2 Reis 15 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique 2 Reis 15 na sua vida hoje

38 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é 2 Reis 15?

2 Reis 15 apresenta uma sequência rápida de reinados em Judá e Israel, destacando a estabilidade relativa de Judá em contraste com a instabilidade violenta de Israel. Em Judá, Uzias (Azarias) e depois Jotão fazem o que é reto diante do Senhor, embora mantenham os altos. Em Israel, vários reis sucedem-se por meio de conspirações, assassinatos e alianças políticas, enquanto a Assíria começa a intervir e a tomar territórios, sinalizando o juízo de Deus sobre a persistente idolatria do reino do Norte.

Temas principais em 2 Reis 15

Fidelidade parcial e obediência incompleta (versículos 1-4; 32-35)

Tanto Uzias (Azarias) quanto Jotão são descritos como reis que fizeram o que era reto aos olhos do Senhor, mas não removeram os altos. Essa fidelidade parcial revela um padrão de obediência incompleta: há reverência ao Senhor, mas certas práticas populares de culto sincrético permanecem intocadas.

Versículos-chave: 3, 4, 34, 35

Instabilidade política como fruto do pecado (versículos 8-31)

Em Israel, sucessivas conspirações, assassinatos de reis e reinos curtos mostram um cenário de caos político. A idolatria iniciada por Jeroboão cria uma atmosfera de infidelidade que se reflete na forma de governar e na maneira como o poder é disputado.

Versículos-chave: 9, 10, 14, 25, 30

Juízo progressivo de Deus através de nações estrangeiras (versículos 16-20; 29; 37)

Deus começa a usar potências estrangeiras como instrumento de disciplina. A Assíria entra em cena, recebendo tributo de Menaém e mais tarde tomando cidades e deportando pessoas nos dias de Peca. Em Judá, o envio de inimigos como Rezim e Peca indica que o juízo também se aproxima do reino do Sul.

Versículos-chave: 19, 20, 29, 37

A fidelidade de Deus às suas promessas (versículos 8-12)

A breve nota sobre a palavra do Senhor a Jeú mostra que, apesar do pecado de Israel, Deus cumpre o que prometeu: os descendentes de Jeú se assentarão no trono até a quarta geração. Deus continua fiel à sua palavra, seja em bênção, seja em juízo.

Versículos-chave: 12

Consequências pessoais e nacionais do pecado (versículos 5; 16-20)

Uzias é ferido com lepra e separado do convívio comum, enquanto Menaém comete extrema crueldade contra Tifsa. Ao mesmo tempo, o povo é pesado com tributos para sustentar alianças políticas. O pecado dos líderes traz consequências dolorosas tanto para eles quanto para a nação.

Versículos-chave: 5, 16, 20

Contexto histórico e literario

2 Reis 15 situa-se no período da monarquia dividida, com os reinos de Judá (Sul) e Israel (Norte) seguindo trajetórias diferentes. Judá mantém a dinastia davídica e uma certa continuidade, enquanto Israel vive sucessivas mudanças de dinastia. O capítulo menciona reis de Judá como Uzias (também chamado Azarias) e Jotão, e reis de Israel como Zacarias, Salum, Menaém, Pecaías, Peca e Oséias.

Historicamente, é um período de ascensão da Assíria como potência regional. Pul (provavelmente Tiglate-Pileser III sob outro nome ou título) é mencionado como rei da Assíria que recebe tributo de Menaém. Mais adiante, Tiglate-Pileser é citado pelo nome, tomando cidades estratégicas no norte de Israel e deportando populações inteiras. Isso marca o início do fim para o reino do Norte, que décadas depois seria completamente levado ao exílio.

Em Judá, Uzias reina por longo tempo e fortalece o reino, mas é acometido por lepra, o que o afasta da presença pública, fazendo com que seu filho Jotão assuma funções de governo antes mesmo da sucessão formal. Jotão continua a política de relativa fidelidade ao Senhor, mas sem reforma completa do culto. Em paralelo, Judá começa a sentir a pressão de potências vizinhas, como a Síria e o próprio Israel, sinalizando que o cenário regional está se tornando cada vez mais ameaçador.

