1 Reis 20:1
" E Ben-Hadade, rei da Síria, ajuntou todo o seu exército; e havia com ele trinta e dois reis, e cavalos e carros; e subiu, e cercou a Samaria, e pelejou contra ela. "
Entenda os temas principais e aplique 1 Reis 20 na sua vida hoje
43 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Israel é descrito como dois pequenos rebanhos de cabras diante de um exército que enchia a terra, mas o Senhor entrega a multidão síria nas mãos de um povo numericamente e militarmente inferior, para deixar claro que a vitória vem dEle, não da força humana.
Os conselheiros sírios limitam o poder de Deus, dizendo que Ele é Deus dos montes e não dos vales. O Senhor responde a essa afronta concedendo nova vitória a Israel, revelando que seu domínio é total, em qualquer terreno e circunstância.
Ben-Hadade demonstra arrogância extrema, exige tudo de Acabe e confia no tamanho do seu exército. Embriagado e seguro de si, é surpreendido pela intervenção de Deus, que derruba sua confiança e expõe a fragilidade do orgulho humano.
Mesmo Acabe sendo um rei espiritualmente comprometido, idólatra e vacilante, Deus lhe envia profetas, orienta a estratégia e concede livramento. A misericórdia do Senhor não se baseia no mérito do rei, mas em seu próprio propósito de se revelar ao povo.
Acabe ouve orientações claras por meio dos profetas, mas decide poupar Ben-Hadade e fazer aliança com ele. A parábola do profeta mostra que desobedecer à ordem de Deus traz consequências pessoais e coletivas.
O episódio do profeta ferido e do homem que é morto pelo leão mostra a seriedade da obediência à palavra do Senhor. O profeta se submete a um ato estranho e doloroso para encenar uma mensagem de juízo contra Acabe, reforçando que a palavra de Deus não é negociável.
1 Reis 20 se passa durante o reinado de Acabe, rei do reino do Norte (Israel), cuja capital era Samaria. A Síria (também chamada Arã), com capital em Damasco, era uma potência regional e frequentemente entrava em conflito com Israel. Ben-Hadade, rei da Síria, reúne uma coalizão de trinta e dois reis vassalos, provavelmente chefes de pequenas cidades-estado ou principados aliados, para sitiar Samaria.
Os cercos eram estratégias comuns no Antigo Oriente Próximo: o exército inimigo cercava a cidade fortificada, cortava suprimentos e esperava a rendição. As exigências de Ben-Hadade — prata, ouro, mulheres e filhos — refletem uma prática de humilhar e subjugar totalmente o rei vencido, transformando-o em vassalo e tomando o que ele tinha de mais precioso.
O texto menciona Afeque, local estratégico na região norte, possivelmente na rota entre Damasco e Samaria. Israel, politicamente enfraquecido e espiritualmente corrompido pela idolatria de Acabe e Jezabel, enfrentava inimigos mais fortes humanamente falando. Mesmo assim, Deus, por pura graça, envia profetas anônimos (chamados de “homem de Deus” ou “filhos dos profetas”) para guiar o rei em assuntos militares e espirituais. Esse período é marcado pela atuação intensa do ministério profético (Elias e outros profetas) como contraponto à infidelidade da monarquia.
As alianças entre reis eram seladas por acordos políticos, concessões territoriais e privilégios comerciais, como quando Ben-Hadade promete devolver cidades e permitir que Israel tenha ruas (quarteirões comerciais) em Damasco. Ao aceitar tal acordo e poupar um inimigo designado por Deus para destruição, Acabe coloca seus interesses políticos acima da palavra divina, algo comum na política da época, mas espiritualmente desastroso.
O capítulo é construído como um relato histórico dramático, com diálogos fortes e cenas encadeadas que revelam tanto a situação política quanto a dimensão espiritual dos acontecimentos.
Ameaça e exigências de Ben-Hadade (20:1-12)
Primeira vitória de Israel (20:13-21)
Aviso profético e rearmamento sírio (20:22-25)
Segunda campanha e vitória em Afeque (20:26-30)
Negociação entre Acabe e Ben-Hadade (20:31-34)
Parábola do profeta e condenação de Acabe (20:35-43)
1 Reis 20 destaca a soberania de Deus sobre as nações, a graça divina concedida a um povo e a um rei espiritualmente rebeldes, e a seriedade da obediência à sua palavra.
Teologia da soberania de Deus: O capítulo mostra Deus como Senhor da história militar e política. Mesmo quando um inimigo poderoso se levanta, Deus permanece no controle, decide o resultado das batalhas e expõe a fraqueza do orgulho humano. A provocação síria — de que o Senhor seria apenas Deus dos montes — é respondida com uma ação específica de Deus para mostrar que Ele governa todo o território. Isso combate qualquer visão de Deus limitada a contextos específicos ou áreas da vida.
Graça imerecida: Acabe não é um rei justo. Ainda assim, Deus o procura por meio de profetas, oferece livramento e garante vitória, com o objetivo explícito: “para que saibas que eu sou o Senhor” (v.13, 28). A graça de Deus antecede a obediência e visa conduzir ao reconhecimento e arrependimento. A fidelidade de Deus ao seu propósito com Israel é maior do que a infidelidade do rei.
A palavra profética como direção: Em todo o capítulo, são os profetas e “o homem de Deus” que trazem a perspectiva correta da realidade: revelam o plano de Deus, definem a estratégia, anunciam o que está por vir e interpretam o sentido teológico das vitórias. O povo de Deus não é chamado a se guiar apenas por cálculos militares ou políticos, mas principalmente pela revelação divina.
Responsabilidade e juízo: A mesma palavra que orienta e livra também julga. Acabe recebe vitória, mas não responde com fidelidade. Ele poupa quem Deus havia destinado à destruição, valorizando alianças políticas acima da obediência. O profeta usa uma parábola semelhante às que mais tarde os profetas e Jesus utilizariam, levando Acabe a pronunciar sua própria condenação (v.40). A sentença de “vida por vida, povo por povo” mostra que decisões de liderança diante da vontade de Deus têm impacto coletivo.
Santidade e obediência radical: O episódio do profeta e do homem morto pelo leão (v.35-36) pode parecer duro, mas serve para enfatizar a seriedade da obediência à palavra do Senhor, especialmente para quem lida diretamente com a mensagem profética. Não se trata de capricho, mas do peso da missão que carrega a revelação de Deus. O profeta aceita ser ferido para representar com mais força o juízo de Deus, exemplificando uma obediência que se submete até a situações estranhas e dolorosas, quando vêm claramente da parte do Senhor.
Em síntese, 1 Reis 20 revela um Deus que se mostra poderoso justamente quando seu povo parece fraco; que age com graça para ser conhecido; e que exige resposta fiel à sua palavra, especialmente daqueles que recebem livramento e direção.
1 Reis 20 traz elementos terapêuticos importantes para a saúde emocional e espiritual. O contraste entre o exército gigantesco da Síria e o pequeno rebanho de Israel reflete a experiência humana de se sentir cercado, numericamente superado e sem saída. O texto aponta para a possibilidade de esperança mesmo quando os recursos visíveis são mínimos, lembrando que a capacidade de Deus não depende das probabilidades aparentes.
O capítulo também retrata como o orgulho, a autoconfiança desmedida e a embriaguez (no caso de Ben-Hadade) distorcem a percepção da realidade. A arrogância conduz a decisões imprudentes e, finalmente, à queda. Em sentido inverso, a dependência da palavra de Deus, mesmo quando a situação é desfavorável, oferece um eixo de estabilidade interior.
Há ainda um componente de ambivalência emocional em Acabe: ele experimenta livramento e, logo depois, toma decisões equivocadas, termina o capítulo desgostoso e indignado. Isso ilustra como a falta de alinhamento interno com a vontade de Deus gera conflito emocional: culpa, frustração, raiva e sensação de derrota, mesmo após vitórias objetivas.
A atuação dos profetas mostra que Deus se comunica em meio ao caos, oferecendo direção, correção e sentido para os acontecimentos. A confrontação profética funciona como um espelho que ajuda a tomar consciência das próprias escolhas. Em termos emocionais, esse confronto não é confortável, mas abre caminho para arrependimento, responsabilidade e crescimento se a pessoa acolhe o que Deus mostra.
Alguns pontos do capítulo exigem cuidado na leitura terapêutica para evitar aplicações distorcidas.
Violência e juízo: O texto descreve guerra, morte em massa e juízo severo (inclusive um homem morto por um leão). Cabe evitar interpretar isso como estímulo à violência ou como padrão direto para situações atuais. O contexto aqui é específico da história de Israel e da justiça de Deus atuando em um cenário nacional e militar.
Obediência cega a qualquer autoridade religiosa: O episódio do profeta que pede para ser ferido não deve ser usado para legitimar obediência irrestrita a líderes humanos, especialmente quando há abuso. Na narrativa, trata-se de uma ordem pontual “pela palavra do Senhor”, confirmada pela própria estrutura do texto bíblico. Em ambientes pastorais e terapêuticos contemporâneos, qualquer autoridade deve ser avaliada à luz do caráter de Cristo, do amor ao próximo e de princípios éticos claros.
Culpabilização excessiva: A sentença contra Acabe é específica ao seu papel de rei e à revelação direta que recebeu. Não é adequado generalizar isso para concluir que toda dificuldade ou sofrimento atual é resultado direto de uma desobediência pontual, gerando culpa tóxica. A Bíblia apresenta o sofrimento como realidade complexa, nem sempre ligada a um pecado imediato.
Espiritualização indevida de conflitos políticos: A narrativa envolve estratégias, alianças e guerras próprias daquele contexto histórico. Transportar de forma direta esses movimentos para justificar atitudes políticas atuais pode levar a radicalismos e simplificações perigosas. A ênfase terapêutica deve estar mais na confiança em Deus, na humildade e na responsabilidade ética, do que em reproduzir padrões bélicos ou de poder.
Confiar em Deus quando os recursos parecem insuficientes: Israel é descrito como dois pequenos rebanhos diante de um exército enorme. Isso inspira a encarar situações desproporcionais lembrando que a força decisiva não está apenas em números, influência ou dinheiro, mas na presença e direção de Deus.
Cuidar do orgulho e da autoconfiança exagerada: Ben-Hadade se apoia em sua numerosa coalizão, debocha de Israel e se entrega à embriaguez em plena guerra. Esse retrato alerta para os perigos de se sentir invencível, ignorar limites e desprezar sinais de alerta. A humildade protege de decisões desastrosas.
Valorizar a orientação de Deus acima de cálculos humanos: Várias vezes o profeta direciona Acabe em relação à batalha. Isso sugere a importância de buscar a perspectiva de Deus — por meio das Escrituras, da oração e de conselhos sábios — antes de decidir em áreas complexas como finanças, relacionamentos e conflitos.
Não transformar graça em acomodação: Deus concede vitórias a Acabe, mas o rei responde com uma aliança inadequada com Ben-Hadade. Receber livramentos e respostas de Deus sem ajustar atitudes e escolhas pode levar a ciclos repetidos de problemas. A graça recebida convida a uma mudança concreta de postura.
Assumir responsabilidade pelas próprias decisões: A parábola do profeta coloca nos lábios de Acabe a sentença sobre si mesmo. Na prática, isso lembra que decisões têm consequências e que é importante reconhecer a própria participação nos resultados, em vez de transferir sempre a culpa para outros.
Levar a sério a palavra de Deus: O contraste entre o homem que não obedece ao pedido do profeta e o homem que obedece mostra como a resposta à voz de Deus é crucial. Hoje, isso se traduz em levar a sério o ensino bíblico, não como algo opcional, mas como referência para ética, relacionamento e prioridades.
O texto mostra que Deus age com graça e propósito. Acabe era, de fato, um rei espiritualmente comprometido, mas o Senhor intervém para preservar o povo de Israel e, principalmente, para que todos reconhecessem: “para que saibas que eu sou o Senhor” (v.13, 28). A ajuda de Deus aqui não significa aprovação do caráter ou das práticas de Acabe; é uma demonstração da fidelidade de Deus ao seu plano e um convite ao arrependimento e à fé.
Os conselheiros sírios pensavam em deuses territoriais, limitados a regiões específicas. Ao dizer que o Senhor é Deus dos montes e não dos vales, eles reduziram o alcance do poder divino. Deus responde justamente a essa visão equivocada, dando vitória a Israel também em outro tipo de terreno, para mostrar que Ele não está preso a lugares ou circunstâncias. Teologicamente, afirma-se que Deus governa toda a criação, em qualquer cenário.
O profeta revela que Ben-Hadade era um homem posto por Deus para destruição (v.42), ou seja, havia uma sentença divina específica contra ele, ligada provavelmente à sua arrogância e violência. Ao poupar Ben-Hadade e fazer aliança com ele, Acabe ignora a ordem de Deus e privilegia interesses políticos e vantagens imediatas. Isso representa uma desobediência consciente, que compromete não só a vida do rei, mas também o destino do povo.
Esse episódio faz parte de uma encenação profética. O profeta, ferido e disfarçado, se apresenta ao rei com uma história que ilustra a negligência de quem não guarda um prisioneiro confiado a ele. Ao levar Acabe a pronunciar a sentença sobre esse “soldado descuidado”, o profeta revela que a situação se aplica ao rei, que havia deixado ir o homem destinado à destruição. A ferida torna a atuação mais convincente e impactante, mostrando a seriedade da mensagem de juízo.
O versículo final mostra Acabe emocionalmente abatido e irritado após ouvir a sentença do profeta. Essa reação indica conflito interno diante da correção de Deus: ele não se alegra com a verdade, nem se humilha em arrependimento, mas fica contrariado. Esse estado traz à tona a tensão entre ter experimentado a ajuda divina e, ao mesmo tempo, resistir à vontade de Deus quando ela confronta decisões já tomadas.
1 Reis 20 retrata pessoas colocadas em situações que parecem insuportáveis. Israel está cercado, em desvantagem, enfrentando um inimigo arrogante e numeroso. A imagem dos dois pequenos rebanhos de cabras diante de um exército que enche a terra evoca a sensação de fragilidade, de ser minúsculo diante de problemas gigantes. Em meio a essa vulnerabilidade, o texto mostra um Deus que vê, que fala e que age. Ele envia um profeta para garantir que a grande multidão inimiga seria entregue nas mãos de Israel, não para exaltar o rei, mas para que se soubesse: “eu sou o Senhor”. O coração dessa mensagem é que, mesmo quando tudo parece apontar para a derrota, Deus não abandona seu povo à própria sorte. Ele entra na história, inclusive quando o líder é falho. Também é marcante a ambivalência emocional de Acabe. Ele se sente pressionado, cede, recua, se anima com a vitória, mas termina o capítulo desgostoso e indignado com a palavra do profeta. Essa mistura de alívio, culpa, frustração e raiva é muito humana. A narrativa não idealiza o rei; ela expõe um coração dividido, que recebe ajuda de Deus, mas resiste à correção. Isso mostra que Deus lida com pessoas reais, contraditórias, e ainda assim continua falando e se revelando. No episódio do profeta ferido, há dor, incompreensão e até choque diante do juízo sobre o homem que não obedece. Apesar da dureza, o texto lembra que Deus leva a sério tanto o sofrimento quanto a obediência. O profeta se deixa ferir para ser fiel à mensagem que carrega, numa entrega que aponta para a profundidade do compromisso com a palavra de Deus. No conjunto, o capítulo revela um Deus que permanece presente em meio a cercos externos e conflitos internos. Ele não é apenas Deus de momentos altos (montes), mas também dos vales, dos períodos baixos, dos sentimentos confusos. Sua fidelidade não depende da força ou coerência emocional das pessoas; Ele continua a agir e a falar, convidando corações cansados e resistentes a reconhecer quem Ele é.
Do ponto de vista exegético, 1 Reis 20 é um texto rico que integra história, teologia e literatura profética. O capítulo registra dois conflitos sucessivos entre Israel e a Síria, emoldurados por oráculos proféticos que interpretam os eventos à luz da soberania de Deus. O enredo inicia com a arrogância de Ben-Hadade, que, apoiado numa coalizão de trinta e dois reis, exige rendição absoluta de Acabe. A resposta inicial de submissão de Acabe e sua posterior recusa, motivada pelo conselho dos anciãos, revelam a fragilidade política de Israel. O dito proverbial “Não se gabe quem se cinge das armas, como aquele que as descinge” (v.11) funciona como crítica ao triunfalismo sírio. Teologicamente, a intervenção decisiva vem por meio do profeta (v.13-14). O discurso profético oferece três elementos centrais: (1) a magnitude da força inimiga; (2) a promessa de entrega dessa força nas mãos de Israel; (3) o propósito dessa ação, “para que saibas que eu sou o Senhor”. O método de combate — usar os “moços dos príncipes das províncias” — ressalta a desproporção entre meios humanos e resultado final, evidenciando a atuação de Deus. A segunda parte da narrativa (v.22-30) aprofunda o tema da teologia comparativa do Antigo Oriente Próximo. Os servos de Ben-Hadade interpretam a derrota com base em uma visão localista das divindades, classificando o Deus de Israel como Deus dos montes. A resposta divina, por meio do “homem de Deus”, nega qualquer limitação territorial e transforma a batalha em Afeque em palco de uma demonstração do senhorio integral de Yahweh. O episódio final (v.31-43) desloca o foco da geopolítica para a responsabilidade do rei diante da palavra profética. A clemência de Acabe para com Ben-Hadade, embora politicamente vantajosa, entra em conflito com o decreto divino. A técnica narrativa de usar uma parábola judicial — em que o rei emite a sentença que recairá sobre si — antecipa recursos literários presentes em outras partes do Antigo Testamento (como Natã diante de Davi). O oráculo em v.42 associa explicitamente a decisão política de Acabe a consequências pessoais e nacionais. O breve interlúdio com o profeta e o leão (v.35-36) funciona como reforço da autoridade da palavra profética. A severidade do juízo sobre quem não obedece à ordem pelo “mandado do Senhor” sublinha a seriedade com que o texto entende a missão profética, especialmente quando ela prepara um ato de denúncia contra o rei. Assim, o capítulo como um todo articula uma teologia em que a história militar é lida à luz da revelação, a realeza é julgada pela obediência à palavra de Deus e a identidade de Yahweh como Senhor universal é reafirmada contra concepções religiosas rivais.
1 Reis 20 oferece muitos paralelos com desafios do cotidiano, especialmente nas áreas de liderança, tomadas de decisão e gestão de conflitos. Acabe lida com pressão externa intensa, exigências abusivas e ameaças diretas àquilo que lhe é mais precioso. A forma como ele reage expõe oscilações comuns na vida prática: cede demais em um momento, resiste em outro, escuta conselhos, mas nem sempre integra o que ouviu à luz da vontade de Deus. A atitude de Ben-Hadade evidencia o risco da autoconfiança baseada apenas em recursos tangíveis. Ele conta com exércitos, alianças e carros, relaxa em plena guerra, embriaga-se e subestima o inimigo. Em termos práticos, isso alerta para comportamentos que desconsideram riscos: negligenciar responsabilidades, ignorar limites físicos e emocionais, tomar decisões importantes em estados alterados (como o álcool) e tratar o outro com desdém. A queda de Ben-Hadade ilustra como esse estilo de vida, cedo ou tarde, cobra um preço alto. A resposta de Israel à ameaça envolve diálogo com os anciãos, avaliação conjunta da situação e decisão de não ceder a exigências injustas. Isso aponta para o valor de buscar conselhos maduros em momentos de crise, em vez de decidir isoladamente. Ao mesmo tempo, o texto mostra que conselhos humanos precisam ser combinados com sensibilidade à direção de Deus, aqui expressa pelos profetas. A forma como Acabe trata Ben-Hadade depois da vitória é profundamente reveladora. Ele o chama de “meu irmão”, aceita rapidamente uma aliança e se deixa seduzir por promessas de benefícios materiais e políticos. Em termos de aplicação, isso lembra a necessidade de analisar parcerias com cuidado: nem toda oportunidade vantajosa é saudável, especialmente se entra em conflito com princípios fundamentais. O texto sugere que compromissos “estratégicos” que violam a vontade de Deus trazem consequências a longo prazo. Por fim, a parábola do profeta e o veredicto de Acabe destacam o princípio da responsabilidade pessoal. O rei é levado a reconhecer que quem não cuida com seriedade da missão que recebeu responde por isso. Na vida diária, isso se traduz em assumir os próprios papéis — como pai, mãe, chefe, funcionário, amigo — com consciência de que escolhas têm impacto real. Ignorar tarefas importantes para se ocupar “de uma e de outra parte” (v.40) pode levar à perda daquilo que se deveria guardar com prioridade. O capítulo, então, funciona como um chamado ao discernimento, à humildade e à coerência entre decisões práticas e os valores de Deus.
Em 1 Reis 20, a questão central não é apenas quem vence a batalha, mas quem é reconhecido como Senhor. Duas vezes o texto explicita o objetivo de Deus ao intervir: “para que saibas que eu sou o Senhor”. A guerra externa torna-se palco de uma guerra interna de reconhecimento: quem ocupa, de fato, o lugar de Deus? Ben-Hadade representa uma confiança colocada no poder humano, nas coalizões e nos números. Seu discurso arrogante e sua postura embriagada são sinais de um coração que não enxerga limites espirituais. A queda do seu exército e a queda literal do muro sobre milhares de soldados sinalizam que nenhum projeto humano sustentado apenas na força própria permanece de pé diante do juízo de Deus. Acabe, por sua vez, encarna uma forma diferente de problema espiritual: alguém que experimenta a ajuda de Deus, ouve sua palavra, vê sua mão agir, mas não se rende plenamente. Ele recebe vitórias que não merece, mas usa o resultado para construir alianças contrárias à vontade divina. Espiritualmente, isso mostra que receber bênçãos, livramentos e respostas não significa automaticamente viver em aliança verdadeira com Deus. A questão não é apenas o que se recebe de Deus, mas como se responde a Ele. O episódio do profeta que se deixa ferir para confrontar o rei tem um tom sacrificial e aponta para a seriedade da revelação divina. O mensageiro sofre para que a palavra de Deus seja compreendida e tenha peso. Em perspectiva de eternidade, isso ecoa a ideia de que Deus não poupa meios para chamar seu povo de volta, inclusive por meio de mensagens duras, mas cheias de verdade. A sentença final — vida por vida, povo por povo — lembra que decisões sobre quem se abraça e quem se rejeita, espiritualmente falando, têm resultados eternos. Ao poupar quem Deus havia destinado ao juízo, Acabe ilustra o perigo de harmonizar-se com aquilo que Deus julga, em vez de se alinhar com o juízo de Deus contra o mal. Assim, 1 Reis 20 convida à reflexão sobre quem é reconhecido como Senhor em cada dimensão da existência. Deus se apresenta como Senhor dos montes e dos vales, dos grandes eventos históricos e das escolhas pessoais, dos momentos de visível poder e dos cenários de aparente fraqueza. A verdadeira segurança espiritual não está em exércitos, alianças ou vantagens imediatas, mas em entrar na história de Deus com fé, arrependimento e obediência, deixando que Ele seja, de fato, o Senhor.
" E Ben-Hadade, rei da Síria, ajuntou todo o seu exército; e havia com ele trinta e dois reis, e cavalos e carros; e subiu, e cercou a Samaria, e pelejou contra ela. "
" E enviou à cidade mensageiros, a Acabe, rei de Israel, "
" Que lhe disseram: Assim diz Ben-Hadade: A tua prata e o teu ouro são meus; e tuas mulheres e os melhores de teus filhos são meus. "
1 Reis 20:3 mostra Ben-Hadade exigindo tudo que o rei Acabe tinha, até família e bens, para humilhá-lo e dominá-lo. O versículo ilustra situações em …
Ler analise completa" E respondeu o rei de Israel, e disse: Conforme a tua palavra, ó rei meu senhor, eu sou teu, e tudo quanto tenho. "
" E tornaram a vir os mensageiros, e disseram: Assim diz Ben-Hadade: Enviei-te, na verdade, mensageiros que dissessem: Tu me hás de dar a tua prata, e o teu ouro, e as tuas mulheres e os teus filhos; "
" Todavia amanhã a estas horas enviarei os meus servos a ti, e esquadrinharão a tua casa, e as casas dos teus servos; e há de ser que tudo o que de precioso tiveres, eles tomarão consigo, e o levarão. "
" Então o rei de Israel chamou a todos os anciãos da terra, e disse: Notai agora, e vede como este homem procura o mal; pois mandou pedir-me as mulheres, os meus filhos, a minha prata e o meu ouro, e não lhos neguei. "
" E todos os anciãos e todo o povo lhe disseram: Não lhe dês ouvidos, nem consintas. "
" Por isso disse aos mensageiros de Ben-Hadade: Dizei ao rei, meu senhor: Tudo o que primeiro mandaste pedir a teu servo, farei, porém isto não posso fazer. E voltaram os mensageiros, e lhe levaram a resposta. "
" E Ben-Hadade enviou a ele mensageiros dizendo: Assim me façam os deuses, e outro tanto, que o pó de Samaria não bastará para encher as mãos de todo o povo que me segue. "
" Porém o rei de Israel respondeu: Dizei-lhe: Não se gabe quem se cinge das armas, como aquele que as descinge. "
1 Reis 20:11 ensina que ninguém deve se gabar antes da vitória. O rei lembra que falar é fácil, agir é difícil. Em situações como …
Ler analise completa" E sucedeu que, ouvindo ele esta palavra, estando a beber com os reis nas tendas, disse aos seus servos: Ponde-vos em ordem contra a cidade. "
" E eis que um profeta se chegou a Acabe rei de Israel, e lhe disse: Assim diz o Senhor: Viste toda esta grande multidão? Eis que hoje ta entregarei nas tuas mãos, para que saibas que eu sou o Senhor. "
" E disse Acabe: Por quem? E ele disse: Assim diz o Senhor: Pelos moços dos príncipes das províncias. E disse: Quem começará a peleja? E disse: Tu. "
" Então contou os moços dos príncipes das províncias, e foram duzentos e trinta e dois; e depois deles contou a todo o povo, todos os filhos de Israel, sete mil. "
" E saíram ao meio-dia; e Ben-Hadade estava bebendo e embriagando-se nas tendas, ele e os reis, os trinta e dois reis, que o ajudavam. "
" E os moços dos príncipes das províncias saíram primeiro; e Ben-Hadade enviou espias, que lhe deram avisos, dizendo: Saíram de Samaria uns homens. "
" E ele disse: Ainda que para paz saíssem, tomai-os vivos; e ainda que à peleja saíssem, tomai-os vivos. "
" Saíram, pois, da cidade os moços dos príncipes das províncias, e o exército que os seguia. "
" E eles feriram cada um o seu adversário, e os sírios fugiram, e Israel os perseguiu; porém Ben-Hadade, rei da Síria, escapou a cavalo, com alguns cavaleiros. "
" E saiu o rei de Israel, e feriu os cavalos e os carros; e feriu os sírios com grande estrago. "
" Então o profeta chegou-se ao rei de Israel e lhe disse: Vai, esforça-te, e atenta, e olha o que hás de fazer; porque no decurso de um ano o rei da Síria subirá contra ti. "
" Porque os servos do rei da Síria lhe disseram: Seus deuses são deuses dos montes, por isso foram mais fortes do que nós; mas pelejemos com eles em campo raso, e por certo veremos, se não somos mais fortes do que eles! "
" Faze, pois, isto: tira os reis, cada um do seu lugar, e substitui-os por capitães; "
" E forma outro exército, igual ao exército que perdeste, cavalo por cavalo, e carro por carro, e pelejemos com eles em campo raso, e veremos se não somos mais fortes do que eles! E deu ouvidos à sua voz, e assim fez. "
" E sucedeu que, passado um ano, Ben-Hadade passou revista aos sírios, e subiu a Afeque, para pelejar contra Israel. "
" Também aos filhos de Israel se passou revista, e providos de víveres marcharam contra eles; e os filhos de Israel acamparam-se defronte deles, como dois pequenos rebanhos de cabras; mas os sírios enchiam a terra. "
" E chegou o homem de Deus, e falou ao rei de Israel, e disse: Assim diz o Senhor: Porquanto os sírios disseram: O Senhor é Deus dos montes, e não Deus dos vales; toda esta grande multidão entregarei nas tuas mãos; para que saibas que eu sou o Senhor. "
" E sete dias estiveram acampados uns defronte dos outros; e sucedeu ao sétimo dia que a peleja começou, e os filhos de Israel feriram dos sírios cem mil homens de pé, num dia. "
" E os restantes fugiram a Afeque, à cidade; e caiu o muro sobre vinte e sete mil homens, que restaram; Ben-Hadade, porém, fugiu, e veio à cidade, escondendo-se de câmara em câmara. "
" Então lhe disseram os seus servos: Eis que já temos ouvido que os reis da casa de Israel são reis clementes; ponhamos, pois, sacos aos lombos, e cordas às cabeças, e saiamos ao rei de Israel; pode ser que ele te poupe a vida. "
" Então cingiram sacos aos lombos e cordas às cabeças, e foram ao rei de Israel, e disseram: Diz o teu servo Ben-Hadade: Deixa-me viver. E disse Acabe: Pois ainda vive? É meu irmão. "
" E aqueles homens tomaram isto por bom presságio, e apressaram-se em apanhar a sua palavra, e disseram: Teu irmão Ben-Hadade vive. E ele disse: Vinde, trazei-mo. Então Ben-Hadade foi a ele, e ele o fez subir ao carro. "
" E disse ele: As cidades que meu pai tomou de teu pai tas restituirei, e faze para ti ruas em Damasco, como meu pai as fez em Samaria. E eu, respondeu Acabe, te deixarei ir com esta aliança. E fez com ele aliança e o deixou ir. "
" Então um dos homens dos filhos dos profetas disse ao seu companheiro, pela palavra do Senhor: Ora fere-me. E o homem recusou feri-lo. "
" E ele lhe disse: Porque não obedeceste à voz do Senhor, eis que, em te apartando de mim, um leão te ferirá. E como dele se apartou, um leão o encontrou e o feriu. "
" Depois encontrou outro homem, e disse-lhe: Ora fere-me. E aquele homem deu-lhe um golpe, ferindo-o. "
" Então foi o profeta, e pôs-se perante o rei no caminho; e disfarçou-se com cinza sobre os seus olhos. "
" E sucedeu que, passando o rei, clamou ele ao rei, dizendo: Teu servo estava no meio da peleja, e eis que, desviando-se um homem, trouxe-me outro homem, e disse: Guarda-me este homem; se vier a faltar, será a tua vida em lugar da vida dele, ou pagarás um talento de prata. "
" Sucedeu, pois, que, estando o teu servo ocupado de uma e de outra parte, eis que o homem desapareceu. Então o rei de Israel lhe disse: Esta é a tua sentença; tu mesmo a pronunciaste. "
" Então ele se apressou, e tirou a cinza de sobre os seus olhos; e o rei de Israel o reconheceu, que era um dos profetas. "
" E disse-lhe: Assim diz o Senhor: Porquanto soltaste da mão o homem que eu havia posto para destruição, a tua vida será em lugar da sua vida, e o teu povo em lugar do seu povo. "
" E foi o rei de Israel para a sua casa, desgostoso e indignado; e chegou a Samaria. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.