1 Reis 2:1
" E aproximaram-se os dias da morte de Davi; e deu ele ordem a Salomão, seu filho, dizendo: "
Entenda os temas principais e aplique 1 Reis 2 na sua vida hoje
46 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Davi apresenta a sucessão não apenas como um ato político, mas como continuidade da aliança de Deus com a casa de Davi. A estabilidade do trono está diretamente ligada à obediência à lei do Senhor, de todo o coração e de toda a alma.
Questões antigas de sangue derramado injustamente e de afrontas ao rei são trazidas à tona. Davi confia à sabedoria de Salomão o acerto de contas com Joabe e Simei, enfatizando que crimes graves contra inocentes e contra o ungido do Senhor não devem ficar impunes.
Salomão precisa demonstrar discernimento entre misericórdia e juízo: poupa Abiatar, mas o remove do sacerdócio; elimina Adonias e Joabe; testa a fidelidade de Simei. Sua firmeza consolida o trono e cumpre a palavra do Senhor.
Adonias, mesmo após perder o trono, continua alimentando pretensões veladas ao poder, usando o pedido de casamento com Abisague como estratégia política. Sua ambição, aliada a alianças perigosas, resulta em sua morte.
Davi lembra Salomão de recompensar os filhos de Barzilai, que foram leais em tempos de fuga e humilhação. A memória da lealdade e o reconhecimento do bem feito também fazem parte de um reino justo.
Versiculos-chave: 7
1 Reis 2 se situa no momento de transição entre os reinados de Davi e Salomão, por volta do século X a.C. Davi, após quarenta anos no trono (sete em Hebrom e trinta e três em Jerusalém), está prestes a morrer. O contexto imediato inclui a recente tentativa de Adonias de usurpar o trono, frustrada na narrativa anterior. Em Israel antigo, a sucessão real podia ser instável, especialmente em monarquias recentes, onde diferentes filhos do rei reivindicavam o trono. Nesse cenário, consolidar o poder exigia tanto legitimidade divina quanto habilidade política.
As figuras citadas têm longa história no período davídico: Joabe foi comandante do exército de Davi e esteve envolvido em mortes politicamente sensíveis (Abner e Amasa). Abiatar, sacerdote, apoiou Davi em momentos críticos, mas se alinhou com Adonias na disputa pela sucessão. Zadoque, outro sacerdote de destaque, apoiou Salomão e agora é elevado. Simei, da tribo de Benjamim, representa a antiga casa de Saul e o ressentimento contra Davi, evidenciado na maldição proferida quando Davi fugia de Absalão.
O banimento de Abiatar cumpre uma antiga profecia contra a casa de Eli em Siló, conectando este episódio a uma linha de julgamento divino que atravessa gerações. A tomada de decisões de Salomão, portanto, não é apenas realpolitik, mas é narrada como parte do cumprimento da palavra de Deus na história de Israel.
O capítulo apresenta uma estrutura narrativa em blocos bem definidos, que acompanham a passagem do poder e a consolidação do reino:
Despedida de Davi e suas últimas instruções (vv.1-9)
Morte de Davi e entronização de Salomão (vv.10-12)
Intriga de Adonias e sua morte (vv.13-25)
Destino de Abiatar e cumprimento da profecia (vv.26-27)
Refúgio e morte de Joabe; reorganização de cargos (vv.28-35)
Prova e queda de Simei; confirmação do reino (vv.36-46)
O texto alterna discurso direto (falas extensas de Davi, Salomão, Adonias, Simei) com comentários narrativos que destacam o cumprimento da palavra de Deus, reforçando o caráter teológico da história.
O capítulo sublinha que a monarquia em Israel é teologicamente condicionada: o trono de Davi não é apenas instituição política, mas fruto de promessa divina, ligada à obediência à lei do Senhor. A exortação de Davi a Salomão une coragem, masculinidade e fidelidade à Torá, indicando que verdadeira força está em submeter-se à vontade de Deus.
