Deuteronômio 12:1
" Estes são os estatutos e os juízos que tereis cuidado em cumprir na terra que vos deu o SENHOR Deus de vossos pais, para a possuir todos os dias que viverdes sobre a terra. "
Entenda os temas principais e aplique Deuteronômio 12 na sua vida hoje
32 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Israel é chamado a destruir totalmente os lugares de culto pagãos e apagar o nome dos falsos deuses. A adoração ao Senhor não pode ser misturada com práticas idólatras nem copiada dos povos vizinhos.
Os sacrifícios, dízimos e votos devem ser levados a um lugar específico que o Senhor escolher para fazer habitar o seu nome. Isso regula a adoração, preserva a pureza do culto e mantém o povo unido em torno da presença de Deus.
A adoração não é apenas dever, mas ocasião de celebração. O povo é chamado a se alegrar perante o Senhor, envolvendo família, servos e levitas, compartilhando as bênçãos recebidas.
Como os levitas não têm herança de terra, o povo é lembrado de incluí-los nas refeições sagradas e de não os abandonar. A fidelidade a Deus se expressa também no cuidado com aqueles que dependem da comunidade.
O sangue é associado à vida e, por isso, não deve ser consumido, mas derramado sobre a terra. Essa prática reforça a santidade da vida e distingue refeições comuns dos sacrifícios ao Senhor.
Deuteronômio 12 está situado no contexto dos discursos finais de Moisés, às vésperas da entrada de Israel em Canaã. O povo está acampado nas planícies de Moabe, após o êxodo do Egito e décadas de peregrinação pelo deserto. As nações que habitavam a terra praticavam cultos idólatras em lugares altos, bosques e sob árvores frondosas, muitas vezes envolvendo imoralidade e rituais cruéis, inclusive sacrifício de crianças (v. 31).
Moisés, antecipando a transição da vida nômade no deserto para a vida estabelecida numa terra fértil e repleta de influências religiosas pagãs, define como deveria funcionar o culto israelita na nova realidade. Em vez de altares múltiplos e locais autodefinidos, Deus estabelece um lugar central de adoração, que mais tarde se concretiza em sítios como Siló e, finalmente, Jerusalém, com o templo de Salomão. Os levitas, sem herança territorial, dependiam dos dízimos e ofertas para subsistência, o que explica a ênfase em incluí-los nas celebrações (vv. 12, 18-19).
A proibição de comer sangue se insere num contexto em que o sangue já era entendido como elemento central nos sacrifícios e símbolo da vida. Em um mundo antigo repleto de cultos que manipulavam sangue em rituais mágicos, Israel é chamado a tratar o sangue com respeito e a associá-lo exclusivamente ao culto designado por Deus. O capítulo responde a uma necessidade histórica de proteger o povo da assimilação religiosa e manter a identidade espiritual diante das nações.
O capítulo apresenta uma estrutura didática, típica dos discursos de Moisés, organizada em blocos temáticos, com repetições e advertências para fixar o ensino:
Introdução do tema geral: estatutos para a terra prometida (v. 1)
Verso programático que introduz os mandamentos a serem observados na terra que o Senhor dá.
Destruição dos lugares de culto pagãos (vv. 2-4)
Ordem detalhada para derrubar altares, quebrar estátuas, queimar bosques e apagar o nome dos deuses. Termina com um contraste: "Assim não fareis ao Senhor vosso Deus".
Centralização do culto no lugar escolhido por Deus (vv. 5-7)
Apresentação do "lugar" onde Deus colocará o seu nome. Lista das ofertas a serem levadas e descreve a alegria diante do Senhor.
Transição: da prática atual para a vida de descanso na terra (vv. 8-10)
Contraste entre o presente (cada um fazendo o que parece bem aos seus olhos) e o futuro de descanso e segurança na terra.
Repetição e detalhamento da centralização do culto (vv. 11-14)
Nova menção ao lugar escolhido por Deus, com reforço: não oferecer holocaustos em qualquer lugar, mas apenas ali.
Refeições comuns de carne e respeito ao sangue (vv. 15-16)
Permissão para comer carne dentro das portas, com a ressalva da proibição do sangue.
Distinção entre dízimos/ofertas e consumo privado (vv. 17-19)
O que é consagrado deve ser comido diante do Senhor, no lugar escolhido, incluindo família e levitas. Lembra-se de não abandonar o levita.
