Deuteronômio 28:1
" E será que, se ouvires a voz do SENHOR teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, o SENHOR teu Deus te exaltará sobre todas as nações da terra. "
Entenda os temas principais e aplique Deuteronômio 28 na sua vida hoje
68 versículos | Almeida Corrigida Fiel
A obediência à voz do Senhor é apresentada como o caminho para uma vida plenamente abençoada: na cidade e no campo, na família e no trabalho, na segurança frente aos inimigos e na prosperidade material. Israel seria estabelecido como povo santo e honrado entre as nações, reconhecido como pertencente ao Senhor.
A desobediência deliberada e contínua traz o reverso das bênçãos: aquilo que antes era protegido e frutífero se torna vulnerável e destruído. Doenças, perdas econômicas, conflitos familiares, opressão de estrangeiros e desintegração social são apresentados como consequências da ruptura com Deus.
As maldições ganham dimensão histórica: uma nação distante atacaria Israel, cercaria suas cidades, destruiria suas defesas e levaria o povo ao cativeiro. A terra prometida seria perdida, e o povo seria espalhado entre as nações, servindo a deuses estranhos. O exílio é apresentado como juízo máximo pela infidelidade.
Tudo aquilo que simbolizava bênção e segurança é invertido: em vez de abundância, fome; em vez de honra, vergonha; em vez de cabeça, cauda; em vez de descanso, ansiedade constante. O texto mostra que afastar-se de Deus desestrutura todas as áreas da vida nacional.
As bênçãos e maldições funcionam como sinal permanente da seriedade da aliança. O texto sublinha a necessidade de temer o nome glorioso e terrível do Senhor e de servir a Deus com alegria e coração bondoso, reconhecendo que tudo vem Dele.
Deuteronômio 28 é parte do grande discurso final de Moisés às portas da terra prometida, nas planícies de Moabe, antes da entrada de Israel em Canaã. Ele se insere na estrutura típica de tratados de aliança do Antigo Oriente Próximo, em que um grande rei estabelecia condições, bênçãos e maldições para seus vassalos.
Israel estava prestes a deixar o deserto e assumir a posse da terra que Deus havia prometido a Abraão, Isaque e Jacó. A geração anterior havia perecido por incredulidade. Agora, uma nova geração precisava compreender que a permanência na terra não seria automática, mas condicionada à fidelidade ao Senhor da aliança.
As descrições de cerco, fome extrema, pragas, derrotas e exílio antecipam de forma profética o que aconteceria séculos depois, com as invasões assírias e babilônicas, bem como outras opressões posteriores. Ao mesmo tempo, muitos elementos remetem à experiência do Egito (doenças, escravidão), mostrando que rejeitar o Senhor leva Israel a um “anti-Êxodo”: em vez de libertação, retorno ao jugo e à escravidão.
Esse capítulo serviu historicamente como advertência e explicação teológica para as crises nacionais de Israel, ajudando o povo a interpretar suas tragédias não apenas como eventos políticos, mas como fruto de uma relação quebrada com Deus.
O capítulo apresenta uma estrutura bem nítida e contrastante:
Introdução condicional às bênçãos (v.1-2)
Catálogo das bênçãos da obediência (v.3-14)
Introdução condicional às maldições (v.15)
Catálogo das maldições da desobediência (v.16-48)
Juízo por meio de uma nação invasora e cerco extremo (v.49-57)
Advertência final e ampliação das pragas (v.58-61)
Redução, dispersão e ansiedade constante (v.62-67)
Conclusão com imagem de anti-Êxodo (v.68)
O texto combina repetição, paralelismos e contrastes (bênção/maldição; cidade/campo; entrada/saída; cabeça/cauda) para gravar no coração do povo a seriedade das escolhas diante da aliança.
Deuteronômio 28 é um dos textos mais fortes da Bíblia sobre a teologia da aliança. Ele mostra que a relação de Deus com Israel não é meramente sentimental, mas pactual, com condições, promessas e consequências.
Deus como Senhor da aliança O capítulo apresenta Deus como Rei soberano que estabelece termos claros para o Seu povo. Ele promete bênçãos amplas, mas também anuncia juízo severo diante da persistente infidelidade. Isso reflete a santidade de Deus, Sua justiça e Sua fidelidade tanto para abençoar quanto para disciplinar.
