2 Reis 23:1
" Então o rei ordenou, e todos os anciãos de Judá e de Jerusalém se reuniram a ele. "
Entenda os temas principais e aplique 2 Reis 23 na sua vida hoje
37 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Josias reúne todo o povo, lê o livro da aliança em voz alta e assume um compromisso público de seguir ao Senhor com todo o coração e toda a alma. A fé deixa de ser apenas tradição e volta a ser um pacto vivo entre Deus e o povo.
O rei empreende uma limpeza radical: remove ídolos do templo, destrói altares nos altos, acaba com práticas imorais ligadas ao culto, desmantela altares até em Betel e Samaria, e elimina adivinhações e feitiçarias. Não há espaço para mistura entre o culto ao Senhor e aos falsos deuses.
Tudo o que Josias faz está em resposta ao livro achado no templo. A reforma não nasce apenas de boas intenções, mas da obediência específica ao que está escrito na Lei de Moisés.
Josias restaura a Páscoa de maneira tão fiel que não havia havido celebração semelhante desde os dias dos juízes. A nação é convidada a lembrar o Deus que liberta e forma seu povo.
Apesar da fidelidade de Josias, o Senhor decide manter o juízo sobre Judá por causa dos pecados profundos de Manassés e da persistente rebeldia do povo. A reforma do rei não anula as consequências acumuladas pela nação.
Josias é apresentado como um rei sem igual em sua entrega ao Senhor, mas sua morte trágica e a maldade dos reis que o sucedem mostram que até a melhor liderança humana é limitada e não substitui a necessidade de transformação profunda do povo.
2 Reis 23 situa-se no final do reino de Judá, aproximadamente no final do século VII a.C. Josias reina em um período marcado pela influência do império assírio em declínio e pela ascensão do Egito e da Babilônia. Anteriormente, reis como Manassés haviam introduzido uma idolatria extrema, inclusive dentro do templo em Jerusalém, o que levou a uma deterioração espiritual profunda.
No capítulo anterior, o sumo sacerdote Hilquias encontra o livro da Lei na casa do Senhor, provavelmente uma forma do livro de Deuteronômio ou do Pentateuco. A leitura desse livro provoca em Josias um arrependimento sincero e o impulso de reformar completamente a vida religiosa de Judá.
Os “altos” eram santuários locais espalhados por Judá e Israel, usados tanto para adoração legítima no passado como para cultos sincréticos e idolátricos. Lugares como Betel e as cidades de Samaria remetem ao antigo reino do Norte, destruído pela Assíria cerca de um século antes. Ao atacar também esses altares, Josias simbolicamente confronta a história de rebeldia de todo Israel, não apenas de Judá.
A menção a Tofete, no vale dos filhos de Hinom, indica práticas de sacrifício infantil a Moloque, algo especialmente abominável. A intervenção de Faraó Neco, rei do Egito, ao ir ao Eufrates, faz parte das manobras políticas da época: o Egito tentava conter o avanço da Babilônia, e Josias se envolve nesse conflito, sendo morto em Megido. Após sua morte, Judá volta a se submeter a potências estrangeiras, e o caminho para o exílio babilônico se aproxima.
O capítulo é construído como um relato histórico contínuo, mas com uma organização clara em blocos temáticos:
Assembleia e renovação da aliança (23:1-3) – Josias reúne anciãos, sacerdotes, profetas e todo o povo, lê o livro da aliança e faz um pacto solene diante do Senhor. O povo consente e apoia a aliança.
Reforma do culto em Jerusalém e Judá (23:4-14) – Detalhamento da purificação do templo, da remoção de objetos dedicados à idolatria e da destruição dos altos e práticas imorais em Judá. O texto usa repetição de verbos fortes (tirou, derrubou, queimou, cortou, profanou) para destacar a intensidade da reforma.
Extensão da reforma a Betel e Samaria (23:15-20) – Josias não se limita ao território de Judá. Ele destrói o altar de Betel, ligado a Jeroboão, cumpre a profecia antiga do “homem de Deus” e faz o mesmo com os altos em Samaria, inclusive executando sacerdotes idólatras.