Estrutura de 2 Reis 15

O capítulo é construído em forma de crônica real, com entradas curtas sobre cada rei, seguindo um padrão repetitivo típico de 1–2 Reis:

  1. Introdução ao reinado de Azarias (Uzias) em Judá (vv. 1-7)

    • Ano de início em relação ao rei de Israel
    • Idade ao começar a reinar e duração do reinado
    • Avaliação espiritual
    • Nota sobre os altos
    • Juízo de lepra e co-regência de Jotão
    • Referência às crônicas e morte
  2. Série de reis de Israel com foco na instabilidade (vv. 8-31)

    • Zacarias (vv. 8-12): reinado breve e assassinato por Salum; menção ao cumprimento da palavra dada a Jeú
    • Salum (vv. 13-15): reinado de um mês e assassinato por Menaém
    • Menaém (vv. 16-22): violência contra Tifsa, pecado à maneira de Jeroboão, pagamento de tributo à Assíria
    • Pecaías (vv. 23-26): reinado de dois anos e assassinato por Peca
    • Peca (vv. 27-31): reinado de vinte anos, persistência na idolatria, intervenção assíria e perda de territórios, assassinato por Oséias

    Cada rei segue a fórmula: datação, avaliação moral, eventuais acontecimentos marcantes, referência ao livro das crônicas e morte/sucessão.

  3. Reinado de Jotão em Judá (vv. 32-38)

    • Datação em relação a Peca
    • Idade e duração do reinado
    • Avaliação positiva, com ressalva dos altos
    • Obra de construção (porta alta do templo)
    • Início da pressão inimiga (Rezim e Peca)
    • Referência às crônicas, morte e sucessão por Acaz.

A repetição de fórmulas (“fez o que era mau/bom aos olhos do Senhor”, “o mais dos atos... está escrito no livro das crônicas”) cria um ritmo que destaca contrastes: longos reinados estáveis em Judá versus reinos breves, violentos e idólatras em Israel.

Significado teológico

O capítulo reforça o eixo teológico de 1–2 Reis: a avaliação do reinado não é feita apenas por critérios políticos ou militares, mas principalmente pela fidelidade ao Senhor e pela relação com a idolatria.

A fidelidade parcial de Uzias e Jotão mostra que é possível andar de modo geral na direção certa e, ainda assim, conservar áreas de compromisso com práticas contrárias à vontade de Deus. A ausência de reforma total dos altos indica um coração dividido em nível nacional, onde o culto ao Senhor é mesclado com formas sincréticas de adoração.

Em Israel, a repetição da expressão “nunca se apartou dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate” sublinha a importância de decisões históricas que marcam profundamente um povo. O modelo de idolatria inaugurado por Jeroboão torna-se padrão duradouro de infidelidade, mostrando como o pecado estrutural pode perpetuar-se por gerações.

A presença crescente da Assíria revela a soberania de Deus sobre as nações. Ele utiliza impérios pagãos como instrumento de juízo para disciplinar seu povo. O pagamento de tributo, a perda de territórios e as deportações não são apenas fatos geopolíticos, mas manifestação da justiça divina diante da persistência no pecado.

Ao mesmo tempo, a menção ao cumprimento da palavra dada a Jeú recorda que Deus permanece fiel a suas promessas. Sua palavra se cumpre tanto em bênção como em disciplina. O texto convida à percepção de que a história não é aleatória: Deus está conduzindo os acontecimentos com propósito, chamando seu povo à fidelidade integral.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Lido em chave terapêutica, 2 Reis 15 retrata um mundo marcado por instabilidade, traição, violência e sofrimento coletivo. Há relatos de golpes de Estado, assassinatos, brutalidade contra populações vulneráveis e peso econômico sobre o povo. Em meio a essa realidade, surgem também figuras de relativa integridade, como Uzias e Jotão, ainda que imperfeitas.

Esse contraste ajuda a reconhecer que a vida muitas vezes se desenrola em cenários de caos que escapam ao controle individual. Nem sempre o sofrimento é resultado direto de escolhas pessoais; muitas dores nascem de estruturas injustas, lideranças corrompidas e contextos históricos difíceis. Ao mesmo tempo, o texto reafirma que Deus não está ausente: Ele percebe o mal, julga a violência e conduz a história a despeito da maldade humana.

