1 Reis 13 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique 1 Reis 13 na sua vida hoje

34 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e 1 Reis 13?

1 Reis 13 narra a visita de um homem de Deus de Judá a Betel, onde confronta o altar idólatra de Jeroboão e profetiza juízo futuro por meio de um rei chamado Josias. Deus confirma a mensagem com sinais: o altar se fende e a mão do rei seca e depois é restaurada. Em seguida, o homem de Deus recebe uma ordem específica de não comer, beber nem voltar pelo mesmo caminho. Um velho profeta de Betel o engana, levando-o a desobedecer à palavra recebida. Como consequência, o homem de Deus é morto por um leão no caminho, em um juízo claramente sobrenatural. O velho profeta o sepulta com honra, reconhece a veracidade da profecia, mas Jeroboão persiste no seu pecado, o que sela a destruição de sua casa.

Temas principais em 1 Reis 13

A autoridade absoluta da palavra de Deus (versiculos 1-5, 9, 20-22, 32)

A palavra do Senhor dirige o homem de Deus, anuncia juízo sobre o altar e sobre os sacerdotes e se cumpre nos sinais e no destino do profeta desobediente. Nenhuma posição ou tradição local pode se sobrepor ao que Deus falou.

Versiculos-chave: 2, 3, 9, 21, 32

Juízo sobre a falsa adoração (versiculos 1-5, 2, 32-34)

O altar de Betel e os sacerdotes dos altos simbolizam a ruptura de Jeroboão com a adoração ordenada por Deus. O anúncio sobre Josias e a fenda do altar mostram que Deus não aceita culto adulterado, mesmo quando institucionalizado pelo rei.

Versiculos-chave: 2, 5, 33, 34

Obediência parcial e suas consequências (versiculos 8-10, 16-22)

O homem de Deus começa bem, resiste ao convite do rei e repete fielmente a ordem recebida, mas cede à mentira do velho profeta e desobedece. A gravidade não está no que ele comeu, mas no fato de ter violado uma instrução clara de Deus.

Versiculos-chave: 9, 17, 21, 22

Engano religioso e responsabilidade pessoal (versiculos 11-19, 20-26)

O velho profeta, ainda que tenha um passado de serviço, mente e se torna instrumento de tropeço. Mesmo enganado, o homem de Deus é considerado responsável por não se manter fiel ao que Deus lhe dissera diretamente.

Versiculos-chave: 18, 21, 26

Sinais sobrenaturais como confirmação de juízo (versiculos 3-6, 24-28)

A mão ressequida e restaurada, o altar que se fende, o leão que mata sem devorar e não toca o jumento, todos esses sinais confirmam que os acontecimentos não são casuais, mas atos específicos do juízo e da soberania de Deus.

Versiculos-chave: 3, 4, 6, 24, 28

Endurecimento e destruição da casa de Jeroboão (versiculos 33-34)

Mesmo após sinais claros e uma advertência severa, Jeroboão continua no seu mau caminho, multiplicando sacerdotes dos altos. A persistência no pecado leva à sentença de destruição completa de sua casa.

Versiculos-chave: 33, 34

Contexto historico e literario

1 Reis 13 se situa no período logo após a divisão do reino de Israel, por volta do século X a.C. Roboão reina sobre Judá (sul) e Jeroboão sobre Israel (norte). Para evitar que o povo volte seus corações a Jerusalém e à dinastia davídica, Jeroboão instala centros de culto em Betel e Dã, com bezerros de ouro e um sistema alternativo de sacerdócio e festas (1 Reis 12:26-33). Betel já era um lugar com forte carga religiosa desde os patriarcas, o que facilitava a aceitação do novo culto. Esse contexto ajuda a entender o peso do confronto: o homem de Deus vem de Judá, onde o templo de Jerusalém e o sacerdócio levítico ainda são o padrão estabelecido por Deus. O velho profeta que mora em Betel representa uma profecia acomodada ao sistema de Jeroboão, presente na cidade, mas aparentemente inativa ou comprometida. A menção de Josias (v.2) é um anúncio profético de longo prazo, cumprido séculos depois, no reinado de Josias, rei de Judá (2 Reis 23:15-20), quando ele destrói altares e sacerdotes idólatras em Betel. Isso mostra como o texto foi preservado e lido à luz de seu posterior cumprimento histórico.

