Êxodo 38 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Êxodo 38 na sua vida hoje

31 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Êxodo 38?

Êxodo 38 descreve a construção final de elementos centrais do tabernáculo: o altar do holocausto, a pia de bronze, o pátio ao redor, além do registro detalhado dos materiais usados. O capítulo mostra a obediência precisa às instruções divinas, a cooperação de artesãos capacitados e a administração cuidadosa de todo o ouro, prata e cobre ofertados pelo povo.

Temas principais em Êxodo 38

Obediência detalhada às instruções de Deus (versículos 1-8, 21-23)

Cada medida, material e função dos objetos do tabernáculo é executado conforme o que havia sido ordenado. A fidelidade não aparece apenas em grandes gestos, mas no cuidado com cada detalhe da adoração.

Versículos-chave: 1, 22

Santuário, sacrifício e purificação (versículos 1-8, 30)

O altar do holocausto e a pia de bronze representam, respectivamente, o lugar do sacrifício e o lugar de purificação. Juntos, apontam para a necessidade de expiação e de limpeza para se aproximar de Deus.

Versículos-chave: 1, 8

Santo espaço e limites na presença de Deus (versículos 9-20, 31)

O pátio, suas cortinas, colunas e bases estabelecem limites claros para o espaço sagrado. A organização do ambiente de culto reforça a santidade de Deus e a ordem em que o povo deve se aproximar.

Versículos-chave: 16, 20

Administração fiel dos recursos ofertados (versículos 24-29)

O registro minucioso de talentos e siclos de ouro, prata e cobre mostra responsabilidade, transparência e boa gestão das ofertas entregues para a obra do santuário.

Versículos-chave: 24, 25

Cooperação de dons e habilidades na obra de Deus (versículos 21-23)

Bezalel, Aoliabe e os levitas desempenham funções diferentes, mas complementares, na construção do tabernáculo. A obra do Senhor é realizada pela união de talentos diversos sob a direção de Deus.

Versículos-chave: 22, 23

Contexto histórico e literario

Êxodo 38 faz parte do relato da construção do tabernáculo no deserto, após a saída de Israel do Egito. O povo ainda está acampado ao pé do Sinai, e Moisés já recebeu as instruções detalhadas sobre o tabernáculo e os utensílios (Êxodo 25–31). Depois do episódio do bezerro de ouro (Êxodo 32), a aliança é renovada, e o povo, arrependido, passa a ofertar generosamente para a construção do santuário (Êxodo 35–37).

O tabernáculo, também chamado “tabernáculo do testemunho”, é o centro religioso e simbólico da vida de Israel: ali a presença de Deus habita no meio do povo. As medidas em côvados, o uso de metais preciosos e tecidos finos seguem padrões da época do Antigo Oriente Próximo, onde templos e objetos de culto empregavam materiais de grande valor para expressar honra à divindade.

Bezalel, da tribo de Judá, e Aoliabe, da tribo de Dã, aparecem como artesãos capacitados por Deus para liderar a obra. Itamar, filho de Arão, supervisiona a contagem e o uso dos materiais, mostrando que já havia uma estrutura levítica em formação para o serviço sagrado e a administração dos recursos. O censo mencionado (603.550 homens de 20 anos para cima) indica um grande contingente de israelitas e ajuda a dimensionar o volume de ofertas e a grandiosidade da obra.

Estrutura de Êxodo 38

Êxodo 38 apresenta uma narrativa técnica e ordenada, com foco em descrição de objetos, medidas e materiais. A estrutura pode ser vista em quatro blocos principais:

  1. Construção do altar do holocausto (v.1-7)
    – Descrição do material (madeira de acácia revestida de cobre).
    – Medidas (cinco côvados de comprimento e largura, três de altura).
    – Pontas do altar, crivo de cobre, argolas e varais para transporte.