Para a saúde emocional, esta passagem ressoa com sentimentos de insegurança, medo do futuro e cansaço diante de notícias de corrupção e violência. O capítulo oferece um lembrete de que a instabilidade não é novidade e que, mesmo assim, Deus continua fiel e atento. Há espaço para lamentar a maldade e, ao mesmo tempo, encontrar consolo no fato de que a história está nas mãos de um Deus justo, que vê e age no tempo apropriado.

warning Importante: maus usos comuns

O capítulo contém descrições de violência extrema, incluindo assassinatos políticos e crueldade brutal contra mulheres grávidas (v. 16). Esse tipo de conteúdo pode ser altamente perturbador para pessoas que já passaram por experiências traumáticas relacionadas à violência, à guerra, à perda de entes queridos em conflitos ou à violência obstétrica e de gênero.

Além disso, a sucessão de conspirações, traições e mortes pode acionar sentimentos de insegurança profunda, desesperança quanto a autoridades e instituições, ou reações de ansiedade em quem já viveu em contextos de grande instabilidade política ou social.

Pessoas com histórico de trauma complexo, transtorno de estresse pós-traumático, luto recente, experiências de abuso ou medo intenso de violência podem precisar abordar este texto com cuidado, quizá em ambiente seguro de leitura, com acompanhamento pastoral ou terapêutico, e respeitando seus próprios limites emocionais. Em contextos de aconselhamento, é importante validar o impacto dessas cenas e não minimizar a dor que elas podem despertar.

Aplicação prática para hoje

2 Reis 15 oferece lições práticas para a vida pessoal e comunitária:

  1. Importância da integridade, não apenas de resultados A avaliação dos reis não foca apenas em sucesso político, mas na fidelidade a Deus. Na vida diária, metas e conquistas importam, mas o caráter, a honestidade e a coerência de valores são decisivos para a saúde das relações e da sociedade.

  2. Perigo da obediência parcial Uzias e Jotão fizeram o que era reto, mas não removeram os altos. Na prática, isso alerta sobre áreas toleradas de incoerência: hábitos, relacionamentos ou práticas que claramente não se alinham com a vontade de Deus e são mantidos por conveniência ou medo de confronto.

  3. Efeitos coletivos das decisões de liderança Os reis de Israel, ao insistirem na idolatria, conduziram o povo à perda de segurança, opressão econômica e, por fim, à invasão estrangeira. Em qualquer esfera de liderança (família, trabalho, igreja, comunidade), escolhas não afetam apenas quem decide, mas também quem é liderado.

  4. Reconhecimento de que contextos instáveis não anulam a fidelidade Em meio a conspirações e violência, ainda há pessoas que buscam fazer o que é reto. A prática da justiça, da bondade e da fé não depende de circunstâncias ideais; é possível ser luz em ambientes marcados por injustiça.

  5. Consciência de que alianças movidas por medo têm custo alto Menaém compra a segurança do seu trono pagando caro à Assíria e sobrecarregando os poderosos do país. Hoje, alianças motivadas apenas por medo ou conveniência podem gerar dependência, perda de liberdade e peso sobre os outros. Avaliar motivações e consequências antes de firmar acordos é essencial.

  6. Levar a sério os sinais de advertência A perda de territórios para a Assíria e a pressão de inimigos contra Judá são avisos claros de que algo está errado. Na vida pessoal e comunitária, sinais de desgaste, conflito constante e perda de vitalidade podem ser convites a rever caminhos, valores e prioridades.

Perguntas frequentes

Quem é Azarias e por que ele também é chamado de Uzias?

Azarias, citado em 2 Reis 15, é o mesmo rei conhecido em outros textos bíblicos como Uzias (por exemplo, em 2 Crônicas 26 e Isaías 6). A variação de nomes era comum na época, podendo refletir formas diferentes do mesmo nome ou títulos diversos. Ele foi um dos reis mais importantes de Judá, com um longo reinado e significativa prosperidade, mas terminou sua vida leproso por causa de desobediência em assuntos ligados ao culto.

O que significa a expressão ‘pecados de Jeroboão, filho de Nebate’?

