2 Reis 17:1
" No ano duodécimo de Acaz, rei de Judá, começou a reinar Oséias, filho de Elá, e reinou sobre Israel, em Samaria, nove anos. "
Entenda os temas principais e aplique 2 Reis 17 na sua vida hoje
41 versículos | Almeida Corrigida Fiel
O reinado de Oséias marca a etapa final de Israel como reino independente. Sua submissão à Assíria, seguida de conspiração e prisão, culmina no cerco e na tomada de Samaria. A deportação do povo para diversas regiões assírias concretiza o exílio e o fim político de Israel do Norte.
Mais do que um desastre político, a queda é apresentada como consequência direta do pecado: idolatria aberta e secreta, imitação das nações, rejeição da aliança e dos mandamentos, sacrifício de crianças, práticas ocultistas e endurecimento diante das advertências proféticas.
O texto volta à ruptura com a casa de Davi e destaca Jeroboão como aquele que desviou Israel do Senhor. Os pecados inaugurados por ele tornaram-se padrão para todo o reino do Norte, até seu fim.
Após o exílio, povos de várias nações são trazidos para Samaria. Eles passam a temer de forma parcial o Senhor, enquanto continuam servindo seus próprios deuses. Surge uma religiosidade misturada, que une ritos ao Senhor com prática de idolatria.
Mesmo descrevendo a infidelidade, o texto relembra com clareza os termos da aliança: não temer outros deuses, não se inclinar diante deles, obedecer a lei dada a Jacó (Israel) e confiar somente no Senhor como libertador.
2 Reis 17 situa-se no fim do século VIII a.C., quando o Império Assírio estava em plena expansão. Oséias, último rei de Israel (reino do Norte), começa a reinar no 12º ano de Acaz, rei de Judá, e governa nove anos em Samaria. Politicamente, Israel estava enfraquecido, pressionado entre grandes potências como a Assíria e o Egito. Oséias torna-se vassalo de Salmaneser, rei da Assíria, pagando tributo. Ao tentar uma aliança com Sô, rei do Egito, e suspender o tributo, é acusado de conspiração, preso e sua terra sofre invasão. Samaria é cercada por três anos, até ser tomada, por volta de 722/721 a.C. Os assírios adotavam uma política de deportar populações conquistadas e repovoar as regiões com outros povos, para quebrar resistências nacionais e identidades religiosas. Assim, os israelitas são levados para Hala, Habor (perto do rio Gozã) e cidades dos medos, enquanto gente de Babilônia, Cuta, Ava, Hamate e Sefarvaim é trazida para habitar nas cidades de Samaria. Esse processo dá origem a uma população mista, com práticas religiosas diversas, que mais tarde estará ligada à identidade dos samaritanos do período pós-exílico. Teologicamente, o autor de 2 Reis lê esses eventos históricos à luz da aliança mosaica e das advertências dos profetas: o exílio não é um acaso geopolítico, mas o cumprimento do juízo anunciado por Deus diante da infidelidade prolongada de Israel.
O capítulo combina narrativa histórica com reflexão teológica explicativa:
Introdução ao reinado de Oséias e contexto político (17:1-4)
Cerco, queda de Samaria e exílio para a Assíria (17:5-6)
Interpretação teológica da queda de Israel (17:7-20)
Ênfase no papel de Jeroboão e confirmação do juízo (17:21-23)
Reassentamento assírio e surgimento do sincretismo (17:24-33)
Reafirmação da aliança e condenação do sincretismo (17:34-41)
2 Reis 17 oferece uma das reflexões mais concentradas sobre juízo, aliança e idolatria em toda a narrativa dos Reis. A queda de Samaria é apresentada como o resultado acumulado de gerações de infidelidade à aliança. Não se trata apenas do pecado de um rei, mas de um padrão nacional reforçado por governantes, líderes religiosos e pelo povo em geral.
