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1 Reis 18:1 - Significado e aplicação

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Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E sucedeu que, depois de muitos dias, a palavra do SENHOR veio a Elias, no terceiro ano, dizendo: Vai, apresenta-te a Acabe; porque darei chuva sobre a terra. "

1 Reis 18:1

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1 E sucedeu que, depois de muitos dias, a palavra do SENHOR veio a Elias, no terceiro ano, dizendo: Vai, apresenta-te a Acabe; porque darei chuva sobre a terra.

2 E foi Elias apresentar-se a Acabe; e a fome era extrema em Samaria.

3 E Acabe chamou a Obadias, o mordomo; e Obadias temia muito ao Senhor,

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui vemos a condição triste de Israel naquele tempo, e ela tinha duas causas principais. Jezabel, esposa de Acabe e idólatra dedicada, matou os profetas do SENHOR (1 Reis 18:4, 1 Reis 18:13). Ela não apenas era infiel, como também transformou Acabe em perseguidor. Mesmo naqueles dias sombrios, quando o povo adorava os bezerros e tinha abandonado o templo em Jerusalém, ainda havia alguns que temiam a Deus e o serviam. E Deus levantou profetas para ensiná-los, já que os sacerdotes e levitas tinham ido para Judá e Jerusalém (2 Crônicas 11:13, 2 Crônicas 11:14).

Esses profetas tornaram-se então os principais mestres entre o povo de Deus. Eles liam e explicavam a lei em reuniões particulares, ou nas casas de famílias fiéis, pois não lemos de sinagogas nesse período. Eles não possuíam o dom especial de profecia que Elias tinha, e não ofereciam sacrifícios nem queimavam incenso, mas ensinavam o povo a viver corretamente e a permanecer perto do Deus de Israel. Jezabel procurou exterminá-los, e muitos foram mortos. Isto foi ao mesmo tempo uma desgraça pública e um pecado público, e ameaçava destruir o pequeno restante de verdadeira religião que ainda havia em Israel.

Os poucos que escaparam tiveram de se esconder em cavernas, onde, por assim dizer, ficaram sepultados vivos. Não foram privados da vida, mas foram privados da utilidade, e isso é uma das consolações e propósitos da vida. Quando os profetas foram empurrados para os cantos, é provável que seus amigos, os poucos piedosos que ainda restavam na terra, tenham sido tratados da mesma maneira.

Mesmo assim, havia um homem muito bom, e ele era um alto oficial da corte do rei: Obadias, cujo nome significa “servo do SENHOR”. Ele temia a Deus e lhe era fiel, e ainda assim servia como mordomo da casa de Acabe. A Escritura diz que ele temia muito ao SENHOR (1 Reis 18:3). Ele não era apenas um homem bom, mas alguém que se destacava por uma piedade séria, e sua posição elevada tornava essa bondade mais visível e lhe dava mais oportunidades de fazer o bem. Ele temia ao SENHOR desde a sua mocidade (1 Reis 18:12), de modo que começou cedo na religião e permaneceu fiel ao longo de muitos anos.

A piedade cultivada cedo costuma crescer até se tornar piedade madura. Os que começam bem na juventude tendem a se tornar firmes na vida piedosa. Mas é surpreendente encontrar um homem tão devoto à frente da casa de Acabe, numa posição de honra, poder e confiança. É estranho que o perverso Acabe o escolhesse e o mantivesse ali, mas Obadias devia ser conhecido por sua honestidade, diligência e bom senso. Acabe podia confiar nele, como esta passagem mostra (1 Reis 18:5). José e Daniel também receberam posições elevadas porque ninguém era tão apto quanto eles para exercê-las.

Vale notar que os crentes devem buscar conquistar respeito até mesmo dos incrédulos por meio de integridade, fidelidade e diligência. Também é estranho que Obadias aceitasse tal cargo numa corte cheia de idolatria e maldade. Mas ele não precisava adotar a religião do rei, nem seguir a casa de Acabe em seu falso culto. Ele não teria assumido o ofício se fosse obrigado a se curvar diante de Baal. E Acabe não era tolo a ponto de afastar de postos importantes oficiais úteis apenas porque eles não queriam se juntar ao seu culto.

Aquele que é fiel a Deus também será fiel aos governantes terrenos. Assim, Obadias podia servir com boa consciência, e não recusou o cargo, embora não pudesse fazer ali tanto bem quanto desejava. Os que temem a Deus não precisam se retirar do mundo, por pior que ele esteja. Também surpreende que Obadias não tenha reformado Acabe, nem Acabe tenha corrompido Obadias. Os dois parecem ter permanecido como eram: o imundo permaneceu imundo, e o santo permaneceu santo. Obadias manteve vivo o temor de Deus em um tempo e lugar muito maus. Deus tem o seu remanescente em todos os tipos de pessoas, altas e baixas. Havia santos na casa de Nero, e havia santos na casa de Acabe.

