1 Reis 1:1
" Sendo, pois, o rei Davi já velho, e entrado em dias, cobriam-no de roupas, porém não se aquecia. "
Entenda os temas principais e aplique 1 Reis 1 na sua vida hoje
53 versículos | Almeida Corrigida Fiel
O capítulo gira em torno de quem sucederá Davi. Apesar da conspiração de Adonias, prevalece a promessa feita por Davi, em nome do Senhor, de que Salomão se assentaria no trono. A fidelidade às promessas de Deus orienta o desfecho dos acontecimentos.
Adonias se exalta, prepara aparatos de realeza e busca apoio político e religioso, mas tudo é frustrado quando o plano divino se manifesta pela unção de Salomão. A autopromoção e a ambição desmedida são confrontadas pela vontade soberana de Deus.
Mesmo fraco e à beira da morte, Davi assume sua responsabilidade final como rei, confirmando Salomão e organizando uma transição legítima. Sacerdotes, profeta e oficiais cumprem seus papéis, mostrando que liderança envolve obediência a Deus e cuidado com o povo.
Quando Adonias percebe sua derrota, corre ao altar em busca de proteção. Salomão poupa sua vida, mas deixa claro que sua segurança dependeria de um comportamento correto. A misericórdia é oferecida, sem ignorar a responsabilidade e a justiça.
A unção de Salomão por Zadoque e Natã, em público, com trombetas e celebração, mostra que sua autoridade vem de Deus e é reconhecida pela comunidade. O rito de unção distingue o rei escolhido do pretendente ilegítimo.
1 Reis 1 se passa no fim do reinado de Davi, por volta do século X a.C., em Jerusalém. Davi, que havia consolidado o reino e estabelecido Jerusalém como capital, agora está velho e enfraquecido (v.1-4). Nessa época, a sucessão real não era automática: embora houvesse primogenitura, o rei podia designar um sucessor, e intrigas políticas eram comuns.
Adonias, filho de Hagite, surge como um candidato natural sob a perspectiva humana: é de boa aparência, tem apoio militar (Joabe, comandante do exército) e apoio religioso (Abiatar, sacerdote) (v.5-7). A referência a Absalão (v.6) relembra outro filho de Davi que tentou tomar o trono, mostrando um padrão de conflitos familiares e disputas dinásticas.
Zadoque, Natã e Benaia representam outro bloco de liderança: Zadoque como sacerdote fiel; Natã como profeta que havia confrontado Davi em outras ocasiões; Benaia como líder militar leal (v.8). Os quereteus e peleteus (v.38) eram tropas de elite ligadas ao rei, possivelmente mercenários estrangeiros, que garantiam a segurança da monarquia.
O ato de ungir o rei em Giom (v.33-39), uma fonte próxima a Jerusalém, tinha forte simbolismo: água e unção com azeite do tabernáculo marcavam a escolha divina. Prender-se às pontas do altar (v.50) era um gesto conhecido de busca por asilo, apelando à misericórdia diante de perigo de morte.
O livro de 1 Reis foi compilado séculos depois, provavelmente durante ou após o exílio babilônico, olhando para trás e interpretando eventos monárquicos sob a lente da aliança com Deus: obediência traz estabilidade, infidelidade traz juízo.
1 Reis 1 apresenta uma narrativa histórica cuidadosamente estruturada, com tensão crescente e resoluções paralelas:
Introdução: a fraqueza de Davi (v.1-4)
A conspiração de Adonias (v.5-10)
A intervenção de Natã e Bate-Seba (v.11-27)
A decisão de Davi e o decreto sobre Salomão (v.28-37)
A unção e celebração de Salomão (v.38-40)
O desmonte da conspiração de Adonias (v.41-49)
A súplica de Adonias e a resposta de Salomão (v.50-53)
Há contraste literário deliberado: duas festas (de Adonias e de Salomão), dois grupos de líderes (infieis e fiéis), dois “reis” proclamados, mas apenas um legitimado por Deus, pelo profeta, pelo sacerdote e pelo povo.
Teologicamente, 1 Reis 1 enfatiza a soberania de Deus sobre a sucessão real e a fidelidade às promessas divinas. A escolha de Salomão não é meramente política; está ligada a um compromisso de Davi, feito diante do Senhor (v.17, 29-30). O texto sugere que o verdadeiro rei é aquele que Deus legitima, não o que se autoafirma.
