1 Reis 22:1
" E estiveram quietos três anos, não havendo guerra entre a Síria e Israel. "
Entenda os temas principais e aplique 1 Reis 22 na sua vida hoje
54 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Quatrocentos profetas aprovam a guerra, mas apenas Micaías fala a verdadeira palavra do Senhor, mesmo sendo impopular, revelando que a fidelidade a Deus não se mede por números ou aplausos.
Apesar das tentativas de se disfarçar e escapar, Acabe não consegue fugir do juízo que Deus já havia anunciado; até uma flecha disparada “a esmo” cumpre o propósito divino.
Acabe conduz Israel à idolatria e colhe juízo; Acazias segue a mesma rota. Jeosafá, apesar de alianças questionáveis, é descrito como alguém que faz o que é reto diante de Deus, ressaltando o peso espiritual das decisões dos governantes.
A aliança de Jeosafá com Acabe o coloca em risco de morte na batalha e resulta em projetos fracassados, ilustrando como associações com lideranças ímpias trazem consequências.
O conselho celeste, a permissão de um espírito de mentira e o cumprimento exato da palavra profética mostram que Deus governa acima de reis, exércitos e acontecimentos aparentemente aleatórios.
1 Reis 22 situa-se no final do século IX a.C., no período da monarquia dividida entre o reino do Norte (Israel) e o reino do Sul (Judá). Em Israel, Acabe reina a partir de Samaria, marcado pela influência de sua esposa Jezabel e pela adoração a Baal. Em Judá, Jeosafá governa a partir de Jerusalém, seguindo em grande parte o padrão piedoso de seu pai Asa, embora mantenha alguns costumes problemáticos, como os altos.
Ramote de Gileade, motivo da guerra, era uma cidade estratégica a leste do Jordão, em Gileade, importante tanto militar quanto economicamente. Ela havia sido disputada entre Israel e a Síria (Aram). O texto reflete um momento de relativa trégua de três anos entre os dois reinos, rompida pela iniciativa de Acabe de retomar Ramote.
A visão do “exército do céu” em torno do trono de Deus (vv.19–23) apresenta linguagem de conselho real celestial, comum no antigo Oriente Próximo, mas aqui subordinada ao Deus de Israel. O “espírito de mentira” e os falsos profetas mostram um contexto religioso onde profetas de corte, muitas vezes sustentados pelo rei, tendiam a falar de acordo com os interesses políticos. Já Micaías representa o profeta independente, fiel ao Senhor, mesmo sob risco de prisão e perseguição.
Após a morte de Acabe, seu filho Acazias assume o trono de Israel e continua o mesmo padrão de idolatria. Em Judá, Jeosafá fortalece o reino, mas se envolve em alianças marítimas e políticas com Israel, que se mostram desastrosas. Edom é mencionado como tendo um vice-rei (um governador), indicando que, naquele período, Edom estava sob controle ou influência de Judá.
O capítulo possui uma estrutura narrativa bem definida, que conduz da paz aparente ao juízo consumado e à transição de reinos:
Introdução e cenário político (vv.1–5)
Consulta aos profetas e contraste com Micaías (vv.6–14)
Profecia de Micaías e revelação do conselho celestial (vv.15–23)
Reação à profecia e prisão de Micaías (vv.24–28)
A batalha de Ramote de Gileade e a morte de Acabe (vv.29–38)
Conclusão do reinado de Acabe (vv.39–40)
Resumo do reinado de Jeosafá em Judá (vv.41–50)
Introdução e avaliação do reinado de Acazias em Israel (vv.51–54)
1 Reis 22 destaca a soberania de Deus, a seriedade da verdade e o peso da responsabilidade espiritual na liderança.
A cena do trono divino com o exército celestial (vv.19–23) enfatiza que toda a história humana, inclusive decisões de reis e desfechos de guerras, está sob o governo do Senhor. Nem a astúcia de Acabe, nem a unanimidade dos falsos profetas conseguem frustrar o plano divino. A flecha disparada “a esmo” torna-se instrumento da providência de Deus para cumprir o juízo anunciado.
