Versículo em destaque
1 Reis 22:15 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E, vindo ele ao rei, o rei lhe disse: Micaías, iremos a Ramote de Gileade à peleja, ou deixaremos de ir? E ele lhe disse: Sobe, e serás bem sucedido; porque o Senhor a entregará na mão do rei. "
1 Reis 22:15
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
13 E o mensageiro que foi chamar a Micaías falou-lhe, dizendo: Vês aqui que as palavras dos profetas a uma voz predizem coisas boas para o rei; seja, pois, a tua palavra como a palavra de um deles, e fala bem.
14 Porém Micaías disse: Vive o Senhor que o que o Senhor me disser isso falarei.
15 E, vindo ele ao rei, o rei lhe disse: Micaías, iremos a Ramote de Gileade à peleja, ou deixaremos de ir? E ele lhe disse: Sobe, e serás bem sucedido; porque o Senhor a entregará na mão do rei.
16 E o rei lhe disse: Até quantas vezes te conjurarei, que não me fales senão a verdade em nome do Senhor?
17 Então disse ele: Vi a todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não tem pastor; e disse o Senhor: Estes não têm senhor; torne cada um em paz para sua casa.
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Micaías fez aqui o que era certo e, como tantas vezes acontece, sofreu por isso. Falou com fidelidade, preocupado em agradar a Deus e não em bajular homens poderosos ou seguir a multidão. Ele transmitiu sua mensagem de três maneiras, e em todas elas desagradou a Acabe.
Primeiro, ele repetiu as palavras dos outros profetas, mas só em tom de ironia: “Sobe, e serás bem sucedido” (1 Reis 22:15). Acabe lhe fizera a mesma pergunta que já fizera aos seus próprios profetas: “Iremos à peleja, ou deixaremos de ir?” Ele parecia interessado em saber a vontade de Deus, mas já estava decidido a fazer o que queria, como Balaão. Micaías deixou claro que estava falando de modo sarcástico, como se dissesse: “Você já está resolvido. Seus profetas garantem vitória; então vá, e enfrente o resultado.” Ele não estava dizendo: “Assim diz o Senhor”; na verdade, queria expressar o contrário.
Quem ama a lisonja muitas vezes merece ser ridicularizado, e Deus é justo quando deixa pessoas teimosas seguirem seus próprios planos, depois de insistirem em andar segundo seus desejos (Eclesiastes 11:9). Então Acabe exigiu que Micaías falasse a verdade e não zombasse dele (v. 16). Ele fazia de conta que queria sinceramente ouvir a palavra de Deus, mas também podia estar tentando pintar Micaías como alguém grosseiro e difícil.
Em segundo lugar, pressionado a falar claramente, Micaías declarou abertamente que aquela campanha terminaria em desastre. O rei seria eliminado, e o exército se espalharia (1 Reis 22:17). Em sua visão, ele os viu dispersos pelos montes como ovelhas sem pastor. “Fere o pastor, e espalhar-se-ão as ovelhas” (Zacarias 13:7). Isso significava, primeiro, que Israel perderia o seu rei, o seu pastor. Deus via a situação impotente deles: “Estes não têm senhor.” Também significava que teriam de bater em retirada sem alcançar o objetivo. Ele não prediz uma grande matança, mas uma retirada vergonhosa. O povo voltaria em paz para casa, mas o rei morreria na batalha.
Micaías apenas relatou o que tinha visto e ouvido, quisessem eles aceitar ou não, enquanto os outros profetas falavam do próprio coração (Jeremias 23:28). “O profeta que tem sonho conte-o como sonho; mas aquele em quem está a minha palavra fale a minha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo?” Então Acabe se voltou para Josafá, rei de Judá, e perguntou se Micaías não demonstrava claramente que o odiava (1 Reis 22:18). Pessoas que odeiam os outros muitas vezes presumem que também são odiadas, mesmo sem motivo. Contudo, que mal Micaías fez ao avisar Acabe de que aquela guerra o mataria? A maior bondade que se pode fazer a alguém que está num caminho perigoso é dizer a verdade sobre o perigo.
