Êxodo 35 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Êxodo 35 na sua vida hoje

35 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Êxodo 35?

Êxodo 35 descreve a retomada da obediência do povo após o episódio do bezerro de ouro. Moisés relembra a santidade do sábado e convoca Israel a contribuir voluntariamente para a construção do tabernáculo. Homens e mulheres, líderes e artesãos, respondem com generosidade e habilidade, e Bezalel e Aoliabe são destacados como mestres cheios do Espírito de Deus para coordenar a obra.

Temas principais em Êxodo 35

Santidade do sábado antes da obra (versículos Êxodo 35:1-3)

Antes de falar sobre ofertas e trabalho, Deus reafirma o sábado como dia santo de descanso. A prioridade não é a produção, nem mesmo de algo sagrado, mas a obediência e o descanso ordenado por Deus.

Versículos-chave: 2, 3

Oferta voluntária e generosa (versículos Êxodo 35:4-9, 20-29)

A contribuição para o tabernáculo não é imposta à força; Deus chama aqueles cujo coração é disposto. A generosidade nasce de um coração movido por gratidão e reverência, e não por pressão externa.

Versículos-chave: 5, 21, 22, 29

Diversidade de dons e participação de todo o povo (versículos Êxodo 35:10-11, 21-29)

Cada pessoa contribui conforme o que possui e sabe fazer: recursos materiais, habilidades manuais, liderança. Homens e mulheres, príncipes e artesãos, todos são incluídos na obra de Deus.

Versículos-chave: 10, 25, 27

Capacitação do Espírito para o trabalho (versículos Êxodo 35:30-35)

Bezalel e Aoliabe são cheios do Espírito de Deus com sabedoria, entendimento e habilidade artística. O Espírito não atua apenas em atos de culto direto, mas também na excelência do trabalho e no ensino de outros.

Versículos-chave: 31, 32, 35

Obediência restaurada após a rebelião (versículos Êxodo 35:20-29)

Depois do pecado com o bezerro de ouro, o povo agora responde em unidade, com disposição e entrega. A generosidade e o zelo pela casa de Deus contrastam com a idolatria anterior, apontando para um processo de restauração.

Versículos-chave: 21, 29

Contexto histórico e literario

Êxodo 35 está situado após o grave episódio do bezerro de ouro (Êxodo 32) e a renovação da aliança (Êxodo 34). Israel se encontra acampado ao pé do Sinai, pouco depois de ser libertado do Egito. Deus já havia dado a Moisés, no monte, instruções detalhadas para a construção do tabernáculo (Êxodo 25–31), mas a rebelião do povo interrompeu o processo.

Ao retomar o tema da construção, Êxodo 35 mostra que a relação entre Deus e Israel foi restaurada ao ponto de a presença divina voltar a habitar no meio do povo. O sábado, já instituído anteriormente como sinal da aliança, é novamente enfatizado para que a prática de descanso santo marque a identidade de Israel. A proibição de acender fogo no sábado reforça o princípio de cessar o trabalho comum, mesmo em meio a um grande projeto religioso.

A mobilização de recursos reflete a realidade de um povo que havia saído recentemente do Egito carregando bens recebidos dos egípcios (Êxodo 12:35-36). Ouro, prata, tecidos finos e pedras preciosas que antes estavam ligados à escravidão e à opressão são agora redirecionados para o culto ao Deus verdadeiro. Bezalel, da tribo de Judá, e Aoliabe, da tribo de Dã, representam diferentes tribos cooperando na mesma obra, num contexto de formação nacional e espiritual de Israel.

Estrutura de Êxodo 35

Êxodo 35 apresenta uma estrutura clara e organizada, conectando mandamentos já dados a uma resposta prática do povo:

  1. Convocação geral e ordem sobre o sábado (35:1-3)
    Moisés reúne toda a congregação e, antes de tratar das ofertas, relembra o mandamento central do descanso sabático.

