2 Reis 4 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique 2 Reis 4 na sua vida hoje

44 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é 2 Reis 4?

2 Reis 4 reúne quatro relatos de milagres realizados por Eliseu: a provisão de azeite para uma viúva endividada, o nascimento e a ressurreição do filho da sunamita, a purificação de um caldo envenenado entre os filhos dos profetas e a multiplicação de pães para alimentar cem homens. O capítulo destaca o cuidado de Deus com pessoas vulneráveis, a fidelidade em recompensar a hospitalidade e a generosidade, e o poder do Senhor sobre a morte, a escassez e o perigo.

Temas principais em 2 Reis 4

Deus supre em meio à crise (versículos 2–7)

A história da viúva mostra como Deus vê a angústia material e emocional de quem o teme. A partir de uma simples botija de azeite, o Senhor elimina a dívida e assegura sustento para o futuro. A ação ocorre em segredo, com a porta fechada, indicando uma obra íntima de Deus na fragilidade da casa daquela mulher.

Versículos-chave: 3, 7

A recompensa da hospitalidade e da fé perseverante (versículos 8–37)

A sunamita, uma mulher de posição, usa sua influência e recursos para cuidar do profeta, sem buscar benefício pessoal. Deus a presenteia com um filho e, quando o menino morre, sua fé se expressa em perseverança silenciosa e insistência em buscar o homem de Deus. O milagre da ressurreição evidencia que o Senhor honra a devoção fiel.

Versículos-chave: 10, 16, 30, 36

A vitória de Deus sobre a morte e o mal (versículos 20–21, 33–35, 38–41)

O menino que volta à vida e o caldo envenenado que é purificado revelam o poder de Deus para reverter situações de morte e perigo. Onde há morte na panela ou numa casa em luto, a intervenção do Senhor transforma em preservação e vida, sinalizando seu domínio sobre tudo o que ameaça o povo.

Versículos-chave: 21, 35, 41

Multiplicação e generosidade na comunidade de fé (versículos 42–44)

Um homem traz pães das primícias e espigas ao profeta, e Deus usa essa oferta aparentemente insuficiente para alimentar cem homens com sobra. A cena ressalta que o pouco, colocado nas mãos de Deus e compartilhado, torna-se mais que suficiente para a comunidade.

Versículos-chave: 43, 44

O ministério profético como sinal da presença de Deus (versículos 1–44)

Em todas as situações – dívida, luto, fome, perigo – Eliseu age como representante do Senhor, trazendo direção, esperança e transformação. Sua presença nas casas, na escola de profetas e no campo mostra que Deus não está distante, mas se envolve concretamente na história do seu povo.

Versículos-chave: 1, 27, 33, 43

Contexto histórico e literario

Os relatos de 2 Reis 4 acontecem no período da monarquia dividida em Israel, provavelmente durante o reinado de Jorão, filho de Acabe, no reino do norte. Politicamente, era um tempo instável, com alianças militares, guerras e influência de cultos estrangeiros, especialmente o culto a Baal introduzido por Acabe e Jezabel. Nesse cenário, os profetas do Senhor formavam comunidades (os chamados "filhos dos profetas"), que viviam em relativa simplicidade e às vezes em vulnerabilidade material.

A viúva do início do capítulo era esposa de um desses profetas. Em Israel, a lei permitia que filhos fossem tomados como servos para pagamento de dívidas, o que tornava a situação socialmente grave e emocionalmente devastadora. A história da sunamita se passa em Suném, cidade da região de Issacar, próxima ao vale de Jezreel, rota frequente de viagens. Era comum na cultura do Antigo Oriente hospedar viajantes, mas a iniciativa da sunamita em construir um quarto permanente para um profeta revela um compromisso incomum com a hospitalidade.

O episódio da fome em Gilgal mostra que esse período também foi marcado por crises agrícolas, talvez ligadas a juízos de Deus ou a instabilidades políticas. As comunidades proféticas dependiam de doações e do trabalho simples. O homem que vem de Baal-Salisa com pães das primícias representa a fidelidade à lei de trazer as primícias ao Senhor, agora canalizadas por meio do profeta, como sinal de reconhecimento de que Deus continua sendo a fonte de todo sustento.