Estrutura de 1 Reis 13

O capítulo é construído como um relato narrativo com forte ênfase profética e simbolismos:

  1. Encontro em Betel e profecia contra o altar (vv.1-3): Introdução do homem de Deus de Judá e sua mensagem de juízo sobre o altar e os sacerdotes, com anúncio específico de um futuro rei chamado Josias e um sinal imediato.
  2. Reação de Jeroboão e confirmação do sinal (vv.4-6): O rei tenta prender o profeta, sofre juízo imediato na mão ressequida e, em seguida, experimenta misericórdia na restauração, ao pedir intercessão.
  3. Recusa do homem de Deus à hospitalidade do rei (vv.7-10): O profeta mantém a ordem divina de não comer, nem beber, nem voltar pelo mesmo caminho, sublinhando sua fidelidade inicial.
  4. Introdução do velho profeta de Betel (vv.11-14): A narrativa se desloca para Betel, onde o velho profeta é informado pelos filhos e sai ao encontro do homem de Deus.
  5. Engano e queda do homem de Deus (vv.15-19): O velho profeta convida o homem de Deus, mente dizendo ter recebido uma nova palavra por meio de um anjo, e o leva a violar a instrução original.
  6. Palavra de juízo ao próprio homem de Deus (vv.20-22): Ironia literária: o mesmo profeta que mentiu agora é usado por Deus para pronunciar o juízo sobre o homem de Deus por sua rebeldia.
  7. Cumprimento do juízo: o leão e o cadáver no caminho (vv.23-25): O homem de Deus parte e é morto por um leão, em um quadro cheio de detalhes que ressaltam o caráter sobrenatural do evento.
  8. Reconhecimento e lamento do velho profeta (vv.26-32): O velho profeta interpreta o acontecimento como juízo divino, recolhe o corpo, o sepulta em seu próprio túmulo, pranteia e instrui os filhos sobre seu próprio sepultamento, reafirmando a certeza da profecia contra Betel.
  9. Persistência do pecado de Jeroboão (vv.33-34): Conclusão sombria: apesar de tudo, Jeroboão não muda, e a narrativa fecha com o anúncio de destruição de sua casa, preparando os desdobramentos seguintes.

Significado teologico

Este capítulo ressalta a centralidade e a inviolabilidade da palavra de Deus. O foco não está apenas na idolatria de Jeroboão, mas também na responsabilidade de quem é chamado a falar em nome do Senhor. O homem de Deus é um mensageiro fiel ao confrontar o rei e anunciar um juízo de longo prazo, mas se torna um exemplo trágico de como até os servos de Deus podem cair quando se afastam da instrução recebida.

A cena sublinha que Deus governa sobre reis, altares, animais e circunstâncias. O altar que se fende e a mão que seca e é restaurada demonstram que o Senhor confirma a sua palavra com sinais. A morte do homem de Deus por um leão, que nem devora o corpo nem fere o jumento, mostra um juízo dirigido e controlado, sem crueldade gratuita, revelando a santidade divina e a gravidade da desobediência.

Do ponto de vista teológico, o velho profeta de Betel é um alerta sobre o perigo de um ofício religioso desconectado da obediência. Ter título de profeta não garante alinhamento ao coração de Deus. Ele mente, mas Deus ainda o usa para proferir a verdade. Isso mostra que a confiabilidade da mensagem está em Deus, não na perfeição do mensageiro, e que nem todo discurso “em nome do Senhor” é autêntico.

O anúncio sobre Josias destaca a soberania de Deus na história: séculos antes, Ele já anuncia o nome e a missão de um rei específico, mostrando que o juízo sobre a falsa adoração é certo, mesmo que aparentemente demore. A persistência de Jeroboão no pecado, apesar de sinais e advertências, revela a dureza do coração humano e o processo de endurecimento que conduz à destruição.

O capítulo também traz um ensino sobre revelação: a ordem original de Deus ao homem de Deus é clara e direta. Nenhuma “nova revelação”, ainda que atribuída a um anjo, tem autoridade para contradizer o que Deus já disse. A fidelidade a Deus implica discernir e julgar qualquer mensagem à luz da palavra previamente revelada.

Aplicacao restauradora e de saude mental

1 Reis 13 toca em temas que afetam profundamente a experiência emocional: a dor de ver líderes espirituais falhando, o sentimento de culpa diante de erros graves e o medo do juízo de Deus. O texto apresenta um cenário de tensão entre obediência e influência humana, mostrando como o engano religioso pode causar dano e gerar confusão interna. Há um misto de tristeza e seriedade na história do homem de Deus: ele é chamado por Deus, usado de forma poderosa, mas termina de modo trágico por ceder à voz errada.

