2 Reis 1:1
" E depois da morte de Acabe, Moabe se rebelou contra Israel. "
Entenda os temas principais e aplique 2 Reis 1 na sua vida hoje
18 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Acazias, em vez de buscar ao Senhor, decide consultar um deus pagão, como se em Israel faltasse Deus e palavra. Essa atitude é tratada como afronta direta ao Senhor, que responde com juízo e reafirma sua soberania sobre Israel.
Tudo no capítulo converge para a certeza da palavra anunciada por Elias. A repetição exata do oráculo e o cumprimento detalhado da profecia mostram que a palavra do Senhor é firme, mesmo diante da resistência do rei.
O fogo do céu consumindo dois grupos de cinquenta revela o juízo de Deus diante da arrogância e da afronta ao seu profeta. Ao mesmo tempo, o terceiro capitão, que se aproxima com temor e humildade, é preservado, revelando que Deus também responde com graça àqueles que se humilham.
Enquanto Acazias insiste em mandar e ordenar, e os dois primeiros capitães abordam Elias com a autoridade do rei, o terceiro capitão se ajoelha, reconhece o perigo e suplica por sua vida. A mudança de postura ilustra como a humildade abre caminho para a intervenção de Deus.
A morte de Acazias e a ascensão de Jorão mostram que, independentemente da fragilidade humana e da infidelidade dos reis, a história continua sob o controle de Deus. Ele levanta e remove governantes, e nada escapa ao seu registro.
2 Reis 1 se passa logo após a morte de Acabe, rei de Israel, por volta do século 9 a.C. O reino de Israel (reino do Norte) estava politicamente instável e espiritualmente corrompido pela idolatria introduzida e reforçada por Acabe e Jezabel. Moabe, que havia sido subjugado por Davi e ficara sob domínio de Israel, aproveita a transição de poder para se rebelar (v.1), evidenciando a perda de força política do reino de Israel.
Acazias, filho de Acabe, segue os mesmos caminhos de idolatria de seus pais. Ao sofrer um acidente grave em seu palácio em Samaria (v.2), em vez de buscar orientação no Deus de Israel, ele manda emissários à Filístia para consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom. “Baal-Zebube” provavelmente significa “senhor das moscas” e pode ter sido um título depreciativo para a divindade filisteia. Consultar deuses estrangeiros significava não apenas superstição religiosa, mas também uma espécie de aliança espiritual e política com outras nações.
Elias, o profeta que havia confrontado diretamente Acabe e o culto a Baal no Monte Carmelo, continua sendo o porta-voz central do Senhor nesse período. A descrição de Elias como “homem peludo” com cinto de couro (v.8) reforça sua imagem de profeta rude, separado dos luxos da corte, em contraste com a realeza corrompida. A intervenção do “anjo do Senhor” (v.3, 15) mostra a ação direta de Deus no cenário político e religioso de Israel.
O registro final sobre Jorão assumindo o trono (v.17–18) também situa o texto dentro da sincronia entre os reinos do Norte (Israel) e do Sul (Judá), mencionando Jeorão, filho de Jeosafá, rei de Judá. Essa técnica de datar reinados em relação ao outro reino é típica dos livros de Reis e ajuda a construir a cronologia da monarquia dividida.
O capítulo é relativamente curto, mas bem estruturado em cenas que giram em torno da pergunta central: “Porventura não há Deus em Israel?”. Pode ser organizado assim:
Introdução histórica e crise política (v.1)
O acidente de Acazias e sua decisão idólatra (v.2)
Intervenção divina e primeira palavra profética (v.3–4)
Retorno dos mensageiros e reconhecimento de Elias (v.5–8)
Três delegações enviadas contra Elias (v.9–15) a) Primeiro capitão e seus cinquenta (v.9–10)
Segunda confirmação da palavra de juízo a Acazias (v.16)
Cumprimento da profecia e transição de governo (v.17–18)
A narrativa utiliza repetição intencional das palavras do oráculo (v.3–4, 6, 16–17) para enfatizar a confiabilidade da palavra divina. O paralelismo entre os três grupos de cinquenta cria um padrão literário que destaca o contraste entre arrogância e humildade diante de Deus.
