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Êxodo 15:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Então cantou Moisés e os filhos de Israel este cântico ao SENHOR, e falaram, dizendo: Cantarei ao SENHOR, porque gloriosamente triunfou; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro. "

Êxodo 15:1

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1 Então cantou Moisés e os filhos de Israel este cântico ao SENHOR, e falaram, dizendo: Cantarei ao SENHOR, porque gloriosamente triunfou; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro.

2 O Senhor é a minha força, e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus, portanto lhe farei uma habitação; ele é o Deus de meu pai, por isso o exaltarei.

3 O Senhor é homem de guerra; o Senhor é o seu nome.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Depois de lermos como Israel recebeu essa vitória completa sobre os egípcios, agora vemos como eles a celebraram. Aqueles que haviam sido ordenados a ficar quietos enquanto o livramento acontecia (Êxodo 14:14) não deviam permanecer em silêncio agora que tudo estava consumado. Quanto menos tiveram de fazer naquela hora, mais tinham a fazer agora. Quando Deus traz um livramento somente pelo seu próprio poder, isso redunda em ainda mais glória para ele.

Moisés, sem dúvida sob inspiração divina, compôs este cântico e o entregou aos israelitas para que o cantassem antes que partissem do lugar onde tinham visto os egípcios mortos na praia. Eles demonstraram a sua alegria em Deus e a sua gratidão a ele por meio do cântico. Este é quase um modo natural de expressarmos alegria e o regozijo do coração. Isso também mostra que o cântico de salmos como ato de adoração já existia na igreja de Cristo antes de ser dada a lei cerimonial; portanto, não fazia parte dessa lei, nem terminou com ela. O cântico é tanto a linguagem da santa alegria quanto a oração é a linguagem do santo desejo.

Moisés, que os havia conduzido pelo mar, também os conduziu no cântico e o compôs para eles. Aqueles que tomam parte ativa no serviço público não devem ficar em silêncio no louvor público. Eles cantaram enquanto a misericórdia ainda era recente e seus corações estavam profundamente comovidos por ela. Quando recebemos de Deus uma misericórdia especial, devemos depressa tributar-lhe louvor, antes que o tempo e o nosso próprio esquecimento apaguem o bom efeito que ela produziu em nós. Davi entoou seu cântico de vitória no dia em que o Senhor o livrou (2 Samuel 22:1). Quem dá depressa, dá em dobro.

Eles também cantaram porque creram no Senhor (Êxodo 14:31). Era um cântico de fé, como diz o Salmo 106:12: então creram nas suas palavras e cantaram os seus louvores. Quando o coração crê, o louvor deve seguir.

Este é o cântico em si. É um cântico antigo, o mais antigo de que temos notícia. É também um cântico admiravelmente elaborado, de estilo elevado e majestoso, com imagens vivas e adequadas e uma força que move o coração. É um cântico santo, separado para a honra de Deus, feito para exaltar o seu nome e celebrar exclusivamente o seu louvor, não para glorificar nenhum homem. Nele, “santidade ao Senhor” está escrito de ponta a ponta. Eles melodiaram a ele ao cantá-lo. É também um cântico profético. Os triunfos posteriores da igreja do evangelho sobre seus inimigos são associados ao cântico de Moisés e ao cântico do Cordeiro, e ambos são descritos como sendo entoados junto a um mar de vidro, assim como este cântico foi cantado junto ao mar Vermelho (Apocalipse 15:2, Apocalipse 15:3).

O propósito principal de Moisés é glorificar a Deus e alegrar-se nele. Esse é o seu primeiro objetivo aqui: “Cantarei ao SENHOR” (Êxodo 15:1). Toda a nossa alegria deve terminar em Deus, e todo o nosso louvor deve ser dirigido a ele, o Pai das luzes e Pai das misericórdias, porque ele triunfou. Todos os que amam a Deus se alegram em seus triunfos. Aquilo que lhe traz honra deve também trazer-nos alegria.

Israel se alegrou em Deus como sendo o seu próprio Deus e, por isso, a sua força, o seu cântico e a sua salvação (Êxodo 15:2). Bem-aventurado o povo cujo Deus é o SENHOR. Nada mais lhe falta para ser verdadeiramente feliz. Tem trabalho a cumprir, tentações a enfrentar, sofrimentos a suportar e muita fraqueza em si mesmo, mas ele os fortalece. A sua graça é a força deles. Muitas vezes estão entristecidos por diversos motivos, mas nele têm consolo, pois ele é o seu cântico. Pecado, morte e inferno os ameaçam, mas ele é e será a sua salvação. Veja Isaías 12:2.

Eles também se alegraram nele como o Deus de seus pais. Mencionam isso porque tinham consciência da própria indignidade e de seus muitos pecados. Tinham bons motivos para pensar que aquilo que Deus fizera por eles também tinha em vista o amor que ele nutria por seus pais (Deuteronômio 4:37). Os filhos da aliança devem encontrar consolo na relação de seus pais com Deus como seu Deus, e ao mesmo tempo tomar isso como advertência e encorajamento.