O contraste entre Micaías e os quatrocentos profetas evidencia a teologia bíblica da revelação: a palavra de Deus é, muitas vezes, minoritária, impopular e confrontadora. Micaías assume o custo da fidelidade profética, mostrando que a verdadeira profecia não é determinada por conveniência política, mas pela submissão à voz do Senhor. O texto também ilustra o juízo de Deus permitindo que um espírito de mentira atue na boca de profetas já dispostos à falsidade, como resposta ao endurecimento de Acabe.
Do ponto de vista da teologia da aliança, a morte de Acabe e o detalhe dos cães lambendo seu sangue cumprem a palavra já anteriormente pronunciada contra ele por causa de sua idolatria e injustiça. Deus mostra que não esquece nem ignora o pecado persistente de um rei que conduziu a nação à apostasia.
Em contraste, Jeosafá é avaliado como rei que fez o que era reto aos olhos do Senhor, ainda que com falhas. Isso mostra que Deus observa o coração e o rumo geral da vida, mesmo quando ainda há imperfeições, como a permanência dos altos e algumas alianças imprudentes. Já Acazias encarna a continuidade do afastamento, andando “no caminho de seu pai, de sua mãe e de Jeroboão”, ressaltando a responsabilidade intergeracional: escolhas idólatras de uma geração influenciam a seguinte.
Teologicamente, o capítulo reforça que a palavra de Deus é o critério supremo de verdade e segurança, acima da maioria, da tradição política ou de interesses de curto prazo. A confiança humana em estratégias para escapar do juízo é desmascarada, e a fidelidade divina tanto em punir o mal quanto em preservar seu povo é afirmada.
Este capítulo toca em questões profundas de confiança, medo, engano e consequências, temas muito presentes em processos emocionais. A tensão entre a voz isolada de Micaías e a multidão de profetas simpáticos ao rei ilustra a solidão de quem escolhe a verdade em ambientes hostis. A rejeição que Micaías sofre, incluindo violência física e prisão, ecoa experiências de pessoas que, ao se posicionarem com integridade, enfrentam incompreensão, isolamento ou represálias.
O destino de Acabe mostra o desgaste interior de quem vive fugindo da verdade. Sua tentativa de se disfarçar na batalha pode ser vista como símbolo de mecanismos de defesa: esconder-se, maquiar a realidade, tentar escapar às consequências. Mesmo assim, o texto revela que não há esconderijo definitivo para quem insiste em caminhar contra a luz; isso pode gerar ansiedade crônica, medo constante e sensação de perseguição.
Por outro lado, Jeosafá exemplifica alguém que, apesar de boas intenções e fé sincera, se envolve em alianças complicadas e acaba exposto a perigos desnecessários. Isso reflete dilemas contemporâneos de pessoas que, buscando paz e colaboração, se veem presas em vínculos arriscados ou desequilibrados. A narrativa valida o conflito interno de quem quer fazer o que é certo, mas lida com pressões políticas, familiares ou sociais.
O juízo cumprido, por mais duro que seja, também oferece um tipo de alívio: a sensação de que a injustiça e o abuso não ficam sem resposta para sempre. Para corações feridos por lideranças ímpias ou manipuladoras, o texto comunica que Deus enxerga e, em seu tempo, intervém.
Alguns elementos do texto podem acionar lembranças dolorosas ou gatilhos emocionais:
Violência física e morte em batalha (vv.24, 34–35, 37–38):
Rejeição e punição por falar a verdade (vv.8, 26–27):
Imagens gráficas de sangue e humilhação pós-morte (v.38):
Temática de juízo e castigo divino (vv.20–23, 23, 53–54):
Alianças destrutivas e sensação de perigo iminente (vv.4, 29–33, 49–50):
Leituras em contextos de saúde emocional delicada se beneficiam de acompanhamento sensível, que ajude a distinguir entre a ação justa de Deus na história bíblica e experiências de abuso humano que distorcem o caráter divino.
