2 Reis 5 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique 2 Reis 5 na sua vida hoje

27 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é 2 Reis 5?

2 Reis 5 narra a cura milagrosa de Naamã, comandante sírio leproso, por meio do profeta Eliseu. O capítulo contrasta poder humano e graça divina, orgulho e obediência simples, generosidade e ganância. Naamã é curado quando se humilha e mergulha sete vezes no Jordão, reconhecendo o Deus de Israel como único Deus verdadeiro. Em seguida, Geazi, servo de Eliseu, mente para obter presentes de Naamã e é punido com a lepra que antes oprimia o comandante sírio.

Temas principais em 2 Reis 5

Humilhação e obediência como caminho para a cura (versículos 1-14)

O grande comandante Naamã, embora poderoso, só encontra cura quando abandona seu orgulho, ouve os conselhos de seus servos e obedece à simples ordem do profeta de mergulhar no Jordão. A restauração física vem ligada a um processo interior de humilhação e submissão à palavra de Deus.

Versículos-chave: 10, 13, 14

A soberania de Deus sobre todas as nações (versículos 1, 15-19)

Deus concede vitórias à Síria por meio de Naamã e também o cura em Israel, mostrando que seu poder não está limitado à fronteira de um povo. O reconhecimento de Naamã de que não há outro Deus em toda a terra além do Senhor revela o alcance universal da autoridade divina.

Versículos-chave: 1, 15, 17

A fé humilde de pessoas simples (versículos 2-4, 13)

Uma menina cativa israelita, sem posição social, é o instrumento que aponta Naamã para o profeta. Depois, os próprios servos de Naamã o ajudam a vencer a indignação e a obedecer. Deus usa vozes discretas e aparentemente fracas para conduzir alguém poderoso à fé e à cura.

Versículos-chave: 3, 13

Ministério íntegro versus ganância religiosa (versículos 15-27)

Eliseu recusa qualquer recompensa, mostrando que os dons de Deus não estão à venda e protegendo o testemunho do evangelho diante de um estrangeiro. Geazi, porém, mente e usa o nome do profeta para benefício próprio, e acaba experimentando juízo severo.

Versículos-chave: 16, 20, 26, 27

Conversão e adoração exclusiva ao Senhor (versículos 15-19)

Após ser curado, Naamã não busca apenas agradecer; ele muda sua lealdade religiosa. Pede terra de Israel, decide não sacrificar mais a outros deuses e pede perdão antecipado por sua presença em cultos idólatras por obrigação profissional, revelando um coração em processo de transformação.

Versículos-chave: 15, 17, 18

Contexto histórico e literario

O relato se passa no período dos reis de Israel, durante o ministério do profeta Eliseu, no reino do Norte, com capital em Samaria. Nessa época, Israel e Síria (Arã) alternavam momentos de conflito e trégua. Naamã é apresentado como comandante do exército do rei da Síria, alguém de alto prestígio militar, provavelmente envolvido em campanhas bem-sucedidas contra nações vizinhas, incluindo Israel.

A lepra, na concepção antiga, abrangia diversas doenças de pele e era vista como impureza grave, com forte carga social e religiosa. A cura de um leproso tinha enorme impacto público. A menina israelita levada cativa reflete as incursões militares sírias sobre Israel, de onde eram levados prisioneiros que se tornavam servos.

Cartas diplomáticas entre reis, acompanhadas de grandes presentes, eram comuns para selar alianças, pedir ajuda ou demonstrar boa vontade. O rei da Síria envia Naamã com prata, ouro e roupas finas, esperando que o rei de Israel pudesse garantir sua cura. O rei de Israel, porém, interpreta o pedido como provocação política, temendo que fosse um pretexto para guerra.

Os rios mencionados, Abana e Farpar, eram afluentes importantes na região de Damasco, conhecidos por suas águas. O contraste com o Jordão, menor e menos impressionante, ressalta o escândalo da simplicidade da ordem de Eliseu perante as expectativas de Naamã. Rimon (ou Rimom) era uma divindade síria, provavelmente associada a tempestades ou fertilidade. O envolvimento de Naamã na adoração nesse templo se relaciona à sua função de alto oficial junto ao rei, revelando tensões práticas de sua recente fé no Senhor.