O texto ressalta o caráter relacional da aliança: Deus é o mesmo que tirou Israel do Egito com braço forte. A infidelidade, portanto, não é apenas quebra de regras, mas rejeição daquele que salvou e firmou um pacto com o povo. As práticas descritas – culto em altos, imagens, sacrifício de filhos, adivinhações – revelam que, quando o povo se afasta do Senhor, acaba adotando valores e rituais das nações ao redor, tornando-se semelhante ao que adora. Essa dinâmica é resumida na expressão: "seguiram a vaidade, e tornaram-se vãos".
Os profetas surgem como expressão da paciência e misericórdia de Deus. Ele advertiu repetidamente, chamando ao arrependimento e à volta aos mandamentos. O juízo não é precipitado, mas a resposta a uma recusa constante em ouvir. Ainda assim, mesmo no meio do julgamento, permanece o chamado ao temor exclusivo do Senhor, lembrando quem ele é e o que fez por seu povo.
O episódio dos novos habitantes de Samaria destaca um tema teológico importante: o sincretismo. Temer a Deus e, ao mesmo tempo, servir a outros deuses é apresentado como algo incompatível com a aliança. A fé verdadeira não se reduz a reconhecer o poder do Senhor, mas envolve exclusividade, obediência e confiança nele somente. O capítulo, portanto, funciona como uma advertência abrangente: a infidelidade contínua à aliança conduz, inevitavelmente, ao afastamento da presença de Deus e às consequências desse distanciamento.
O tom de 2 Reis 17 é de lamento histórico e avaliação honesta das escolhas de um povo ao longo do tempo. Há dor pela perda, reconhecimento do fracasso coletivo e consciência de que certas consequências não são instantâneas, mas se acumulam. Para quem lida com sentimentos de culpa, vergonha ou medo de punição, esse capítulo toca em temas sensíveis, pois fala de juízo, rejeição e expulsão da presença de Deus.
Ao mesmo tempo, o texto mostra um Deus que advertiu repetidamente e que não se agrada da destruição do seu povo. Os muitos apelos ao arrependimento e as lembranças da libertação do Egito revelam um compromisso persistente de Deus com a relação, mesmo diante da infidelidade. Isso pode acolher quem se sente distante, lembrando que o convite à volta foi reiterado muitas vezes.
Em nível emocional, o capítulo também toca no perigo de se acostumar com caminhos errados, a ponto de endurecer o coração e achar normal aquilo que antes era impensável. Esse diagnóstico bíblico pode ajudar a nomear processos internos de autoengano, dependências e padrões destrutivos que vão se enraizando. A insistência do texto no chamado a temer somente ao Senhor oferece um eixo de estabilidade: em meio à confusão, misturas e perdas, existe um centro seguro, que é o próprio Deus.
O capítulo descreve temas potencialmente desencadeadores para algumas pessoas:
Em contextos pastorais ou terapêuticos, é importante:
Leitores com histórico de religiosidade baseada apenas em medo e punição podem precisar de acompanhamento cuidadoso ao trabalhar esse texto, para que a mensagem não reforce distorções sobre o caráter de Deus.
2 Reis 17 aponta caminhos concretos de reflexão para a vida diária:
Cuidado com pequenas concessões: a idolatria de Israel não começou com práticas extremas, mas com ajustes aparentemente menores, como seguir os costumes das nações. Na vida cotidiana, pequenos desvios de valores podem se tornar padrões enraizados ao longo do tempo.
Atenção às influências ao redor: o texto mostra como Israel passou a imitar os povos vizinhos. Na prática, isso convida à vigilância sobre quais vozes, modelos e culturas moldam prioridades, decisões e visão de mundo.
Valor dos avisos e conselhos: Deus enviou profetas "muitas vezes" para advertir. Em nível prático, isso lembra a importância de ouvir correções amorosas, conselhos sábios e chamados ao ajuste de rota, em vez de endurecer o coração.
Risco do sincretismo: os povos em Samaria "temiam ao Senhor, mas também serviam a seus deuses". Na vida diária, isso se reflete quando se tenta conciliar confiança em Deus com dependência absoluta de outros "ídolos" modernos: status, dinheiro, poder, aprovação, superstição. O texto sugere coerência entre fé professada e práticas concretas.