Do ponto de vista terapêutico, o capítulo ajuda a reconhecer que mesmo pessoas sinceras podem ser enganadas e podem errar, e que isso é parte da realidade humana descrita na Bíblia. Ao mesmo tempo, a narrativa não minimiza as consequências das escolhas, lembrando que decisões morais e espirituais importam. O velho profeta chora e honra o homem de Deus morto, o que sugere um reconhecimento doloroso da gravidade do que aconteceu, misturado provavelmente com culpa e arrependimento.

Esse relato pode ressoar com quem carrega remorso por decisões tomadas sob influência errada ou por ter seguido conselhos espirituais confusos. Também fala com quem se sente abalado pela hipocrisia ou incoerência de líderes religiosos. A história mostra que Deus continua soberano e fiel à sua palavra, mesmo em meio a falhas humanas, o que pode oferecer um senso de segurança e estabilidade espiritual, ainda que traga uma chamada séria à responsabilidade pessoal.

warning Importante: maus usos comuns

Este capítulo contém elementos que podem ser emocionalmente desafiadores para algumas pessoas:

  • Juízo severo e morte repentina do homem de Deus, podendo intensificar medos de punição divina, especialmente em quem já vive com ansiedade religiosa ou culpa excessiva.
  • Engano praticado por um profeta mais velho, o que pode acionar lembranças de abuso espiritual, manipulação religiosa ou decepção com líderes de fé.
  • Imagem do leão matando o profeta e do corpo estendido no caminho, que pode ser perturbadora para pessoas sensíveis a cenas de morte ou violência.
  • Tema de desobediência resultando em consequências irreversíveis, que pode acentuar ruminação sobre erros passados e alimentar sentimentos de desespero.

Leitores com histórico de escrúpulos religiosos, trauma espiritual ou luto recente podem reagir de forma mais intensa a esse texto. Em contextos de cuidado emocional, pode ser útil trabalhar a diferença entre a situação específica e o relacionamento cotidiano de Deus com seus filhos, destacando sua graça, a obra de Cristo e o caminho de arrependimento e restauração. Caso o texto desperte angústia profunda, é recomendável conversar com alguém de confiança ou um profissional de saúde mental sensível à fé cristã.

Aplicacao pratica para hoje

1 Reis 13 oferece vários princípios práticos para a vida diária:

  1. Priorizar a palavra de Deus acima de qualquer voz humana: O homem de Deus falha quando coloca a palavra de um profeta acima da instrução direta que recebera. Em termos práticos, isso lembra a importância de avaliar qualquer conselho, inclusive religioso, à luz da Escritura, em vez de confiar apenas em autoridade, carisma ou idade.

  2. Reconhecer que posição espiritual não imuniza contra engano: O velho profeta é um exemplo de alguém com histórico de serviço a Deus, mas que mente e se torna pedra de tropeço. Na prática, isso convida a não idealizar pessoas, mas a manter discernimento, mesmo com líderes respeitados.

  3. Levar a sério promessas e advertências de Deus: A profecia sobre Josias e o juízo sobre o homem de Deus mostram que aquilo que Deus diz se cumpre. Isso inspira responsabilidade nas escolhas diárias, na forma de adorar, na ética pessoal e nas decisões que envolvem fidelidade a Deus.

  4. Desenvolver discernimento diante de experiências e “revelações”: O velho profeta fundamenta sua mentira em uma suposta mensagem de anjo. Na vida prática, isso ensina a não aceitar qualquer “experiência espiritual” como válida só porque é intensa ou impressionante, mas a testá-la pelo que Deus já revelou.

  5. Não confundir misericórdia com aprovação: A mão de Jeroboão é restaurada após a oração do homem de Deus, mas o rei não muda de caminho. A restauração física não significa que o sistema de culto de Jeroboão é aprovado. Esse princípio se aplica quando situações melhoram externamente, mas o coração permanece sem arrependimento.

  6. Aprender com advertências alheias: O fim trágico do homem de Deus e a persistência de Jeroboão funcionam como avisos. Em vez de esperar chegar a extremos de endurecimento ou consequência, a prudência consiste em ouvir cedo as correções de Deus e reconsiderar práticas e decisões à luz delas.