Obediência como resposta da fé A obediência aqui não é apenas formal, mas expressão de um coração que ouve a voz de Deus e anda em Seus caminhos. As bênçãos não são “mágicas”, mas fruto de uma vida alinhada com a vontade do Senhor. De igual modo, as maldições revelam o que acontece quando uma comunidade rompe com o Deus vivo e se volta à idolatria.
Bênçãos e maldições como sinal O texto afirma que essas realidades seriam “sinal e maravilha” entre Israel e sua descendência. Em outras palavras, a história do povo testemunharia, para as gerações futuras, a verdade sobre Deus: Ele é bom, mas não é indiferente; é paciente, mas não tolera para sempre a rebelião.
Dimensão corporativa e responsabilidade nacional A teologia aqui é essencialmente coletiva. As bênçãos e maldições tocam o povo como nação: economia, segurança, governo, saúde pública, relações sociais. Isso mostra que o pecado e a fidelidade não são apenas assuntos individuais, mas afetam estruturas e histórias coletivas.
Antecipação do juízo e da necessidade de restauração As profecias de exílio e dispersão, cumpridas ao longo da história de Israel, enfatizam a necessidade de uma restauração mais profunda do que simples retorno à terra. Apontam, no horizonte bíblico mais amplo, para a necessidade de um coração novo e de uma obediência mais profunda, que a tradição cristã vê plenamente realizada em Cristo e na nova aliança.
Soberania de Deus na história O capítulo retrata Deus usando até mesmo nações estrangeiras como instrumentos de disciplina. Isso ressalta que Ele governa sobre a história, sobre as guerras e sobre os destinos dos povos. Nada acontece fora do Seu domínio soberano, ainda que os agentes humanos ajam segundo sua própria maldade.
Para leitura pastoral e terapêutica, Deuteronômio 28 é um texto intenso, que pode despertar ansiedade, medo e memórias de sofrimento. A linguagem é dura e gráfica ao descrever destruição, doenças, opressão e desespero.
Ao mesmo tempo, o capítulo ajuda a compreender a seriedade do mal e das escolhas humanas. Ele mostra que romper com aquilo que é bom, justo e santo tem consequências profundas, não apenas internas, mas também sociais e históricas. A perspectiva bíblica aqui não é de um Deus impulsivo, mas de um Deus que leva a sério tanto a dignidade do Seu povo quanto a gravidade da idolatria e da injustiça.
Lido com cuidado, esse texto pode: - reforçar a noção de responsabilidade coletiva, mostrando que ações e estruturas injustas têm impacto real sobre gerações; - lembrar que Deus não é indiferente ao pecado estrutural, à opressão e à idolatria que destrói vidas; - apontar para a necessidade de retornar a Deus com seriedade e integridade, não apenas de forma superficial; - abrir espaço para processar sentimentos de medo, culpa ou vergonha à luz de toda a revelação bíblica, que também proclama graça, perdão e restauração.
É importante ligar Deuteronômio 28 ao conjunto da Escritura, que revela o caráter de Deus como justo e ao mesmo tempo misericordioso, pronto a perdoar quando há arrependimento sincero.
Este capítulo contém descrições gráficas de violência, fome extrema, doenças graves, colapso familiar e social, além de imagens de desespero profundo. Pessoas em sofrimento emocional intenso, com histórico de abuso espiritual, depressão severa, ansiedade religiosa ou pensamentos autodestrutivos podem reagir com angústia a esta leitura.
Alguns riscos específicos de interpretação distorcida: - Ler cada doença ou dificuldade pessoal como castigo direto e específico de Deus, ignorando fatores naturais, emocionais ou sociais. - Usar o texto para justificar abusos de autoridade religiosa, manipulação por medo ou controle excessivo de consciências. - Aplicar automaticamente as maldições a grupos específicos (nações, povos, minorias), promovendo condenação e estigmatização.
Recomenda-se que este capítulo seja lido: - com acompanhamento pastoral ou de alguém maduro na fé, especialmente para quem tem histórico de escrúpulos religiosos ou medo intenso de punição divina; - sempre em conjunto com textos que enfatizam o amor, a graça e a disposição de Deus em perdoar e restaurar; - evitando aplicações simplistas à vida individual, lembrando que o foco principal aqui é a aliança nacional de Israel.
