1 Reis 9 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique 1 Reis 9 na sua vida hoje

28 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é 1 Reis 9?

Em 1 Reis 9, Deus responde à oração de Salomão após a conclusão do templo e do palácio, confirmando que santificou a casa, mas condicionando a permanência da sua bênção à obediência. O capítulo alterna entre promessas e advertências solenes sobre idolatria, descreve as alianças políticas de Salomão, seus grandes projetos de construção, o uso de trabalho compulsório, a organização administrativa e o início de suas empreitadas marítimas e comerciais.

Temas principais em 1 Reis 9

Aliança condicional: promessa e advertência (versículos 1-9)

Deus assegura que escolheu o templo para habitar com seu nome, mas deixa claro que a permanência da casa e do reino depende da fidelidade de Salomão e de seus descendentes. Obediência traz estabilidade e continuidade no trono; infidelidade e idolatria trariam destruição da nação e do templo, que se tornaria motivo de espanto e escárnio entre as nações.

Versículos-chave: 3, 4, 6, 7

Bênção material e responsabilidade espiritual (versículos 10-21, 26-28)

O texto mostra o auge do poder político e econômico de Salomão: alianças com Hirão, tributos, grandes obras de construção, cidades fortificadas, organização militar e viagens marítimas lucrativas. Ao lado dessa prosperidade, permanece a lembrança de que tudo isso está sujeito ao relacionamento de Israel com Deus.

Versículos-chave: 10, 19, 28

Justiça, trabalho compulsório e poder (versículos 15, 20-23)

Salomão estabelece tributos servís sobre os povos remanescentes de Canaã, ao mesmo tempo em que poupa os israelitas desse tipo de serviço, destinando-os a funções militares e administrativas. O texto mostra como o poder e os grandes projetos reais são sustentados por estruturas de trabalho pesado, levantando questões sobre justiça e o peso do reino sobre o povo.

Versículos-chave: 15, 21, 23

O templo como lugar do nome, olhos e coração de Deus (versículos 1-3, 7-8, 25)

Deus declara que seus olhos e seu coração estarão constantemente sobre a casa que foi construída em seu nome. O templo se torna símbolo visível da presença de Deus no meio do povo, mas também um lembrete de que a verdadeira segurança não está no edifício em si, mas na fidelidade ao Deus que ali habita.

Versículos-chave: 3, 8

Testemunho às nações (versículos 7-9)

Deus afirma que, se Israel se desviar, o julgamento se tornará um testemunho público para outros povos. A mesma nação que deveria revelar a glória de Deus pelas bênçãos passaria a revelar sua santidade e justiça pelos juízos, e as nações reconheceriam que a causa do desastre seria o abandono do Senhor.

Versículos-chave: 8, 9

Contexto histórico e literario

1 Reis 9 está situado no período do reino unido de Israel, durante o governo de Salomão, por volta do século X a.C. O templo e o palácio acabaram de ser concluídos, após cerca de vinte anos de grandes obras (v. 10). Salomão governa em uma fase de relativa paz externa, o que lhe permite concentrar recursos em construções, fortificações e expansão econômica.

Hirão, rei de Tiro, aliado de Davi, continua a parceria com Salomão, fornecendo madeira de cedro, cipreste e ouro (v. 11, 14). Tiro era um centro fenício marítimo altamente especializado em navegação e comércio internacional, por isso seus homens do mar são decisivos para as expedições a Ofir (v. 27-28).

As cidades mencionadas – Hasor, Megido, Gezer (v. 15), Bete-Horom, Baalate, Tadmor (v. 17-18) – eram estrategicamente importantes, seja como fortalezas defensivas, postos de controle de rotas comerciais ou centros de armazenamento de provisões. Faraó, rei do Egito, havia tomado Gezer e a oferecido como dote à filha, que se tornou esposa de Salomão (v. 16, 24), evidenciando alianças político-matrimoniais típicas de reinos do Antigo Oriente.

O texto também descreve a situação dos povos cananeus remanescentes (amorreus, heteus, perizeus, heveus, jebuseus – v. 20-21). Eles não foram totalmente destruídos nas conquistas anteriores, e agora são submetidos a tributo servil, enquanto os israelitas ocupam funções de comando militar e administrativo (v. 22-23).