Restauração da Páscoa (23:21-23) – Uma breve, porém destacada, seção mostra a ordem de celebrar a Páscoa segundo o livro da aliança, com uma nota editorial enfatizando que não havia Páscoa semelhante desde tempos muito antigos.
Resumo das reformas e avaliação de Josias (23:24-25) – Um parágrafo condensado lista a eliminação de práticas ocultistas e idolátricas e apresenta a avaliação teológica do rei: ninguém se converteu ao Senhor como ele, em coração, alma e força, de acordo com a Lei de Moisés.
Persistência do juízo divino (23:26-27) – Apesar das reformas, o autor registra que o Senhor não voltou atrás de sua ira por causa dos pecados de Manassés, declarando que também removeria Judá como fizera com Israel.
Morte de Josias e sucessão de reis (23:28-37) – Uma conclusão histórica com notas cronológicas: morte de Josias em Megido, breve reinado de Jeoacaz, sua deportação ao Egito por Faraó Neco, a entronização de Eliaquim/Jeoiaquim e a avaliação moral negativa desses sucessores. O tom volta ao refrão típico de Reis: “fez o que era mau aos olhos do Senhor”.
2 Reis 23 traz reflexões teológicas profundas sobre a relação entre Deus, seu povo e seus líderes.
Em primeiro lugar, destaca-se a centralidade da aliança. A vida de Judá é redefinida não por alianças políticas, mas pelo livro da aliança. A resposta de Josias mostra que a vontade de Deus não é um mistério inacessível: ela é revelada nas Escrituras, e a fidelidade consiste em ouvir e obedecer. A cena de leitura pública e de renovação do pacto ecoa outras cenas bíblicas em que a Palavra reacende a identidade do povo.
A santidade de Deus é evidente na forma como Ele rejeita toda forma de sincretismo religioso. O Senhor não aceita dividir sua glória com Baal, Astarote, Moloque ou qualquer “exército dos céus”. O zelo de Josias em destruir ídolos e profanar lugares de culto pagão reflete o zelo do próprio Deus, que chama seu povo a um relacionamento exclusivo.
O capítulo também ressalta a seriedade do pecado coletivo e histórico. Mesmo com um rei exemplar, o acúmulo de idolatria e injustiça, especialmente sob Manassés, gerou um ponto sem retorno para a nação. Isso não invalida o arrependimento e a fidelidade de Josias, mas mostra que o pecado tem consequências que podem ultrapassar uma geração.
Há ainda uma forte ênfase na fidelidade da Palavra profética. A destruição do altar de Betel e o cuidado com a sepultura do “homem de Deus” revelam que Deus cumpre o que fala, mesmo depois de muito tempo. O juízo anunciado não falha, mas também as promessas de Deus permanecem.
Por fim, o capítulo aponta para a limitação da monarquia e prepara o terreno para a esperança de um rei diferente. Josias é louvado como o mais fiel em termos de obediência à Lei, mas sua morte trágica e o retorno da nação ao mal lembram que nenhum rei humano, por mais piedoso, consegue garantir a transformação definitiva do coração do povo. Essa tensão abre espaço para a expectativa de um rei perfeito, capaz de unir Lei, coração e nação de forma definitiva.
Lido a partir de uma perspectiva de cuidado emocional, 2 Reis 23 mostra um movimento intenso de ruptura com padrões destrutivos e um desejo profundo de recomeço. Josias herda uma história marcada por escolhas erradas e, ainda assim, decide caminhar em outra direção, respondendo à luz que recebe ao ouvir a Palavra.
A renovação da aliança e a purificação da terra podem ser vistas como imagens de processos internos de reorganização e limpeza de áreas da vida marcadas por dor, culpa ou confusão. A narrativa reconhece que nem sempre é possível apagar todas as consequências do passado, mas apresenta um Deus que se importa com a sinceridade do coração no presente.
O texto também lida com a tensão entre expectativas e realidade: um rei exemplar, um esforço gigantesco de mudança, e ainda assim a continuação do juízo e uma morte precoce. Isso reflete a experiência humana de, muitas vezes, fazer o melhor possível e não ver os resultados esperados em termos visíveis. Em vez de romantizar a vida de fé, o capítulo acolhe a complexidade da dor, das perdas e das limitações, sem negar o valor de uma entrega sincera a Deus.