Perguntas frequentes

Por que Deus foi tão severo com o homem de Deus que desobedeceu?

O foco do texto está em mostrar a seriedade da palavra de Deus e a responsabilidade especial de quem fala em Seu nome. O homem de Deus recebeu uma ordem direta e específica: não comer, não beber e não voltar pelo mesmo caminho (vv.9, 17). Sua desobediência não foi um detalhe irrelevante, mas um ato de rebeldia à instrução clara do Senhor (v.21). Como sinal público, sua morte se torna um alerta para toda a nação, especialmente em um momento em que o culto verdadeiro estava sendo corrompido por Jeroboão. A severidade, nesse contexto, sublinha a santidade de Deus e o peso do ministério profético na história de Israel.

O velho profeta de Betel se arrependeu do que fez?

O texto não descreve explicitamente um arrependimento formal, mas sugere remorso e reconhecimento da gravidade do que aconteceu. Ele admite que o homem de Deus foi rebelde à ordem do Senhor (v.26), vai buscar o corpo, o chora, o enterra em seu próprio sepulcro e pede para ser sepultado junto dele (vv.29-31). Isso aponta para respeito tardio e reconhecimento da autenticidade da mensagem do homem de Deus. Contudo, a narrativa deixa em aberto até que ponto ele se arrependeu diante de Deus; o foco permanece mais na lição sobre obediência e na confirmação da palavra profética.

Qual é o significado do leão que mata o profeta, mas não devora o corpo nem o jumento?

Os detalhes enfatizam que não se trata de um ataque animal comum, mas de um juízo dirigido por Deus. O leão mata o homem de Deus, mas não o devora e nem ataca o jumento (v.28). Além disso, ambos ficam ali parados junto ao cadáver. Essa cena anormal indica que o leão é instrumento específico do juízo divino, e não apenas um predador agindo por instinto. O sinal comunica à comunidade que a morte do profeta é resultado direto da desobediência à palavra do Senhor e não de acaso ou fatalidade.

Quem é o rei Josias mencionado na profecia e quando a palavra se cumpre?

Josias foi um rei de Judá que reinou muitos anos depois de Jeroboão, no final do século VII a.C. A profecia de 1 Reis 13:2 se cumpre em 2 Reis 23:15-20, quando Josias promove uma ampla reforma religiosa, destruindo altares idólatras, incluindo o altar de Betel, e sacrificando sobre eles os sacerdotes dos altos. O texto mostra que Deus não apenas anunciou o juízo de forma geral, mas previu com precisão o nome e a ação futura de um rei específico, reforçando sua soberania sobre a história.

Por que Jeroboão não se arrepende mesmo depois de tantos sinais?

O texto descreve um processo de endurecimento. Jeroboão vê sua mão secar e ser restaurada, presencia o altar se fender e recebe uma advertência clara, mas, ainda assim, não abandona o seu mau caminho (vv.33-34). Em vez disso, continua nomeando sacerdotes para os altos a partir de qualquer pessoa que quisesse. Isso ilustra que sinais e milagres, por si só, não garantem mudança de coração. Quando alguém está determinado a preservar seu próprio projeto, mesmo as intervenções de Deus podem ser ignoradas. O resultado é que o pecado se torna causa de destruição para a própria casa de Jeroboão.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Este capítulo carrega uma dor silenciosa. Há um homem de Deus que começa tão fiel, disposto a enfrentar um rei e um sistema religioso inteiro, e termina morto no caminho por causa de uma decisão equivocada. A história expõe como corações sinceros podem ser enganados, e como até quem ama a Deus pode se ver enredado em palavras erradas, ditas por pessoas que deveriam ser confiáveis. A figura do velho profeta chorando o homem de Deus, sepultando-o em seu próprio túmulo e pedindo para descansar ao lado dele fala de arrependimentos tardios, vínculos marcados por falhas e culpas que não se apagam facilmente. Muitos relacionamentos espirituais também carregam essas marcas: conselhos que feriram, influências que desviaram, palavras ditas “em nome de Deus” que deixaram cicatrizes. Ao mesmo tempo, o capítulo não termina com Deus distante. Em cada cena, Ele está atento: vê a idolatria de Jeroboão, confirma a palavra do profeta com sinais, observa a desobediência, dirige até o leão. Não é um Deus indiferente, mas profundamente envolvido, ainda que de maneira firme e santa. Para corações feridos pela confusão espiritual, essa presença atenta pode ser um consolo: no meio dos erros humanos, Deus continua enxergando a verdade, cuidando da história com seriedade e justiça. Há espaço aqui para quem olha para o passado e enxerga decisões que hoje causam dor. A Bíblia não esconde essas histórias. Em vez disso, mostra que Deus caminha no meio delas, vê lágrimas, conhece enganos e não abandona seu propósito, mesmo quando pessoas falham. Essa consciência pode trazer algum descanso: a história não está nas mãos do engano ou do erro, mas nas mãos de um Deus que continua soberano e atento às dores de cada um.

