamente a voz do Senhor. A espiritualidade madura nasce nesse lugar de prova, onde obediência, confiança e escuta são refinadas. A autoapresentação de Deus como “o Senhor que te sara” sugere um processo contínuo de cura: do coração ferido pela escravidão, da mente marcada pelo medo, do espírito tentado a duvidar. Elim, com suas fontes e palmeiras, pode ser visto como uma parábola dos descansos que Deus concede ao longo da peregrinação. Eles não são o destino final, mas são sinais da bondade do Senhor e antecipações do repouso definitivo. A alma que lê Êxodo 15 é chamada a viver entre cânticos de libertação, provas de confiança e oásis de refrigério, sempre orientada pela certeza de que o Deus que salva é o mesmo que guia, santifica e conduz à sua presença eterna.
" Então cantou Moisés e os filhos de Israel este cântico ao SENHOR, e falaram, dizendo: Cantarei ao SENHOR, porque gloriosamente triunfou; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro. "
" O Senhor é a minha força, e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus, portanto lhe farei uma habitação; ele é o Deus de meu pai, por isso o exaltarei. "
Êxodo 15:2 mostra que Deus é fonte de força, alegria e livramento em momentos de perigo e cansaço. O povo reconhece que não venceu por …
Ler análise completa" O Senhor é homem de guerra; o Senhor é o seu nome. "
" Lançou no mar os carros de Faraó e o seu exército; e os seus escolhidos príncipes afogaram-se no Mar Vermelho. "
" Os abismos os cobriram; desceram às profundezas como pedra. "
" A tua destra, ó Senhor, se tem glorificado em poder, a tua destra, ó Senhor, tem despedaçado o inimigo; "
Êxodo 15:6 mostra que o poder de Deus é maior que qualquer inimigo ou situação impossível. A “destra do Senhor” simboliza ação concreta de ajuda …
Ler análise completa" E com a grandeza da tua excelência derrubaste aos que se levantaram contra ti; enviaste o teu furor, que os consumiu como o restolho. "
" E com o sopro de tuas narinas amontoaram-se as águas, as correntes pararam como montão; os abismos coalharam-se no coração do mar. "
" O inimigo dizia: Perseguirei, alcançarei, repartirei os despojos; fartar-se-á a minha alma deles, arrancarei a minha espada, a minha mão os destruirá. "
" Sopraste com o teu vento, o mar os cobriu; afundaram-se como chumbo em veementes águas. "
" Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu glorificado em santidade, admirável em louvores, realizando maravilhas? "
" Estendeste a tua mão direita; a terra os tragou. "
" Tu, com a tua beneficência, guiaste a este povo, que salvaste; com a tua força o levaste à habitação da tua santidade. "
Êxodo 15:13 mostra que Deus não apenas liberta, mas também guia até um lugar seguro e santo. O versículo ensina que quem é salvo por …
Ler análise completa" Os povos o ouviram, eles estremeceram, uma dor apoderou-se dos habitantes da Filístia. "
Êxodo 15:14 mostra que os povos ao redor tremeram ao saber do poder de Deus ao libertar Israel. Não era Israel que causava medo, mas …
Ler análise completa" Então os príncipes de Edom se pasmaram; dos poderosos dos moabitas apoderou-se um tremor; derreteram-se todos os habitantes de Canaã. "
" Espanto e pavor caiu sobre eles; pela grandeza do teu braço emudeceram como pedra; até que o teu povo houvesse passado, ó Senhor, até que passasse este povo que adquiriste. "
Êxodo 15:16 mostra que Deus protegeu Israel de forma tão poderosa que os inimigos ficaram paralisados de medo, incapazes de agir, até o povo atravessar …
Ler análise completa" Tu os introduzirás, e os plantarás no monte da tua herança, no lugar que tu, ó Senhor, aparelhaste para a tua habitação, no santuário, ó Senhor, que as tuas mãos estabeleceram. "
" O Senhor reinará eterna e perpetuamente; "
Êxodo 15:18 afirma que Deus reina para sempre, mostrando que seu poder e cuidado não acabam quando um problema passa. Após a libertação do Egito, …
Ler análise completa" Porque os cavalos de Faraó, com os seus carros e com os seus cavaleiros, entraram no mar, e o Senhor fez tornar as águas do mar sobre eles; mas os filhos de Israel passaram em seco pelo meio do mar. "
" Então Miriã, a profetisa, a irmã de Arão, tomou o tamboril na sua mão, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamboris e com danças. "
" E Miriã lhes respondia: Cantai ao Senhor, porque gloriosamente triunfou; e lançou no mar o cavalo com o seu cavaleiro. "
" Depois fez Moisés partir os israelitas do Mar Vermelho, e saíram ao deserto de Sur; e andaram três dias no deserto, e não acharam água. "
" Então chegaram a Mara; mas não puderam beber das águas de Mara, porque eram amargas; por isso chamou-se o lugar Mara. "
" E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber? "
" E ele clamou ao Senhor, e o Senhor mostrou-lhe uma árvore, que lançou nas águas, e as águas se tornaram doces. Ali lhes deu estatutos e uma ordenança, e ali os provou. "
" E disse: Se ouvires atento a voz do Senhor teu Deus, e fizeres o que é reto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre o Egito; porque eu sou o Senhor que te sara. "
" Então vieram a Elim, e havia ali doze fontes de água e setenta palmeiras; e ali se acamparam junto das águas. "
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