A justiça de Deus se manifesta tanto em nível pessoal quanto institucional. Crimes não resolvidos, como os assassinatos cometidos por Joabe, não são simplesmente questões de vingança, mas de purificação da nação do sangue inocente. A narrativa indica que o Senhor faz recair o sangue sobre a cabeça do culpado, preservando, em contraste, paz para a casa de Davi. A justiça divina atua através das decisões reais, mas o texto insiste que a iniciativa última é do Senhor.
Ao tratar de Abiatar, a história mostra que Deus governa a história por meio de promessas e julgamentos já anunciados. A remoção desse sacerdote é explicitamente descrita como cumprimento da palavra de Deus contra a casa de Eli. Assim, eventos políticos e eclesiásticos são interpretados como parte de um enredo maior, em que Deus zela pela santidade de seu culto e pela integridade de seus representantes.
A figura de Salomão surge como rei-sábio, que discerne intenções por trás de pedidos aparentemente inocentes e sabe equilibrar misericórdia (poupando Abiatar) e firmeza (executando Adonias, Joabe e Simei). Sua sabedoria, porém, é apresentada não apenas como capacidade humana, mas como expressão do Deus que o confirmou no trono e lhe deu casa, segundo a palavra prometida a Davi.
O tema da responsabilidade moral também é teologicamente relevante. Joabe, Adonias e Simei não são simplesmente vítimas de uma política dura, mas colhem as consequências de ações passadas, intenções ambiciosas e quebras de juramentos. Ao mesmo tempo, quem foi leal a Davi, como os filhos de Barzilai, é lembrado e honrado. A bênção e o juízo de Deus aparecem, assim, em continuidade com a história e com o caráter de cada um.
Em termos de cuidado emocional, 1 Reis 2 retrata o fim de uma era, com a morte de Davi, e todas as tensões que costumam acompanhar grandes transições: medo, insegurança, disputas por espaço e necessidade de acertos pendentes. A cena inicial mostra um pai envelhecido transmitindo valores fundamentais ao filho, lembrando que identidade e propósito se sustentam na fidelidade a Deus, não apenas em conquistas externas.
O capítulo também toca em feridas antigas que não foram totalmente resolvidas. Histórias de sangue derramado, traições e maldições ressurgem no momento de mudança, mostrando como conflitos não tratados podem reaparecer em fases sensíveis da vida. Ao mesmo tempo, há um movimento de ordenar a casa: reconhecer quem foi leal, enfrentar injustiças, colocar limites a pessoas perigosas.
Em nível emocional, o texto revela que coragem não é ausência de medo, mas firmeza em fazer o que é certo, mesmo quando envolve decisões difíceis. Salomão precisa lidar com pessoas próximas, algumas ligadas ao próprio pai, e colocar um fim em ciclos de violência e afronta. O capítulo sugere que a paz verdadeira não vem da negação de conflitos, mas do enfrentamento honesto de situações que ameaçam a integridade e a justiça.
Há também um lado de luto: Davi “dorme com seus pais”, e o resumo de sua vida mostra que mesmo grandes líderes têm um tempo delimitado. O fim da caminhada de Davi é marcado não por perfeição, mas por confiança na promessa de Deus para a geração seguinte. Esse movimento aponta para a possibilidade de aceitar limites pessoais, concluir ciclos e entregar o futuro nas mãos de Deus.
O capítulo expõe vários pontos de atenção relevantes para a saúde emocional e relacional:
Ambição não tratada e ressentimento: Adonias não aceita a perda do trono e alimenta um senso de direito ferido, o que o leva a manobras veladas. Esse padrão ilustra como expectativas frustradas e orgulho podem conduzir a atitudes autodestrutivas.
Ciclos de violência e vingança: A história de Joabe remete a derramamento de sangue contínuo. Situações de agressividade e desejo de acerto de contas constantes podem indicar ambientes altamente tóxicos, marcados por traumas acumulados.
Quebra de juramentos e impulsividade: Simei demonstra incapacidade de manter limites claramente estabelecidos, mesmo sabendo das consequências. Esse comportamento pode refletir dificuldade de autocontrole, tomada de decisão impulsiva e padrões repetidos de autossabotagem.