Mind
Mind

1 Reis 13 é um dos relatos narrativos mais complexos e teologicamente densos da literatura deuteronomista. Ele articula, em forma de história, temas centrais da teologia deuteronômica: a centralidade do culto legítimo, o juízo sobre a idolatria e a importância crucial da obediência à palavra revelada. O contraste entre Judá e Israel é fundamental. O homem de Deus vem de Judá – território associado à dinastia davídica e ao templo de Jerusalém – para confrontar o altar de Betel, símbolo do sistema alternativo instituído por Jeroboão. A mensagem contra o altar antecipa a reforma de Josias, criando um arco teológico que une 1 Reis 13 a 2 Reis 23. A nomeação explícita de Josias décadas antes de seu nascimento tem função literária e teológica: reafirma que a história de Israel se desenrola sob a supervisão e planejamento soberano de Deus. A figura do velho profeta de Betel apresenta um problema interpretativo: por que ele mente? O texto não oferece motivação psicológica detalhada. O interesse principal é mostrar que a legitimidade da mensagem não reside na figura institucional do profeta, mas na fidelidade à palavra previamente dada. A ironia é evidente: o profeta que mente é, em seguida, o canal da verdadeira palavra de juízo sobre o homem de Deus. Isso reforça que Deus pode falar por meio de instrumentos moralmente falhos, sem endossar seu comportamento. Do ponto de vista da teologia da revelação, o capítulo é um laboratório narrativo. A ordem original é clara, direta e atribuída explicitamente ao Senhor (vv.9, 17). A suposta nova mensagem vem mediada: um anjo teria falado ao velho profeta, que então transmite a palavra. O narrador esclarece: “porém mentiu-lhe” (v.18). A lição é que qualquer nova reivindicação de revelação que contradiga a palavra já dada deve ser rejeitada, ainda que venha com a roupagem de autoridade profética ou experiência angelical. O episódio do leão é construído com detalhes que visam eliminar explicações naturalistas: o leão mata, mas não devora o corpo, não toca o jumento, e ambos permanecem ali (vv.24, 28). Isso comunica ao leitor antigo e moderno que a morte do homem de Deus não é mero acaso ou perigo de viagem, mas cumprimento preciso da palavra de juízo. Ao final, o narrador volta a Jeroboão (vv.33-34), para mostrar que, apesar de todos os sinais, o rei persevera em sua política religiosa. A narrativa, portanto, não é apenas sobre um profeta e um leão, mas sobre um reino inteiro caminhando para o juízo por resistir sistematicamente à palavra do Senhor.

Life
Life

Aplicado ao cotidiano, 1 Reis 13 fala de escolhas, influência e responsabilidade. O homem de Deus mostra que é possível começar uma missão com coragem e clareza, resistir à pressão de cima – o rei – e ainda assim tropeçar diante da influência de alguém que parece seguro e espiritual. Isso espelha muitas situações de vida: pessoas dizem “é de Deus”, “senti no coração”, “Deus me mostrou”, e facilmente se abre mão do que já estava claro. Na prática, o texto sugere que, quando há uma convicção estabelecida a partir da palavra de Deus, decisões importantes não devem ser revistas só porque alguém com mais idade, experiência ou título religioso diz algo diferente. Respeito a autoridades espirituais é valioso, mas não substitui a necessidade de checar o conteúdo pelo que Deus já revelou. Outra dimensão prática é a forma como Jeroboão lida com o juízo: ele pede oração quando está em apuros, recebe restauração, mas mantém intacto seu sistema de culto e de poder. Isso lembra comportamentos comuns, como buscar ajuda espiritual apenas para sair de crises, sem rever o modo de viver, trabalhar, liderar ou se relacionar. O texto expõe a incoerência de querer alívio sem mudança. O velho profeta também traz lições para quem exerce qualquer tipo de liderança espiritual ou influência: suas palavras têm peso. Ele convence o homem de Deus a desobedecer e, depois, precisa assistir às consequências. Na vida real, conselhos apressados, interpretações bíblicas mal cuidadas ou o uso leviano da expressão “Deus me disse” podem gerar decisões que afetam famílias, carreiras e fé. Em termos práticos, o capítulo encoraja a cultivar discernimento, examinar motivações e considerar seriamente as implicações das escolhas. Para quem influencia outros, lembra a responsabilidade de falar com honestidade, sem manipulação espiritual. Para quem busca direção, lembra que nenhuma voz humana deve substituir a fidelidade ao que Deus já deixou claro em sua palavra.

