2 Reis 11 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique 2 Reis 11 na sua vida hoje

21 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é 2 Reis 11?

2 Reis 11 descreve o período sombrio do governo de Atalia em Judá, após ela tentar exterminar toda a descendência real de Davi. Joás, ainda bebê, é salvo e escondido no templo por seis anos. No sétimo ano, o sacerdote Joiada organiza cuidadosamente um levante, apresenta o herdeiro legítimo, unge Joás como rei e restaura a aliança com o Senhor. A destruição do culto a Baal, a morte de Atalia e a coroação de um rei menino marcam o recomeço espiritual e político do reino de Judá.

Temas principais em 2 Reis 11

Preservação da linhagem davídica (versículos 1-3, 12, 21)

Apesar da tentativa violenta de Atalia de eliminar todos os herdeiros, Deus preserva a promessa feita a Davi por meio do livramento de Joás. Mesmo em meio à apostasia e à usurpação, a linhagem escolhida por Deus é mantida.

Versículos-chave: 1, 2, 3, 12, 21

Coragem silenciosa e fidelidade escondida (versículos 2-4, 9-12)

Jeoseba e Joiada agem com coragem e discrição: salvam Joás, o escondem no templo e preparam, com paciência, o momento certo para a restauração. A obra de Deus é muitas vezes sustentada por pessoas fiéis que atuam longe dos holofotes.

Versículos-chave: 2, 3, 4, 11, 12

Restauração da verdadeira adoração (versículos 17-18)

Com a coroação de Joás, Joiada renova a aliança entre o Senhor, o rei e o povo, e o culto a Baal é destruído. A restauração política vem acompanhada de restauração espiritual.

Versículos-chave: 17, 18

Queda da usurpadora e justiça de Deus (versículos 13-16, 20)

Atalia, que tomou o trono por meio de violência e idolatria, é deposta e executada. A falsa autoridade é desmascarada, e a justiça de Deus se manifesta, trazendo paz à cidade.

Versículos-chave: 13, 14, 15, 16, 20

Aliança, liderança espiritual e governo (versículos 4-5, 10-11, 17-19)

Joiada assume um papel central, não apenas na conspiração para coroar Joás, mas também ao estabelecer a aliança e reorganizar o culto. O texto mostra a importância de líderes espirituais fiéis na condução do povo e dos governantes.

Versículos-chave: 4, 5, 10, 11, 17, 19

Contexto histórico e literario

O capítulo se passa no reino de Judá, após a morte do rei Acazias. Atalia, mãe de Acazias, era filha de Acabe e Jezabel, trazendo consigo a influência de Israel do Norte e do culto a Baal. Com a morte de seu filho, ela tenta consolidar o poder eliminando toda a descendência real de Davi (v.1). Esse ato não é apenas um golpe político, mas um ataque direto à promessa divina feita à casa de Davi.

Joás é salvo por Jeoseba, filha do rei Jorão e irmã de Acazias, e é escondido no templo sob a proteção do sacerdote Joiada (v.2-3). Esse período coincide com anos de apostasia em Judá, em que a influência do culto a Baal se faz presente, provavelmente introduzida pela própria Atalia, seguindo o padrão da família de Acabe em Israel.

A estratégia de Joiada no sétimo ano (v.4-9) envolve os "centuriões", oficiais militares responsáveis por tropas, e a guarda do palácio. Havia um sistema de turnos semanais (os que entram e os que saem no sábado), o que permite a Joiada montar um esquema de proteção sem levantar suspeitas. Os utensílios de Davi (lanças e escudos, v.10) guardados no templo ligam simbolicamente Joás à dinastia davídica.

A coroação de Joás ocorre no templo, junto à coluna real (v.14), provavelmente um local tradicional para apresentações oficiais do rei. Após a morte de Atalia fora do templo (v.15-16), a aliança tripla entre o Senhor, o rei e o povo (v.17) marca um retorno à identidade de Judá como "povo do Senhor". A destruição da casa de Baal e de seu sacerdote Matã (v.18) reflete o padrão de reformas religiosas que se repetirá em outros reinados. Joás tinha apenas sete anos quando começou a reinar (v.21), o que reforça a importância do sacerdócio e da liderança de Joiada na fase inicial de seu governo.