Repetição e ampliação da permissão de carne fora do santuário (vv. 20-25)
Considera distâncias maiores ao lugar sagrado. Reitera a proibição de comer sangue e liga a obediência ao bem das futuras gerações.
Sacrifícios e lugar santo (vv. 26-27)
As coisas santas são levadas ao lugar escolhido, e o sangue é derramado sobre o altar do Senhor.
Apelo à obediência para o bem duradouro (v. 28)
Síntese que vincula ouvir e guardar as palavras ao bem permanente para o povo e seus filhos.
Advertência contra imitar a idolatria das nações (vv. 29-31)
Alerta para não se deixar enlaçar pelos costumes religiosos pagãos nem copiar seu modo de servir aos deuses, sobretudo práticas abomináveis e cruéis.
Conclusão normativa (v. 32)
Fecho solene: obedecer a tudo que Deus ordena, sem acrescentar nem diminuir, reforçando a integridade da revelação recebida.
Deuteronômio 12 traz implicações teológicas profundas sobre a natureza da adoração, a santidade de Deus e a identidade do povo da aliança.
Deus é adorado do jeito que Ele ordena, não do jeito que o ser humano prefere
O capítulo insiste que Israel não deve fazer "cada qual tudo o que bem parece aos seus olhos" (v. 8), nem copiar a forma como as nações servem seus deuses (v. 30). A adoração verdadeira é revelada, não inventada. Isso revela um Deus soberano, que define como deve ser buscado, mostrando que a fé bíblica é resposta obediente à revelação divina, e não expressão de criatividade religiosa humana.
Soberania de Deus sobre o lugar da adoração
O "lugar que o Senhor vosso Deus escolher" aparece repetidas vezes (vv. 5, 11, 14, 18, 21, 26). Deus centraliza a adoração para proteger o povo da fragmentação espiritual e da contaminação com práticas pagãs. Teologicamente, isso antecipa a ideia de Deus habitar no meio do seu povo de forma especial e ordenada, e aponta para a centralidade da presença de Deus, não apenas de um espaço geográfico.
Santidade e exclusividade de Deus
A destruição dos altares e imagens (vv. 2-3) enfatiza que o Senhor não aceita rivais. Ele é o Deus único de Israel, e qualquer mistura com idolatria é traição espiritual. A exclusividade do culto ao Senhor é uma expressão concreta do primeiro mandamento, reafirmando a aliança: Israel pertence exclusivamente a Deus.
Adoração como alegria comunitária na presença de Deus
Longe de ser um fardo, o culto é descrito como ocasião de alegria e celebração diante do Senhor, envolvendo famílias, servos e levitas (vv. 7, 12, 18). A teologia de Deuteronômio une obediência e alegria, sacrifício e festa, mostrando um Deus que chama seu povo a desfrutar das bênçãos na sua presença.
Valor da vida simbolizado no sangue
A insistência em não comer o sangue (vv. 16, 23-25) destaca a convicção de que "o sangue é vida". A vida pertence a Deus, e o uso do sangue nos sacrifícios aponta para a seriedade do pecado e a necessidade de expiação. Essa teologia do sangue prepara terreno para a compreensão posterior do valor substitutivo dos sacrifícios e, na plenitude dos tempos, para a centralidade do sangue de Cristo.
Obediência integral e imutabilidade da Palavra
O fechamento com a ordem de não acrescentar nem diminuir aos mandamentos (v. 32) reflete a convicção de que a revelação de Deus é suficiente e autoritativa. Alterar a palavra é usurpar o lugar do próprio Deus. A vida do povo depende de ouvir, guardar e praticar o que Deus ordena (v. 28), ligando teologia, ética e futuro da comunidade.
A mensagem de Deuteronômio 12 oferece elementos que podem ser trabalhados de forma terapêutica em contextos de cuidado emocional e espiritual.
Limites claros como proteção e não apenas restrição
O capítulo estabelece fronteiras nítidas entre o culto a Deus e os cultos pagãos. Do ponto de vista emocional, limites claros trazem segurança. Assim como Israel é orientado a não fazer "o que bem parece" aos próprios olhos (v. 8), a vida humana se beneficia de referenciais estáveis, que protegem contra confusão, culpa e autodestruição.
Centralidade saudável: um foco que organiza o caos
A centralização do culto no "lugar que o Senhor escolher" funciona como eixo espiritual. Pessoas sobrecarregadas por múltiplas demandas e lealdades podem encontrar no foco em Deus um centro organizador para emoções, decisões e prioridades, reduzindo ansiedade e dispersão interna.
Alegria na presença de Deus e pertencimento comunitário
As cenas de alegria diante do Senhor, com família, servos e levitas juntos (vv. 7, 12, 18), apresentam um ideal de comunhão em que ninguém é esquecido. Para quem se sente isolado, invisível ou descartável, essa imagem de uma mesa ampla, onde todos participam, pode fortalecer o senso de dignidade e pertencimento.
Valor da vida e respeito ao corpo
A proibição de comer sangue, por associá-lo à vida (v. 23), reforça que a vida é preciosa e deve ser tratada com reverência. Em processos terapêuticos, esse princípio pode sustentar a ideia de cuidado com o corpo, afastamento de práticas autodestrutivas e reconhecimento de que a própria vida tem valor intrínseco.
Prevenção espiritual e emocional contra influências destrutivas
A advertência para não se deixar enlaçar pelos costumes das nações (vv. 29-30) reflete o cuidado com ambientes e influências. Em termos de saúde emocional, isso aponta para a importância de identificar relacionamentos, rotinas e conteúdos que alimentam padrões nocivos, e de estabelecer distância saudável quando necessário.
Continuidade geracional e esperança no futuro
A promessa de que a obediência trará bem para os filhos depois (vv. 25, 28) conecta as escolhas presentes a um futuro melhor. Isso pode fortalecer a motivação para mudanças pessoais, lembrando que decisões de hoje repercutem em gerações, oferecendo um sentido mais amplo para o esforço de transformação.
Definir um centro espiritual claro
Assim como Israel deveria buscar o lugar que o Senhor escolheria (v. 5), a vida se organiza quando há um centro espiritual claro. Priorizar tempo regular para estar diante de Deus, seja na leitura da Palavra, no culto comunitário ou em momentos de silêncio, ajuda a alinhar decisões e emoções.
Evitar misturas que deturpem a fé
A ordem de não imitar os cultos das nações (vv. 30-31) inspira cuidado com práticas, crenças e influências que distorcem a fé bíblica. É possível avaliar tradições, hábitos e conteúdos consumidos à luz do que é reto aos olhos do Senhor, e não apenas agradável ou popular.
Transformar obediência em alegria, não em peso
O capítulo associa mandamentos com celebração (“vos alegrareis perante o Senhor”, v. 7). Na prática, a obediência a Deus pode ser vivida como caminho de liberdade e alegria, substituindo a ideia de que servir a Deus é apenas renúncia e perda.
Cuidar de quem não tem proteção estrutural
A preocupação constante com o levita (vv. 12, 18-19) inspira atenção aos que dependem da solidariedade: pessoas sem amparo familiar, líderes que vivem do ministério, trabalhadores invisíveis. Decisões concretas de compartilhar recursos e incluir pessoas esquecidas em momentos de comunhão refletem a ética do capítulo.
Estabelecer limites saudáveis com o que é nocivo
A ordem de destruir altares e imagens pagãs (vv. 2-3) pode ser aplicada à necessidade de remover, da própria vida, ambientes, objetos ou rotinas que alimentam vícios, idolatrias modernas ou dependências. Não se trata de perseguição a pessoas, mas de afastar aquilo que desvia o coração de Deus.
Respeitar a vida em todas as dimensões
O ensino sobre o sangue como vida (v. 23) convida a tratar o próprio corpo e o dos outros com cuidado. Isso inclui hábitos saudáveis, rejeição da violência e postura de honra diante da vulnerabilidade alheia.
Lembrar que decisões espirituais impactam o futuro
A repetida ligação entre obediência e bem para os filhos depois (vv. 25, 28) incentiva escolhas responsáveis: investir em formação espiritual, justiça e integridade hoje cria um ambiente mais seguro e saudável para as próximas gerações.
A destruição dos altares, imagens e bosques pagãos (vv. 2-3) tem o objetivo de proteger Israel da idolatria e da assimilação religiosa. Os cultos das nações incluíam práticas abomináveis, como sacrifício de crianças (v. 31). Ao eliminar esses símbolos e lugares, o povo seria menos tentado a adotar costumes contrários ao caráter santo de Deus e à aliança estabelecida. O foco não é ódio a povos, mas rejeição radical de sistemas de culto que corrompem e desumanizam.
A expressão se refere a um local específico, dentro da terra de Israel, que Deus determinaria para concentrar o culto sacrificial, onde Ele faria habitar o seu nome (vv. 5, 11, 14). Historicamente, isso se concretizou em lugares como Siló e, mais tarde, Jerusalém com o templo. Teologicamente, indica que Deus é quem define onde e como será adorado, e que a unidade do povo se expressa ao redor da presença de Deus, não em altares espalhados conforme a vontade individual.
Deuteronômio 12 associa o sangue à vida: “o sangue é vida” (v. 23). Por isso, o sangue deveria ser derramado sobre a terra, ou sobre o altar no caso dos sacrifícios, e não consumido. Essa prática lembrava constantemente que a vida pertence a Deus, destacava a seriedade dos sacrifícios e distinguia Israel de práticas religiosas pagãs que usavam sangue de forma mágica ou profana. A proibição reforça o respeito pela vida e a santidade do culto.
O capítulo distingue entre: 1) carne que podia ser consumida livremente dentro das portas, conforme o desejo da alma, respeitando a proibição do sangue (vv. 15, 20-22); e 2) dízimos, primogênitos, votos e ofertas consagradas, que deviam ser levados ao lugar escolhido por Deus e ali consumidos na presença do Senhor, em contexto de culto e alegria comunitária (vv. 6-7, 11-12, 17-18). Assim, nem toda refeição é sacrifício, mas as ofertas consagradas pertencem a um contexto de adoração específica.
A expressão indica que o povo não deveria alterar o conteúdo da revelação de Deus, seja tornando-a mais rígida, seja mais branda. Acrescentar seria impor mandamentos que Deus não deu, e diminuir seria relativizar ou omitir aquilo que Ele ordenou. Essa instrução afirma que Deus é o autor da lei, e ninguém pode se colocar no lugar dele para modificar sua vontade. A segurança espiritual de Israel dependia de permanecer fiel ao que Deus realmente disse.
Deuteronômio 12 descreve um Deus que não deseja ver seu povo perdido em confusão, medo ou práticas que machucam. Há um cuidado amoroso em cada instrução. Quando o texto fala para não imitar as nações, nem perguntar como elas serviam seus deuses (v. 30), há uma proteção implícita: Deus sabe que certas práticas ferem profundamente a dignidade humana, geram culpa, peso e até trauma, como quando menciona sacrifícios de filhos (v. 31). A mesma voz que estabelece normas é a que convida à alegria: “vos alegrareis em tudo em que puserdes a vossa mão” (v. 7). Esse convite à alegria diante do Senhor aparece repetidas vezes, quase como um lembrete de que a presença de Deus não é um ambiente de terror, mas um lugar de festa, comunhão e descanso. Mesmo as exigências sobre o lugar de culto parecem servir para dar ao povo um ponto de encontro seguro, onde a presença divina se torna um refúgio compartilhado pela comunidade inteira. Há também um cuidado especial com quem poderia ser esquecido: o levita que “convosco não tem parte nem herança” (v. 12). A preocupação de Deus se estende às pessoas sem proteção, sem bens, que dependem da generosidade alheia. Isso revela um coração atento aos vulneráveis, que não aceita uma mesa cheia sem que todos tenham lugar. Em meio às advertências, transparece um Deus que não quer que ninguém viva à margem. O ensino sobre o sangue como vida (v. 23) também lembra que a vida, mesmo quando ferida ou cansada, é preciosa para Deus. Ele não banaliza o sofrimento, não trata a vida humana como descartável. Ao longo do capítulo, o cuidado de Deus se manifesta ao orientar, delimitar, convidar à alegria e proteger contra caminhos que, por mais atraentes que pareçam, levariam à dor. Nas entrelinhas, há um abraço firme e terno, que sustenta o povo enquanto atravessa uma nova fase da história.
Deuteronômio 12 inaugura a seção legal de Deuteronômio que trata da centralização do culto, tema crucial na teologia deuteronomista. O texto faz uma ponte entre a experiência do deserto, com certo pluralismo de lugares de culto, e a realidade da terra, onde haverá um locus definido para a presença de Deus. A expressão recorrente “o lugar que o Senhor vosso Deus escolher” é intencionalmente aberta, pois à época de Moisés o local específico ainda não estava revelado, preservando o foco na iniciativa divina, não no espaço em si. A ordem de destruir completamente os lugares de culto pagãos (vv. 2-3) está alinhada com a compreensão de que idolatria não é apenas erro doutrinário, mas ameaça existencial à aliança. Os “altos montes”, “outeiros” e “árvore frondosa” remetem à geografia típica dos cultos cananeus, que sacralizavam elementos da natureza. O contraste do versículo 4 (“Assim não fareis ao Senhor vosso Deus”) resume toda a lógica do capítulo: o Senhor deve ser adorado de modo qualitativamente distinto. Há um desenvolvimento interessante na legislação sobre consumo de carne e sangue. Em Levítico, especialmente no contexto do tabernáculo, a morte de animais estava fortemente associada ao sistema sacrificial. Aqui, à medida que a vida do povo se espalha pela terra e o santuário central pode ficar distante, permite-se que o abate doméstico seja feito para consumo comum (vv. 15, 20-22), desde que o sangue não seja ingerido. Por outro lado, os elementos consagrados (dízimos, primogênitos, votos) permanecem vinculados ao local sagrado (vv. 17-18, 26-27). Tem-se, assim, uma dinâmica entre sacralidade e cotidiano, onde a vida comum é reconhecida, mas o culto mantém sua singularidade. Do ponto de vista literário, o capítulo usa repetições estratégicas: “guardar”, “ouvir”, “alegrar-se”, “não comer o sangue”, “o lugar que o Senhor escolher”. Essas repetições não só reforçam a memória do povo, mas também estruturam o argumento de Moisés, que alterna instrução, promessa e advertência. O fechamento com “nada lhe acrescentarás nem diminuirás” (v. 32) ecoa fórmulas de tratados de aliança do antigo Oriente Próximo, onde o texto do tratado era considerado inviolável. Teologicamente, Deuteronômio 12 integra culto, ética e história. O modo de adorar está ligado ao destino do povo na terra, à justiça para com levitas e à prevenção de práticas desumanas. O capítulo funciona como eixo que conecta o primeiro mandamento (exclusividade de Deus) ao restante da legislação, mostrando que a organização do culto não é detalhe ritual, mas expressão concreta da aliança e da identidade israelita.
Deuteronômio 12 fala muito sobre organização: do culto, da vida comunitária e das prioridades. Ao entrar em uma nova fase, o povo recebe instruções práticas para não se perder no meio de tantas oportunidades e influências. O princípio de não fazer cada um “o que bem parece aos seus olhos” (v. 8) confronta diretamente a tendência humana de viver sem referências claras, guiada apenas por desejo pessoal ou costume do ambiente. Na prática, a centralização do culto no lugar escolhido por Deus cria um ritmo saudável: tempos específicos para ir, levar ofertas, celebrar com a família e incluir os levitas (vv. 5-7, 11-12, 18). Isso sugere um modelo de vida em que há momentos intencionais para parar, reconhecer a provisão de Deus, compartilhar o que se tem e lembrar de quem poderia ser esquecido. Em termos de gestão da vida diária, significa não deixar as responsabilidades e o trabalho ocuparem totalmente o espaço que deveria ser de adoração e comunhão. O cuidado com o levita (vv. 12, 18-19) é uma aplicação concreta de justiça e solidariedade. Pessoas que vivem sem herança de terra, ou sem os mesmos recursos dos outros, dependem da generosidade da comunidade. O texto sugere que uma vida alinhada com Deus não ignora os vulneráveis, mas os inclui sistematicamente na distribuição de bens e no prazer das festas. Isso se traduz, hoje, em práticas de partilha, apoio a quem serve no ensino da Palavra e atenção a quem não tem as mesmas oportunidades. Outro ponto prático é o tratamento responsável da liberdade. O povo recebe liberdade para comer carne conforme o desejo (vv. 15, 20-22), mas dentro de limites (não comer o sangue, vv. 16, 23-25). A liberdade é real, mas não absoluta. Essa combinação é um modelo importante para diversas áreas: uso de tempo, recursos financeiros, entretenimento. Há espaço para desfrutar, mas com consciência, respeito e limites que preservem a vida e a integridade espiritual. Por fim, o capítulo mostra que decisões espirituais são estratégicas. Evitar imitar práticas das nações (vv. 29-31) exige discernimento sobre o que se absorve da cultura. Muitas coisas podem parecer inofensivas ou até atraentes na superfície, mas carregam valores e práticas que, aos poucos, afastam do caráter de Deus. Uma vida prática orientada por Deuteronômio 12 é intencional: escolhe a quem ouvir, o que trazer para dentro de casa, como organizar o calendário e o orçamento, de forma que tudo reflita a prioridade de fazer o que é bom e reto aos olhos do Senhor (v. 28).
Deuteronômio 12 revela um movimento espiritual profundo: Deus conduz o povo da dispersão para a centralidade, da adoração difusa para um culto concentrado em sua presença. O “lugar que o Senhor escolher para ali pôr o seu nome” (v. 5) é mais do que um ponto no mapa; é um símbolo da realidade de que a vida espiritual encontra ordem quando se reúne em torno da presença de Deus, não de preferências humanas. O capítulo traz uma tensão importante para a alma: ou se vive copiando os modos das nações (v. 30), ou se aprende a viver orientado pela voz de Deus que diz: “Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer” (v. 32). Essa tensão atravessa as eras. O coração humano sempre será tentado a perguntar: “Como eles fazem?” em vez de perguntar: “O que o Senhor deseja?”. O texto mostra que seguir a rota da cultura pode levar a práticas que Deus chama de abomináveis (v. 31), isto é, profundamente contrárias ao seu caráter de amor, justiça e vida. Espiritualmente, o tratamento do sangue como vida (v. 23) aponta para a seriedade da relação entre Deus e o ser humano. A vida não é um recurso neutro, mas algo sagrado, que pertence ao Criador. No centro da adoração está o reconhecimento de que a vida é dom e que o acesso a Deus passa pela realidade de morte e substituição simbolizada nos sacrifícios. Essa lógica prepara o entendimento de que uma vida entregue por outra é o coração do plano de redenção. O convite à alegria perante o Senhor (vv. 7, 12, 18) é, em última análise, um convite à antecipação da comunhão plena. O culto na terra é um ensaio do descanso definitivo, em que não haverá mais inimigos em redor (v. 10) e em que a relação com Deus e com os outros será livre de medo e culpa. Ao chamar o povo a se alegrar na sua presença com filhos, servos e levitas, Deus sugere uma visão de futuro: um povo inteiro, restaurado, celebrando diante dele. A ordem de não acrescentar nem diminuir aos mandamentos (v. 32) também fala ao nível da vocação espiritual: a humanidade não foi chamada para ser autora do próprio caminho de salvação, mas para responder à revelação de Deus com confiança e obediência. A alma encontra descanso quando deixa de tentar reinventar o caminho para Deus e se rende ao caminho que Ele mesmo traça. Em Deuteronômio 12, esse caminho passa por exclusividade, santidade, alegria e fidelidade, apontando para uma vida centrada em Deus que se estende para além do tempo e alcança a eternidade.
" Estes são os estatutos e os juízos que tereis cuidado em cumprir na terra que vos deu o SENHOR Deus de vossos pais, para a possuir todos os dias que viverdes sobre a terra. "
" Totalmente destruireis todos os lugares, onde as nações que possuireis serviram os seus deuses, sobre as altas montanhas, e sobre os outeiros, e debaixo de toda a árvore frondosa; "
" E derrubareis os seus altares, e quebrareis as suas estátuas, e os seus bosques queimareis a fogo, e destruireis as imagens esculpidas dos seus deuses, e apagareis o seu nome daquele lugar. "
" Assim não fareis ao Senhor vosso Deus; "
" Mas o lugar que o Senhor vosso Deus escolher de todas as vossas tribos, para ali pôr o seu nome, buscareis, para sua habitação, e ali vireis. "
" E ali trareis os vossos holocaustos, e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos, e a oferta alçada da vossa mão, e os vossos votos, e as vossas ofertas voluntárias, e os primogênitos das vossas vacas e das vossas ovelhas. "
" E ali comereis perante o Senhor vosso Deus, e vos alegrareis em tudo em que puserdes a vossa mão, vós e as vossas casas, no que abençoar o Senhor vosso Deus. "
" Não fareis conforme a tudo o que hoje fazemos aqui, cada qual tudo o que bem parece aos seus olhos. "
" Porque até agora não entrastes no descanso e na herança que vos dá o Senhor vosso Deus. "
" Mas passareis o Jordão, e habitareis na terra que vos fará herdar o Senhor vosso Deus; e vos dará repouso de todos os vossos inimigos em redor, e morareis seguros. "
" Então haverá um lugar que escolherá o Senhor vosso Deus para ali fazer habitar o seu nome; ali trareis tudo o que vos ordeno; os vossos holocaustos, e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos, e a oferta alçada da vossa mão, e toda a escolha dos vossos votos que fizerdes ao Senhor. "
" E vos alegrareis perante o Senhor vosso Deus, vós, e vossos filhos, e vossas filhas, e os vossos servos, e as vossas servas, e o levita que está dentro das vossas portas; pois convosco não tem parte nem herança. "
" Guarda-te, que não ofereças os teus holocaustos em todo o lugar que vires; "
" Mas no lugar que o Senhor escolher numa das tuas tribos ali oferecerás os teus holocaustos, e ali farás tudo o que te ordeno. "
" Porém, conforme a todo o desejo da tua alma, matarás e comerás carne, dentro das tuas portas, segundo a bênção do Senhor teu Deus, que te dá em todas as tuas portas; o imundo e o limpo dela comerá, como do corço e do veado; "
" Tão-somente o sangue não comereis; sobre a terra o derramareis como água. "
" Dentro das tuas portas não poderás comer o dízimo do teu grão, nem do teu mosto, nem do teu azeite, nem os primogênitos das tuas vacas, nem das tuas ovelhas; nem nenhum dos teus votos, que houveres prometido, nem as tuas ofertas voluntárias, nem a oferta alçada da tua mão. "
" Mas os comerás perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher o Senhor teu Deus, tu, e teu filho, e a tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita que está dentro das tuas portas; e perante o Senhor teu Deus te alegrarás em tudo em que puseres a tua mão. "
" Guarda-te, que não desampares ao levita todos os teus dias na terra. "
" Quando o Senhor teu Deus dilatar os teus termos, como te disse, e disseres: Comerei carne; porquanto a tua alma tem desejo de comer carne; conforme a todo o desejo da tua alma, comerás carne. "
" Se estiver longe de ti o lugar que o Senhor teu Deus escolher, para ali pôr o seu nome, então matarás das tuas vacas e das tuas ovelhas, que o Senhor te tiver dado, como te tenho ordenado; e comerás dentro das tuas portas, conforme a todo o desejo da tua alma. "
" Porém, como se come o corço e o veado, assim comerás; o imundo e o limpo também comerão deles. "
" Somente esforça-te para que não comas o sangue; pois o sangue é vida; pelo que não comerás a vida com a carne; "
" Não o comerás; na terra o derramarás como água. "
" Não o comerás; para que bem te suceda a ti, e a teus filhos, depois de ti, quando fizeres o que for reto aos olhos do Senhor. "
" Porém, as coisas santas que tiveres, e os teus votos tomarás, e virás ao lugar que o Senhor escolher. "
" E oferecerás os teus holocaustos, a carne e o sangue sobre o altar do Senhor teu Deus; e o sangue dos teus sacrifícios se derramará sobre o altar do Senhor teu Deus; porém a carne comerás. "
" Guarda e ouve todas estas palavras que te ordeno, para que bem te suceda a ti e a teus filhos depois de ti para sempre, quando fizeres o que for bom e reto aos olhos do Senhor teu Deus. "
" Quando o Senhor teu Deus desarraigar de diante de ti as nações, aonde vais a possuí-las, e as possuíres e habitares na sua terra, "
" Guarda-te, que não te enlaces seguindo-as, depois que forem destruídas diante de ti; e que não perguntes acerca dos seus deuses, dizendo: Assim como serviram estas nações os seus deuses, do mesmo modo também farei eu. "
" Assim não farás ao Senhor teu Deus; porque tudo o que é abominável ao Senhor, e que ele odeia, fizeram eles a seus deuses; pois até seus filhos e suas filhas queimaram no fogo aos seus deuses. "
" Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás. "
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