Soul
Soul

Espiritualmente, 1 Reis 13 chama a uma reverência profunda diante da voz de Deus. A história inteira gira em torno de como se responde à palavra do Senhor: Jeroboão a rejeita abertamente, o homem de Deus a obedece em parte e o velho profeta a manipula. Em cada reação, há implicações para o destino de pessoas e de uma casa inteira. O anúncio sobre Josias aponta para além do momento imediato: Deus já contempla séculos à frente, planejando juízo e restauração de forma coerente com sua santidade. Isso convida a enxergar a vida não apenas no horizonte curto das circunstâncias, mas dentro de uma história maior, em que Deus conduz a trajetória do seu povo, confrontando ídolos e chamando de volta à adoração verdadeira. O destino do homem de Deus, por mais duro que pareça, não é apresentado como perda da aliança, mas como disciplina severa ligada ao ofício profético. Quem carrega mensagem sagrada é chamado a uma integridade proporcional. Isso ecoa, em um nível mais amplo, na ideia neotestamentária de que a quem muito é dado, muito será exigido. A vida espiritual não é um adorno, mas o eixo a partir do qual todas as demais dimensões se organizam. Já o velho profeta encarna uma espiritualidade ambígua: reconhece a verdade, honra o homem de Deus, mas também mentiu em nome de Deus. Sua decisão de ser enterrado junto ao profeta, confiando no cumprimento da palavra sobre Betel, revela uma fé que convive com falhas graves. Isso ilustra que Deus pode continuar operando seu plano apesar da inconsistência humana, mas não a justifica nem a torna irrelevante. Por fim, a insistência de Jeroboão em seus caminhos alerta para o perigo de um coração que se acostuma a resistir. Ele vê sinais, ouve advertências, experimenta misericórdia, mas não muda. Em termos de formação espiritual, isso mostra que a resposta à palavra de Deus não pode ser adiada indefinidamente sem consequências. A abertura contínua à correção, o arrependimento sincero e a disposição de realinhar a vida com a vontade de Deus são marcas de uma alma que caminha em direção à vida, e não à destruição.

IA crista companheira

Pronto para aplicar 1 Reis 13? Receba orientacao personalizada

Junte-se a milhares de pessoas aprofundando sua compreensao das Escrituras com planos de estudo personalizados, aplicacoes de versiculos e reflexoes guiadas.

1 Sua pergunta arrow_forward 2 Correspondencia biblica arrow_forward 3 Aplicacao guiada

✓ Sem cartao de credito • ✓ Seus dados ficam privados • ✓ 60 creditos gratis

Versiculos em 1 Reis 13

1 Reis 13:1

" E eis que, por ordem do SENHOR, veio, de Judá a Betel, um homem de Deus; e Jeroboão estava junto ao altar, para queimar incenso. "

1 Reis 13:2

" E ele clamou contra o altar por ordem do Senhor, e disse: Altar, altar! Assim diz o Senhor: Eis que um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será Josias, o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que sobre ti queimam incenso, e ossos de homens se queimarão sobre ti. "

1 Reis 13:3

" E deu, naquele mesmo dia, um sinal, dizendo: Este é o sinal de que o Senhor falou: Eis que o altar se fenderá, e a cinza, que nele está, se derramará. "

1 Reis 13:4

" Sucedeu, pois, que, ouvindo o rei a palavra do homem de Deus, que clamara contra o altar de Betel, Jeroboão estendeu a sua mão de sobre o altar, dizendo: Pegai-o! Mas a sua mão, que estendera contra ele, se secou, e não podia tornar a trazê-la a si. "