Essa expressão se refere principalmente à idolatria institucionalizada por Jeroboão I, primeiro rei do reino do Norte. Ele estabeleceu bezerros de ouro em Betel e Dã, criou um sistema de culto alternativo ao de Jerusalém e introduziu práticas religiosas que misturavam adoração ao Senhor com formas idólatras. Os reis posteriores de Israel, ao manterem esse sistema, são descritos como nunca se apartando dos pecados de Jeroboão.

Por que tantos reis de Israel foram mortos em conspirações?

O reino do Norte não tinha uma dinastia estável como a casa de Davi em Judá. Várias famílias diferentes disputavam o trono, frequentemente por meio de golpes de Estado. A ausência de um padrão de sucessão reconhecido, aliada à idolatria e à falta de compromisso com a aliança com Deus, criou um ambiente propício para traições, assassinatos e reinados curtos. O texto bíblico apresenta essa instabilidade como consequência espiritual e histórica do afastamento de Deus.

Quem eram Pul e Tiglate-Pileser, reis da Assíria?

Pul e Tiglate-Pileser são nomes ligados à monarquia assíria. Pul é frequentemente identificado com Tiglate-Pileser III, possivelmente um outro nome ou título do mesmo rei. Tiglate-Pileser III foi um poderoso monarca assírio que expandiu o império, subjugou vários reinos do Oriente Próximo e iniciou o processo que culminaria na queda de Israel. No capítulo, ele aparece primeiro recebendo tributo de Menaém e depois tomando cidades israelitas e deportando seus habitantes.

Por que Deus permitiu que a Assíria conquistasse partes de Israel?

O texto de 2 Reis interpreta a ação da Assíria como instrumento de juízo divino. Israel persistiu durante gerações na idolatria e na injustiça, apesar das advertências proféticas. A invasão assíria, a cobrança de tributos e a deportação de populações inteiras são apresentados como consequência da infidelidade contínua. Ao mesmo tempo, isso não significa aprovação moral da violência assíria, mas sim que Deus, soberanamente, usa até mesmo nações ímpias para disciplinar seu povo e chamar à conversão.

O que significa Deus ‘enviar’ Rezim e Peca contra Judá?

No versículo 37, afirma-se que o Senhor começou a enviar contra Judá a Rezim, rei da Síria, e a Peca, rei de Israel. Essa linguagem teológica indica que, por trás dos movimentos políticos e militares, Deus está atuando soberanamente. Ao permitir e direcionar esses ataques, Ele está advertindo Judá e mostrando que o reino também não está imune ao juízo, especialmente diante de sua obediência incompleta e da manutenção de práticas contrárias à sua vontade.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Este capítulo descreve um mundo duro, cheio de traições, violência e medo. Há reis assassinados diante do povo, crueldades inimagináveis contra mulheres e crianças, e um clima constante de insegurança. Esse cenário pode tocar memórias de situações em que a vida pareceu fora de controle, em que decisões de pessoas poderosas trouxeram dor para muitos inocentes. No meio desse caos, alguns detalhes revelam um fio de esperança. Uzias e Jotão, mesmo com falhas, procuram fazer o que é reto aos olhos do Senhor. Eles não são perfeitos, mas sua intenção de andar com Deus é reconhecida. Isso mostra que, mesmo em tempos sombrios, Deus enxerga os pequenos sinais de fidelidade, as escolhas sinceras, ainda que imperfeitas. A lepra de Uzias e sua vida em uma casa separada revelam também a dor pessoal de quem sofre consequências duras. Há sofrimento coletivo e individual misturados, e Deus não ignora nenhum dos dois. Ele vê o rei isolado, o povo oprimido por tributos, as vítimas da violência. Nada disso passa despercebido. Ao acompanhar 2 Reis 15, é possível perceber que Deus continua presente mesmo quando tudo parece ruir. Ele não abandona sua história, não desaprende a cuidar, ainda que permita juízos e colheitas amargas. Essa realidade pode trazer consolo a corações cansados: a maldade humana não é o último capítulo. A fidelidade de Deus, silenciosa e firme, atravessa a confusão, acolhe a dor e segue escrevendo um propósito que vai além do caos visível.