  2. Convocação às ofertas voluntárias (35:4-9)
    São especificados os materiais necessários para a construção do tabernáculo e de seus utensílios. A repetição da lista ecoa instruções anteriores, mostrando continuidade entre a palavra recebida e a prática.

  3. Convocação aos artesãos e descrição da obra (35:10-19)
    Moisés chama “todos os sábios de coração” para executarem o projeto. Segue-se um resumo dos elementos do tabernáculo: estrutura, móveis, utensílios, vestes sacerdotais.

  4. Resposta do povo: generosidade e habilidades (35:20-29)
    O texto narra a saída da congregação da presença de Moisés e, em seguida, a vinda voluntária de homens e mulheres trazendo ofertas materiais e trabalho especializado. Há ênfase repetida em expressões como “coração voluntário” e “espírito disposto”.

  5. Chamada e capacitação de Bezalel e Aoliabe (35:30-35)
    A seção final destaca dois líderes artesãos cheios do Espírito de Deus, com sabedoria, entendimento e capacidade para ensinar, sintetizando o elo entre inspiração divina e habilidade humana.

Significado teológico

Êxodo 35 apresenta uma teologia rica da adoração, do trabalho e da comunidade do povo de Deus.

A reafirmação do sábado coloca o descanso no centro da identidade de Israel. O povo não é definido pela produção contínua, como era no Egito, mas por pertencer a um Deus que ordena descanso santo. A obediência ao sábado se torna um sinal visível de confiança em Deus e de separação das práticas opressivas anteriores.

A oferta voluntária ensina que o culto verdadeiro nasce de um coração disposto, não de mera obrigação externa. Deus requer contribuições concretas, mas valoriza a motivação interior. A repetição da expressão “coração movido” aproxima a adoração do afeto e da disposição genuína, não apenas da forma.

O capítulo também desenvolve uma teologia do trabalho. Habilidades artesanais, conhecimento técnico e criatividade são apresentados como frutos da ação do Espírito de Deus. A inspiração divina não é limitada ao profético ou ao ritual, mas abrange o fazer artístico, o planejamento, o ensino e a execução cuidadosa. Assim, o trabalho bem feito pode se tornar expressão de culto quando alinhado ao propósito divino.

A participação de todo o povo, de diferentes tribos e funções, aponta para uma comunidade em que cada membro contribui segundo o dom recebido. A obra do tabernáculo é coletiva e cooperativa, antecipando a ideia de um povo sacerdotal em que todos, de algum modo, servem.

Por fim, a resposta generosa de Israel depois do pecado com o bezerro de ouro mostra a graça restauradora de Deus. Em vez de abandonar o povo, o Senhor o envolve numa obra santa, permitindo que recursos antes ligados à escravidão e à idolatria sejam redimidos para o serviço do verdadeiro culto.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo oferece uma visão terapêutica de restauração comunitária depois de um grande fracasso espiritual. Após a culpa e a ruptura, surge um novo começo marcado por orientações claras, ritmo saudável de trabalho e descanso, e participação de todos em algo significativo.

A ênfase no sábado toca questões de exaustão, ansiedade e identidade baseada apenas em produtividade. A ordem de “parar” mesmo em meio a um grande projeto revela que o valor da pessoa não depende apenas do quanto produz. O descanso se torna um limite protetor para corpo, mente e espírito.

A linguagem do “coração voluntário” fala à experiência emocional de culpa e desânimo. Em vez de coerção, há espaço para resposta espontânea, para, pouco a pouco, o coração voltar a se abrir para Deus e para a comunidade. A possibilidade de ofertar o que se tem e o que se sabe fazer gera senso de propósito, pertencimento e dignidade.

O reconhecimento das habilidades diversas, inclusive das mulheres artesãs e dos líderes técnicos, traz um olhar terapêutico sobre autoimagem e valor pessoal. Dons que poderiam ser ignorados ou subestimados são aqui honrados como parte do plano de Deus. Isso contribui para a reconstrução da autoestima e da confiança na própria capacidade de cooperar com algo maior.

