Versículo em destaque
2 Reis 4:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E uma mulher, das mulheres dos filhos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao SENHOR; e veio o credor, para levar os meus dois filhos para serem servos. "
2 Reis 4:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 E uma mulher, das mulheres dos filhos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao SENHOR; e veio o credor, para levar os meus dois filhos para serem servos.
2 E Eliseu lhe disse: Que te hei de fazer? Dize-me que é o que tens em casa. E ela disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite.
3 Então disse ele: Vai, pede emprestadas, de todos os teus vizinhos, vasilhas vazias, não poucas.
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Os milagres de Eliseu tinham como objetivo socorrer pessoas, não impressioná‑las. O que acontece aqui é um verdadeiro ato de bondade. Do mesmo modo, os milagres de Cristo não foram apenas grandes sinais, mas também grandes misericórdias para aqueles que os receberam. Deus manifesta a sua bondade por meio do seu poder.
Eliseu deu rápida atenção ao clamor de uma pobre viúva. Ela era viúva de um profeta; portanto, a quem mais recorrer senão ao homem que cuidava das famílias dos profetas? Percebe‑se que os profetas tinham esposas, assim como os sacerdotes, embora o ofício profético não fosse transmitido por herança familiar, como o sacerdócio. O casamento é honroso para todos e não entra em conflito com a obra mais santa.
Pela queixa dessa viúva (2 Reis 4:1), aprendemos várias coisas. Seu marido, um dos filhos dos profetas, era bem conhecido por Eliseu. Ministros dotados de grandes dons e posição elevada ainda assim devem conhecer os pobres e humildes e entender a situação deles. Eliseu também sabia que esse homem temia ao Senhor. Era piedoso e se manteve fiel em tempos de rebelião generalizada, um dentre os sete mil que não se dobraram diante de Baal.
Mesmo assim, esse bom homem morreu. Os profetas não vivem para sempre. Aqueles que tinham o dom de profecia continuavam sujeitos à morte. E ele morreu pobre, devendo mais do que possuía. Essa dívida não resultou de vida desregrada, luxo ou extravagância, pois um homem que teme ao Senhor não ousaria viver assim. A própria fé ensina a não viver além dos recursos, nem a gastar mais do que Deus concede, ainda que em coisas lícitas. Caso contrário, chega a hora em que não se pode pagar o que se deve, e a pessoa se torna culpada de um mal contínuo.
Ainda assim, pessoas que temem a Deus podem acabar endividadas por duras providências, perdas em negócios, calotes ou por seu próprio mau juízo, pois o povo de Deus nem sempre é sábio nas questões temporais. É possível até que esse profeta tenha empobrecido por causa de perseguição. No tempo de Jezabel, os profetas mal conseguiam sobreviver, principalmente se tinham família.
Os credores foram duros com a viúva. Ela tinha dois filhos que a sustentavam na viuvez, e o trabalho deles fazia parte de seus recursos. Agora, porém, estavam prestes a ser levados como servos por sete anos (Êxodo 21:2), para quitar a dívida com o serviço. Aqueles que deixam suas famílias com débitos muito acima do que podem pagar não imaginam o tamanho do aperto que transmitem. Nessa aflição, a pobre viúva recorreu a Eliseu, confiando na promessa de que o justo não seria desamparado. Os filhos dos retos podem esperar socorro da providência de Deus e benignidade da parte de seus servos.
Eliseu aliviou completamente a aflição dela e a colocou em condição de pagar a dívida e sustentar a família. Fez mais do que apenas desejar que ela estivesse bem. Deu ajuda concreta. Não colocou em suas mãos uma esmola passageira; antes, providenciou que tivesse azeite para vender e recomeçar. Foi um milagre, mas também um exemplo da melhor forma de caridade. A maior bondade que se pode fazer aos pobres, quando possível, é ajudá‑los a usar o pouco que têm, por meio de seu próprio trabalho e habilidade.