Eles se regozijam nele ainda como Deus de poder infinito. “O SENHOR é homem de guerra” (Êxodo 15:3), isto é, ele é perfeitamente capaz de tratar com todos os que pelejam contra o seu Criador, e certamente será mais forte que eles. É também Deus de perfeição incomparável (Êxodo 15:11). Primeiro, isso é dito de modo geral: “Ó SENHOR, quem é como tu entre os deuses?” É louvor puro e adoração humilde. Ao mesmo tempo, é um desafio a qualquer outro suposto deus para que se compare com ele. Que se apresentem e façam o melhor que puderem, nenhum consegue igualá-lo. O Egito era famoso por seus muitos deuses, mas o Deus dos hebreus se mostrou forte demais para todos eles (Números 33:4; Deuteronômio 32:23-39). Os governantes e poderosos deste mundo às vezes são chamados de deuses, mas são fracos e mortais. Nenhum pode ser comparado ao SENHOR, o Deus todo-poderoso e eterno.

Isto é também uma confissão de sua perfeição infinita, muito acima de todos e além de qualquer comparação. Deus deve ser adorado e louvado como aquele que é tão perfeito que não há outro semelhante, nem quem possa ser comparado a ele, aquele que deve ter o lugar mais alto em tudo (Salmo 89:6). Em seguida, isso é dito de modo mais específico. Ele é glorioso em santidade, e a sua santidade é a sua glória. Este é o atributo que os anjos louvam (Isaías 6:3). Sua santidade se manifestou na destruição de Faraó, em seu ódio ao pecado e em sua ira contra os pecadores obstinados. Manifestou-se também no livramento de Israel, em seu prazer em seu povo santo e em sua fidelidade à promessa. Deus é rico em misericórdia, que é o seu tesouro, e glorioso em santidade, que é a sua honra. Devemos sempre dar graças ao lembrarmo-nos de sua santidade.

Ele é também terrível em louvores. Aquilo que dá alegria aos seus servos é tremendo e assustador para seus inimigos (Salmo 66:1-3). Ou isso pode orientar a maneira como o louvamos: devemos louvá-lo com reverente temor santo e servir ao SENHOR com temor. Até mesmo a nossa alegria espiritual e vitória devem ser equilibradas por um temor reverente. Ele faz maravilhas, obras que estão além do poder humano e fora do curso comum da natureza. São especialmente maravilhosas para nós porque são feitas para o nosso bem, e porque somos tão indignos que tínhamos poucos motivos para esperá-las. São obras de poder e obras de graça, e Deus deve ser humildemente adorado em ambas.

O cântico também descreve o livramento que estavam celebrando, pois foi escrito não só para expressar gratidão no momento, mas para manter essa grande obra na memória das gerações futuras. Duas coisas se destacam. Primeiro, o inimigo foi destruído, e as águas foram divididas (Êxodo 15:8). As torrentes pararam como um montão. Faraó e todo o seu exército foram sepultados nas águas. O cavalo e o cavaleiro não puderam escapar (Êxodo 15:1), e os carros e seus principais capitães também foram tragados (Êxodo 15:4). Eles mesmos entraram no mar, e foram submersos (Êxodo 15:19).

O mar cobriu os egípcios, e as águas soberbas passaram por cima desses pecadores soberbos. Afundaram como pedra, como chumbo, sob o peso de sua própria culpa e da ira de Deus (Êxodo 15:5, Êxodo 15:10). O pecado os havia endurecido como pedra, e agora justamente afundaram como pedra. Até a terra os tragou (Êxodo 15:12). Seus corpos mortos afundaram na areia onde foram lançados pela água, e a areia parecia puxá-los para baixo.

Aqueles contra quem o Criador se levanta encontram toda a criação contra si. Esta foi exclusivamente obra do SENHOR. Foi ato do seu poder: “A tua destra, ó SENHOR”, e não a nossa, “despedaçou o inimigo” (Êxodo 15:6). Foi feito pelo “sopro das tuas narinas” (Êxodo 15:8), pelo “teu vento” (Êxodo 15:10) e pela extensão da “tua destra” (Êxodo 15:12). Manifestou o seu grande poder, “a grandeza da tua excelência”, e também a sua justiça, pois “enviaste o teu furor” (Êxodo 15:7).

A destruição dos egípcios aparece ainda mais notável por causa de seu orgulho, arrogância e falsa confiança no sucesso: “O inimigo dizia: Perseguirei” (Êxodo 15:9). Estavam cheios de confiança. Ao perseguir, não duvidavam que alcançariam. Ao alcançar, não duvidavam que venceriam e repartiriam o despojo. Muitas vezes as pessoas estão mais cheias de esperança justamente quando estão à beira da ruína, e isso torna ainda pior a sua queda (Isaías 37:24, Isaías 37:25).

Eles eram também extremamente cruéis. Seu único objetivo era matar, derribar e destruir, e nada além de sangue os satisfazia. Esse tipo de ódio é selvagem, como é também o ódio manifestado contra a igreja: os inimigos dela são homens sanguinários. Isso é mencionado aqui para mostrar duas coisas. Primeiro, Deus resiste aos soberbos e se compraz em humilhar os que se exaltam. Quem diz: “Farei isto, queira Deus ou não”, aprenderá que, quando age altivamente, Deus está acima dele. Segundo, aqueles que têm sede de sangue o terão em abundância. Os que amam a destruição serão destruídos, pois sabemos que o SENHOR disse: “Minha é a vingança; eu recompensarei.”