  2. Construção da pia de bronze (v.8)
    – Feita de cobre, incluindo a base.
    – Origem do material: espelhos das mulheres que serviam à entrada da tenda da congregação.

  3. Construção do pátio e da entrada (v.9-20)
    – Cortinas de linho fino ao redor do pátio (medidas dos lados sul, norte, oeste e leste).
    – Colunas, bases de cobre, colchetes e molduras de prata.
    – Cobertura bordada da porta do pátio, com cores simbólicas (azul, púrpura, carmesim, linho fino).
    – Estacas do tabernáculo e do pátio todas de cobre.

  4. Prestação de contas dos materiais e dos artesãos (v.21-31)
    – Enumeração das coisas usadas no tabernáculo do testemunho sob responsabilidade de Itamar.
    – Identificação de Bezalel e Aoliabe como principais artífices.
    – Quantidades precisas de ouro, prata e cobre e uso específico de cada metal (bases do santuário, colchetes, capitéis, utensílios, bases do pátio e da porta).

Significado teológico

Este capítulo aprofunda a compreensão do tabernáculo como lugar da presença de Deus e da adoração ordenada. O altar do holocausto, com suas pontas e utensílios de cobre, destaca o papel central do sacrifício para a relação de Israel com o Senhor. A pia de bronze, feita dos espelhos das mulheres, ressalta a necessidade de purificação antes do serviço sagrado e o fato de que até objetos de valor pessoal são consagrados a Deus.

O pátio e suas cortinas de linho fino, sustentadas por colunas e bases metálicas, estabelecem um espaço delimitado para o encontro com Deus. Há uma teologia dos limites: Deus está presente no meio do povo, mas não é tratado de forma comum; há ordem, separação entre o santo e o profano, e um caminho definido para entrar.

A enumeração dos materiais e a participação dos levitas, de Bezalel e Aoliabe sublinham que a obra de Deus exige tanto consagração espiritual quanto responsabilidade prática. A transparência na gestão das ofertas indica que o culto envolve ética, justiça e boa administração. Além disso, a diversidade de dons na construção aponta para a realidade de que toda habilidade humana pode ser santificada para o serviço divino.

Lido à luz de toda a Escritura, o altar e a pia prefiguram a obra redentora de Cristo: Ele é o sacrifício definitivo que torna o acesso a Deus possível, e também a fonte de purificação que limpa o coração e prepara o povo para servir. O tabernáculo, com seu pátio, suas medidas e suas estruturas, antecipa a realidade de Deus habitando entre os seres humanos, cumprida plenamente na encarnação e, de forma final, na nova criação.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Êxodo 38 pode ser lido de forma terapêutica como um retrato de ordem, cuidado e pertença. Em meio à instabilidade do deserto, o tabernáculo é um ponto fixo: um lugar estruturado, belo e seguro que lembra a presença constante de Deus. Os muitos detalhes não são apenas técnicos; eles comunicam que Deus se importa com a forma como as coisas são feitas e com cada parte da vida comunitária.

O texto também expressa valor e dignidade em diferentes tipos de trabalho. Artesãos, bordadores, levitas administradores, mulheres que doam seus espelhos, todos têm seu lugar na obra. Isso confronta sentimentos de inutilidade ou de comparação, mostrando que cada contribuição tem significado quando colocada a serviço de Deus.

A prestação de contas minuciosa transmite uma sensação de segurança e justiça: nada se perde, nada é desperdiçado ou escondido. Para quem sofre com experiências de abuso de confiança ou desordem, é reconfortante ver uma comunidade que administra recursos com integridade diante de Deus.

