1 Reis 15 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique 1 Reis 15 na sua vida hoje

34 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é 1 Reis 15?

1 Reis 15 descreve uma sequência de reis de Judá e de Israel, destacando como cada um se posicionou diante do Senhor. Em Judá, Abias tem um reinado curto e comprometido pelo pecado, mas Asa surge em seguida como um rei que busca fazer o que é reto, promovendo reformas espirituais, ainda que com falhas e limitações. Paralelamente, em Israel, Nadabe e Baasa seguem o padrão de Jeroboão, persistindo na idolatria e na desobediência, até que a palavra de juízo de Deus contra a casa de Jeroboão se cumpre totalmente. O capítulo contrasta fidelidade e infidelidade, graça e juízo, mostrando que a postura do coração diante de Deus marca a história de cada rei.

Temas principais em 1 Reis 15

Fidelidade de Deus à sua aliança com Davi (versículos 3-5)

Mesmo quando reis como Abias não andam com um coração íntegro, Deus mantém uma “lâmpada” em Jerusalém por amor a Davi. A promessa de manter uma descendência no trono de Judá é preservada, mostrando que a fidelidade de Deus supera a oscilação dos seres humanos.

Versículos-chave: 4, 5

Reforma espiritual e limites humanos em Asa (versículos 11-18)

Asa se destaca entre os reis de Judá por fazer o que é reto aos olhos do Senhor, destruindo ídolos, removendo práticas imorais e até confrontando a própria mãe por causa da idolatria. Ao mesmo tempo, seus limites aparecem: ele não remove todos os altos e, em momento de crise política, recorre a uma aliança com a Síria, usando tesouros do templo.

Versículos-chave: 11, 12, 13, 14

Consequências persistentes do pecado de Jeroboão (versículos 25-26, 33-34)

Nadabe e Baasa seguem o mesmo caminho de Jeroboão, mantendo o povo na idolatria e influenciando gerações inteiras a se afastarem do Senhor. O texto reforça o peso das decisões espirituais de um líder e como o pecado de um pode se tornar padrão para muitos.

Versículos-chave: 26, 34

Juízo de Deus sobre a casa de Jeroboão (versículos 27-30)

Por meio de Baasa, toda a casa de Jeroboão é exterminada, cumprindo exatamente a palavra profética anunciada anteriormente. Deus não ignora a idolatria nem o desvio contínuo do povo; seu juízo vem no tempo determinado, demonstrando sua justiça.

Versículos-chave: 29, 30

Guerras constantes entre Judá e Israel (versículos 6-7, 16, 32)

O capítulo mostra um cenário de conflitos quase contínuos entre os dois reinos. Isso revela como o afastamento de Deus e a idolatria abrem espaço para guerras, insegurança e instabilidade política, em contraste com a paz prometida à obediência.

Versículos-chave: 6, 16, 32

Contexto histórico e literario

1 Reis 15 se passa no período da monarquia dividida, após a morte de Salomão, quando o reino se separou em Reino do Norte (Israel) e Reino do Sul (Judá). Em Judá, os reis descendem de Davi e mantêm Jerusalém como capital e centro de adoração. Em Israel, Jeroboão havia instituído um sistema alternativo de culto, com bezerros de ouro e sacerdócio não levítico, para afastar o povo de Jerusalém.

O capítulo cobre o fim do reinado de Abias em Judá e o longo reinado de Asa, ao mesmo tempo em que narra o curto reinado de Nadabe e o início do reinado de Baasa em Israel. As guerras entre Judá e Israel refletem a rivalidade política e religiosa entre os dois reinos. A aliança de Asa com Ben-Hadade, rei da Síria, mostra a importância estratégica de Damasco e das rotas comerciais no norte, bem como a prática comum de selar acordos por meio de presentes de ouro e prata retirados dos tesouros reais e, tristemente, do templo.

A menção recorrente aos “livros das crônicas dos reis de Judá” e de “Israel” indica registros históricos oficiais de cada reino. O autor de 1 Reis seleciona eventos desses registros e os interpreta à luz da aliança com o Senhor, avaliando cada rei, principalmente, pelo seu comportamento espiritual e não apenas por suas conquistas políticas.