2 Reis 1 aborda a fidelidade de Deus, a gravidade da idolatria e a autoridade da palavra profética.
Em primeiro lugar, o capítulo afirma a suficiência de Deus para seu povo. Duas vezes a mensagem profética repete a pergunta: “Porventura não há Deus em Israel?”. A questão não é apenas que os ídolos são falsos, mas que buscar outros deuses é tratar o Deus verdadeiro como se fosse ausente, incapaz ou irrelevante. Teologicamente, isso atinge o coração do primeiro mandamento: nenhum outro deus diante do Senhor.
Em segundo lugar, o texto ressalta a seriedade da idolatria, não apenas como erro religioso, mas como traição à aliança. Ao consultar Baal-Zebube, Acazias age como se a revelação e a orientação do Senhor não fossem suficientes. O resultado é juízo direto sobre a sua vida e sobre seu reinado. A doença e a morte do rei se tornam um sinal teológico: reinos que se afastam do Senhor se fragilizam e perdem estabilidade.
Em terceiro lugar, o capítulo sublinha a autoridade da palavra profética. A mensagem recebida por Elias é repetida três vezes e cumprida literalmente. A figura de Elias, com aparência simples e vida separada da corte, mostra que a autoridade não está na posição social, mas na fidelidade ao Deus que fala. Quando Elias diz: “Se eu sou homem de Deus…”, o fogo do céu confirma publicamente que ele é, de fato, enviado do Senhor.
Além disso, o episódio dos três capitães evidencia a tensão entre juízo e misericórdia. O fogo do céu revela a santidade e o poder de Deus, mas não é uma reação impulsiva: é uma resposta ao desafio e à arrogância com que o rei insiste em dominar o profeta e, por extensão, o próprio Deus. Quando o terceiro capitão se aproxima com temor e humildade, Deus ordena que Elias desça e o acompanhe, sinalizando que a mesma presença que julga também pode preservar vidas diante da humildade sincera.
Por fim, o fechamento do capítulo, com a morte de Acazias e a ascensão de Jorão, insere essa história na teologia de Reis: Deus está acima dos tronos humanos. Ele levanta e derruba reis, registra seus atos e julga seus caminhos. Nenhum poder político, nem idolatria institucionalizada, consegue anular a soberania de Deus ou o cumprimento de sua palavra.
Lido em chave terapêutica, 2 Reis 1 toca temas de confiança, controle, medo e orgulho. Acazias enfrenta uma situação limite: um acidente grave, doença e incerteza quanto ao futuro. Em vez de lidar com sua vulnerabilidade, ele tenta retomar o controle recorrendo a uma fonte de segurança alternativa, ainda que vazia, representada por Baal-Zebube. O texto expõe a tendência humana de, em momentos de crise, buscar soluções rápidas em “outros deuses” simbólicos: poder, manipulação, superstições, dependências ou pessoas idealizadas.
A figura de Elias representa a presença da verdade no meio da crise. Sua mensagem não suaviza os fatos, mas traz clareza: existe um Deus próximo, com palavra suficiente. O confronto (“Porventura não há Deus em Israel?”) aponta para a necessidade de reconhecer onde está, de fato, a fonte de segurança. Em termos emocionais, isso toca na transição entre negar a realidade e começar a encará-la à luz da verdade.
Os três capitães ilustram modos diferentes de se aproximar de situações perigosas e de autoridade: com imposição e arrogância (primeiros dois) ou com reconhecimento de limites e humildade (o terceiro). A postura humilde não elimina o perigo, mas abre espaço para cuidado e preservação. Em processos terapêuticos, reconhecer vulnerabilidades, abandonar discursos de imposição e se aproximar com humildade costuma ser um ponto de virada importante.
O cumprimento inevitável da palavra sobre Acazias também confronta a ilusão de que negar a verdade ou insistir em velhos padrões de fuga mudará o desfecho. Em vez disso, o texto aponta para a importância de encarar a realidade, inclusive a finitude, e reorganizar a vida a partir de uma confiança mais profunda em Deus, e não em apoios frágeis.
O capítulo contém cenas fortes de juízo divino: fogo do céu consumindo grupos de cinquenta soldados e a morte anunciada de um rei enfermo. Para pessoas com histórico de abuso espiritual, medo exacerbado de Deus ou quadros de ansiedade e culpa religiosa, essas imagens podem ser gatilhos.