Eziom-Geber, perto de Elate, no mar de Sufe (ligado ao mar Vermelho), era um importante porto em território de Edom (v. 26). Dali partiam expedições marítimas em direção a regiões distantes, como Ofir, famosa por seu ouro. Essas rotas comerciais ampliavam a riqueza de Salomão e conectavam Israel às redes internacionais de comércio da época.

Estrutura de 1 Reis 9

O capítulo apresenta uma estrutura que alterna entre discurso divino e descrição histórica, criando um contraste entre a palavra de Deus e as realizações de Salomão:

  1. Resposta de Deus à oração de Salomão e renovação da aliança (v. 1-3)

    • Referência à conclusão do templo e do palácio (v. 1)
    • Nova aparição do Senhor a Salomão, como em Gibeão (v. 2)
    • Confirmação de que Deus santificou o templo para pôr ali seu nome, olhos e coração (v. 3)
  2. Condições para a permanência do reino e do templo (v. 4-9)

    • Exortação à integridade e obediência, como Davi (v. 4)
    • Promessa de firmeza do trono se houver fidelidade (v. 5)
    • Advertência sobre afastar-se de Deus e servir a outros deuses (v. 6)
    • Anúncio de julgamento: expulsão da terra, rejeição da casa, vergonha entre as nações (v. 7-8)
    • Interpretação futura do desastre: abandono do Senhor e idolatria (v. 9)
  3. Resumo das grandes obras de Salomão e relação com Hirão (v. 10-14)

    • Marco temporal: vinte anos de construção do templo e do palácio (v. 10)
    • Contribuição de Hirão e entrega de vinte cidades na Galileia (v. 11)
    • Insatisfação de Hirão com as cidades e o nome “Terra de Cabul” (v. 12-13)
    • Menção do ouro enviado por Hirão (v. 14)
  4. Sistema de tributos e projetos de construção (v. 15-19)

    • Causa do tributo imposto por Salomão: obras de Jerusalém e outras cidades (v. 15)
    • Contexto de Gezer como dote da filha do faraó (v. 16)
    • Reconstrução e edificação de cidades estratégicas e de provisões (v. 17-19)
  5. Organização social e trabalho compulsório (v. 20-23)

    • Povos cananeus remanescentes (v. 20)
    • Transformação de seus descendentes em trabalhadores sujeitos a tributo servil (v. 21)
    • Distinção entre função dos israelitas e dos outros povos (v. 22)
    • Chefes e supervisores das obras (v. 23)
  6. Questões familiares e culto de Salomão (v. 24-25)

    • Transferência da filha de Faraó para casa própria (v. 24)
    • Oferta regular de sacrifícios e conclusão litúrgica do serviço no templo (v. 25)
  7. Empreendimentos marítimos e riqueza advinda de Ofir (v. 26-28)

    • Construção de naus em Eziom-Geber (v. 26)
    • Cooperação de marinheiros fenícios (v. 27)
    • Viagem a Ofir e retorno com grande quantidade de ouro (v. 28)

Significado teológico

O capítulo enfatiza a natureza da aliança de Deus com Israel e com a casa de Davi, mostrando que a presença de Deus no templo e a estabilidade do trono dependem da fidelidade às suas ordens. A promessa é real e firme, mas não automática: obediência e integridade são centrais.

O templo é descrito como “santificado” por Deus para pôr ali o seu nome, com seus olhos e coração presentes permanentemente (v. 3). Isso ressalta que a iniciativa é divina: é Deus quem escolhe habitar ali. Ao mesmo tempo, o texto relativiza qualquer confiança supersticiosa no edifício em si, pois a mesma casa pode ser rejeitada e se tornar motivo de vergonha (v. 7-8) se o povo se afastar do Senhor.

O contraste entre Davi e Salomão é teologicamente importante. Davi é apresentado como modelo de integridade de coração e sinceridade (v. 4), ainda que sua vida não tenha sido isenta de pecados. A ênfase recai na direção geral do coração e na disposição em se submeter a Deus. Salomão, mesmo em seu auge de sabedoria e poder, é chamado a seguir esse padrão, lembrando que sabedoria política e sucesso material não substituem fidelidade espiritual.