Obadias usou a sua posição para proteger os profetas de Deus. Quando a perseguição se tornou severa, ele escondeu cem deles em duas cavernas e os sustentou com pão e água (1 Reis 18:4). Ele não achava que bastava temer a Deus por si mesmo. Como tinha bens e autoridade, sentia-se obrigado a ajudar e sustentar outros que também temiam a Deus. Ao mesmo tempo, não imaginava que a bondade para com eles pudesse dispensá-lo de seu próprio dever para com Deus. Ele tanto temia grandemente ao SENHOR em sua vida pessoal como também apoiava aqueles que o temiam.

Aqui vemos como Deus providencia, de maneira maravilhosa, amigos para seus servos e para o seu povo, especialmente em tempos difíceis, e às vezes em lugares onde menos se esperaria. Pão e água estavam escassos, mas Obadias encontrou o suficiente para manter vivos os profetas de Deus para serviço futuro, ainda que, por enquanto, estivessem afastados da cena pública.

Quando Jezabel cortou os profetas de Deus, Deus, por sua vez, cortou os mantimentos necessários, enviando uma seca extrema. Talvez Jezabel tenha culpado os profetas pelo juízo, já que Elias o havia anunciado. Cabe aqui o velho ditado refletido nesse tipo de comportamento: “Fora com os cristãos para as feras.” Mas Deus mostrou que essa acusação era falsa. A fome continuou até que os profetas de Baal foram destruídos, e a falta de água se tornou tão intensa que o próprio rei e Obadias precisaram percorrer a terra em busca de pasto para o gado (1 Reis 18:5, 1 Reis 18:6).

Deus ordenou os acontecimentos de tal forma que Acabe visse com seus próprios olhos quão grave era o juízo. Isso poderia torná-lo mais disposto a ouvir a Elias, o único que podia mostrar-lhe o caminho para pôr fim àquela calamidade. Acabe se importava em não perder todos os animais, pois muitos já tinham morrido. Mas não cuidava da sua alma, que corria perigo muito maior. Ele se esforçou para encontrar pasto, mas não se esforçou para encontrar o favor de Deus. Procurou se precaver contra o efeito do juízo, mas não perguntou como remover a sua causa.

Judá ficava ao lado de Israel, e ainda assim não lemos lá a mesma queixa de falta de chuva. Judá ainda andava com Deus e permanecia fiel aos santos e profetas (Oséias 11:12). Essa diferença deveria ter mostrado claramente a Israel de onde vinha a contenda de Deus contra eles. Deus fazia chover sobre uma cidade e não sobre outra (Amós 4:7, Amós 4:8), mas eles fecharam os olhos, endureceram o coração e recusaram-se a ver.

Agora a narrativa se volta para as medidas que Deus tomou para corrigir o problema, começando com o retorno de Elias ao ministério público. Ele aparece novamente como o tisbita, um homem enviado para reconduzir Israel ou reformá-lo, o que alguns entendem ser o sentido desse título. “Converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus”, disse mais tarde o anjo acerca de João Batista, “para preparar ao Senhor um povo bem disposto” (Lucas 1:16, Lucas 1:17). Esta era a obra que Elias devia realizar.

Acabe tinha feito uma busca cuidadosa por Elias, oferecido recompensas a quem pudesse encontrá-lo e enviado espiões por suas próprias terras, como alguns pensam, ou pelas nações vizinhas aliadas a ele, segundo outros (1 Reis 18:10). Quando as pessoas negavam saber algo sobre Elias, Acabe não acreditava, a menos que elas jurassem. Parece que também as obrigava a jurar que, se algum dia encontrassem Elias, o denunciariam e o entregariam.

Provavelmente essa busca não visava tanto punir Elias por anunciar o juízo, mas levá-lo a retirá-lo. Acabe parece ter pensado em Elias de modo tolo, como aqueles que imaginam que uma maldição pode ser anulada se quem a proferiu vier depois abençoar o que antes amaldiçoou. Ou talvez tenha pensado em Elias como o rei de Moabe pensou em Balaão. Essa segunda hipótese parece mais provável porque, quando enfim se encontraram, Elias sabia o que Acabe desejava e marcou um encontro com ele no monte Carmelo. Acabe concordou, embora Elias estivesse escolhendo um caminho para cancelar o juízo e abençoar a terra de uma forma que Acabe provavelmente não esperava.

Por fim, Deus disse a Elias que fosse se apresentar a Acabe, porque chegara o tempo de voltar a chover sobre a terra (1 Reis 18:1). Elias tinha ficado escondido com a viúva de Sarepta por mais de dois anos, depois de primeiro ter sido escondido junto ao ribeiro de Querite por um ano. Assim, o terceiro ano de sua permanência ali, mencionado neste versículo, era na verdade o quarto ano da fome, que durou ao todo três anos e seis meses (Lucas 4:25; Tiago 5:17).