Clima de medo e insegurança: A sucessão real é permeada por ameaça de morte, punições severas e necessidade de se proteger. Contextos familiares ou comunitários dominados por medo constante podem gerar ansiedade crônica e sensação permanente de perigo.
Culpa e peso do passado: A insistência na memória de erros graves revela como o passado ainda pesa sobre o presente. Para muitas pessoas, histórias de culpa, vergonha ou injustiça não resolvida podem manter um estado de angústia prolongada.
Em situações reais de violência, abuso, ameaças ou impulsos autodestrutivos, é importante buscar ajuda especializada, apoio pastoral saudável e, quando necessário, proteção legal e comunitária.
1 Reis 2 oferece vários princípios para a vida prática:
Viver com senso de legado: Davi, consciente da morte, não se concentra apenas em detalhes políticos, mas em transmitir ao filho valores centrais: coragem, obediência à Palavra de Deus e integridade de coração. A vida cotidiana também pode ser orientada por esse senso de legado, mais do que por resultados imediatos.
Conectar sucesso à fidelidade, não só à habilidade: A promessa ligada ao trono de Davi destaca que verdadeira prosperidade envolve caminhar nos caminhos do Senhor. Tal perspectiva convida a enxergar decisões profissionais, familiares e financeiras à luz da obediência a princípios de justiça, verdade e misericórdia.
Resolver pendências de forma sábia: O capítulo mostra que assuntos graves não resolvidos tendem a emergir em momentos de mudança. Lidar com conflitos, pedir perdão, estabelecer limites e reconhecer erros pode evitar que crises se agravem em fases delicadas.
Discernir intenções por trás de palavras e pedidos: Salomão percebe que o pedido de Adonias por Abisague não é apenas questão afetiva, mas movimento político. Na prática, isso incentiva a observar contexto, histórico e motivações, em vez de se guiar apenas pela aparência das palavras.
Equilibrar misericórdia e responsabilidade: Salomão poupa Abiatar da morte em respeito ao seu passado de serviço, mas o afasta de uma posição sensível. Em muitas situações da vida, pode ser necessário não confundir perdão com ausência de consequências, preservando ao mesmo tempo a dignidade da pessoa e a segurança do ambiente.
Aprender com o passado sem ficar preso a ele: Davi e Salomão lidam com erros e lealdades passadas de forma objetiva, integrando essa memória às decisões presentes. A lembrança pode servir para proteção e sabedoria, sem se transformar em amargura permanente.
Honrar quem foi leal em tempos difíceis: Os filhos de Barzilai recebem lugar à mesa do rei por causa da fidelidade do pai. Na vida diária, reconhecer e valorizar pessoas que estiveram presentes em momentos de crise fortalece vínculos de confiança e gratidão.
Davi entende que o futuro do reino de Israel e a continuidade da promessa de Deus à sua casa dependem da fidelidade à aliança. Ao dizer “esforça-te e sê homem” e mandar Salomão guardar estatutos, mandamentos, juízos e testemunhos, Davi mostra que verdadeira força não se resume a poder militar ou habilidade política, mas a caminhar nos caminhos do Senhor. A prosperidade mencionada está ligada a essa obediência.
Agarrar-se às pontas do altar podia simbolizar busca de misericórdia, mas a lei previa que assassinos deliberados não deveriam receber proteção pelo altar. A narrativa destaca que Joabe derramou sangue inocente em tempo de paz, matando Abner e Amasa. Salomão, então, entende que mantê-lo vivo significaria carregar a culpa desse sangue sobre o reino. A execução é apresentada como forma de remover essa culpa e fazer justiça, de acordo com o princípio de que Deus faz recair o sangue do inocente sobre o culpado.
Na cultura da época, mulheres que haviam servido intimamente ao rei, mesmo sem relação sexual explícita, podiam ser associadas ao seu harém. Ao pedir Abisague em casamento, Adonias, que já havia tentado tomar o trono, podia estar reivindicando simbolicamente algum direito sobre o reino. Salomão interpreta o pedido como parte de uma tentativa de recuperar influência política, por isso reage com firmeza e o considera uma ameaça à própria vida de Adonias.