Valor da verdade acima da aprovação:
Cuidado com vozes que apenas confirmam desejos pessoais:
Atenção às alianças e parcerias:
Reconhecer limites da esperteza humana:
Lembrar que Deus vê e avalia a liderança:
Esperança na justiça de Deus:
O texto não explica todos os motivos, mas sugere uma busca de cooperação política e militar entre Judá e Israel após um período de guerras. Jeosafá era inclinado à paz (v.44) e, possivelmente, desejava unidade entre os dois reinos irmãos. Porém, essa aliança se mostra espiritualmente perigosa, pois o aproxima de um rei ímpio e quase o leva à morte na batalha. Isso ilustra que boas intenções não anulam as consequências de alianças imprudentes.
Micaías, filho de Inlá, aparece apenas aqui em 1 Reis. Ele é um profeta do Senhor que se destaca por falar a verdade mesmo sob pressão. Ao contrário dos cerca de quatrocentos profetas de corte, Micaías não depende do favor real para definir sua mensagem. Sua importância reside em mostrar o padrão de um verdadeiro profeta: prefere agradar a Deus do que aos homens, mesmo que isso resulte em ódio, agressão física e prisão.
A visão de Micaías descreve de forma simbólica e teológica a soberania de Deus até sobre agentes espirituais. O ‘espírito de mentira’ atua porque há um contexto de coração endurecido e profetas dispostos a falar o que o rei quer ouvir. Deus, em juízo, permite que Acabe seja enganado, pois ele já havia rejeitado repetidas advertências. Não significa que Deus seja mentiroso, mas que Ele pode usar até o engano como instrumento de juízo sobre quem persiste em resistir à verdade.
Quando Micaías inicialmente responde como os outros profetas (v.15), o tom parece irônico. O próprio Acabe percebe isso e o obriga a falar em nome do Senhor com seriedade (v.16). Então Micaías revela a verdadeira visão de juízo. A ironia expõe a hipocrisia de Acabe, que diz querer ouvir a verdade, mas na prática busca apenas confirmação daquilo que deseja fazer.
A imagem descreve um povo sem líder protetor e cuidador. Na Bíblia, o rei ideal é visto como pastor do povo. A visão de Micaías indica que, com a morte de Acabe, Israel ficará sem um governante que os guie na batalha e na vida nacional. Ao mesmo tempo, é um diagnóstico espiritual: o povo estava vulnerável e desorientado porque seus líderes não os conduziam nos caminhos do Senhor.
A morte de Acabe e o detalhe dos cães lambendo seu sangue (v.38) mostram que a palavra de Deus, anunciada previamente, se cumpre de forma precisa. Isso revela a justiça divina: Deus não ignora a idolatria, a injustiça e o abuso de poder. Ao mesmo tempo, o juízo vem após muitas oportunidades de arrependimento, como as confrontações anteriores de Elias e, agora, de Micaías. A justiça de Deus é firme, mas também paciente, concedendo avisos antes da sentença final.
Em 1 Reis 22, a história é marcada por tensão, engano e juízo, mas também por sinais da presença cuidadosa de Deus no meio do caos. Há um rei teimoso, cercado de vozes que apenas o agradam, e um profeta isolado, Micaías, que paga o preço por dizer a verdade. Essa solidão de Micaías toca profundamente. Ele sofre agressão, rejeição e prisão, justamente por ser fiel. Isso ecoa o sentimento de quem, em ambientes difíceis, tenta fazer o que é certo e acaba mal compreendido ou punido. Ao mesmo tempo, percebe-se que Deus não abandona seu povo, mesmo quando o cenário parece dominado por decisões erradas. Ele fala, adverte, revela o que está por detrás das aparências. A visão de Israel como ovelhas sem pastor mostra um Deus que vê a vulnerabilidade coletiva, o cansaço de gente que caminha sem direção segura. O juízo sobre Acabe não é um impulso de raiva, mas a conclusão de um longo processo de resistência à voz divina. Há também a figura de Jeosafá, um rei que deseja buscar a palavra do Senhor, mas se envolve em alianças que o expõem a riscos. Isso lembra que mesmo corações bem-intencionados podem se embaraçar em relações complicadas. Ainda assim, Deus o livra no campo de batalha, quando ele grita e é reconhecido, e os inimigos o deixam. Esse detalhe guarda consolo: em meio a escolhas confusas, o clamor sincero ainda encontra resposta. Para corações feridos por lideranças injustas, por ambientes religiosos abusivos ou por decisões erradas do passado, o capítulo traz uma verdade silenciosa: Deus vê, conhece as motivações, conhece a dor dos que sofrem com o abuso do poder e a solidão dos que permanecem fiéis. A história poderia parecer apenas derrota e tragédia, mas, abaixo da superfície, existe um fio constante: a fidelidade de Deus, que não abandona seu povo, nem se cala para sempre diante da injustiça.