A capacitação do Espírito sobre Bezalel e Aoliabe mostra que competência e responsabilidade não precisam ser fardos solitários: há auxílio divino para tarefas complexas. A sabedoria para ensinar outros também aponta para processos saudáveis de transmissão de conhecimento e apoio mútuo, quebrando a solidão de quem carrega funções importantes.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns elementos do texto, lidos fora de contexto, podem gerar tensões internas. A pena de morte ligada à quebra do sábado, por exemplo, pode despertar medo ou a sensação de que qualquer falha religiosa traz condenação extrema. É importante lembrar o contexto histórico da lei em Israel e a progressão da revelação bíblica ao longo das Escrituras.

A forte ênfase em ofertas e contribuições materiais pode ser mal interpretada em contextos onde pessoas já sofreram abusos financeiros em ambientes religiosos. A insistência no “coração voluntário” e na motivação espontânea é um antídoto importante contra qualquer ideia de manipulação ou obrigação opressiva.

Outra possível fonte de angústia é a comparação com habilidades extraordinárias de figuras como Bezalel. Alguém pode sentir-se inadequado por não possuir dons tão visíveis. O próprio capítulo, porém, apresenta a diversidade de contribuições – desde as mais simples até as mais complexas – como igualmente necessárias, o que relativiza comparações e hierarquizações destrutivas.

Por fim, quem carrega histórico de perfeccionismo religioso pode ler as minúcias da obra como exigência de desempenho impecável para ser aceito por Deus. O contexto maior da narrativa, que inclui perdão após a idolatria, ajuda a enxergar que a obra cuidadosa é resposta à graça recebida, não condição para merecê-la.

Aplicação prática para hoje

Êxodo 35 inspira práticas concretas sobre tempo, recursos, trabalho e vida comunitária.

Em relação ao tempo, o princípio do sábado convida a estruturar a rotina com momentos reais de descanso, adoração e pausa de responsabilidades comuns. Separar regularmente um período para cessar atividades produtivas, refletir e cuidar da alma ajuda a romper ciclos de exaustão e a lembrar que a vida não se resume a resultados.

Quanto aos recursos, o capítulo encoraja a encarar bens materiais como instrumentos para o bem comum e para a adoração, não como fins em si mesmos. Isso pode se traduzir em generosidade intencional, participação em projetos que promovam justiça e cuidado, e em escolhas financeiras que reflitam prioridades alinhadas com valores espirituais.

No aspecto do trabalho, Êxodo 35 valoriza a excelência, a criatividade e a aprendizagem. Aplicar esse princípio hoje passa por exercer profissões e ofícios com responsabilidade, desenvolvimento de habilidades, busca de qualidade e disposição para ensinar o que se sabe. Trabalho secular pode ser vivido como serviço a Deus quando feito com integridade e propósito.

A participação diversificada do povo inspira comunidades a reconhecer e acolher diferentes dons: técnicos, artísticos, organizacionais, relacionais. Espaços em que cada pessoa possa contribuir conforme suas capacidades favorecem senso de pertencimento e fortalecem vínculos. Isso inclui abrir lugar para contribuições de grupos frequentemente invisibilizados, como mulheres, jovens ou pessoas com habilidades pouco “religiosas”, mas extremamente úteis.

A postura de resposta voluntária, e não de coerção, incentiva ambientes em que o serviço é fruto de convicção e alegria, e não de culpa. Em contextos de liderança, isso se traduz em convites claros, mas respeitosos, valorizando liberdade, transparência no uso de recursos e reconhecimento sincero do esforço de cada um.

Perguntas frequentes

Por que o mandamento do sábado é repetido antes da construção do tabernáculo?

O texto coloca o sábado logo no início para mostrar que, mesmo uma obra santa, como a construção do tabernáculo, não pode anular o princípio do descanso ordenado por Deus. Israel havia vivido sob trabalho opressor no Egito, sem descanso. Agora, como povo da aliança, deveria aprender a confiar em Deus, interrompendo até mesmo tarefas religiosas importantes para honrar o dia separado. Isso ensina que a obediência e o ritmo saudável de vida têm prioridade sobre a produtividade contínua.