Em seguida, o cântico se volta para a proteção e a orientação de Israel (Êxodo 15:13). “Na tua misericórdia tens guiado este povo”, tirando-o da escravidão do Egito e conduzindo-o em segurança pelos perigos do mar Vermelho (Êxodo 15:19). Mas os filhos de Israel passaram em seco pelo meio do mar. A destruição dos ímpios torna a salvação de Israel ainda mais evidente e faz com que ela brilhe com mais intensidade (Isaías 45:13-15).

O cantor então usa esse grande ato de Deus para despertar louvor. Como Deus os preservou e lhes deu um lugar seguro, eles decidem não poupar esforços nem recursos para construir um tabernáculo, uma tenda sagrada, para a sua honra. Ali exaltariam o Senhor e falariam da honra que ele alcançou sobre Faraó. Deus agora os tinha exaltado, fazendo deles um povo grande, e por isso eles o exaltariam falando da sua grandeza infinita. Devemos sempre buscar exaltar a Deus, louvando-o e servindo aos seus propósitos; e é uma grande honra ser usado dessa forma.

Essa libertação também fortalece a confiança em Deus. O salmista está tão certo do feliz desfecho dessa salvação, já iniciada de modo tão glorioso, que fala como se ela já estivesse concluída: “O Senhor os guiou à sua santa habitação” (Êxodo 15:13). O sentido é: “Tu os colocaste no caminho para esse lugar e, no tempo devido, certamente os levarás até lá”, porque a obra de Deus é perfeita. Ou ainda: “Tu os tens guiado para que possam chegar à tua santa morada no céu com seu louvor”. Aqueles a quem Deus guia nesta vida ele também conduzirá à sua santa habitação, primeiro na fé e depois na plena alegria.

Essa grande libertação os encorajou de duas maneiras. Primeiro, mostrou o poder de Deus de um modo que aterrorizaria seus inimigos e quebraria sua coragem (Êxodo 15:14-16). Só de ouvirem falar da derrota dos egípcios, as outras nações já ficariam abaladas. Seus ânimos cairiam, e isso enfraqueceria sua força e seus planos. Os filisteus, moabitas, edomitas e cananeus, povos que Israel enfrentaria mais tarde, ficariam alarmados e desanimados. Concluiram que seria inútil lutar contra Israel quando um Deus tão poderoso lutava por eles. E foi exatamente o que aconteceu: os edomitas temeram (Deuteronômio 2:4), os moabitas temeram (Números 22:3) e os cananeus também temeram (Josué 2:9-10; Josué 5:1). Deus enviou diante deles o temor que vinha dele (Êxodo 23:27) e abateu o ânimo dos príncipes.

Segundo, essa libertação era apenas o início do favor de Deus, e por isso servia como penhor de sua bondade completa. “Tu os introduzirás” (Êxodo 15:17). Se ele os tirou do Egito, apesar da sua indignidade e de todas as dificuldades do caminho, certamente também os levará para Canaã. Teria ele começado essa obra para não a terminar? Nossa experiência do poder e da graça de Deus deve fortalecer a nossa esperança. É uma boa forma de raciocinar dizer: “Tu já fizeste, portanto podes tornar a fazer, e confiamos que o farás”.

Deus os plantará no lugar que preparou para sua habitação. É uma coisa excelente viver onde Deus habita: na sua igreja na terra (Salmo 27:4) e na sua igreja no céu (João 17:24). Onde ele diz: “Este é para sempre o lugar do meu repouso”, nós devemos responder: “Seja também o nosso”.

O fundamento final do encorajamento deles é este: “O Senhor reinará eterna e perpetuamente” (Êxodo 15:18). Eles tinham visto o fim do reinado de Faraó, mas o tempo jamais porá fim ao reinado do Senhor. Seu governo é eterno, como ele próprio, e não muda. Esse é o grande consolo de todo o povo fiel de Deus: não apenas que ele reina em toda parte com plena autoridade, mas que reinará para sempre, sem limite para o seu domínio.

O capítulo então descreve o canto público e solene desse cântico (Êxodo 15:20-21). Miriã, também chamada Maria, liderou as mulheres numa espécie de assembleia. Conforme o costume da época, elas expressavam alegria com tamboris e danças. Moisés entoou o cântico e o ensinou aos homens, e Miriã fez o mesmo entre as mulheres. Grandes vitórias eram frequentemente celebradas pelas filhas de Israel (1 Samuel 18:6-7), e assim foi também com esta. Quando Deus tirou Israel do Egito, é dito que enviou adiante deles Moisés, Arão e Miriã, embora não se registre outra ação memorável de Miriã além desta.

Ainda assim, pessoas devem ser consideradas grandes bênçãos para uma nação quando a ajudam e a conduzem no louvor a Deus.

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