Versículo em destaque
2 Reis 5:20 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Então Geazi, servo de Eliseu, homem de Deus, disse: Eis que meu senhor poupou a este sírio Naamã, não recebendo da sua mão alguma coisa do que trazia; porém, vive o SENHOR que hei de correr atrás dele, e receber dele alguma coisa. "
2 Reis 5:20
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
18 Nisto perdoe o SENHOR a teu servo; quando meu senhor entrar na casa de Rimom para ali adorar, e ele se encostar na minha mão, e eu também tenha de me encurvar na casa de Rimom; quando assim me encurvar na casa de Rimom, nisto perdoe o SENHOR a teu servo.
19 E ele lhe disse: Vai em paz. E foi dele a uma pequena distância.
20 Então Geazi, servo de Eliseu, homem de Deus, disse: Eis que meu senhor poupou a este sírio Naamã, não recebendo da sua mão alguma coisa do que trazia; porém, vive o SENHOR que hei de correr atrás dele, e receber dele alguma coisa.
21 E foi Geazi a alcançar Naamã; e Naamã, vendo que corria atrás dele, desceu do carro a encontrá-lo, e disse-lhe: Vai tudo bem?
22 E ele disse: Tudo vai bem; meu senhor me mandou dizer: Eis que agora mesmo vieram a mim dois jovens dos filhos dos profetas da montanha de Efraim; dá-lhes, pois, um talento de prata e duas mudas de roupas.
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Naamã, oficial sírio e cortesão, tinha muitos servos, e eles se mostraram sábios e bons (2 Reis 5:13). Eliseu, o santo profeta e homem de Deus, tinha apenas um servo, e ele acabou se revelando um homem vil, mentiroso e perverso. Pessoas que só ouviam falar de Eliseu de longe o honravam e recebiam proveito do que ouviam, mas aquele que vivia perto dele, ouvindo sua sabedoria, não fez progresso algum, nem por meio de seu ensino, nem por meio de seus milagres. Poderíamos esperar que o servo de Eliseu fosse um homem piedoso, assim como até o servo de Acabe, Obadias, era temente a Deus; porém, até Cristo teve um Judas entre os seus seguidores. Os meios de graça não conseguem produzir a graça em si. Os melhores homens e os melhores ministros muitas vezes têm perto de si pessoas que lhes trazem tristeza e vergonha. Os que estão mais próximos da igreja, às vezes, são os mais distantes de Deus. Muitos virão do oriente e do ocidente e se assentarão à mesa com Abraão, enquanto os filhos do reino serão lançados fora.
Aqui vemos o pecado de Geazi. Era um pecado entrelaçado. Primeiro, o amor ao dinheiro, raiz de todos os males, estava em sua base. Seu senhor desprezou os presentes de Naamã, mas Geazi os cobiçou (2 Reis 5:20). Como disse o bispo Hall, o coração de Geazi estava guardado nos baús de Naamã, e ele teve de correr atrás dele para recuperá-lo. Muitos, ao desejarem ansiosamente as riquezas do mundo, desviaram-se da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Segundo, ele culpou seu senhor por recusar o presente de Naamã. Considerou Eliseu tolo por não aceitar ouro quando podia tê‑lo, e invejou a bondade e generosidade dele para com aquele estrangeiro, ainda que tal atitude tivesse em vista a alma de Naamã. Em resumo, ele se achou mais sábio do que o próprio mestre.
Terceiro, quando Naamã, como homem bem-educado, desceu do carro para encontrá-lo (2 Reis 5:21), Geazi lhe contou uma mentira deliberada. Disse que fora enviado por seu senhor e, desse modo, tomou para si a honra e o respeito que Naamã destinara a Eliseu. Quarto, ele desonrou seu mestre ao apresentá-lo falsamente a Naamã como alguém que havia mudado de ideia muito depressa, um homem inconstante, que não sabia o que queria, que prometia e depois voltava atrás, que jurava e depois se desdizia, que desfazia uma boa obra logo após realizá-la. Sua história sobre os dois filhos dos profetas era tão tola quanto falsa. Se de fato quisesse um presente para dois jovens estudantes, certamente menos de um talento de prata teria sido suficiente.
Quinto, ele correu o risco de afastar Naamã da santa religião que este acabara de abraçar e de enfraquecer sua boa impressão a respeito dela. Naamã poderia ter dito, como os inimigos de Paulo diziam a respeito de Paulo (2 Coríntios 12:16,17), que, ainda que o próprio Eliseu não o sobrecarregasse, havia sido enganado com astúcia e que lhe tinham sido enviados homens que tiraram proveito dele. Espera‑se que mais tarde Naamã tenha entendido que Eliseu nada teve a ver com isso e que Geazi foi obrigado a devolver o que havia tomado injustamente. Caso contrário, isso poderia tê‑lo levado de volta aos seus ídolos.