Primeiro, ele refletiu sobre o caso e perguntou o que poderia fazer: “Que te hei de fazer?” Os filhos dos profetas eram pobres, por isso não adiantaria muito organizar uma coleta entre eles. Mas o Deus dos santos profetas podia suprir toda a necessidade daquela viúva. Se ela tivesse ao menos um pouco para administrar, a bênção de Deus poderia fazer esse pouco bastar. Eliseu quis saber o que ela possuía que pudesse ser transformado em recurso e descobriu que havia apenas uma botija de azeite (2 Reis 4:2). Se ela tivesse algum objeto de valor ou mobília, ele certamente lhe diria para vender, a fim de pagar os credores. De fato, não podemos considerar nada como verdadeiramente nosso, nem nos sentir seguros em relação ao que possuímos, enquanto houver dívidas em aberto.
Se ela não tivesse azeite nenhum, Deus poderia igualmente tê‑la suprido. Mas, já que havia aquele pouco, o Senhor decidiu agir por meio dele, ensinando‑nos a fazer o melhor uso do que temos. Eliseu sabia que ela gozava de alguma consideração entre os vizinhos, por isso disse para pedir vasilhas vazias emprestadas (2 Reis 4:3). Ao que tudo indica, ela já tinha vendido o que podia, na tentativa de pagar o débito. O profeta mandou que ela fechasse a porta sobre si e seus filhos, enquanto enchia as vasilhas a partir daquela única botija. A porta seria fechada para que credores e curiosos não interrompessem, e também para não darem a impressão de vanglória diante do milagre. Além disso, lhes proporcionaria sossego para orar e louvar a Deus naquele momento extraordinário.
O azeite foi multiplicado à medida que era derramado, assim como, em outro episódio, a farinha de uma viúva foi multiplicada à medida que era usada. O caminho para aumentar o que temos é usar o que temos. A quem faz bom uso do que lhe foi dado, mais será acrescentado. Talentos não se multiplicam guardando‑os escondidos, mas empregando‑os. E quem tinha de derramar o azeite era a própria viúva, não Eliseu nem um dos profetas. Isso mostra que a bênção de Deus costuma acompanhar nosso empenho cuidadoso e diligente. O que possuímos está mais sujeito a crescer quando está em nossas próprias mãos, sendo devidamente usado.
Ela fez exatamente o que lhe foi ordenado. Não acusou o profeta de zombar dela. Confiando no poder e na bondade de Deus e obedecendo à palavra do profeta, tomou muitas vasilhas grandes emprestadas dos vizinhos e começou a derramar o azeite. Um filho lhe trazia as vasilhas vazias, e o outro retirava as cheias. Devem ter ficado espantados ao ver aquela pequena botija, como uma fonte de água viva, jorrando sem cessar e nunca se esvaziando. Eles não viam a origem do azeite, mas sabiam que vinha daquele em quem estão todas as nossas fontes.
A figura usada por Jó se cumpriu de modo literal: “da rocha me corriam ribeiros de azeite” (Jó 29:6). Talvez isso tenha acontecido na tribo de Aser, pois uma parte da bênção sobre Aser dizia que ele lavaria o pé em azeite (Deuteronômio 33:24).
O azeite continuou a fluir enquanto havia vasilhas vazias para o receber. Assim que todas ficaram cheias, o azeite parou (2 Reis 4:6). Não convinha que um azeite tão precioso se derramasse no chão, de onde não poderia mais ser recolhido. Em Deus não há falta: nem de poder, nem de bondade, nem de riquezas de graça. A limitação está em nós. É a nossa fé que se esgota, não a promessa dele. Ele dá mais do que pedimos. Se houvesse mais recipientes, haveria em Deus o bastante para enchê‑los, o suficiente para todos e suficiente para cada um.