Além disso, o altar e a pia, como símbolos de perdão e purificação, tocam temas de culpa, vergonha e necessidade de limpeza interior. O capítulo oferece a imagem de um caminho estruturado de reconciliação, em que a pessoa não é abandonada ao caos dos próprios erros, mas é convidada a um processo de perdão e restauração.

warning Importante: maus usos comuns

O foco em sacrifícios e em estruturas rígidas pode ser mal utilizado em contextos de espiritualidade adoecida, gerando perfeccionismo religioso, culpa excessiva ou a sensação de que apenas “quem faz tudo certo” pode se aproximar de Deus. A linguagem de ofertas e metais preciosos, se lida de forma distorcida, pode alimentar manipulações em ambientes religiosos que pressionam pessoas a contribuições financeiras desmedidas.

Outra possível distorção é interpretar a importância das medidas e detalhes como um incentivo a um controle exagerado em relacionamentos e comunidades, justificando rigidez, intolerância e falta de compaixão. Sem o equilíbrio do restante da revelação bíblica sobre graça, misericórdia e o coração por trás do culto, o texto pode ser usado para, indevidamente, validar sistemas autoritários.

Em pessoas sensíveis à culpa ou com histórico de abuso religioso, passagens que enfatizam sacrifício e exigências podem reacender memórias dolorosas. Nesse caso, é importante ler Êxodo 38 dentro do panorama maior da Escritura, que aponta para a graça e para o descanso oferecido por Deus, e, se necessário, buscar apoio pastoral ou profissional qualificado.

Aplicação prática para hoje

Êxodo 38 inspira práticas concretas em várias áreas da vida. Primeiro, mostra o valor da obediência cuidadosa: fazer o que é certo não apenas em linhas gerais, mas também nos detalhes do trabalho, dos relacionamentos e do serviço. Isso encoraja capricho, integridade e responsabilidade em tudo o que se faz.

Segundo, o capítulo valoriza todo tipo de habilidade. Artes, construção, organização, contabilidade e doação simples — todos esses elementos são integrados na obra do tabernáculo. Isso pode ser traduzido em comunidades que reconhecem e utilizam diferentes talentos, sem hierarquizar pessoas pelo tipo de dom que possuem.

Terceiro, a prestação de contas dos materiais aponta para uma administração transparente de recursos. Em contextos familiares, profissionais ou de igreja, esse modelo incentiva clareza, honestidade e registro fiel do que se recebe e do que se usa.

Por fim, o altar e a pia lembram que a vida diária precisa de espaços para arrependimento e purificação. Em termos práticos, isso se reflete em hábitos de autoexame, pedidos de perdão, reparação quando há dano, e abertura constante para ser transformado no caráter, não apenas na aparência externa.

Perguntas frequentes

O que era o altar do holocausto descrito em Êxodo 38?

O altar do holocausto era a estrutura principal, situada no pátio do tabernáculo, onde eram oferecidos os sacrifícios queimados ao Senhor. Feito de madeira de acácia revestida de cobre, com pontas em seus quatro cantos e um crivo em forma de rede, ele era usado para queimar animais e ofertas prescritas pela lei. Representava a necessidade de expiação e o caminho de acesso a Deus por meio de sacrifício.

Por que a pia de bronze foi feita com espelhos das mulheres?

A pia de bronze, usada pelos sacerdotes para lavarem mãos e pés antes do serviço, foi feita com espelhos de metal polido que pertenciam às mulheres que serviam à entrada da tenda. Ao oferecerem seus espelhos, objetos ligados à aparência pessoal, elas estavam consagrando algo precioso e íntimo ao serviço de Deus. Isso ressalta a importância da purificação e o fato de que até o que é usado para a própria imagem pode ser entregue para a santificação e o culto.

Qual a importância do pátio e das cortinas em volta do tabernáculo?

O pátio, cercado por cortinas de linho fino sustentadas por colunas e bases de metal, delimitava o espaço sagrado ao redor do tabernáculo. Ele criava uma separação visível entre o que era comum e o que era dedicado ao serviço de Deus. As medidas e a organização do pátio regulavam o acesso à presença divina, refletindo a santidade de Deus e a necessidade de ordem e reverência na adoração.

