1 Reis 18:1
" E sucedeu que, depois de muitos dias, a palavra do SENHOR veio a Elias, no terceiro ano, dizendo: Vai, apresenta-te a Acabe; porque darei chuva sobre a terra. "
Entenda os temas principais e aplique 1 Reis 18 na sua vida hoje
46 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
O culto a Baal dominava Israel, incentivado por Acabe e Jezabel. Elias convoca o povo a decidir entre o Senhor e Baal, mostrando que não há espaço para neutralidade espiritual. O silêncio de Baal e a resposta poderosa do Senhor revelam que só o Deus de Israel é vivo e soberano.
O fogo que cai do céu e consome até a água mostra que nenhuma limitação humana impede a ação divina. Deus responde à oração de Elias de forma incontestável, autentica seu servo e traz o povo de volta ao reconhecimento da verdade.
O altar quebrado é restaurado, as doze pedras recordam a identidade de Israel, e o povo se prostra declarando a soberania do Senhor. A chuva que volta depois do fogo é sinal de misericórdia: a disciplina da seca cede lugar ao refrigério da graça.
Elias enfrenta Acabe, desafia centenas de profetas de Baal e age sozinho em meio a um povo indeciso. Obadias, mesmo dentro da estrutura do palácio, teme ao Senhor e protege profetas perseguidos. Deus preserva seus servos em contextos de oposição.
Embora Deus tenha prometido chuva, Elias se coloca em profunda oração até que o sinal da nuvem apareça. A pequena nuvem se torna grande tempestade, ilustrando como Deus muitas vezes começa sua resposta de maneira discreta, mas cumpre plenamente sua palavra.
1 Reis 18 se passa durante o reinado de Acabe, rei de Israel (o reino do Norte), por volta do século IX a.C. Acabe se casou com Jezabel, filha do rei de Sidom, o que intensificou a introdução e oficialização do culto a Baal e Aserá em Israel. Baal era considerado deus da chuva, da fertilidade e da colheita entre os povos cananeus, o que torna irônica a seca enviada pelo Senhor: o verdadeiro Deus demonstra que controla o clima, não Baal.
A seca já durava cerca de três anos, causando fome extrema em Samaria. Jezabel perseguia e matava os profetas do Senhor, enquanto sustentava os profetas de Baal e de Aserá na corte (v.19). Nesse cenário, Obadias, administrador do palácio e temente a Deus, arrisca a própria vida escondendo e sustentando cem profetas do Senhor (v.3–4).
O monte Carmelo, local do confronto, era uma região elevada próxima ao mar Mediterrâneo, fértil e associada a cultos cananeus. Fazer ali o teste entre Baal e o Senhor era como entrar em “território inimigo” e mostrar quem é o verdadeiro Deus. A execução dos profetas de Baal após o milagre (v.40) reflete a legislação de Deuteronômio 13, que determinava punição severa para falsos profetas que levassem o povo à idolatria.
O capítulo apresenta uma narrativa dramática e cuidadosamente construída, com forte contraste entre silêncio e resposta, dúvida e decisão:
1 Reis 18 é um texto central sobre a unicidade de Deus, a falsidade da idolatria e a forma como o Senhor autentica sua própria glória na história.
Em primeiro lugar, o capítulo afirma que o Senhor é o único Deus verdadeiro. A pergunta de Elias — “Até quando coxeareis entre dois pensamentos?” — denuncia a tentativa de conciliar o culto ao Senhor com práticas idólatras. A ausência total de resposta de Baal, mesmo com todo o fervor religioso de seus profetas, revela que ídolos são impotentes, independentemente da sinceridade ou intensidade de quem os adora.
Em segundo lugar, o texto destaca que Deus age em fidelidade à sua palavra. Tanto a seca quanto a volta da chuva estão ligadas à aliança e às advertências dadas anteriormente por meio da Lei. Elias ora “conforme à tua palavra” (v.36), mostrando que a oração eficaz não é manipulação, mas alinhamento com o que Deus já revelou.