Abiatar, como sacerdote, apoiou Davi em momentos difíceis e carregou a arca do Senhor diante dele. Por respeito a esse histórico e talvez para evitar um escândalo religioso maior, Salomão poupa sua vida, mas o afasta da função sacerdotal, já que ele havia se aliado à conspiração de Adonias. O texto ainda explica que essa remoção cumpre a palavra do Senhor contra a casa de Eli, mostrando que não se trata apenas de cálculo político, mas de julgamento divino sobre uma linhagem sacerdotal que já vinha sob condenação.
Simei havia amaldiçoado Davi de forma grave e recebeu um juramento de Davi de que não seria morto à espada naquele momento. Salomão, ao assumir o trono, impõe a Simei um limite claro: permanecer em Jerusalém, com a advertência de que sair significaria morte certa. Ao quebrar esse acordo e sair para Gate, mesmo que por motivo pessoal, Simei demonstra desobediência direta ao rei e falta de temor às consequências. Salomão interpreta isso como confirmação da maldade que já existia no coração de Simei e, com base nessa quebra de juramento e no histórico dele, ordena sua execução, entendendo que o próprio Senhor faz recair sua maldade sobre sua cabeça.
Este capítulo acompanha o fim da jornada de Davi e o início do caminho de Salomão, e carrega um clima profundo de despedida, tensão e redefinição de rumos. Há um pai envelhecido, consciente de sua fragilidade, reforçando ao filho o que realmente importa: coragem e fidelidade a Deus. Em meio a lembranças dolorosas, traições e sangues derramados, Davi ainda se preocupa em garantir que o coração do filho permaneça alinhado com o Senhor. As linhas dessa história mostram pessoas carregando feridas antigas: ofensas, humilhações, injustiças, promessas feitas no calor da dor. Quando chega a transição, tudo isso ressurge. Isso revela como a alma humana guarda memórias intensas e como, em momentos de mudança, dores passadas podem ficar mais sensíveis. Ao mesmo tempo, percebe-se um esforço de pôr ordem, seja lembrando quem foi leal, seja finalmente enfrentando o que não podia mais ser ignorado. Salomão aparece como alguém chamado a viver entre afetos e firmeza, tendo de tomar decisões duras sobre pessoas próximas ou marcantes para a história de sua família. Isso ecoa a realidade de quem precisa cuidar do que recebeu das gerações anteriores, ao mesmo tempo em que lida com heranças complicadas. No meio da pressão, a narrativa insiste que Deus está confirmando o trono prometido e trazendo paz à casa de Davi. Dentro desse cenário pesado, uma verdade suave se insinua: Deus não abandona sua promessa por causa da bagunça humana. Mesmo com erros, rivalidades e falhas, o Senhor mantém sua fidelidade e conduz a história para a paz e a estabilidade que havia prometido. Essa fidelidade constante oferece consolo a corações que carregam o peso de histórias difíceis: a graça de Deus pode se mover inclusive através de situações tensas e imperfeitas, sem perder de vista aqueles que lhe pertencem.