O que significa trazer uma oferta com o “coração voluntário” em Êxodo 35?

A expressão indica que a contribuição para o tabernáculo deveria vir de um movimento interno, livre e disposto, e não de pressão externa. O foco não está apenas na quantidade ofertada, mas na motivação. O povo havia sido recentemente perdoado após o pecado do bezerro de ouro, e agora respondia com gratidão e zelo. A oferta voluntária expressa amor e reconhecimento da graça recebida, mais do que mera obediência formal.

Quem eram Bezalel e Aoliabe e qual era o papel deles?

Bezalel, da tribo de Judá, e Aoliabe, da tribo de Dã, são apresentados como artesãos-chefes responsáveis pela execução da obra do tabernáculo. Deus os encheu do Seu Espírito, dando-lhes sabedoria, entendimento, conhecimento técnico e habilidade artística para trabalhar com metais, pedras, madeira e tecidos. Além disso, receberam capacidade para ensinar outros artesãos, coordenando um grande projeto comunitário. São exemplos de como Deus usa habilidades práticas e criativas na Sua obra.

Por que o texto destaca tanto a participação das mulheres em Êxodo 35?

O capítulo menciona explicitamente mulheres sábias de coração que fiavam e traziam o que produziam, mostrando que elas tinham papel ativo e valioso na construção do tabernáculo. Em um contexto antigo em que, muitas vezes, o foco recaía mais sobre os homens, esse destaque sublinha que Deus valoriza as habilidades e contribuições de todos, independentemente de gênero. A obra do tabernáculo é apresentada como fruto da cooperação de todo o povo, e não de um grupo restrito.

Como entender a ação do Espírito de Deus em habilidades artesanais neste capítulo?