Sexto, Geazi agravou ainda mais o seu pecado ao tentar esconder o que havia roubado. Escondeu a prata e as roupas, como Acã escondeu o que havia tomado, em lugar secreto e bem seguro, até que pudesse usá-los (2 Reis 5:24). Nesse ponto, imaginou que o dinheiro já era seu de forma garantida, e elogiou em seu íntimo a própria astúcia, por meio da qual enganara não apenas o juízo de Naamã, mas também o dom de discernimento espiritual de Eliseu, à semelhança de Ananias e Safira diante dos apóstolos. Além disso, negou tudo. Entrou e se pôs diante de seu senhor, pronto para receber ordens. Ninguém parecia mais atento ao mestre do que ele, embora ninguém o tivesse prejudicado mais. Provavelmente pensou, como Efraim: “Certamente me tornei rico; achei para mim grandes bens; em todo o meu trabalho não acharão em mim iniquidade alguma” (Oséias 12:8). Quando seu mestre perguntou onde estivera, respondeu: “Em parte alguma, senhor, apenas por aqui mesmo”. Uma mentira quase sempre puxa outra. O pecado desce ladeira abaixo; por isso devemos ter coragem de falar a verdade.
Quanto ao castigo desse pecado, Eliseu logo o chamou a prestar contas. Veja como foi desmascarado. Geazi procurou enganar o profeta, mas logo aprendeu que o Espírito de profecia não podia ser iludido e que é inútil mentir ao Espírito Santo. Eliseu pôde dizer-lhe o que ele havia feito, embora ele o tivesse negado: “Porventura não fui eu contigo em espírito?” (2 Reis 5:26). Será que Geazi ainda não havia aprendido que os profetas tinham visão espiritual? Achava que poderia esconder alguma coisa daquele que era vidente, que conhecia o conselho secreto do Senhor? É loucura pensar que podemos pecar com segurança apenas porque ninguém nos vê. Quando você se desvia para um caminho errado, a sua própria consciência não vai com você? O olhar de Deus não o acompanha? O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, e a língua mentirosa dura só um momento (Provérbios 12:19). A verdade vem à tona, e muitas vezes aparece de maneira inesperada, para vergonha daqueles que fazem da mentira o seu refúgio.
Eliseu também sabia o que Geazi planejava, ainda que isso estivesse guardado apenas em seu coração. Sabia que, agora que possuía aqueles dois talentos, ele já imaginava comprar terras e gado, deixar o serviço de Eliseu e estabelecer-se por conta própria. Todos os planos tolos e esperanças mundanas estão expostos diante de Deus. Eliseu também lhe mostrou quão mau havia sido o seu procedimento: “Era isso ocasião para tomares prata?” Era esse o momento adequado para se enriquecer? Não havia outro meio de obter dinheiro, senão mentindo em nome do mestre e colocando tropeço diante de um novo convertido? Aqueles que se propõem a ficar ricos a qualquer tempo e de qualquer maneira, certa ou errada, se expõem a grandes tentações. Os que querem ser ricos por meios lícitos ou ilícitos, preocupando‑se apenas com o dinheiro e não com os princípios, afogam-se em ruína e perdição (1 Timóteo 6:9). Guerra, incêndio, peste e naufrágio não são, como muitos tratam, oportunidades para ganho. Não é hora de aumentar a própria riqueza quando só se pode fazê-lo de modo que desonre a Deus, prejudique a fé ou cause dano aos irmãos ou à coletividade.
Então veio o castigo: “Portanto, a lepra de Naamã se pegará a ti e à tua semente para sempre” (2 Reis 5:27). Se ele queria o dinheiro de Naamã, teria de aceitar também a doença de Naamã. A prata veio acompanhada da lepra. Geazi havia planejado assegurar bens para seus descendentes, mas, em vez disso, transmite a eles uma doença repugnante, de geração em geração. A sentença foi executada imediatamente. Mal foi pronunciada, cumpriu-se. Geazi saiu da presença de Eliseu leproso, branco como a neve. Ficou marcado e envergonhado onde quer que fosse. Trouxe maldição sobre si e sobre sua casa, maldição que não só expôs sua maldade naquele momento, mas também conservou viva a sua memória.
Ajuntar tesouros com língua mentirosa é vaidade que conduz à morte, é lucro levado pelo vento (Provérbios 21:6). Os que ajuntam riquezas por meio de fraude e injustiça não podem esperar delas consolo verdadeiro nem longa fruição. De que lhe serviram a Geazi aqueles dois talentos, se com isso perdeu a saúde, a honra, a paz, o serviço, e, se não houve arrependimento, até a sua alma para sempre? Veja Jó 20:12 e seguintes.
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Deste capítulo
2 Reis 5:1
"E Naamã, capitão do exército do rei da Síria, era um grande homem diante do seu SENHOR, e de muito respeito; porque por ele o SENHOR dera livramento aos sírios; e era este homem herói valoroso, porém leproso."
2 Reis 5:2
"E saíram tropas da Síria, da terra de Israel, e levaram presa uma menina que ficou ao serviço da mulher de Naamã."
2 Reis 5:3
"E disse esta à sua senhora: Antes o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra."
2 Reis 5:4
"Então foi Naamã e notificou ao seu senhor, dizendo: Assim e assim falou a menina que é da terra de Israel."
2 Reis 5:5
"Então disse o rei da Síria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei de Israel. E foi, e tomou na sua mão dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez mudas de roupas."
2 Reis 5:6
"E levou a carta ao rei de Israel, dizendo: Logo, em chegando a ti esta carta, saibas que eu te enviei Naamã, meu servo, para que o cures da sua lepra."
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