Terceiro, a narrativa mostra o papel do profeta como mediador e representante da vontade de Deus diante do povo e do rei. Elias não busca glória pessoal; ele pede que Deus responda “para que este povo conheça que tu és o Senhor Deus, e que tu fizeste voltar o seu coração” (v.37). O milagre tem objetivo de restauração da fé e do coração do povo, não apenas exibição de poder.
Por fim, o capítulo une juízo e misericórdia. O fogo que cai no Carmelo é sinal de juízo contra a idolatria e de confirmação do sacrifício legítimo; a execução dos falsos profetas expressa a santidade de Deus e a seriedade do pecado de conduzir muitos ao erro. Ao mesmo tempo, a grande chuva que se segue mostra a graça de Deus que, após a disciplina, oferece renovação, fertilidade e nova oportunidade para o povo caminhar na obediência.
Este capítulo oferece uma rica base para reflexões terapêuticas e pastorais. A experiência de Elias no Carmelo ocorre em contexto de extrema pressão, perseguição e sensação de isolamento. Ele se percebe como “o único” profeta do Senhor que restou diante de uma maioria contrária, o que ilustra sentimentos de solidão espiritual, minoria e vulnerabilidade diante de sistemas opressivos.
O texto também evidencia diferentes formas de lidar com medo e risco. Obadias vive um conflito interno: teme a Deus e é leal, mas atua dentro de uma estrutura dominada pelo mal, administrando o palácio de um rei idólatra. Sua narrativa ressoa com quem tenta manter a fé e a integridade em ambientes de trabalho hostis ou incoerentes com seus valores.
O confronto no Carmelo mostra a diferença entre esforços humanos exaustivos e confiança serena em Deus. Os profetas de Baal se esgotam em gritos e automutilação sem qualquer retorno, o que lembra padrões de autodestruição, tentativas desesperadas de controle e religiosidade baseada em performance. Em contraste, a oração de Elias é simples, centrada em Deus, e acompanhada de uma confiança que não depende de barulho ou efeitos externos.
A sequência da oração pela chuva traz um elemento importante de perseverança e frustração: por seis vezes o servo não vê nada, até que surge uma pequena nuvem. Isso se conecta à experiência de quem ora, espera mudanças ou recuperação emocional e, por muito tempo, não vê resultados visíveis. O texto oferece um modelo de persistência realista, em que a esperança é sustentada mesmo quando os sinais são pequenos e tardios.
Há também um elemento de restauração de identidade: o altar reconstruído com doze pedras remete ao chamado original de Israel e reforça que, mesmo em meio à idolatria e à culpa coletiva, existe possibilidade de reconstrução e retorno àquilo que Deus planejou.
O capítulo contém elementos que podem ser difíceis para algumas pessoas.
Em contextos de cuidado emocional ou aconselhamento, é importante abordar esses textos de forma sensível, acolher reações intensas, e reforçar a diferença entre a narrativa histórica específica e práticas abusivas justificadas de forma indevida em contextos atuais.
1 Reis 18 oferece aplicações práticas para diversos aspectos da vida cotidiana:
Decisões espirituais claras: a pergunta “Até quando coxeareis entre dois pensamentos?” desafia a viver sem duplicidade interior. Na prática, isso toca escolhas diárias: prioridades, uso de tempo, valores no trabalho, relações e ética. O texto incentiva coerência entre fé professada e conduta.
Integridade em ambientes hostis: Obadias ensina que é possível temer a Deus mesmo servindo dentro de estruturas marcadas por injustiça ou idolatria. Isso inspira quem trabalha em contextos difíceis a buscar maneiras criativas e discretas de fazer o bem, proteger vulneráveis e manter a consciência diante de Deus.
Coragem para confrontar padrões destrutivos: Elias simboliza a necessidade, em certas situações, de confronto direto a sistemas de mentira, injustiça ou idolatria moderna (dinheiro, poder, aparência, sucesso). Isso pode significar dizer a verdade com respeito, recusar práticas antiéticas ou posicionar-se quando a maioria se cala.
Simplicidade e confiança na oração: em contraste com o desespero dos profetas de Baal, a oração de Elias é centrada em quem Deus é, não em técnicas ou esforços extremos. Na vida prática, isso se traduz em uma vida de oração honesta, constante, que não tenta manipular Deus, mas se apoia em sua palavra e caráter.