Adonias personifica a autoconfiança humana que ignora a vontade de Deus. Mesmo com carisma, beleza e apoio estratégico (v.5-7), ele não tem a aprovação divina. Sua exclusão de Salomão, Natã e Zadoque (v.10) indica uma tentativa de construir poder à margem da revelação de Deus. O fracasso rápido de seu plano mostra que o propósito do Senhor prevalece sobre manipulações humanas.
A unção de Salomão por um sacerdote (Zadoque) e um profeta (Natã) reforça a ideia de que o rei em Israel deve governar sob a Palavra de Deus e em aliança com Ele (v.34-39). Profeta, sacerdote e rei formam um tríplice eixo que mais tarde aponta, em perspectiva teológica, para a figura de Cristo, que cumpre perfeitamente essas funções.
A cena de Adonias agarrando-se ao altar (v.50-51) traz à tona a tensão entre misericórdia e justiça. O altar é lugar de sacrifício e expiação, mas não é um amuleto automático de proteção. A resposta de Salomão (v.52) mostra que a vida é preservada, mas a maldade não é ignorada; isso reflete o caráter de Deus que é misericordioso, mas justo.
Por fim, a gratidão de Davi, louvando a Deus por ver com seus próprios olhos o sucessor no trono (v.48), amarra o capítulo a uma perspectiva de aliança e continuidade: Deus não abandona seu povo, mas garante a continuidade da liderança segundo o Seu plano, preparando o cenário para o reinado de Salomão e, em última instância, para o desenvolvimento da esperança messiânica.
Este capítulo toca em temas muito humanos: envelhecimento, perda de força, conflitos familiares, medo de ser esquecido, disputas por lugar e reconhecimento. Davi, antes guerreiro vigoroso, aparece fragilizado e dependente (v.1-4), o que pode espelhar experiências de perda de autonomia e dignidade. A tentativa de Adonias de tomar o trono reflete dinâmicas de rivalidade, competição e quebra de confiança dentro da própria família.
Há também o medo bem concreto de Bate-Seba: a possibilidade de que ela e seu filho sejam considerados “culpados” e mortos após a morte de Davi (v.21). Este tipo de ameaça lembra situações em que mudanças de poder ou de fase da vida trazem insegurança sobre o futuro. As conversas com Davi mostram a importância de nomear a realidade, trazer à luz injustiças e correr o risco de falar com clareza.
Por outro lado, o capítulo mostra como decisões responsáveis e alinhadas com a verdade podem interromper ciclos destrutivos. Davi, mesmo fraco, toma uma decisão firme e clara (v.29-30, 33-35), e o caos potencial é substituído por celebração comunitária e alegria (v.40). Há um movimento terapêutico de desordem para ordem, de medo para alívio.
Adonias, ao se apegar ao altar, representa alguém em crise, confrontado com as consequências das próprias escolhas e buscando desesperadamente proteção (v.50-51). A resposta de Salomão combina firmeza e uma chance de recomeço, mostrando que, mesmo após erros graves, ainda pode haver espaço para mudança, desde que o coração abandone a maldade (v.52-53).
Envelhecimento e perda de autonomia: Davi aparece fraco, incapaz de se aquecer, dependendo de cuidados constantes (v.1-4). Essa realidade pode acionar sentimentos de medo, vergonha, tristeza ou angústia em quem enfrenta ou observa a fragilidade física.
Conflitos e traições familiares: A atitude de Adonias, que tenta tomar o trono passando por cima do pai e do irmão (v.5-10), pode remexer memórias de traição, rivalidade entre irmãos, favoritismo parental e feridas emocionais na família.
Medo de violência e injustiça: Bate-Seba teme por sua vida e a de Salomão (v.12, 21). Esse contexto de ameaça pode ressoar com experiências de abuso de poder, violência doméstica, perseguição ou medo de retaliação.
Manipulação e exclusão social: Adonias convida alguns e exclui outros estrategicamente (v.9-10, 19, 26). A sensação de ser ignorado, descartado ou preterido em ambientes familiares, religiosos ou profissionais pode ser reativada por essa narrativa.
Culpa e desespero após decisões erradas: A reação de Adonias, correndo para o altar em busca de segurança (v.50-51), pode lembrar situações de remorso intenso, medo das consequências ou crises de consciência.