Memória da graça passada: Deus é lembrado como aquele que tirou Israel do Egito. A prática de trazer à memória libertações e cuidados já recebidos fortalece a confiança atual e reduz a atração por alternativas que competem com Deus.
Responsabilidade coletiva: o capítulo fala de um povo inteiro, não apenas de indivíduos. Isso incentiva reflexão sobre como famílias, comunidades de fé e sociedades alimentam ou corrigem padrões injustos, idólatras ou destrutivos.
O autor não quer apenas registrar um fato histórico, mas interpretar o sentido espiritual do que aconteceu. A queda de Samaria poderia ser vista apenas como resultado da força militar assíria e de erros políticos de Oséias. Porém o texto insiste que, por trás disso, há uma longa história de infidelidade à aliança: idolatria, rejeição dos mandamentos, imitação das nações e recusa em ouvir os profetas. Ao detalhar esses pecados, o capítulo mostra que o exílio não foi um acidente, mas o resultado de um processo prolongado de afastamento de Deus, cumprindo advertências já presentes na lei e nas mensagens proféticas.
Após conquistar um território, a Assíria costumava deportar parte da população local e trazer pessoas de outras regiões do império para ocupar a terra. Em 2 Reis 17, o rei da Assíria traz gente de Babilônia, Cuta, Ava, Hamate e Sefarvaim para viver nas cidades de Samaria no lugar dos israelitas exilados. Essa estratégia buscava misturar povos e identidades, reduzindo a chance de rebeliões nacionais. O resultado, porém, foi o surgimento de uma população com práticas religiosas mistas, que passou a temer parcialmente o Senhor, mas manteve seus deuses e costumes anteriores.
A expressão indica uma religiosidade sincrética. Por causa dos leões enviados e da percepção de que não conheciam o "Deus da terra", os novos habitantes de Samaria aceitaram aprender algo sobre o culto ao Senhor, por meio de um sacerdote trazido do exílio. Contudo, não abandonaram seus antigos deuses, mantendo seus ídolos nas casas dos altos e seguindo seus ritos. Assim, havia um reconhecimento externo do Senhor, mas sem exclusividade nem obediência plena à sua lei. O texto apresenta esse tipo de mistura como incompatível com a aliança, que exige temor e serviço somente ao Senhor.
O capítulo destaca que Deus advertiu Israel e Judá "pelo ministério de todos os profetas e de todos os videntes", chamando-os ao arrependimento e à obediência à lei. Os profetas são vistos como porta-vozes da aliança, lembrando o povo das exigências de Deus e das consequências da desobediência. Sua presença mostra a paciência divina: antes do juízo, há muitas oportunidades de retorno. A resistência do povo em ouvir esses mensageiros é um dos elementos centrais para entender por que o juízo finalmente veio.
Em 2 Reis 17, idolatria não é apenas ter imagens físicas, mas trocar a confiança, o temor e a obediência devidos ao Senhor por outros deuses, práticas e valores. Inclui seguir estatutos das nações, construir altos e bosques, adorar o "exército do céu", sacrificar filhos, recorrer à adivinhação e confiar em poderes espirituais alternativos. O texto mostra que a idolatria tem consequências profundas: ela remodela o caráter do povo ("seguiram a vaidade, e tornaram-se vãos"), corrói a aliança com Deus e, no longo prazo, leva a destruição e exílio.