Do ponto de vista exegético, 1 Reis 22 é um texto-chave para compreender profecia, soberania divina e política no período da monarquia dividida. A narrativa funciona como culminação do ciclo de Acabe, compondo com os capítulos anteriores a avaliação final de seu reinado. A presença de Jeosafá, rei de Judá, mostra as complexas relações entre os dois reinos: identidade comum, mas caminhos espirituais divergentes. O contraste entre os cerca de quatrocentos profetas e Micaías organiza o centro teológico do capítulo. Os profetas de corte empregam gestos simbólicos (como os chifres de ferro de Zedequias) e fórmulas proféticas, mas seu conteúdo está alinhado ao desejo real, não à vontade de Deus. Micaías, por sua vez, declara um compromisso explícito com a palavra do Senhor (v.14), mesmo sabendo que isso contraria as expectativas políticas. O texto constrói, assim, um critério interno para discernir profecia: não se trata apenas de falar em nome do Senhor, mas de ser fiel ao que Ele realmente diz. A visão do conselho celestial (vv.19–23) utiliza linguagem de corte real, comum na literatura do antigo Oriente Próximo, para expressar a absoluta soberania de Deus. O Senhor está entronizado, rodeado pelo exército celestial, e pergunta de que forma Acabe será induzido à sua queda. A presença de um “espírito de mentira” é apresentada como elemento do drama teológico: Deus permite que esse espírito atue, mas permanece o Senhor da cena. Isso não compromete a veracidade de Deus; ao contrário, mostra que, quando o povo e seus líderes rejeitam consistentemente a verdade, o juízo pode assumir a forma de entregar tais pessoas ao engano que escolheram. A morte de Acabe, por uma flecha disparada “a esmo”, reforça o tema da providência soberana: o que é aleatório do ponto de vista humano é, na perspectiva da narrativa bíblica, meio de cumprimento da palavra divina. O detalhe dos cães lambendo o sangue de Acabe remete a profecias anteriores, criando unidade literária e teológica dentro do livro. As notações finais sobre Jeosafá e Acazias seguem o padrão de fórmulas reais em Reis: dados cronológicos, genealogia, avaliação teológica e referência às crônicas dos reis. Jeosafá recebe uma avaliação positiva, mas com reservas relacionadas aos altos, seguindo o critério deuteronomista de centralização do culto. Acazias, ao contrário, é condenado por seguir os caminhos idólatras de sua linhagem. O capítulo, portanto, encerra o reinado de Acabe e abre caminho para a avaliação dos reis subsequentes, mantendo o foco na fidelidade à aliança como medida principal da história.