Será que essa “botija de azeite” se esgotaria enquanto ainda houvesse vasilhas a encher? E deveríamos temer que o “ouro do azeite” que flui da própria raiz e plenitude da boa oliveira viesse a acabar enquanto houver lâmpadas a serem alimentadas por ele? (Zacarias 4:12).
Em seguida, o profeta orientou a viúva sobre o que fazer com o azeite (2 Reis 4:7). Ela não devia guardá‑lo para si, apenas para facilitar ou embelezar a sua vida. Aqueles a quem a providência de Deus tornou pobres devem se contentar com o necessário simples para si mesmos. Não devem pensar que, tão logo recebam um pouco mais, já podem gastá‑lo em luxo.
Ela devia vender o azeite a pessoas de recursos, que podiam usá‑lo. Como fora obtido por milagre, podemos supor que fosse da melhor qualidade, assim como o vinho produzido em Caná (João 2:10), de modo que ela teria bom preço e boa procura. É provável que mercadores o comprassem para exportação, já que o azeite era um dos produtos de comércio de Israel (Ezequiel 27:17). Com o dinheiro, deveria pagar a dívida. Embora seus credores a tivessem tratado com dureza, ainda assim não deviam ficar no prejuízo quanto ao que lhes era devido.
O primeiro dever dela, agora que tinha meios, era quitar essa dívida, antes de qualquer outra provisão para os filhos. Um princípio básico de nossa fé é dar a cada um o que lhe é devido e pagar toda dívida justa, mesmo que isso nos deixe com muito pouco. Devemos fazê‑lo não à força, mas de boa vontade, sem ressentimento, não apenas para evitar punição, mas também por causa da consciência. Um coração honesto não consegue desfrutar o pão de cada dia se não for verdadeiramente seu.
O restante não deveria ser guardado como um tesouro. Ela e seus filhos deviam viver disso, não do azeite em si, mas do valor obtido com ele, o que os colocaria em condições de ganhar o próprio sustento de maneira honesta. Sem dúvida, ela agiu exatamente como o homem de Deus lhe dissera.
Disso aprendemos duas coisas. Primeiro, os pobres e aflitos devem ser animados a confiar em Deus para o que lhes é necessário, enquanto o obedecem. De fato, serão alimentados, ainda que não recebam luxo. Não podemos esperar milagres agora, mas podemos esperar misericórdias, se esperarmos em Deus e o buscarmos. As viúvas em especial, e de modo particular as viúvas de servos de Deus, devem depender dele para manter a si e a seus filhos, pois ele será marido para elas e pai para as crianças.
Segundo, aqueles a quem Deus concedeu abundância devem usá‑la para a sua glória e conforme a sua Palavra. Que façam o que é certo com o que possuem, como fez essa viúva, e sirvam a Deus com alegria no uso de seus bens. E, à semelhança de Eliseu, estejam prontos para fazer o bem aos necessitados, sendo olhos para os cegos e pés para os mancos.
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Deste capítulo
2 Reis 4:2
"E Eliseu lhe disse: Que te hei de fazer? Dize-me que é o que tens em casa. E ela disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite."
2 Reis 4:3
"Então disse ele: Vai, pede emprestadas, de todos os teus vizinhos, vasilhas vazias, não poucas."
2 Reis 4:4
"Então entra, e fecha a porta sobre ti, e sobre teus filhos, e deita o azeite em todas aquelas vasilhas, e põe à parte a que estiver cheia."
2 Reis 4:5
"Partiu, pois, dele, e fechou a porta sobre si e sobre seus filhos; e eles lhe traziam as vasilhas, e ela as enchia."
2 Reis 4:6
"E sucedeu que, cheias que foram as vasilhas, disse a seu filho: Traze-me ainda uma vasilha. Porém ele lhe disse: Não há mais vasilha alguma. Então o azeite parou."
2 Reis 4:7
"Então veio ela, e o fez saber ao homem de Deus; e disse ele: Vai, vende o azeite, e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto."
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