Por que Êxodo 38 apresenta uma lista tão detalhada de ouro, prata e cobre?

A lista detalhada de metais e medidas tem função de prestação de contas e de reforço da seriedade da obra do tabernáculo. Mostra que as ofertas do povo eram tratadas com responsabilidade, que havia supervisão levítica e que nada era usado de forma descuidada ou secreta. Teologicamente, também evidencia a generosidade do povo e a dedicação de grandes recursos para honrar a presença de Deus no meio deles.

Quem eram Bezalel, Aoliabe e Itamar neste capítulo?

Bezalel, da tribo de Judá, era o principal artesão, capacitado por Deus para executar toda a obra do santuário, incluindo metalurgia, entalhes e arte em tecidos. Aoliabe, da tribo de Dã, aparece como mestre de obra e artífice hábil, especialmente em bordados e trabalhos artísticos. Itamar, filho de Arão, é mencionado como responsável pela contagem e supervisão das coisas usadas no tabernáculo, representando o papel dos levitas na administração e no cuidado com o sagrado.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Êxodo 38 revela um Deus que constrói, junto com o povo, um lugar onde Sua presença pode ser experimentada no meio do deserto. Em um cenário de areia, incerteza e lembranças do passado no Egito, cada peça do tabernáculo, cada coluna e cada cortina diz silenciosamente: “Você não está sozinho, Eu estou aqui”. O altar do holocausto, tão central nesse capítulo, fala de perdão possível. Ele é o sinal de que Deus não abandona Israel aos próprios pecados, mas oferece um caminho de reconciliação. Para corações marcados por culpa e vergonha, essa imagem é profundamente consoladora: existe um lugar onde o peso é colocado sobre outro, onde a história não precisa terminar no erro. A pia de bronze, feita dos espelhos das mulheres, carrega também um toque de ternura. Aquilo que normalmente serviria para olhar a própria imagem é transformado em instrumento de purificação. É como se Deus acolhesse até a vaidade, o apego à aparência, as fragilidades humanas, e as convertesse em algo que serve à vida e à santidade. Há espaço para que o passado, os apegos e as marcas pessoais sejam entregues e ressignificados. Os muitos detalhes – medidas, números, metais – podem parecer frios à primeira vista, mas por trás deles há uma mensagem de cuidado. Deus organiza o espaço do povo para que haja segurança, beleza e ordem. Em um mundo interior ou exterior bagunçado, essa ordem divina comunica descanso: é possível viver em um ambiente onde tudo não esteja mais fora de controle, onde existe um centro firme, um lugar seguro de encontro com o Senhor. Ao ver nomes como Bezalel, Aoliabe e Itamar mencionados, percebe-se que Deus não esquece as pessoas que trabalham nos bastidores. Cada esforço, cada habilidade, cada contribuição tem lugar na história. Para quem se sente invisível, Êxodo 38 oferece uma lembrança delicada: Deus vê, conhece e inclui. A vida não é apenas um conjunto de tarefas anônimas; ela pode ser parte de algo maior, construído com amor e precisão pelo próprio Deus.