Perseverança diante de aparentes “silêncios”: a insistência de Elias ao mandar seu servo olhar o céu sete vezes encoraja a não desistir no primeiro “não vejo nada”. Pode ser aplicado a processos de reconciliação familiar, mudanças de hábitos, lutas contra vícios ou construção de projetos de longo prazo.
Reconstrução de identidade e adoração: restaurar o altar com doze pedras lembra que antes de esperar “fogo” e “chuva”, há um chamado a voltar às bases: lembrar quem se é em Deus, rever compromissos, alinhar a vida à palavra do Senhor. Isso pode incluir revisão de prioridades, reconciliação com pessoas, retomada de disciplinas espirituais saudáveis.
Dependência de Deus em tempos de crise: a seca, a fome e o medo não impedem que Deus cumpra seu propósito. Essa perspectiva nutre confiança para enfrentar crises econômicas, desastres, mudanças abruptas, sabendo que o cuidado e a soberania de Deus não estão limitados pelas circunstâncias externas.
A seca em Israel estava ligada à idolatria e desobediência do povo, especialmente do rei Acabe e de Jezabel, que promoveram o culto a Baal. Segundo a aliança descrita na Lei, Deus havia advertido que a infidelidade traria consequências como falta de chuva e esterilidade da terra. Ao enviar uma seca longa, o Senhor desmonta a falsa confiança em Baal, suposto deus da chuva, e chama o povo ao arrependimento. A volta da chuva, após o confronto no Carmelo e a confissão do povo, mostra que o objetivo de Deus não era apenas punir, mas levar o coração de Israel de volta a Ele e restaurar a nação.
A expressão descreve um andar manco, vacilante, como alguém que oscila entre dois apoios sem se firmar em nenhum. Espiritualmente, Elias denuncia a tentativa do povo de servir ao Senhor e, ao mesmo tempo, seguir Baal. Em vez de assumirem claramente a fé no Deus de Israel ou rejeitá-la abertamente, viviam numa espécie de neutralidade conveniente. A pergunta de Elias exige definição: se o Senhor é Deus, Ele deve ser servido com exclusividade; se Baal fosse deus, então seria coerente segui-lo. Não existe espaço verdadeiro para adoração dividida, em que ídolos e o Senhor ocupem o mesmo lugar de confiança suprema.
Elias ordena que derramem água três vezes sobre o holocausto e a lenha para deixar claro que nenhum truque humano estava envolvido. A água encharca tudo, preenche o rego ao redor do altar e torna impossível acender o fogo por meios naturais. Assim, quando o fogo desce do céu e consome o sacrifício, a lenha, as pedras, o pó e a água, fica evidente que foi uma intervenção sobrenatural. O excesso de água intensifica o contraste entre a impotência de Baal, que nada responde, e o poder incontestável do Senhor, que responde de forma que ninguém poderia produzir ou imitar.
A execução dos profetas de Baal precisa ser entendida no contexto da antiga aliança, em que Israel era uma teocracia regida diretamente pelas leis dadas por Deus por meio de Moisés. Deuteronômio 13 estabelece pena severa para aqueles que levassem o povo a seguir outros deuses, pois sua influência colocava em risco a fidelidade da nação inteira. Esses profetas não eram apenas líderes religiosos de outra fé, mas agentes ativos de idolatria dentro do povo que havia se comprometido em aliança exclusiva com o Senhor. O episódio expressa a santidade de Deus e a seriedade do pecado coletivo. Não se trata de um modelo a ser repetido em contextos atuais, mas de um momento específico da história da redenção, sob um tipo particular de governo e legislação. No Novo Testamento, a batalha contra a idolatria se dá por meio da proclamação do evangelho e do chamado ao arrependimento, não por violência física.
Embora Deus já tivesse prometido enviar chuva, Elias se coloca em intensa oração, com o rosto entre os joelhos, e manda o servo verificar o céu sete vezes. Isso mostra que a promessa de Deus não elimina a necessidade de oração; ao contrário, a oração participa do cumprimento do que Deus determinou. Ensina também perseverança: por várias vezes o relatório é “não há nada”, mas Elias continua orando e mandando olhar de novo. Só na sétima vez aparece uma pequena nuvem, aparentemente insignificante, que logo se torna uma grande tempestade. A postura de Elias encoraja a confiar na palavra de Deus, a não desistir diante da demora e a valorizar os pequenos sinais de resposta que antecipam a plenitude do que Deus fará.