2 Reis 17 traz uma narrativa dura: um povo que, ao longo de gerações, se afasta de Deus e acaba colhendo consequências dolorosas. Há luto pela perda da terra, pelo fim de um reino, pela ruptura de uma história. Em meio a essas linhas, torna-se evidente que Deus não é indiferente; ele fala, adverte, chama, manda profetas, lembra o resgate do Egito. Há um tom de tristeza, como quem relembra tudo o que foi feito por amor e vê a resposta de rejeição. Esse capítulo toca em algo profundo: a dor de relações quebradas. A aliança rompida não é apenas um acordo jurídico; é o vínculo entre um Deus que salvou, cuidou e quis caminhar perto, e um povo que escolheu outros caminhos. Há um eco dessa dor também nas experiências humanas de traição, abandono e afastamento. Ao mesmo tempo, a insistência de Deus em chamar ao arrependimento mostra que seu coração não é apressado em punir. Ele espera, fala de novo, envia mensageiros, relembra quem ele é. Mesmo quando o texto descreve juízo, fica claro que houve muitos alertas antes. Para quem lê com o coração pesado, esse capítulo lembra que Deus não se alegra com a destruição, mas se envolve, chama, insiste em resgatar. A parte final, ao denunciar o sincretismo, mostra como é fácil manter uma aparência de religiosidade – "temer ao Senhor" – e ao mesmo tempo dar o coração a outros deuses. Isso reflete um conflito interno muito comum: dizer que Deus é importante, mas viver dividido em lealdades, medos e dependências. O texto, com sua franqueza, não nega essa tensão, mas a nomeia. E, ao lembrar quem é o Senhor que tirou o povo do Egito, reabre a possibilidade de uma confiança íntegra, em que o coração encontra descanso não em muitos altares, mas em um único Deus fiel.
Do ponto de vista exegético, 2 Reis 17 é um eixo interpretativo para todo o livro de Reis. Ele não apenas relata a queda de Samaria, mas explicita, em linguagem quase de sermão, as razões teológicas por trás do desastre. A estrutura do capítulo intercala narrativa (v.1-6; 24-33) com uma extensa reflexão deuteronomística (v.7-23; 34-41), ecoando temas centrais de Deuteronômio: exclusividade no culto, rejeição da idolatria, bênção e maldição ligadas à obediência ou desobediência. O texto revisita a história desde o êxodo, passando pela ruptura com a casa de Davi (Jeroboão) até chegar ao exílio. Jeroboão é apresentado como figura paradigmática do pecado de Israel: a criação dos bezerros e dos santuários rivais não foi um desvio pontual, mas inaugurou um sistema religioso alternativo, que atravessou gerações. A fórmula "pecados de Jeroboão" reaparece ao longo de Reis e aqui é explicitamente ligada ao juízo final. Há também uma reflexão sobre identidade e estatutos. Israel é acusado de ter seguido os estatutos das nações em vez dos estatutos do Senhor. Isso mostra um conflito de lealdades normativas: que leis, costumes e práticas moldam o povo? Ao mencionar adivinhações, sacrifício de filhos e culto astral, o autor mostra o quanto a adoção dos costumes pagãos distorceu o projeto original da aliança. A seção sobre os novos habitantes de Samaria é antropologicamente interessante. Revela uma concepção antiga de divindade territorial: "o Deus da terra" que precisa ser apaziguado. A resposta assíria – enviar um sacerdote israelita para ensinar o "costume do Deus da terra" – mostra um pragmatismo religioso: é preciso satisfazer todos os deuses locais para garantir segurança. Essa mentalidade contrasta fortemente com a teologia bíblica, que insiste na unicidade e universalidade do Senhor. Por fim, o autor reforça, nos versículos 34-41, uma catequese resumida sobre a aliança: proibições contra outros deuses, lembrança do êxodo, chamada à obediência contínua à lei escrita. A conclusão – de que até os dias do autor ainda se mantinham costumes sincréticos – sugere que a questão não era apenas histórica, mas também atual para a comunidade que recebeu esse texto, provavelmente no contexto exílico ou pós-exílico.