Para quem lida com heranças familiares difíceis, sentimentos de culpa coletiva ou o peso de decisões alheias, o capítulo oferece a imagem de alguém que, mesmo em um contexto comprometido, escolhe buscar o caminho de Deus com todo o coração. Há consolo na ideia de que Deus vê e valoriza essa integridade, mesmo quando a história em volta não muda tão rápido quanto se gostaria.
Este capítulo contém elementos que podem acionar gatilhos emocionais em algumas pessoas:
Leitores com histórico de trauma religioso, luto recente, depressão severa ou pensamentos de culpa extrema podem precisar de apoio pastoral ou terapêutico ao lidar com textos que enfatizam juízo, violência e destruição, para distingui-los de experiências pessoais e perceber o contexto histórico e teológico em que foram escritos.
2 Reis 23 apresenta várias implicações práticas para a vida cotidiana:
Reorganizar a vida à luz da Palavra – A mudança começa quando o livro da aliança é lido e levado a sério. Uma aplicação concreta é deixar que a Escritura tenha espaço real para confrontar hábitos, crenças e prioridades já estabelecidos, em vez de apenas confirmar o que já se pensa.
Compromisso integral, não apenas formal – Josias se compromete “com todo o coração e com toda a alma”. A fé não aparece como um adereço, mas como centro que reorienta decisões, relacionamentos, ética no trabalho e uso de recursos.
Romper com padrões destrutivos – A destruição dos ídolos e dos altos ilustra a necessidade de lidar com aquilo que, na prática, ocupa o lugar de Deus: dependências, práticas injustas, hábitos ocultos, fontes de influências que afastam da vontade divina. Em muitos casos, isso envolve decisões firmes, não apenas ajustes superficiais.
Valorizar a memória da redenção – A restauração da Páscoa mostra a importância de lembrar o agir salvador de Deus na história. Espaços regulares de memória (culto, ceia, momentos devocionais) ajudam a manter viva a identidade como povo de Deus em meio às pressões do presente.
Reconhecer limites pessoais e geracionais – Josias é fiel, mas não consegue mudar sozinho o destino histórico de Judá. Na prática, isso lembra que cada pessoa é chamada à responsabilidade diante de Deus, mas não controla todas as consequências de gerações passadas nem o comportamento dos outros.
Discernir o valor da liderança sem idealizá-la – O contraste entre Josias e seus sucessores aponta para a importância de líderes comprometidos com a Palavra, sem que se deposite neles uma confiança absoluta. A lealdade última pertence a Deus, não a figuras humanas.
A reforma de Josias foi resposta direta à descoberta do livro da Lei na casa do Senhor. Ao ouvir as palavras da aliança, ele entendeu a gravidade da idolatria e da desobediência que marcavam a nação havia gerações. Movido por temor e zelo, decidiu alinhar o povo ao que Deus havia ordenado desde Moisés, removendo tudo o que competia com a adoração ao Senhor, dentro e fora de Jerusalém.
Os “altos” eram locais elevados, como colinas ou plataformas, usados como santuários religiosos. Algumas vezes foram usados no passado para adoração legítima ao Senhor, mas, ao longo do tempo, se tornaram centros de culto misto ou explicitamente idólatra, ligados a Baal, Astarote, Moloque e outras divindades. Por isso, a reforma de Josias inclui derrubar e profanar esses lugares, para interromper o ciclo de idolatria.
O texto afirma que o Senhor não se demoveu da sua ira por causa das provocações de Manassés e da longa história de rebeldia de Judá. O pecado acumulado da nação havia ultrapassado um limite, trazendo consequências inevitáveis. A fidelidade de Josias foi plenamente valorizada por Deus, mas não cancelou o juízo coletivo já determinado. Isso mostra que, na perspectiva bíblica, a justiça divina leva a sério tanto o arrependimento quanto a profundidade do mal já praticado.
A Páscoa celebrada por Josias é descrita como única desde os dias dos juízes, sinalizando um retorno profundo às ordenanças originais. Ela recoloca no centro da vida do povo a memória da libertação do Egito, recordando que Israel é uma nação formada pelo ato redentor de Deus. A celebração, conforme está escrito no livro da aliança, simboliza um novo começo em que o povo se reencontra com sua identidade de resgatado e pertencente ao Senhor.