Diante de qualquer angústia intensa, medo paralisante ou pensamentos de autoacusação extrema, é importante buscar apoio imediato de pessoas de confiança, liderança espiritual equilibrada e, se necessário, ajuda profissional em saúde mental.
Deuteronômio 28, embora situado em um contexto de aliança nacional específica, traz princípios que dialogam com a vida contemporânea:
Levar a sério as escolhas espirituais e morais O capítulo lembra que decisões espirituais não são neutras. Colocar outras coisas no lugar de Deus (poder, dinheiro, status, ideologias) desorganiza a vida pessoal e coletiva. Comunidades que relativizam a justiça, a verdade e a misericórdia colhem, com o tempo, frutos amargos.
Entender que a fé tem impacto em todas as áreas As bênçãos citadas abrangem família, trabalho, economia, saúde, segurança. Isso aponta para uma fé integrada: relação com Deus não se limita ao culto, mas transborda para ética profissional, uso do dinheiro, relacionamentos e compromisso com a justiça.
Valorizar o serviço a Deus com alegria O texto ressalta que Israel não serviu ao Senhor “com alegria e bondade de coração, pela abundância de tudo” (v.47). Isso mostra que religiosidade fria, por mera obrigação, não corresponde ao chamado da aliança. A gratidão e a alegria são marcas de um coração que reconhece a graça de Deus.
Refletir sobre responsabilidade coletiva As maldições afetam estrutura social, economia e política. Isso encoraja a pensar em como sociedades inteiras podem colher consequências de sistemas injustos, corrupção, idolatria do lucro ou da violência. A fé bíblica convida à busca de justiça, honestidade e cuidado mútuo, não apenas à devoção individual.
Buscar discernimento ao interpretar sofrimento Nem todo sofrimento é juízo direto, e a Bíblia deixa isso claro em muitos outros textos. Porém, este capítulo lembra que é sábio, em tempos de crise, examinar caminhos, valores e prioridades, perguntando onde houve afastamento de Deus e de Sua vontade revelada.
Lembrar da necessidade de retorno e restauração Embora Deuteronômio 28 enfatize as consequências, o restante do livro mostra que Deus continua chamando Seu povo ao arrependimento e promete restauração. Aplicado hoje, isso incentiva a não permanecer na rebeldia, mas a voltar-se a Deus com sinceridade, confiando na Sua disposição de perdoar e refazer histórias.
As bênçãos e maldições de Deuteronômio 28 estão ligadas diretamente à aliança específica que Deus fez com Israel, como nação, no contexto da terra prometida. Por isso, não podem ser simplesmente copiadas e aplicadas, de forma automática e literal, a pessoas ou nações atuais. Contudo, o capítulo revela princípios permanentes: Deus leva a sério a obediência e a desobediência; há consequências espirituais e muitas vezes históricas quando indivíduos ou sociedades se afastam Dele; e a verdadeira vida está em ouvir e seguir a Sua voz. Na perspectiva cristã, a relação com Deus acontece agora na nova aliança em Cristo, o que muda a forma de entender bênçãos e sofrimentos, sem negar a seriedade do pecado nem a fidelidade de Deus.
O texto é duro, mas precisa ser entendido dentro da história da aliança. Deus havia libertado Israel da escravidão, revelado Sua vontade e advertido muitas vezes. As maldições aparecem como resultado de um afastamento contínuo, não de um capricho divino. A Bíblia inteira mostra que Deus é paciente, tardio em irar-se e grande em misericórdia, mas também justo e santo. Ele não compactua para sempre com a idolatria, a injustiça e a opressão. Deuteronômio 28 destaca sobretudo o aspecto do juízo; outros textos enfatizam a compaixão, o perdão e o desejo de restaurar. Juntos, eles apresentam um Deus que é ao mesmo tempo amoroso e justo.