Estrutura de 2 Reis 4

2 Reis 4 é composto por quatro narrativas de milagres, organizadas de forma a mostrar diferentes aspectos do cuidado de Deus por meio de Eliseu:

  1. A viúva e o azeite (4:1–7)

    • Clamor da viúva e exposição da crise (v.1)
    • Pergunta de Eliseu e identificação do recurso mínimo (v.2)
    • Instruções específicas: recolher vasilhas e fechar a porta (v.3–4)
    • Milagre do azeite que se multiplica até encher todas as vasilhas (v.5–6)
    • Orientação final: vender o azeite, pagar a dívida, viver do restante (v.7)
  2. A sunamita e seu filho (4:8–37)

    • Hospitalidade da sunamita e construção do quarto para Eliseu (v.8–10)
    • Desejo oculto revelado: ausência de filho e marido idoso (v.11–14)
    • Promessa profética de um filho e cumprimento no tempo determinado (v.15–17)
    • Crescimento do menino e sua morte súbita (v.18–20)
    • Resposta da mãe: colocá-lo no quarto do profeta e buscar Eliseu (v.21–27)
    • Envio de Geazi com o bordão e fracasso inicial (v.29–31)
    • Oração e ação intensiva de Eliseu até a ressurreição do menino (v.32–35)
    • Devolução do filho à mãe e adoração da sunamita (v.36–37)
  3. O caldo envenenado em Gilgal (4:38–41)

    • Contexto de fome e preparação de um caldo de ervas para os filhos dos profetas (v.38–39)
    • Descoberta de que havia "morte na panela" (v.40)
    • Ação simbólica de Eliseu com farinha e a remoção do perigo (v.41)
  4. A multiplicação dos pães (4:42–44)

    • Chegada de um homem com pães das primícias e espigas (v.42)
    • Dúvida do servo diante da multidão (v.43a)
    • Palavra do Senhor garantindo que comerão e sobrará (v.43b)
    • Cumprimento exato da promessa, com sobra (v.44)

As quatro cenas se conectam por temas comuns: crise e escassez, intervenção profética, obediência às instruções dadas e resultado abundante que revela a fidelidade de Deus.

Significado teológico

O capítulo reforça a imagem de Deus como aquele que vê, ouve e age em favor dos que o temem. A viúva, sem recursos e prestes a perder os filhos, experimenta o Senhor como provedor que reverte a opressão econômica. A multiplicação do azeite evidencia que Deus pode usar o pouco presente na casa para realizar algo extraordinário.

A sunamita mostra que Deus não ignora atos de hospitalidade e honra ao seu servo. A promessa de um filho a uma mulher cujo marido é idoso ecoa outros relatos bíblicos, como o de Abraão e Sara, indicando que o Senhor continua sendo o Deus que concede vida onde não há esperança humana. A ressurreição do menino antecipa, de forma limitada, a vitória definitiva de Deus sobre a morte, apontando para o poder divino de restaurar aquilo que parece perdido de forma irreversível.

Os episódios em Gilgal sublinham a santidade e o poder da palavra do Senhor. O profeta não tem um poder autônomo, mas atua como canal da ação divina. A farinha na panela e a multiplicação dos pães são sinais sacramentais: gestos simples acompanhados de uma palavra de Deus, que produzem efeitos muito além do natural. A fé não se ancora no objeto em si (bordão, farinha, pães), mas na voz que ordena e promete.

Teologicamente, 2 Reis 4 também mostra o caráter inclusivo da graça de Deus. Ele intervém em favor de uma viúva endividada, de uma mulher influente, de estudantes pobres de profecia e de um grupo de cem homens famintos. O Senhor não está restrito ao templo ou ao palácio; age na casa simples, na casa nobre, na escola de profetas e nos campos. Tudo isso reforça a verdade de que Deus é Senhor da vida cotidiana e não apenas dos grandes eventos nacionais.

Aplicação restauradora e de saúde mental

2 Reis 4 oferece consolo para experiências humanas de perda, medo e insegurança. A viúva representa a ansiedade extrema ligada a dívidas, responsabilidade pelos filhos e sensação de não ter recursos suficientes. A narrativa valida a profundidade dessa angústia, ao mesmo tempo em que mostra um Deus atento à dor de quem se sente sem saída.