O versículo 25 afirma que antes dele não houve rei semelhante que se convertesse ao Senhor com todo o coração, alma e forças, conforme toda a lei de Moisés, nem depois se levantou outro igual. Isso indica que sua obediência foi integral, abrangendo o interior (coração e alma) e a prática (forças, decisões reais). Ele não apenas removeu ídolos externamente, mas também orientou o povo pela Palavra, restaurando festas, ritos e a centralidade da aliança.
2 Reis 23 apresenta um momento intenso de recomeço em meio a uma história cheia de marcas dolorosas. Josias surge em um cenário já ferido por decisões anteriores, mas, ao ouvir a Palavra de Deus, responde com um coração totalmente aberto. A renovação da aliança, feita diante de todo o povo, é também um gesto profundamente emocional: é como se a nação dissesse novamente quem deseja ser. Há algo comovente na forma como o texto mostra esse contraste: de um lado, práticas terríveis, como sacrifício de crianças e imoralidade ligada ao culto; de outro, um rei que decide dizer “basta” a tudo isso, não com frieza, mas com um zelo que toca até o íntimo. A linguagem forte de destruição de ídolos reflete também um desejo de romper com aquilo que machuca e degrada, expondo o quanto certas práticas espirituais podem se tornar peso, culpa e desumanização. É significativo que Deus veja o coração de Josias e o descreva como alguém que se volta a Ele com todo o ser, mesmo sabendo que o juízo sobre a nação seguiria seu curso. Isso comunica que, diante de Deus, a sinceridade de um coração que busca fazer o que é certo jamais é ignorada, ainda que nem tudo ao redor se ajuste de imediato. O valor da entrega de Josias não está apenas nos resultados visíveis, mas na integridade com que ele responde à luz que recebeu. O capítulo também carrega uma nota de luto: a morte de um rei tão dedicado, a volta do povo ao mal, a proximidade do exílio. Não é uma história de final “perfeito”, mas uma história verdadeira, em que a fidelidade e a dor caminham lado a lado. Nessa tensão, há consolo para quem vive o conflito de lutar por mudanças e, mesmo assim, enfrentar perdas. A narrativa sugere que Deus acolhe essa luta, conhece cada esforço de obediência e está presente tanto nas reformas corajosas quanto nas lágrimas silenciosas que acompanham caminhos difíceis.
Do ponto de vista exegético, 2 Reis 23 é um dos textos centrais para entender a chamada “reforma deuteronomista”. A descoberta do livro da Lei em 2 Reis 22 e a reação de Josias em 2 Reis 23 ilustram bem as teses de que o livro encontrado estava intimamente ligado à tradição deuteronômica. A linguagem de “aliança”, a ênfase em “todo o coração e toda a alma” e a centralidade do culto no lugar escolhido (Jerusalém) apontam nessa direção. O autor de Reis descreve as medidas de Josias como cumprimento rigoroso da Lei de Moisés. Cada detalhe – a eliminação de altares nos altos, a destruição de ídolos, a proibição de práticas sincréticas, a eliminação de adivinhação e feitiçaria – ecoa proibições específicas da Torá (especialmente Deuteronômio 12–18). O texto funciona quase como uma aplicação histórica de prescrições legais, mostrando como a Lei deveria moldar efetivamente a vida nacional. Historicamente, é relevante notar que Josias estende suas ações para além de Judá, chegando a Betel e às cidades de Samaria. Isso ocorre em um contexto em que o domínio assírio enfraquecia, abrindo espaço para que Judá projetasse influência sobre antigos territórios do reino do Norte. Teologicamente, o autor não está apenas registrando uma expansão política, mas sinalizando a tentativa de reunificar o culto de todo Israel ao redor do Senhor em Jerusalém. A referência ao “homem de Deus” que profetizou contra o altar de Betel conecta 2 Reis 23 com 1 Reis 13, sublinhando a confiabilidade da palavra profética. O cuidado de Josias em preservar o túmulo desse profeta, ao mesmo tempo que profana outros túmulos ligados à idolatria, evidencia o critério do narrador: o que está alinhado à palavra de Deus é honrado; o que se opõe a ela é marcado como impuro. Do ponto de vista teológico-literário, a avaliação de Josias no versículo 25 o coloca, em termos de obediência à Lei, acima de reis como Ezequias e até mesmo Davi, o que é surpreendente. Ao mesmo tempo, os versículos 26–27 afirmam que a ira do Senhor permanece. Esse paradoxo reforça um dos temas principais de Reis: mesmo as melhores iniciativas de reforma, quando isoladas, não conseguem reverter por completo uma história de rebeldia prolongada. O livro conduz o leitor a perceber tanto o valor da obediência quanto a necessidade de uma solução mais profunda do que reformas políticas e cultuais, preparando o terreno para uma expectativa escatológica além do exílio.
