Versículo em destaque
2 Reis 1:9 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Então o rei lhe enviou um capitão de cinqüenta com seus cinqüenta; e, subindo a ele (porque eis que estava assentado no cume do monte), disse-lhe: Homem de Deus, o rei diz: Desce. "
2 Reis 1:9
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
7 E ele lhes disse: Qual era a aparência do homem que veio ao vosso encontro e vos falou estas palavras?
8 E eles lhe disseram: Era um homem peludo, e com os lombos cingidos de um cinto de couro. Então disse ele: É Elias, o tisbita.
9 Então o rei lhe enviou um capitão de cinqüenta com seus cinqüenta; e, subindo a ele (porque eis que estava assentado no cume do monte), disse-lhe: Homem de Deus, o rei diz: Desce.
10 Mas Elias respondeu, e disse ao capitão de cinqüenta: Se eu, pois, sou homem de Deus, desça fogo do céu, e te consuma a ti e aos teus cinqüenta. Então fogo desceu do céu, e consumiu a ele e aos seus cinqüenta.
11 E tornou o rei a enviar-lhe outro capitão de cinqüenta, com os seus cinqüenta; ele lhe respondeu, dizendo: Homem de Deus, assim diz o rei: Desce depressa.
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Aqui, o rei envia algo como um mandado de prisão contra Elias. Se o deus de Ecrom lhe tivesse dito que ele morreria, provavelmente teria aceitado isso em silêncio. Mas quando um profeta do Senhor declara isso, ao mesmo tempo repreendendo o seu pecado e lembrando‑lhe do Deus de Israel, ele não suporta. Do aviso, ele não tira proveito algum, a não ser raiva contra o profeta. Sua doença e seus pensamentos de morte não o quebrantam nem despertam nele o temor de Deus. Tribulações exteriores, em geral, não humilham pecadores seguros de si; muitas vezes apenas os tornam mais amargos.
O rei achava que Elias era um verdadeiro profeta? Então por que ousar persegui‑lo? Achava que Elias era apenas um homem comum? Então por que enviar uma tropa tão grande para prendê‑lo? De maneira semelhante, um grupo armado foi enviado para prender o nosso Senhor Jesus.
O capitão com seus cinquenta encontra Elias no alto de um monte, alguns supõem que fosse o Carmelo, e, em nome do rei, ordena que ele desça (2 Reis 1:9). Elias já não está escondido em uma caverna, como antes, mas permanece firme no cume. A experiência da proteção de Deus o tornara mais ousado. O capitão o chama de “homem de Deus”, não porque realmente cresse nisso ou o honrasse como tal, mas porque esse era o modo comum de se referir a ele. Se ele de fato cresse que Elias era profeta, não tentaria prendê‑lo. Se cresse que Elias trazia a palavra de Deus, não tentaria comandá‑lo com a palavra do rei.
Então Elias pede fogo do céu para destruir esse pecador soberbo e atrevido. Ele não faz isso para se proteger, pois poderia fazê‑lo de outra forma, nem para vingar uma ofensa pessoal, pois não agia em causa própria. Ele procede assim para confirmar sua missão e mostrar a ira de Deus, vinda do céu, contra o pecado humano. O capitão havia zombado dele ao chamá‑lo de homem de Deus. Elias responde, em essência: “Se eu sou, você pagará por ter zombado disso.” O capitão confia na ordem do rei, “Desce”, mas Elias mostra que o Deus de Israel é maior do que o rei de Israel e tem muito mais poder para fazer cumprir as suas ordens.
Não muito tempo antes, Elias tinha feito cair fogo do céu para consumir o sacrifício (1 Reis 18:38), mostrando que Deus aceitava aquele sacrifício como expiação pelo pecado do povo. Mas, como eles desprezaram aquela misericórdia, agora o fogo cai, não sobre o sacrifício, mas sobre os próprios pecadores (2 Reis 1:10). Aqui se vê quanto poder os profetas tinham junto ao céu. O Espírito de Deus neles pedia, e o poder de Deus executava. Elias apenas falou, e se cumpriu. Aquele que um dia fez cair água do céu, agora faz cair fogo.
Vemos também o quanto o céu cuidava dos profetas. Deus sempre estava pronto a defendê‑los e a punir o mal feito contra eles. Reis ainda precisavam ser repreendidos por causa deles e avisados a não tocar nos profetas do Senhor. Um só Elias valia mais, para Deus, do que dez mil capitães com seus grupos de cinquenta. Sem dúvida Elias agiu sob direção divina, e mesmo assim nosso Salvador não permitiu que os discípulos tomassem isso como exemplo a imitar (Lucas 9:54). Estavam perto do lugar onde Elias realizara esse ato de juízo contra israelitas provocadores, e quiseram fazer descer fogo sobre samaritanos igualmente provocadores. Cristo recusou, porque eles não entendiam de que espírito eram.
Isso significa, primeiro, que eles não enxergavam que tipo de espírito os discípulos são chamados a ter, e como ele difere do período do Antigo Testamento. Naquele tempo era adequado que Elias clamasse por fogo, pois era um tempo de terror e de lei rigorosa. Mas o tempo do Espírito e da graça não permite isso. Em segundo lugar, eles não percebiam que espírito os movia naquele momento, e como eram, na verdade, diferentes de Elias. Ele agiu em zelo santo; eles eram movidos por irritação. Ele buscava a honra de Deus; eles buscavam a própria honra. Deus julga as ações pelas motivações, e o seu juízo é verdadeiro.