Êxodo 35 mostra o Espírito de Deus capacitando pessoas não apenas para falar, profetizar ou liderar, mas também para trabalhar com excelência em tarefas técnicas e artísticas. Isso ensina que Deus se importa com a qualidade do que é feito em Seu nome e que habilidades profissionais podem ser dons espirituais quando usadas para os propósitos dEle. Saber planejar, criar, ensinar e executar bem são vistos como expressões da atuação de Deus na vida das pessoas.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Êxodo 35 retrata um povo que, depois de ter errado e se afastado, encontra espaço para recomeçar. Há um movimento delicado: primeiro o Senhor lembra o sábado, um dia de descanso, como se acolhesse um povo cansado, agitado, marcado pelo peso da culpa recente. Antes de pedir qualquer coisa, Deus cria um ambiente de pausa e cuidado. Em seguida, surge a linguagem do “coração movido”, do “espírito disposto”. Não há grito, não há cobrança agressiva. Há um convite. Quem sente, quem é tocado por dentro, se aproxima e entrega algo. Essa cena é carregada de emoção: homens e mulheres trazendo o que têm nas mãos, transformando lembranças do Egito – ouro, tecidos, pedras – em sinais de entrega e de confiança renovada. O capítulo revela um Deus que não descarta um povo marcado por falhas, mas faz desse mesmo povo parceiro na construção de um lugar de encontro. O trabalho das mãos se torna também cura do coração. Cada fio tecido, cada peça entalhada, é como um gesto de reconciliação silenciosa. Pessoas que, talvez, lidavam com vergonha e medo, agora encontram uma forma concreta de dizer: “Queremos estar de novo perto de Ti”. Ao mesmo tempo, há consolo no modo como Deus vê as habilidades de cada um. Desde as mulheres que fiavam até os artesãos mais experientes, todos são notados. O texto não exalta apenas o grande líder, mas valoriza mãos comuns, talentos que, muitas vezes, passariam despercebidos. Isso traz conforto a corações que se sentem pequenos ou inúteis: aos olhos de Deus, nenhum dom sincero, por menor que pareça, é insignificante quando colocado a serviço da Sua presença. Bezalel e Aoliabe, cheios do Espírito, mostram que Deus não apenas aceita o povo de volta; Ele o capacita a construir algo belo com a própria história. Depois de um tempo de ruptura, a possibilidade de participar de uma obra assim é profundamente restauradora. O capítulo, como um todo, sussurra que, mesmo após momentos de queda, ainda existe espaço para servir, criar, contribuir e ser incluído novamente naquilo que Deus está fazendo.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético, Êxodo 35 funciona como um elo entre as instruções recebidas por Moisés no Sinai (Êxodo 25–31) e a efetiva execução da construção do tabernáculo (Êxodo 36–40). Há uma clara correspondência entre as listas de materiais e objetos aqui e nos capítulos anteriores, o que reforça a fidelidade de Israel às especificações divinas. O texto não apenas repete, mas narra a passagem do plano à prática. A apresentação do sábado em 35:1–3 merece destaque. A ordem de descansar antecede qualquer mobilização de trabalho, sublinhando teologicamente que a santidade do tempo estabelecido por Deus tem prioridade. O detalhe de não acender fogo no sábado sugere uma restrição específica a trabalhos domésticos e artesanais que exigiam preparo e esforço, reforçando a cessação de atividades produtivas. Em termos de estrutura literária, essa breve seção funciona quase como um prólogo, reorientando a comunidade ao mandamento central da aliança. Nos versículos 4–19, a convocação às ofertas e a recapitulação da lista de componentes do tabernáculo estabelecem o escopo do projeto. A expressão “sábios de coração” (ou “sábios de coração entre vós”) é significativa na teologia sapiencial do Antigo Testamento: o coração, além de sede das emoções, é o centro da vontade e do entendimento. Assim, sabedoria não é mera habilidade técnica, mas capacidade orientada por Deus para aplicar conhecimento em tarefas concretas. A narrativa da resposta popular em 35:20–29 assume forma quase litúrgica, com repetições que enfatizam voluntariedade e universalidade: homens e mulheres, príncipes, artesãos, todos aparecem. A menção às mulheres fiando linho e pelos de cabra, em paralelo com a oferta de metais e pedras trazidas pelos príncipes, pinta um quadro de complementaridade social na obra da aliança. É relevante notar que o termo usado para “oferta voluntária” pode remeter a um tipo específico de oferta livre dentro do sistema sacrificial posterior. A seção final sobre Bezalel e Aoliabe (35:30–35) explicita a dimensão pneumatológica do texto. O Espírito de Deus concede sabedoria, entendimento, conhecimento e habilidade artística, categorias que se aproximam de listas de dons em outras partes das Escrituras. A inclusão da capacidade de ensinar aponta para um modelo de formação de discípulos e transmissão de ofício, não apenas para carismas individuais isolados. A combinação de inspiração divina e competência técnica fornece base para uma teologia robusta do trabalho e da criatividade. Em síntese, Êxodo 35 destaca a transição de um povo recém-perdoado para um povo obediente, que responde à revelação recebida com ações concretas e ordenadas. O capítulo prepara o leitor para a conclusão do livro, onde a presença de Deus efetivamente enche o tabernáculo, coroando essa cooperação entre palavra revelada, obediência comunitária e capacitação pelo Espírito.