Estrutura de 2 Reis 5

2 Reis 5 apresenta uma narrativa bem construída, com desenvolvimento de personagens, diálogos marcantes e contrastes fortes:

  1. Introdução de Naamã, seu prestígio e sua lepra (v.1)
  2. Testemunho da menina cativa e envio de Naamã a Israel (v.2-7)
    • A menina sugere buscar o profeta em Samaria
    • O rei da Síria envia carta e presentes ao rei de Israel
    • O rei de Israel reage com desespero e suspeita
  3. Intervenção de Eliseu e convite para Naamã vir até ele (v.8-9)
  4. A instrução simples e o orgulho ferido de Naamã (v.10-12)
    • Eliseu envia um mensageiro com a ordem de mergulhar no Jordão
    • Naamã se indigna por não ser recebido como esperava
  5. Conselho dos servos e obediência de Naamã, culminando na cura (v.13-14)
  6. Confissão de fé de Naamã e recusa de recompensa por Eliseu (v.15-16)
  7. Pedido de terra e dilema de Naamã sobre a adoração em Rimom (v.17-19)
  8. Ganância e mentira de Geazi, seguida de confronto profético (v.20-26)
  9. Sentença final: a lepra de Naamã passa para Geazi e sua descendência (v.27)

Há paralelos e contrastes internos: o grande comandante dependente da palavra de uma escrava; reis impotentes diante da lepra, enquanto o profeta, sem pompa, traz a cura; a fé crescente de um estrangeiro versus a corrupção de um servo do profeta. A repetição do número sete na ordem de mergulhar no Jordão remete à plenitude e à obediência completa.

Significado teológico

O capítulo revela de forma vívida que a graça de Deus alcança pessoas fora de Israel e que a cura física é um sinal de algo mais profundo: a restauração do relacionamento com o Deus verdadeiro. Naamã, um estrangeiro e inimigo militar, é alvo da misericórdia divina, sugerindo que o Senhor governa sobre todas as nações e deseja ser conhecido além das fronteiras de Israel.

O episódio enfatiza que o poder não está nos reis, nem nos recursos materiais, mas na palavra de Deus, mediada por seu profeta. O rei de Israel, mesmo tendo acesso ao culto e às tradições religiosas, mostra incredulidade e medo, enquanto uma menina cativa e servos anônimos demonstram fé e coragem. Isso questiona qualquer confiança apenas em posição religiosa ou política.

A forma como Eliseu atua destaca que os dons de Deus não podem ser comprados. Ao recusar presentes, ele protege a pureza da mensagem: a salvação, a cura e o perdão são atos gratuitos da graça divina. A ganância de Geazi, em contraste, é tratada com severidade, lembrando que manipular o nome de Deus para ganho próprio é grave ofensa.

Teologicamente, a confissão de Naamã — "em toda a terra não há Deus senão em Israel" — ecoa o monoteísmo bíblico e antecipa a inclusão de todas as nações no conhecimento do Senhor. Sua preocupação com a adoração exclusiva ao Senhor, mesmo em meio às pressões de sua função na Síria, introduz o tema da fidelidade ao Deus único em contextos hostis, questão que perpassa toda a Escritura.

Aplicação restauradora e de saúde mental

2 Reis 5 oferece um retrato de cura que vai além do físico. Naamã carrega uma doença estigmatizante em meio a grande prestígio, mostrando como sofrimento e glória podem coexistir na mesma vida. O caminho de restauração passa pela frustração de suas expectativas, pelo confronto com o orgulho e pela disposição de acolher conselhos humildes.

A narrativa valida a importância de vozes aparentemente frágeis, como a da menina cativa e dos servos, no processo de transformação. Eles são instrumentos de esperança e de reorientação, lembrando como relacionamentos saudáveis, ainda que desiguais em poder, podem ser canais de encorajamento e direção.

O conflito interno de Naamã diante de uma instrução simples, que fere sua imagem de grande comandante, espelha lutas contemporâneas com vulnerabilidade, aceitação de ajuda e reconhecimento de limites. Sua cura simboliza a integração entre corpo, coração e fé: não se trata apenas de desaparecer sintomas, mas de uma mudança de postura diante de Deus.