É importante não ler o texto como licença para justificar violência, desejar mal a outros ou interpretar automaticamente qualquer sofrimento pessoal como castigo direto. A narrativa é um episódio singular na história de Israel, com profeta, rei e contexto específicos, e não um modelo a ser reproduzido em relações humanas.
Outra possível distorção é a leitura de Deus apenas como severo e punitivo. Embora o juízo esteja presente, o texto também mostra preservação e cuidado na resposta ao terceiro capitão que se humilha. Em acompanhamentos pastorais, devocionais ou terapêuticos, é saudável destacar o equilíbrio entre santidade e misericórdia de Deus, evitando usos manipuladores do texto para gerar medo paralisante ou controle.
2 Reis 1 sugere várias aplicações para o cotidiano:
Examinar a quem se recorre primeiro em tempos de crise. Em momentos de doença, medo financeiro, conflitos familiares ou incertezas, as reações espontâneas revelam onde está a confiança. O exemplo de Acazias convida a avaliar se a busca principal é em entretenimento, pessoas idealizadas, controle ou superstições, em vez de buscar sabedoria e direção em Deus e em sua Palavra.
Abandonar substitutos espirituais. Os “Baal-Zebubes” contemporâneos podem assumir a forma de dependências emocionais, vícios, práticas religiosas vazias ou crenças mágicas. O texto incentiva a discernir e substituir esses apoios frágeis por uma fé mais simples e direta no Deus vivo.
Cultivar humildade diante de Deus. O contraste entre os três capitães mostra o valor de se aproximar de Deus e de sua verdade com reverência, não com exigência. Na prática, isso se expressa em reconhecer limites, admitir erros e estar disposto a rever decisões à luz da Escritura.
Levar a sério a palavra de Deus. A repetição e o cumprimento exato da profecia lembram que a Palavra de Deus não é apenas informação, mas fundamento confiável. Isso incentiva a ler, ouvir e obedecer, não apenas acumular conhecimento bíblico sem mudança de postura.
Reconhecer que até líderes são frágeis. Acazias, mesmo sendo rei, é mostrado em sua vulnerabilidade física e espiritual. Isso lembra que ninguém está acima da necessidade de arrependimento, correção e dependência de Deus, seja em família, trabalho, igreja ou sociedade.
Enxergar a vida à luz da finitude. A morte de Acazias reforça que o tempo é limitado. Essa consciência pode levar à priorização do que é essencial: reconciliação, integridade, adoração e decisões alinhadas com a vontade de Deus, em vez de viver guiado apenas por urgências imediatas ou vaidades.
Acazias foi filho de Acabe e Jezabel e reinou sobre o reino do Norte (Israel), com capital em Samaria. Seguiu os caminhos idólatras de seus pais, continuando o culto a Baal e afastando o povo do Senhor. Em 2 Reis 1, ele sofre um acidente, adoece gravemente e, em vez de recorrer a Deus, envia mensageiros para consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom. Sua morte sem deixar herdeiro reforça o julgamento de Deus sobre a dinastia marcada pela idolatria.
Baal-Zebube é apresentado como o deus de Ecrom, uma das cidades filisteias. O nome provavelmente significa “senhor das moscas” e pode refletir um título irônico ou depreciativo dado pelos israelitas a uma divindade estrangeira. Em 2 Reis 1, Acazias tenta obter oráculos e respostas sobre sua doença por meio desse deus, em vez de buscar o Deus de Israel. O texto apresenta essa atitude como grave infidelidade espiritual.
O fogo do céu que consome os dois primeiros grupos de cinquenta é um sinal extraordinário de juízo e confirmação da autoridade de Elias como homem de Deus. Os capitães se aproximam em nome do rei com tom de ordem e afronta, tentando tratar o profeta como um subordinado, mesmo diante da clara oposição de Deus ao comportamento do rei. A resposta com fogo ecoa outros episódios bíblicos em que o fogo manifesta a santidade de Deus. Quando o terceiro capitão vem com humildade e súplica, ele e seus homens são preservados, mostrando que Deus não age de forma arbitrária, mas responde de modo diferente à arrogância e à humildade.
Essa pergunta, repetida nas mensagens de Elias, é o centro teológico do capítulo. Ela denuncia a incoerência de um rei de Israel, povo da aliança, buscar orientação em um deus estrangeiro, como se o Senhor fosse ausente ou incapaz de responder. A pergunta destaca a suficiência de Deus: existe, sim, um Deus vivo em Israel, que fala, dirige e julga. Ignorá-lo para recorrer a outros deuses é tratar o próprio Deus como se não existisse.