A advertência contra a idolatria é clara: servir a outros deuses e se prostrar diante deles é visto como a raiz de todo o mal que pode recair sobre a nação (v. 6, 9). O texto aponta para a responsabilidade coletiva: “se vós e vossos filhos” se apartarem (v. 6), toda a nação sofre as consequências.

Outro ponto teológico é o papel de Israel como testemunha entre os povos. Bênçãos e juízos têm função didática para as nações. Quando Israel prospera, a glória de Deus é vista; quando é julgado, fica evidente que o Senhor é fiel à sua própria palavra, tanto nas promessas quanto nas advertências (v. 7-9).

Por fim, o capítulo levanta questões sobre poder, justiça e o uso de pessoas para sustentar grandes projetos. Embora a narrativa não traga juízo imediato sobre as políticas de trabalho de Salomão, o leitor é convidado a perceber a tensão entre a grandeza do reino e o custo humano, algo que, mais adiante, se tornará um dos motivos do descontentamento popular (cf. 1 Rs 12).

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo pode ser lido como um lembrete de que conquistas externas não substituem um coração íntegro diante de Deus. Há um cuidado de Deus em reafirmar presença e amor (“meus olhos e o meu coração estarão ali todos os dias” – v. 3), ao mesmo tempo em que estabelece limites saudáveis: afastar-se dele tem consequências reais.

Em termos emocionais, o texto fala da importância de coerência entre aparência e essência. Por fora, Israel vive um tempo de esplendor; por dentro, Deus chama à integridade e alerta sobre riscos futuros. Isso ecoa a experiência de pessoas que aparentam sucesso, mas carregam inquietações internas e temores quanto ao futuro. A mensagem de 1 Reis 9 lembra que segurança verdadeira não nasce do que se constrói, mas de em quem se confia.

Também há um elemento de responsabilidade coletiva: decisões de líderes e gerações anteriores impactam os que vêm depois. Isso pode ressoar com experiências de famílias ou comunidades marcadas por escolhas antigas. O texto, porém, mostra que Deus se comunica, esclarece consequências e oferece um caminho de fidelidade, o que pode inspirar esperança de mudança de rota e restauração.

A tensão entre trabalho, poder e justiça também aparece de forma implícita. Grandes obras exigem muito de muita gente. Essa realidade pode aproximar a experiência de quem se sente explorado, sobrecarregado ou reduzido apenas à sua produtividade. Em meio a isso, a visão de um Deus que olha, ouve a oração e se importa com o coração traz consolo e dignidade.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns elementos do capítulo podem ser gatilhos para certas pessoas:

  • As advertências de juízo, destruição e vergonha pública (v. 7-9) podem ser difíceis para quem tem histórico de abuso espiritual, medo excessivo de punição divina ou sentimentos de culpa intensa.
  • A menção de trabalho compulsório e tributo servil (v. 15, 20-21) pode acionar memórias dolorosas em pessoas com experiências de exploração laboral, opressão social ou traumas relacionados a escravidão na história de seus povos.
  • A ênfase em consequências coletivas por causa de pecados pode pesar sobre pessoas com tendência a assumir responsabilidade exagerada por problemas familiares ou comunitários.

Nesses casos, a leitura precisa ser acompanhada de uma compreensão equilibrada do caráter de Deus: justo, mas também compassivo, paciente e disposto a perdoar. Leitores emocionalmente fragilizados podem se beneficiar de apoio pastoral ou terapêutico ao lidar com textos de juízo, para que não projetem experiências de abuso humano sobre a imagem de Deus.

Aplicação prática para hoje

  1. Integridade acima da aparência: a vida de Salomão mostra que estrutura, recursos e sucesso visível não substituem um coração alinhado com Deus. Projetos, carreira e reputação encontram equilíbrio quando submetidos a valores espirituais sólidos.

  2. Responsabilidade nas decisões: o texto lembrar que escolhas de hoje afetam pessoas e gerações futuras. Liderança familiar, profissional ou comunitária pede consciência de que decisões não são neutras.

  3. Cuidado com ídolos modernos: mesmo sem imagens físicas, a lógica da idolatria continua: colocar segurança última em poder, dinheiro, status, relacionamentos ou realizações. 1 Reis 9 chama a avaliar o que ocupa o centro do coração.

  4. Trabalho e dignidade humana: as grandes obras de Salomão dependem de estruturas pesadas de trabalho. Esse contraste incentiva a refletir sobre como tratar pessoas em ambientes de trabalho, serviço doméstico, projetos e organizações, buscando justiça, respeito e limites saudáveis.

  5. Culto regular e memória da presença de Deus: as ofertas regulares de Salomão (v. 25) lembram a importância de ritmos de adoração e lembrança constante de Deus, para não se perder em meio às tarefas do dia a dia.

  6. Ler sinais de advertência: a palavra de Deus a Salomão vem num momento de auge, não de crise. Isso sugere atenção às advertências em tempos de bonança, quando a autoconfiança pode encobrir vulnerabilidades.

Perguntas frequentes

O que significa Deus dizer que seus olhos e seu coração estariam no templo todos os dias?

A expressão indica cuidado constante, atenção e compromisso de presença. Colocar o “nome” no templo significa associar aquele lugar à sua identidade e autoridade. Dizer que seus olhos e coração estariam ali é uma forma humana de comunicar que Deus vê, conhece e se importa com o que acontece no lugar de culto e, por extensão, com o seu povo. Não limita Deus a um edifício, mas sublinha que ele se comprometeu a estar de modo especial no meio de Israel.

Se o templo foi santificado por Deus, por que poderia ser destruído?

O fato de o templo ser santificado e escolhido por Deus não significa que seja indestrutível ou que funcione como garantia automática de bênção. A santidade do lugar está vinculada à aliança e à obediência do povo. O texto deixa claro que, se Israel abandonar o Senhor e seguir outros deuses, o próprio Deus rejeitará a casa e permitirá sua destruição (v. 7-8). Assim, a confiança deve estar no Deus do templo, e não no templo em si.

Por que Deus compara a conduta de Salomão com a de Davi, se Davi também pecou?

Davi não é apresentado como perfeito, mas como alguém cuja direção de vida foi de fidelidade a Deus, com disposição de arrependimento e retorno quando caiu. “Inteireza de coração” e “sinceridade” (v. 4) falam de um coração não dividido entre o Senhor e outros deuses, e de uma vida guiada por seus mandamentos como referência principal. Salomão é chamado a esse mesmo padrão de lealdade fundamental, apesar das imperfeições humanas.

Quem eram os povos submetidos a tributo servil e por que isso aconteceu?

O texto menciona amorreus, heteus, perizeus, heveus e jebuseus (v. 20-21), povos cananeus que permaneceram na terra após as conquistas iniciais de Israel. Como não foram totalmente expulsos, acabaram incorporados de forma subordinada à estrutura do reino, prestando trabalho compulsório para os grandes projetos de Salomão. Isso é descrito como um desdobramento do processo histórico de conquista e ocupação de Canaã.

O que era Ofir e por que é importante em 1 Reis 9?

Ofir é mencionado como um lugar de onde se trazia ouro em grande quantidade (v. 28). A localização exata é incerta, mas era conhecido na Antiguidade como fonte de metais preciosos. A viagem a Ofir, usando navios construídos em Eziom-Geber e marinheiros experientes enviados por Hirão, destaca o alcance econômico do reino de Salomão e sua inserção em rotas comerciais de longa distância, contribuindo para sua fama e riqueza.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

1 Reis 9 mostra um Deus que responde, que vê e que coloca seu coração junto ao seu povo. No momento em que tudo parece estar no auge – templo pronto, palácio construído, reino estabelecido – Deus não se distancia, mas fala com Salomão de forma pessoal, lembrando que ouviu sua oração e escolheu aquele lugar para habitar com seu nome. Há um carinho profundo em ouvir que “meus olhos e o meu coração estarão ali todos os dias” (v. 3). Em vez de uma presença fria e distante, o texto revela um Deus que se envolve, que vigia com amor, que mantém o coração voltado para a casa onde é invocado. Mesmo quando fala de juízo, ele o faz com franqueza, como quem cuida, alerta e deseja preservar a vida do povo, e não simplesmente punir. Também aparece a tensão entre aparência e interior. Por fora, tudo é grandeza; por dentro, Deus insiste na integridade de coração, na sinceridade, na fidelidade. Isso toca realidades muito humanas: pessoas podem estar cercadas de conquistas, mas ainda assim carregar medo de perder tudo ou de falhar. O capítulo traz a lembrança de que o que mais importa para Deus não é o brilho das construções nem o tamanho dos projetos, mas um coração simples, integro e sincero diante dele. Há ainda um eco de compaixão para com os que vivem debaixo de grandes estruturas de poder e trabalho intenso. O texto menciona tributos, supervisores, cidades inteiras construídas às custas de muito esforço. Para quem se sente esgotado, usado ou esquecido em meio a sistemas grandes demais, o fato de Deus falar de “olhos” e “coração” dirigidos ao seu povo sugere que nenhuma pessoa é invisível. O cuidado de Deus atravessa as estruturas humanas e alcança o íntimo, onde cansaços, angústias e esperanças silenciosas são guardados.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético, 1 Reis 9 funciona como uma ponte entre a oração de dedicação do templo (cap. 8) e o retrato mais amplo do reinado de Salomão. A aparição do Senhor em v. 2 retoma a teofania de Gibeão (1 Rs 3), criando uma moldura teológica: Salomão inicia e continua seu reinado sob a palavra de Deus. O discurso divino (v. 3-9) é formulado em termos típicos de tratado de aliança: há reconhecimento do pedido de Salomão, promessa de presença (v. 3), condição de obediência (v. 4), promessa de estabelecimento dinástico (v. 5) e advertência de punição em caso de infidelidade (v. 6-9). A referência a Davi como paradigma (“com inteireza de coração e com sinceridade”) serve não apenas como elogio, mas como padrão teológico para a dinastia davídica: não é ausência de pecado, mas fidelidade fundamental ao Senhor. O anúncio de que o templo poderia ser rejeitado e tornar-se motivo de provérbio e motejo (v. 7-8) antecipa teologicamente a destruição do primeiro templo no século VI a.C. e o exílio babilônico. A pergunta e a resposta hipotéticas das nações (v. 8-9) exemplificam uma teologia de retribuição histórica: o desastre nacional é interpretado como consequência do abandono da aliança, especialmente da idolatria. Na seção histórica (v. 10-28), o narrador adota um estilo resumido e cronológico, destacando o período de vinte anos de construção (v. 10), a relação com Hirão e a troca de cidades (v. 11-13). A designação “Terra de Cabul” sugere desagrado de Hirão, talvez indicando regiões pouco férteis ou de baixo valor econômico. O registro do tributo e dos projetos (v. 15-19) mapeia a geopolítica do reino: Jerusalém como centro, cidades fortificadas em pontos estratégicos, rotas comerciais protegidas. A distinção entre os povos cananeus submetidos a tributo e os israelitas em funções militares e administrativas (v. 20-23) está em continuidade com textos anteriores (como Josué e Juízes) e reflete práticas comuns do Antigo Oriente, em que povos conquistados eram usados como força de trabalho. O autor, porém, não emite juízo explícito aqui; essa avaliação mais crítica surge na tradição posterior, quando o peso do jugo de Salomão é denunciado em 1 Reis 12. No final, a menção a Eziom-Geber e Ofir (v. 26-28) posiciona Israel dentro de uma rede internacional de comércio marítimo. Os fenícios de Tiro, experientes na navegação, complementam a falta de tradição marítima israelita. O resultado é um reino economicamente robusto, cuja riqueza, porém, o narrador já sinaliza que deve ser lida à luz da condição espiritual apresentada no início do capítulo.

Life
Life

1 Reis 9 expõe dinamicamente a relação entre sucesso visível e fundamentos invisíveis. Salomão vive o auge de sua carreira: grandes projetos concluídos, alianças fortes, riqueza crescente, organização administrativa bem montada. No entanto, a primeira fala registrada no capítulo não é sobre planejamento, mas sobre caráter: integridade, sinceridade, obediência. Na prática, isso aponta para a importância de construir por dentro aquilo que se deseja sustentar por fora. Projetos familiares, profissionais ou comunitários exigem competência, mas também exigem coerência ética. O texto mostra como decisões de liderança – como a forma de usar pessoas, tributos e recursos – afetam profundamente o cotidiano dos liderados. O trabalho compulsório e os grandes tributos aparecem como o “custo” dos planos de Salomão, sugerindo que eficiência sem cuidado com pessoas cobra um preço alto. Outro ponto prático é a maneira como o capítulo lida com a prosperidade. Deus fala de advertências justamente quando tudo vai bem. Isso desafia a tendência de relaxar valores quando há conforto e estabilidade. Em tempos de bonança, a vigilância interior é ainda mais necessária: avaliar prioridades, idolatrias sutis, motivações e a forma como o poder é exercido. As relações internacionais de Salomão com Hirão e com o Egito também sugerem lições em negociação, parceria e limites. Há cooperação benéfica (madeira, ouro, marinheiros experientes), mas também tensões (cidades que não agradam a Hirão) e vínculos complexos (casamento com a filha de Faraó). Na vida cotidiana, parcerias – profissionais, familiares ou de projetos – precisam ser bem escolhidas, com clareza de valores e consciência de que alianças trazem benefícios e riscos. Por fim, o texto mostra que, embora a organização de trabalho, segurança e riqueza seja importante, a vida não se resume a isso. Salomão mantém ritmos de culto, sacrifícios e adoração (v. 25), lembrando que uma agenda cheia de atividades precisa de espaços regulares para reconhecer a fonte de tudo, realinhar prioridades e não se perder no processo.

Soul
Soul

Em 1 Reis 9, a fala de Deus a Salomão lança luz sobre questões profundas de sentido, destino e relacionamento com o eterno. O templo, recém-dedicado, é mais do que um edifício: é um sinal de que Deus aceita habitar no meio de um povo finito e imperfeito. Colocar o nome, os olhos e o coração ali (v. 3) é um gesto de condescendência amorosa, aproximando o infinito do cotidiano. A aliança apresentada é ao mesmo tempo graciosa e séria. Graciosa, porque parte da iniciativa de Deus: foi ele quem escolheu, respondeu à oração, santificou a casa. Séria, porque chama à fidelidade, à obediência e ao afastamento decidido da idolatria. Do ponto de vista da espiritualidade, isso significa que intimidade com Deus não é apenas um sentimento vago, mas um caminho que envolve decisões concretas, prioridades e renúncias. O contraste entre permanência e transitoriedade é forte. Deus fala de “para sempre” ao mencionar seu nome no templo e o trono de Davi (v. 3, 5), mas também fala de destruição e dispersão se houver infidelidade (v. 7). Isso revela um mistério: existe uma promessa de continuidade que atravessa a história, mas as formas visíveis – templos, reinos, estruturas – podem ruir. Em termos espirituais, a fé é convidada a se apegar mais ao Deus da promessa do que às formas em que essa promessa se manifesta em um dado momento histórico. O anúncio de que as nações verão e perguntarão o porquê do juízo (v. 8-9) lembra que a vida diante de Deus tem impacto que ultrapassa o indivíduo ou mesmo a geração presente. O relacionamento com o Senhor e a resposta a ele servem de testemunho, seja pela alegria da comunhão, seja pela dor de se afastar dele. A existência humana se torna palco visível de realidades invisíveis. Em profundidade, o capítulo aponta para uma sede espiritual por algo que não pode ser garantido por obras, riqueza ou poder humano. Salomão constrói, organiza, expande; Deus, porém, volta sempre ao coração. O chamado à “inteireza de coração” e “sinceridade” (v. 4) fala de um ser humano unificado, não dividido entre vários “deuses”. A espiritualidade que emerge aqui é a de um compromisso fundamental: viver voltado para o Deus vivo, mesmo em meio às complexidades da história, sabendo que dele vêm a verdadeira segurança e o sentido último da existência.

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Versículos em 1 Reis 9

1 Reis 9:1

" Sucedeu, pois, que, acabando Salomão de edificar a casa do SENHOR, e a casa do rei, e todo o desejo de Salomão, que lhe veio à vontade fazer, "

1 Reis 9:3

" E o Senhor lhe disse: Ouvi a tua oração, e a súplica que fizeste perante mim; santifiquei a casa que edificaste, a fim de pôr ali o meu nome para sempre; e os meus olhos e o meu coração estarão ali todos os dias. "

1 Reis 9:4

" E se tu andares perante mim como andou Davi, teu pai, com inteireza de coração e com sinceridade, para fazeres segundo tudo o que te mandei, e guardares os meus estatutos e os meus juízos, "

1 Reis 9:5

" Então confirmarei o trono de teu reino sobre Israel para sempre; como falei acerca de teu pai Davi, dizendo: Não te faltará sucessor sobre o trono de Israel; "

1 Reis 9:6

" Porém, se vós e vossos filhos de qualquer maneira vos apartardes de mim, e não guardardes os meus mandamentos, e os meus estatutos, que vos tenho proposto, mas fordes, e servirdes a outros deuses, e vos prostrardes perante eles, "

1 Reis 9:7

" Então destruirei a Israel da terra que lhes dei; e a esta casa, que santifiquei a meu nome, lançarei longe da minha presença; e Israel será por provérbio e motejo, entre todos os povos. "

1 Reis 9:8

" E desta casa, que é tão exaltada, todo aquele que por ela passar pasmará, e assobiará, e dirá: Por que fez o Senhor assim a esta terra e a esta casa? "

1 Reis 9:9

" E dirão: Porque deixaram ao Senhor seu Deus, que tirou da terra do Egito a seus pais, e se apegaram a deuses alheios, e se encurvaram perante eles, e os serviram; por isso trouxe o Senhor sobre eles todo este mal. "

1 Reis 9:10

" E sucedeu, ao fim de vinte anos, que Salomão edificara as duas casas; a casa do Senhor e a casa do rei "

1 Reis 9:11

" (Para o que Hirão, rei de Tiro, trouxera a Salomão madeira de cedro e de cipreste, e ouro, segundo todo o seu desejo); então deu o rei Salomão a Hirão vinte cidades na terra da Galiléia. "

1 Reis 9:13

" Por isso disse: Que cidades são estas que me deste, irmão meu? E chamaram-nas: Terra de Cabul, até hoje. "

1 Reis 9:15

" E esta é a causa do tributo que impôs o rei Salomão, para edificar a casa do Senhor e a sua casa, e Milo, e o muro de Jerusalém, como também a Hasor, e a Megido, e a Gezer. "

1 Reis 9:16

" Porque Faraó, rei do Egito, subiu e tomou a Gezer, e a queimou a fogo, e matou os cananeus que moravam na cidade, e a deu em dote à sua filha, mulher de Salomão. "

1 Reis 9:19

" E a todas as cidades de provisões que Salomão tinha, e as cidades dos carros, e as cidades dos cavaleiros, e tudo o que Salomão quis edificar em Jerusalém, e no Líbano, e em toda a terra do seu domínio. "

1 Reis 9:20

" Quanto a todo o povo que restou dos amorreus, heteus, perizeus, heveus, e jebuseus, e que não eram dos filhos de Israel, "

1 Reis 9:21

" A seus filhos, que restaram depois deles na terra, os quais os filhos de Israel não puderam destruir totalmente, Salomão os reduziu a tributo servil, até hoje. "

1 Reis 9:22

" Porém dos filhos de Israel não fez Salomão servo algum; porém eram homens de guerra, e seus criados, e seus príncipes, e seus capitães, e chefes dos seus carros e dos seus cavaleiros. "

1 Reis 9:23

" Estes eram os chefes dos oficiais que estavam sobre a obra de Salomão, quinhentos e cinqüenta, que davam ordens ao povo que trabalhava na obra. "

1 Reis 9:23 mostra que Salomão organizou líderes para supervisionar a grande construção do templo e de outras obras. O versículo destaca planejamento, divisão de …

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1 Reis 9:24

" Subiu, porém, a filha de Faraó da cidade de Davi, à sua casa, que Salomão lhe edificara; então edificou a Milo. "

1 Reis 9:25

" E oferecia Salomão três vezes cada ano holocaustos e sacrifícios pacíficos sobre o altar que edificaram ao Senhor, e queimava incenso sobre o que estava perante o Senhor; e assim acabou a casa. "

1 Reis 9:26

" Também o rei Salomão fez naus em Eziom-Geber, que está junto a Elate, à praia do mar de Sufe, na terra de Edom. "

1 Reis 9:27

" E mandou Hirão com aquelas naus a seus servos, marinheiros, que sabiam do mar, com os servos de Salomão. "

1 Reis 9:28

" E vieram a Ofir, e tomaram de lá quatrocentos e vinte talentos de ouro, e os trouxeram ao rei Salomão. "

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