Ao final, o contraste com Geazi ilumina dinâmicas de ganância, mentira e autoengano, fatores que adoecem vínculos e consciência. A história alerta para como a busca de vantagem pessoal, mesmo em ambientes religiosos, pode gerar culpa, isolamento e consequências profundas. O capítulo, como um todo, traz elementos para refletir sobre humildade, autenticidade e integridade como caminhos de saúde espiritual e emocional.

warning Importante: maus usos comuns

O texto apresenta situações que podem tocar pontos sensíveis, especialmente em pessoas com histórico de dor ou abuso religioso:

  • Uso de doença como instrumento de juízo: a lepra de Geazi é apresentada como consequência direta de sua ganância e mentira. Leitores vulneráveis podem interpretar toda doença como punição pessoal, o que não é uma regra bíblica geral.
  • Estigma e exclusão ligados à lepra: quem viveu experiências de rejeição por causa de enfermidades físicas, mentais ou limitações pode se sentir reativado pela associação entre doença e impureza.
  • Relações de poder e cativeiro: a presença da menina escravizada, levada de sua terra, pode remeter a contextos de abuso, violência, exploração infantil ou migração forçada.
  • Uso distorcido da fé para ganho financeiro: a atitude de Geazi pode lembrar situações de manipulação religiosa, gatilho para quem sofreu com líderes gananciosos ou comunidades abusivas.

Esses elementos pedem leitura cuidadosa, lembrando que o capítulo descreve eventos específicos e não estabelece uma fórmula simplista entre sofrimento e culpa, nem legitima abusos religiosos.

Aplicação prática para hoje

2 Reis 5 inspira atitudes concretas em diferentes áreas da vida:

  • Humildade diante de limites: assim como Naamã, pessoas em posição de destaque podem aprender a reconhecer vulnerabilidades e buscar ajuda, sem se apoiar apenas em status ou recursos.
  • Valorização de vozes simples: a menina cativa e os servos mostram a importância de ouvir pessoas menos influentes socialmente. Em decisões familiares, profissionais ou comunitárias, a sabedoria pode vir de quem menos se espera.
  • Obediência no cotidiano: a ordem de mergulhar no Jordão era simples, mas exigia disposição para obedecer mesmo sem entender tudo. A prática de viver princípios bíblicos em pequenas escolhas diárias pode gerar transformações profundas ao longo do tempo.
  • Integridade financeira e ministerial: a recusa de Eliseu em receber presentes ensina sobre servir sem transformar fé em moeda de troca. Em contextos de liderança, trabalho ou serviço cristão, esse modelo incentiva transparência e resistência à ganância.
  • Cuidado com a mentira e o autoengano: Geazi mostra como pequenas decisões desonestas podem escalar para consequências graves. Examinar motivações, cultivar verdade e pedir ajuda diante de tentações materiais são passos práticos de proteção.
  • Fidelidade em contextos complexos: o dilema de Naamã sobre acompanhar o rei ao templo de Rimom reflete a realidade de quem vive e trabalha em ambientes que não compartilham da mesma fé. O capítulo sugere a busca por uma postura de lealdade interior a Deus, mesmo em meio a exigências externas desafiadoras.

Perguntas frequentes

Por que Naamã ficou indignado com a orientação de Eliseu de mergulhar no Jordão?

Naamã esperava um ritual grandioso, compatível com seu status de comandante. Imaginava que o profeta sairia, imporia as mãos e realizaria um ato visível e impressionante. Ao receber apenas a ordem simples de mergulhar sete vezes em um rio que ele considerava inferior aos de sua terra, sentiu-se desvalorizado e ofendido. Sua indignação revela como o orgulho e as expectativas pessoais podem dificultar a obediência à forma como Deus escolhe agir, muitas vezes através de meios humildes e nada espetaculares.

Qual é o papel da menina cativa na história de Naamã?

A menina cativa é o ponto de partida de toda a história. Mesmo jovem, longe de sua terra e em posição de serva, ela demonstra fé e compaixão ao indicar que o profeta em Samaria poderia curar Naamã. Sua iniciativa mostra que Deus pode usar pessoas aparentemente insignificantes para levar esperança, e destaca que fé e amor ao próximo podem florescer mesmo em contextos de sofrimento e injustiça.

Por que Eliseu recusou os presentes de Naamã após a cura?