Mind
Mind

Êxodo 38 integra-se ao conjunto de capítulos que narram a execução das instruções dadas em Êxodo 25–31 para o tabernáculo. A ênfase aqui recai sobre o altar do holocausto, a pia de bronze, o pátio e a contabilidade dos metais. Do ponto de vista literário e teológico, o autor sublinha a perfeita correspondência entre o que foi ordenado e o que foi realizado: “tudo quanto o Senhor tinha ordenado a Moisés” (v.22). O altar do holocausto, descrito em termos de medidas e materiais, seguia um padrão de arquitetura sagrada comum no Antigo Oriente Próximo, mas com significado particular. Suas pontas, de uma só peça com o altar, possivelmente eram usadas em ritos de aspersão de sangue, e simbolizavam força e proteção. O uso consistente do cobre (bronze) indica uma categoria de objeto resistente, adequado ao fogo constante dos sacrifícios. A pia de bronze é um elemento novo enfatizado brevemente, mas teologicamente denso. O fato de ser originada dos espelhos das mulheres sugere a transformação de objetos de uso cotidiano em utensílios sagrados. Na prática sacerdotal, a pia servia para a lavagem ritual dos sacerdotes (cf. Êxodo 30:17–21), ressaltando a máxima de que o serviço diante de Deus requer purificação contínua. Os detalhes extensos do pátio – medidas, número de colunas, bases de cobre e molduras de prata – configuram uma teologia do espaço sagrado. O pátio funciona como zona de transição entre o acampamento de Israel e o santuário propriamente dito. As cortinas de linho fino, associadas à pureza e à distinção, criam uma barreira visual e simbólica. Ao mesmo tempo, a porta do pátio, com sua cortina bordada de azul, púrpura, carmesim e linho fino, destaca-se como o ponto de acesso ordenado à presença divina. A seção final, com a enumeração dos materiais, possui forte caráter administrativo. O texto menciona Itamar, filho de Arão, como responsável pela contagem, o que evidencia uma organização levítica inicial. O ouro (v.24) se relaciona principalmente aos elementos internos e mais santos do tabernáculo; a prata (v.25–28), aos fundamentos – bases do santuário e do véu; e o cobre (v.29–31), a estruturas externas e utensílios mais expostos, como o altar e as bases do pátio. Essa gradação de metais acompanha a progressão de santidade do tabernáculo: do exterior ao Santo dos Santos. Do ponto de vista da teologia bíblica, Êxodo 38 prepara o terreno para reflexões posteriores sobre sacrifício, mediação sacerdotal e presença divina. O altar do holocausto antecipa o sistema sacrificial de Levítico, enquanto a pia aponta para o conceito de pureza ritual. Ao registrar os nomes dos artesãos e a exatidão das medidas, o texto também reforça a ideia de que a revelação não é apenas verbal, mas arquitetônica e simbólica: as estruturas materiais “falam” sobre a natureza de Deus, Seu caráter santo e Seu desejo de habitar no meio do povo de forma ordenada e mediada.

Life
Life

Êxodo 38 oferece um retrato prático de como uma grande obra é construída: com obediência, planejamento, diversidade de funções e prestação de contas. Esses elementos têm aplicação direta na vida pessoal, na família, no trabalho e nas comunidades. O capítulo mostra pessoas usando habilidades específicas: Bezalel com sua liderança e técnica, Aoliabe com sua arte e engenharia, Itamar com sua capacidade administrativa, mulheres oferecendo espelhos, e todo o povo contribuindo com metais. Ninguém faz tudo, mas cada um faz algo. Esse modelo contraria tanto a passividade quanto a centralização excessiva. Projetos saudáveis – sejam profissionais, familiares ou ministeriais – envolvem delegação, confiança em dons diferentes e valorização de contribuições variadas. A descrição minuciosa de medidas e materiais sugere que o cuidado com detalhes não é perda de tempo. Em termos práticos, isso se traduz em elaborar planos, conferir informações, registrar recursos e revisar processos. A espiritualidade bíblica não dispensa organização; pelo contrário, integra boa gestão a uma vida de fé. Em contextos de finanças pessoais ou comunitárias, a contabilidade clara dos talentos e siclos de ouro, prata e cobre inspira transparência, evitando mal-entendidos, acusações injustas ou uso indevido de recursos. O uso dos espelhos das mulheres para a pia de bronze também traz um alerta e uma oportunidade. Objetos relacionados à autoimagem são convertidos em instrumentos de serviço e purificação. No cotidiano, isso sugere aprender a redirecionar tempo, energia e recursos antes voltados apenas para a própria aparência ou status, canalizando-os para algo que gere cuidado, crescimento e benefício coletivo. Por fim, o pátio com suas cortinas e portões aponta para a importância de limites saudáveis. Assim como havia fronteiras claras entre o acampamento e o espaço do tabernáculo, a vida pratica precisa de delimitações: horários definidos, fronteiras entre trabalho e descanso, respeito a espaços e funções. Projetos desorganizados, sem limites, frequentemente resultam em exaustão e conflitos. Êxodo 38 sugere que ordem, clareza de papéis e respeito às estruturas podem ser formas concretas de honrar a Deus em tudo o que se faz.