No contexto da aliança com Israel, doenças e pragas aparecem como parte de um pacote de juízo coletivo, ligado à desobediência persistente da nação. Isso não autoriza concluir que toda doença individual, em qualquer tempo, seja punição direta de Deus. Em outras partes da Bíblia, a doença é tratada como resultado da fragilidade humana em um mundo caído, e não necessariamente como castigo pessoal. Este capítulo mostra que Deus pode usar circunstâncias duras para disciplinar um povo, mas a aplicação a casos específicos requer grande cuidado, humildade e equilíbrio, evitando julgamentos simplistas sobre o sofrimento alheio.
A desproporção literária enfatiza a seriedade da desobediência e da idolatria. As bênçãos são descritas de forma intensa, mas em bloco relativamente breve, enquanto as maldições são detalhadas em diferentes camadas e cenários, como se acompanhassem o processo histórico de endurecimento e juízo. Isso funciona como alerta pedagógico forte: Deus não trata a infidelidade com leveza. Ao mesmo tempo, em outros textos, a Escritura mostra que Deus se compraz em abençoar e que Sua ira não é o último capítulo da história, pois Ele chama ao arrependimento e oferece restauração.
Servir a Deus com alegria e bondade de coração é reconhecer que tudo o que se tem vem Dele e responder com gratidão, confiança e entrega sincera. Em Deuteronômio 28.47, a crítica é que Israel, mesmo na abundância, não serviu ao Senhor com esse coração alegre, mas se afastou. Isso mostra que Deus não busca apenas obediência externa ou cumprimento de rituais, mas um relacionamento vivo, em que o serviço flui de um coração que O ama e se alegra nEle. A verdadeira obediência bíblica é relacional, não apenas formal.
Deuteronômio 28 é um capítulo pesado para o coração. As palavras sobre fome, doenças, derrotas e medo profundo podem despertar tristeza, apreensão e até lembranças de momentos de sofrimento. No entanto, por trás de toda essa dureza, há um Deus que se importa o suficiente para advertir com clareza, antes que a destruição aconteça. O texto mostra um Deus que não é indiferente ao caminho do Seu povo. Ele não observa de longe, em silêncio, enquanto as escolhas se afastam da vida. Pela boca de Moisés, Ele se aproxima e diz, de forma muito séria, o que acontece quando o coração se afasta, quando outros “deuses” ocupam o lugar que só Ele deveria ter. É doloroso ler, mas também é sinal de cuidado: o amor verdadeiro, às vezes, precisa falar de consequências. Há uma frase que revela muito do coração de Deus: Israel não serviu ao Senhor “com alegria e bondade de coração, pela abundância de tudo” (v.47). Isso mostra que o desejo de Deus não era apenas obediência forçada, mas um relacionamento marcado por alegria e gratidão. A dor descrita nas maldições contrasta com o plano original: uma vida cheia de bênçãos, proteção e honra. Para quem lê este capítulo carregando culpas, medos religiosos ou lembranças de abusos espirituais, é importante lembrar que a Bíblia também fala da paciência e da misericórdia de Deus, do Seu consolo aos quebrantados e da Sua graça que acolhe quem volta para casa. Este capítulo enfatiza o peso da desobediência, mas não cancela o Deus que cura, perdoa e refaz histórias. Lido à luz da história maior da Bíblia, Deuteronômio 28 não é a última palavra. Ele revela a seriedade da ruptura, mas a própria Escritura mostra o Deus que, mesmo depois do exílio e da dor, continua buscando o coração do Seu povo, oferecendo nova chance, novo começo e nova esperança. No meio das advertências severas, permanece a verdade de que o Senhor conhece as fraquezas humanas e continua sendo refúgio para quem O busca com sinceridade.