Estrutura de 2 Reis 11

2 Reis 11 apresenta uma narrativa coesa, organizada em cenas bem definidas, com forte contraste entre trevas e luz, usurpação e restauração:

  1. Golpe de Atalia e preservação de Joás (v.1-3): Abertura dramática com a violência de Atalia, seguida imediatamente pelo contra-movimento discreto de Jeoseba, que salva Joás e o esconde no templo por seis anos.

  2. Conspiração sagrada de Joiada (v.4-8): Descrição detalhada do plano estratégico de Joiada, incluindo aliança, juramento, divisão de tropas em três grupos e orientação específica de proteção ao rei menino.

  3. Execução do plano e armamento com símbolos davídicos (v.9-11): Os oficiais obedecem, recebem as armas que foram de Davi e formam um círculo de proteção em torno do rei, criando a cena solene para a coroação.

  4. Unção de Joás e aclamação popular (v.12): Momento culminante com a aparição pública do herdeiro, a coroação, a entrega do "testemunho" (provavelmente a lei) e o clamor "Viva o rei!".

  5. Reação e queda de Atalia (v.13-16): Atalia ouve o alvoroço, chega ao templo, vê a cena, denuncia "traição", mas é rapidamente removida por ordem de Joiada e executada fora do templo.

  6. Renovação da aliança e reforma religiosa (v.17-18): Joiada estabelece uma aliança entre o Senhor, o rei e o povo; em seguida, o povo destrói a casa de Baal, seus altares e imagens, e o sacerdote de Baal é morto.

  7. Entronização plena e paz na cidade (v.19-21): Joás é conduzido em procissão do templo ao palácio, senta-se no trono, o povo se alegra e a cidade encontra descanso após a morte de Atalia. O capítulo se encerra com a nota da idade de Joás ao começar a reinar, encerrando o arco narrativo da criança escondida ao rei entronizado.

Significado teológico

2 Reis 11 expõe de forma marcante a fidelidade de Deus às Suas promessas, mesmo quando tudo parece perdido. A tentativa de Atalia de exterminar a descendência real de Davi é, no plano espiritual, um ataque ao compromisso divino de manter um descendente de Davi no trono. A preservação de Joás mostra que a soberania de Deus se exerce inclusive por meio de ações corajosas de pessoas comuns, como Jeoseba.

O texto também ressalta o papel da casa do Senhor como lugar de proteção e de recomeço. Enquanto Atalia reina sobre o país, Joás é preservado no templo (v.3). A restauração não começa no palácio, mas na casa de Deus, onde a aliança é renovada e o rei é apresentado. A ligação entre trono e altar é reforçada: a legitimidade do rei passa pela submissão à lei de Deus, simbolizada pelo "testemunho" entregue a Joás (v.12).

A aliança tripla (v.17) sublinha uma teologia da relação: o Senhor, o rei e o povo estão vinculados. Quando a lealdade ao Senhor se rompe, todo o sistema entra em colapso; quando a aliança é renovada, há purificação do culto (destruição de Baal) e paz social (v.20). A atuação de Joiada mostra a importância de liderança espiritual fiel, capaz de confrontar a idolatria, proteger a promessa de Deus e orientar o poder político para a vontade do Senhor.

Por fim, o capítulo aponta para um tema mais amplo na teologia bíblica: a preservação da linhagem messiânica. A sobrevivência de Joás, apesar da conspiração de morte, antecipa a proteção divina sobre a linha que, no futuro, culminaria no Messias. Mesmo em meio a usurpadores, idolatria e violência, Deus dirige a história para o cumprimento de Seu propósito redentor.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo apresenta um cenário de medo, violência, usurpação e, ao mesmo tempo, de proteção, esperança e recomeço. A história de Joás, salvo da morte e escondido por anos, pode ressoar com experiências de pessoas que viveram traumas familiares, abusos de poder ou períodos longos de espera em silêncio.