Eliseu recusou os presentes para deixar claro que a cura de Naamã era um ato da graça de Deus e não um serviço pago. Se aceitasse uma recompensa, poderia reforçar a ideia de que o favor divino é comprado com riquezas. Ao recusar, ele protege o caráter gratuito da bênção e dá um testemunho importante a um estrangeiro: o Deus de Israel age por misericórdia, não por interesse financeiro ou troca de favores.

O pedido de Naamã por terra de Israel tem algum significado especial?

Ao pedir terra suficiente para duas mulas, Naamã demonstra o desejo de manter, mesmo na Síria, um vínculo concreto com o Deus de Israel. Na mentalidade da época, os deuses eram muitas vezes associados a territórios específicos. Levar terra de Israel simbolizava sua decisão de adorar exclusivamente o Senhor, mesmo vivendo em outro país. Esse gesto expressa uma fé nascente buscando formas de se manter fiel em um contexto religioso diferente.

Por que Geazi foi punido com a lepra de Naamã?

Geazi foi punido porque mentiu, usou o nome de Eliseu para benefício próprio e distorceu o caráter gratuito da graça de Deus. Ele correu atrás de Naamã, inventou uma história sobre filhos dos profetas e recebeu prata e roupas escondido. Quando confrontado, negou o que havia feito. A lepra que recai sobre ele e sua descendência funciona como um sinal visível da gravidade de transformar o ministério em meio de lucro e de encobrir isso com mentira, especialmente diante de um estrangeiro recém-chegado à fé.

O que significa a expressão "Vai em paz" que Eliseu diz a Naamã?

Quando Eliseu diz "Vai em paz", ele encerra o encontro afirmando a aceitação da nova fé de Naamã e entregando-o aos cuidados de Deus em meio às complexidades que o esperavam na Síria. A expressão indica bênção e descanso, não uma resolução detalhada de todas as questões práticas. O profeta não legitima a idolatria, mas confia que o Senhor continuará guiando o oficial sírio em sua caminhada de fé, mesmo em um ambiente religioso adverso.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

2 Reis 5 mostra corações feridos em lugares inesperados. Naamã é descrito como grande e respeitado, mas carrega em segredo a lepra, uma marca dolorosa que toca sua dignidade e seus relacionamentos. A narrativa reconhece essa mistura de força e fragilidade na mesma pessoa, sem minimizar nenhuma das duas. No meio disso surge a figura delicada da menina cativa, alguém que também conhece a dor da perda e do deslocamento. Ainda assim, nela brota compaixão pelo sofrimento de seu senhor. Sua fala simples abre a porta para uma história inteira de cura. Essa presença silenciosa lembra como gestos pequenos e palavras discretas podem se tornar pontes de esperança em lares marcados por dores antigas. O caminho de Naamã até a cura passa por frustração e raiva. Ele sente suas expectativas quebradas, se decepciona com o jeito que é tratado e se ofende com a simplicidade do que lhe é pedido. A narrativa não apaga esses sentimentos; pelo contrário, os expõe com honestidade. Só depois de reconhecer essa resistência interior e ouvir seus servos com humildade, ele se abre para a restauração que tanto precisava. A partir daí, o texto mostra um coração transformado: o comandante que antes estava indignado passa a confessar que só o Senhor é Deus, e decide mudar sua adoração. Esse movimento de dentro para fora aponta para uma cura que não é apenas da pele, mas da alma, onde a gratidão e a reverência substituem a vergonha e o orgulho ferido. O contraste com Geazi adiciona uma nota triste: alguém tão próximo do profeta, mas tomado pela ganância e pela mentira. Seu caminho lembra como a esperança também pode ser ferida por atitudes injustas dentro de ambientes religiosos. O capítulo, no entanto, mantém acesa a certeza de que Deus vê, conhece as intenções e continua oferecendo caminhos de verdade, mesmo quando seres humanos falham. Em meio a dores, expectativas quebradas e decepções, o fio condutor é um Deus que continua alcançando, curando e acolhendo corações que se abrem à sua presença.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético, 2 Reis 5 é um texto rico em contrastes teológicos e literários. Logo no versículo inicial, há uma afirmação surpreendente: o Senhor dera livramento à Síria por meio de Naamã. Isso mostra que a soberania de Deus não está restrita a Israel; Ele dirige a história das nações, inclusive usando um comandante estrangeiro. A estrutura do relato contrapõe o fracasso da realeza de Israel com o êxito do profeta. O rei de Israel, diante da carta síria, reage com pânico e suspeita, questionando se seria Deus para curar lepra. Eliseu, o profeta, assume o papel que o rei deveria ocupar como representante da fé no Senhor, chamando Naamã para que conheça que há profeta em Israel. Esse deslocamento reforça o tema recorrente em Reis: muitas vezes, a verdadeira fidelidade ao Senhor se encontra nos profetas, não na corte. O papel da menina cativa é teologicamente significativo. Ela atua como mediadora da revelação, antecipando a ideia de que Deus pode usar os "pequenos" para confundir os "grandes". Sua confissão de fé, embora breve, lança a semente de toda a narrativa. O texto sugere que a palavra profética em Israel é conhecida até mesmo entre os cativos, evidenciando o alcance da reputação de Eliseu. A cura de Naamã é condicionada à obediência a uma instrução que rompe com suas expectativas culturais. A menção aos rios de Damasco, considerados superiores, destaca que o poder não está na qualidade da água, mas na palavra do profeta. O número sete, ligado à completude, sublinha a necessidade de cumprimento integral da ordem divina. A restauração da pele "como a de um menino" aponta para renovação radical, quase simbólica de um novo começo. Do ponto de vista da teologia da graça, a recusa de Eliseu em aceitar presentes é central. O texto combate qualquer noção de mercantilização do dom de Deus. Quando Geazi tenta reverter isso com sua corrida atrás de Naamã, mente e acumula bens, ele subverte a mensagem da gratuidade, e por isso recebe uma sentença dura. A transferência da lepra de Naamã para Geazi funciona como sinal pedagógico: o profeta não pode ser associado à venda de bênçãos. A confissão de Naamã, declarando que não há outro Deus em toda a terra, ecoa a teologia deuteronomista de um Deus único e exclusivo. Seu pedido de terra e sua preocupação com o culto em Rimom evidenciam um estágio inicial de fé, cheio de tensões práticas. A bênção de Eliseu — "Vai em paz" — mostra uma sensibilidade pastoral: em vez de dar um código rígido, ele confia que o Senhor conduzirá esse novo adorador em meio a um contexto cultural complexo. O capítulo, assim, antecipa temáticas de universalidade da salvação e de fé gentílica que serão ampliadas em outras partes da Escritura.