Soul
Soul

Em Êxodo 38, o tabernáculo ganha forma visível, e com ele se revela mais claramente o desejo de Deus de habitar no meio do Seu povo. O altar do holocausto, a pia de bronze, o pátio, as colunas e as cortinas não são apenas objetos; compõem um caminho espiritual que conduz do mundo comum até o encontro com o Santo. O altar do holocausto ocupa o primeiro lugar nesse percurso. Espiritualmente, ele indica que o acesso a Deus passa pela reconciliação. Antes de se pensar em serviço, ministério ou intimidade, há a realidade do pecado e da necessidade de expiação. No desenvolvimento da revelação bíblica, esse altar aponta para a cruz, onde um único sacrifício substitui todos os anteriores. Assim, o capítulo antecipa a verdade de que a vida espiritual não se sustenta no mérito humano, mas no ato redentor realizado em favor do povo. A pia de bronze, feita a partir de espelhos, simboliza um segundo passo: a purificação após o sacrifício. Aquele que foi reconciliado é chamado a caminhar em santidade, a ser continuamente lavado. Esta dinâmica – justificação e santificação – se reflete na vida espiritual: um encontro decisivo com Deus que é seguido por um processo de transformação diária. O fato de a pia nascer de objetos ligados à autoimagem também sugere que a espiritualidade profunda passa por um desapego progressivo da própria vaidade e autocentração, rumo a uma vida voltada para Deus. O pátio, com seus limites bem definidos, ensina sobre a santidade de Deus e os movimentos da alma que se aproxima Dele. Não se entra de qualquer maneira; há um portão, uma cortina bordada que marca a passagem. Isso ecoa no Novo Testamento quando se fala de Cristo como o “caminho” pelo qual se entra na presença divina. A estrutura do tabernáculo, portanto, funciona como uma parábola espacial do plano de salvação: do lado de fora, a distância; no pátio, o sacrifício e a lavagem; mais adiante, o lugar santo; no centro, a presença gloriosa. A enumeração dos materiais e a menção dos artesãos afirmam outra verdade espiritual: Deus envolve seres humanos em Sua obra redentora, usando dons, recursos e tempo finitos para construir algo com significado eterno. O ouro, a prata e o cobre se transformam em partes de um santuário que aponta para realidades celestiais. Assim, a vida espiritual madura percebe que nada é neutro: habilidades, bens, oportunidades e até a própria história podem ser ofertados para participar daquilo que permanece para sempre. No todo, Êxodo 38 convida a uma visão da existência em que cada detalhe – do metal de uma base ao bordado de uma cortina – pode ser integrado num grande propósito: Deus habitando com Seu povo e conduzindo-o a uma comunhão progressivamente mais profunda, até que não haja mais separação entre o santo e o comum, entre céu e terra.