Jeoseba e Joiada encarnam a figura de cuidadores protetores: arriscam-se para resguardar uma vida frágil e uma promessa maior. Essa dinâmica fala à necessidade humana de ambientes seguros, relacionamentos de confiança e figuras de referência que sustentam a esperança quando o contexto é hostil. O templo se torna um espaço de refúgio, lembrando que a espiritualidade pode oferecer sentido e abrigo emocional em meio ao caos externo.

A queda de Atalia e a restauração da ordem trazem um movimento de alívio coletivo: "todo o povo da terra se alegrou, e a cidade repousou" (v.20). Essa transição do terror para o descanso espelha processos de cura depois de situações opressoras prolongadas. O texto não romantiza o mal, mas mostra que regimes injustos têm fim, e que a justiça e a verdade podem, com o tempo, ser restauradas.

Em termos terapêuticos, o capítulo reforça temas como: a importância da proteção de crianças e vulneráveis, a legitimidade do medo diante de ameaças reais, o valor de apoios discretos e fiéis, e a esperança de que períodos de escuridão não definem toda a história. A paciência de seis anos até o momento certo também lembra que certos processos de transformação e restauração exigem tempo, preparação e prudência.

warning Importante: maus usos comuns

O texto contém descrições de violência extrema, incluindo tentativa de genocídio familiar (v.1), assassinatos e execução pública (v.16, 18). Para pessoas com histórico de traumas relacionados à violência doméstica, abuso de poder ou ambientes religiosos controladores, essas passagens podem trazer lembranças difíceis ou gatilhos emocionais.

A figura de Atalia pode mexer com memórias de figuras parentais abusivas ou manipuladoras, especialmente por ser mãe e ao mesmo tempo promotora de morte dentro da própria família. A execução de Atalia e de Matã, sacerdote de Baal (v.16, 18), também pode ser sensível para quem tem medo de confrontos ou foi exposto a discursos religiosos violentos.

É importante lembrar que a narrativa descreve um contexto histórico específico, não apresentando um modelo direto para comportamentos individuais hoje. A leitura pode ser feita com cuidado, respeitando limites emocionais, interrompendo a exposição se surgirem sintomas intensos (ansiedade, choro incontrolável, lembranças intrusivas) e, se necessário, buscando apoio de pessoas de confiança ou de profissionais capacitados.

Aplicação prática para hoje

2 Reis 11 inspira várias aplicações práticas para a vida diária:

  1. Valor da coragem silenciosa: Jeoseba e Joiada agem sem alarde, porém com grande impacto. Isso encoraja a importância de atitudes discretas de proteção, justiça e fidelidade, mesmo quando não são vistas ou reconhecidas publicamente.

  2. Proteção dos vulneráveis: Joás é uma criança indefesa em meio à violência. A história destaca a responsabilidade de proteger crianças e pessoas fragilizadas, seja no âmbito familiar, comunitário ou institucional.

  3. Planejamento prudente diante do mal: Joiada não age por impulso; ele espera seis anos, organiza alianças, distribui responsabilidades e pensa na segurança do rei (v.4-8). Em situações difíceis, planejamento, paciência e cooperação podem ser mais eficazes do que reações precipitadas.

  4. Importância de líderes íntegros: Joiada exerce influência espiritual e política para conduzir o povo de volta ao Senhor. Em qualquer esfera de liderança (família, trabalho, igreja, sociedade), integridade e compromisso com valores elevados são fundamentais para mudanças duradouras.

  5. Eliminar ídolos e estruturas injustas: A destruição do templo de Baal (v.18) simboliza o rompimento com práticas e sistemas que afastam de Deus e oprimem pessoas. No cotidiano, isso pode significar rever prioridades, abandonar hábitos nocivos e questionar estruturas injustas que se normalizaram.

  6. Renovar alianças essenciais: A aliança entre o Senhor, o rei e o povo (v.17) lembra a importância de renovar compromissos fundamentais: com Deus, com a família, com a comunidade. Em períodos de crise, revisitar e reforçar esses pactos ajuda a reorganizar a vida em torno do que é essencial.