O zelo de Elias contra o culto a Baal e sua compaixão pelo povo certamente tornaram esse longo período de reclusão difícil de suportar. Ainda assim, ele não saiu de seu esconderijo até que Deus lhe ordenou. A mensagem de Deus foi: “Vai, apresenta-te a Acabe”, ou seja: “Chegou o tempo de mostrar favor a Israel.” É um bom sinal para um povo quando Deus manda que seus servos saiam do esconderijo e apareçam publicamente. Isso é sinal de que ele enviará chuva sobre a terra. Pelo menos, podemos suportar mais pacientemente o pão da angústia quando ainda vemos os nossos mestres (Isaías 30:20, 21).

Elias primeiro encontrou Obadias, o administrador do palácio de Acabe, um homem que temia muito ao Senhor. Elias, guiado pelo Espírito, sabia onde encontrá‑lo, e o relato mostra o que aconteceu entre eles. Obadias saudou Elias com profundo respeito, prostrou‑se com o rosto em terra e perguntou: “És tu, o meu senhor Elias?” (1 Reis 18:7). Assim como Obadias havia demonstrado o cuidado de um pai pelos filhos dos profetas, agora mostrava o respeito de um filho para com esse “pai” dos profetas. Dessa forma, provou que realmente temia a Deus, porque honrou aquele que era o mensageiro especial de Deus e que tinha grande posição no céu.

Elias respondeu transferindo o título de honra para Acabe: “Chama a ele de senhor, não a mim”. Esse título era mais apropriado a um rei do que a um profeta, já que os profetas não buscam honra da parte dos homens. Os profetas devem ser vistos como videntes, pastores, sentinelas e servos, não como senhores. Eles se preocupam mais com o dever do que com o domínio. Então Elias mandou que Obadias fosse dizer ao rei que ele estava ali para falar com ele: “Vai, dize a teu senhor: Eis que Elias está aqui” (1 Reis 18:8). Elias queria que Acabe soubesse disso de antemão, para não ser pego de surpresa, e para ficar claro que Elias vinha por decisão própria.

Obadias pediu para ser dispensado de levar essa mensagem, porque isso poderia lhe custar a vida. Ele lembrou a Elias o quanto Acabe havia se empenhado em procurá‑lo e o quanto o rei estava determinado a encontrá‑lo (1 Reis 18:10). Supôs também que Elias desapareceria de novo, dizendo que o Espírito do Senhor poderia levá‑lo para algum lugar que ele não conhecia (compare 2 Reis 2:16). Obadias pensou que Elias não estava falando sério quando o mandou noticiar isso a Acabe. Imaginou que Elias queria apenas mostrar como a ira de Acabe era impotente. Obadias sabia que Acabe não era digno de receber favor do profeta, e que o profeta não deveria ser exposto ao perigo vindo de Acabe.

Ele também tinha certeza de que Acabe ficaria furioso com a decepção e o mataria, acusando‑o de zombar do rei ou de não ter prendido Elias quando teve a chance (1 Reis 18:12). Governantes irados e perseguidores muitas vezes agem de modo insensato, até mesmo com os seus mais próximos. Obadias ainda suplicou, dizendo que não merecia esse tipo de coisa. “Em que pequei?”, perguntou (1 Reis 18:9). E acrescentou: “Porventura não disseram a meu senhor o que fiz, quando Jezabel matava os profetas do SENHOR, como escondi cem homens dos profetas do SENHOR…?” (1 Reis 18:13). Ele não mencionou isso por orgulho, mas para mostrar a Elias que, embora servisse a Acabe exteriormente, não estava do lado dele nessa questão. Tinha protegido muitos profetas e, por isso, esperava que um grande profeta não expusesse sua vida ao perigo.

Elias o tranquilizou, garantindo que ele podia levar a mensagem a Acabe sem medo. Jurou pelo SENHOR dos Exércitos, o Senhor dos exércitos celestiais, que naquele mesmo dia se apresentaria a Acabe (1 Reis 18:15). Quando Obadias percebeu que Elias falava com toda a seriedade, não hesitou mais em ir até o rei. O juramento de Elias remetia a Deus, que tem todo poder e pode guardar seus servos contra qualquer força no céu e na terra.

Logo chegou a Acabe a notícia de que Elias o havia chamado e estava pronto para encontrá‑lo imediatamente, e Acabe foi ao encontro de Elias (1 Reis 18:16). Podemos imaginar sua surpresa ao encontrar Elias, a quem tinha procurado por tanto tempo sem sucesso, agora surgindo sem que ele precisasse buscá‑lo. Ele tinha saído em busca de pasto e, em vez disso, encontrou o homem cuja palavra, vinda de Deus, traria a chuva de volta. Mas sua consciência culpada não lhe dava muitos motivos para ter esperança. Provavelmente o fazia temer algum outro juízo ainda maior. Se seus espiões tivessem capturado Elias, ele teria se vangloriado disso. Mas agora Elias havia se apresentado primeiro, e podemos supor que Acabe tremia ao encará‑lo, odiava‑o e, ao mesmo tempo, o temia, como Herodes temeu João.

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