Life
Life

Êxodo 35 oferece um retrato muito prático de como uma comunidade pode organizar sua vida em torno de prioridades saudáveis: tempo, recursos, trabalho e colaboração. Começa com o tempo. O sábado lembra que existe um limite saudável para o ritmo de qualquer projeto, mesmo os mais nobres. Isso confronta estilos de vida em que tudo gira em torno do fazer, produzir, correr. O texto sugere um padrão: há dias de trabalho intenso, há dias de descanso intencional. Na prática, isso inspira a estabelecer rotinas com pausas reais, onde se interrompem inclusive atividades “boas”, para recuperar forças e recentrar o coração. Quanto aos recursos, o capítulo mostra uma comunidade sendo convidada a usar o que tem – ouro, tecidos, madeira, óleo, pedras – para algo maior do que o interesse individual. Isso fala diretamente sobre finanças, bens e consumo. Em vez de acumular apenas para si, o povo direciona o que possui para um propósito coletivo: construir o lugar que simbolizaria a presença de Deus no meio deles. Na vida cotidiana, o princípio se traduz em generosidade planejada, apoio a projetos que promovem cuidado e justiça, e discernimento na maneira de gastar e compartilhar. O texto também valoriza o trabalho bem feito. Há artesãos especializados em metal, madeira, tecidos, pedras; há mulheres fiando com habilidade; há líderes coordenando. Ninguém faz tudo, mas todos têm algo a oferecer. Isso desafia a mentalidade de que só certos tipos de trabalho são espiritualmente relevantes. Profissões, ofícios, artes e serviços podem ser vividos como vocações, onde qualidade, honestidade e dedicação refletem respeito a Deus e ao próximo. Outro ponto prático é a forma de engajamento: “todo aquele cujo coração o moveu”. A motivação nasce de dentro, não de pressão. Em ambientes familiares, profissionais ou comunitários, isso sugere evitar manipulação e culpa para conseguir colaboração. Em vez disso, o ideal é comunicar com clareza a importância da tarefa, criar espaço para participação voluntária e valorizar o que cada um, de fato, pode dar. Por fim, Bezalel e Aoliabe ilustram boa liderança: são competentes, cheios de sabedoria e, além disso, capazes de ensinar. Liderança saudável não centraliza tudo, mas forma outros, distribui responsabilidade e estimula crescimento. Em contextos de trabalho, igreja ou família, esse modelo incentiva a sair da lógica do “só eu faço bem feito” e investir na capacitação de pessoas, ajudando a construir algo duradouro e compartilhado.

Soul
Soul

Em nível mais profundo, Êxodo 35 fala sobre o tipo de povo que Deus está formando e sobre a maneira como vidas humanas se tornam morada da presença divina. Depois do pecado do bezerro de ouro, havia a pergunta implícita: ainda é possível que Deus habite no meio desse povo? A retomada da construção do tabernáculo, com tanta ênfase na resposta voluntária e na capacitação pelo Espírito, é uma resposta silenciosa, porém poderosa. Deus não apenas renova a aliança; Ele convida esse povo falho a participar ativamente da preparação do lugar onde Sua glória se manifestará. O sábado, no início do capítulo, aponta para uma dimensão espiritual que vai além de um simples dia livre. É um sinal de confiança: parar, descansar, reconhecer que a obra de Deus não depende, em última instância, da força humana. Espiritualmente, isso antecipa a ideia de descanso mais profundo, aquele que se encontra na confiança no Senhor, e, em última análise, no descanso eterno prometido na presença dEle. As ofertas voluntárias e o envolvimento de todo o povo sugerem que a verdadeira adoração não é apenas rito externo, mas entrega do coração e do que a pessoa é e tem. A espiritualidade apresentada aqui envolve corpo, mente, recursos, habilidades, tempo. A vida inteira se torna resposta à graça. Isso prepara o caminho para compreensões posteriores nas Escrituras, em que a própria comunidade é vista como um “templo” vivo, formado por pessoas que se oferecem a Deus. A figura de Bezalel, cheio do Espírito de Deus para criar, planejar e ensinar, ilumina a ideia de vocação espiritual. Não há apenas “chamado” para ofícios religiosos formais; há chamado para que toda habilidade, quando orientada à glória de Deus, participe da obra do Reino. O Espírito que capacita para o culto também capacita para o trabalho cuidadoso, para a beleza, para a transmissão de conhecimento. Nesse sentido, Êxodo 35 convida a contemplar a própria existência como parte de um processo maior: Deus juntando pessoas, dons e recursos para preparar um lugar de encontro entre o céu e a terra. O tabernáculo, que aqui começa a ganhar forma pela resposta do povo, aponta para realidades mais amplas: a presença de Deus caminhando com Seu povo na história e, em última instância, a promessa de uma habitação definitiva de Deus com os seres humanos. A colaboração do povo, então, não é apenas tarefa; é participação antecipada em um propósito eterno de comunhão.