  7. Esperar o tempo certo para agir: O intervalo de seis anos de espera mostra que nem toda ação justa pode ser imediata. Em decisões críticas, discernir o momento oportuno, preparar bem o terreno e agir no tempo certo pode evitar riscos desnecessários e aumentar as chances de um resultado saudável.

Perguntas frequentes

Quem foi Atalia e por que ela tentou matar toda a descendência real?

Atalia era mãe do rei Acazias de Judá e neta de Onri, ligada à casa de Acabe e Jezabel, reis de Israel que difundiram o culto a Baal. Após a morte de Acazias, ela viu a oportunidade de tomar o trono de Judá e, para consolidar seu poder, mandou matar toda a descendência real (v.1). Isso eliminaria possíveis herdeiros legítimos da casa de Davi que pudessem contestar seu governo. Sua ação combina ambição política, influência idolátrica e rejeição à promessa de Deus feita à linhagem de Davi.

Como Joás foi salvo da morte?

Joás foi salvo pela ação corajosa de Jeoseba, filha do rei Jorão e irmã de Acazias (v.2). Quando Atalia começou a matar os filhos do rei, Jeoseba tomou Joás, ainda bebê, e o escondeu com sua ama em uma recâmara no templo. Ele permaneceu ali escondido por seis anos, sob a proteção do sacerdote Joiada, enquanto Atalia reinava sobre o país (v.3). Assim, Joás escapou do massacre e a linhagem davídica foi preservada.

Qual foi o papel do sacerdote Joiada na coroação de Joás?

Joiada teve um papel central em toda a transição. Foi ele quem, no sétimo ano, reuniu os chefes militares e a guarda, fez com eles uma aliança e um juramento na casa do Senhor e lhes mostrou o filho do rei (v.4). Joiada organizou a proteção em turnos, distribuiu as tropas pelo templo e pelo palácio (v.5-8), entregou aos centuriões as armas que foram de Davi (v.10) e dirigiu a cerimônia de coroação e unção de Joás (v.12). Depois, ordenou a retirada e execução de Atalia fora do templo (v.15-16) e liderou a renovação da aliança com o Senhor e a reforma religiosa (v.17-18).

O que significa a aliança entre o Senhor, o rei e o povo em 2 Reis 11:17?

A aliança mencionada em 2 Reis 11:17 é um compromisso solene triplo: o Senhor, o rei e o povo entram em acordo para que Judá seja novamente reconhecido como "povo do Senhor". Na prática, isso implica que o rei governaria sob a autoridade de Deus e de Sua lei, e o povo se comprometeria a obedecer ao Senhor e apoiar um governo alinhado com essa aliança. Teologicamente, esse gesto restaura a identidade de Judá como nação do pacto, rompendo com a idolatria e com o domínio usurpador de Atalia.

Por que a casa de Baal foi destruída e o sacerdote de Baal morto?

Após a coroação de Joás e a renovação da aliança com o Senhor, tornou-se incoerente manter o culto a Baal em Judá. Por isso, "todo o povo da terra" entrou na casa de Baal, derrubou o templo, destruiu altares e imagens, e matou Matã, sacerdote de Baal, diante dos altares (v.18). Esse ato simboliza uma ruptura decisiva com a idolatria e uma purificação do culto nacional, reafirmando que somente o Senhor deveria ser adorado em Judá. Trata-se de uma medida radical, típica de reformas religiosas naquele contexto histórico, para erradicar práticas vistas como incompatíveis com a aliança com Deus.

Por que é enfatizado que Joás tinha sete anos quando começou a reinar?