Mind
Mind

2 Reis 15 é um capítulo densamente histórico, que conecta dados internos do texto bíblico com o cenário geopolítico do antigo Oriente Próximo. Nele, a narrativa alterna entre Judá e Israel, permitindo comparar trajetórias espirituais e políticas distintas. Em Judá, Azarias/Uzias e Jotão são avaliados de forma positiva, apesar da manutenção dos altos. O autor de Reis, escrevendo à luz da teologia deuteronomista, insiste que a centralização do culto em Jerusalém e a eliminação de práticas sincréticas são critérios fundamentais de fidelidade. A permanência dos altos denuncia uma reforma incompleta, um compromisso que não vai às raízes do problema. Em Israel, a fórmula “nunca se apartou dos pecados de Jeroboão” é repetida em relação a Zacarias, Menaém, Pecaías e Peca. Isso mostra a continuidade de um padrão idolátrico inaugurado em 1 Reis 12, com os bezerros de ouro. Do ponto de vista literário, essa repetição funciona como refrão teológico: independentemente das mudanças de dinastia, o norte mantém a mesma infidelidade básica. A menção a Pul e Tiglate-Pileser é crucial para situar o texto no século VIII a.C., época da ascensão da Assíria. O tributo de mil talentos de prata e a perda de cidades importantes na Galileia e na região de Naftali refletem a pressão crescente desse império sobre pequenos reinos como Israel. O autor, porém, não interpreta isso apenas como política internacional, mas como juízo divino. O modo como cada reinado é apresentado segue um padrão redacional: datação sincronizada entre os dois reinos, idade do rei, avaliação teológica, referências resumidas a feitos políticos ou militares, remissão ao “livro das crônicas” e, por fim, a nota sobre morte e sucessão. Esse esquema evidencia a intenção do autor em fazer da história uma catequese: não se trata apenas de registrar fatos, mas de ensiná-los à luz da aliança com o Senhor. Dessa forma, 2 Reis 15 contribui para a compreensão da queda gradual de Israel e para o desenvolvimento da reflexão bíblica sobre como a idolatria e a injustiça corroem estruturas políticas, conduzindo à desintegração social e à perda da terra prometida.

Life
Life

Na perspectiva do cotidiano, 2 Reis 15 mostra como decisões de líderes moldam a vida de muitos. Reis que insistem na idolatria e em alianças motivadas por medo geram contextos de violência, instabilidade e peso econômico sobre o povo. Quando Menaém paga um tributo pesado ao rei da Assíria e retira o dinheiro dos poderosos de Israel, isso espelha escolhas que privilegiam a manutenção do poder em detrimento do bem comum. Também se percebe o impacto da obediência parcial. Uzias e Jotão andam em boa direção, mas não vão até o fim nas reformas espirituais, mantendo os altos. Isso se parece com situações em que alguém dá passos positivos – melhora em certas áreas, adota práticas mais saudáveis – mas preserva alguns “pontos intocáveis” que seguem minando a saúde das relações, das finanças ou da vida espiritual. A sucessão de conspirações em Israel ensina sobre ambientes onde a confiança se perde. Quando traição e violência se tornam meios comuns para alcançar objetivos, instala-se uma cultura de medo que contamina tudo. Em famílias, empresas ou comunidades, práticas desleais e jogos de poder acabam gerando insegurança, divisão e esgotamento emocional. Por outro lado, Jotão representa um exemplo de alguém que, mesmo em cenário difícil, procura fazer o que é reto e investir naquilo que é essencial: ele edifica a porta alta da casa do Senhor, um ato simbólico de cuidado com o culto e com a identidade espiritual do povo. Aplicado à vida prática, isso lembra a importância de proteger e fortalecer o que é central – valores, convicções, espaços de fé – sobretudo quando o entorno é instável. O capítulo convida a revisar motivações em decisões importantes, o impacto do próprio comportamento sobre outros e a necessidade de ir além de mudanças superficiais. Em uma realidade marcada por incertezas, escolher a integridade, a justiça e a fidelidade a Deus continua sendo um caminho de sabedoria concreta para a vida em sociedade e nas relações diárias.