A sunamita vive a alegria inesperada de uma promessa e, depois, o trauma da perda súbita de um filho. Seu caminho passa por negação social (dizendo "tudo vai bem"), foco na busca de ajuda espiritual e intensa expressão de dor ao se lançar aos pés do profeta. Essa trajetória espelha processos de luto, nos quais a pessoa oscila entre contenção externa e desabafo profundo em ambientes percebidos como seguros. A história sugere que o choro, a insistência e a busca de apoio não são sinais de fraqueza, mas parte de uma fé que se agarra a Deus em meio ao desespero.

Os episódios da "morte na panela" e da escassez de alimento simbolizam situações em que algo aparentemente bom se torna fonte de ameaça ou em que a provisão é claramente insuficiente. A intervenção de Deus, mudando a qualidade do que parecia perigoso e multiplicando o pouco, toca na esperança de quem lida com medos de dano, de envenenamento emocional ou espiritual, e de falta de recursos. O texto pode funcionar como narrativa de esperança para pessoas cercadas por preocupações materiais, lutos e sensação de perigo constante.

warning Importante: maus usos comuns

O relato da morte do filho da sunamita (v.20–21) pode trazer à tona memórias dolorosas em pessoas que perderam filhos ou familiares de forma súbita. A cena da mãe segurando o menino morto nos joelhos até o meio-dia é emocionalmente intensa e pode reativar lutos não elaborados.

A situação da viúva ameaçada de perder os filhos por dívida (v.1) pode provocar ansiedade em quem enfrenta problemas financeiros graves ou medo de perder a guarda dos filhos, reacendendo sentimentos de culpa, vergonha e desespero.

A ideia de "morte na panela" (v.40) pode acionar gatilhos em pessoas com experiências de envenenamento, abuso alimentar, transtornos alimentares ou medos obsessivos ligados à comida. Além disso, milagres de cura e ressurreição podem, em alguns, despertar frustração ou conflito interno, especialmente quando orações por livramentos semelhantes não foram atendidas.

Em contextos de sofrimento profundo, este capítulo precisa ser lido com sensibilidade, evitando interpretações que culpabilizem quem não experimenta milagres visíveis ou que minimizem a realidade da dor, do luto e da escassez.

Aplicação prática para hoje

2 Reis 4 aponta para atitudes concretas diante de crises. A viúva é convidada a reconhecer o pouco que possui e a agir com obediência criativa: pedir vasilhas, fechar a porta, derramar o azeite. Isso reflete a importância de identificar recursos presentes, por menores que pareçam, e colocá-los em movimento confiando na direção de Deus.

A sunamita demonstra que a hospitalidade intencional e a generosidade podem abrir espaço para experiências profundas com Deus. Sua decisão de edificar um quarto para o profeta mostra planejamento, parceria com o marido e uso responsável dos recursos para o bem do reino. Quando a crise chega, sua postura persistente em buscar ajuda, sem se conformar com a perda, ilustra resiliência e capacidade de se mover mesmo em meio à dor.

Os episódios de Gilgal incentivam a valorizar a vida comunitária de fé. Os filhos dos profetas estão reunidos, aprendendo e partilhando o pouco que têm. O homem de Baal-Salisa doa suas primícias mesmo em um tempo de fome, e Deus usa essa oferta para alimentar muitos. Na prática, isso se traduz em generosidade, partilha de alimentos e recursos com quem passa necessidade e confiança de que o Senhor pode multiplicar o que é oferecido.

O capítulo também inspira a escuta atenta da palavra de Deus e o respeito às orientações recebidas. Em cada episódio, a solução envolve obedecer a instruções específicas, mesmo quando parecem simples demais diante do tamanho do problema. Isso encoraja a valorizar pequenos passos de fé no cotidiano: ajudar alguém em necessidade, abrir a porta da própria casa, servir em comunidade, cuidar de quem sofre.

Perguntas frequentes

Por que a viúva foi instruída a fechar a porta ao multiplicar o azeite?