A menção de que Joás tinha sete anos quando foi feito rei (v.21) destaca sua fragilidade e dependência de orientação. Isso ressalta ainda mais a gravidade da tentativa de Atalia de matar crianças e a importância da proteção que ele recebeu. Também evidencia o papel determinante de Joiada e de outros conselheiros na fase inicial do governo de Joás, já que um menino dessa idade não teria condições de governar sozinho. Literariamente, o contraste entre uma criança no trono e a violenta usurpadora que a antecede reforça o tema da intervenção graciosa de Deus em favor de Sua promessa.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

2 Reis 11 retrata um cenário marcado por medo, perda e ameaça, mas também por cuidado amoroso e proteção silenciosa. Há uma mãe, Atalia, que se torna fonte de morte, e, em contraste, uma mulher, Jeoseba, que se arrisca para salvar uma criança indefesa. Nesse contraste, aparece a dor das relações quebradas, mas também o consolo de saber que Deus levanta pessoas para proteger vidas, mesmo em ambientes profundamente feridos. A imagem de Joás escondido na casa do Senhor por seis anos fala ao coração de quem viveu ou vive períodos de recolhimento, como se precisasse se esconder para sobreviver. Nesse tempo, não há sinais visíveis de mudança, mas há preservação. Deus não apressa os processos; Ele guarda, no silêncio, aquilo que é precioso. O menino não sabe de tudo o que está acontecendo, mas está seguro nos braços de quem cuida e nos muros da casa de Deus. A liderança de Joiada também é um retrato de cuidado paciente. Ele planeja, protege, organiza, sem buscar visibilidade, até o momento certo. Há ternura nessa figura de alguém que sustenta o frágil até que possa se levantar. A coroação de Joás, aos sete anos, depois de tanto perigo, carrega um sabor de recomeço que fala a quem atravessou longas fases de opressão: a história não termina no grito de "Traição!" de Atalia, mas no descanso da cidade e na alegria do povo. Esse capítulo acolhe emoções complexas: medo de figuras de autoridade abusivas, angústia por injustiças prolongadas, cansaço de esperas longas, mas também alívio ao ver o mal cair e a vida ser preservada. Ele lembra que, mesmo quando a maldade parece dominar, Deus continua providenciando abrigos, cuidadores e novos começos. Há espaço para chorar as violências e, ao mesmo tempo, para descansar na certeza de que o mal não define o fim da história.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético e histórico, 2 Reis 11 é um texto-chave para entender a preservação da dinastia davídica. A tentativa de Atalia de exterminar toda a descendência real representa uma ameaça direta à aliança com Davi (2 Sm 7). A narrativa se estrutura como um confronto entre uma usurpadora ligada à casa de Acabe e a linha legítima de Davi, representada por Joás. O capítulo também evidencia o papel central do sacerdócio na manutenção da identidade de Judá. Joiada não é apenas um sacerdote de culto, mas um articulador político-religioso. Ele convoca os centuriões, estabelece uma aliança, organiza a guarda em turnos sabáticos e utiliza as armas de Davi, preservadas no templo, como símbolo de continuidade da casa real (v.10). O cenário do templo e da coluna real (v.14) reforça o vínculo entre realeza e culto ao Senhor. O "testemunho" entregue a Joás (v.12) provavelmente se refere a uma cópia da lei, ecoando o ideal de Deuteronômio 17:18-20, pelo qual o rei deveria governar subordinado à Torá. A aliança tripla do versículo 17 ressalta a teologia da aliança como eixo da vida nacional: o Senhor é o verdadeiro soberano, o rei governa sob Sua autoridade e o povo responde em obediência. A destruição da casa de Baal (v.18) deve ser lida dentro do contexto de reformas religiosas típicas da literatura deuteronomista. O texto apresenta um padrão: usurpação associada à idolatria é confrontada por uma intervenção que restaura o culto exclusivo ao Senhor. O redator ressalta a reação popular — "todo o povo da terra" — para mostrar que a reforma não é apenas uma decisão de liderança, mas um movimento nacional. Literariamente, o capítulo trabalha com contrastes: noite e dia, escondido e revelado, usurpação e reinado legítimo, idolatria e aliança renovada. A figura de Joás, um rei-menino, acentua a ideia de que o poder real é, em última análise, sustentado por Deus, não pela força humana. A paz da cidade após a morte de Atalia (v.20) funciona como veredicto teológico: o caminho da usurpação idolátrica conduz à ruína; a fidelidade à aliança com o Senhor conduz ao descanso.