Life
Life

Visto pela lente do dia a dia, 2 Reis 5 retrata desafios muito atuais: lidar com limitações pessoais, expectativas em relação à ajuda que se busca, pressão de cargos, conflitos de interesse e tentações financeiras. Naamã tem uma posição alta, mas convive com uma condição que o envergonha. Seu recurso inicial é usar o que conhece: influência política, dinheiro, presentes e contatos. É assim que ele vai ao rei, leva carta e bens. A história mostra que essas ferramentas têm limite. Em muitas situações práticas, títulos e recursos são úteis, mas não resolvem o que é mais profundo. Em algum momento, será necessário ouvir orientações que não se compram nem se controlam. Quando Eliseu manda um mensageiro em vez de recebê-lo pessoalmente, as expectativas de Naamã sobre como deveria ser tratado são quebradas. Isso lembra de conflitos comuns: a forma como alguém espera ser atendido, respeitado ou valorizado pode virar obstáculo para aceitar soluções simples e eficazes. Sua reação indica como o orgulho pode impedir passos concretos rumo à mudança. A intervenção dos servos é um modelo de diálogo sábio: falam com respeito, apresentam uma lógica clara e o ajudam a enxergar que obedecer não diminui seu valor, mas abre caminho para a cura. A atitude de Eliseu diante dos presentes oferece um referencial de ética no serviço, especialmente para quem lida com pessoas vulneráveis. Ele se recusa a transformar seu ministério em oportunidade de lucro. Em contextos profissionais e ministeriais, esse exemplo aponta para a importância de clareza de limites, transparência e foco naquilo que é melhor para o outro, não no benefício próprio. Geazi representa um outro tipo de risco: ver na fé um caminho para enriquecimento. Sua estratégia envolve pressa, ocultação e mentira, elementos comuns quando se tenta obter vantagem de forma errada. O texto mostra que decisões oportunistas podem trazer ganhos imediatos, mas comprometem reputação, confiança e futuro. A pergunta de Eliseu — se era hora de receber prata, roupas, propriedades — chama atenção para discernir momentos: nem tudo é apropriado, mesmo que pareça “apenas uma oportunidade”. Por fim, Naamã retorna à Síria com um dilema: como viver sua nova fé em um ambiente que adora outros deuses, tendo responsabilidades institucionais? Esse quadro espelha a realidade de quem convive ou trabalha em contextos que não compartilham seus valores. O capítulo sugere uma direção: definir internamente a quem se pertence, buscar práticas concretas que expressem essa lealdade e navegar obrigações externas com consciência, buscando agir com honra e coerência o máximo possível.