O texto destaca que a viúva deveria entrar e fechar a porta sobre si e seus filhos (v.4). Esse detalhe sugere uma obra de Deus realizada no âmbito íntimo da casa, longe de exibicionismo ou exploração do milagre. A porta fechada enfatiza a dimensão de confiança, proteção e intimidade: Deus age no espaço da vulnerabilidade familiar, preservando a dignidade daquela mulher e afastando curiosidade ou abuso em torno da provisão recebida.

Quem eram os "filhos dos profetas" mencionados no capítulo?

Os "filhos dos profetas" eram grupos de discípulos ou comunidades ligadas ao ministério profético em Israel, provavelmente organizadas em escolas sob a liderança de profetas como Elias e Eliseu. Eles viviam juntos, aprendendo a Palavra do Senhor, servindo em tarefas espirituais e, muitas vezes, enfrentando dificuldades materiais. Em 2 Reis 4, aparecem como grupo em Gilgal, sentados diante de Eliseu, recebendo ensino e partilhando alimento.

Por que a sunamita disse "Tudo vai bem" se seu filho tinha morrido?

Ao responder "Tudo vai bem" (v.23, 26), a sunamita parece, em parte, evitar explicações longas para poder chegar rapidamente ao homem de Deus. Ao mesmo tempo, suas palavras refletem uma fé paradoxal: apesar da tragédia, ela se agarra à esperança de que Deus, por meio de Eliseu, ainda pode intervir. Em sociedade, ela se mostra contida; diante do profeta, expressa toda sua dor. Essa combinação de silêncio estratégico e desabafo honesto revela a complexidade da fé em meio ao luto.

Qual é o sentido do menino espirrar sete vezes antes de abrir os olhos?

O texto relata que o menino espirrou sete vezes e abriu os olhos (v.35). O número sete, na simbologia bíblica, frequentemente indica plenitude ou completude. O detalhe sugere que a restauração da vida foi plena e que a obra de Deus foi concluída de modo perfeito. O espirro, um reflexo físico, indica o retorno das funções vitais, mostrando que não se trata de uma mera recuperação parcial, mas de uma ressurreição efetiva pela ação do Senhor.

Como a multiplicação dos pães em 2 Reis 4 se relaciona com outros milagres semelhantes na Bíblia?

A multiplicação dos pães para cem homens com sobra (v.42–44) antecipa, em escala menor, os milagres narrados mais tarde nos evangelhos, em que multidões são alimentadas com alguns pães e peixes. Em ambos os casos, a dinâmica é semelhante: alguém oferece um pouco, um servo questiona a suficiência, o homem de Deus declara a palavra do Senhor, o povo come e ainda há sobra. Isso mostra uma continuidade do caráter de Deus como provedor generoso e prepara a compreensão de milagres posteriores como expressão do mesmo Deus que age em toda a história bíblica.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

2 Reis 4 retrata corações em desespero profundo: a viúva com medo de perder os filhos, a sunamita abraçando o corpo sem vida do menino, os discípulos famintos diante da panela envenenada e da comida insuficiente. As emoções que transbordam do texto são intensas: luto antecipado, pânico silencioso, dor que se agarra aos pés do profeta, medo de morrer até naquilo que se come. No meio dessa paisagem de dor, o capítulo mostra que o Senhor não desvia o rosto do sofrimento humano. A viúva é ouvida quando clama, sem precisar apresentar mais credenciais além do testemunho de que seu marido temia ao Senhor. Deus reconhece sua vulnerabilidade e cuida até de detalhes concretos, como dívidas e futuro dos filhos. A história da sunamita revela um Deus que compartilha tanto a alegria da promessa quanto o abismo do luto. Ela não é censurada por sua angústia, nem por segurar-se ao profeta com tanta força que Geazi tenta afastá-la. Sua dor é acolhida; sua amargura é nomeada; sua fé ferida é levada a sério. O menino que volta a respirar, a panela que já não traz morte, os cem homens que se levantam saciados: tudo isso comunica que o coração humano não está abandonado à tragédia. A presença de Deus aparece nas casas, na escola de profetas, na mesa simples. O texto acolhe sentimentos de medo e perda, e responde mostrando um Deus que se aproxima, que entra no quarto onde está o corpo da criança, que caminha de um lado para outro, que insiste até que a vida volte. Cada milagre é também um gesto de cuidado com corações quebrados, um lembrete de que, mesmo quando não se vê saída, ainda existe um olhar atento que não se cansa da dor de ninguém.