O terceiro capitão se diferencia claramente dos dois primeiros. Em vez de se aproximar com voz de comando e autoridade humana, ele sobe, se ajoelha diante de Elias e suplica pela sua vida e pela vida de seus homens. Sua postura revela temor e reconhecimento da realidade espiritual da situação. Deus, então, ordena a Elias que desça com ele e não tema, sinalizando que a humildade e a reverência podem abrir espaço para preservação e graça, mesmo em um contexto de juízo.
A morte de Acazias “conforme a palavra do Senhor, que Elias falara” mostra que a palavra de Deus é confiável e eficaz. Não se trata de uma ameaça vazia nem de uma coincidência, mas de um cumprimento intencional do que foi anunciado. Isso reforça que Deus governa a história, que nenhum rei está acima de sua autoridade e que promessas e advertências divinas devem ser levadas a sério.
2 Reis 1 mostra um cenário duro: um rei ferido, com medo da morte, tomando decisões ruins em meio à dor. Por trás da figura de Acazias, aparece um coração assustado, tentando controlar o que é incontrolável, correndo para qualquer fonte de resposta que pareça rápida. No fundo, há alguém que não sabe como descansar na presença de um Deus que vê e conhece a dor. Nesse capítulo, o contraste entre o caminho de Acazias e o caminho do terceiro capitão é marcante. Acazias tenta manter a postura de comando, mesmo caído em uma cama, e endurece o coração. Já o terceiro capitão se ajoelha, assume o medo, expõe a fragilidade dele e dos seus homens. Em vez de esconder o pavor por trás de ordens, ele admite: a vida deles é preciosa, e eles dependem de misericórdia. A história deixa transparecer que o coração humano pode seguir duas direções quando está acuado: se fechar ainda mais, endurecendo na tentativa de mandar e controlar, ou se abrir com humildade, reconhecendo limites e buscando graça. Deus não se torna menos santo por causa da nossa dor, mas essa mesma santidade que julga também se inclina para quem se rende com sinceridade. O capítulo termina com a morte de Acazias, sem mencionar arrependimento ou mudança. Isso dói, porque lembra que nem toda história humana termina em reconciliação. Ainda assim, a narrativa guarda um fio de esperança: no meio de juízo e falhas, Deus continua presente, falando, intervindo, preservando vidas, como fez com o terceiro capitão e seus cinquenta. Há espaço para um coração quebrantado ser acolhido, mesmo quando o cenário é de crise e severidade.
Em termos exegéticos, 2 Reis 1 funciona como uma ponte entre o final do reinado de Acabe e a continuidade da atuação de Elias no livro de Reis. A menção inicial à rebelião de Moabe situa o texto em um contexto de fragilidade política e cumpre antigas advertências sobre as consequências da infidelidade à aliança. Embora o foco do capítulo seja o episódio de Acazias, a nota sobre Moabe antecipa conflitos que serão detalhados depois. Narrativamente, o autor utiliza a repetição como recurso pedagógico: a fórmula profética “Porventura não há Deus em Israel… portanto, da cama a que subiste não descerás” aparece três vezes (v.3–4, 6, 16), reforçando o ponto teológico central. Cada repetição amplia o alcance da mensagem: primeiro aos mensageiros, depois ao rei por meio do relato deles, e por fim diretamente ao rei na voz de Elias. Isso cria um crescendo de responsabilidade diante da revelação recebida. A descrição de Elias como “homem peludo” com cinto de couro ecoa o padrão de profetas do deserto, afastados da corte. Mais tarde, essa imagem influenciará a representação de João Batista. A associação com o deserto e a simplicidade de vestes contrastam com o luxo da realeza, sublinhando a inversão de valores: a verdadeira autoridade não reside na pompa real, mas na boca que traz a palavra do Senhor. O episódio dos três capitães reforça o conceito de “homem de Deus”. A expressão se repete como título para Elias, e a reação divina por meio do fogo do céu autentica sua condição de representante do Senhor. Os dois primeiros capitães tratam o título “homem de Deus” de forma quase irônica (“Homem de Deus, o rei diz: desce”), como se a ordem do rei pudesse se sobrepor à missão profética. O terceiro, porém, usa o mesmo título com reverência, reconhecendo a autoridade espiritual que acompanha Elias. Teologicamente, o texto se insere no tema maior de Reis: a fidelidade do Senhor em contraste com a infidelidade dos reis de Israel. O fato de Acazias morrer sem herdeiro e de o autor remeter ao “livro das crônicas dos reis de Israel” demonstra o interesse em registrar a história sob dois pontos de vista: o registro oficial dos reis e o registro teológico guiado pelos profetas. O capítulo afirma que, em última análise, é o olhar de Deus, e não apenas os arquivos políticos, que definem o significado de cada reinado.