1 Reis 2 é um texto chave para entender a teologia da sucessão davídica e a dinâmica entre promessa divina, responsabilidade humana e realpolitik em Israel. A advertência inicial de Davi a Salomão, nos vv.2-4, ecoa fortemente o linguajar de Deuteronômio: obediência à lei de Moisés, com todo o coração e toda a alma, está intrinsecamente ligada à prosperidade e à continuidade da linhagem no trono. O autor estabelece desde cedo que o reinado de Salomão se insere no quadro da aliança deuteronomista. As instruções sobre Joabe, os filhos de Barzilai e Simei evidenciam que a transição de poder não é neutra; envolve resolução de pendências do reinado anterior. Joabe é associado ao “sangue de guerra em tempo de paz”, o que sugere violação de normas sobre derramamento de sangue e compromete a “pureza” do governo. Simei, por sua vez, encarna a oposição benjamita ligada à casa de Saul. Já os filhos de Barzilai simbolizam a lealdade recompensada, um contraponto positivo. A narrativa sobre Adonias (vv.13-25) é densa em implicações políticas. Solicitar Abisague, antiga cuidadora de Davi, pode indicar uma reivindicação velada sobre o trono, à semelhança de práticas do antigo Oriente Próximo, onde tomar as mulheres do antecessor simbolizava apropriação de sua autoridade. Salomão, ao perceber isso, lê o pedido como um ataque conjunto, envolvendo Adonias, Abiatar e Joabe, e responde com a pena capital. O tratamento dado a Abiatar (vv.26-27) une história, teologia e culto. Sua remoção cumpre a profecia contra a casa de Eli, ligando o presente a uma longa linha de juízo sacerdotal, e ao mesmo tempo legitima o sacerdócio de Zadoque como linha fiel. O autor, assim, conecta liderança política e sacerdotal sob a perspectiva da fidelidade à palavra de Deus. No caso de Joabe e Simei, a narrativa sublinha o princípio da retribuição. A linguagem de o sangue “recair sobre a cabeça” do culpado remete a tradições legais da Torá, nas quais o sangue inocente exige expiação. A execução desses personagens não é apresentada apenas como eliminação de rivais, mas como ato de justiça que remove a culpa da casa de Davi e prepara o cenário para um reinado caracterizado pela “paz” prometida. O final do capítulo, ao afirmar que “assim foi confirmado o reino na mão de Salomão”, encerra uma unidade literária: as intrigas de sucessão dos capítulos anteriores atingem seu clímax e resolução. Do ponto de vista da teologia bíblica, o texto prepara o leitor para a apresentação de Salomão como rei sábio, cuja legitimidade não se apoia apenas na hereditariedade, mas no fato de ter sido confirmado pelo Senhor e de ter enfrentado, com dureza e discernimento, as ameaças à ordem estabelecida.
A vida concreta que aparece em 1 Reis 2 é feita de transições difíceis, decisões delicadas e necessidade de colocar a casa em ordem. Davi, no fim da vida, mostra que não basta passar o trono; é preciso passar também critérios, valores e a visão de como lidar com pessoas e situações complexas. Ele orienta Salomão sobre quem representou risco e quem foi apoio, ajudando o filho a enxergar o cenário relacional que herdaria. Salomão, por sua vez, precisa demonstrar na prática que está apto a liderar. Isso envolve lidar com gente próxima, com históricos de lealdade e também de traição. Ele precisa discernir intenções, identificar riscos para a estabilidade do reino e tomar medidas firmes. Esse retrato toca questões atuais: qualquer pessoa em posição de responsabilidade precisa, em algum momento, definir limites, reconhecer alianças perigosas e valorizar quem de fato se mostrou fiel em tempos difíceis. A história de Adonias ilustra os perigos de ambições mal resolvidas. Mesmo depois de perder a disputa pelo trono, ele busca uma via indireta para retomar influência. Em muitas áreas da vida — família, trabalho, ministério — é possível encontrar situações assim: pessoas que, em vez de lidar com frustrações de forma madura, tentam manipular circunstâncias para recuperar espaço. A resposta de Salomão lembra que tolerar certos movimentos pode colocar em risco a integridade de todo o projeto. Ao mesmo tempo, o trato com Abiatar mostra uma nuance importante: reconhecer o bem já feito sem ignorar o mal presente. Salomão poupa sua vida em respeito ao serviço prestado a Davi, mas o retira de uma posição de influência, por causa da sua participação em uma conspiração perigosa. Isso aponta para a necessidade, em algumas relações, de separar gratidão por contribuições passadas da prudência quanto ao papel da pessoa no presente. Simei representa aquela figura que já causou grande dano, recebe uma nova chance sob condições claras, mas volta a romper limites. Isso lembra a importância de estabelecer fronteiras nítidas e de observar se há consistência nas mudanças de comportamento. Em determinadas situações, manter acordos firmes pode ser essencial para a segurança de todos os envolvidos. Em termos práticos, o capítulo incentiva a não varrer conflitos sérios para debaixo do tapete, especialmente em momentos de transição (mudanças de liderança, fases novas da família, recomeços). Enfrentar assuntos difíceis com honestidade, clareza e senso de justiça pode prevenir problemas maiores e abrir espaço para uma paz mais sólida no futuro.