Temas de morte e finitude: A menção de Davi “dormir com seus pais” (v.21) e a proximidade da morte realçam temores sobre fim da vida, perdas iminentes e luto.
Ler esse capítulo pode ser emocionalmente pesado para pessoas em situações de abuso, conflitos familiares intensos, perdas recentes ou transtornos de ansiedade e pânico. É importante, para quem se sente sobrecarregado, não se isolar, buscar apoio seguro e, se necessário, acompanhamento profissional de saúde mental, além de suporte espiritual saudável.
Reconhecer limites e responsabilidades no fim de ciclos: Davi, mesmo debilitado, assume a responsabilidade de definir claramente o sucessor (v.28-30, 33-35). Na prática, isso inspira a fechar ciclos com clareza: preparar transições bem definidas em família, trabalho e ministério; comunicar decisões importantes em vez de deixar um vazio que gere conflitos.
Evitar a autossuficiência ambiciosa: Adonias se diz: “Eu reinarei” (v.5) e constrói seu próprio caminho à margem da vontade de Deus. Isso chama à reflexão sobre motivações em decisões de carreira, liderança ou influência: agir com humildade, buscar confirmação sábia, ouvir conselhos espirituais e evitar manipular pessoas e situações em benefício próprio.
Valorizar conselhos sábios e corajosos: Natã e Bate-Seba conversam, planejam e se aproximam de Davi com verdade e respeito (v.11-21). Na prática, isso sugere buscar pessoas tementes a Deus, que falem com franqueza e amor, especialmente em momentos de decisão; e também se dispor a ser voz de verdade quando a injustiça está sendo articulada.
Tomar decisões alinhadas com princípios, não com pressões: A reação de Davi não se baseia no barulho do momento, mas no juramento feito diante do Senhor (v.29-30). Aplicado à vida contemporânea, isso significa não deixar que a urgência, o medo de perder espaço ou as expectativas alheias determinem decisões, mas ancorar escolhas em convicções bíblicas e princípios firmes.
Tornar compromissos públicos e transparentes: A unção de Salomão foi pública, com líderes, povo e símbolos claros (v.33-40). Em termos práticos, compromissos importantes ganham força quando são comunicados com transparência: acordos familiares, mudanças de liderança na igreja, decisões de parceria ou projetos significativos.
Cultivar misericórdia sem abandonar a justiça: Salomão poupa Adonias, mas estabelece um limite ético claro (v.52-53). Na vida diária, isso inspira a lidar com ofensas e conflitos oferecendo perdão e oportunidade de mudança, mas sem normalizar abuso, mentira ou violência. Limites saudáveis podem conviver com graça.
Lembrar que Deus continua agindo em nossa fraqueza: O capítulo mostra que, mesmo em um momento de grande fragilidade de Davi, Deus dirige a história. Isso encoraja a não interpretar períodos de fraqueza física, emocional ou espiritual como ausência de Deus, mas como momentos nos quais Ele pode continuar conduzindo propósitos, muitas vezes por meio de outros que Ele levanta ao nosso redor.
Adonias era um dos filhos de Davi, filho de Hagite (v.5-6). Ele era descrito como muito formoso e tinha apoio de Joabe, comandante do exército, e de Abiatar, sacerdote (v.7). Em um contexto em que a sucessão ainda não estava claramente executada, Adonias se exaltou e declarou: "Eu reinarei" (v.5), organizando uma cerimônia de coroação paralela, com sacrifícios e convidados selecionados (v.9-10, 19, 25). Seu ato foi uma tentativa de antecipar-se à vontade de Davi e à promessa feita a respeito de Salomão.
O texto mostra que Davi havia jurado a Bate-Seba, em nome do Senhor, que Salomão se assentaria em seu trono (v.13, 17, 29-30). Embora o capítulo não detalhe todas as razões, o livro de 1 Crônicas e a tradição bíblica indicam que Deus havia revelado a Davi que Salomão seria o construtor do templo e o sucessor escolhido (cf. 1 Crônicas 22 e 28). Em 1 Reis 1, o foco é que a escolha de Salomão está ligada a um juramento feito diante de Deus e confirmada pela unção realizada por sacerdote e profeta (v.34-39).