1 Reis 18 retrata um momento de extrema pressão e tensão emocional, tanto para Elias quanto para o povo. A seca prolongada, a fome, o medo de Jezabel e a sensação de viver em meio a um ambiente hostil à fé criam um cenário pesado, em que muitos provavelmente se sentiam cansados, confusos e divididos por dentro. Elias aparece como alguém que, mesmo firme, carrega um peso de solidão: ele repete que se vê como o único profeta do Senhor que restou, enquanto enfrenta centenas de profetas de Baal. Essa imagem de estar em minoria, de parecer sozinho na fé, fala àqueles que, em determinados contextos familiares, sociais ou profissionais, se sentem isolados em seus valores. O capítulo mostra que, mesmo quando alguém se sente assim, Deus está profundamente presente, guiando cada passo, desde o momento de se apresentar a Acabe até a chegada da chuva. Obadias traz outro tipo de dor emocional: ele teme a Deus e, ao mesmo tempo, vive com medo de morrer por fidelidade. Ele serve em um palácio marcado pela idolatria, carrega o segredo de ter escondido profetas, e teme ser responsabilizado injustamente. Sua história valida os conflitos internos de quem tenta fazer o que é certo em ambientes difíceis, cheio de riscos e inseguranças. O contraste entre o desespero dos profetas de Baal — gritos, cortes, exaustão — e a calma oração de Elias revela duas formas de lidar com o medo e a necessidade. De um lado, uma tentativa frenética de ser ouvido a qualquer custo, que leva à autodestruição; de outro, uma confiança que se expressa em uma oração simples, porém profunda, que reconhece quem Deus é e descansa em sua fidelidade. A resposta com fogo e depois com chuva não é apenas demonstração de poder; é também um gesto de cuidado. O fogo aponta para a verdade, rompendo a confusão espiritual que mantinha o povo dividido. A chuva alivia a fome, a sede e a angústia acumulada ao longo dos anos. O texto sugere que Deus não é indiferente ao sofrimento coletivo nem à dor de quem busca permanecer fiel; Ele age no tempo certo, de maneira que restaura não apenas circunstâncias externas, mas o coração de um povo inteiro. As doze pedras do altar, representando as tribos de Israel, lembram que, mesmo em meio ao caos espiritual, Deus não esquece a identidade do seu povo. Há um lugar de retorno, reconstrução e recomeço. Essa imagem acolhe quem carrega culpa, cansaço ou confusão e teme ter ido longe demais: a história de Israel mostra que, onde há restauração do altar — lugar de encontro com Deus —, pode haver também restauração de coração.
Do ponto de vista exegético, 1 Reis 18 é um texto-chave para compreender a teologia deuteronomista e a luta contra a idolatria em Israel. O capítulo articula a relação entre aliança, juízo e restauração de forma concentrada em uma única narrativa, com o Carmelo como palco teológico e simbólico. A menção ao “terceiro ano” da seca (v.1) remete ao anúncio prévio de Elias em 1 Reis 17 e às maldições da aliança relacionadas à falta de chuva (cf. Deuteronômio 11 e 28). Baal, na religião cananeia, era entendido como senhor das chuvas e da fertilidade. Ao suspender a chuva, o Senhor expõe teologicamente a impotência de Baal, desmascarando-o no próprio campo em que era considerado poderoso. A estrutura do confronto é cuidadosamente construída: a convocação de todo o Israel (v.20) lembra assembleias de aliança, e a pergunta de Elias (v.21) assume a forma de um chamado à exclusividade da fidelidade. O verbo “coxeais” sugere não apenas indecisão, mas um andar defeituoso, uma falta de integridade no caminho. A teologia do texto não admite sincretismo: o Senhor não se permite dividir com Baal o lugar de Deus. Narrativamente, há um longo desenvolvimento da atuação dos profetas de Baal (v.26–29), com repetição e detalhamento das suas práticas, culminando em tripla negação: “não houve voz, nem resposta, nem atenção alguma”. Isso prepara o contraste com a brevidade e a clareza da oração de Elias (v.36–37), que invoca o Deus dos patriarcas, reforçando a continuidade da aliança. A resposta divina é descrita com verbos em cascata: o fogo consome holocausto, lenha, pedras, pó, e ainda lambe a água do rego (v.38), sublinhando de maneira quase hiperbólica a eficácia do agir de Deus. O altar restaurado com doze pedras (v.30–32) é teologicamente