1 Reis 2 abre uma janela para a maneira como Deus governa a história de forma paciente, rigorosa e fiel às promessas feitas. Davi se vê no fim do caminho, sabendo que está “indo pelo caminho de toda a terra”. A consciência da morte o leva a concentrar-se no que é eterno: a aliança com o Senhor, a obediência à sua lei e a promessa de que não faltaria sucessor no trono se os filhos andassem diante de Deus com coração e alma íntegros. Nesse sentido, a transição entre Davi e Salomão é mais do que troca de governo humano; é continuidade de uma linha messiânica que aponta para além deles. A promessa de um trono confirmado “para sempre” prepara o olhar para um rei maior, em quem justiça e paz se uniriam de modo pleno. A história de acertos de contas, derramamento de sangue e necessidade de purificar o reino destaca a carência de um reinado em que a justiça não precise ser garantida por execuções, mas se estabeleça de forma definitiva e perfeita. A maneira como o texto fala do sangue que recai sobre a cabeça do culpado ecoa o princípio espiritual de que o pecado traz consequências reais. Ao mesmo tempo, a narrativa mostra que Deus não esquece: Ele observa o que foi feito contra inocentes, a maldade sem arrependimento, as maldições proferidas contra seu ungido. Esse olhar divino que atravessa gerações lembra que a vida não é apenas uma sequência de eventos soltos; existe um juízo reto, ainda que, muitas vezes, tardio aos olhos humanos. Por outro lado, a fidelidade de Deus brilha ao preservar a casa de Davi e conceder paz, apesar das falhas humanas. O Senhor não abandona seu propósito mesmo no meio de intrigas, mortes e decisões difíceis. Essa fidelidade aponta para uma esperança maior: um reino em que a justiça não será mais parcial, em que toda lágrima será enxugada e em que os conflitos que marcam a história de reis e povos darão lugar à paz duradoura. Espiritualmente, o capítulo convida a considerar a própria vida à luz do fim: Davi avalia não apenas o que realizou, mas como a promessa de Deus continuará adiante. Essa perspectiva de eternidade desloca o foco de conquistas temporárias para o alinhamento com o propósito divino, chamando cada pessoa a viver de modo que a obediência, a confiança e a esperança em Deus sejam o verdadeiro legado deixado para as próximas gerações.
" E aproximaram-se os dias da morte de Davi; e deu ele ordem a Salomão, seu filho, dizendo: "
" Eu vou pelo caminho de toda a terra; esforça-te, pois, e sê homem. "
" E guarda a ordenança do Senhor teu Deus, para andares nos seus caminhos, e para guardares os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus testemunhos, como está escrito na lei de Moisés; para que prosperes em tudo quanto fizeres, e para onde quer que fores. "
" Para que o Senhor confirme a palavra, que falou de mim, dizendo: Se teus filhos guardarem o seu caminho, para andarem perante a minha face fielmente, com todo o seu coração e com toda a sua alma, nunca, disse, te faltará sucessor ao trono de Israel. "
1 Reis 2:4 mostra que a promessa de Deus a Davi dependia da obediência de seus descendentes. Não é um “trato comercial”, mas um chamado …
Ler analise completa" E também tu sabes o que me fez Joabe, filho de Zeruia, e o que fez aos dois capitães do exército de Israel, a Abner filho de Ner, e a Amasa, filho de Jeter, os quais matou, e em paz derramou o sangue de guerra, e pôs o sangue de guerra no cinto que tinha nos lombos, e nos sapatos que trazia nos pés. "