Estrutura de 1 Reis 15

O capítulo pode ser dividido em blocos biográficos, com uma fórmula relativamente padronizada para cada rei:

  1. Abias, rei de Judá (15:1-8)
  • Introdução do reinado: data, duração e genealogia (vv. 1-2)
  • Avaliação espiritual: seguiu os pecados de seu pai; contraste com Davi (v. 3)
  • Ação graciosa de Deus por amor a Davi: a lâmpada em Jerusalém (vv. 4-5)
  • Referência a guerras e à fonte histórica (v. 6-7)
  • Morte e sucessão por Asa (v. 8)
  1. Asa, rei de Judá (15:9-24)
  • Introdução do reinado: data, duração, genealogia (vv. 9-10)
  • Avaliação positiva: fez o que é reto como Davi (v. 11)
  • Reformas: expulsão dos sodomitas cultuais, remoção de ídolos, disciplina à mãe (vv. 12-13)
  • Limitações: altos não removidos, mas coração reto (v. 14)
  • Consagração de tesouros ao templo (v. 15)
  • Conflitos com Baasa e aliança com Ben-Hadade, rei da Síria (vv. 16-21)
  • Reaproveitamento de Ramá para fortalecer Judá (v. 22)
  • Referência às demais obras, menção à enfermidade nos pés, morte e sucessão por Jeosafá (vv. 23-24)
  1. Nadabe, rei de Israel (15:25-31)
  • Introdução: data e duração (v. 25)
  • Avaliação negativa: andou nos caminhos de Jeroboão (v. 26)
  • Conspiração de Baasa e morte de Nadabe em Gibetom (vv. 27-28)
  • Extermínio da casa de Jeroboão, cumprimento da palavra profética (vv. 29-30)
  • Referência às fontes históricas (v. 31)
  1. Baasa, rei de Israel (15:32-34)
  • Nota sobre a guerra entre Asa e Baasa (v. 32)
  • Introdução do reinado: data, cidade e duração (v. 33)
  • Avaliação negativa: seguiu o caminho de Jeroboão (v. 34)

Esse padrão literário alterna entre Judá e Israel, contrastando reis que se aproximam de Davi em fidelidade e reis que seguem Jeroboão em idolatria.

Significado teológico

O capítulo mostra a soberania de Deus sobre a história política e militar, usando reis, guerras e alianças para cumprir suas promessas e juízos. A preservação de uma “lâmpada em Jerusalém” por amor a Davi relembra a aliança davídica: Deus se comprometeu a manter uma linhagem no trono, preparando, em última instância, o caminho para o Messias.

A avaliação dos reis não é baseada apenas em poder ou prosperidade, mas em sua postura diante do Senhor. Asa é elogiado por fazer o que é reto, ainda que não seja perfeito, enquanto Nadabe e Baasa são condenados por perpetuar o pecado de Jeroboão. Isso destaca que o critério divino é a fidelidade à aliança, a exclusividade da adoração ao Senhor e o afastamento da idolatria.

O juízo sobre a casa de Jeroboão evidencia que Deus é paciente, mas não tolera indefinidamente o pecado, especialmente quando ele é institucionalizado e arrasta um povo inteiro para o erro. A palavra profética, proferida antes, se cumpre de forma exata, sublinhando a confiabilidade da revelação de Deus.

Ao mesmo tempo, o capítulo expõe a tensão entre confiança em Deus e confiança em alianças humanas. Asa, que em muitos aspectos é modelo de fidelidade, depende da Síria em vez de buscar a intervenção do Senhor quando Baasa constrói Ramá. Isso sugere que até líderes piedosos podem recorrer a estratégias humanas em momentos de pressão, levantando a questão da verdadeira fonte de segurança do povo de Deus.

Por fim, o contraste entre Judá e Israel, entre Davi e Jeroboão, reforça que caminhos espirituais diferentes produzem destinos diferentes. A graça preservadora de Deus convive com seu juízo justo, e ambos se manifestam por meio de decisões concretas de pessoas e governantes.