2 Reis 23 mostra, em termos práticos, o que acontece quando alguém em posição de influência decide alinhar de fato sua vida e suas responsabilidades à vontade de Deus. Josias não se limita a uma fé privada; sua convicção se reflete em decisões concretas que atingem estruturas, costumes, finanças e prioridades coletivas. A leitura pública do livro da aliança é um gesto que, na prática, rompe o silêncio em torno daquilo que é essencial. Em vez de manter a Palavra restrita a poucos, Josias a traz para o centro da vida comunitária, implicando líderes, religiosos e povo comum. Isso traduz um princípio claro: decisões saudáveis e justas dependem de informação clara e de um padrão de referência que não mude conforme interesses do momento. A destruição dos ídolos e dos altos ilustra de forma concreta a necessidade de enfrentar hábitos e sistemas que se tornaram parte do “normal”, mas que, na verdade, são prejudiciais. Muitos desses altares estavam em funcionamento há gerações e contavam com apoio oficial; mexer neles exigia coragem política, disposição para enfrentar resistências e abrir mão de certos benefícios imediatos. Em termos cotidianos, isso se assemelha a confrontar padrões familiares, culturais ou profissionais que parecem “inevitáveis”, mas que claramente contrariam princípios de justiça, honestidade ou pureza. Outro ponto prático é a restauração da Páscoa. Ao recolocar uma celebração central do relacionamento com Deus no calendário da nação, Josias cria um marco regular de memória e identidade. No dia a dia, práticas recorrentes que relembram a graça e a história com Deus ajudam a manter o foco em meio às pressões e distrações. Uma fé adulta não se mantém apenas por momentos intensos, mas por ritmos que renovam o olhar. Por fim, a sequência da narrativa – morte de Josias, retorno do povo ao mal, avanço do juízo – lembra que pessoas comprometidas não controlam todos os resultados. Em termos de vida prática, isso significa que a responsabilidade de agir com integridade permanece, mesmo quando os frutos não aparecem na velocidade ou na forma desejada. A fidelidade se mede tanto pelas decisões tomadas quanto pela perseverança em fazer o certo num ambiente que, muitas vezes, continua resistente à mudança.
Em perspectiva espiritual, 2 Reis 23 é um retrato da busca por uma entrega total a Deus dentro de um mundo marcado por heranças complicadas e destinos já em movimento. Josias se destaca como alguém que encarna o mandamento maior – amar a Deus de todo coração, alma e forças – em um momento em que a nação caminha para o exílio. Isso revela que a fidelidade pessoal possui valor eterno, ainda que as circunstâncias históricas não pareçam favoráveis. A renovação da aliança é um ato de reencontro com a vocação original de Israel: ser um povo separado para Deus, refletir seu caráter e viver sob Sua palavra. Espiritualmente, essa cena evoca a realidade de que a vida de fé não é apenas aderir a ritos, mas viver conscientemente diante de Deus, reconhecendo sua soberania e respondendo a Ele com todo o ser. A insistência em remover ídolos de todos os cantos – do templo central até os altos em lugares distantes – aponta para algo mais profundo: a santidade de Deus abrange toda a existência. Na dimensão espiritual, isso lembra que não há compartimentos neutros na vida; tudo, da adoração explícita às escolhas discretas do cotidiano, está diante do olhar divino e é chamado a convergir para Ele. O fato de o juízo sobre Judá permanecer, mesmo após uma reforma tão intensa, coloca o leitor diante do mistério da justiça e da paciência de Deus. A espiritualidade bíblica não ignora as consequências do pecado coletivo, mas também não diminui o valor de cada resposta sincera. Para quem contempla o sentido último da história, o capítulo reforça que a fidelidade de Deus inclui tanto correção quanto promessa. Ao mostrar que, mesmo o melhor dos reis, não consegue reverter sozinho o curso da nação, o texto aponta além de si mesmo. Ele desperta a expectativa por um rei que não apenas aplique a Lei, mas transforme o coração; não apenas purifique altares externos, mas renove o interior humano; não apenas adie o juízo, mas traga reconciliação definitiva. Desse modo, 2 Reis 23 se torna um convite à esperança escatológica: olhar para além das reformas temporais, em direção ao cumprimento pleno do propósito de Deus na história e na eternidade.