Deuteronômio 28 é um exemplo clássico da forma como a Escritura articula a teologia da aliança por meio de bênçãos e maldições. O capítulo segue o padrão dos tratados de suserania do Antigo Oriente Próximo, em que o soberano estabelecia termos com seus vassalos, explicitando recompensas e sanções. Aqui, contudo, o soberano é o Deus vivo, criador e redentor de Israel. Do ponto de vista exegético, o texto forma um par com Deuteronômio 27: enquanto o capítulo anterior enfatiza as maldições proclamadas em Gerizim e Ebal, o capítulo 28 organiza de maneira sistemática o lado positivo (bênçãos) e negativa (maldições) da aliança. O uso proposital da mesma fórmula – “virão sobre ti e te alcançarão” – tanto para bênçãos (v.2) quanto para maldições (v.15, 45) ressalta que ambas são manifestações da fidelidade de Deus ao pacto. A abrangência temática é notável: cidade e campo, ventre e terra, cesta e amassadeira, entrada e saída; depois, saúde física, saúde mental, segurança militar, economia, relações sociais, posição internacional. Tudo está atrelado à resposta do povo à voz de Deus. A obediência não é entendida como legalismo, mas como escuta ativa da Palavra (“se ouvires a voz do Senhor teu Deus”) e como caminhada em Seus caminhos. Teologicamente, o capítulo antecipa de maneira impressionante o drama da história de Israel: o período de bênçãos na terra, o progressivo afastamento, os cercos, as invasões, o exílio e a dispersão. Muitas expressões encontram eco nos relatos históricos posteriores, especialmente nos livros de Reis, Crônicas e nos profetas. A menção de uma nação distante, rápida como águia, de rosto feroz (v.49-50) é frequentemente associada às potências invasoras que viriam do oriente, como a Assíria e a Babilônia. É fundamental notar que o texto fala em horizonte nacional e corporativo. Seu foco não é estabelecer uma regra automática para cada indivíduo em todas as épocas, mas mostrar como a aliança moldaria o destino da nação como um todo. Daí a importância de evitar leituras simplistas que associem qualquer doença ou crise moderna diretamente a maldições específicas deste capítulo. Em perspectiva canônica, Deuteronômio 28 reforça a necessidade de uma obediência mais profunda do que a mera conformidade externa. A dureza das maldições aponta para a incapacidade humana de cumprir plenamente a lei, o que, no desenvolvimento posterior da revelação, contribui para a compreensão da necessidade da nova aliança e de uma transformação do coração. Assim, este capítulo, ainda que situado firmemente no contexto mosaico, participa do movimento maior que conduz à esperança de restauração e renovação espiritual.
Lido sob a lente da vida prática, Deuteronômio 28 mostra como princípios espirituais se desdobram em realidades concretas. As bênçãos não são apenas ideias abstratas: envolvem trabalho que prospera, famílias que florescem, segurança frente a ameaças, respeito entre povos. Da mesma forma, as maldições não são apenas conceitos teológicos: atingem a saúde, o sustento, as relações, a organização da sociedade. Aplicado ao cotidiano, o capítulo lembra que escolhas espirituais moldam o tipo de sociedade que se constrói. Quando se valoriza a escuta de Deus, a obediência àquilo que é justo, verdadeiro e misericordioso, cria-se ambiente mais propício à confiança, à solidariedade e à estabilidade. Ao contrário, quando o coração coletivo se volta para outros “senhores” – como poder, ganância, idolatria cultural – os efeitos aparecem na forma de injustiça, exploração, corrupção e insegurança generalizada. A figura do “cabeça e não cauda” (v.13) é particularmente forte: em seu contexto, aponta para uma nação estável, com capacidade de influenciar de forma positiva, em vez de ser arrastada pelas marés das potências estrangeiras. Em termos práticos, isso fala de responsabilidade, integridade e coerência, mais do que de mero sucesso financeiro ou prestígio social. O texto também alerta para o perigo de viver religiosidade sem alegria. Servir a Deus “com alegria e bondade de coração” (v.47) tem implicações práticas em como se lida com trabalho, dinheiro, família e comunidade. Quando a fé se torna apenas obrigação ou hábito social, perde-se o senso de gratidão, e outras lealdades começam a ocupar o centro. Por fim, este capítulo encoraja a encarar problemas pessoais e coletivos com honestidade. Nem toda crise é consequência direta de pecado específico, mas o texto convida a um exame sincero de valores e prioridades: onde a voz de Deus deixou de ser ouvida? Que práticas se tornaram normais, mas estão em desacordo com a justiça e a bondade divinas? Essas reflexões podem orientar mudanças concretas em relacionamentos, uso de recursos, postura no trabalho e engajamento social, buscando alinhar a vida diária com o caráter de Deus.
Do ponto de vista da jornada espiritual, Deuteronômio 28 é um espelho que reflete a seriedade da aliança com Deus e a profundidade das decisões humanas diante dEle. O capítulo descreve dois caminhos: um de escuta, obediência e bênção; outro de endurecimento, idolatria e colapso. No fundo, está em jogo não apenas o bem-estar terreno, mas o próprio relacionamento com o Senhor. A repetição de “ouvir a voz do Senhor” aponta para o núcleo da vida espiritual: quem é ouvido, seguido e reverenciado como autoridade última. A idolatria aqui não se limita a imagens de pau e pedra; ela simboliza qualquer substituto que roube o lugar de Deus no coração. Quando esse deslocamento acontece, todo o restante se desordena. O texto fala de um nome “glorioso e temível, o SENHOR teu Deus” (v.58). Temor, aqui, não é pavor paralisante, mas reconhecimento profundo da grandeza, santidade e autoridade de Deus. É esse temor reverente que protege o coração de uma relação leviana com o sagrado e sustenta uma espiritualidade séria, responsável e, ao mesmo tempo, confiante. A perspectiva eterna se torna mais clara quando se considera que as bênçãos e maldições não são apenas um balanço de ganhos e perdas nesta vida, mas sinalizam o que significa viver com Deus ou longe dEle. O exílio, descrito com tanta dureza, é mais do que um evento político; é imagem de afastamento da presença de Deus, de perda do lugar de descanso e comunhão. Na trajetória maior da revelação bíblica, esse capítulo prepara o terreno para a consciência de que a humanidade, por si só, não consegue manter-se fiel. A história de Israel, marcada por altos e baixos, confirma a incapacidade de cumprir integralmente a lei. Dessa constatação nasce a necessidade de uma obra de Deus mais profunda: um novo coração, uma nova aliança, uma obediência gerada de dentro para fora. Para quem busca crescer espiritualmente, Deuteronômio 28 convida a uma reverência mais profunda diante de Deus, a um senso mais realista sobre o peso do pecado e a uma busca sincera por transformação interior. Aponta para a urgência de uma vida centrada em Deus, não apenas para evitar consequências difíceis, mas para participar plenamente da vida que Ele deseja conceder: uma vida enraizada na Sua presença, sustentada pela Sua graça e orientada para a eternidade.
" E será que, se ouvires a voz do SENHOR teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, o SENHOR teu Deus te exaltará sobre todas as nações da terra. "
" E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do Senhor teu Deus: "
" Bendito serás na cidade, e bendito serás no campo. "
" Bendito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e o fruto dos teus animais; e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas. "
" Bendito o teu cesto e a tua amassadeira. "
" Bendito serás ao entrares, e bendito serás ao saíres. "
" O Senhor entregará, feridos diante de ti, os teus inimigos, que se levantarem contra ti; por um caminho sairão contra ti, mas por sete caminhos fugirão da tua presença. "
Deuteronômio 28:7 mostra que Deus protege o seu povo quando surgem ataques e injustiças. Os inimigos podem chegar organizados e ameaçadores, mas acabam confundidos e …
Ler análise completa" O Senhor mandará que a bênção esteja contigo nos teus celeiros, e em tudo o que puseres a tua mão; e te abençoará na terra que te der o Senhor teu Deus. "
" O Senhor te confirmará para si como povo santo, como te tem jurado, quando guardares os mandamentos do Senhor teu Deus, e andares nos seus caminhos. "
" E todos os povos da terra verão que é invocado sobre ti o nome do Senhor, e terão temor de ti. "
" E o Senhor te dará abundância de bens no fruto do teu ventre, e no fruto dos teus animais, e no fruto do teu solo, sobre a terra que o Senhor jurou a teus pais te dar. "
" O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo, e para abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado. "
" E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir. "
" E não te desviarás de todas as palavras que hoje te ordeno, nem para a direita nem para a esquerda, andando após outros deuses, para os servires. "
" Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do Senhor teu Deus, para não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão: "
" Maldito serás tu na cidade, e maldito serás no campo. "
" Maldito o teu cesto e a tua amassadeira. "
" Maldito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e as crias das tuas vacas, e das tuas ovelhas. "
" Maldito serás ao entrares, e maldito serás ao saíres. "
" O Senhor mandará sobre ti a maldição; a confusão e a derrota em tudo em que puseres a mão para fazer; até que sejas destruído, e até que repentinamente pereças, por causa da maldade das tuas obras, pelas quais me deixaste. "
" O Senhor fará pegar em ti a pestilência, até que te consuma da terra a que passas a possuir. "
" O Senhor te ferirá com a tísica e com a febre, e com a inflamação, e com o calor ardente, e com a secura, e com crestamento e com ferrugem; e te perseguirão até que pereças. "
" E os teus céus, que estão sobre a cabeça, serão de bronze; e a terra que está debaixo de ti, será de ferro. "
" O Senhor dará por chuva sobre a tua terra, pó e poeira; dos céus descerá sobre ti, até que pereças. "
" O Senhor te fará cair diante dos teus inimigos; por um caminho sairás contra eles, e por sete caminhos fugirás de diante deles, e serás espalhado por todos os reinos da terra. "
" E o teu cadáver servirá de comida a todas as aves dos céus, e aos animais da terra; e ninguém os espantará. "
" O Senhor te ferirá com as úlceras do Egito, com tumores, e com sarna, e com coceira, de que não possas curar-te; "
" O Senhor te ferirá com loucura, e com cegueira, e com pasmo de coração; "
" E apalparás ao meio-dia, como o cego apalpa na escuridão, e não prosperarás nos teus caminhos; porém somente serás oprimido e roubado todos os dias, e não haverá quem te salve. "
" Desposar-te-ás com uma mulher, porém outro homem dormirá com ela; edificarás uma casa, porém não morarás nela; plantarás uma vinha, porém não aproveitarás o seu fruto. "
" O teu boi será morto aos teus olhos, porém dele não comerás; o teu jumento será roubado diante de ti, e não voltará a ti; as tuas ovelhas serão dadas aos teus inimigos, e não haverá quem te salve. "
" Teus filhos e tuas filhas serão dados a outro povo, os teus olhos o verão, e por eles desfalecerão todo o dia; porém não haverá poder na tua mão. "
" O fruto da tua terra e todo o teu trabalho, comerá um povo que nunca conheceste; e tu serás oprimido e quebrantado todos os dias. "
" E enlouquecerás com o que vires com os teus olhos. "
" O Senhor te ferirá com úlceras malignas nos joelhos e nas pernas, de que não possas sarar, desde a planta do teu pé até ao alto da cabeça. "
" O Senhor te levará a ti e a teu rei, que tiveres posto sobre ti, a uma nação que não conheceste, nem tu nem teus pais; e ali servirás a outros deuses, ao pau e à pedra. "
" E serás por pasmo, por ditado, e por fábula, entre todos os povos a que o Senhor te levará. "
" Lançarás muita semente ao campo; porém colherás pouco, porque o gafanhoto a consumirá. "
" Plantarás vinhas, e cultivarás; porém não beberás vinho, nem colherás as uvas; porque o bicho as colherá. "
" Em todos os termos terás oliveiras; porém não te ungirás com azeite; porque a azeitona cairá da tua oliveira. "
" Filhos e filhas gerarás; porém não serão para ti; porque irão em cativeiro. "
" Todo o teu arvoredo e o fruto da tua terra consumirá a lagarta. "
" O estrangeiro, que está no meio de ti, se elevará muito sobre ti, e tu mais baixo descerás; "
" Ele te emprestará a ti, porém tu não emprestarás a ele; ele será por cabeça, e tu serás por cauda. "
" E todas estas maldições virão sobre ti, e te perseguirão, e te alcançarão, até que sejas destruído; porquanto não ouviste à voz do Senhor teu Deus, para guardares os seus mandamentos, e os seus estatutos, que te tem ordenado; "
" E serão entre ti por sinal e por maravilha, como também entre a tua descendência para sempre. "
" Porquanto não serviste ao Senhor teu Deus com alegria e bondade de coração, pela abundância de tudo. "
" Assim servirás aos teus inimigos, que o Senhor enviará contra ti, com fome e com sede, e com nudez, e com falta de tudo; e sobre o teu pescoço porá um jugo de ferro, até que te tenha destruído. "
" O Senhor levantará contra ti uma nação de longe, da extremidade da terra, que voa como a águia, nação cuja língua não entenderás; "
" Nação feroz de rosto, que não respeitará o rosto do velho, nem se apiedará do moço; "
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