Soul
Soul

Em 2 Reis 5, a cura de Naamã é, na essência, um chamado à conversão. A lepra, mais do que uma enfermidade física, espelha um estado de impureza e distância. O processo que leva à restauração começa com uma palavra de fé vinda de uma menina cativa, atravessa portas de palácios e termina na obediência silenciosa dentro de um rio modesto. Todo esse trajeto prepara o coração de Naamã para reconhecer quem Deus é. O momento crucial não é apenas quando a pele dele se torna como a de um menino, mas quando ele declara: "agora sei que em toda a terra não há Deus senão em Israel". Essa é uma confissão de exclusividade. Não se trata de acrescentar o Senhor a uma lista de divindades, mas de abandonar outros altares para reconhecer o único Deus verdadeiro. A verdadeira cura, então, se revela como um movimento de dentro para fora: o corpo é sinal visível de uma transformação mais profunda. A recusa de Eliseu em aceitar presentes guarda o evangelho em sua pureza: o favor divino não se compra. Espiritualmente, isso aponta para a salvação como dom gratuito. Nenhum status, conquista ou recurso pode comprar perdão ou vida eterna. Aquilo que Naamã recebeu no Jordão, e que Geazi tentou transformar em negócio, ilustra a distância entre graça e barganha. O pedido de Naamã por terra de Israel e sua preocupação com o templo de Rimom revelam a tensão de viver uma fé nova em um mundo antigo. Ele deseja pertencer ao Senhor, mas continua inserido em estruturas que não reconhecem esse Deus. Essa situação é profundamente espiritual: mostra que seguir o Deus verdadeiro envolve reorientar lealdades, mas também lidar com circunstâncias que nem sempre mudam na mesma velocidade do coração. Quando Eliseu responde "Vai em paz", não oferece uma solução sistemática, mas uma bênção que aponta para um caminho: caminhar com Deus no meio das complexidades. Isso ecoa a jornada espiritual de muitos: a conversão não remove automaticamente todos os conflitos externos, mas inaugura uma nova relação com o Deus vivo, que acompanha, perdoa e orienta. No desfecho, a transferência da lepra para Geazi é um lembrete severo de que manipular a graça traz juízo. Do ponto de vista eterno, o texto contrasta dois caminhos: o de quem se rende e recebe, gratuitamente, aquilo que não poderia comprar; e o de quem, estando perto das coisas sagradas, endurece o coração e tenta usá-las para fins próprios. O capítulo, assim, convida a uma resposta interior: abandonar confiança em méritos, títulos ou riquezas, e lançar-se à misericórdia de um Deus que cura, salva e se revela como Senhor sobre toda a terra.

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Versículos em 2 Reis 5

2 Reis 5:1

" E Naamã, capitão do exército do rei da Síria, era um grande homem diante do seu SENHOR, e de muito respeito; porque por ele o SENHOR dera livramento aos sírios; e era este homem herói valoroso, porém leproso. "

2 Reis 5:2

" E saíram tropas da Síria, da terra de Israel, e levaram presa uma menina que ficou ao serviço da mulher de Naamã. "

2 Reis 5:3

" E disse esta à sua senhora: Antes o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra. "

2 Reis 5:4

" Então foi Naamã e notificou ao seu senhor, dizendo: Assim e assim falou a menina que é da terra de Israel. "

2 Reis 5:5

" Então disse o rei da Síria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei de Israel. E foi, e tomou na sua mão dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez mudas de roupas. "

2 Reis 5:6

" E levou a carta ao rei de Israel, dizendo: Logo, em chegando a ti esta carta, saibas que eu te enviei Naamã, meu servo, para que o cures da sua lepra. "

