2 Reis 25 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique 2 Reis 25 na sua vida hoje

30 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é 2 Reis 25?

2 Reis 25 narra a queda final de Jerusalém diante de Babilônia, o cerco prolongado, a captura e humilhação de Zedequias, a destruição completa do templo e da cidade, o exílio da população, a nomeação e morte de Gedalias como governador e, por fim, um pequeno raio de esperança com a libertação de Joaquim no cativeiro babilônico.

Temas principais em 2 Reis 25

Queda de Jerusalém e fim da monarquia davídica na terra (versículos 1-7)

O cerco de Nabucodonosor, a invasão da cidade, a fuga frustrada de Zedequias e sua captura marcam o colapso político e militar de Judá e o fim visível do trono davídico em Jerusalém.

Versículos-chave: 2, 6, 7

Profanação e destruição do templo (versículos 8-17)

A casa do Senhor é queimada, seus utensílios sagrados são saqueados e as estruturas de cobre cuidadosamente descritas são levadas para Babilônia, simbolizando a ruptura do culto no lugar escolhido por Deus.

Versículos-chave: 9, 13, 16

Exílio, remanescente pobre e governo sob domínio estrangeiro (versículos 11-12, 18-23)

A maioria do povo é levada cativa, alguns dos mais pobres permanecem na terra, e Gedalias é estabelecido como governador, mostrando uma sobrevivência mínima da comunidade sob controle babilônico.

Versículos-chave: 11, 12, 22

Violência interna e medo que conduz ao Egito (versículos 23-26)

O assassinato de Gedalias por Ismael provoca nova insegurança e leva o povo remanescente a fugir para o Egito, repetindo antigos padrões de confiar em potências humanas em vez de depender do Senhor.

Versículos-chave: 25, 26

Um fio de esperança no meio do juízo (versículos 27-30)

A elevação de Joaquim da prisão e o tratamento benigno que recebe em Babilônia indicam que Deus ainda preserva a linhagem real e mantém viva a esperança de restauração futura, mesmo em meio ao cativeiro.

Versículos-chave: 27, 29, 30

Contexto histórico e literario

2 Reis 25 descreve os acontecimentos de 586 a.C., quando Jerusalém foi finalmente conquistada pelo Império Babilônico sob Nabucodonosor. Zedequias, último rei de Judá, havia sido posto no trono como vassalo babilônico, mas rebelou-se contra Nabucodonosor, contrariando advertências proféticas, especialmente as de Jeremias. Em resposta, Babilônia sitiou Jerusalém por cerca de um ano e meio. A fome extrema enfraqueceu a resistência até que um ponto de fuga foi aberto entre os muros, junto ao jardim do rei. Zedequias tentou escapar, mas foi capturado nas campinas de Jericó e levado a Ribla, no território de Hamate, onde Nabucodonosor mantinha um quartel-general. Ali, Zedequias viu seus filhos serem mortos e teve os olhos vazados antes de ser levado acorrentado para Babilônia.

Após a queda, Nebuzaradã, chefe da guarda do rei de Babilônia, supervisionou a destruição de Jerusalém, incluindo o templo construído por Salomão e o palácio real. Os utensílios sagrados e estruturas de cobre foram medidos e descritos com detalhes, refletindo sua importância e o impacto da perda. A elite da sociedade — líderes militares, sacerdotes de alto escalão e oficiais — foi executada em Ribla, e o restante da população, em grande parte, deportado. Os mais pobres permaneceram na terra como agricultores e vinheiros, agora sob domínio estrangeiro.