Em terceiro lugar, Micaías explicou por que os profetas de Acabe estavam tão ansiosos por mandá-lo para a batalha. Na visão, Deus permitiu que um espírito mentiroso agisse por meio deles para conduzir Acabe à ruína. Deus havia determinado que Acabe cairia em Ramote de Gileade (1 Reis 22:19-20). A perversa “bondade” de Acabe para com Ben-Hadade, rei da Síria, voltaria sobre ele pelas mãos dos sírios. Como Acabe estava indeciso se iria e tencionava consultar seus profetas, esses seriam usados para persuadi-lo a ir e, assim, levá-lo ao engano (1 Reis 22:21-22). Por isso falavam com tanta confiança (1 Reis 22:23). Era mentira vinda do pai da mentira, mas Deus a permitiu.
Tudo isso é descrito em termos humanos. Não devemos imaginar que Deus seja pego de surpresa, que precise rever planos ou que tenha de pedir conselho a anjos ou a quem quer que seja. Ele não é o autor do pecado nem causa alguém a mentir ou a crer na mentira. Mesmo assim, esse relato nos ensina várias coisas. Deus é o grande Rei acima de todos os reis, com um trono acima de todo trono terreno. “Vocês têm os seus tronos”, Micaías dizia, em efeito, aos dois reis, “mas eu vi o Senhor no seu trono.” Por isso, Micaías precisava falar o que Deus dissera, não o que os reis queriam ouvir.
Mostra também que Deus é sempre servido por um incontável exército de anjos, prontos a fazer a sua vontade. Mostra que ele governa tudo o que acontece no mundo e dirige todos os acontecimentos segundo o seu propósito. A ascensão e a queda de governantes, o desfecho das guerras e todos os grandes assuntos discutidos por sábios e poderosos não estão fora do controle de Deus, assim como as menores questões das casas mais pobres não estão abaixo da sua atenção. Ensina ainda que Deus tem muitos meios de executar seus planos, especialmente quando os pecadores já estão preparados para o juízo; ele pode fazê-lo de uma forma ou de outra.
Existem também espíritos malignos, mentirosos, que continuam agindo para destruir as pessoas, sobretudo colocando mentiras na boca de profetas, para desviar muitos. O diabo só pode enganar porque Deus permite. “Ao enganador e ao enganado ele os leva” (Jó 12:16). Quando Deus julga os que rejeitam a verdade, pode permitir que Satanás os engane, ou entregá-los a um poder enganoso, para que creiam na mentira (2 Tessalonicenses 2:11-12; Apocalipse 20:7-8). Aqueles que são entregues a esse estado estão claramente marcados para a ruína. Deus já pronunciou juízo contra os que são entregues a profetas mentirosos.
Assim, Micaías advertiu Acabe não só sobre o perigo de ir à guerra, mas também sobre o perigo de confiar nos profetas que o incentivavam. Somos ensinados a tomar cuidado com falsos profetas e a provar os espíritos. Um espírito mentiroso causa o maior dano quando fala pela boca de profetas.
Em seguida, o texto mostra como Micaías foi maltratado por proclamar essa mensagem com fidelidade e clareza, de um modo que deveria tê-los convencido e impressionado.
Zedequias, profeta ímpio, ousadamente insultou Micaías diante da corte. Deu-lhe um tapa no rosto para envergonhá-lo, calá-lo e mostrar sua ira. Nisso, agiu como aqueles que maltrataram o nosso bendito Salvador (Mateus 26:67), o Juiz de Israel (Miqueias 5:1). Depois, como se somente ele tivesse o Espírito do Senhor, ou como se o possuísse como propriedade particular, perguntou: “Por onde passou de mim o Espírito do Senhor para falar a ti?” (1 Reis 22:24).
Os falsos profetas muitas vezes têm sido os piores inimigos dos verdadeiros profetas. Não apenas atiçaram os governantes contra eles, mas muitas vezes eles mesmos os maltrataram, como Zedequias faz aqui. Pela lei, ferir alguém na presença do rei seria considerado uma grave ofensa. No entanto, esse profeta perverso ousou dar tal afronta a um profeta do Senhor, e ninguém o impediu ou puniu. Acabe se agradou do que aconteceu, e Josafá não teve coragem de defender o profeta ferido, alegando que isso escapava à sua autoridade.