Aplicação restauradora e de saúde mental

O capítulo toca temas importantes para a saúde emocional e espiritual, como legado familiar, influência de líderes, conflitos constantes e imperfeição humana em meio à busca por retidão.

Há conforto no fato de que Deus continua fiel mesmo quando pessoas falham. Abias não tem um coração íntegro, mas Deus, por amor a Davi, mantém uma “lâmpada” em Jerusalém. Isso ressoa com situações em que alguém carrega marcas de erros familiares ou lideranças falhas, lembrando que a história não está condenada a ser apenas repetição de fracassos.

A figura de Asa mostra que é possível romper padrões anteriores, tomar decisões difíceis (inclusive em relação a pessoas próximas) e escolher um caminho de maior integridade. Ao mesmo tempo, ele não é idealizado: tem limitações, faz escolhas politicamente estratégicas que revelam sua fragilidade e termina a vida com um problema físico nos pés. A Escritura mostra a humanidade desses personagens, o que ajuda a reduzir expectativas perfeccionistas e a aceitar que crescimento espiritual ocorre em meio a fraquezas reais.

A insistência no “caminho de Jeroboão” e o consequente juízo sobre sua casa lembram que decisões repetidas em direção ao mal geram consequências profundas, coletivas e duradouras. Em contextos de trauma espiritual ou feridas provocadas por líderes, o texto valida a gravidade desses danos e mostra que Deus não ignora injustiças nem abusos de autoridade.

Em meio a guerras, complôs e instabilidade, surge a imagem de um Deus que continua governando a história. Essa perspectiva pode alimentar esperança em contextos de caos e ansiedade, mostrando que, ainda que os cenários mudem e líderes se revezem, o Senhor permanece firme.

warning Importante: maus usos comuns

O capítulo descreve violência, guerras contínuas, conspiração política e exterminação de famílias inteiras. A linguagem de juízo, destruição e morte pode reativar lembranças dolorosas em pessoas que viveram traumas ligados a violência, conflitos familiares intensos, golpes de poder ou perseguição.

A execução do juízo sobre a casa de Jeroboão por meio de Baasa, e a repetição do padrão de pecado entre diferentes reis, pode ser gatilho para quem se sente preso a padrões familiares disfuncionais ou a uma herança de abuso espiritual e moral. A ideia de famílias inteiras sofrendo as consequências das decisões de um líder pode acionar sentimentos de injustiça ou desamparo.

O uso de recursos do templo por Asa para firmar uma aliança política com a Síria pode gerar incômodo em pessoas que sofreram com corrupção religiosa, mau uso de recursos sagrados ou abuso de confiança por parte de líderes espirituais.

Leitores com histórico de perfeccionismo religioso ou culpa excessiva podem interpretar as avaliações dos reis (bom/mau aos olhos do Senhor) de forma rígida, projetando sobre si uma exigência de perfeição absoluta e experimentando angústia diante das próprias falhas.

Aplicação prática para hoje

  1. Legado não determina destino: Abias segue pecados anteriores, mas Asa, na mesma linhagem, escolhe outro caminho. Padrões familiares podem ser rompidos por decisões firmes em direção à retidão e à adoração exclusiva ao Senhor.

  2. Integridade acima de vínculos: Asa mexe em estruturas sensíveis ao remover ídolos e até retirar sua mãe da posição de rainha por causa da idolatria. Compromissos com Deus podem exigir posicionamentos firmes mesmo em fronteiras delicadas, como família, tradições e status.

  3. Reforma é processo, não perfeição: Asa promove grandes mudanças, mas não remove todos os altos. Isso ilustra que mudanças espirituais e morais podem ser significativas mesmo quando ainda restam áreas não plenamente transformadas. É possível avançar sem esperar um contexto ideal.

  4. Cuidado com alianças motivadas por medo: Asa usa recursos do templo para garantir aliança com a Síria contra Baasa. Isso exemplifica a tendência de buscar segurança em estratégias humanas quando a pressão aumenta. Ao tomar decisões difíceis, vale avaliar se a motivação central é confiança em Deus ou medo das circunstâncias.

  5. Liderança influencia gerações: Nadabe e Baasa perpetuam o “caminho de Jeroboão”, levando Israel a continuar no pecado. Quem exerce qualquer tipo de liderança — família, trabalho, igreja, comunidade — precisa discernir que suas escolhas espirituais formam cultura, costumes e expectativas em outros.

  6. A palavra de Deus se cumpre: O juízo sobre a casa de Jeroboão se cumpre exatamente como o Senhor havia anunciado. Isso encoraja a levar a sério tanto as advertências quanto as promessas de Deus, confiando que ele é fiel à sua palavra em todas as áreas da vida.

Perguntas frequentes

O que significa Deus dar uma “lâmpada em Jerusalém” por amor de Davi?

A expressão indica que Deus preservaria uma descendência de Davi no trono de Judá, mantendo acesa a “luz” da dinastia davídica em Jerusalém. Mesmo quando alguns descendentes falham, Deus continua fiel à promessa feita a Davi. Essa lâmpada aponta para a continuidade da linhagem que, no plano maior de Deus, culminaria no Messias.

Por que Asa é considerado um bom rei, se não removeu todos os altos e fez alianças políticas?

O texto afirma que Asa fez o que era reto aos olhos do Senhor e que o seu coração foi reto todos os seus dias, mesmo com falhas e limitações. Ele promoveu reformas importantes, combateu a idolatria e valorizou o culto ao Senhor. Os altos não removidos e a aliança com a Síria mostram que ele não era perfeito, mas, no balanço geral, o seu compromisso com o Senhor o distingue positivamente em comparação com muitos outros reis.

Quem eram os sodomitas mencionados no reinado de Asa?

Os sodomitas mencionados no texto não se referem apenas a uma cidade, mas a grupos ligados a práticas sexuais cultuais associadas à idolatria, provavelmente ligados a templos pagãos. Asa expulsa esses grupos da terra como parte de sua reforma, para purificar Judá de costumes religiosos contrários à lei do Senhor.

Por que Deus permitiu que Baasa exterminasse a casa de Jeroboão?

Baasa se torna instrumento de juízo de Deus contra a casa de Jeroboão, cumprindo a palavra profética já declarada por causa da idolatria e do pecado de Jeroboão. Isso não torna Baasa justo; o texto posteriormente também o condena. O episódio mostra como Deus pode usar até mesmo líderes falhos para executar seus juízos e ajustar a história conforme sua justiça.

O que significa a expressão “andou no caminho de Jeroboão”?

“Andar no caminho de Jeroboão” significa adotar o mesmo padrão espiritual e religioso inaugurado por Jeroboão: idolatria institucionalizada, culto nos altares e bezerros de ouro, afastamento da adoração centralizada em Jerusalém e desprezo pelas orientações do Senhor. Quando Nadabe e Baasa são descritos assim, o texto enfatiza que eles mantiveram o povo preso ao mesmo pecado.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

1 Reis 15 apresenta muitos cenários de tensão: guerras constantes, conspirações, famílias marcadas por erros de gerações anteriores. Em meio a isso, sobressai a figura de um Deus que não abandona sua história com o povo, mesmo quando os reis falham ou se perdem. A frase de que o coração de Abias “não foi perfeito para com o Senhor” pode tocar em memórias de imperfeição, culpa e sensação de não estar à altura. O texto, porém, também fala de um Deus que, por amor a Davi, mantém uma lâmpada acesa em Jerusalém. Essa imagem se torna um consolo: há uma fidelidade maior do que os erros individuais, uma graça que atravessa gerações e fracassos. Asa é mostrado como alguém que toma decisões difíceis em nome da pureza do culto, inclusive em relação à própria mãe. Ao mesmo tempo, ele é um personagem com fragilidades, que recorre a alianças humanas e envelhece com um problema crônico nos pés. A Bíblia não o pinta como um herói impecável, mas como alguém cujo coração, apesar de limitações, se volta para Deus. Isso ajuda a aliviar a pressão de ter de “acertar em tudo” para ser aceito por Deus. O juízo sobre a casa de Jeroboão é duro, especialmente para quem já sofreu com injustiças ou maldades persistentes. Ainda assim, o texto confirma que Deus não ignora o mal nem a idolatria que corrompe corações e comunidades. Diante de feridas causadas por lideranças abusivas ou decisões injustas, há consolo em saber que o Senhor vê, considera e, no seu tempo, age. Para corações cansados de conflitos, guerras emocionais ou familiares, esse capítulo traz a lembrança de que, ainda que os cenários sejam instáveis, Deus permanece como a verdadeira âncora. Ele é capaz de preservar uma “lâmpada” de esperança mesmo em tempos de grande escuridão espiritual e emocional.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético, 1 Reis 15 é um exemplo claro da teologia deuteronomista, em que a história dos reis é avaliada à luz da aliança com o Senhor e da obediência à sua lei. Cada reinado é introduzido com fórmulas cronológicas e genealógicas, mas o ponto central é sempre a avaliação: o que esse rei fez aos olhos do Senhor? Abias é mencionado de forma breve, com foco em sua continuidade nos pecados de Roboão, mas inserido no quadro mais amplo da fidelidade de Deus à promessa feita a Davi. O versículo 5 funciona quase como um resumo teológico da vida de Davi: ele fez o que era reto, com a ressalva do episódio de Urias. Isso cria um padrão ideal para medir outros reis de Judá. Asa recebe atenção ampliada, o que indica sua importância na tradição de Judá. Ele é comparado positivamente com Davi, o que é raro. As principais ações atribuídas a ele são de natureza cultual: remover sodomitas cultuais, destruir ídolos, disciplinar a mãe por causa de um poste-ídolo, e trazer prata, ouro e utensílios à casa do Senhor. O versículo 14 reconhece uma tensão: os altos não foram removidos, mas seu coração foi reto. O autor reconhece tanto a profundidade da reforma quanto suas limitações. Historicamente, a aliança com Ben-Hadade, rei da Síria, e o conflito em torno de Ramá são significativos. Ramá provavelmente controlava uma rota importante entre Judá e Israel, e a estratégia de Asa, embora eficaz do ponto de vista militar, revela uma dependência político-militar em detrimento de uma confiança exclusiva no Senhor. Em 2 Crônicas 16, esse episódio é ainda mais criticado, o que mostra um diálogo intertextual entre os livros históricos. A narrativa de Nadabe e Baasa, em Israel, enfatiza a continuidade da “religião de Jeroboão”. A conspiração em Gibetom, uma cidade filisteia, coloca em cena a fragilidade do trono do Norte e a constante instabilidade política. O extermínio da casa de Jeroboão, descrito como cumprimento da palavra do profeta Aías, destaca a eficácia da palavra profética e a seriedade do pecado de instaurar uma alternativa idolátrica ao culto em Jerusalém. Literariamente, o capítulo alterna entre Judá e Israel, reforçando um contraste: em Judá, apesar de falhas, persiste um fio de fidelidade ligado a Davi; em Israel, a linhagem de Jeroboão é cortada, e Baasa, mesmo sendo instrumento de juízo, reproduz a mesma idolatria. O resultado é um quadro complexo, em que graça, juízo, responsabilidade humana e soberania divina se entrelaçam ao longo da narrativa.

Life
Life

1 Reis 15 oferece uma leitura muito prática sobre liderança, decisões difíceis e influência cotidiana. O contraste entre Abias, Asa, Nadabe e Baasa ajuda a enxergar como escolhas espirituais se desdobram em consequências concretas. Abias segue a linha de erros anteriores, e o texto deixa claro que seu coração não é íntegro. Asa, por outro lado, mostra que é possível romper com padrões. Ele toma atitudes firmes: remove práticas imorais ligadas à idolatria, enfrenta a idolatria até dentro de casa e assume o custo de mexer em estruturas consolidadas. Essa postura inspira qualquer pessoa responsável por família, equipe ou comunidade a revisar o que foi herdado e decidir o que precisa ser removido ou corrigido. A disciplina aplicada à própria mãe mostra que a fidelidade a Deus nem sempre combina com agradar a todos. Em questões de valores fundamentais, o texto sugere que um líder não pode ser refém de laços afetivos ou interesses pessoais. Ao mesmo tempo, é uma lembrança de que decisões firmes devem ser voltadas à restauração da verdade e não apenas à humilhação de pessoas. Os limites de Asa também são instrutivos. Ele não consegue lidar com todas as práticas religiosas populares (os altos), e, em momento de pressão militar, recorre a uma aliança política custosa, inclusive usando recursos do templo. Isso reflete dilemas comuns: até onde negociar? Quando confiar em estratégias humanas? Como não transformar soluções de curto prazo em compromissos que comprometem o espiritual e o ético? No Norte, Nadabe e Baasa encarnam um tipo de liderança que mantém e aprofunda o erro. Eles “andam no caminho de Jeroboão”, isto é, consolidam e perpetuam uma estrutura afastada de Deus. Isso alerta sobre o poder que decisões de liderança têm de moldar culturas inteiras: caminhos que hoje parecem apenas “escolhas pessoais” podem se tornar padrão para filhos, subordinados, igrejas ou comunidades. Na prática, o capítulo encoraja a avaliar quais caminhos têm sido repetidos sem questionamento, quais “altos” permanecem intocáveis na vida, quais alianças foram feitas mais por medo do que por convicção, e que tipo de legado espiritual, ético e relacional está sendo construído dia após dia.

Soul
Soul

Espiritualmente, 1 Reis 15 revela um Deus que conduz a história com um propósito maior do que os ciclos de ascensão e queda dos reis. A “lâmpada em Jerusalém” que Deus preserva por amor a Davi aponta para uma linha de esperança que atravessa a imperfeição humana. Essa lâmpada remete, em última instância, à promessa de um Rei definitivo, justo e eterno, que viria da casa de Davi. A avaliação constante dos reis “aos olhos do Senhor” é um lembrete de que a medida final da vida não é o sucesso político, a duração do reinado nem a estabilidade conquistada, mas a relação com Deus. Asa é lembrado não por uma liderança sem falhas, mas por ter um coração reto para com o Senhor. Nadabe e Baasa são lembrados principalmente pela escolha de permanecer no pecado de Jeroboão. Em termos eternos, importa mais a direção do coração do que a aparência de poder ou estabilidade. O juízo sobre a casa de Jeroboão, cumprindo a palavra do profeta, levanta a consciência da seriedade do pecado que desvia um povo inteiro da verdadeira adoração. Espiritualmente, isso sublinha a importância da fidelidade, não apenas individual, mas comunitária: quando a adoração é corrompida, a visão de Deus é distorcida, e isso impacta a maneira como as pessoas vivem, esperam e entendem o sentido da vida. A história de Asa, misto de fidelidade e fragilidade, aponta para a necessidade de um Rei maior, que não vacile entre confiança em Deus e alianças humanas, que não deixe altos intocados nem perpetue qualquer idolatria. Esse anseio encontra resposta no Reino de Deus, em que o Rei é ao mesmo tempo justo e salvador, plenamente fiel e completamente confiável. Para a alma, o capítulo convida a olhar além das mudanças de governantes, das crises e das guerras, e a perceber o fio da fidelidade divina que atravessa tudo. Esse fio conduz ao chamado para uma confiança mais profunda: viver, escolher e servir à luz da realidade de que Deus está escrevendo uma história que não termina nos tronos terrenos, mas se cumpre na comunhão eterna com Ele.

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Versículos em 1 Reis 15

1 Reis 15:3

" E andou em todos os pecados que seu pai tinha cometido antes dele; e seu coração não foi perfeito para com o Senhor seu Deus como o coração de Davi, seu pai. "

1 Reis 15:4

" Mas por amor de Davi o Senhor seu Deus lhe deu uma lâmpada em Jerusalém, levantando a seu filho depois dele, e confirmando a Jerusalém. "

1 Reis 15:5

" Porquanto Davi tinha feito o que era reto aos olhos do Senhor, e não se tinha desviado de tudo quanto lhe ordenara em todos os dias da sua vida, senão só no negócio de Urias, o heteu. "

1 Reis 15:7

" Quanto ao mais dos atos de Abias, e a tudo quanto fez, porventura não está escrito no livro das crônicas dos reis de Judá? Também houve guerra entre Abias e Jeroboão. "

1 Reis 15:13

" E até a Maaca, sua mãe, removeu para que não fosse rainha, porquanto tinha feito um horrível ídolo a Aserá; também Asa desfez o seu ídolo horrível, e o queimou junto ao ribeiro de Cedrom. "

1 Reis 15:14

" Os altos, porém, não foram tirados; todavia foi o coração de Asa reto para com o Senhor todos os seus dias. "

1 Reis 15:15

" E à casa do Senhor trouxe as coisas consagradas por seu pai, e as coisas que ele mesmo consagrara; prata, ouro e vasos. "

1 Reis 15:17

" Porque Baasa, rei de Israel, subiu contra Judá, e edificou a Ramá, para que a ninguém fosse permitido sair, nem entrar a ter com Asa, rei de Judá. "

1 Reis 15:18

" Então Asa tomou toda a prata e ouro que ficaram nos tesouros da casa do Senhor, e os tesouros da casa do rei, e os entregou nas mãos de seus servos; e o rei Asa os enviou a Ben-Hadade, filho de Tabrimom, filho de Heziom, rei da Síria, que habitava em Damasco, dizendo: "

1 Reis 15:19

" Haja acordo entre mim e ti, como houve entre meu pai e teu pai; eis que te mando um presente, prata e ouro; vai, e anula o teu acordo com Baasa, rei de Israel, para que se retire de sobre mim. "

1 Reis 15:20

" E Ben-Hadade deu ouvidos ao rei Asa, e enviou os capitães dos seus exércitos contra as cidades de Israel; e feriu a Ijom, e a Dã, e a Abel-Bete-Maaca, e a toda a Quinerete, com toda a terra de Naftali. "

1 Reis 15:22

" Então o rei Asa fez apregoar por toda a Judá que todos, sem exceção, trouxessem as pedras de Ramá, e a sua madeira com que Baasa edificara; e com elas edificou o rei Asa a Geba de Benjamim e a Mizpá. "

1 Reis 15:23

" Quanto ao mais de todos os atos de Asa, e a todo o seu poder, e a tudo quanto fez, e as cidades que edificou, porventura não está escrito no livro das crônicas dos reis de Judá? Porém, no tempo da sua velhice, padeceu dos pés. "

1 Reis 15:24

" E Asa dormiu com seus pais, e foi sepultado com seus pais na cidade de Davi, seu pai; e Jeosafá, seu filho, reinou em seu lugar. "

1 Reis 15:25

" E Nadabe, filho de Jeroboão, começou a reinar sobre Israel no ano segundo de Asa, rei de Judá; e reinou sobre Israel dois anos. "

1 Reis 15:26

" E fez o que era mau aos olhos do Senhor; e andou nos caminhos de seu pai, e no seu pecado com que seu pai fizera pecar a Israel. "

1 Reis 15:27

" E conspirou contra ele Baasa, filho de Aías, da casa de Issacar, e feriu-o Baasa em Gibetom, que era dos filisteus, quando Nadabe e todo o Israel cercavam a Gibetom. "

1 Reis 15:29

" Sucedeu que, reinando ele, feriu a toda a casa de Jeroboão; nada de Jeroboão deixou que tivesse fôlego, até o destruir, conforme à palavra do Senhor que dissera pelo ministério de seu servo Aías, o silonita. "

1 Reis 15:30

" Por causa dos pecados que Jeroboão cometera, e fez pecar a Israel, e por causa da provocação com que irritara ao Senhor Deus de Israel. "

1 Reis 15:30 mostra que os pecados de Jeroboão tiveram consequências sérias para ele e para todo o povo. Deus leva a sério quando alguém …

Ler análise completa

1 Reis 15:31

" Quanto ao mais dos atos de Nadabe, e a tudo quanto fez, porventura não está escrito no livro das crônicas dos reis de Israel? "

1 Reis 15:33

" No ano terceiro de Asa, rei de Judá, Baasa, filho de Aías, começou a reinar sobre todo o Israel em Tirza, e reinou vinte e quatro anos. "

1 Reis 15:34

" E fez o que era mau aos olhos do Senhor; e andou no caminho de Jeroboão, e no pecado com que ele tinha feito Israel pecar. "

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