Nabucodonosor nomeou Gedalias, filho de Aicão, como governador sobre o povo que ficou em Judá, com sede em Mizpá. Gedalias representava uma liderança pró-Babilônia, incentivando o povo a aceitar o jugo babilônico, o que estava em sintonia com a mensagem profética de Jeremias para aquele momento. Contudo, Ismael, de linhagem real, liderou um complô e assassinou Gedalias, juntamente com judeus e caldeus em Mizpá, provocando medo de represálias babilônicas. Em consequência, o remanescente fugiu para o Egito, repetindo uma antiga tendência de buscar refúgio lá. Anos depois, já sob o reinado de Evil-Merodaque (sucessor de Nabucodonosor), Joaquim, que estava preso há 37 anos, teve sua condição melhorada, sendo libertado e recebendo provisão contínua, o que sinaliza uma brecha de favor em meio ao cativeiro.

Estrutura de 2 Reis 25

O capítulo 25 funciona como um epílogo trágico do livro de 2 Reis, encerrando a narrativa da monarquia em Judá:

  1. Cerco e queda de Jerusalém (25:1-4) – Datação precisa do início do cerco, descrição da duração até o 11º ano de Zedequias e relato da crise de fome que antecede a invasão. A fuga noturna dos soldados e do rei abre a seção.
  2. Captura e juízo sobre Zedequias (25:5-7) – Zedequias é alcançado nas campinas de Jericó, levado a Ribla e sentenciado. A execução de seus filhos e a cegueira imposta a ele simbolizam o fim da linhagem reinante em Jerusalém.
  3. Destruição de Jerusalém e do templo (25:8-10) – Nebuzaradã chega com autoridade babilônica, e a narrativa enfatiza a queima da casa do Senhor, do palácio e das casas importantes, além da demolição dos muros da cidade.
  4. Exílio e remanescente pobre (25:11-12) – O povo restante é deportado, exceto alguns dos mais pobres, mantidos como trabalhadores rurais. Resume-se o deslocamento social e econômico de Judá.
  5. Saque e inventário dos tesouros do templo (25:13-17) – Foco detalhado nas colunas, bases, mar de cobre e utensílios sagrados. A descrição técnica reforça o valor simbólico e material do que se perde.
  6. Execução das lideranças remanescentes (25:18-21) – Sacerdotes, guardas e oficiais militares são presos e executados em Ribla. O versículo 21 conclui esta parte com a afirmação solene do exílio de Judá.
  7. Administração sob Gedalias e seu assassinato (25:22-26) – Apresenta-se a nomeação de Gedalias e seu apelo à submissão pacífica. O golpe liderado por Ismael e a subsequente fuga para o Egito mostram a instabilidade política do remanescente.
  8. Libertação de Joaquim e final esperançoso (25:27-30) – Em contraste com a ruína descrita anteriormente, esta breve nota final mostra um rei de Judá tendo sua sorte parcialmente restaurada no exílio, encerrando o livro com uma nota discreta de esperança.

Significado teológico

2 Reis 25 é um dos pontos mais sombrios do Antigo Testamento, mas, ao mesmo tempo, teologicamente denso. Em primeiro lugar, mostra com força que o juízo de Deus prometido através dos profetas se cumpre. O cerco, a fome, a destruição do templo e o exílio não são apenas eventos políticos: são a consequência de séculos de idolatria, injustiça e rebeldia contra a aliança. A queda de Jerusalém revela a seriedade do pecado e a fidelidade de Deus à sua própria palavra, inclusive quando esta é palavra de juízo.

Em segundo lugar, o texto toca diretamente na questão da presença de Deus. A destruição do templo sugere a pergunta: teria Deus abandonado o seu povo? A narrativa, porém, é coerente com a teologia profética: o Senhor não está limitado a um edifício ou a uma cidade. Ao permitir a destruição do templo, Ele disciplina o povo, mas não cancela seu plano redentor. Isso prepara o caminho para uma compreensão mais profunda de um Deus que pode ser buscado também no exílio.