Life
Life

Em 2 Reis 11, surgem elementos muito atuais para a vida prática: abuso de poder, proteção de vulneráveis, planejamento estratégico e reforma de estruturas injustas. A história de Atalia mostra como alguém posicionado em lugar de confiança pode distorcer completamente esse papel, usando autoridade para oprimir e eliminar concorrentes. Esse retrato alerta contra a naturalização de lideranças abusivas, seja em casa, no trabalho ou em qualquer instituição. Jeoseba e Joiada, por outro lado, demonstram como decisões corajosas em situações de risco podem salvar vidas e destinos. Eles identificam o mal, protegem quem está em perigo e criam um plano realista, pensando em detalhes: quem entra, quem sai, quais portas vigiar, quais armas usar. Essa combinação de coragem e planejamento serve de modelo para enfrentar injustiças hoje: não basta indignação; é preciso agir com prudência, buscar alianças e estabelecer estratégias claras. A proteção a Joás convida a refletir sobre como crianças e pessoas frágeis são cuidadas. Em contextos de conflito, geralmente os mais vulneráveis sofrem primeiro. A narrativa mostra adultos assumindo responsabilidade ativa por essa proteção. Isso pode se traduzir hoje em atitudes concretas: denunciar abusos, apoiar famílias em crise, fortalecer redes de cuidado em comunidades e ambientes de fé. A destruição da casa de Baal e a reorganização do culto apontam para a necessidade de revisar estruturas e hábitos que foram se tornando normais, mas que, na prática, sustentam injustiças ou afastam de valores essenciais. Em termos práticos, isso pode significar reformar práticas de trabalho exploradoras, romper com dinâmicas familiares tóxicas ou rever prioridades financeiras e de tempo. Por fim, a espera de seis anos até a ação mostra que mudanças profundas nem sempre acontecem de forma rápida. Em decisões importantes, como enfrentar um ambiente opressor ou iniciar uma grande mudança, o texto inspira a unir paciência, preparo, leitura realista do contexto e cooperação com pessoas confiáveis. A restauração do trono de Joás não é fruto de um ato isolado, mas de um processo bem conduzido ao longo do tempo.

Soul
Soul

2 Reis 11 lança luz sobre a forma como Deus conduz a história em direção a Seus propósitos eternos, mesmo quando tudo parece dominado pelo caos. Do ponto de vista espiritual, a tentativa de Atalia de aniquilar a descendência real é mais do que ambição humana; é um ataque à linha pela qual Deus havia prometido agir. A preservação de Joás, escondido no templo, testemunha que a promessa de Deus não é anulada pela violência humana. Há um movimento profundo no capítulo: de um trono usurpado e contaminado pela idolatria para um trono restaurado sob a aliança do Senhor. Isso espelha a condição do coração humano: quando outras lealdades tomam o lugar de Deus, instala-se uma espécie de usurpação interior; quando a aliança com o Senhor é renovada, a vida volta ao seu eixo. A coroação de um rei frágil, sustentado pela palavra e pela aliança, sinaliza que o verdadeiro poder espiritual não está na força visível, mas na fidelidade de Deus. A cena da aliança entre o Senhor, o rei e o povo (v.17) fala da vocação do povo de Deus: viver como comunidade do pacto, orientada não por ídolos, mas pelo compromisso com o Deus vivo. O ato de destruir a casa de Baal e seus altares (v.18) simboliza um processo de purificação interior e comunitária, no qual aquilo que compete com Deus é desalojado para que Ele ocupe o centro. Espiritualmente, o desenvolvimento de Joás, de criança escondida a rei entronizado, antecipa temas que culminam mais adiante na revelação do verdadeiro Rei prometido, que viria da casa de Davi. A história mostra que, por trás das tramas humanas, há uma linha de graça sustentando a chegada do Messias. Assim, o capítulo convida à confiança: mesmo quando a realidade visível parece dominada por forças contrárias, Deus guarda Seus propósitos e conduz a história rumo ao cumprimento de Sua vontade eterna. Esse texto também aponta para a formação espiritual ao longo do tempo. Seis anos no templo não são apenas um período de proteção física; podem ser vistos como um tempo formativo, um intervalo em que Deus molda, prepara e guarda. Na caminhada com Deus, há períodos escondidos em que pouco parece acontecer externamente, mas que são decisivos para o que virá depois. A restauração de Joás ao trono lembra que, no tempo certo, aquilo que Deus preserva no oculto é revelado para Sua glória.