1 Reis 22 oferece um quadro muito prático sobre decisões, alianças e consequências. Acabe encarna o líder que prefere cercar-se de pessoas que confirmem suas ideias, em vez de buscar conselhos que lhe tragam confronto e correção. Isso cria um ambiente onde a verdade perde espaço e a adulação ganha força. Em qualquer organização, família ou equipe, quando se privilegia apenas quem fala o que agrada, o resultado é um ciclo de decisões cada vez mais arriscadas. Jeosafá, por sua vez, mostra a tensão de alguém que quer andar com Deus e, ao mesmo tempo, se aproxima de parceiros que não compartilham os mesmos valores. Ele pede para consultar a palavra do Senhor, mas acaba entrando na batalha ao lado de Acabe. O episódio do disfarce é emblemático: o rei ímpio se protege, o piedoso fica exposto. Na vida real, isso se repete quando pessoas comprometidas com o bem se envolvem em negócios, relacionamentos ou parcerias que as colocam em risco enquanto os mais manipuladores tentam se blindar. Outro ponto prático é a forma como Micaías lida com pressão. O mensageiro tenta orientá-lo a repetir a mesma mensagem dos outros profetas, para que “dê tudo certo” politicamente. Micaías responde com um princípio simples e poderoso: só falará o que o Senhor disser. Em contextos atuais, isso se traduz em ter um padrão de integridade que não muda conforme a conveniência: em relatórios, contratos, conversas difíceis em família ou decisões éticas no trabalho, a verdade não pode ser negociada sem custo. O destino de Acabe lembra que estratégias para escapar das consequências podem funcionar por um tempo, mas não para sempre. Disfarces, justificativas, narrativas montadas e culpabilização de outros podem segurar as aparências, mas há um ponto em que a realidade se impõe. Lidar com erros de forma responsável – admitir, corrigir, pedir perdão, reparar – é muito mais saudável do que insistir em caminhos que apenas adiam e agravam o desfecho. Por fim, o resumo do reinado de Jeosafá e de Acazias mostra que, na avaliação final, o que pesa não são apenas as grandes obras, conquistas materiais ou projetos ambiciosos (como navios para buscar ouro), mas a direção espiritual geral da vida. Isso traz uma perspectiva prática para a gestão de tempo e prioridades: vale mais cuidar das escolhas diárias de fidelidade, do que construir algo impressionante sustentado por compromissos duvidosos.
Espiritualmente, 1 Reis 22 expõe o contraste entre dois caminhos: o de quem resiste até o fim à voz de Deus e o de quem, mesmo com falhas, busca andar em retidão. Acabe é um retrato de alguém que, após repetidas advertências, já não quer ser confrontado. Ele conhece a existência de um profeta fiel, mas o “odeia” porque suas palavras não são agradáveis. Essa postura revela um coração que rejeita a correção divina. Por essa razão, o juízo que se segue não é arbitrário, mas fruto de uma longa história de endurecimento. A visão celestial descrita por Micaías abre uma janela para a dimensão eterna da realidade. Enquanto, na terra, reis se sentam em tronos temporários, no céu o Senhor permanece assentado em seu trono, cercado pelo exército celestial. A verdadeira corte suprema da história não está em Samaria nem em Jerusalém, mas diante de Deus. É ali que se decide o destino dos reinos e dos reis. Esse quadro convida a enxergar a vida a partir de cima, não apenas pelas lentes das circunstâncias imediatas. A atuação do espírito de mentira nos profetas de corte mostra uma verdade séria sobre o coração humano: quando alguém rejeita persistentemente a luz, pode ser entregue ao próprio engano. Em termos espirituais, isso alerta para o perigo de domesticar a voz de Deus, procurando sempre uma espiritualidade que apenas confirme desejos e ambições, sem confrontar o ego. O caminho de salvação e de crescimento espiritual passa, inevitavelmente, por escutar verdades que desinstalam e chamar ao arrependimento. Jeosafá, por outro lado, representa aqueles que, mesmo não sendo perfeitos, se orientam pela vontade do Senhor. Ele busca a palavra de Deus, ainda que tome decisões questionáveis em suas alianças. Sua história lembra que santidade não é ausência total de erro, mas direção de vida: um coração inclinado à obediência, pronto a ouvir, e que, em meio às próprias fragilidades, clama a Deus. O livramento que recebe na batalha aponta para a misericórdia que acolhe quem invoca o nome do Senhor. O cumprimento da palavra de juízo sobre Acabe, até nos detalhes, e a avaliação moral dos reinados de Jeosafá e Acazias mostram que a história não é aleatória. Existe uma leitura divina de cada vida, uma espécie de crônica espiritual em que o essencial não são o brilho, o poder ou a prosperidade, mas a resposta a Deus. Esse capítulo convida a vida inteira a ser reorientada a partir dessa realidade: viver diante do trono de Deus, deixando que sua palavra seja o critério último para decisões, esperanças e temores, com os olhos voltados não apenas para o presente, mas para a eternidade.