Outro ponto teológico crucial é o aparente colapso das promessas feitas a Davi, já que o trono em Jerusalém é interrompido. A cegueira de Zedequias e sua deportação enfatizam o fim visível da monarquia, mas o pequeno relato sobre Joaquim mostra que a linhagem davídica permanece viva, ainda que humilhada. Assim, o texto mantém a tensão: o juízo é total do ponto de vista nacional, mas a esperança messiânica não é anulada. A graça se manifesta na preservação de um remanescente e de uma linhagem, elementos que mais tarde se conectarão com promessas de restauração e com a vinda do Messias.

Por fim, o capítulo mostra que Deus governa a história mesmo por meio de impérios pagãos. Nabucodonosor e Nebuzaradã não são apenas conquistadores fortes; são instrumentos nos propósitos de Deus. Isso oferece uma visão teológica de soberania divina: o Senhor pode usar potências estrangeiras para disciplinar seu povo e, ainda assim, continuar comprometido com sua aliança e seu plano eterno.

Aplicação restauradora e de saúde mental

2 Reis 25 expõe uma experiência coletiva de perda extrema: queda de uma cidade, destruição de um lugar sagrado, morte de familiares, exílio forçado e instabilidade política. Em termos de saúde emocional, o capítulo espelha processos de luto complexo, trauma coletivo e sensação de desamparo. A narrativa apresenta camadas de dor: a humilhação pessoal de Zedequias, o desmoronamento das estruturas religiosas e sociais, e a incerteza de um futuro em terra estranha.

Para a compreensão terapêutica, este texto ajuda a nomear sentimentos como choque, tristeza profunda, vergonha, medo e culpa comunitária. Na Bíblia, tais experiências não são negadas, mas colocadas diante de Deus. A destruição do templo e o exílio preparam o terreno para os salmos de lamento e para reflexões posteriores sobre sofrimento e esperança. Ler este capítulo pode auxiliar na validação da experiência de quem sente que "tudo ruiu" na vida, mostrando que a Escritura reconhece colapsos reais de sistemas, famílias e projetos.

Ao mesmo tempo, a breve nota sobre Joaquim introduz o elemento de resiliência e recomeço. Mesmo após décadas de prisão, ele é lembrado, ouvido e honrado em certa medida. Essa nuance aponta para a possibilidade de pequenos sinais de restauração surgirem depois de períodos longos de dor. Assim, o capítulo sustenta uma combinação honesta de realismo sobre a destruição com uma tênue, mas real, expectativa de renovação.

warning Importante: maus usos comuns

O conteúdo de 2 Reis 25 é muito pesado e pode ser gatilho para algumas pessoas. Entre os pontos sensíveis estão: violência extrema, incluindo execução de filhos diante do pai e cegueira proposital (v.7); destruição de lares e de lugar de culto central (v.9-10); exílio e separação forçada da terra natal (v.11, 21); assassinato político e instabilidade (v.25). Esses elementos podem reativar memórias dolorosas em pessoas que sofreram violência, guerra, perdas familiares traumáticas, perseguição religiosa ou deslocamento forçado.

Quem lida com luto recente, traumas de guerra, migração compulsória, abuso de poder ou histórias familiares marcadas por violência talvez sinta forte angústia ao ler este capítulo. Pode haver sensação de que Deus abandonou completamente aqueles personagens, o que, em situações de fé fragilizada, pode intensificar sentimentos de desespero ou culpa religiosa. Em contextos de sofrimento psicológico intenso, é recomendável que a leitura seja acompanhada por apoio pastoral ou terapêutico capacitado, para ajudar na elaboração dessas emoções à luz da totalidade da mensagem bíblica, que inclui também consolo, restauração e presença de Deus no exílio.

Aplicação prática para hoje

2 Reis 25 oferece diversas lições práticas para a vida contemporânea:

  1. Consequências de decisões persistentes – A queda de Jerusalém não veio de um dia para o outro, mas foi resultado de anos de rebeldia. Decisões repetidas contra a vontade de Deus, pessoais ou comunitárias, tendem a acumular consequências, mesmo que pareçam pequenas no início.