No campo prático, 2 Reis 1 mostra como decisões tomadas em momentos de pressão revelam o que realmente governa a vida. Acazias sofre um acidente e, em vez de rever seu caminho, repete padrões de sua família: recorre à idolatria, busca respostas rápidas e se apoia em recursos externos ao Deus que conhece a sua história. Esse comportamento tem paralelos claros com escolhas cotidianas em crises: correr para o que oferece sensação imediata de controle, mesmo que seja destrutivo. O capítulo também evidencia como o poder pode distorcer a percepção de realidade. Doentes e vulneráveis, muitos preferem continuar dando ordens como se a autoridade formal resolvesse tudo. Acazias manda chamar Elias com tropas, como se bastasse enquadrar o profeta numa lógica hierárquica. Na prática, isso lembra atitudes em ambientes de trabalho, família ou liderança, em que se tenta calar vozes incômodas ou críticas em vez de escutá-las. A diferença de postura entre os três capitães é um ponto-chave de aplicação: dois repetem o script da imposição (“assim diz o rei: desce, desce depressa”), um escolhe a humildade. Em relacionamentos, conflitos ou decisões difíceis, aproximar-se com exigências quase sempre acirra a tensão. Aproximar-se com respeito, reconhecendo que não se controla tudo, abre portas para soluções melhores e menos danosas. Há também uma lição sobre responsabilidade espiritual em função de influência. Como rei, Acazias não responde apenas por si; sua escolha de recorrer a Baal-Zebube envia uma mensagem ao povo sobre qual voz deve ser consultada. De modo semelhante, pais, líderes, gestores e pessoas em posição de referência ensinam, por suas reações em tempos de crise, o que consideram fonte confiável de direção. Por fim, a transição de reinado lembra que ninguém é insubstituível. Isso relativiza a ansiedade por manter o controle a qualquer custo. Em vez de gastar energia negando limites, o texto incentiva a investir em decisões alinhadas com o que é certo, sabendo que cargos, posições e fases passam, mas o caráter que se constrói nas escolhas permanece como legado.
2 Reis 1 convida a olhar a existência sob uma perspectiva eterna. Um rei, acostumado ao poder e à segurança do palácio, é subitamente confrontado com sua fragilidade física e com a proximidade da morte. Diante dessa realidade, a questão central não é apenas se ele se levantará da cama, mas a quem pertence, de fato, a sua confiança última. A pergunta repetida por Deus por meio de Elias — “Porventura não há Deus em Israel?” — ecoa como um chamado à consciência espiritual. Em termos de eternidade, é uma forma de perguntar se a vida será construída sobre o Deus vivo ou sobre deuses que não podem falar, salvar nem acompanhar para além da morte. Acazias, ao insistir em consultar Baal-Zebube, ilustra um coração que prefere ilusões controláveis a se render a um Deus soberano. O fogo do céu, que aparece como juízo, também aponta para a realidade da santidade divina. Ele lembra que a eternidade não é um prolongamento neutro da existência, mas um encontro com o Deus que é luz, justiça e verdade. Nessa perspectiva, a humildade do terceiro capitão representa, em miniatura, a atitude de quem reconhece a necessidade de misericórdia. Ele se ajoelha, confessa sua vulnerabilidade e suplica por vida. Essa postura antecipa a dinâmica espiritual de quem se volta a Deus em arrependimento e fé. A morte de Acazias, cumprindo a palavra do Senhor, lembra que nenhum poder humano consegue adiar indefinidamente o encontro com a verdade. Todos os tronos, cargos e conquistas se curvam, no fim, diante da soberania de Deus. O capítulo, portanto, convida a reorganizar prioridades à luz da eternidade: não investir a alma em apoios que não atravessam a morte, nem ignorar a voz de Deus enquanto ainda há tempo de resposta. Assim, 2 Reis 1 funciona como um lembrete de que a existência humana é finita, mas não sem direção. Há um Deus que fala, que chama ao retorno, que discerne entre arrogância e humildade e que, em sua santidade, também se mostra disposto a preservar aqueles que se aproximam com coração quebrantado. É nessa tensão entre juízo e misericórdia que se desenha o horizonte espiritual da vida presente e da vida por vir.