Soul
Soul

Espiritualmente, 2 Reis 15 retrata um povo vivendo entre dois reinos: de um lado, a vocação de ser nação santa, ligada ao Deus vivo; de outro, uma prática religiosa e política que se afasta progressivamente dessa identidade. A tensão entre fidelidade e infidelidade atravessa o capítulo. Os reis de Judá, Uzias e Jotão, são lembrados por terem feito o que é reto, mas com obediência incompleta. Isso aponta para a necessidade de uma renovação mais profunda do que reformas externas: é preciso um coração totalmente voltado ao Senhor. A persistência dos altos indica que, no nível mais íntimo, havia reservas, espaços não entregues. Em termos espirituais, isso fala de áreas resistentes à entrega total, onde práticas e apegos antigos se mantêm. Já em Israel, a repetição dos “pecados de Jeroboão” mostra como uma escolha espiritual errada no início de uma caminhada pode moldar todo um destino coletivo. A idolatria torna-se estrutura, cultura, tradição. E, com o tempo, abre caminho para que Deus permita a aproximação de impérios como a Assíria, trazendo disciplina severa. O juízo não é apenas castigo, mas um chamado drástico para que o povo entenda a seriedade de se afastar da fonte da vida. A entrada da Assíria na história de Israel e de Judá lembra que a história humana está sob o governo de um Deus soberano. Ele não é indiferente à infidelidade, mas também não abandona seu propósito. Mesmo enquanto o reino do Norte caminha para a queda, a linhagem de Davi continua em Judá, preservando a promessa que, mais adiante, culminaria no Messias. Assim, este capítulo aponta para uma realidade maior: a necessidade de uma restauração definitiva do coração humano, algo que reis falhos não conseguiram realizar plenamente. A instabilidade política e espiritual de 2 Reis 15 prepara o cenário para a esperança de um Rei perfeito, que traria um reino de justiça, paz e fidelidade completa. Nessa perspectiva, a leitura do texto se torna convite à entrega mais profunda a Deus e à busca de uma vida alinhada não apenas com reformas externas, mas com transformação interior duradoura.

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Versículos em 2 Reis 15

2 Reis 15:1

" No ano vinte e sete de Jeroboão, rei de Israel, começou a reinar Azarias, filho de Amazias, rei de Judá. "

2 Reis 15:2

" Tinha dezesseis anos quando começou a reinar, e cinqüenta e dois anos reinou em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Jecolias, de Jerusalém. "

2 Reis 15:4

" Tão-somente os altos não foram tirados; porque o povo ainda sacrificava e queimava incenso nos altos. "

2 Reis 15:5

" E o Senhor feriu o rei, e ficou leproso até ao dia da sua morte; e habitou numa casa separada; porém Jotão, filho do rei, tinha o cargo da casa, julgando o povo da terra. "

2 Reis 15:5 mostra que o rei Uzias sofreu lepra como consequência de sua desobediência, perdendo honra e convivência social, enquanto seu filho assumiu o …

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2 Reis 15:6

" Ora, o mais dos atos de Azarias, e tudo o que fez, porventura não está escrito no livro das crônicas dos reis de Judá? "

2 Reis 15:7

" E Azarias dormiu com seus pais e o sepultaram junto a seus pais, na cidade de Davi; e Jotão, seu filho, reinou em seu lugar. "

2 Reis 15:8

" No ano trinta e oito de Azarias, rei de Judá, reinou Zacarias, filho de Jeroboão, sobre Israel, em Samaria, seis meses. "

2 Reis 15:9

" E fez o que era mau aos olhos do Senhor, como tinham feito seus pais; nunca se apartou dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com que fez pecar a Israel. "

2 Reis 15:12

" Esta foi a palavra do Senhor, que falou a Jeú: Teus filhos, até à quarta geração, se assentarão sobre o trono de Israel. E assim foi. "

2 Reis 15:13

" Salum, filho de Jabes, começou a reinar no ano trinta e nove de Uzias, rei de Judá, e reinou um mês inteiro em Samaria. "

2 Reis 15:14

" Porque Menaém, filho de Gadi, subiu de Tirza, e veio a Samaria; e feriu a Salum, filho de Jabes, em Samaria, e o matou, e reinou em seu lugar. "