  2. Responsabilidade da liderança – Zedequias, sacerdotes e oficiais militares aparecem em destaque na narrativa do desastre. Lideranças espirituais, políticas ou familiares carregam peso adicional em suas escolhas. Integridade, escuta da verdade incômoda e disposição para arrependimento são cruciais para evitar danos maiores a quem está sob sua influência.

  3. Perigo de respostas violentas e vingativas – O assassinato de Gedalias por Ismael demonstra como reações impulsivas, guiadas por orgulho ou ambição, pioram cenários já frágeis. Em conflitos, a busca por vingança ou poder tende a aprofundar a instabilidade, enquanto caminhos de diálogo e realismo podem preservar vidas.

  4. Aprender a viver em realidades não ideais – Os pobres que ficaram na terra e os exilados em Babilônia precisaram reconstruir a vida em situações muito aquém do ideal. Isso aponta para a importância de cultivar resiliência, adaptar-se e buscar fidelidade a Deus mesmo quando as circunstâncias fogem ao controle ou às expectativas.

  5. Reconhecer pequenos sinais de graça – A libertação de Joaquim, embora não reverta o exílio, representa uma melhora concreta em meio ao cativeiro. Na prática, mesmo em tempos difíceis, é valioso perceber e agradecer por pequenos avanços, oportunidades, relacionamentos preservados ou portas que se abrem.

  6. Evitar ilusões de segurança humana absoluta – A fuga para o Egito mostra a tendência humana de buscar proteção em estratégias ou alianças meramente humanas. A sabedoria prática inclui avaliar se certas saídas são movidas por fé e responsabilidade ou apenas pelo medo e pelo impulso de escapar a qualquer custo.

Perguntas frequentes

Por que Jerusalém foi destruída em 2 Reis 25?

A destruição de Jerusalém foi resultado da longa rebeldia de Judá contra o Senhor, marcada por idolatria, injustiça e desobediência às advertências proféticas. Zedequias rompeu com Nabucodonosor, ignorando mensagens de profetas como Jeremias, que exortavam à submissão naquele momento como disciplina de Deus. Assim, a queda da cidade não é apresentada apenas como derrota política, mas como juízo divino sobre um povo que, como nação, rejeitou repetidamente a aliança.

O que significa a cegueira de Zedequias?

A cegueira de Zedequias é um ato de punição cruel por parte de Babilônia, mas também tem forte carga simbólica no relato bíblico. Ele vê seus filhos serem mortos e, em seguida, perde a visão, o que retrata o fim trágico de sua linhagem no trono de Jerusalém. Ao mesmo tempo, ecoa a liderança "cega" que não enxergou nem acolheu a vontade de Deus, apesar de muitos avisos. A figura do rei cego, acorrentado, sintetiza o colapso político e espiritual de Judá.

Por que o templo e seus utensílios são descritos em tantos detalhes?

Os detalhes sobre as colunas, o mar de cobre, as bases e os utensílios evidenciam a grandeza do templo e o valor do que foi perdido. O autor mostra que não se tratava de um edifício comum, mas do centro do culto nacional, cuidadosamente construído por Salomão. A descrição minuciosa intensifica o impacto da destruição: o que era símbolo da presença de Deus e da identidade do povo é agora queimado, desmontado e carregado para Babilônia.

Quem foi Gedalias e por que sua morte é importante?

Gedalias foi nomeado por Nabucodonosor como governador sobre o povo que ficou em Judá após o exílio principal. Ele orientou o remanescente a aceitar o domínio babilônico e permanecer na terra, promessa de que lhes iria bem naquela condição. Sua morte pelas mãos de Ismael, de linhagem real, desestabiliza qualquer tentativa de reconstrução local e desperta medo de represálias babilônicas, levando o povo a fugir para o Egito. Assim, a morte de Gedalias marca o fracasso de uma possibilidade de estabilidade mínima em Judá.

Qual o significado da libertação de Joaquim no final do capítulo?