A unção com azeite, feita por Zadoque, o sacerdote, e Natã, o profeta (v.34, 39), simbolizava que o rei era separado por Deus e capacitado pelo Espírito para governar. Giom, uma fonte próxima de Jerusalém, era um lugar estratégico e simbólico: água e vida, unido à presença do azeite sagrado do tabernáculo. A cerimônia pública com trombetas e aclamação do povo (v.39-40) dava legitimidade visível a Salomão como o rei escolhido por Deus e confirmado pela comunidade.
Ao perceber que seu plano havia fracassado e temendo ser morto por Salomão, Adonias correu ao altar e se agarrou às pontas dele (v.50-51). No contexto do Antigo Testamento, isso era um gesto de busca por asilo e misericórdia, apelando para o Deus que recebia sacrifícios ali. Ele esperava que, estando junto ao altar, sua vida fosse poupada. Salomão aceita poupá-lo, mas condiciona sua segurança ao fato de ele se mostrar um "homem de bem" (v.52).
Natã, o profeta, Zadoque, o sacerdote, e Benaia, líder militar, são figuras-chave que se mantêm fiéis a Davi e à promessa de Deus. Natã mobiliza Bate-Seba e confronta Davi com a situação de Adonias (v.11-14, 22-27), exercendo seu papel profético. Zadoque participa da unção de Salomão com o azeite do tabernáculo (v.34, 39), representando o reconhecimento sacerdotal. Benaia lidera a execução prática da ordem do rei e declara apoio em oração, pedindo que Deus esteja com Salomão (v.36-38). Juntos, eles garantem que a transição de poder siga a vontade de Deus, não apenas jogos de poder humanos.
1 Reis 1 revela um momento muito humano, carregado de fragilidade, medo e expectativas. Davi, antes tão forte e vitorioso, aparece debilitado, precisando de cuidados constantes (v.1-4). A imagem de um rei que não consegue se aquecer mostra que até os mais fortes atravessam fases de vulnerabilidade. Isso fala a experiências de cansaço profundo, quando parece que as forças se foram. Bate-Seba surge como uma mãe e esposa em estado de alerta, temendo pela sua vida e pela vida do filho (v.12, 21). O texto deixa visível o peso emocional que ela carrega: saber de uma ameaça, ver a injustiça acontecendo e, mesmo assim, reunir coragem para falar com Davi. Sua voz tremida, mas firme, mostra que, em meio ao medo, ainda é possível se posicionar e buscar proteção. Há também a ansiedade silenciosa da nação, descrita em uma frase simples: “os olhos de todo o Israel estão sobre ti” (v.20). O povo espera uma definição, e a incerteza traz insegurança, assim como hoje, quando decisões de autoridades, líderes e pessoas queridas impactam sentimentos de estabilidade ou desamparo. Adonias, por sua vez, retrata alguém que tentou controlar tudo, apenas para ver seu mundo desmoronar num instante (v.41-49). Ao correr para o altar, ele se agarra desesperadamente a um lugar de refúgio (v.50-51). Essa imagem ecoa o coração de quem, depois de escolhas impensadas, percebe o perigo e corre, quase sem fôlego, em busca de misericórdia. Salomão responde com uma mistura de firmeza e graça: oferece vida, mas pede verdade (v.52-53). Isso lembra que, em meio às crises, ainda pode existir um caminho de restauração, mesmo quando houve erro. O capítulo inteiro sussurra que Deus permanece conduzindo a história, mesmo quando tudo parece frágil, dividido e ameaçador. A fraqueza de Davi não impede que Deus cumpra seus planos, e a confusão da família real não anula a possibilidade de um novo começo, marcado por alegria e celebração (v.40).