2 Reis 5:7

" E sucedeu que, lendo o rei de Israel a carta, rasgou as suas vestes, e disse: Sou eu Deus, para matar e para vivificar, para que este envie a mim um homem, para que eu o cure da sua lepra? Pelo que deveras notai, peço-vos, e vede que busca ocasião contra mim. "

2 Reis 5:8

" Sucedeu, porém, que, ouvindo Eliseu, homem de Deus, que o rei de Israel rasgara as suas vestes, mandou dizer ao rei: Por que rasgaste as tuas vestes? Deixa-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel. "

2 Reis 5:10

" Então Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será curada e ficarás purificado. "

2 Reis 5:11

" Porém, Naamã muito se indignou, e se foi, dizendo: Eis que eu dizia comigo: Certamente ele sairá, pôr-se-á em pé, invocará o nome do Senhor seu Deus, e passará a sua mão sobre o lugar, e restaurará o leproso. "

2 Reis 5:12

" Não são porventura Abana e Farpar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não me poderia eu lavar neles, e ficar purificado? E voltou-se, e se foi com indignação. "

2 Reis 5:13

" Então chegaram-se a ele os seus servos, e lhe falaram, e disseram: Meu pai, se o profeta te dissesse alguma grande coisa, porventura não a farias? Quanto mais, dizendo-te ele: Lava-te, e ficarás purificado. "

2 Reis 5:14

" Então desceu, e mergulhou no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem de Deus; e a sua carne tornou-se como a carne de um menino, e ficou purificado. "

2 Reis 5:15

" Então voltou ao homem de Deus, ele e toda a sua comitiva, e chegando, pôs-se diante dele, e disse: Eis que agora sei que em toda a terra não há Deus senão em Israel; agora, pois, peço-te que aceites uma bênção do teu servo. "

2 Reis 5:16

" Porém ele disse: Vive o Senhor, em cuja presença estou, que não a aceitarei. E instou com ele para que a aceitasse, mas ele recusou. "

2 Reis 5:17

" E disse Naamã: Se não queres, dê-se a este teu servo uma carga de terra que baste para carregar duas mulas; porque nunca mais oferecerá este teu servo holocausto nem sacrifício a outros deuses, senão ao Senhor. "

2 Reis 5:18

" Nisto perdoe o SENHOR a teu servo; quando meu senhor entrar na casa de Rimom para ali adorar, e ele se encostar na minha mão, e eu também tenha de me encurvar na casa de Rimom; quando assim me encurvar na casa de Rimom, nisto perdoe o SENHOR a teu servo. "

2 Reis 5:20

" Então Geazi, servo de Eliseu, homem de Deus, disse: Eis que meu senhor poupou a este sírio Naamã, não recebendo da sua mão alguma coisa do que trazia; porém, vive o SENHOR que hei de correr atrás dele, e receber dele alguma coisa. "

2 Reis 5:21

" E foi Geazi a alcançar Naamã; e Naamã, vendo que corria atrás dele, desceu do carro a encontrá-lo, e disse-lhe: Vai tudo bem? "

2 Reis 5:22

" E ele disse: Tudo vai bem; meu senhor me mandou dizer: Eis que agora mesmo vieram a mim dois jovens dos filhos dos profetas da montanha de Efraim; dá-lhes, pois, um talento de prata e duas mudas de roupas. "

2 Reis 5:23

" E disse Naamã: Sê servido tomar dois talentos. E instou com ele, e amarrou dois talentos de prata em dois sacos, com duas mudas de roupas; e pô-los sobre dois dos seus servos, os quais os levaram diante dele. "

2 Reis 5:24

" E, chegando ele a certa altura, tomou-os das suas mãos, e os depositou na casa; e despediu aqueles homens, e foram-se. "

2 Reis 5:25

" Então ele entrou, e pôs-se diante de seu senhor. E disse-lhe Eliseu: Donde vens, Geazi? E disse: Teu servo não foi nem a uma nem a outra parte. "

2 Reis 5:26

" Porém ele lhe disse: Porventura não foi contigo o meu coração, quando aquele homem voltou do seu carro a encontrar-te? Era a ocasião para receberes prata, e para tomares roupas, olivais e vinhas, ovelhas e bois, servos e servas? "

2 Reis 5:27

" Portanto a lepra de Naamã se pegará a ti e à tua descendência para sempre. Então saiu de diante dele leproso, branco como a neve. "

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