A libertação de Joaquim, após 37 anos de prisão, é um detalhe breve, mas carregado de esperança. O texto mostra que, mesmo no exílio e sob domínio estrangeiro, a linhagem real de Judá não foi completamente apagada. Joaquim recebe tratamento honroso e provisão diária, sinalizando que Deus ainda preserva um futuro para o povo e para as promessas feitas a Davi. Teologicamente, esse pequeno gesto indica que o juízo não é a palavra final e que a história de Deus com seu povo continua além da catástrofe.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

2 Reis 25 retrata um dos momentos mais dolorosos da história de Judá: famílias desfeitas, cidade destruída, templo em chamas, líderes humilhados, povo levado para longe de casa. O texto não suaviza a dor. Fala de fome, de violência, de perdas irreparáveis. Isso mostra que a Bíblia não ignora realidades duras, nem tenta encobrir sofrimentos profundos sob palavras fáceis. A figura de Zedequias, vendo seus filhos serem mortos e depois ficando cego, carrega um peso emocional enorme. Há também a angústia dos que ficaram para trás, pobres, sem estrutura, tentando sobreviver entre ruínas. E, mais à frente, a frustração quando Gedalias, que poderia trazer um mínimo de estabilidade, é assassinado. Tudo parece se desmanchar, como se não restasse nada de seguro. Mesmo assim, no final do capítulo, há um pequeno gesto de misericórdia na história de Joaquim, tirado da prisão, tratado com bondade e alimentado diariamente. É apenas um fio de luz em meio a muita escuridão, mas é luz real. Isso revela uma verdade importante: mesmo em histórias marcadas por perdas profundas, ainda há espaço para atos de graça, ainda que pequenos, que lembram que Deus não abandona por completo. Este capítulo acolhe emoções de quem sente que viu "o mundo desabar". As lágrimas, o choque, a sensação de vazio e de fim encontram eco aqui. Ao mesmo tempo, a discreta nota de esperança ao final sugere que, mesmo quando tudo parece encerrado, Deus ainda encontra maneiras de preservar vidas, histórias e possibilidades de recomeço.

Mind
Mind

Do ponto de vista da compreensão bíblica, 2 Reis 25 é um capítulo-chave para ligar história, profecia e teologia. A datação precisa dos eventos (nono ano de Zedequias, décimo mês; décimo primeiro ano; quinto mês do décimo nono ano de Nabucodonosor) situa a queda de Jerusalém em 586 a.C., confirmada também por fontes extrabíblicas. Esses marcos cronológicos mostram a preocupação do autor com a historicidade do juízo sofrido por Judá. O cerco, a fome e a brecha pelos muros lembram advertências anteriores, como as de Deuteronômio e dos profetas, de que a desobediência traria desastre nacional. A figura de Nebuzaradã como agente da destruição do templo sublinha que o próprio local central de culto não é garantia automática de proteção, caso a aliança seja rompida. A minuciosa enumeração dos utensílios e estruturas do templo tem duplo efeito: registra o saque e reforça a enormidade do que foi perdido. A execução dos sacerdotes e oficiais em Ribla mostra o desmantelamento da liderança religiosa e militar. A expressão "Judá foi levado preso para fora da sua terra" funciona como uma espécie de sumário histórico-teológico: o povo que deveria habitar a terra prometida agora é deslocado por não ter correspondido à vocação recebida. A nomeação de Gedalias e sua postura em relação aos caldeus ecoam a mensagem de Jeremias, que defendia a aceitação do jugo babilônico como disciplina de Deus, em vez de revoltas constantes. O complô de Ismael, de "descendência real", pode ter sido motivado por rejeição a essa submissão e por ambições políticas internas. O resultado, ironicamente, é ainda mais instabilidade e a fuga para o Egito, repetindo antigos padrões de dependência daquela potência. Por fim, a nota sobre Joaquim, libertado por Evil-Merodaque, tem importância teológica e canônica. Ela demonstra que a linhagem davídica ainda existe, mesmo que degradada, o que é relevante para a esperança futura de restauração. Em termos de composição, o capítulo encerra 2 Reis com uma tensão: a promessa feita a Davi parece quebrada, mas um descendente seu vive, é lembrado e é tratado com honra no exílio. Esse detalhe prepara o leitor para a teologia do pós-exílio e para o desenvolvimento posterior da esperança messiânica.