2 Reis 15:15

" Ora, o mais dos atos de Salum, e a conspiração que fez, eis que está escrito no livro das crônicas dos reis de Israel. "

2 Reis 15:16

" Então Menaém feriu a Tifsa, e a todos os que nela havia, como também a seus termos desde Tirza, porque não lha tinham aberto; e os feriu, pois, e a todas as mulheres grávidas fendeu pelo meio. "

2 Reis 15:17

" Desde o ano trinta e nove de Azarias, rei de Judá, Menaém, filho de Gadi, começou a reinar sobre Israel, e reinou dez anos em Samaria. "

2 Reis 15:18

" E fez o que era mau aos olhos do Senhor; todos os seus dias não se apartou dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com que fez pecar a Israel. "

2 Reis 15:19

" Então veio Pul, rei da Assíria, contra a terra; e Menaém deu a Pul mil talentos de prata, para que este o ajudasse a firmar o reino na sua mão. "

2 Reis 15:20

" E Menaém tirou este dinheiro de Israel, de todos os poderosos e ricos, para dá-lo ao rei da Assíria, de cada homem cinqüenta siclos de prata; assim voltou o rei da Assíria, e não ficou ali na terra. "

2 Reis 15:21

" Ora, o mais dos atos de Menaém, e tudo quanto fez, porventura não está escrito no livro das crônicas dos reis de Israel? "

2 Reis 15:23

" No ano cinqüenta de Azarias, rei de Judá, começou a reinar Pecaías, filho de Menaém, sobre Israel, em Samaria, e reinou dois anos. "

2 Reis 15:24

" E fez o que era mau aos olhos do Senhor; nunca se apartou dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com que fez pecar a Israel. "

2 Reis 15:25

" E Peca, filho de Remalias, seu capitão, conspirou contra ele, e o feriu em Samaria, no paço da casa do rei, juntamente com Argobe e com Arié, e com ele cinqüenta homens dos filhos dos gileaditas; e o matou, e reinou em seu lugar. "

2 Reis 15:26

" Ora, o mais dos atos de Pecaías, e tudo quanto fez, eis que está escrito no livro das crônicas dos reis de Israel. "

2 Reis 15:27

" No ano cinqüenta e dois de Azarias, rei de Judá, começou a reinar Peca, filho de Remalias, sobre Israel, em Samaria, e reinou vinte anos. "

2 Reis 15:28

" E fez o que era mau aos olhos do Senhor; nunca se apartou dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com que fez pecar a Israel. "

2 Reis 15:29

" Nos dias de Peca, rei de Israel, veio Tiglate-Pileser, rei da Assíria, e tomou a Ijom, a Abel-Bete-Maaca, a Janoa, e a Quedes, a Hazor, a Gileade, e a Galiléia, e a toda a terra de Naftali, e os levou à Assíria. "

2 Reis 15:29 mostra que, por causa da desobediência constante a Deus, parte de Israel perde suas cidades e pessoas são levadas cativas para a …

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2 Reis 15:30

" E Oséias, filho de Elá, conspirou contra Peca, filho de Remalias, e o feriu, e o matou, e reinou em seu lugar, no vigésimo ano de Jotão, filho de Uzias. "

2 Reis 15:31

" Ora, o mais dos atos de Peca, e tudo quanto fez, eis que está escrito no livro das crônicas dos reis de Israel. "

2 Reis 15:32

" No ano segundo de Peca, filho de Remalias, rei de Israel, começou a reinar Jotão, filho de Uzias, rei de Judá. "

2 Reis 15:33

" Tinha vinte e cinco anos de idade quando começou a reinar, e reinou dezesseis anos em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Jerusa, filha de Zadoque. "

2 Reis 15:35

" Tão-somente os altos não foram tirados; porque o povo ainda sacrificava e queimava incenso nos altos. Este edificou a porta alta da casa do Senhor. "

2 Reis 15:36

" Ora, o mais dos atos de Jotão, e tudo quanto fez, porventura não está escrito no livro das crônicas dos reis de Judá? "

2 Reis 15:38

" E Jotão dormiu com seus pais, e foi sepultado junto a seus pais, na cidade de Davi, seu pai; e Acaz, seu filho, reinou em seu lugar. "

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