" Então o rei ordenou, e todos os anciãos de Judá e de Jerusalém se reuniram a ele. "
" O rei subiu à casa do Senhor, e com ele todos os homens de Judá, e todos os moradores de Jerusalém, os sacerdotes, os profetas e todo o povo, desde o menor até ao maior; e leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro da aliança, que se achou na casa do Senhor. "
" E o rei se pôs em pé junto à coluna, e fez a aliança perante o Senhor, para seguirem o Senhor, e guardarem os seus mandamentos, os seus testemunhos e os seus estatutos, com todo o coração e com toda a alma, confirmando as palavras desta aliança, que estavam escritas naquele livro; e todo o povo apoiou esta aliança. "
" E o rei mandou ao sumo sacerdote Hilquias, aos sacerdotes da segunda ordem, e aos guardas do umbral da porta, que tirassem do templo do Senhor todos os vasos que se tinham feito para Baal, para o bosque e para todo o exército dos céus e os queimou fora de Jerusalém, nos campos de Cedrom e levou as cinzas deles a Betel. "
" Também destituiu os sacerdotes que os reis de Judá estabeleceram para incensarem sobre os altos nas cidades de Judá e ao redor de Jerusalém, como também os que queimavam incenso a Baal, ao sol, à lua, e aos planetas, e a todo o exército dos céus. "
" Também tirou da casa do Senhor o ídolo do bosque levando-o para fora de Jerusalém até ao ribeiro de Cedrom, e o queimou junto ao ribeiro de Cedrom, e o desfez em pó, e lançou o seu pó sobre as sepulturas dos filhos do povo. "
" Também derrubou as casas dos sodomitas que estavam na casa do Senhor, em que as mulheres teciam casinhas para o ídolo do bosque. "
" E a todos os sacerdotes trouxe das cidades de Judá, e profanou os altos em que os sacerdotes queimavam incenso, desde Geba até Berseba; e derrubou os altos que estavam às portas, junto à entrada da porta de Josué, o governador da cidade, que estava à esquerda daquele que entrava pela porta da cidade. "
" Mas os sacerdotes dos altos não sacrificavam sobre o altar do Senhor em Jerusalém; porém comiam pães ázimos no meio de seus irmãos. "
" Também profanou a Tofete, que está no vale dos filhos de Hinom, para que ninguém fizesse passar a seu filho, ou sua filha, pelo fogo a Moloque. "
" Também tirou os cavalos que os reis de Judá tinham dedicado ao sol, à entrada da casa do Senhor, perto da câmara de Natã-Meleque, o camareiro, que estava no recinto; e os carros do sol queimou a fogo. "
" Também o rei derrubou os altares que estavam sobre o terraço do cenáculo de Acaz, os quais os reis de Judá tinham feito, como também o rei derrubou os altares que fizera Manassés nos dois átrios da casa do Senhor; e esmiuçados os tirou dali e lançou o pó deles no ribeiro de Cedrom. "
" O rei profanou também os altos que estavam defronte de Jerusalém, à mão direita do monte de Masite, os quais edificara Salomão, rei de Israel, a Astarote, a abominação dos sidônios, e a Quemós, a abominação dos moabitas, e a Milcom, a abominação dos filhos de Amom. "
" Semelhantemente quebrou as estátuas, cortou os bosques e encheu o seu lugar com ossos de homens. "
" E também o altar que estava em Betel, e o alto que fez Jeroboão, filho de Nebate, com que tinha feito Israel pecar, esse altar derrubou juntamente com o alto; queimando o alto, em pó o esmiuçou, e queimou o ídolo do bosque. "
" E, virando-se Josias, viu as sepulturas que estavam ali no monte; e mandou tirar os ossos das sepulturas, e os queimou sobre aquele altar, e assim o profanou, conforme a palavra do Senhor, que profetizara o homem de Deus, quando anunciou estas palavras. "