Life
Life

2 Reis 25 mostra decisões e comportamentos que produzem consequências amplas e duradouras. O cenário ali não surgiu de um único erro, mas de uma sucessão de escolhas equivocadas ao longo de gerações, especialmente entre líderes. Zedequias ocupa o lugar central nesse último ato: sua rebelião contra Babilônia, ignorando orientações proféticas e o contexto político real, tem efeitos diretos sobre a segurança do povo. Na prática da vida, isso ressalta como atitudes persistentes de negação da realidade, soberba ou imprudência de quem lidera — seja uma família, uma equipe ou uma comunidade — podem gerar perdas que atingem inocentes. À medida que o capítulo narra a execução de filhos, oficiais, sacerdotes e a deportação em massa, fica evidente que as decisões de poucos recaem sobre muitos. O assassinato de Gedalias por Ismael é outro exemplo de como a busca por poder, identidade ou prestígio, sem discernimento e responsabilidade, agrava uma situação já frágil. A tentativa de impor um caminho pela força destrói uma oportunidade de relativa estabilidade. Em contextos de conflito, isso lembra o perigo de soluções violentas ou radicais que parecem defender "causas justas", mas acabam desorganizando ainda mais a vida coletiva. Ao mesmo tempo, a narrativa aponta para a necessidade de aprender a viver em contextos imperfeitos. Os que ficam na terra como agricultores, e até o próprio Joaquim no exílio, precisam encontrar formas de reorganizar a existência em um cenário que eles não escolheram. Isso tem implicações práticas: há momentos em que não é possível retornar ao passado idealizado; a sabedoria está em gerir bem o presente, buscando dignidade, fidelidade e pequenos passos de reconstrução, em vez de negar a realidade ou entregá-la ao desespero. A breve mudança na sorte de Joaquim sugere ainda que, mesmo em condições limitadas, é possível experimentar melhoras concretas: novos relacionamentos, novas posições, formas diferentes de provisão. A vida cotidiana, em face de perdas grandes, pode ser redesenhada com base naquilo que ainda é possível, e não somente no que se perdeu.

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Versículos em 2 Reis 25

2 Reis 25:1

" E sucedeu que, no nono ano do seu reinado, no mês décimo, aos dez do mês, Nabucodonosor, rei de babilônia, veio contra Jerusalém, ele e todo o seu exército, e se acampou contra ela, e levantaram contra ela trincheiras em redor. "

2 Reis 25:3

" Aos nove do mês quarto, quando a cidade se via apertada pela fome, nem havia pão para o povo da terra, "

2 Reis 25:4

" Então a cidade foi invadida, e todos os homens de guerra fugiram de noite pelo caminho da porta, entre os dois muros que estavam junto ao jardim do rei (porque os caldeus estavam contra a cidade em redor), e o rei se foi pelo caminho da campina. "

2 Reis 25:5

" Porém o exército dos caldeus perseguiu o rei, e o alcançou nas campinas de Jericó; e todo o seu exército se dispersou. "

2 Reis 25:7

" E aos filhos de Zedequias mataram diante dos seus olhos; e vazaram os olhos de Zedequias, e o ataram com duas cadeias de bronze, e o levaram a babilônia. "

2 Reis 25:8

" E no quinto mês, no sétimo dia do mês (este era o ano décimo nono de Nabucodonosor, rei de babilônia), veio Nebuzaradã, capitão da guarda, servo do rei de babilônia, a Jerusalém. "

