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1 Reis 20:31 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Então lhe disseram os seus servos: Eis que já temos ouvido que os reis da casa de Israel são reis clementes; ponhamos, pois, sacos aos lombos, e cordas às cabeças, e saiamos ao rei de Israel; pode ser que ele te poupe a vida. "

1 Reis 20:31

menu_book Versículo no contexto

29 E sete dias estiveram acampados uns defronte dos outros; e sucedeu ao sétimo dia que a peleja começou, e os filhos de Israel feriram dos sírios cem mil homens de pé, num dia.

30 E os restantes fugiram a Afeque, à cidade; e caiu o muro sobre vinte e sete mil homens, que restaram; Ben-Hadade, porém, fugiu, e veio à cidade, escondendo-se de câmara em câmara.

31 Então lhe disseram os seus servos: Eis que já temos ouvido que os reis da casa de Israel são reis clementes; ponhamos, pois, sacos aos lombos, e cordas às cabeças, e saiamos ao rei de Israel; pode ser que ele te poupe a vida.

32 Então cingiram sacos aos lombos e cordas às cabeças, e foram ao rei de Israel, e disseram: Diz o teu servo Ben-Hadade: Deixa-me viver. E disse Acabe: Pois ainda vive? É meu irmão.

33 E aqueles homens tomaram isto por bom presságio, e apressaram-se em apanhar a sua palavra, e disseram: Teu irmão Ben-Hadade vive. E ele disse: Vinde, trazei-mo. Então Ben-Hadade foi a ele, e ele o fez subir ao carro.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Este trecho descreve o que aconteceu depois da vitória de Israel sobre os sírios. Ben-Hadade se submeteu de forma fraca e vergonhosa. Mesmo estando no seu aposento interior, estava com medo e teria fugido ainda mais, se pudesse, embora ninguém o estivesse perseguindo. Seus servos perceberam que tanto ele quanto eles estavam agora em extremo perigo, por isso o aconselharam a render-se e lançar-se à misericórdia de Acabe para salvar a vida (1 Reis 20:31).

Os servos se dispuseram a arriscar primeiro a própria vida, e o senhor deles os seguiria, se o plano desse certo. Eles escolheram esse caminho porque os reis de Israel tinham fama de ser mais bondosos do que outros governantes. Tinham ouvido dizer que os reis de Israel eram misericordiosos e não tratavam com dureza os que estavam sob seu poder; logo, concluíram que esses reis também poupariam inimigos que caíssem em suas mãos. Talvez tivessem ouvido que o Deus de Israel se havia revelado como Deus clemente e misericordioso, e imaginaram que os reis de Israel seguiriam o exemplo dele.

Isso era uma honra para os reis de Israel, pois todo israelita deveria ser revestido de compaixão. Eles disseram, em essência: “São reis misericordiosos; talvez encontremos misericórdia se nos humilharmos.” Pobres pecadores têm a mesma razão para se arrepender e se humilhar diante de Deus. “Não temos ouvido que o Deus de Israel é misericordioso? Não o temos encontrado assim? Então rasguemos o coração e voltemos para ele” (Joel 2:13). O arrependimento verdadeiro nasce de contemplar a misericórdia de Deus em Cristo, porque é nele que se encontra o perdão.

Os servos de Ben-Hadade planejaram apresentar duas coisas a Acabe. Primeiro, apresentariam o seu senhor como um homem penitente. Vestiram-no de pano de saco, a veste áspera de quem está de luto, e puseram cordas sobre a cabeça, como condenados a caminho da execução. Agiram como se ele estivesse realmente arrependido de ter invadido a terra e perturbado a paz, e como se reconhecesse que merecia a morte por isso. Muitos fingem arrepender-se apenas quando seu plano mau fracassa; se tivessem tido êxito, defenderiam o que fizeram e ainda se gloriariam nisso.

Em segundo lugar, apresentariam seu senhor como um suplicante, pedindo pela própria vida. “Teu servo Ben-Hadade diz: ‘Rogo-te que me deixes viver’” (1 Reis 20:32). Ainda que precisasse viver exilado de sua terra e cativo em outra, pedia a vida em quaisquer condições. Que mudança! Ele caiu do poder e do conforto para a vergonha, a aflição, a pobreza e a escravidão. As coisas humanas são incertas: quem está no topo hoje pode logo estar embaixo.

Seu ânimo também havia mudado. No começo do capítulo, ele era duro, orgulhoso e ameaçador, exigindo tudo. Agora se encolhe e suplica, pedindo a vida justamente ao homem que antes pisoteava. Os orgulhosos muitas vezes são os mais quebrados na adversidade. Um espírito firme, ao contrário, mantém-se mais ou menos o mesmo tanto na prosperidade quanto na dificuldade. Deus mostra a grandeza do seu poder quando humilha os soberbos e os abate (Jó 40:11-13).

Acabe aceitou tolamente a submissão de Ben-Hadade e depressa fez paz com ele. Sentiu-se envaidecido por ser tratado assim por aquele de quem havia tido tanto medo, e chegou até a perguntar por ele com certa ternura: “Vive ainda? Ele é meu irmão” (1 Reis 20:32). Acabe se importava mais com a posição de Ben-Hadade do que com a verdadeira religião. Dava mais valor à realeza do que à fé, e também era tratado pelos outros dessa maneira.

Mas Ben-Hadade não havia agido como irmão antes. Ele mandara a Acabe aquela mensagem cruel (1 Reis 20:5-6). Será que o chamaria de irmão se tivesse vencido? Chamaria a si mesmo de servo de Acabe se não estivesse agora em situação tão desesperadora? Acabe não deveria ter se deixado enganar por uma humildade forçada e fingida. Ainda assim, a palavra “irmão” foi suficiente para convencê-lo, e os servos foram buscar Ben-Hadade e o trouxeram à presença do rei (1 Reis 20:33). Como Acabe o chamou de irmão, deixou-o viver.

Pobres pecadores arrependidos devem agir de modo semelhante em relação à palavra de Deus. Quando Deus os chama de filhos (Jeremias 31:20), devem apegar-se a essa promessa e responder a ela, chamando-o de Pai. Ben-Hadade não só foi conduzido com honra até Acabe, que o fez subir consigo no carro, como também foi tratado como aliado (1 Reis 20:34). Acabe fez um pacto com ele sem consultar os profetas de Deus, nem os anciãos da terra, nem sequer a própria consciência quanto ao que deveria exigir.

Ele poderia ter pedido algumas das cidades de Ben-Hadade, já que o exército sírio estava à sua mercê. Poderia também ter exigido os mantimentos, os tesouros e os depósitos de Damasco, para fortalecer seu próprio reino. Em vez disso, contentou-se com uma concessão pequena: o direito de construir ruas em Damasco às suas próprias custas. Era apenas questão de honra, sem proveito real. Não foi mais do que aquilo que os reis da Síria já tinham em Samaria, embora nunca tivessem tido poder para exigir tanto dele.

Assim, Acabe despediu Ben-Hadade e nem sequer o repreendeu pelas palavras blasfemas que havia dito contra o Deus de Israel, pois Acabe não se importava com a honra de Deus. Há pessoas em quem o sucesso é desperdiçado. Não sabem usar a prosperidade para Deus, nem para o próximo, nem mesmo para o próprio bem. Se fizerem favor ao ímpio, ainda assim ele não aprenderá a justiça.

Então um profeta veio repreender Acabe por poupar Ben-Hadade e fazer aliança com ele. Veio em nome do Senhor. Os judeus dizem que esse profeta foi Micaías, e isso é provável, pois mais tarde Acabe se queixou de que Micaías sempre profetizava o mal a seu respeito (1 Reis 22:8). O profeta tencionava repreender Acabe por meio de uma parábola, de modo que o próprio Acabe se condenasse, como fez Natã com Davi, e como a mulher de Tecoa também fez com Davi.

Para tornar a parábola convincente, o profeta precisava parecer um soldado ferido. Primeiro, teve dificuldade em conseguir ser ferido, porque não queria ferir a si mesmo. Pediu a um de seus colegas profetas, seu vizinho ou companheiro, que o golpeasse em nome do Senhor (1 Reis 20:35). Mas o homem recusou. Parecia pensar que já havia gente demais disposta a ferir profetas, de modo que não havia necessidade de um profeta ferir o outro. É inevitável imaginar que sua recusa vinha de um bom coração. Se aquilo precisava mesmo ser feito, preferia que outro o fizesse, não ele. Não conseguiu levantar a mão contra o amigo.

Pessoas piedosas muitas vezes acham mais fácil receber um golpe injusto do que desferi-lo. No entanto, por ter desobedecido a uma ordem clara de Deus, e sobretudo se também era profeta, foi logo morto por um leão, assim como outro profeta desobediente havia sido antes (1 Reis 13:24; 1 Reis 20:36).

Isso tinha o propósito não só de mostrar, em geral, quão ofensiva é a desobediência (Colossenses 3:6), mas também de insinuar a Acabe, que sem dúvida conhecia a história, que, se um bom profeta foi castigado por poupar o amigo e inimigo de Deus, quando Deus havia dito: “Fere-o”, então um rei ímpio merecia castigo ainda pior por poupar seu próprio inimigo e inimigo de Deus, quando Deus havia dito: “Fere-o”. Pode um mortal pretender ser mais justo que Deus, mais puro ou mais compassivo que o seu Criador? Devemos ser misericordiosos como Deus é misericordioso, e de nenhuma outra maneira.

O profeta encontrou em seguida outro homem, que não teve dificuldade em golpeá-lo e o feriu (1 Reis 20:37). A expressão latina resume: “Quem pede o dano não se fere com ele.” O golpe fez o sangue correr, provavelmente do rosto.

Ferido, e com cinza sobre si para não ser reconhecido como profeta, apresentou seu caso ao rei em forma de história. Nessa história ele se declarava culpado do mesmo tipo de erro que o rei acabara de cometer ao poupar Ben-Hadade. Depois esperou o juízo do rei. O caso era este: um prisioneiro de guerra fora confiado a ele por um homem, provavelmente um oficial superior, com esta ordem: “Se este homem fugir, será a tua vida pela vida dele” (1 Reis 20:39). Mas o prisioneiro escapou por descuido seu. Poderia o tribunal do rei livrá-lo do capitão, que agora exigia sua vida em lugar da do prisioneiro? “De modo algum”, disse o rei. “Ou você não deveria ter assumido essa responsabilidade, ou deveria ter sido mais cuidadoso e fiel. Não há remédio. A lei deve seguir seu curso. Você quebrou a palavra, e a sentença precisa ser executada. Essa é a sua própria condenação.”

Então o profeta alcançou o que pretendia. Tirou o disfarce, e Acabe o reconheceu como profeta (1 Reis 20:41). Ele então declarou claramente: “Você é esse homem. Esta é a minha sentença? Não, é a sua. Você se condenou com as próprias palavras. Deus, seu superior e comandante em chefe, colocou em suas mãos um homem claramente destinado à destruição, tanto pelo próprio orgulho quanto pela providência de Deus. Ainda assim, você não o perdeu por acaso; você o deixou ir deliberadamente. Assim, você falhou no encargo que recebeu e esvaziou o propósito da sua vitória. Portanto, não espere outra coisa senão que a sua vida seja dada em lugar da vida dele, que você poupou” (e assim aconteceu, 1 Reis 22:35), “e o seu povo em lugar do povo dele, que você também poupou” (e assim aconteceu depois, 2 Reis 10:32-33). Quando outros pecados os derrubaram, este pecado também foi levado em conta. Há um tempo em que recusar-se a derramar sangue, na verdade, é fazer a obra do Senhor de modo negligente e falso (Jeremias 48:10). Misericórdia tola arruína uma cidade.

Também nos é dito como Acabe recebeu essa repreensão. Ele voltou para casa desgostoso e indignado (1 Reis 20:43). Não estava realmente arrependido, nem procurando reparar o mal que tinha feito. Em vez disso, enraiveceu-se contra o profeta, e ficou amargo contra Deus, como se Deus tivesse sido severo demais na sentença contra ele. Ao mesmo tempo, estava irritado consigo mesmo; por isso, ficou descontente em todos os sentidos, mesmo depois da vitória. Deus havia usado sua providência para humilhar o orgulho de um rei, e agora usou sua palavra para lançar uma sombra sobre o triunfo de outro rei. Sede, pois, ajuizados, ó reis, e aprendei a servir ao Senhor com temor e a alegrar-vos com tremor (Salmo 2:10-11).

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