" Então disse: Que é este monumento que vejo? E os homens da cidade lhe disseram: É a sepultura do homem de Deus que veio de Judá, e anunciou estas coisas que fizeste contra este altar de Betel. "
" E disse: Deixai-o estar; ninguém mexa nos seus ossos. Assim deixaram estar os seus ossos com os ossos do profeta que viera de Samaria. "
" Demais disto também Josias tirou todas as casas dos altos que havia nas cidades de Samaria, e que os reis de Israel tinham feito para provocarem à ira o Senhor; e lhes fez conforme todos os atos que tinha feito em Betel. "
" E sacrificou todos os sacerdotes dos altos, que havia ali, sobre os altares, e queimou ossos humanos sobre eles; depois voltou a Jerusalém. "
" O rei deu ordem a todo o povo, dizendo: Celebrai a páscoa ao Senhor vosso Deus, como está escrito no livro da aliança. "
" Porque nunca se celebrou tal páscoa como esta desde os dias dos juízes que julgaram a Israel, nem em todos os dias dos reis de Israel, nem tampouco dos reis de Judá. "
" Porém no ano décimo oitavo do rei Josias esta páscoa se celebrou ao Senhor em Jerusalém. "
" E também os adivinhos, os feiticeiros, os terafins, os ídolos, e todas as abominações que se viam na terra de Judá e em Jerusalém, os extirpou Josias, para confirmar as palavras da lei, que estavam escritas no livro que o sacerdote Hilquias achara na casa do Senhor. "
" E antes dele não houve rei semelhante, que se convertesse ao Senhor com todo o seu coração, com toda a sua alma e com todas as suas forças, conforme toda a lei de Moisés; e depois dele nunca se levantou outro tal. "
" Todavia o Senhor não se demoveu do ardor da sua grande ira, com que ardia contra Judá, por todas as provocações com que Manassés o tinha provocado. "
" E disse o Senhor: Também a Judá hei de tirar de diante da minha face, como tirei a Israel, e rejeitarei esta cidade de Jerusalém que escolhi, como também a casa de que disse: Estará ali o meu nome. "
" Ora, o mais dos atos de Josias e tudo quanto fez, porventura não está escrito no livro das crônicas dos reis de Judá? "
" Nos seus dias subiu Faraó Neco, rei do Egito, contra o rei da Assíria, ao rio Eufrates; e o rei Josias lhe foi ao encontro; e, vendo-o ele, o matou em Megido. "
" E seus servos, num carro, o levaram morto, de Megido, e o trouxeram a Jerusalém, e o sepultaram na sua sepultura; e o povo da terra tomou a Jeoacaz, filho de Josias, e ungiram-no, e fizeram-no rei em lugar de seu pai. "
" Tinha Jeoacaz vinte e três anos de idade quando começou a reinar, e três meses reinou em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Hamutal, filha de Jeremias, de Libna. "
" E fez o que era mau aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizeram seus pais. "
" Porém Faraó Neco o mandou prender em Ribla, em terra de Hamate, para que não reinasse em Jerusalém; e à terra impôs pena de cem talentos de prata e um talento de ouro. "
" Também Faraó Neco constituiu rei a Eliaquim, filho de Josias, em lugar de seu pai Josias, e lhe mudou o nome para Jeoiaquim; porém a Jeoacaz tomou consigo, e foi ao Egito, e morreu ali. "
" E Jeoiaquim deu aquela prata e aquele ouro a Faraó; porém tributou a terra, para dar esse dinheiro conforme o mandado de Faraó; a cada um segundo a sua avaliação exigiu a prata e o ouro do povo da terra, para o dar a Faraó Neco. "
" Tinha Jeoiaquim vinte e cinco anos de idade quando começou a reinar, e reinou onze anos em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Zebida, filha de Pedaías, de Ruma. "
" E fez o que era mau aos olhos do Senhor, conforme tudo quanto fizeram seus pais. "
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