Lendo 2 Reis 17 com foco na vida prática, sobressaem padrões que se repetem em contextos atuais, mesmo que em formas diferentes. Israel, ao longo do tempo, foi ajustando seu comportamento para se parecer mais com as nações ao redor: adotou costumes, crenças e práticas que pareciam vantajosas ou culturalmente aceitáveis, mas que contrariavam a aliança com Deus. Na prática, isso mostra o risco de deixar que a pressão do ambiente dite valores e decisões, em vez de manter convicções bem enraizadas. O capítulo também evidencia como decisões políticas e espirituais se misturam. Oséias procura o Egito e interrompe o tributo à Assíria, tentando uma saída estratégica, mas sem mudança espiritual genuína. Isso revela um princípio prático: soluções apenas externas, sem transformação profunda de coração e valores, podem até parecer inteligentes a curto prazo, mas não sustentam uma vida estável. Outro ponto importante é a maneira como o texto trata os avisos de Deus. Ele envia profetas, repete o chamado, lembra a lei. Isso se assemelha às muitas formas pelas quais, na vida diária, surgem sinais de alerta: conselhos de pessoas sábias, desconforto de consciência, consequências iniciais de escolhas erradas. Ignorar esses sinais, como Israel fez, acaba consolidando padrões que se tornam cada vez mais difíceis de reverter. O episódio do sincretismo em Samaria – temer ao Senhor e servir outros deuses – espelha a tentativa de conciliar prioridades incompatíveis. Em termos práticos, isso aparece quando se tenta manter uma imagem de fé, mas se organiza a vida cotidiana a partir de outros centros: sucesso, dinheiro, controle, prazeres, superstição, poder. O resultado é uma existência fragmentada, na qual o discurso e a prática não se alinham. Por fim, o lembrete constante do êxodo aponta para um princípio de gestão de memória: decisões presentes são influenciadas pela forma como se interpreta o passado. Lembrar com gratidão os atos de cuidado e libertação de Deus fortalece escolhas coerentes; esquecer ou relativizar esses marcos abre espaço para buscar outras seguranças. Assim, o capítulo convida a revisitar a história pessoal e comunitária, identificar de onde Deus já tirou situações difíceis e, a partir daí, orientar as prioridades diárias.
2 Reis 17 olha para a história de Israel como um espelho da jornada espiritual humana. Um povo chamado, libertado do Egito, conduzido por Deus, acaba se afastando gradualmente, até viver como se não pertencesse mais a ele. Esse movimento de afastamento não é brusco; é o resultado de inúmeras pequenas escolhas, de influências aceitas, de advertências ignoradas. A dimensão espiritual do texto reside justamente nesse diagnóstico: o coração humano tende a procurar segurança em outros deuses, sejam eles de pedra ou de ideias, quando esquece quem o libertou. O juízo descrito, com exílio e expulsão da presença de Deus, antecipa temas mais amplos das Escrituras. Afasta-se de Deus quem insiste em seguir caminhos que o negam, e esse afastamento produz vazio, perda de identidade, cativeiro interior. Contudo, o capítulo não apresenta um Deus distante. Ele fala, envia profetas, lembra a lei, reconta o êxodo. O Senhor permanece ativo, chamando à conversão. A longa paciência de Deus ao longo dos anos mostra que a intenção primária não é condenar, mas restaurar a relação. O sincretismo dos habitantes de Samaria é, espiritualmente, muito revelador: temiam ao Senhor, mas também serviam seus deuses. É um retrato de uma fé dividida, na qual Deus é reconhecido, mas não é o centro. Essa duplicidade impede a formação de um coração íntegro. A espiritualidade bíblica, por outro lado, é construída na exclusividade: "ao Senhor vosso Deus temereis". Não se trata de intolerância cega, mas da compreensão de que só um Deus vivo e verdadeiro pode sustentar a existência em profundidade. O apelo à memória do êxodo aponta para um ritmo espiritual fundamental: recordar a salvação passada alimenta a fidelidade presente. Israel é lembrado de que foi tirado do Egito pelo braço estendido de Deus. Essa lembrança deveria moldar sua identidade, suas escolhas, seu culto. Quando essa memória se dilui, outras narrativas de sentido ocupam o lugar, e o coração se fragmenta. Assim, 2 Reis 17, mesmo sendo um capítulo de juízo, traz uma mensagem de formação espiritual: a fidelidade a Deus não é apenas observância externa, mas resposta de um povo que se sabe resgatado. A perda de Samaria é um alerta de longa duração sobre o que acontece quando essa consciência se apaga. Em contraste, a caminhada espiritual saudável se constrói na escuta atenta, na renúncia aos "outros deuses" que disputam o coração e na confiança persistente naquele que liberta e sustenta.