Do ponto de vista exegético e literário, 1 Reis 1 funciona como prólogo para o reinado de Salomão e estabelece temas centrais para o restante do livro. A narrativa desenvolve a tensão da sucessão ao trono de Davi, articulando elementos políticos, teológicos e familiares. O capítulo abre com uma nota de envelhecimento e fraqueza (v.1-4), o que prepara o cenário: o rei não consegue mais exercer plenamente seu governo, surgindo vácuo de poder. Adonias, descrito com traços semelhantes aos de Absalão (boa aparência, apoio popular e militar), se posiciona como usurpador (v.5-7). A observação de que Davi nunca o havia contrariado (v.6) sugere falhas na disciplina paterna, um padrão já visível em outros episódios da história de Davi. A conspiração de Adonias é cuidadosamente construída: ele organiza uma espécie de banquete real perto da fonte de Rogel (v.9, 25), convoca irmãos e autoridades-chave, mas exclui estrategicamente Salomão, Natã, Zadoque e Benaia (v.10, 19, 26). Essa exclusão aponta para o conhecimento que ele tinha da escolha divina e do juramento de Davi. Natã cumpre um papel central como mediador profético. Ele usa uma estratégia de dupla testemunha: primeiro orienta Bate-Seba a lembrar o juramento a Davi (v.11-21), depois entra para confirmar a situação (v.22-27). A repetição dos fatos com pequenas variações cria um efeito de confirmação jurídica e moral. A pergunta de Natã em v.24-27 é irônica e retórica, pressionando Davi a se posicionar. A resposta de Davi (v.28-37) revela que a sucessão não é arbitrária: há um juramento em nome do Senhor (v.29-30). A ordem de montar Salomão na mula real (v.33) é altamente significativa, pois a mula real era símbolo de autoridade e identificação com o monarca. O uso do azeite do tabernáculo (v.39) indica a sacralidade da unção; não é apenas um gesto político, mas um ato cultual, que vincula o reinado ao culto a YHWH. O clímax literário é o contraste entre as duas celebrações: a de Adonias, que termina em pavor e dispersão (v.41-49), e a de Salomão, que enche a cidade de alegria (v.40, 45-46). O autor, assim, mostra qual “rei” tem a aprovação divina. A reação final de Davi, bendizendo o Senhor por ter visto o sucessor no trono (v.48), conecta o evento ao tema da aliança davídica. Teologicamente, o capítulo reforça a visão de que Deus governa a história através de decisões humanas, mas sem ser limitado por ambições indevidas. Profeta, sacerdote e rei aparecem interligados: Natã e Zadoque legitimam Salomão, enquanto Abiatar, aliado de Adonias, gradualmente perde espaço e representará uma linha sacerdotal rejeitada. 1 Reis 1, portanto, não é apenas relato político, mas interpretação teológica de uma transição de poder sob a soberania de Deus.
1 Reis 1 retrata um conjunto de situações muito semelhantes às que se vivem hoje: transição de liderança, conflitos familiares, ambição, medo do futuro e necessidade de decisões claras. Davi está em fim de ciclo e, por algum tempo, deixa um espaço de indefinição que Adonias tenta ocupar (v.1-7). Isso ilustra o que acontece quando quem tem responsabilidade de liderar não comunica nem organiza bem a sucessão, seja numa empresa, numa igreja ou na própria família. Adonias age como alguém que vê uma oportunidade e se autoproclama pronto para assumir (v.5). Ele investe em imagem, alianças estratégicas e eventos grandiosos (v.9, 25). Na prática, lembra lideranças baseadas em autopromoção, não em chamada legítima ou serviço. Sua atitude alerta contra tomar decisões importantes movidas por vaidade, disputas de poder ou desejo de provar valor. Natã e Bate-Seba mostram um caminho diferente: frente a uma ameaça real, eles não ficam paralisados. Conversam, avaliam a situação, planejam e vão falar com quem precisa ser confrontado, com respeito, mas com objetividade (v.11-21). Este padrão é extremamente prático: quando há injustiça ou confusão, é mais saudável assumir conversas difíceis, com clareza e honra, em vez de se calar e permitir que o problema cresça. Davi, por sua vez, deixa um exemplo forte: mesmo fraco, ele decide agir. Ele não apenas “pensa” que Salomão deve reinar, mas expressa, assume o compromisso e dá instruções específicas (v.29-30, 33-35). Em termos práticos, isso se traduz em: documentar decisões importantes, explicar intenções para os envolvidos, preparar quem vai assumir responsabilidades e não deixar dúvidas que possam gerar disputas futuras. A unção pública de Salomão (v.38-40) mostra o valor da transparência. Em vez de decisões sigilosas, a transição é visível e participativa. Em contextos atuais, isso pode significar comunicar claramente a escolha de sucessores, explicar critérios e envolver a comunidade na acolhida de novos líderes. Por outro lado, a reação de Adonias quando é confrontado pela realidade é reveladora: ele entra em pânico e procura refúgio (v.50-51). O texto mostra que, ainda assim, há espaço para misericórdia, desde que haja disposição para abandonar a conduta equivocada (v.52-53). Isso inspira, na vida prática, a abrir oportunidade para arrependimento e reconciliação com quem erra, sem deixar de estabelecer limites e condições claras para a reconstrução da confiança. Em resumo, o capítulo oferece lições concretas sobre como lidar com mudanças de liderança, como agir quando há injustiça, como evitar ambição desordenada e como unir firmeza e graça no tratamento de conflitos.
