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1 Reis 20:1 - Significado e aplicação
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Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E Ben-Hadade, rei da Síria, ajuntou todo o seu exército; e havia com ele trinta e dois reis, e cavalos e carros; e subiu, e cercou a Samaria, e pelejou contra ela. "
1 Reis 20:1
Versículo no contexto
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1 E Ben-Hadade, rei da Síria, ajuntou todo o seu exército; e havia com ele trinta e dois reis, e cavalos e carros; e subiu, e cercou a Samaria, e pelejou contra ela.
2 E enviou à cidade mensageiros, a Acabe, rei de Israel,
3 Que lhe disseram: Assim diz Ben-Hadade: A tua prata e o teu ouro são meus; e tuas mulheres e os melhores de teus filhos são meus.
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Aqui vemos, em primeiro lugar, o ataque ameaçador que Ben-Hadade lançou contra o reino de Acabe, cercando Samaria, a cidade real (1 Reis 20:1). Não nos é dito o que deu início à contenda. A cobiça e a ambição foram as verdadeiras causas, e esses pecados sempre conseguem arrumar algum pretexto. Davi, no passado, derrotara completamente os sírios e os sujeitara a pagar tributo a Israel, mas o afastamento de Israel de Deus tornou os sírios fortes novamente. Asa também já havia convidado os sírios a atacarem Israel (1 Reis 15:18-20), e agora eles vêm por vontade própria.
É perigoso trazer exércitos estrangeiros para dentro da terra, porque as gerações futuras podem sofrer por causa disso. Ben-Hadade veio com trinta e dois reis, que ou foram obrigados a servi‑lo, ou se uniram a ele como aliados. Pouco significa quando muitos pequenos governantes usam o título de rei, mas na verdade não passam de administradores de pouca expressão.
Em segundo lugar, vemos o trato entre esses dois reis. Certamente a proteção de Israel já se retirara deles, pois, do contrário, os sírios não poderiam ter marchado tão facilmente até Samaria, o centro da nação. Samaria era uma cidade mais nova e podemos supor que não era fortemente fortificada, parecendo prestes a cair rapidamente. Ambos os lados sabiam disso. Assim, o coração orgulhoso de Ben-Hadade envia a Acabe uma exigência profundamente ofensiva (1 Reis 20:2-3). Um mensageiro entra na cidade para dizer que Ben-Hadade levantaria o cerco se Acabe se tornasse seu servo, pagasse tributo com o que possuía e lhe rendesse o próprio direito de reinar, a ponto de até suas mulheres e filhos passarem a pertencer a Ben‑Hadade. As palavras são calculadas para humilhar. Em essência, ele diz: “Tudo será meu, sem exceção alguma”.
O espírito fraco de Acabe responde com uma rendição vergonhosa. Ele não desce aos detalhes da entrega com o mesmo prazer com que Ben‑Hadade fez suas exigências, mas ainda assim se entrega por completo: “Eu sou teu, e tudo quanto tenho” (1 Reis 20:4). Isso mostra o efeito do pecado. Se Acabe não tivesse afastado Deus por meio de seus pecados, Ben-Hadade não poderia ter feito uma exigência tão ousada. O pecado deixa as pessoas sem a proteção de Deus, e então os inimigos podem dominá‑las. Se Deus não nos governa, nossos inimigos nos governarão. O rebelde contra Deus acaba escravo de todos os outros. Acabe já havia consagrado sua prata e seu ouro a Baal (Oseias 2:8), e agora isso lhe é tirado com justiça.
Se Acabe não tivesse ferido a própria consciência, não poderia ter feito uma rendição tão baixa. A culpa enfraquece as pessoas e as torna covardes. Ele sabia que Baal não poderia socorrê‑lo, e não tinha motivo para crer que Deus o ajudaria, por isso estava pronto a comprar a própria vida a qualquer preço. Estava disposto a perder tudo para continuar vivo. Preferia viver como mendigo a morrer como rei.
Então o orgulho de Ben‑Hadade piora ainda mais depois da submissão de Acabe, e ele se torna mais grosseiro e exigente (1 Reis 20:5-6). Acabe havia colocado tudo aos seus pés e esperava receber alguma misericórdia em troca. Provavelmente pensou que um rei trataria outro com certa generosidade e que aquela primeira rendição bastaria para satisfazer Ben‑Hadade por enquanto. Mas não basta. Ben‑Hadade é tão ganancioso quanto orgulhoso, e não se contentará em ter apenas o poder; quer também a posse. Não lhe basta ter direito aos bens, quer tê-los em suas mãos.
Ele é tão cruel quanto arrogante. Se ele mesmo viesse escolher o que quisesse, ao menos demonstraria algum respeito por um rei. Em vez disso, manda servos para insultar Acabe, vasculhar o palácio e arrancar dele tudo o que tivesse de melhor. Pior ainda: devem levar o que Acabe mais valoriza, aquilo que é mais agradável aos seus olhos. Muitas vezes somos mais feridos justamente naquilo a que mais estamos apegados, e o que mais estimamos costuma ser o menos seguro.
Ben‑Hadade também se mostra irracional, além de injusto. Ele trata a rendição de Acabe como se incluísse todos os seus súditos. Quer revistar não apenas a casa de Acabe, mas também as casas de seus servos, e saqueá‑las como bem entender. Devemos dar graças a Deus pela paz e pelo direito de propriedade, e pelo dom de podermos chamar de nosso aquilo que possuímos.
Agora o espírito fraco de Acabe começa a se erguer um pouco diante de tanta afronta crescente. Ele não se torna corajoso, mas fica desesperado, e prefere arriscar a vida a abrir mão de tudo. Pede conselho a seus anciãos, e eles o encorajam a resistir. Ele fala de maneira tímida no começo (1 Reis 20:7), perguntando se Ben‑Hadade não está agindo injustamente e buscando o mal. O que mais ele poderia esperar de um homem que tinha invadido seu país e cercado sua capital sem qualquer motivo? Acabe reconhece que já havia cedido antes, e pergunta o que deve fazer agora. Eles respondem com ousadia: “Não ouças nem aceites” (1 Reis 20:8). Sem dúvida prometeram apoiá‑lo se recusasse.
Ainda assim, a recusa de Acabe é muito humilde em suas palavras (1 Reis 20:9). Ele reconhece o poder de Ben‑Hadade sobre si, dizendo, em essência: “Dizei ao meu senhor, o rei, que eu não pretendo afrontá‑lo nem tomar de volta o que já entreguei. Manterei a minha primeira oferta, mas isto não posso fazer. Não devo entregar o que não é meu”. Deve ter sido um golpe para Ben‑Hadade ouvir um homem tão fraco quanto Acabe ter a ousadia de dizer não. Ainda assim, parece que Acabe não teria respondido assim se não tivesse sido animado pelo seu povo.
Então Ben‑Hadade jura, tomado de orgulho, que Samaria será destruída. Sua ira, que havia sido contida por um momento, agora transborda em grande alarde. Em seu furor ele invoca seus deuses inúteis, dizendo que, se o pó de Samaria não bastasse para encher de punhados as mãos de todo o seu exército, que esses deuses o castigassem (1 Reis 20:10). Ele se gaba de ter um exército tão numeroso e decidido que tomar Samaria seria tão fácil quanto apanhar um punhado de poeira. Pensa que levará tudo, até o chão debaixo da cidade. O orgulho o torna seguro de si, e a maldade o torna cruel. Tudo isso apenas o prepara para a ruína, embora nem ele nem seu povo mereçam o consolo de ver sua queda.
Acabe lhe responde com uma suave repreensão à sua confiança temerária. Ele não ousa desafiar abertamente Ben‑Hadade, rei da Síria, mas apenas lhe lembra quão incerta é a guerra (1 Reis 20:11). Em essência, diz: “Quem cinge a armadura para ir à batalha não deve se gloriar como quem já a despe e volta vitorioso”.
Essa foi uma das coisas mais sábias que Acabe já disse, e é uma lembrança útil para todos nós. É insensatez vangloriar-se de qualquer dia antes que ele chegue, pois não sabemos o que ele trará (Provérbios 27:1). Isso é ainda mais verdadeiro em relação ao dia da batalha, que pode voltar-se contra nós, e não a nosso favor. Também é imprudente desprezar o inimigo, porque o excesso de confiança muitas vezes abre o caminho para a derrota.
Isso se aplica também a nossas batalhas espirituais. Pedro caiu porque confiou demais em si mesmo. Enquanto estivermos nesta vida, estamos apenas colocando a armadura, e não devemos agir como se a luta já tivesse terminado. Feliz é aquele que teme a Deus continuamente e permanece vigilante.
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Deste capítulo
1 Reis 20:2
"E enviou à cidade mensageiros, a Acabe, rei de Israel,"
1 Reis 20:3
"Que lhe disseram: Assim diz Ben-Hadade: A tua prata e o teu ouro são meus; e tuas mulheres e os melhores de teus filhos são meus."
1 Reis 20:4
"E respondeu o rei de Israel, e disse: Conforme a tua palavra, ó rei meu senhor, eu sou teu, e tudo quanto tenho."
1 Reis 20:5
"E tornaram a vir os mensageiros, e disseram: Assim diz Ben-Hadade: Enviei-te, na verdade, mensageiros que dissessem: Tu me hás de dar a tua prata, e o teu ouro, e as tuas mulheres e os teus filhos;"
1 Reis 20:6
"Todavia amanhã a estas horas enviarei os meus servos a ti, e esquadrinharão a tua casa, e as casas dos teus servos; e há de ser que tudo o que de precioso tiveres, eles tomarão consigo, e o levarão."
1 Reis 20:7
"Então o rei de Israel chamou a todos os anciãos da terra, e disse: Notai agora, e vede como este homem procura o mal; pois mandou pedir-me as mulheres, os meus filhos, a minha prata e o meu ouro, e não lhos neguei."
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