significativo. Em um contexto de divisão política (reino do Norte e reino do Sul), o texto recupera a noção de um Israel uno, definido pela palavra que Deus dirigiu a Jacó: “Israel será o teu nome”. O profeta do reino do Norte, portanto, apela à identidade de todo o povo de Deus, ultrapassando as fronteiras políticas. A execução dos profetas de Baal deve ser lida à luz da legislação deuteronômica sobre falsos profetas (Deuteronômio 13 e 18). Em termos literários, essa ação reforça a ideia de que a idolatria é uma ameaça mortal à aliança, não apenas um desvio opinativo. Teologicamente, o texto ressalta a santidade divina e a impossibilidade de convivência pacífica entre o culto ao Senhor e práticas que negam sua exclusividade. A parte final, com a promessa de chuva e a oração insistente de Elias (v.41–45), ecoa o padrão bíblico em que promessa e oração caminham juntos. Elias já ouve o “ruído de abundante chuva” pela fé, antes de qualquer evidência visível, mas ainda assim se coloca em súplica intensa. A pequena nuvem “como a mão de um homem” é literariamente expressiva: sinal mínimo que antecipa grande reversão climática. O capítulo se encerra com a fórmula “a mão do Senhor estava sobre Elias” (v.46), que liga diretamente a capacidade extraordinária do profeta à capacitação sobrenatural, reforçando a tese central da narrativa: tudo depende da ação soberana do Senhor, não da força humana, seja de reis, profetas falsos ou mesmo do próprio Elias.
Em termos práticos, 1 Reis 18 dialoga com decisões reais, conflitos de valores e posturas em ambientes difíceis. A pergunta central — “Até quando coxeareis entre dois pensamentos?” — traduz um dilema muito atual: viver dividido entre a fé declarada e as pressões de sistemas, relacionamentos e expectativas que empurram em outra direção. Na esfera do trabalho, Obadias é um personagem especialmente relevante. Ele exerce uma função de alta responsabilidade em um governo marcado pela idolatria, mas usa sua posição para proteger vidas e sustentar profetas perseguidos. Seu exemplo mostra que, mesmo quando não é possível mudar a estrutura em que se está inserido, ainda se pode agir de forma ética, criativa e corajosa para reduzir danos e abençoar pessoas. Elias ensina sobre coragem em confrontos inevitáveis. Ele não procura briga por orgulho, mas também não foge quando chega a hora de denunciar o que destrói o povo. Em contextos de corrupção, injustiça ou opressão, isso se traduz em saber quando é necessário falar, mesmo que haja risco de antipatia, perda de privilégios ou isolamento. A coragem de Elias se baseia na certeza de estar “perante a face do Senhor” (v.15), não em autoconfiança. A diferença entre a atuação dos profetas de Baal e a de Elias aponta para dois estilos de vida. De um lado, a busca frenética por resultados, o uso de qualquer método, a autolesão simbólica ou literal para tentar controlar o que foge ao controle. De outro, a confiança em Deus que permite agir com clareza, sem precisar recorrer à manipulação, à mentira ou ao esgotamento extremo. No cotidiano, isso atinge decisões sobre como perseguir metas profissionais, tratar o próprio corpo, estabelecer limites saudáveis em relacionamentos e manter integridade quando se está sob pressão. A cena da oração pela chuva traz lições práticas sobre perseverança. Elias manda seu servo olhar o céu sete vezes, e seis vezes a resposta é negativa. Isso espelha processos de mudança que exigem repetição: conversas difíceis que precisam ser retomadas, tentativas de reconciliação, tratamentos, projetos que não avançam de imediato. A narrativa sugere que o fato de “não ver nada” em um primeiro momento não significa que nada esteja acontecendo; muitas vezes, a nuvem começa pequena antes de virar tempestade. Por fim, a restauração do altar com doze pedras fala de voltar às bases. Em momentos de crise ou confusão, a resposta prática não é apenas pedir soluções rápidas, mas revisar fundamentos: prioridades, rotinas, compromissos, influências que se está permitindo. Reconstruir o “altar” envolve reorganizar a vida de modo que Deus e sua vontade tenham o lugar central. Quando esse processo acontece, o texto sugere que tanto “fogo” (clareza, convicção, direção) quanto “chuva” (provisão, renovação) se tornam possíveis de forma nova.