" No ano duodécimo de Acaz, rei de Judá, começou a reinar Oséias, filho de Elá, e reinou sobre Israel, em Samaria, nove anos. "
" E fez o que era mau aos olhos do Senhor, contudo não como os reis de Israel que foram antes dele. "
" Contra ele subiu Salmaneser, rei da Assíria; e Oséias ficou sendo servo dele, e pagava-lhe tributos. "
" Porém o rei da Assíria achou em Oséias conspiração; porque enviara mensageiros a Sô, rei do Egito, e não pagava tributos ao rei da Assíria cada ano, como dantes; então o rei da Assíria o encerrou e aprisionou na casa do cárcere. "
" Porque o rei da Assíria subiu por toda a terra, e veio até Samaria, e a cercou três anos. "
" No ano nono de Oséias, o rei da Assíria tomou a Samaria, e levou Israel cativo para a Assíria; e fê-los habitar em Hala e em Habor junto ao rio de Gozã, e nas cidades dos medos, "
" Porque sucedeu que os filhos de Israel pecaram contra o Senhor seu Deus, que os fizera subir da terra do Egito, de debaixo da mão de Faraó, rei do Egito; e temeram a outros deuses. "
" E andaram nos estatutos das nações que o Senhor lançara fora de diante dos filhos de Israel, e nos dos reis de Israel, que eles fizeram. "
" E os filhos de Israel fizeram secretamente coisas que não eram retas, contra o Senhor seu Deus; e edificaram altos em todas as suas cidades, desde a torre dos atalaias até à cidade fortificada. "
" E levantaram, para si, estátuas e imagens do bosque, em todos os altos outeiros, e debaixo de todas as árvores verdes. "
" E queimaram ali incenso em todos os altos, como as nações, que o Senhor expulsara de diante deles; e fizeram coisas ruins, para provocarem à ira o Senhor. "
" E serviram os ídolos, dos quais o Senhor lhes dissera: Não fareis estas coisas. "
" E o Senhor advertiu a Israel e a Judá, pelo ministério de todos os profetas e de todos os videntes, dizendo: Convertei-vos de vossos maus caminhos, e guardai os meus mandamentos e os meus estatutos, conforme toda a lei que ordenei a vossos pais e que eu vos enviei pelo ministério de meus servos, os profetas. "
" Porém não deram ouvidos; antes endureceram a sua cerviz, como a cerviz de seus pais, que não creram no Senhor seu Deus. "
" E rejeitaram os seus estatutos, e a sua aliança que fizera com seus pais, como também as suas advertências, com que protestara contra eles; e seguiram a vaidade, e tornaram-se vãos; como também seguiram as nações, que estavam ao redor deles, das quais o Senhor lhes tinha ordenado que não as imitassem. "
" E deixaram todos os mandamentos do Senhor seu Deus, e fizeram imagens de fundição, dois bezerros; e fizeram um ídolo do bosque, e adoraram perante todo o exército do céu, e serviram a Baal. "
" Também fizeram passar pelo fogo a seus filhos e suas filhas, e deram-se a adivinhações, e criam em agouros; e venderam-se para fazer o que era mau aos olhos do Senhor, para o provocarem à ira. "
" Portanto o Senhor muito se indignou contra Israel, e os tirou de diante da sua face; nada mais ficou, senão somente a tribo de Judá. "
" Até Judá não guardou os mandamentos do Senhor seu Deus; antes andaram nos estatutos de Israel, que eles fizeram. "
" Por isso o Senhor rejeitou a toda a descendência de Israel, e os oprimiu, e os deu nas mãos dos despojadores, até que os expulsou da sua presença. "
" Porque rasgou a Israel da casa de Davi; e eles fizeram rei a Jeroboão, filho de Nebate. E Jeroboão apartou a Israel de seguir ao Senhor, e os fez cometer um grande pecado. "