" E estiveram quietos três anos, não havendo guerra entre a Síria e Israel. "
" Porém no terceiro ano sucedeu que Jeosafá, rei de Judá, desceu para avistar-se com o rei de Israel. "
" E o rei de Israel disse aos seus servos: Não sabeis vós que Ramote de Gileade é nossa, e nós estamos quietos, sem a tomar da mão do rei da Síria? "
" Então perguntou a Jeosafá: Irás tu comigo à peleja a Ramote de Gileade? E disse Jeosafá ao rei de Israel: Serei como tu, e o meu povo como o teu povo, e os meus cavalos como os teus cavalos. "
" Disse mais Jeosafá ao rei de Israel: Peço-te, consulta hoje a palavra do Senhor. "
" Então o rei de Israel reuniu os profetas até quase quatrocentos homens, e disse-lhes: Irei à peleja contra Ramote de Gileade, ou deixarei de ir? E eles disseram: Sobe, porque o Senhor a entregará na mão do rei. "
" Disse, porém, Jeosafá: Não há aqui ainda algum profeta do Senhor, ao qual possamos consultar? "
" Então disse o rei de Israel a Jeosafá: Ainda há um homem por quem podemos consultar ao Senhor; porém eu o odeio, porque nunca profetiza de mim o que é bom, mas só o mal; este é Micaías, filho de Inlá. E disse Jeosafá: Não fale o rei assim. "
" Então o rei de Israel chamou um oficial, e disse: Traze-me depressa a Micaías, filho de Inlá. "
" E o rei de Israel e Jeosafá, rei de Judá, estavam assentados cada um no seu trono, vestidos de trajes reais, na praça, à entrada da porta de Samaria; e todos os profetas profetizavam na sua presença. "
" E Zedequias, filho de Quenaaná, fez para si uns chifres de ferro, e disse: Assim diz o Senhor: Com estes ferirás aos sírios, até de todo os consumir. "
" E todos os profetas profetizaram assim, dizendo: Sobe a Ramote de Gileade, e triunfarás, porque o Senhor a entregará na mão do rei. "
" E o mensageiro que foi chamar a Micaías falou-lhe, dizendo: Vês aqui que as palavras dos profetas a uma voz predizem coisas boas para o rei; seja, pois, a tua palavra como a palavra de um deles, e fala bem. "
" Porém Micaías disse: Vive o Senhor que o que o Senhor me disser isso falarei. "
" E, vindo ele ao rei, o rei lhe disse: Micaías, iremos a Ramote de Gileade à peleja, ou deixaremos de ir? E ele lhe disse: Sobe, e serás bem sucedido; porque o Senhor a entregará na mão do rei. "
" E o rei lhe disse: Até quantas vezes te conjurarei, que não me fales senão a verdade em nome do Senhor? "
" Então disse ele: Vi a todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não tem pastor; e disse o Senhor: Estes não têm senhor; torne cada um em paz para sua casa. "
" Então o rei de Israel disse a Jeosafá: Não te disse eu, que nunca profetizará de mim o que é bom, senão só o que é mal? "
" Então ele disse: Ouve, pois, a palavra do Senhor: Vi ao Senhor assentado sobre o seu trono, e todo o exército do céu estava junto a ele, à sua mão direita e à sua esquerda. "
" E disse o Senhor: Quem induzirá Acabe, para que suba, e caia em Ramote de Gileade? E um dizia desta maneira e outro de outra. "
" Então saiu um espírito, e se apresentou diante do Senhor, e disse: Eu o induzirei. E o Senhor lhe disse: Com quê? "
" E disse ele: Eu sairei, e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas. E ele disse: Tu o induzirás, e ainda prevalecerás; sai e faze assim. "
" Agora, pois, eis que o Senhor pôs o espírito de mentira na boca de todos estes teus profetas, e o Senhor falou o mal contra ti. "