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Versículos em Êxodo 38

Êxodo 38:1

" Fez também o altar do holocausto de madeira de acácia; de cinco côvados era o seu comprimento, e de cinco côvados a sua largura, era quadrado; e de três côvados a sua altura. "

Êxodo 38:2

" E fez-lhe as suas pontas nos seus quatro cantos; da mesma peça eram as suas pontas; e cobriu-o de cobre. "

Êxodo 38:3

" Fez também todos os utensílios do altar; os cinzeiros, e as pás, e as bacias, e os garfos, e os braseiros; todos esses pertences fez de cobre. "

Êxodo 38:4

" Fez também, para o altar, um crivo de cobre, em forma de rede, na sua cercadura em baixo, até ao meio do altar. "

Êxodo 38:7

" E pôs os varais pelas argolas aos lados do altar, para com eles levar o altar; fê-lo oco e de tábuas. "

Êxodo 38:8

" Fez também a pia de cobre com a sua base de cobre, dos espelhos das mulheres que se reuniam, para servir à porta da tenda da congregação. "

Êxodo 38:9

" Fez também o pátio do lado meridional; as cortinas do pátio eram de linho fino torcido, de cem côvados. "

Êxodo 38:10

" As suas vinte colunas e as suas vinte bases eram de cobre; os colchetes destas colunas e as suas molduras eram de prata; "

Êxodo 38:11

" E do lado norte cortinas de cem côvados; as suas vinte colunas e as suas vinte bases eram de cobre, os colchetes das colunas e as suas molduras eram de prata. "

Êxodo 38:12

" E do lado do ocidente cortinas de cinqüenta côvados, as suas colunas dez, e as suas bases dez; os colchetes das colunas e as suas molduras eram de prata. "

Êxodo 38:15

" E do outro lado da porta do pátio, de ambos os lados, eram cortinas de quinze côvados; as suas colunas três e as suas bases três. "

Êxodo 38:17

" E as bases das colunas eram de cobre; os colchetes das colunas e as suas molduras eram de prata; e o revestimento dos seus capitéis era de prata; e todas as colunas do pátio eram cingidas de prata. "

Êxodo 38:18

" E a cobertura da porta do pátio era de obra de bordador, de azul, e de púrpura, e de carmesim, e de linho fino torcido; e o comprimento era de vinte côvados, e a altura, na largura, de cinco côvados, conforme as cortinas do pátio. "

Êxodo 38:19

" E as suas quatro colunas e as suas quatro bases eram de cobre, os seus colchetes de prata, e o revestimento dos seus capitéis, e as suas molduras, também de prata. "

Êxodo 38:21

" Esta é a enumeração das coisas usadas no tabernáculo do testemunho, que por ordem de Moisés foram contadas para o ministério dos levitas, por intermédio de Itamar, filho de Arão, o sacerdote. "

Êxodo 38:22

" Fez, pois, Bezalel, o filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, tudo quanto o Senhor tinha ordenado a Moisés. "

Êxodo 38:23

" E com ele Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, um mestre de obra, e engenhoso artífice, e bordador em azul, e em púrpura e em carmesim e em linho fino. "

Êxodo 38:24

" Todo o ouro gasto na obra, em toda a obra do santuário, a saber, o ouro da oferta, foi vinte e nove talentos e setecentos e trinta siclos, conforme ao siclo do santuário; "

Êxodo 38:25

" E a prata dos arrolados da congregação foi cem talentos e mil e setecentos e setenta e cinco siclos, conforme o siclo do santuário; "

Êxodo 38:26

" Um beca por cabeça, isto é, meio siclo, conforme o siclo do santuário; de todo aquele que passava aos arrolados, da idade de vinte anos para cima, que foram seiscentos e três mil e quinhentos e cinqüenta. "

Êxodo 38:27

" E houve cem talentos de prata para fundir as bases do santuário e as bases do véu; para as cem bases cem talentos; um talento para cada base. "

Êxodo 38:28

" E dos mil e setecentos e setenta e cinco siclos fez os colchetes das colunas, e cobriu os seus capitéis, e os cingiu de molduras. "

Êxodo 38:30

" E dele fez as bases da porta da tenda da congregação e o altar de cobre, e o crivo de cobre e todos os utensílios do altar. "

Êxodo 38:31

" E as bases do pátio ao redor, e as bases da porta do pátio, e todas as estacas do tabernáculo e todas as estacas do pátio ao redor. "

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