Mind
Mind

Do ponto de vista literário e teológico, 2 Reis 4 funciona como um dossiê de milagres de Eliseu que ecoa e amplia o ministério de Elias. O autor organiza quatro narrativas em torno de um tema central: o profeta como mediador da ação de Deus em diferentes esferas da vida – família, hospitalidade, comunidade de formação espiritual e suprimento coletivo. Na primeira perícope (v.1–7), nota-se um paralelismo com motivos de sabedoria: a pergunta de Eliseu sobre o que a viúva tem em casa evoca a ideia de que a solução divina frequentemente se conecta com recursos já presentes, ainda que desprezados. A instrução de recolher vasilhas "não poucas" estabelece uma relação direta entre fé obediente e a medida da experiência do milagre, sem, no entanto, sugerir um mecanismo mágico. O limite não é o poder de Deus, mas o número de recipientes disponíveis. A longa narrativa da sunamita (v.8–37) apresenta uma série de contrastes: mulher rica/viúva pobre; alegria da promessa/luto agudo; iniciativa humana de hospitalidade/iniciativa divina de concessão de um filho; tentativa falha com o bordão/intervenção direta do profeta. A teologia do texto não atribui poder intrínseco a objetos (bordão, cama), mas destaca a oração intensa e a presença pessoal do profeta. Há também claros ecos de relatos anteriores (Elias e o filho da viúva de Sarepta) e antecipações de futuros (milagres de ressurreição no Novo Testamento), indicando uma continuidade da ação divina ao longo da história bíblica. Os episódios de Gilgal (v.38–41; 42–44) reforçam o papel de Eliseu como líder das comunidades proféticas. A menção à fome e à ignorância sobre as ervas perigosas destaca a precariedade material e a limitação de conhecimento desses grupos. A solução, porém, vem pela palavra profética acompanhada de um gesto simbólico simples (lançar farinha, repartir os pães). O contraste entre a visão natural do servo – "Como hei de pôr isto diante de cem homens?" – e a palavra do Senhor – "Comerão, e sobejará" – sublinha a teologia da suficiência divina. No conjunto, o capítulo constrói a imagem de um Deus pessoalmente envolvido em necessidades cotidianas e de um profeta cuja autoridade se legitima não por status político, mas pela eficácia de sua intercessão e fidelidade à palavra recebida.

Life
Life

2 Reis 4 oferece um retrato muito concreto de como fé e prática se encontram no dia a dia. A viúva começa em total sensação de impotência: "Tua serva não tem nada em casa". Mas a partir da pergunta do profeta, ela identifica um recurso mínimo – uma botija de azeite – e coopera ativamente com a solução: pede vasilhas, envolve os filhos, segue as orientações até o fim. A história mostra que, em meio a problemas financeiros sérios, muitas vezes o primeiro passo é reavaliar o que já existe, buscar ajuda confiável e seguir instruções com disciplina, por mais simples que pareçam. A sunamita ilustra uso responsável e generoso de recursos. Ela tem condições materiais e escolhe investir em um quarto para receber o homem de Deus, planejando com o marido e organizando um espaço funcional: cama, mesa, cadeira, candeeiro. Essa combinação de hospitalidade e ordem prática cria ambiente para que o ministério aconteça. Mais tarde, quando o filho adoece e morre, ela não fica paralisada. Rapidamente organiza transporte, conversa com o marido de forma objetiva e busca auxílio na fonte que reconhece como legítima. Sua postura ensina sobre iniciativa em crises familiares: agir com foco, buscar ajuda apropriada, persistir na solução em vez de se acomodar à tragédia. Nos relatos de Gilgal, a vida comunitária é central. Os filhos dos profetas estão juntos, aprendendo, partilhando alimentação, enfrentando riscos e fome em grupo. O homem que traz pães das primícias escolhe destinar parte da sua produção a sustentar essa comunidade de fé, mesmo em contexto de escassez. Essas cenas ressaltam práticas concretas: contribuir com comunidades que promovem o ensino da Palavra, partilhar comida com quem precisa, confiar que Deus pode multiplicar o que é repartido. O capítulo inteiro sugere um estilo de vida que une fé, generosidade, iniciativa e responsabilidade na gestão de recursos, tanto em casa quanto na comunidade.