" E sucedeu que, depois de muitos dias, a palavra do SENHOR veio a Elias, no terceiro ano, dizendo: Vai, apresenta-te a Acabe; porque darei chuva sobre a terra. "
" E foi Elias apresentar-se a Acabe; e a fome era extrema em Samaria. "
" E Acabe chamou a Obadias, o mordomo; e Obadias temia muito ao Senhor, "
" Porque sucedeu que, destruindo Jezabel os profetas do Senhor, Obadias tomou cem profetas, e de cinqüenta em cinqüenta os escondeu numa cova, e os sustentou com pão e água. "
" E disse Acabe a Obadias: Vai pela terra a todas as fontes de água, e a todos os rios; pode ser que achemos erva, para que em vida conservemos os cavalos e mulas, e não percamos todos os animais. "
" E repartiram entre si a terra, para a percorrerem: Acabe foi à parte por um caminho, e Obadias também foi sozinho por outro caminho. "
" Estando, pois, Obadias já em caminho, eis que Elias o encontrou; e Obadias, reconhecendo-o, prostrou-se sobre o seu rosto, e disse: És tu o meu senhor Elias? "
" E disse-lhe ele: Eu sou; vai, e dize a teu senhor: Eis que Elias está aqui. "
" Porém ele disse: Em que pequei, para que entregues a teu servo na mão de Acabe, para que me mate? "
" Vive o SENHOR teu Deus, que não houve nação nem reino aonde o meu senhor não mandasse em busca de ti; e dizendo eles: Aqui não está, então fazia jurar os reinos e nações, que não te haviam achado. "
" E agora dizes tu: Vai, dize a teu senhor: Eis que aqui está Elias. "
" E poderia ser que, apartando-me eu de ti, o Espírito do Senhor te tomasse, não sei para onde, e, vindo eu a dar as novas a Acabe, e não te achando ele, me mataria; porém eu, teu servo, temo ao Senhor desde a minha mocidade. "
" Porventura não disseram a meu senhor o que fiz, quando Jezabel matava os profetas do SENHOR? Como escondi a cem homens dos profetas do SENHOR, de cinqüenta em cinqüenta, numa cova, e os sustentei com pão e água? "
" E agora dizes tu: Vai, dize a teu senhor: Eis que Elias está aqui; ele me mataria. "
" E disse Elias: Vive o Senhor dos Exércitos, perante cuja face estou, que deveras hoje me apresentarei a ele. "
" Então foi Obadias encontrar-se com Acabe, e lho anunciou; e foi Acabe encontrar-se com Elias. "
" E sucedeu que, vendo Acabe a Elias, disse-lhe: És tu o perturbador de Israel? "
" Então disse ele: Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do Senhor, e seguistes a Baalim. "
" Agora, pois, manda reunir-se a mim todo o Israel no monte Carmelo; como também os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal, e os quatrocentos profetas de Aserá, que comem da mesa de Jezabel. "
" Então Acabe convocou todos os filhos de Israel; e reuniu os profetas no monte Carmelo. "
" Então Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu. "
" Então disse Elias ao povo: Só eu fiquei por profeta do Senhor, e os profetas de Baal são quatrocentos e cinqüenta homens. "
" Dêem-se-nos, pois, dois bezerros, e eles escolham para si um dos bezerros, e o dividam em pedaços, e o ponham sobre a lenha, porém não lhe coloquem fogo, e eu prepararei o outro bezerro, e o porei sobre a lenha, e não lhe colocarei fogo. "
" Então invocai o nome do vosso deus, e eu invocarei o nome do Senhor; e há de ser que o deus que responder por meio de fogo esse será Deus. E todo o povo respondeu, dizendo: É boa esta palavra. "
" E disse Elias aos profetas de Baal: Escolhei para vós um dos bezerros, e preparai-o primeiro, porque sois muitos, e invocai o nome do vosso deus, e não lhe ponhais fogo. "