Micaías não revidou. Os profetas de Deus não são homens violentos ou vingativos. Eles não pagam golpe com golpe nem ajudam a espalhar desordem. Contudo, já que Zedequias se gabava tanto do Espírito, como muitos fazem quando pouco entendem da sua obra, Micaías o deixou aprender seu erro pelos acontecimentos futuros: “Eis que verás, naquele dia, quando entrares de câmara em câmara, para te esconderes” (1 Reis 22:25).
É provável que Zedequias tenha ido com Acabe para a batalha, levando consigo os chifres de ferro, na esperança de animar os soldados e ver cumprir-se sua profecia. Ele provavelmente esperava voltar vitorioso com o rei. Mas, quando o exército foi derrotado, fugiu com os demais da espada inimiga. Escondeu-se, como Ben-Hadade fizera em uma câmara interior (1 Reis 20:30), na esperança de não morrer com aqueles que enganara, como aconteceu com Balaão (Números 31:8). Também temeu cair no mesmo abismo que o príncipe cego a quem havia desviado. Os que se recusam a corrigir seus erros à luz da Palavra de Deus, a tempo, serão desmascarados pelos juízos de Deus quando já for tarde demais.
Acabe, rei perverso, mandou colocar Micaías na prisão (1 Reis 22:27). Não ordenou apenas que fosse detido até o fim da batalha. Determinou que fosse alimentado apenas com pão e água, comida pobre e água impura, até que Acabe voltasse, pois estava certo de que retornaria vitorioso. Então planejava condenar Micaías à morte como falso profeta (1 Reis 22:27). Era tratamento cruel para um homem que havia tentado livrá-lo da ruína. Mas isso mostrava que Deus havia resolvido destruir Acabe, como em (2 Crônicas 25:16).
Acabe estava muito confiante no sucesso. Não duvidava de que retornaria em paz, embora ele mesmo já tivesse advertido Ben-Hadade: “Quem cinge as armas não se gabe como aquele que as descinge.” Contudo, havia pouca razão para esperar que voltasse em segurança, saindo para a guerra enquanto deixava um profeta de Deus preso para trás. Micaías tornou o assunto público e convocou o povo como testemunha: “Se tu voltares em paz, não falou o Senhor por mim” (1 Reis 22:28). Em outras palavras, se o rei voltasse vivo, Micaías se dispunha a ser tratado como falso profeta.
Ele não correu risco real ao dizer isso, porque confiava naquele em quem cria. Deus, que é temido pelos reis da terra e reduz príncipes a nada, deixará até nações inteiras caírem antes de permitir que uma só de suas palavras falhe. Ele certamente confirmará a palavra dos seus servos (Isaías 44:26).
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Deste capítulo
1 Reis 22:1
"E estiveram quietos três anos, não havendo guerra entre a Síria e Israel."
1 Reis 22:2
"Porém no terceiro ano sucedeu que Jeosafá, rei de Judá, desceu para avistar-se com o rei de Israel."
1 Reis 22:3
"E o rei de Israel disse aos seus servos: Não sabeis vós que Ramote de Gileade é nossa, e nós estamos quietos, sem a tomar da mão do rei da Síria?"
1 Reis 22:4
"Então perguntou a Jeosafá: Irás tu comigo à peleja a Ramote de Gileade? E disse Jeosafá ao rei de Israel: Serei como tu, e o meu povo como o teu povo, e os meus cavalos como os teus cavalos."
1 Reis 22:5
"Disse mais Jeosafá ao rei de Israel: Peço-te, consulta hoje a palavra do Senhor."
1 Reis 22:6
"Então o rei de Israel reuniu os profetas até quase quatrocentos homens, e disse-lhes: Irei à peleja contra Ramote de Gileade, ou deixarei de ir? E eles disseram: Sobe, porque o Senhor a entregará na mão do rei."
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