" Sendo, pois, o rei Davi já velho, e entrado em dias, cobriam-no de roupas, porém não se aquecia. "
" Então disseram-lhe os seus servos: Busquem para o rei meu senhor uma moça virgem, que esteja perante o rei, e tenha cuidado dele; e durma no seu seio, para que o rei meu senhor se aqueça. "
" E buscaram por todos os termos de Israel uma moça formosa, e acharam a Abisague, sunamita; e a trouxeram ao rei. "
" E era a moça sobremaneira formosa; e tinha cuidado do rei, e o servia; porém o rei não a conheceu. "
" Então Adonias, filho de Hagite, se levantou, dizendo: Eu reinarei. E preparou carros, e cavaleiros, e cinqüenta homens, que corressem adiante dele. "
" E nunca seu pai o tinha contrariado, dizendo: Por que fizeste assim? E era ele também muito formoso de parecer; e Hagite o tivera depois de Absalão. "
" E tinha entendimento com Joabe, filho de Zeruia, e com Abiatar o sacerdote; os quais o ajudavam, seguindo a Adonias. "
" Porém Zadoque, o sacerdote, e Benaia, filho de Joiada, e Natã, o profeta, e Simei, e Rei, e os poderosos que Davi tinha, não estavam com Adonias. "
" E matou Adonias ovelhas, e vacas, e animais cevados, junto à pedra de Zoelete, que está perto da fonte de Rogel; e convidou a todos os seus irmãos, os filhos do rei, e a todos os homens de Judá, servos do rei. "
" Porém a Natã, o profeta, e a Benaia, e aos poderosos, e a Salomão, seu irmão, não convidou. "
" Então falou Natã a Bate-Seba, mãe de Salomão, dizendo: Não ouviste que Adonias, filho de Hagite, reina? E que nosso senhor Davi não o sabe? "
" Vem, pois, agora, e deixa-me dar-te um conselho, para que salves a tua vida, e a de Salomão teu filho. "
" Vai, e chega ao rei Davi, e dize-lhe: Não juraste tu, rei senhor meu, à tua serva, dizendo: Certamente teu filho Salomão reinará depois de mim, e ele se assentará no meu trono? Por que, pois, reina Adonias? "
" Eis que, estando tu ainda aí falando com o rei, eu também entrarei depois de ti, e confirmarei as tuas palavras. "
" E foi Bate-Seba ao rei na sua câmara; e o rei era muito velho; e Abisague, a sunamita, servia ao rei. "
" E Bate-Seba inclinou a cabeça, e se prostrou perante o rei; e disse o rei: Que tens? "
" E ela lhe disse: Senhor meu, tu juraste à tua serva pelo Senhor teu Deus, dizendo: Salomão, teu filho, reinará depois de mim, e ele se assentará no meu trono. "
" E agora eis que Adonias reina; e tu, ó rei meu senhor, não o sabes. "
" E matou vacas, e animais cevados, e ovelhas em abundância, e convidou a todos os filhos do rei, e a Abiatar, o sacerdote, e a Joabe, capitão do exército, mas a teu servo Salomão não convidou. "
" Porém, ó rei meu senhor, os olhos de todo o Israel estão sobre ti, para que lhe declares quem se assentará sobre o trono do rei meu senhor, depois dele. "
" De outro modo sucederá que, quando o rei meu senhor dormir com seus pais, eu e Salomão meu filho seremos os culpados. "
" E, estando ela ainda falando com o rei, eis que entra o profeta Natã. "
" E o fizeram saber ao rei, dizendo: Eis aí está o profeta Natã. E entrou à presença do rei, e prostrou-se diante dele com o rosto em terra. "
" E disse Natã: Ó rei meu senhor, disseste tu: Adonias reinará depois de mim, e ele se assentará sobre o meu trono? "
" Porque hoje desceu, e matou vacas, e animais cevados, e ovelhas em abundância, e convidou a todos os filhos do rei e aos capitães do exército, e a Abiatar, o sacerdote, e eis que estão comendo e bebendo perante ele; e dizem: Viva o rei Adonias. "
" Porém a mim, sendo eu teu servo, e a Zadoque, o sacerdote, e a Benaia, filho de Joiada, e a Salomão, teu servo, não convidou. "