1 Reis 13:5

" E o altar se fendeu, e a cinza se derramou do altar, segundo o sinal que o homem de Deus apontara por ordem do Senhor. "

1 Reis 13:6

" Então respondeu o rei, e disse ao homem de Deus: Suplica ao Senhor teu Deus, e roga por mim, para que se me restitua a minha mão. Então o homem de Deus suplicou ao Senhor, e a mão do rei se lhe restituiu, e ficou como dantes. "

1 Reis 13:8

" Porém o homem de Deus disse ao rei: Ainda que me desses metade da tua casa, não iria contigo, nem comeria pão nem beberia água neste lugar. "

1 Reis 13:9

" Porque assim me ordenou o Senhor pela sua palavra, dizendo: Não comerás pão nem beberás água; e não voltarás pelo caminho por onde vieste. "

1 Reis 13:11

" E morava em Betel um velho profeta; e vieram seus filhos, e contaram-lhe tudo o que o homem de Deus fizera aquele dia em Betel, e as palavras que dissera ao rei; e as contaram a seu pai. "

1 Reis 13:12

" E disse-lhes seu pai: Por que caminho se foi? E seus filhos lhe mostraram o caminho por onde fora o homem de Deus que viera de Judá. "

1 Reis 13:14

" E foi após o homem de Deus, e achou-o assentado debaixo de um carvalho, e disse-lhe: És tu o homem de Deus que vieste de Judá? E ele disse: Sou. "

1 Reis 13:16

" Porém ele disse: Não posso voltar contigo, nem entrarei contigo; nem tampouco comerei pão, nem beberei contigo água neste lugar. "

1 Reis 13:17

" Porque me foi mandado pela palavra do Senhor: Ali não comerás pão, nem beberás água; nem voltarás pelo caminho por onde vieste. "

1 Reis 13:18

" E ele lhe disse: Também eu sou profeta como tu, e um anjo me falou por ordem do Senhor, dizendo: Faze-o voltar contigo à tua casa, para que coma pão e beba água (porém mentiu-lhe). "

1 Reis 13:21

" E clamou ao homem de Deus, que viera de Judá, dizendo: Assim diz o Senhor: Porquanto foste rebelde à ordem do Senhor, e não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te mandara, "

1 Reis 13:22

" Antes voltaste, e comeste pão e bebeste água no lugar de que o Senhor te dissera: Não comerás pão nem beberás água; o teu cadáver não entrará no sepulcro de teus pais. "

1 Reis 13:23

" E sucedeu que, depois que comeu pão, e depois que bebeu, albardou ele o jumento para o profeta que fizera voltar. "

1 Reis 13:24

" Este, pois, se foi, e um leão o encontrou no caminho, e o matou; e o seu cadáver ficou estendido no caminho, e o jumento estava parado junto a ele, e também o leão estava junto ao cadáver. "

1 Reis 13:25

" E eis que alguns homens passaram, e viram o corpo lançado no caminho, como também o leão, que estava junto ao corpo; e foram, e o disseram na cidade onde o velho profeta habitava. "

1 Reis 13:26

" E, ouvindo-o o profeta que o fizera voltar do caminho, disse: É o homem de Deus, que foi rebelde à ordem do Senhor; por isso o Senhor o entregou ao leão, que o despedaçou e matou, segundo a palavra que o Senhor lhe dissera. "

1 Reis 13:28

" Então foi, e achou o cadáver estendido no caminho, e o jumento e o leão, que estavam parados junto ao cadáver; e o leão não tinha devorado o corpo, nem tinha despedaçado o jumento. "

1 Reis 13:29

" Então o profeta levantou o cadáver do homem de Deus, e pô-lo em cima do jumento levando-o consigo; assim veio o velho profeta à cidade, para o chorar e enterrar. "

1 Reis 13:31

" E sucedeu que, depois de o haver sepultado, disse a seus filhos: Morrendo eu, sepultai-me no sepulcro em que o homem de Deus está sepultado; ponde os meus ossos junto aos ossos dele. "

1 Reis 13:32

" Porque certamente se cumprirá o que pela palavra do Senhor exclamou contra o altar que está em Betel, como também contra todas as casas dos altos que estão nas cidades de Samaria. "

1 Reis 13:33

" Nem depois destas coisas deixou Jeroboão o seu mau caminho; antes, de todo o povo, tornou a constituir sacerdotes dos lugares altos; e a qualquer que queria consagrava sacerdote dos lugares altos. "

Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.