" Então Zedequias, filho de Quenaaná, chegou, e feriu a Micaías no queixo, e disse: Por onde saiu de mim o Espírito do Senhor para falar a ti? "
" E disse Micaías: Eis que o verás naquele mesmo dia, quando entrares de câmara em câmara para te esconderes. "
" Então disse o rei de Israel: Tomai a Micaías, e tornai a levá-lo a Amom, o governador da cidade e a Joás filho do rei. "
" E direis: Assim diz o rei: Colocai este homem na casa do cárcere, e sustentai-o com o pão de angústia, e com água de amargura, até que eu venha em paz. "
" E disse Micaías: Se tu voltares em paz, o Senhor não tem falado por mim. Disse mais: Ouvi, povos todos! "
" Assim o rei de Israel e Jeosafá, rei de Judá, subiram a Ramote de Gileade. "
" E disse o rei de Israel a Jeosafá: Eu me disfarçarei, e entrarei na peleja; tu porém veste as tuas roupas. Disfarçou-se, pois o rei de Israel, e entrou na peleja. "
" E o rei da Síria dera ordem aos capitães dos carros, que eram trinta e dois, dizendo: Não pelejareis nem contra pequeno nem contra grande, mas só contra o rei de Israel. "
" Sucedeu que, vendo os capítães dos carros a Jeosafá, disseram eles: Certamente este é o rei de Israel. E chegaram-se a ele, para pelejar com ele; porém Jeosafá gritou. "
" E sucedeu que, vendo os capitães dos carros que não era o rei de Israel, deixaram de segui-lo. "
" Então um homem armou o arco, e atirou a esmo, e feriu o rei de Israel por entre as fivelas e as couraças; então ele disse ao seu carreteiro: Dá volta, e tira-me do exército, porque estou gravemente ferido. "
" E a peleja foi crescendo nequele dia, e o rei foi sustentado no carro defronte dos sírios; porém ele morreu à tarde; e o sangue da ferida corria para o fundo do carro. "
" E depois do sol posto passou um pregão pelo exército, dizendo: Cada um para a sua cidade, e cada um para a sua terra! "
" E morreu o rei, e o levaram a Samaria; e sepultaram o rei em Samaria. "
" E, lavando-se o carro no tanque de Samaria, os cães lamberam o seu sangue (ora as prostitutas se lavavam ali), conforme à palavra que o Senhor tinha falado. "
" Quanto ao mais dos atos de Acabe, e a tudo quanto fez, e à casa de marfim que edificou, porventura não está escrito no livro das crônicas dos reis de Israel? "
" Assim dormiu Acabe com seus pais; e Acazias, seu filho, reinou em seu lugar. "
" E Jeosafá, filho de Asa, começou a reinar sobre Judá no quarto ano de Acabe, rei de Israel. "
" E era Jeosafá da idade de trinta e cinco anos quando começou a reinar; e vinte e cinco anos reinou em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Azuba, filha de Sili. "
" E andou em todos os caminhos de seu pai Asa, não se desviou deles, fazendo o que era reto aos olhos do Senhor. "
" Todavia os altos não se tiraram; ainda o povo sacrificava e queimava incenso nos altos. "
" E Jeosafá esteve em paz com o rei de Israel. "
" Quanto ao mais dos atos de Jeosafá, e ao poder que mostrou, e como guerreou, porventura não está escrito no livro das crônicas dos reis de Judá? "
" Também expulsou da terra o restante dos sodomitas, que ficaram nos dias de seu pai Asa. "
" Então não havia rei em Edom, porém um vice-rei. "
" E fez Jeosafá navios de Társis, para irem a Ofir por causa do ouro; porém não foram, porque os navios se quebraram em Eziom-Geber. "
" Então Acazias, filho de Acabe, disse a Jeosafá: Vão os meus servos com os teus servos nos navios. Porém Jeosafá não quis. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.