" Foi feito isto da parte do rei meu senhor? E não fizeste saber a teu servo quem se assentaria no trono do rei meu senhor depois dele? "
" E respondeu o rei Davi, e disse: Chamai-me a Bate-Seba. E ela entrou à presença do rei; e ficou em pé diante do rei. "
" Então jurou o rei e disse: Vive o Senhor, o qual remiu a minha alma de toda a angústia, "
" Que, como te jurei pelo Senhor Deus de Israel, dizendo: Certamente teu filho Salomão reinará depois de mim, e ele se assentará no meu trono, em meu lugar, assim o farei no dia de hoje. "
" Então Bate-Seba se inclinou com o rosto em terra e se prostrou diante do rei, e disse: Viva o rei Davi meu senhor para sempre. "
" E disse o rei Davi: Chamai-me a Zadoque, o sacerdote, e a Natã, o profeta, e a Benaia, filho de Joiada. E eles entraram à presença do rei. "
" E o rei lhes disse: Tomai convosco os servos de vosso senhor, e fazei subir a meu filho Salomão na mula que é minha; e levai-o a Giom. "
" E Zadoque, o sacerdote, com Natã, o profeta, ali o ungirão rei sobre Israel; então tocareis a trombeta, e direis: Viva o rei Salomão! "
" Então subireis após ele, e virá e se assentará no meu trono, e ele reinará em meu lugar; porque tenho ordenado que ele seja guia sobre Israel e sobre Judá. "
" Então Benaia, filho de Joiada, respondeu ao rei, e disse: Amém; assim o diga o SENHOR Deus do rei meu senhor. "
" Como o SENHOR foi com o rei meu senhor, assim o seja com Salomão, e faça que o seu trono seja maior do que o trono do rei Davi meu senhor. "
" Então desceu Zadoque, o sacerdote, e Natã, o profeta, e Benaia, filho de Joiada, e os quereteus, e os peleteus, e fizeram montar a Salomão na mula do rei Davi, e o levaram a Giom. "
" E Zadoque, o sacerdote, tomou o chifre de azeite do tabernáculo, e ungiu a Salomão; e tocaram a trombeta, e todo o povo disse: Viva o rei Salomão! "
" E todo o povo subiu após ele, e o povo tocava gaitas, e alegrava-se com grande alegria; de maneira que com o seu clamor a terra retiniu. "
" E o ouviu Adonias, e todos os convidados que estavam com ele, que tinham acabado de comer; também Joabe ouviu o sonido das trombetas, e disse: Por que há tal ruído de cidade alvoroçada? "
" Estando ele ainda falando, eis que vem Jônatas, filho de Abiatar, o sacerdote, e disse Adonias: Entra, porque és homem valente, e trarás boas novas. "
" E respondeu Jônatas, e disse a Adonias: Certamente nosso senhor, rei Davi, constituiu rei a Salomão; "
" E o rei enviou com ele a Zadoque, o sacerdote, e a Natã, o profeta, e a Benaia, filho de Joiada, e aos quereteus e aos peleteus; e o fizeram montar na mula do rei. "
" E Zadoque, o sacerdote, e Natã, o profeta, o ungiram rei em Giom, e dali subiram alegres, e a cidade está alvoroçada; este é o clamor que ouviste. "
" E também Salomão está assentado no trono do reino. "
" E também os servos do rei vieram abençoar a nosso senhor, o rei Davi, dizendo: Faça teu Deus que o nome de Salomão seja melhor do que o teu nome; e faça que o seu trono seja maior do que o teu trono. E o rei se inclinou no leito. "
" E também disse o rei assim: Bendito o Senhor Deus de Israel, que hoje tem dado quem se assente no meu trono, e que os meus olhos o vissem. "
" Então estremeceram e se levantaram todos os convidados que estavam com Adonias; e cada um se foi ao seu caminho. "
" Porém Adonias temeu a Salomão; e levantou-se, e foi, e apegou-se às pontas do altar. "
1 Reis 1:50 mostra Adonias, com medo de ser punido por Salomão, correndo para o altar em busca de proteção. O versículo ilustra alguém percebendo …
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