" Faze, pois, segundo a tua sabedoria, e não permitas que suas cãs desçam à sepultura em paz. "
1 Reis 2:6 mostra Davi orientando Salomão a usar sabedoria para fazer justiça contra alguém que fez muito mal no passado. O versículo ensina que …
Ler analise completa" Porém com os filhos de Barzilai, o gileadita, usarás de beneficência, e estarão entre os que comem à tua mesa, porque assim se chegaram eles a mim, quando eu fugia por causa de teu irmão Absalão. "
" E eis que também contigo está Simei, filho de Gera, filho de Benjamim, de Baurim, que me maldisse com maldição atroz, no dia em que ia a Maanaim; porém ele saiu a encontrar-se comigo junto ao Jordão, e eu pelo Senhor lhe jurei, dizendo que o não mataria à espada. "
" Mas agora não o tenhas por inculpável, pois és homem sábio, e bem saberás o que lhe hás de fazer para que faças com que as suas cãs desçam à sepultura com sangue. "
" E Davi dormiu com seus pais, e foi sepultado na cidade de Davi. "
" E foram os dias que Davi reinou sobre Israel quarenta anos: sete anos reinou em Hebrom, e em Jerusalém reinou trinta e três anos. "
" E Salomão se assentou no trono de Davi, seu pai, e o seu reino se fortificou sobremaneira. "
" Então veio Adonias, filho de Hagite, a Bate-Seba, mãe de Salomão; e disse ela: De paz é a tua vinda? E ele disse: É de paz. "
" Então disse ele: Uma palavra tenho que dizer-te. E ela disse: Fala. "
" Disse, pois, ele: Bem sabes que o reino era meu, e todo o Israel tinha posto a vista em mim para que eu viesse a reinar, contudo o reino foi transferido e veio a ser de meu irmão, porque foi feito seu pelo Senhor. "
" Assim que agora uma só petição te faço; não ma rejeites. E ela lhe disse: Fala. "
" E ele disse: Peço-te que fales ao rei Salomão (porque ele não te rejeitará) que me dê por mulher a Abisague, a sunamita. "
" E disse Bate-Seba: Bem, eu falarei por ti ao rei. "
" Assim foi Bate-Seba ao rei Salomão, a falar-lhe por Adonias; e o rei se levantou a encontrar-se com ela, e se inclinou diante dela; então se assentou no seu trono, e fez pôr uma cadeira para a sua mãe, e ela se assentou à sua direita. "
" Então disse ela: Só uma pequena petição te faço; não ma rejeites. E o rei lhe disse: Pede, minha mãe, porque não ta negarei. "
" E ela disse: Dê-se Abisague, a sunamita, a Adonias, teu irmão, por mulher. "
" Então respondeu o rei Salomão, e disse a sua mãe: E por que pedes a Abisague, a sunamita, para Adonias? Pede também para ele o reino (porque é meu irmão maior), para ele, digo, e também para Abiatar, sacerdote, e para Joabe, filho de Zeruia. "
" E jurou o rei Salomão pelo Senhor, dizendo: Assim Deus me faça, e outro tanto, se não falou Adonias esta palavra contra a sua vida. "
" Agora, pois, vive o Senhor, que me confirmou, e me fez assentar no trono de Davi, meu pai, e que me tem feito casa, como tinha falado, que hoje morrerá Adonias. "
" E enviou o rei Salomão pela mão de Benaia, filho de Joiada, o qual arremeteu contra ele de modo que morreu. "
" E a Abiatar, o sacerdote, disse o rei: Vai para Anatote, para os teus campos, porque és homem digno de morte; porém hoje não te matarei, porquanto levaste a arca do Senhor DEUS diante de Davi, meu pai, e porquanto foste aflito em tudo quanto meu pai foi aflito. "
" Lançou, pois, Salomão fora a Abiatar, para que não fosse sacerdote do Senhor, para cumprir a palavra do Senhor, que tinha falado sobre a casa de Eli em Siló. "