" E depois da morte de Acabe, Moabe se rebelou contra Israel. "
" E caiu Acazias pelas grades de um quarto alto, que tinha em Samaria, e adoeceu; e enviou mensageiros, e disse-lhes: Ide, e perguntai a Baal-Zebube, deus de Ecrom, se sararei desta doença. "
" Mas o anjo do Senhor disse a Elias, o tisbita: Levanta-te, sobe para te encontrares com os mensageiros do rei de Samaria, e dize-lhes: Porventura não há Deus em Israel, para irdes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom? "
" E por isso assim diz o Senhor: Da cama, a que subiste, não descerás, mas sem falta morrerás. Então Elias partiu. "
" E os mensageiros voltaram para ele; e ele lhes disse: Que há, que voltastes? "
" E eles lhe disseram: Um homem saiu ao nosso encontro, e nos disse: Ide, voltai para o rei que vos mandou, e dizei-lhe: Assim diz o Senhor: Porventura não há Deus em Israel, para que mandes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom? Portanto da cama, a que subiste, não descerás, mas sem falta morrerás. "
" E ele lhes disse: Qual era a aparência do homem que veio ao vosso encontro e vos falou estas palavras? "
" E eles lhe disseram: Era um homem peludo, e com os lombos cingidos de um cinto de couro. Então disse ele: É Elias, o tisbita. "
" Então o rei lhe enviou um capitão de cinqüenta com seus cinqüenta; e, subindo a ele (porque eis que estava assentado no cume do monte), disse-lhe: Homem de Deus, o rei diz: Desce. "
" Mas Elias respondeu, e disse ao capitão de cinqüenta: Se eu, pois, sou homem de Deus, desça fogo do céu, e te consuma a ti e aos teus cinqüenta. Então fogo desceu do céu, e consumiu a ele e aos seus cinqüenta. "
" E tornou o rei a enviar-lhe outro capitão de cinqüenta, com os seus cinqüenta; ele lhe respondeu, dizendo: Homem de Deus, assim diz o rei: Desce depressa. "
" E respondeu Elias: Se eu sou homem de Deus, desça fogo do céu, e te consuma a ti e aos teus cinqüenta. Então o fogo de Deus desceu do céu, e o consumiu a ele e aos seus cinqüenta. "
" E tornou a enviar um terceiro capitão de cinqüenta, com os seus cinqüenta; então subiu o capitão de cinqüenta e, chegando, pôs-se de joelhos diante de Elias, e suplicou-lhe, dizendo: Homem de Deus, seja, peço-te, preciosa aos teus olhos a minha vida, e a vida destes cinqüenta teus servos. "
" Eis que fogo desceu do céu, e consumiu aqueles dois primeiros capitães de cinqüenta, com os seus cinqüenta; porém, agora seja preciosa aos teus olhos a minha vida. "
2 Reis 1:14 mostra um capitão reconhecendo o poder de Deus e pedindo misericórdia para preservar a própria vida. A lição é que, diante de …
Ler análise completa" Então o anjo do Senhor disse a Elias: Desce com este, não temas. E levantou-se, e desceu com ele ao rei. "
" E disse-lhe: Assim diz o Senhor: Por que enviaste mensageiros a consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom? Porventura é porque não há Deus em Israel, para consultar a sua palavra? Portanto desta cama, a que subiste, não descerás, mas certamente morrerás. "
" Assim, pois, morreu, conforme a palavra do Senhor, que Elias falara; e Jorão começou a reinar no seu lugar no ano segundo de Jeorão, filho de Jeosafá, rei de Judá; porquanto não tinha filho. "
" O mais dos atos de Acazias, tudo quanto fez, porventura não está escrito no livro das crônicas dos reis de Israel? "
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