Soul
Soul

Em 2 Reis 4, cada milagre é um vislumbre do caráter de Deus e uma janela para realidades espirituais mais profundas. A multiplicação do azeite para a viúva aponta para o Deus que conhece a angústia íntima dos que o temem e que não abandona famílias à mercê de credores impiedosos. O azeite, tão presente na simbologia bíblica, pode ser visto aqui como sinal da presença que não se esvai enquanto houver "vasilhas" disponíveis: onde há espaço aberto para Deus, há provisão que desafia a lógica da escassez. A história da sunamita conduz a uma reflexão sobre promessas, perdas e esperança eterna. Ela recebe um filho quando já não esperava mais, e esse mesmo filho lhe é tomado de forma brutal. A reação dela, ao recorrer ao homem de Deus e recusar-se a soltá-lo até que algo aconteça, espelha a alma que, ferida, continua se agarrando à fonte de sua fé. O quarto, com a cama do profeta, torna-se espécie de santuário doméstico, um lugar onde vida e morte se confrontam e onde a oração insiste até que a vida seja restaurada. Em perspectiva mais ampla, esse milagre antecipa a certeza de que a morte não terá a última palavra na história de quem pertence a Deus. A "morte na panela" e a multiplicação dos pães também falam à dimensão espiritual. O que deveria nutrir pode, sem discernimento, tornar-se veneno; ainda assim, a intervenção divina transforma perigo em alimento seguro. O pouco trazido como oferta – vinte pães e algumas espigas – torna-se banquete com sobra. Esses sinais lembram que, diante de Deus, aquilo que é entregue em confiança, mesmo sendo modesto, ganha dimensão eterna. O capítulo sugere um caminho de formação espiritual marcado por hospitalidade ao agir de Deus, perseverança em buscá-lo no luto, discernimento sobre o que alimenta a alma e disposição de entregar as primícias da vida ao Senhor, confiando que ele é capaz de fazer infinitamente mais do que se pode ver no momento.

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Versículos em 2 Reis 4

2 Reis 4:1

" E uma mulher, das mulheres dos filhos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao SENHOR; e veio o credor, para levar os meus dois filhos para serem servos. "

2 Reis 4:2

" E Eliseu lhe disse: Que te hei de fazer? Dize-me que é o que tens em casa. E ela disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite. "

2 Reis 4:4

" Então entra, e fecha a porta sobre ti, e sobre teus filhos, e deita o azeite em todas aquelas vasilhas, e põe à parte a que estiver cheia. "

2 Reis 4:5

" Partiu, pois, dele, e fechou a porta sobre si e sobre seus filhos; e eles lhe traziam as vasilhas, e ela as enchia. "

2 Reis 4:6

" E sucedeu que, cheias que foram as vasilhas, disse a seu filho: Traze-me ainda uma vasilha. Porém ele lhe disse: Não há mais vasilha alguma. Então o azeite parou. "

2 Reis 4:7

" Então veio ela, e o fez saber ao homem de Deus; e disse ele: Vai, vende o azeite, e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto. "

2 Reis 4:8

" Sucedeu também um dia que, indo Eliseu a Suném, havia ali uma mulher importante, a qual o reteve para comer pão; e sucedeu que todas as vezes que passava por ali entrava para comer pão. "

2 Reis 4:9

" E ela disse a seu marido: Eis que tenho observado que este que sempre passa por nós é um santo homem de Deus. "

2 Reis 4:10

" Façamos-lhe, pois, um pequeno quarto junto ao muro, e ali lhe ponhamos uma cama, uma mesa, uma cadeira e um candeeiro; e há de ser que, vindo ele a nós, para ali se recolherá. "

2 Reis 4:13

" Porque ele tinha falado a Geazi: Dize-lhe: Eis que tu nos tens tratado com todo o desvelo; que se há de fazer por ti? Haverá alguma coisa de que se fale por ti ao rei, ou ao capitão do exército? E disse ela: Eu habito no meio do meu povo. "

2 Reis 4:14

" Então disse ele: Que se há de fazer por ela? E Geazi disse: Ora ela não tem filho, e seu marido é velho. "