" E chegou a notícia até Joabe (porque Joabe tinha se desviado seguindo a Adonias, ainda que não tinha se desviado seguindo a Absalão), e Joabe fugiu para o tabernáculo do Senhor, e apegou-se às pontas do altar. "
" E disseram ao rei Salomão que Joabe tinha fugido para o tabernáculo do Senhor; e eis que está junto ao altar; então Salomão enviou Benaia, filho de Joiada, dizendo: Vai, arremete sobre ele. "
" E foi Benaia ao tabernáculo do Senhor, e lhe disse: Assim diz o rei: Sai daí. E disse ele: Não, porém aqui morrerei. E Benaia tornou com a resposta ao rei, dizendo: Assim falou Joabe, e assim me respondeu. "
" E disse-lhe o rei: Faze como ele disse, e arremete contra ele, e sepulta-o, para que tires de mim e da casa de meu pai o sangue que Joabe sem causa derramou. "
" Assim o Senhor fará recair o sangue dele sobre a sua cabeça, porque deu sobre dois homens mais justos e melhores do que ele, e os matou à espada, sem que meu pai Davi o soubesse, a saber: a Abner, filho de Ner, capitão do exército de Israel, e a Amasa, filho de Jeter, capitão do exército de Judá. "
" Assim recairá o sangue destes sobre a cabeça de Joabe e sobre a cabeça da sua descendência para sempre; mas a Davi, e à sua descendência, e à sua casa, e ao seu trono, dará o Senhor paz para todo o sempre. "
" E subiu Benaia, filho de Joiada, e arremeteu contra ele, e o matou; e foi sepultado em sua casa, no deserto. "
" E o rei pôs a Benaia, filho de Joiada, em seu lugar sobre o exército, e a Zadoque, o sacerdote, pôs o rei em lugar de Abiatar. "
" Depois mandou o rei, e chamou a Simei, e disse-lhe: Edifica-te uma casa em Jerusalém, e habita aí, e daí não saias, nem para uma nem para outra parte. "
" Porque há de ser que no dia em que saíres e passares o ribeiro de Cedrom, de certo que sem dúvida morrerás; o teu sangue será sobre a tua cabeça. "
1 Reis 2:37 mostra uma ordem clara e um limite estabelecido por Salomão para Simei: se ele ultrapassasse o ribeiro de Cedrom, sofreria as consequências. …
Ler analise completa" E Simei disse ao rei: Boa é essa palavra; como tem falado o rei meu senhor, assim fará o teu servo. E Simei habitou em Jerusalém muitos dias. "
" Sucedeu, porém, que, ao cabo de três anos, dois servos de Simei fugiram para Aquis, filho de Maaca, rei de Gate; e deram parte a Simei, dizendo: Eis que teus servos estão em Gate. "
" Então Simei se levantou, e albardou o seu jumento, e foi a Gate, ter com Aquis, em busca de seus servos; assim foi Simei, e trouxe os seus servos de Gate. "
" E disseram a Salomão como Simei fora de Jerusalém a Gate, e já tinha voltado. "
" Então o rei mandou chamar a Simei, e disse-lhe: Não te conjurei eu pelo Senhor, e protestei contra ti, dizendo: No dia em que saíres para uma ou outra parte, sabe de certo que, sem dúvida, morrerás? E tu me disseste: Boa é essa palavra que ouvi. "
" Por que, pois, não guardaste o juramento do Senhor, nem a ordem que te dei? "
1 Reis 2:43 mostra que quebrar uma promessa feita diante de Deus traz consequências sérias. Salomão lembra a Simei que ele conhecia a ordem e …
Ler analise completa" Disse mais o rei a Simei: Bem sabes tu toda a maldade que o teu coração reconhece, que fizeste a Davi, meu pai; pelo que o Senhor fez recair a tua maldade sobre a tua cabeça. "
" Mas o rei Salomão será abençoado, e o trono de Davi será confirmado perante o Senhor para sempre. "
" E o rei mandou a Benaia, filho de Joiada, o qual saiu, e arremeteu contra ele, de modo que morreu; assim foi confirmado o reino na mão de Salomão. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.