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Versículos em 2 Reis 11

2 Reis 11:1

" Vendo, pois, Atalia, mãe de Acazias, que seu filho era morto, levantou-se, e destruiu toda a descendência real. "

2 Reis 11:2

" Mas Jeoseba, filha do rei Jorão, irmã de Acazias, tomou a Joás, filho de Acazias, furtando-o dentre os filhos do rei, aos quais matavam, e o pôs, a ele e à sua ama na recâmara, e o escondeu de Atalia, e assim não o mataram. "

2 Reis 11:4

" E no sétimo ano enviou Joiada, e tomou os centuriões, com os capitães, e com os da guarda, e os colocou consigo na casa do Senhor; e fez com eles uma aliança e ajuramentou-os na casa do Senhor; e mostrou-lhes o filho do rei. "

2 Reis 11:5

" E deu-lhes ordem, dizendo: Isto é o que haveis de fazer: Uma terça parte de vós, que entrais no sábado, fará a guarda da casa do rei. "

2 Reis 11:6

" E outra terça parte estará à porta de Sur; e a outra terça parte à porta detrás dos da guarda; assim fareis a guarda desta casa, afastando a todos. "

2 Reis 11:7

" E as duas partes de vós, a saber, todos os que saem no sábado, farão a guarda da casa do Senhor junto ao rei. "

2 Reis 11:8

" E rodeareis o rei, cada um com as suas armas na mão, e aquele que entrar entre as fileiras o matarão; e vós estareis com o rei quando sair e quando entrar. "

2 Reis 11:9

" Fizeram, pois, os centuriões conforme tudo quanto ordenara o sacerdote Joiada, tomando cada um os seus homens, tanto os que entravam no sábado como os que saíam no sábado; e foram ao sacerdote Joiada. "

2 Reis 11:10

" E o sacerdote deu aos centuriões as lanças e os escudos que haviam sido do rei Davi, que estavam na casa do Senhor. "

2 Reis 11:11

" E os da guarda se puseram, cada um com as armas na mão, desde o lado direito da casa até ao lado esquerdo da casa, do lado do altar, e do lado da casa, em redor do rei. "

2 Reis 11:12

" Então Joiada fez sair o filho do rei, e lhe pôs a coroa, e lhe deu o testemunho; e o fizeram rei, e o ungiram, e bateram as palmas, e disseram: Viva o rei! "

2 Reis 11:14

" E olhou, e eis que o rei estava junto à coluna, conforme o costume, e os príncipes e os trombeteiros junto ao rei, e todo o povo da terra estava alegre e tocava as trombetas; então Atalia rasgou as suas vestes, e clamou: Traição! Traição! "

2 Reis 11:15

" Porém o sacerdote Joiada deu ordem aos centuriões que comandavam as tropas, dizendo-lhes: Tirai-a para fora das fileiras, e a quem a seguir matai-o à espada. Porque o sacerdote disse: Não a matem na casa do Senhor. "

2 Reis 11:17

" E Joiada fez uma aliança entre o Senhor e o rei e o povo, para que fosse o povo do Senhor; como também entre o rei e o povo. "

2 Reis 11:18

" Então todo o povo da terra entrou na casa de Baal, e a derrubaram, como também os seus altares, e as suas imagens, totalmente quebraram, e a Matã, sacerdote de Baal, mataram diante dos altares; então o sacerdote pôs oficiais sobre a casa do Senhor. "

2 Reis 11:19

" E tomou os centuriões, e os capitães, e os da guarda, e todo o povo da terra; e conduziram da casa do Senhor, o rei, e foram, pelo caminho da porta dos da guarda, à casa do rei, e ele se assentou no trono dos reis. "

2 Reis 11:20

" E todo o povo da terra se alegrou, e a cidade repousou, depois que mataram a Atalia, à espada, junto à casa do rei, "

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