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Versículos em Êxodo 35

Êxodo 35:1

" Então Moisés convocou toda a congregação dos filhos de Israel, e disse-lhes: Estas são as palavras que o SENHOR ordenou que se cumprissem. "

Êxodo 35:2

" Seis dias se trabalhará, mas o sétimo dia vos será santo, o sábado do repouso ao Senhor; todo aquele que nele fizer qualquer trabalho morrerá. "

Êxodo 35:4

" Falou mais Moisés a toda a congregação dos filhos de Israel, dizendo: Esta é a palavra que o Senhor ordenou, dizendo: "

Êxodo 35:5

" Tomai do que tendes, uma oferta para o Senhor; cada um, cujo coração é voluntariamente disposto, a trará por oferta alçada ao Senhor: ouro, prata e cobre, "

Êxodo 35:11

" O tabernáculo, a sua tenda e a sua coberta, os seus colchetes e as suas tábuas, as suas barras, as suas colunas, e as suas bases; "

Êxodo 35:15

" E o altar do incenso e os seus varais, e o azeite da unção, e o incenso aromático, e a cortina da porta para a entrada do tabernáculo, "

Êxodo 35:19

" As vestes do ministério para ministrar no santuário, as vestes santas de Arão o sacerdote, e as vestes de seus filhos, para administrarem o sacerdócio. "

Êxodo 35:21

" E veio todo o homem, a quem o seu coração moveu, e todo aquele cujo espírito voluntariamente o excitou, e trouxeram a oferta alçada ao Senhor para a obra da tenda da congregação, e para todo o seu serviço, e para as vestes santas. "

Êxodo 35:22

" Assim vieram homens e mulheres, todos dispostos de coração; trouxeram fivelas, e pendentes, e anéis, e braceletes, todos os objetos de ouro; e todo o homem fazia oferta de ouro ao Senhor; "

Êxodo 35:23

" E todo o homem que se achou com azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino, e pêlos de cabras, e peles de carneiro tintas de vermelho, e peles de texugos, os trazia; "

Êxodo 35:24

" Todo aquele que fazia oferta alçada de prata ou de metal, a trazia por oferta alçada ao Senhor; e todo aquele que possuía madeira de acácia, a trazia para toda a obra do serviço. "

Êxodo 35:25

" E todas as mulheres sábias de coração fiavam com as suas mãos, e traziam o que tinham fiado, o azul e a púrpura, o carmesim e o linho fino. "

Êxodo 35:29

" Todo homem e mulher, cujo coração voluntariamente se moveu a trazer alguma coisa para toda a obra que o Senhor ordenara se fizesse pela mão de Moisés; assim os filhos de Israel trouxeram por oferta voluntária ao Senhor. "

Êxodo 35:30

" Depois disse Moisés aos filhos de Israel: Eis que o Senhor tem chamado por nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá. "

Êxodo 35:31

" E o Espírito de Deus o encheu de sabedoria, entendimento, ciência e em todo o lavor, "

Êxodo 35:31 mostra que Deus capacitou Bezalel com habilidades especiais para realizar um trabalho específico. O versículo ensina que talentos, inteligência e criatividade podem vir …

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Êxodo 35:34

" Também lhe dispôs o coração para ensinar a outros; a ele e a Aoliabe, o filho de Aisamaque, da tribo de Dã. "

Êxodo 35:35

" Encheu-os de sabedoria do coração, para fazer toda a obra de mestre, até a mais engenhosa, e a do gravador, em azul, e em púrpura, em carmesim, e em linho fino, e do tecelão; fazendo toda a obra, e criando invenções. "

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