2 Reis 4:16

" E ele disse: A este tempo determinado, segundo o tempo da vida, abraçarás um filho. E disse ela: Não, meu senhor, homem de Deus, não mintas à tua serva. "

2 Reis 4:17

" E concebeu a mulher, e deu à luz um filho, no tempo determinado, no ano seguinte, segundo Eliseu lhe dissera. "

2 Reis 4:19

" E disse a seu pai: Ai, a minha cabeça! Ai, a minha cabeça! Então disse a um moço: Leva-o à sua mãe. "

2 Reis 4:22

" E chamou a seu marido, e disse: Manda-me já um dos moços, e uma das jumentas, para que eu corra ao homem de Deus, e volte. "

2 Reis 4:24

" Então albardou a jumenta, e disse ao seu servo: Guia e anda, e não te detenhas no caminhar, senão quando eu to disser. "

2 Reis 4:25

" Partiu ela, pois, e foi ao homem de Deus, ao monte Carmelo; e sucedeu que, vendo-a o homem de Deus de longe, disse a Geazi, seu servo: Eis aí a sunamita. "

2 Reis 4:26

" Agora, pois, corre-lhe ao encontro e dize-lhe: Vai bem contigo? Vai bem com teu marido? Vai bem com teu filho? E ela disse: Vai bem. "

2 Reis 4:27

" Chegando ela, pois, ao homem de Deus, ao monte, pegou nos seus pés; mas chegou Geazi para retirá-la; disse porém o homem de Deus: Deixa-a, porque a sua alma está triste de amargura, e o Senhor me encobriu, e não me manifestou. "

2 Reis 4:29

" E ele disse a Geazi: Cinge os teus lombos, toma o meu bordão na tua mão, e vai; se encontrares alguém não o saúdes, e se alguém te saudar, não lhe respondas; e põe o meu bordão sobre o rosto do menino. "

2 Reis 4:30

" Porém disse a mãe do menino: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te hei de deixar. Então ele se levantou, e a seguiu. "

2 Reis 4:31

" E Geazi passou adiante deles, e pôs o bordão sobre o rosto do menino; porém não havia nele voz nem sentido; e voltou a encontrar-se com ele, e lhe trouxe aviso, dizendo: O menino não despertou. "

2 Reis 4:34

" E subiu à cama e deitou-se sobre o menino, e, pondo a sua boca sobre a boca dele, e os seus olhos sobre os olhos dele, e as suas mãos sobre as mãos dele, se estendeu sobre ele; e a carne do menino aqueceu. "

2 Reis 4:35

" Depois desceu, e andou naquela casa de uma parte para a outra, e tornou a subir, e se estendeu sobre ele, então o menino espirrou sete vezes, e abriu os olhos. "

2 Reis 4:36

" Então chamou a Geazi, e disse: Chama esta sunamita. E chamou-a, e veio a ele. E disse ele: Toma o teu filho. "

2 Reis 4:38

" E, voltando Eliseu a Gilgal, havia fome naquela terra, e os filhos dos profetas estavam assentados na sua presença; e disse ao seu servo: Põe a panela grande ao lume, e faze um caldo de ervas para os filhos dos profetas. "

2 Reis 4:39

" Então um deles saiu ao campo a apanhar ervas, e achou uma parra brava, e colheu dela enchendo a sua capa de colocíntidas; e veio, e as cortou na panela do caldo; porque não as conheciam. "

2 Reis 4:40

" Assim deram de comer para os homens. E sucedeu que, comendo eles daquele caldo, clamaram e disseram: Homem de Deus, há morte na panela. Não puderam comer. "

2 Reis 4:41

" Porém ele disse: Trazei farinha. E deitou-a na panela, e disse: Dai de comer ao povo. E já não havia mal nenhum na panela. "

2 Reis 4:42

" E um homem veio de Baal-Salisa, e trouxe ao homem de Deus pães das primícias, vinte pães de cevada, e espigas verdes na sua palha, e disse: Dá ao povo, para que coma. "

2 Reis 4:43

" Porém seu servo disse: Como hei de pôr isto diante de cem homens? E disse ele: Dá ao povo, para que coma; porque assim diz o Senhor: Comerão, e sobejará. "

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