" Assim andaram os filhos de Israel em todos os pecados que Jeroboão tinha feito; nunca se apartaram deles; "
" Até que o Senhor tirou a Israel de diante da sua presença, como falara pelo ministério de todos os seus servos, os profetas; assim foi Israel expulso da sua terra à Assíria até ao dia de hoje. "
" E o rei da Assíria trouxe gente de Babilônia, de Cuta, de Ava, de Hamate e Sefarvaim, e a fez habitar nas cidades de Samaria, em lugar dos filhos de Israel; e eles tomaram a Samaria em herança, e habitaram nas suas cidades. "
" E sucedeu que, no princípio da sua habitação ali, não temeram ao Senhor; e o Senhor mandou entre eles, leões, que mataram a alguns deles. "
" Por isso falaram ao rei da Assíria, dizendo: A gente que transportaste e fizeste habitar nas cidades de Samaria, não sabe o costume do Deus da terra; assim mandou leões entre ela, e eis que a matam, porquanto não sabe o culto do Deus da terra. "
" Então o rei da Assíria mandou dizer: Levai ali um dos sacerdotes que transportastes de lá; e vá e habite lá, e ele lhes ensine o costume do Deus da terra. "
" Veio, pois, um dos sacerdotes que transportaram de Samaria, e habitou em Betel, e lhes ensinou como deviam temer ao Senhor. "
" Porém cada nação fez os seus deuses, e os puseram nas casas dos altos que os samaritanos fizeram, cada nação nas cidades, em que habitava. "
" E os de babilônia fizeram Sucote-Benote; e os de Cuta fizeram Nergal; e os de Hamate fizeram Asima. "
" E os aveus fizeram Nibaz e Tartaque; e os sefarvitas queimavam seus filhos no fogo a Adrameleque, e a Anameleque, deuses de Sefarvaim. "
" Também temiam ao Senhor; e dos mais baixos do povo fizeram sacerdotes dos lugares altos, os quais lhes faziam o ministério nas casas dos lugares altos. "
" Assim temiam ao Senhor, mas também serviam a seus deuses, segundo o costume das nações dentre as quais tinham sido transportados. "
" Até ao dia de hoje fazem segundo os primeiros costumes; não temem ao Senhor, nem fazem segundo os seus estatutos, segundo as suas ordenanças, segundo a lei e segundo o mandamento que o Senhor ordenou aos filhos de Jacó, a quem deu o nome de Israel. "
" Contudo o Senhor tinha feito uma aliança com eles, e lhes ordenara, dizendo: Não temereis a outros deuses, nem vos inclinareis diante deles, nem os servireis, nem lhes sacrificareis. "
" Mas o Senhor, que vos fez subir da terra do Egito com grande força e com braço estendido, a este temereis, e a ele vos inclinareis e a ele sacrificareis. "
" E os estatutos, as ordenanças, a lei e o mandamento, que vos escreveu, tereis cuidado de fazer todos os dias; e não temereis a outros deuses. "
" E da aliança que fiz convosco não vos esquecereis; e não temereis a outros deuses. "
" Mas ao Senhor vosso Deus temereis, e ele vos livrará das mãos de todos os vossos inimigos. "
" Porém eles não ouviram; antes fizeram segundo o seu primeiro costume. "
" Assim estas nações temiam ao Senhor e serviam as suas imagens de escultura; também seus filhos, e os filhos de seus filhos, como fizeram seus pais, assim fazem eles até ao dia de hoje. "
Estudo do capítulo por email
Receba Escritura, oração e um próximo passo simples conectado a este capítulo.
Aviso importante: Esta orientação bíblica não substitui cuidados profissionais de saúde mental. Se você estiver com sintomas de crise, ligue para 188 (CVV) no Brasil ou 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediatamente.