2 Reis 10:1
" E Acabe tinha setenta filhos em Samaria. Jeú escreveu cartas, e as enviou a Samaria, aos chefes de Jizreel, aos anciãos e aos aios dos filhos de Acabe, dizendo: "
Entenda os temas principais e aplique 2 Reis 10 na sua vida hoje
36 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Jeú cumpre a palavra anunciada por Elias, exterminando os descendentes de Acabe e todos os seus aliados. O juízo é severo, mas apresentado como fiel cumprimento da promessa de Deus contra uma dinastia marcada por idolatria e injustiça.
Jeú usa de estratégia para reunir todos os servos de Baal, finge grande devoção ao ídolo e, então, ordena sua destruição completa, inclusive do templo e das imagens. O texto destaca a erradicação institucional de Baal do reino de Israel.
Mesmo cumprindo um papel importante no plano de Deus, Jeú não abandona os bezerros de ouro instituídos por Jeroboão e não anda na lei do Senhor com todo o coração. Seu zelo é seletivo, misturado com conveniência política e religiosidade distorcida.
A fidelidade limitada de Jeú resulta em consequências históricas: o Senhor começa a diminuir os limites de Israel, permitindo que Hazael conquiste territórios importantes. A condição espiritual do povo impacta diretamente sua estabilidade nacional.
Do surgimento de Jeú à queda da casa de Acabe e ao enfraquecimento territorial de Israel, tudo é apresentado sob o governo soberano de Deus, que cumpre sua palavra, recompensa parcialmente a obediência e julga a infidelidade contínua.
2 Reis 10 situa-se no período da monarquia dividida, quando Israel (reino do norte) e Judá (reino do sul) coexistem com alianças políticas entre si. A casa de Acabe dominava Israel com forte influência fenícia, marcada por culto a Baal promovido por Jezabel. O profeta Eliseu já havia ungido Jeú como instrumento de juízo contra a dinastia de Acabe e contra Jezabel.
O capítulo descreve a consolidação de Jeú no trono de Israel. Samaria é a capital do reino do norte; Jezreel é uma cidade estratégica onde o palácio de verão de Acabe ficava. "Setenta filhos" de Acabe inclui descendentes diretos e outros membros masculinos do clã real. Chefes, anciãos e aios (tutores) eram a estrutura administrativa e educacional que mantinha essa casa real.
O culto a Baal, instituído e reforçado por Acabe e Jezabel, tinha profetas, sacerdotes e um templo específico, a "casa de Baal" em Samaria. Ao destruí-la, Jeú não apenas mata pessoas, mas desmantela uma instituição religiosa oficial, substituindo o templo por latrinas, um gesto de desprezo público e permanente.
Ao mesmo tempo, Jeú mantém o sistema religioso introduzido por Jeroboão I em Betel e Dã, com bezerros de ouro como alternativa ao templo de Jerusalém. Isso mostra a continuidade da idolatria estatal em Israel, mesmo após a queda de Baal.
Hazael, rei da Síria (Aram), é um inimigo crescente e já havia sido mencionado como instrumento de juízo sobre Israel. As campanhas militares de Hazael enfraquecem Israel e tiram territórios a leste do Jordão (Gileade, Basã), atingindo as tribos de Gade, Rúben e metade de Manassés. Esse recuo territorial reflete a deterioração espiritual e política do reino.
O texto faz referência a um "livro das crônicas de Israel", um registro oficial dos atos dos reis, que não corresponde necessariamente ao livro bíblico de 1 e 2 Crônicas, mas a anais históricos do reino do norte, agora perdidos.
O capítulo apresenta uma narrativa histórica organizada em blocos bem definidos:
Cartas de Jeú e morte dos filhos de Acabe (10:1-11)
Morte dos parentes de Acazias, rei de Judá (10:12-14)
Aliança com Jonadabe, filho de Recabe (10:15-16)
Destruição final da casa de Acabe em Samaria (10:17)
Estratégia e extermínio dos servos de Baal (10:18-28)
Avaliação de Jeú e consequências (10:29-36)
2 Reis 10 levanta questões profundas sobre juízo divino, zelo, obediência e soberania de Deus na história.
O capítulo mostra, primeiro, que Deus leva a sério o pecado institucionalizado. A casa de Acabe, com sua idolatria e injustiça, não fica impune. O cumprimento detalhado da profecia de Elias (v.10) reforça a confiabilidade da palavra do Senhor. O juízo não é arbitrário: é a resposta de um Deus santo que havia advertido muitas vezes antes de agir.
Jeú aparece como instrumento de juízo. Deus pode usar pessoas imperfeitas, ou até moralmente ambíguas, para cumprir seus propósitos (v.10, 17). O fato de Jeú ser usado por Deus não significa que seu caráter seja irrepreensível, nem que todos os seus métodos sejam aprovados. A Bíblia registra a ação histórica sem justificar cada detalhe de sua violência. Ainda assim, a destruição da casa de Acabe e do culto a Baal é interpretada como cumprimento da vontade de Deus.
O episódio do extermínio dos servos de Baal (v.18-28) ilustra o zelo pela pureza do culto. Em Israel, idolatria não era apenas uma questão de preferência religiosa, mas traição à aliança e fonte de corrupção moral e social. A destruição do templo de Baal e a transformação do local em latrinas são uma declaração teológica: o ídolo é exposto como inútil e vergonhoso, sem poder para salvar seus seguidores.
Contudo, o texto enfatiza que zelo parcial não substitui obediência plena. Jeú elimina Baal, mas mantém o sistema dos bezerros de ouro (v.29, 31). Ele rejeita uma idolatria, mas preserva outra, politicamente conveniente, que mantém Israel afastado do templo em Jerusalém. Deus elogia o que foi feito de acordo com sua vontade (v.30), recompensando com quatro gerações no trono, mas também registra a falta de integridade de coração (v.31) e permite o encolhimento do reino (v.32-33). A fidelidade parcial produz bênçãos limitadas e perdas significativas.
Teologicamente, o capítulo mostra a tensão entre graça e juízo. Deus cumpre sua palavra de juízo contra Acabe, mas também mantém uma promessa específica de estabilidade temporária para a casa de Jeú. Essa dinâmica aponta para a complexidade do governo de Deus: Ele é justo, castiga o pecado, usa instrumentos humanos imperfeitos e, ao mesmo tempo, preserva um remanescente e um plano maior que culmina não em Jeú, mas no Messias, que traria um reino de justiça sem a ambiguidade presente aqui.
Por fim, o texto lembra que decisões espirituais moldam a história. A idolatria e a obediência parcial não ficam confinadas ao âmbito privado: resultam em perda de território, guerras e instabilidade nacional. A fidelidade ou infidelidade à aliança com Deus tem impactos concretos na vida coletiva.
O tom de 2 Reis 10 é intenso e pesado, repleto de violência, conspiração, juízo e engano. Em termos emocionais, o capítulo toca em temas como medo, insegurança, sensação de perigo constante e a dureza de viver em um ambiente de instabilidade política e espiritual.
Para quem lê, esse tipo de texto pode despertar desconforto, confusão, repulsa ou até raiva diante da brutalidade e do uso de estratégias enganosas em nome de um propósito considerado "santo". Também pode surgir um sentimento de alívio ao ver o fim de uma dinastia opressora e de um culto idólatra, misturado com angústia pela forma como tudo acontece.
O capítulo abre espaço para reflexão sobre como pessoas imperfeitas e até duras podem ser usadas em processos de mudança, e como a justiça, quando chega tarde e de forma extrema, deixa marcas profundas. Em termos de cuidado emocional, o texto não oferece consolo direto, mas aponta para a realidade de que Deus vê, avalia e age na história, mesmo quando os meios parecem caóticos.
Para pessoas que passaram por ambientes abusivos ou autoritários, essa passagem pode ressoar com experiências de medo e insegurança, mas também com a esperança de que sistemas injustos não são eternos. Ao mesmo tempo, lembra que a mudança de liderança nem sempre resolve o problema de fundo se o coração continuar dividido e o mal apenas mudar de forma.
Como leitura terapêutica, 2 Reis 10 convida a reconhecer a complexidade da realidade humana, a não romantizar líderes "fortes" apenas por sua eficácia e a buscar um Deus que é justo, mas também íntegro e plenamente bom, diferente dos governantes instáveis e violentos aqui retratados.
2 Reis 10 contém conteúdos que podem ser emocionalmente difíceis:
Em contextos de acompanhamento emocional ou espiritual, essa passagem pede cuidado ao ser usada. É recomendável que pessoas sensíveis à violência e ao tema de juízo leiam o texto acompanhadas de explicações, e, se necessário, façam pausas para processar emoções que surgirem.
2 Reis 10, apesar de sua distância histórica, oferece vários princípios práticos:
Deus cumpre sua palavra, para bênção e para juízo
A destruição da casa de Acabe mostra que promessas de Deus não são vazias (v.10). Isso inclui tanto advertências quanto promessas de cuidado. Levar a sério a palavra de Deus significa ajustar a vida a ela, não tratá-la como mera teoria.
Zelo parcial não substitui obediência integral
Jeú foi zeloso em destruir Baal, mas manteve os bezerros de ouro (v.29, 31). É possível ser firme em certas áreas, enquanto se tolera pecado ou idolatria em outras. A vida prática pede coerência: não basta combater visivelmente o mal se, em outra esfera, se alimenta práticas contrárias à vontade de Deus.
Liderança sem integridade produz consequências duradouras
Jeú é eficiente, mas não inteiro de coração. Seu governo resulta em perda territorial e enfraquecimento (v.32-33). Na família, no trabalho ou na igreja, habilidades e resultados não compensam falta de caráter. Decisões tomadas sem coração totalmente voltado a Deus podem gerar ganhos imediatos, mas perdas profundas a longo prazo.
Cuidado com a ideia de que “os fins justificam os meios”
Jeú usa engano e violência massiva para atingir um objetivo que, em parte, era justo. O texto não apresenta isso como um padrão a ser imitado em contextos comuns. Na prática diária, a busca de metas aparentemente corretas nunca autoriza a violação de princípios éticos claros.
Sistemas de idolatria podem mudar de forma, mas continuar ativos
Ao destruir Baal, mas manter os bezerros de ouro, Jeú ilustra como um problema espiritual pode apenas ser substituído por outro (v.28-29). No cotidiano, isso pode aparecer quando alguém abandona um vício, mas o substitui por outro, ou troca um tipo de dependência por outra. A verdadeira transformação exige ir à raiz, não apenas trocar de ídolo.
A condição espiritual impacta a realidade coletiva
A perda de territórios para Hazael mostra que afastamento de Deus tem efeitos práticos na história (v.32-33). De forma análoga, valores espirituais e morais influenciam famílias, comunidades e nações. Buscar a Deus com sinceridade contribui para ambientes mais justos, estáveis e saudáveis.
Esses princípios incentivam uma vida de integridade, exame de motivações e rejeição de qualquer forma de idolatria, visível ou sutil.
O texto apresenta Jeú como instrumento de juízo contra a casa de Acabe e o culto a Baal, conforme profecias prévias (v.10, 17). A violência extrema reflete tanto a seriedade do pecado de Acabe e Jezabel quanto a dureza do contexto histórico em que viviam, marcado por guerras e disputas sangrentas de poder. A Bíblia relata os fatos e interpreta o resultado geral como cumprimento da palavra do Senhor, mas isso não significa que todas as ações e métodos de Jeú sejam um modelo moral a ser imitado. Ele é usado por Deus, mas permanece um rei com coração dividido (v.31), e sua história aponta para a necessidade de um Rei perfeito, que exerça juízo e justiça sem a ambiguidade vista aqui.
Os bezerros de ouro foram introduzidos por Jeroboão I, o primeiro rei de Israel (reino do norte), logo após a divisão do reino. Ele temia que o povo voltasse a Jerusalém para adorar, fortalecendo o vínculo com Judá. Por isso, criou centros alternativos de culto em Betel (sul do reino) e Dã (norte), com imagens de bezerros, dizendo que representavam o Deus que tirou Israel do Egito. Na prática, isso se tornou idolatria e afastou o povo da forma de adoração estabelecida por Deus. Jeú, mesmo destruindo Baal, manteve esses bezerros (v.29), o que o texto aponta como continuação do pecado de Jeroboão.
Jonadabe, filho de Recabe, era líder de um grupo conhecido como recabitas, que, mais tarde, em Jeremias 35, aparecem como exemplo de fidelidade a um estilo de vida simples, sem vínculos com práticas idólatras urbanas. Em 2 Reis 10:15-16, Jonadabe encontra Jeú e confirma que está alinhado com ele naquele momento de juízo contra a idolatria. Jeú o convida a subir em seu carro para testemunhar seu zelo pelo Senhor. A presença de Jonadabe reforça que, no meio da idolatria generalizada, havia grupos comprometidos com uma devoção mais pura ao Senhor, ainda que o próprio Jeú não fosse plenamente íntegro.
Jeú recebe uma avaliação mista. Por um lado, Deus reconhece que ele fez "o que é reto" aos olhos do Senhor no que diz respeito à casa de Acabe (v.30) e à destruição de Baal (v.28). Por outro lado, o texto destaca que ele não andou na lei do Senhor com todo o coração e não abandonou os pecados de Jeroboão (v.31). Ou seja, houve obediência em alguns pontos e persistência no pecado em outros. A avaliação negativa não nega o bem que ele fez, mas lembra que, diante de Deus, zelo parcial não substitui um coração totalmente voltado para Ele.
A expressão em 2 Reis 10:32 indica que, a partir do reinado de Jeú, Israel começou a perder território para seus inimigos, especialmente para Hazael, rei da Síria. As fronteiras, antes mais amplas, foram sendo encolhidas. O texto interpreta isso como ação do Senhor, ou seja, Deus permitiu que o reino fosse enfraquecido por causa da infidelidade contínua, mesmo após a queda da casa de Acabe e a destruição de Baal. A condição espiritual do povo e dos líderes se refletiu em vulnerabilidade política e militar.
2 Reis 10 mostra um tempo de extrema dureza, em que a violência parece não ter fim e a vida humana é tratada como algo descartável. Ao acompanhar a narrativa, é fácil sentir um peso no peito: setenta filhos de Acabe mortos, quarenta e dois parentes de Acazias executados, uma multidão de servos de Baal exterminada. Tudo parece duro demais, rápido demais, frio demais. Esse capítulo retrata um mundo onde o medo governa decisões. Os líderes de Samaria não resistem a Jeú porque estão apavorados (v.4-5). Os irmãos de Acazias se aproximam com boas intenções, e encontram morte (v.13-14). Até quem está do lado certo, como Jonadabe, entra no carro de um homem movido por um zelo misturado com ambição e dureza (v.15-16). Há um clima de tensão constante, como se ninguém estivesse completamente seguro. No meio dessa realidade pesada, o texto deixa claro que Deus não é indiferente ao mal. A casa de Acabe, que durante anos havia semeado idolatria e injustiça, finalmente colhe o que plantou (v.10-11, 17). Mas o modo como tudo acontece deixa um gosto amargo, revelando o quanto a humanidade é limitada para fazer justiça sem ferir e se ferir profundamente. O coração sensível encontra consolo não no estilo de liderança de Jeú, mas no fato de que Deus enxerga mais longe do que os olhos humanos. A história registra a complexidade desse tempo sem tentar embelezá-la. Isso abre espaço para reconhecer que a Bíblia não esconde a feiura do mundo, nem as ambiguidades de quem é levantado para corrigir problemas graves. Esse capítulo também expõe a dor de perceber que mudanças externas nem sempre curam a raiz do problema. Baal é destruído (v.28), mas os bezerros de ouro permanecem (v.29). A idolatria muda de forma, mas o coração continua dividido. Para quem sofre com ciclos repetidos de dor na família, na comunidade ou até na própria história pessoal, essa imagem é muito real: as coisas se transformam por fora, mas algo mais fundo ainda precisa ser restaurado. 2 Reis 10, lido com cuidado, pode fortalecer corações cansados ao mostrar que Deus conhece cada camada dessa confusão. Ele vê o mal, julga com seriedade, mas não se confunde com a dureza humana. Ao olhar para esse cenário violento, é possível desejar e esperar com mais intensidade por um Rei diferente, plenamente justo e manso, que cuide de corações feridos sem reproduzir a lógica da violência que marca este capítulo.
Do ponto de vista exegético, 2 Reis 10 é um texto-chave para entender a transição da dinastia de Omri/Acabe para a de Jeú e a reconfiguração religiosa em Israel. A narrativa deve ser lida em continuidade com 2 Reis 9 e com as profecias de Elias contra Acabe (1 Reis 21), bem como com a unção de Jeú por intermédio de um discípulo de Eliseu (2 Reis 9:1-13). O primeiro bloco (v.1-11) mostra Jeú usando correspondência formal como ferramenta política para desestabilizar qualquer resistência em Samaria. O desafio inicial — "olhai pelo melhor e mais reto dos filhos de vosso senhor" (v.3) — é quase uma provocação. Diante do medo, os líderes decidem se submeter. A segunda carta (v.6) torna esses líderes cúmplices no derramamento de sangue. O discurso de Jeú em Jezreel (v.9-10) busca legitimar seus atos como cumprimento da palavra do Senhor, deslocando parte da culpa para os anciãos e reforçando seu papel como agente do juízo divino. A morte dos irmãos de Acazias (v.12-14) amplia o alcance do juízo divino para além de Israel, tocando Judá, por causa das conexões familiares e políticas entre as duas casas reais. Isso está em linha com a crítica bíblica à aliança de Judá com a casa de Acabe. O encontro com Jonadabe, filho de Recabe (v.15-16), é teologicamente significativo. Jonadabe representa um grupo que, posteriormente, será elogiado por sua obediência às tradições de seu antepassado (Jeremias 35). Sua associação com Jeú funciona como um tipo de validação moral e espiritual da campanha contra a idolatria, ainda que o narrador, mais tarde, deixe claro que o coração de Jeú não era plenamente íntegro. A destruição dos remanescentes de Acabe em Samaria (v.17) completa o cumprimento da profecia. Aqui, a fórmula "conforme a palavra que o Senhor dissera a Elias" sublinha a centralidade da palavra profética na interpretação dos eventos históricos. A seção sobre o extermínio dos servos de Baal (v.18-28) tem nuances literárias importantes. Jeú declara que servirá mais a Baal do que Acabe (v.18), o que é explicitamente identificado como astúcia (v.19). Essa ironia dramática prepara a armadilha. A distinção entre servos do Senhor e servos de Baal (v.23) é teologicamente crucial: o narrador quer deixar claro que a operação mirava especificamente o culto idólatra, não os adoradores legítimos do Senhor. A destruição do templo de Baal e sua transformação em latrinas (v.27) é um gesto simbólico forte, uma espécie de "anti-consagração" do local. Os versículos 29-31 formam o núcleo teológico da avaliação de Jeú. Ele é elogiado por destruir Baal, mas criticado por manter os bezerros de ouro de Jeroboão. Essa distinção mostra que o autor de Reis faz uma hierarquia de pecados, reconhece avanços parciais, porém recusa-se a ver isso como plena fidelidade. A menção de que Jeú não andou com "todo o seu coração" na lei do Senhor ecoa a linguagem de Deuteronômio, reforçando o critério de avaliação dos reis. Finalmente, os versículos 32-36 conectam a situação espiritual à geopolítica. A ação de Hazael e a perda de territórios (Gileade, Basã) podem ter causas históricas "naturais", mas o texto as interpreta teologicamente como início do processo de diminuição de Israel por parte do Senhor. O fechamento com referência às "crônicas de Israel" insere o relato bíblico no gênero dos anais reais, mas com leitura teológica própria. Em suma, 2 Reis 10 combina relato político-militar com avaliação teológica criteriosa. O narrador reconhece Jeú como instrumento de juízo e agente de reforma parcial, mas enfatiza que a verdadeira fidelidade exige mais do que eliminar um culto: requer abandonar todos os sistemas alternativos ao Senhor, incluindo aqueles legitimados pela tradição política de Israel.
" E Acabe tinha setenta filhos em Samaria. Jeú escreveu cartas, e as enviou a Samaria, aos chefes de Jizreel, aos anciãos e aos aios dos filhos de Acabe, dizendo: "
" Logo, em chegando a vós esta carta, pois estão convosco os filhos de vosso senhor, como também os carros, os cavalos, a cidade fortalecida e as armas, "
" Olhai pelo melhor e mais reto dos filhos de vosso senhor, o qual ponde sobre o trono de seu pai, e pelejai pela casa de vosso senhor. "
" Porém eles temeram muitíssimo, e disseram: Eis que dois reis não puderam resistir a ele; como, pois, poderemos nós resistir-lhe? "
" Então o que tinha cargo da casa, e o que tinha cargo da cidade, os anciãos e os aios mandaram dizer a Jeú: Teus servos somos, e tudo quanto nos disseres faremos; a ninguém constituiremos rei; faze o que parecer bom aos teus olhos. "
" Então segunda vez lhes escreveu outra carta, dizendo: Se fordes meus, e ouvirdes a minha voz, tomai as cabeças dos homens, filhos de vosso senhor, e vinde a mim amanhã, a este tempo, a Jizreel (os filhos do rei, setenta homens, estavam com os grandes da cidade, que os mantinham). "
" Sucedeu que, chegada a eles a carta, tomaram os filhos do rei, e os mataram, setenta homens e puseram as suas cabeças nuns cestos, e lhas mandaram a Jizreel. "
" E um mensageiro veio, e lhe anunciou dizendo: Trouxeram as cabeças dos filhos do rei. E ele disse: Ponde-as em dois montões à entrada da porta, até amanhã. "
" E sucedeu que, pela manhã, saindo ele, parou, e disse a todo o povo: Vós sois justos; eis que eu conspirei contra o meu senhor, e o matei; mas quem feriu a todos estes? "
" Sabei, pois, agora que, da palavra do Senhor que o Senhor falou contra a casa de Acabe, nada cairá em terra, porque o Senhor tem feito o que falou pelo ministério de seu servo Elias. "
" Também Jeú feriu a todos os restantes da casa de Acabe em Jizreel, como também a todos os seus grandes, os seus conhecidos e seus sacerdotes, até não deixar nenhum restante. "
" Então se levantou e partiu, e foi a Samaria. E, estando no caminho, em Bete-Equede dos pastores, "
" Jeú achou os irmãos de Acazias, rei de Judá, e disse: Quem sois vós? E eles disseram: Os irmãos de Acazias somos; e descemos a saudar os filhos do rei e os filhos da rainha. "
" Então disse ele: Apanhai-os vivos. E eles os apanharam vivos, e os mataram junto ao poço de Bete-Equede, quarenta e dois homens; e a nenhum deles deixou ficar. "
" E, partindo dali, encontrou a Jonadabe, filho de Recabe, que lhe vinha ao encontro, o qual saudou e lhe disse: Reto é o teu coração para comigo, como o meu o é para contigo? E disse Jonadabe: É. Então, se é, dá-me a mão. E deu-lhe a mão, e Jeú fê-lo subir consigo ao carro. "
" E disse: Vai comigo, e verás o meu zelo para com o Senhor. E o puseram no seu carro. "
" E, chegando a Samaria, feriu a todos os que ficaram de Acabe em Samaria, até que os destruiu, conforme a palavra que o Senhor dissera a Elias. "
" E ajuntou Jeú a todo o povo, e disse-lhe: Pouco serviu Acabe a Baal; Jeú, porém, muito o servirá. "
" Por isso chamai-me agora todos os profetas de Baal, todos os seus servos e todos os seus sacerdotes; não falte nenhum, porque tenho um grande sacrifício a Baal; todo aquele que faltar não viverá. Porém Jeú fazia isto com astúcia, para destruir os servos de Baal. "
" Disse mais Jeú: Consagrai a Baal uma assembléia solene. E a apregoaram. "
" Também Jeú enviou por todo o Israel; e vieram todos os servos de Baal, e nenhum homem deles ficou que não viesse; e entraram na casa de Baal, e encheu-se a casa de Baal, de um lado ao outro. "
" Então disse ao que tinha cargo das vestimentas: Tira as vestimentas para todos os servos de Baal. E ele lhes tirou para fora as vestimentas. "
" E entrou Jeú com Jonadabe, filho de Recabe, na casa de Baal, e disse aos servos de Baal: Examinai, e vede bem, que porventura nenhum dos servos do Senhor aqui haja convosco, senão somente os servos de Baal. "
" E, entrando eles a fazerem sacrifícios e holocaustos, Jeú preparou da parte de fora oitenta homens, e disse-lhes: Se escapar algum dos homens que eu entregar em vossas mãos, a vossa vida será pela vida dele. "
" E sucedeu que, acabando de fazer o holocausto, disse Jeú aos da sua guarda e aos capitães: Entrai, feri-os, não escape nenhum. E os feriram ao fio da espada; e os da guarda e os capitães os lançaram fora, e entraram no mais interior da casa de Baal. "
" E tiraram as estátuas da casa de Baal, e as queimaram. "
" Também quebraram a estátua de Baal; e derrubaram a casa de Baal, e fizeram dela latrinas, até ao dia de hoje. "
" E assim Jeú destruiu a Baal de Israel. "
" Porém não se apartou Jeú de seguir os pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com que fez pecar a Israel, a saber: dos bezerros de ouro, que estavam em Betel e em Dã. "
" Por isso disse o Senhor a Jeú: Porquanto bem agiste em fazer o que é reto aos meus olhos e, conforme tudo quanto eu tinha no meu coração, fizeste à casa de Acabe, teus filhos, até à quarta geração, se assentarão no trono de Israel. "
" Mas Jeú não teve cuidado de andar com todo o seu coração na lei do Senhor Deus de Israel, nem se apartou dos pecados de Jeroboão, com que fez pecar a Israel. "
" Naqueles dias começou o Senhor a diminuir os termos de Israel; porque Hazael os feriu em todas as fronteiras de Israel. "
" Desde o Jordão até ao nascente do sol, a toda a terra de Gileade; os gaditas, os rubenitas e os manassitas, desde Aroer, que está junto ao ribeiro de Arnom, a saber, Gileade e Basã. "
" Ora o mais dos atos de Jeú, tudo quanto fez e todo o seu poder, porventura não está escrito no livro das crônicas de Israel? "
" E Jeú dormiu com seus pais, e o sepultaram em Samaria; e Jeoacaz, seu filho, reinou em seu lugar. "
" E os dias que Jeú reinou sobre Israel, em Samaria, foram vinte e oito anos. "
Estudo do capítulo por email
Receba Escritura, oração e um próximo passo simples conectado a este capítulo.
Aviso importante: Esta orientação bíblica não substitui cuidados profissionais de saúde mental. Se você estiver com sintomas de crise, ligue para 188 (CVV) no Brasil ou 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediatamente.