Deuteronômio 11:1
" Amarás, pois, ao SENHOR teu Deus, e guardarás as suas ordenanças, e os seus estatutos, e os seus juízos, e os seus mandamentos, todos os dias. "
Entenda os temas principais e aplique Deuteronômio 11 na sua vida hoje
32 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Moisés apela diretamente à geração que viu com os próprios olhos os atos poderosos de Deus no Egito, no deserto e no juízo sobre Datã e Abirão. A obediência não é apresentada como um peso, mas como resposta grata à graça e ao cuidado já experimentados.
Guardar os mandamentos é o caminho para receber força, entrar, possuir e permanecer na terra que mana leite e mel. A vida longa e estável na herança prometida está ligada a uma postura contínua de fidelidade.
Ao contrário do Egito, irrigado por esforço humano, a terra prometida depende da chuva do céu. Isso mostra que a prosperidade em Canaã não viria de técnicas humanas, mas do cuidado constante de Deus, que vigia a terra do início ao fim do ano.
Moisés alerta contra o engano do coração que leva a servir outros deuses. A infidelidade traria juízo: céus fechados, ausência de chuva, terra estéril e perda precoce da boa terra. A idolatria é vista como ruptura direta com a fonte de vida.
As palavras de Deus devem ser colocadas no coração e na alma, atadas às mãos, entre os olhos, escritas nas casas e ensinadas diligentemente aos filhos em todas as situações. A vida do povo é chamada a girar em torno da Palavra, formando gerações moldadas pela verdade de Deus.
Moisés apresenta de modo solene a escolha diante de Israel: bênção pela obediência e maldição pela desobediência e idolatria. A futura proclamação no monte Gerizim e no monte Ebal simboliza a seriedade da aliança e das consequências das escolhas espirituais.
Deuteronômio 11 faz parte dos discursos finais de Moisés às vésperas da entrada de Israel na terra prometida. O povo está nas planícies de Moabe, prestes a atravessar o Jordão sob a liderança de Josué. A geração que ouvira diretamente a voz de Deus no Sinai e vira os feitos poderosos no Egito e no deserto está viva, e Moisés apela à memória coletiva dessas experiências para fundamentar a obediência futura.
A referência a Datã e Abirão (v.6) remete ao episódio da rebelião narrado em Números 16, em que a terra se abriu e os tragou, servindo como advertência contundente contra a rebeldia. A menção ao Egito (v.10) contrasta um sistema agrícola baseado em irrigação manual (provavelmente ligado ao Nilo) com a dependência da chuva em Canaã. Isso enfatiza que a vida na nova terra exigiria confiança constante em Deus.
Os montes Gerizim e Ebal (v.29-30) localizam-se na região central de Canaã, próximos a Siquém. Mais tarde, em Josué 8, o povo realmente se reunirá ali para renovar a aliança, conforme as instruções antecipadas aqui. O capítulo, assim, coloca o povo entre o passado (Egito e deserto), o presente de decisão nas fronteiras da terra e o futuro de vida em Canaã sob as bênçãos ou maldições da aliança.
O capítulo apresenta uma estrutura exortativa clara, típica dos discursos de aliança:
Deuteronômio 11 aprofunda o entendimento da aliança entre Deus e Israel como uma relação de amor, obediência e consequências claras. O amor a Deus (v.1, 13, 22) não é meramente emocional, mas se expressa em guardar ordenanças, estatutos, juízos e mandamentos. A obediência não é um caminho para conquistar o amor divino, mas a resposta adequada a um Deus que já libertou, sustentou e guardou o seu povo.
O capítulo mostra a soberania de Deus sobre a criação, especialmente sobre a chuva e a fertilidade da terra (v.11-15, 17). Ele não é um deus local ou limitado, mas Senhor que vigia a terra do início ao fim do ano. O cuidado de Deus é constante e ativo, porém ligado à fidelidade do povo em contexto de aliança.
A teologia da retribuição está fortemente presente: bênção associada à obediência, maldição à desobediência e à idolatria (v.26-28). Essa dinâmica, contudo, está inserida na relação de pacto: Deus já escolheu e abençoou o povo; agora, chama Israel a viver de modo coerente com essa identidade. A idolatria é tratada não só como erro religioso, mas como traição ao Deus que se revelou e salvou (v.16-17, 28).
Outro aspecto central é a teologia da Palavra de Deus. As palavras do Senhor devem ser internalizadas (coração e alma), visibilizadas (mão, testa, casa, portas) e transmitidas (filhos) (v.18-20). A fé não é apenas individual, mas comunitária e geracional. A vida do povo é chamada a ser estruturada em torno da revelação divina, formando uma cultura moldada pela lei de Deus.
Por fim, a referência a Gerizim e Ebal (v.29-30) destaca a dimensão litúrgica e pública da aliança: bênçãos e maldições seriam proclamadas em assembleia, tornando a responsabilidade diante de Deus algo visível, solene e compartilhado.
Este capítulo oferece uma visão profundamente estabilizadora para a saúde emocional e espiritual. Ao lembrar as obras de Deus no passado, Moisés ensina que a identidade do povo não se fundamenta em suas falhas ou medos, mas nos atos de salvação e cuidado divinos. Essa memória cura sentimentos de abandono e insegurança, mostrando que a história é marcada pela fidelidade de Deus.
A ênfase no amor de Deus que cuida da terra “desde o princípio até ao fim do ano” (v.12) reforça a ideia de presença constante. Para corações ansiosos, isso oferece um contraponto à sensação de estar à mercê do acaso. A prosperidade da terra depende da chuva que vem de Deus, não apenas de esforço humano, o que alivia o peso de autocobrança excessiva e de controle total sobre os resultados da vida.
O chamado a guardar a Palavra no coração, na alma e no ambiente (v.18-20) aponta para um tipo de “higiene mental e espiritual”: manter o pensamento, o cotidiano e o lar permeados pelas verdades de Deus. Isso contribui para reorganizar crenças internas distorcidas, lembrando continuamente quem Deus é e quem o povo é diante dele.
Ao mesmo tempo, o texto não esconde a seriedade das consequências da infidelidade. A linguagem de bênção e maldição, quando mal compreendida, pode ser internalizada de modo culposo e rígido. Uma leitura terapêutica ressalta que o objetivo não é produzir terror paralisante, mas advertência responsável: afastar-se de Deus significa afastar-se da fonte de vida. A intenção é proteger o povo, não esmagá-lo.
A dimensão comunitária — ensinar os filhos, falar em casa, no caminho, ao deitar e ao levantar (v.19) — destaca a importância de ambientes relacionais saudáveis, onde a fé é compartilhada de forma natural. Isso dá suporte emocional e espiritual intergeracional, reduzindo a solidão e o peso individualizado da fé.
Alguns elementos do capítulo podem despertar gatilhos em pessoas com histórico de espiritualidade marcada por medo, controle ou culpa excessiva.
Linguagem de ira, seca e destruição (v.17): A descrição da ira do Senhor, céus fechados e perecimento da boa terra pode ser interpretada por pessoas vulneráveis como sinal de que qualquer falha pessoal trará, de imediato, punições severas em todas as áreas da vida. Em contextos de transtornos de ansiedade, depressão ou escrúpulos religiosos, isso pode intensificar pensamentos catastróficos e autocondenação.
Bênção e maldição como alternativas rígidas (v.26-28): A apresentação da bênção e da maldição pode ser lida de forma simplista, como se toda dificuldade fosse prova de maldição pessoal. Isso pode agravar sentimentos de inadequação e aumentar o medo de Deus, especialmente em quem já carrega experiências traumáticas com autoridade religiosa ou familiar.
Ênfase na obediência diligente (v.8, 13, 22, 32): Para pessoas com tendência a perfeccionismo espiritual, a insistência em “guardar diligentemente” pode gerar uma sensação de que nunca é suficiente e de que Deus está sempre desapontado. Isso pode alimentar ansiedade espiritual, especialmente se desvinculado da consciência da graça, do perdão e da paciência de Deus ao longo da história bíblica.
Juízo sobre Datã e Abirão (v.6): A imagem da terra se abrindo e tragando pessoas pode ser muito perturbadora para quem tem histórico de traumas, medos intensos de punição ou imaginação sensível a figuras de destruição.
Uma leitura pastoralmente sensível deve situar este capítulo no conjunto da revelação bíblica, lembrando que a intenção é proteger o povo de caminhos de morte, não alimentar culpa doentia. É importante reforçar que lutas emocionais, doenças e sofrimentos não são, por si, prova de maldição pessoal, e que Deus se revela na Escritura também como cheio de compaixão, longanimidade e disposição para restaurar.
Deuteronômio 11 oferece princípios práticos para a vida pessoal, familiar e comunitária.
Viver a fé a partir da memória de Deus: Moisés chama o povo a lembrar o que Deus fez. Na prática, isso inspira a cultivar uma memória espiritual: registrar respostas de oração, lembrar momentos de livramento, agradecer pelo cuidado em situações difíceis. Isso fortalece a confiança para decisões presentes.
Obediência como caminho de estabilidade: A ligação entre obedecer e “ser forte” (v.8) aponta para uma vida construída sobre princípios sólidos. Honradez, fidelidade, justiça e misericórdia, fundamentadas na Palavra, tendem a gerar relacionamentos mais saudáveis, maior credibilidade e decisões menos impulsivas.
Reconhecer a dependência de Deus, não só do esforço próprio: O contraste entre Egito e Canaã mostra que trabalho é importante, mas não é tudo. Em termos práticos, significa planejar, estudar e trabalhar com responsabilidade, sem perder a consciência de que resultados, oportunidades e frutos dependem também da graça e direção de Deus.
Cuidar do coração para evitar idolatrias modernas: O alerta para que o coração não se engane (v.16) pode se aplicar a tudo o que toma o lugar central de Deus: sucesso, dinheiro, imagem, relações, poder. Praticamente, isso implica examinar o que mais ocupa tempo, pensamentos e expectativas, e realinhar prioridades.
Integrar a Palavra no cotidiano: Falar da Palavra em casa, no caminho, ao deitar e ao levantar (v.19) inspira hábitos simples: leituras breves em família, conversas naturais sobre fé em situações do dia a dia, textos bíblicos visíveis em casa, uso da Escritura em decisões e conflitos. Não se trata de formalismo, mas de tornar a fé parte da vida comum.
Educação espiritual dos filhos: O capítulo reforça o papel de pais e responsáveis como principais transmissores da fé. Isso inclui explicar quem Deus é, compartilhar histórias bíblicas, modelar arrependimento e perdão, e mostrar, pelo exemplo, como confiar em Deus em tempos bons e maus.
Levar a sério as consequências das escolhas: A bênção e a maldição lembram que decisões têm impacto. Praticamente, isso encoraja a pensar no longo prazo: que frutos cada escolha tende a produzir na vida pessoal, familiar e comunitária.
Viver com consciência da presença de Deus sobre a “terra” da própria vida: Assim como Deus vela sobre a terra desde o princípio até o fim do ano (v.12), a fé convida a enxergar cada estação da vida — começo, meio e fim de processos — sob o olhar atento de Deus, o que motiva fidelidade contínua, não apenas em momentos isolados.
Nos versículos 2-7, Moisés enfatiza que seus ouvintes viram com os próprios olhos as pragas do Egito, a travessia do mar Vermelho, o cuidado no deserto e o juízo sobre Datã e Abirão. Isso reforça a responsabilidade dessa geração: eles não receberam apenas relatos, mas testemunharam diretamente a fidelidade e a santidade de Deus. O argumento é que quem experimentou tão claramente a ação divina tem ainda mais motivo para responder com amor e obediência genuínos, e também para ensinar as gerações seguintes.
Nos versículos 10-12, o Egito é descrito como uma terra irrigada “com o teu pé”, indicando um sistema de irrigação baseado no esforço humano e na manipulação das águas do Nilo. Já Canaã é apresentada como terra de montes e vales que bebe a água da chuva do céu, vigiada por Deus o ano todo. A comparação ensina que a vida na terra prometida exigiria confiança constante em Deus, não apenas em técnicas humanas. A prosperidade do povo dependeria da bênção divina, não só do trabalho, convidando a um relacionamento de dependência e gratidão.
Nos versículos 18-20, essa linguagem tem um sentido tanto simbólico quanto prático. Colocar as palavras no coração e na alma aponta para uma internalização profunda: a vontade de Deus deve moldar pensamentos, desejos e decisões. Atar na mão e entre os olhos indica que a Palavra deve orientar ações (mão) e visão de mundo (olhos). Escrever nas casas e portas mostra que o ambiente familiar e social deve ser marcado pela lembrança da lei de Deus. Ao longo da história judaica, isso gerou práticas literais, como filactérios e mezuzás, mas o foco central do texto é que a Palavra permeie toda a vida.
Os versículos 13-15 e 17 inserem a chuva e a fertilidade da terra dentro das bênçãos e maldições da aliança. Em um contexto agrícola, chuva no tempo certo significava vida, alimento e estabilidade, enquanto seca representava ameaça séria. O texto ensina que, como povo da aliança, Israel deveria enxergar sua realidade agrícola como diretamente relacionada à fidelidade a Deus, não de maneira mecânica, mas como princípio da relação de pacto: se o povo abandonasse a Deus por ídolos, estaria se afastando da fonte que sustenta a criação. A mensagem principal é que a vida material e a vida espiritual não estão separadas; a confiança em Deus deve abranger todas as áreas.
Nos versículos 29-30, Gerizim e Ebal são apresentados como lugares onde a bênção e a maldição seriam proclamadas quando o povo entrasse na terra. Mais tarde, em Josué 8, essa cerimônia de renovação da aliança acontece. Teologicamente, os dois montes funcionam como um cenário pedagógico: diante de todo o povo reunido, as consequências da obediência e da desobediência são lidas em voz alta. Isso transforma a aliança em algo público, comunitário e memorável, gravando no coração de Israel que sua vida em Canaã estaria continuamente ligada à resposta que dariam à Palavra de Deus.
Deuteronômio 11 mostra um Deus profundamente envolvido com a história do seu povo. Não é um texto frio de regras; é a fala de um Deus que lembra: “Vocês viram o que Eu fiz por vocês.” Há uma ternura implícita nessa memória: Deus se apresenta como aquele que já protegeu, libertou, sustentou e até corrigiu quando foi necessário. Quando o capítulo fala que a terra é objeto do cuidado de Deus e que seus olhos estão sobre ela continuamente, desde o princípio até ao fim do ano (v.12), transparece um carinho constante. Não é cuidado esporádico, mas atenção ininterrupta. Isso fala ao coração de quem se sente esquecido ou invisível: a própria terra onde o povo vai viver é vigiada com interesse e amor. O chamado à obediência aqui não tem o tom de um tirano, mas o de um Pai que quer proteger da dor evitável. A advertência contra o engano do coração e a idolatria (v.16-17) soa como um pedido cuidadoso: não sigam caminhos que vão ferir vocês. A imagem da seca e da esterilidade ilustra o que acontece quando a vida se afasta da fonte de água viva. Há também uma beleza em como o capítulo fala da família: palavras de Deus sendo repetidas em casa, no caminho, ao deitar e ao levantar (v.19). É um retrato de fé compartilhada em ambiente de intimidade, com conversas que podem consolar, orientar e sustentar em tempos difíceis. Em vez de fé isolada, fé vivida na mesa, nas conversas simples, nos gestos cotidianos. Mesmo quando o texto fala de bênção e maldição, a intenção não é esmagar, mas mostrar a seriedade com que Deus leva a vida do seu povo. Ele se importa tanto, que não é indiferente às escolhas. Em toda a passagem, o pano de fundo é o amor de um Deus que chama para perto, que quer ser amado de todo o coração e que permanece atento a cada estação da jornada.
Do ponto de vista exegético, Deuteronômio 11 consolida a transição entre a recordação histórica dos atos de Deus e a apresentação sistemática dos estatutos que organizarão a vida em Canaã. O capítulo opera como um elo entre narrativa e legislação, fundamentando a obediência não em abstrações, mas em eventos salvíficos concretos. A delimitação do destinatário em 11.2-7 é crucial: Moisés aponta que fala com aqueles que testemunharam a disciplina e a grandeza de Deus. A memória coletiva de libertação (Egito), preservação (deserto) e juízo (Datã e Abirão) forma a base da teologia da aliança: o mesmo Deus que salva é o Deus que corrige, e ambos os aspectos pertencem à sua fidelidade. O contraste territorial Egito–Canaã (v.10-12) tem função teológica e pedagógica. Egito representa autonomia técnica e dependência de sistemas humanos; Canaã representa dependência da providência divina, expressa na chuva. Na estrutura deuteronomista, a terra não é apenas cenário, mas parceiro da aliança: responde à fidelidade ou infidelidade do povo (cf. v.13-17). Isso antecipa temas centrais dos livros históricos e proféticos, onde seca e esterilidade muitas vezes são interpretadas como sinais da ruptura da aliança. A seção sobre colocar as palavras no coração, nas mãos, entre os olhos e nas casas (v.18-20) é um desenvolvimento da chamada “shema” de Deuteronômio 6. O texto propõe uma pedagogia total: a Torá como centro da vida interior (coração), prática (mãos), cognitiva/interpretativa (olhos) e comunitária (casa e portas). Historicamente, esse trecho contribuiu para o surgimento de práticas judaicas como filactérios e mezuzás, embora o sentido original vá além de símbolos físicos, insistindo na integração da lei em toda a existência. Os versículos 26-28 introduzem formalmente a dicotomia bênção/maldição, que será amplamente desenvolvida em Deuteronômio 27–28. Gerizim e Ebal funcionam como palco geográfico dessa teologia: a própria topografia da terra será usada liturgicamente para marcar as alternativas da aliança. A narrativa posterior em Josué 8 mostra que não se trata de mera teoria, mas de um rito efetivamente realizado, selando a entrada de Israel na terra com uma renovação de compromisso. Assim, Deuteronômio 11 é um capítulo-chave para entender como a tradição deuteronomista articula história, lei, terra e culto em um único sistema teológico, onde a fidelidade a Yahweh é o eixo que sustenta a identidade e o destino de Israel.
Deuteronômio 11 traduz princípios espirituais em consequências práticas bem concretas: terra fértil ou seca, permanência ou perda, força ou fragilidade. Na linguagem do cotidiano, o capítulo mostra que escolhas espirituais se desdobram em realidades palpáveis. O apelo para lembrar o que Deus já fez (v.2-7) traz um princípio importante de vida: decisões mais sábias são tomadas quando se leva em conta a própria história. Quem ignora o que já viveu com Deus tende a repetir erros ou viver como se estivesse começando do zero o tempo todo. Em termos práticos, isso incentiva a revisar o passado com honestidade, enxergar padrões e aprender com eles. O contraste entre Egito e Canaã (v.10-12) também fala à gestão da vida: existem modos de viver baseados apenas em esforço próprio, controle e cálculo, e modos que reconhecem limites, dependência de fatores que não controlamos e necessidade de confiança. Isso não elimina o trabalho; pelo contrário, coloca o trabalho em parceria com a fé, não em substituição a ela. A insistência em ensinar a Palavra aos filhos e falar dela em todas as situações (v.19) sugere um estilo de vida em que a fé não fica restrita ao ambiente religioso formal. Em termos de família, isso se traduz em conversas naturais sobre princípios bíblicos diante de situações reais: conflitos, decisões financeiras, problemas na escola, desafios no trabalho. A fé fornece critérios para escolhas diárias, não apenas consolo em momentos de crise. Quando o texto associa obediência à força (v.8) e à possibilidade de permanecer na terra (v.9, 21), emerge um princípio de estabilidade: viver de modo íntegro, justo e fiel tende a gerar confiança, reputação sólida e relacionamentos menos frágeis. Isso não significa ausência de problemas, mas indica uma direção: quem alinha vida e valores de acordo com a vontade de Deus geralmente constrói sobre fundamentos mais firmes. Por fim, a apresentação da bênção e da maldição (v.26-28) recorda que neutralidade não existe. Diariamente, escolhas pequenas e grandes colaboram com um caminho ou com outro. Organizar a rotina, os relacionamentos, o trabalho e as finanças à luz da Palavra não é religiosidade vazia, mas uma forma consciente de caminhar em direção a uma vida mais coerente, frutífera e estável.
" Amarás, pois, ao SENHOR teu Deus, e guardarás as suas ordenanças, e os seus estatutos, e os seus juízos, e os seus mandamentos, todos os dias. "
" E hoje sabereis que falo, não com vossos filhos, que o não sabem, e não viram a instrução do Senhor vosso Deus, a sua grandeza, a sua mão forte, e o seu braço estendido; "
" Nem tampouco os seus sinais, nem os seus feitos, que fez no meio do Egito a Faraó, rei do Egito, e a toda a sua terra; "
" Nem o que fez ao exército dos egípcios, aos seus cavalos e aos seus carros, fazendo passar sobre eles as águas do Mar Vermelho quando vos perseguiam, e como o Senhor os destruiu, até ao dia de hoje; "
" Nem o que vos fez no deserto, até que chegastes a este lugar; "
" E o que fez a Datã e a Abirão, filhos de Eliabe, filho de Rúben; como a terra abriu a sua boca e os tragou com as suas casas e com as suas tendas, como também tudo o que subsistia, e lhes pertencia, no meio de todo o Israel; "
" Porquanto os vossos olhos são os que viram toda a grande obra que fez o Senhor. "
" Guardai, pois, todos os mandamentos que eu vos ordeno hoje, para que sejais fortes, e entreis, e ocupeis a terra que passais a possuir; "
" E para que prolongueis os dias na terra que o Senhor jurou dar a vossos pais e à sua descendência, terra que mana leite e mel. "
" Porque a terra que passas a possuir não é como a terra do Egito, de onde saíste, em que semeavas a tua semente, e a regavas com o teu pé, como a uma horta. "
" Mas a terra que passais a possuir é terra de montes e de vales; da chuva dos céus beberá as águas; "
" Terra de que o Senhor teu Deus tem cuidado; os olhos do Senhor teu Deus estão sobre ela continuamente, desde o princípio até ao fim do ano. "
" E será que, se diligentemente obedecerdes a meus mandamentos que hoje vos ordeno, de amar ao Senhor vosso Deus, e de o servir de todo o vosso coração e de toda a vossa alma, "
" Então darei a chuva da vossa terra a seu tempo, a temporã e a serôdia, para que recolhais o vosso grão, e o vosso mosto e o vosso azeite. "
" E darei erva no teu campo aos teus animais, e comerás, e fartar-te-ás. "
" Guardai-vos, que o vosso coração não se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos inclineis perante eles; "
" E a ira do Senhor se acenda contra vós, e feche ele os céus, e não haja água, e a terra não dê o seu fruto, e cedo pereçais da boa terra que o Senhor vos dá. "
" Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por frontais entre os vossos olhos. "
" E ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te; "
" E escreve-as nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas; "
" Para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o Senhor jurou a vossos pais dar-lhes, como os dias dos céus sobre a terra. "
" Porque se diligentemente guardardes todos estes mandamentos, que vos ordeno para os guardardes, amando ao Senhor vosso Deus, andando em todos os seus caminhos, e a ele vos achegardes, "
" Também o Senhor, de diante de vós, lançará fora todas estas nações, e possuireis nações maiores e mais poderosas do que vós. "
" Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé será vosso; desde o deserto, e desde o Líbano, desde o rio, o rio Eufrates, até ao mar ocidental, será o vosso termo. "
" Ninguém resistirá diante de vós; o Senhor vosso Deus porá sobre toda a terra, que pisardes, o vosso terror e o temor de vós, como já vos tem dito. "
" Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição; "
" A bênção, quando cumprirdes os mandamentos do Senhor vosso Deus, que hoje vos mando; "
" Porém a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do Senhor vosso Deus, e vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes. "
" E será que, quando o Senhor teu Deus te introduzir na terra, a que vais para possuí-la, então pronunciarás a bênção sobre o monte Gerizim, e a maldição sobre o monte Ebal. "
" Porventura não estão eles além do Jordão, junto ao caminho do pôr do sol, na terra dos cananeus, que habitam na campina defronte de Gilgal, junto aos carvalhais de Moré? "
" Porque passareis o Jordão para entrardes a possuir a terra, que vos dá o Senhor vosso Deus; e a possuireis, e nela habitareis. "
" Tende, pois, cuidado em cumprir todos os estatutos e os juízos, que eu hoje vos proponho. "
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