O episódio se repete uma segunda vez, e isso é difícil de entender. Acazias torna a enviar soldados para prender Elias (2 Reis 1:11), como se quisesse desafiar o próprio Todo‑Poderoso. Pecadores obstinados, por fim, serão vencidos pelo fogo do inferno, já que nem o fogo do céu parece capaz de humilhá‑los. Outro capitão vem com seus cinquenta. Num furor cego contra o profeta e numa obediência cega ao rei, ele se atreve a prestar o mesmo serviço que levou o primeiro grupo à morte. É tão orgulhoso e autoritário quanto o anterior, e ainda mais apressado. Não diz apenas “Desce calmamente”, mas, em essência: “Desce depressa. Não percas tempo. O negócio do rei é urgente. Desce, ou eu te farei descer.”
Elias não cede. Ele clama por outro relâmpago, que destrói na mesma hora esse capitão e seu grupo de cinquenta (2 Reis 1:12). Quem persiste no mesmo pecado deve esperar o mesmo juízo. Deus é perfeitamente justo.
O terceiro capitão se humilha e se lança à misericórdia de Deus e de Elias. Não há sinal de que Acazias lhe tenha ordenado fazer isso. Seu coração obstinado parece tão duro quanto antes. Continua sem temor do Senhor, indiferente a essas demonstrações de ira e descuidado com a vida de seus súditos. Ele envia um terceiro grupo com a mesma mensagem provocadora. Mas esse capitão aprendeu com o destino dos outros, talvez ainda com seus corpos diante dos olhos. Em vez de ordenar que o profeta desça, ele se prostra diante dele e suplica por sua vida e pela vida de seus soldados, reconhecendo sua culpa e o poder do profeta (2 Reis 1:13–14): “Seja preciosa aos teus olhos a minha vida.”
Nada se ganha lutando contra Deus. Se quisermos prevalecer diante dele, temos de nos aproximar com humildade e súplica. Se não queremos cair debaixo de Deus, precisamos nos curvar diante dele. São sábios aqueles que aprendem a se submeter ao ver a ruína que a obstinação traz sobre outros.
Elias concede a esse terceiro capitão mais do que ele pediu. Deus não é tão severo com os que lhe resistem a ponto de se recusar a mostrar misericórdia àqueles que se arrependem e se submetem. Nunca alguém se lançou sobre a misericórdia de Deus e a encontrou inútil. O capitão não apenas preserva a própria vida, mas obtém o que veio buscar. Por ordem do anjo, Elias desce com ele até o rei (2 Reis 1:15). Isso mostra que Elias havia recusado antes, não por medo do rei ou de sua corte, mas porque não se deixaria levar à força de modo que desonrasse o seu Senhor. Ele faz com que seu ofício seja reconhecido e honrado.
Ele se apresenta com ousadia diante do rei e lhe repete claramente, face a face, o que já havia enviado por mensageiros (2 Reis 1:16): o rei certamente morrerá em breve. Ele não suaviza a sentença por medo da ira do rei nem por compaixão de seu sofrimento.
O Deus de Israel já havia condenado Acazias. Agora que ele vá perguntar se o deus de Ecrom pode salvá‑lo. Essa mensagem o atingiu com força, quando veio da própria boca do profeta, a ponto de nem ele nem ninguém ao seu redor ousar lançar a mão sobre Elias ou mesmo insultá‑lo. Ele sai ileso daquele “covil de leões”, como Daniel. Quem poderá ferir aqueles que Deus decidiu proteger?
A predição se cumpriu em poucos dias. Acazias morreu e, como não tinha filhos, seu irmão Jorão assumiu o reino. O pai de Acazias reinou em impiedade por vinte e dois anos, mas o próprio Acazias reinou menos de dois. Os ímpios às vezes vivem muito, envelhecem e se tornam poderosos. No entanto, os que contam com prosperidade enquanto persistem no pecado podem descobrir que estavam enganados.
Como observa o bispo Hall, alguns pecadores vivem mais tempo para que seu juízo seja mais pesado, e outros morrem mais cedo para que ele chegue mais depressa. Mas uma coisa é certa: o mal segue os pecadores, e cedo ou tarde os alcança. Nada apressa mais esse juízo do que a mistura de culpas que havia em Acazias: honrar as mensagens do diabo e odiar a mensagem de Deus.
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Deste capítulo
2 Reis 1:1
"E depois da morte de Acabe, Moabe se rebelou contra Israel."
2 Reis 1:2
"E caiu Acazias pelas grades de um quarto alto, que tinha em Samaria, e adoeceu; e enviou mensageiros, e disse-lhes: Ide, e perguntai a Baal-Zebube, deus de Ecrom, se sararei desta doença."
2 Reis 1:3
"Mas o anjo do Senhor disse a Elias, o tisbita: Levanta-te, sobe para te encontrares com os mensageiros do rei de Samaria, e dize-lhes: Porventura não há Deus em Israel, para irdes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom?"
2 Reis 1:4
"E por isso assim diz o Senhor: Da cama, a que subiste, não descerás, mas sem falta morrerás. Então Elias partiu."
2 Reis 1:5
"E os mensageiros voltaram para ele; e ele lhes disse: Que há, que voltastes?"
2 Reis 1:6
"E eles lhe disseram: Um homem saiu ao nosso encontro, e nos disse: Ide, voltai para o rei que vos mandou, e dizei-lhe: Assim diz o Senhor: Porventura não há Deus em Israel, para que mandes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom? Portanto da cama, a que subiste, não descerás, mas sem falta morrerás."
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