" E tomaram o bezerro que lhes dera, e o prepararam; e invocaram o nome de Baal, desde a manhã até ao meio-dia, dizendo: Ah! Baal, responde-nos! Porém nem havia voz, nem quem respondesse; e saltavam sobre o altar que tinham feito. "
" E sucedeu que ao meio-dia Elias zombava deles e dizia: Clamai em altas vozes, porque ele é um deus; pode ser que esteja falando, ou que tenha alguma coisa que fazer, ou que intente alguma viagem; talvez esteja dormindo, e despertará. "
" E eles clamavam em altas vozes, e se retalhavam com facas e com lancetas, conforme ao seu costume, até derramarem sangue sobre si. "
" E sucedeu que, passado o meio-dia, profetizaram eles, até a hora de se oferecer o sacrifício da tarde; porém não houve voz, nem resposta, nem atenção alguma. "
" Então Elias disse a todo o povo: Chegai-vos a mim. E todo o povo se chegou a ele; e restaurou o altar do Senhor, que estava quebrado. "
" E Elias tomou doze pedras, conforme ao número das tribos dos filhos de Jacó, ao qual veio a palavra do Senhor, dizendo: Israel será o teu nome. "
" E com aquelas pedras edificou o altar em nome do Senhor; depois fez um rego em redor do altar, segundo a largura de duas medidas de semente. "
" Então armou a lenha, e dividiu o bezerro em pedaços, e o pôs sobre a lenha. "
" E disse: Enchei de água quatro cântaros, e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha. E disse: Fazei-o segunda vez; e o fizeram segunda vez. Disse ainda: Fazei-o terceira vez; e o fizeram terceira vez; "
" De maneira que a água corria ao redor do altar; e até o rego ele encheu de água. "
" Sucedeu que, no momento de ser oferecido o sacrifício da tarde, o profeta Elias se aproximou, e disse: Ó Senhor Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, manifeste-se hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme à tua palavra fiz todas estas coisas. "
" Responde-me, Senhor, responde-me, para que este povo conheça que tu és o Senhor Deus, e que tu fizeste voltar o seu coração. "
1 Reis 18:37 mostra Elias pedindo que Deus responda para revelar quem realmente governa e para trazer o povo de volta ao caminho certo. O …
Ler analise completa" Então caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego. "
" O que vendo todo o povo, caíram sobre os seus rostos, e disseram: Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus! "
" E Elias lhes disse: Lançai mão dos profetas de Baal, que nenhum deles escape. E lançaram mão deles; e Elias os fez descer ao ribeiro de Quisom, e ali os matou. "
" Então disse Elias a Acabe: Sobe, come e bebe, porque há ruído de uma abundante chuva. "
" E Acabe subiu a comer e a beber; mas Elias subiu ao cume do Carmelo, e se inclinou por terra, e pôs o seu rosto entre os seus joelhos. "
" E disse ao seu servo: Sobe agora, e olha para o lado do mar. E subiu, e olhou, e disse: Não há nada. Então disse ele: Volta lá sete vezes. "
" E sucedeu que, à sétima vez, disse: Eis aqui uma pequena nuvem, como a mão de um homem, subindo do mar. Então disse ele: Sobe, e dize a Acabe: Aparelha o teu carro, e desce, para que a chuva não te impeça. "
" E sucedeu que, entretanto, os céus se enegreceram com nuvens e vento, e veio uma grande chuva; e Acabe subiu ao carro, e foi para Jizreel. "
" E a mão do Senhor estava sobre Elias, o qual cingiu os lombos, e veio correndo perante Acabe, até à entrada de Jizreel. "
1 Reis 18:46 mostra que Deus deu força sobrenatural a Elias para correr à frente dos cavalos de Acabe. O versículo ensina que, quando Deus …
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