2 Reis 25:9

" E queimou a casa do Senhor e a casa do rei, como também todas as casas de Jerusalém, e todas as casas dos grandes queimou. "

2 Reis 25:10

" E todo o exército dos caldeus, que estava com o capitão da guarda, derrubou os muros em redor de Jerusalém. "

2 Reis 25:11

" E o mais do povo que deixaram ficar na cidade, os rebeldes que se renderam ao rei de babilônia e o mais da multidão, Nebuzaradã, o capitão da guarda, levou presos. "

2 Reis 25:13

" Quebraram mais, os caldeus, as colunas de cobre que estavam na casa do SENHOR, como também as bases e o mar de cobre que estavam na casa do SENHOR; e levaram o seu bronze para babilônia. "

2 Reis 25:14

" Também tomaram as caldeiras, as pás, os apagadores, as colheres e todos os vasos de cobre, com que se ministrava. "

2 Reis 25:15

" Também o capitão-da-guarda tomou os braseiros, e as bacias, o que era de ouro puro, em ouro e o que era de prata, em prata. "

2 Reis 25:16

" As duas colunas, um mar, e as bases, que Salomão fizera para a casa do Senhor; o cobre de todos estes vasos não tinha peso. "

2 Reis 25:17

" A altura de uma coluna era de dezoito côvados, e sobre ela havia um capitel de cobre, e de altura tinha o capitel três côvados; e a rede e as romãs em redor do capitel, tudo era de cobre; e semelhante a esta era a outra coluna com a rede. "

2 Reis 25:18

" Também o capitão-da-guarda tomou a Seraías, primeiro sacerdote, e a Sofonias, segundo sacerdote, e aos três guardas do umbral da porta. "

2 Reis 25:19

" E da cidade tomou a um oficial, que tinha cargo dos homens de guerra, e a cinco homens dos que estavam na presença do rei, e se achavam na cidade, como também ao escrivão-mor do exército, que registrava o povo da terra para a guerra, e a sessenta homens do povo da terra, que se achavam na cidade. "

2 Reis 25:21

" E o rei de babilônia os feriu e os matou em Ribla, na terra de Hamate; e Judá foi levado preso para fora da sua terra. "

2 Reis 25:22

" Porém, quanto ao povo que ficara na terra de Judá, que Nabucodonosor, rei de babilônia, deixou ficar, pôs sobre ele, por governador a Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã. "

2 Reis 25:23

" Ouvindo, pois, os capitães dos exércitos, eles e os seus homens, que o rei de babilônia pusera a Gedalias por governador, vieram a Gedalias, a Mizpá, a saber: Ismael, filho de Netanias, e Joanã, filho de Careá, e Seraías, filho de Tanumete, o netofatita, e Jazanias, filho do maacatita, eles e os seus homens. "

2 Reis 25:24

" E Gedalias jurou a eles e aos seus homens, e lhes disse: Não temais ser servos dos caldeus; ficai na terra, servi ao rei de babilônia, e bem vos irá. "

2 Reis 25:25

" Sucedeu, porém, que, no sétimo mês, veio Ismael, filho de Netanias, o filho de Elisama, da descendência real, e dez homens com ele, e feriram a Gedalias, e ele morreu, como também aos judeus, e aos caldeus que estavam com ele em Mizpá. "

2 Reis 25:26

" Então todo o povo se levantou, desde o menor até ao maior, como também os capitães dos exércitos, e foram ao Egito, porque temiam os caldeus. "

2 Reis 25:27

" Depois disto sucedeu que, no ano trinta e sete do cativeiro de Joaquim, rei de Judá, no mês duodécimo, aos vinte e sete do mês, Evil-Merodaque, rei de babilônia, no ano em que reinou, levantou a cabeça de Joaquim, rei de Judá, tirando-o da casa da prisão. "

2 Reis 25:30

" E, quanto à sua subsistência, pelo rei lhe foi dada subsistência contínua, a porção de cada dia no seu dia, todos os dias da sua vida. "

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