Deuteronômio 17 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Deuteronômio 17 na sua vida hoje

20 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Deuteronômio 17?

Deuteronômio 17 apresenta orientações sobre a pureza do culto, a seriedade da idolatria, os critérios para julgamentos difíceis e, por fim, parâmetros claros para o exercício da realeza em Israel. O capítulo destaca a necessidade de adorar a Deus sem mistura, de aplicar justiça com testemunho adequado, de respeitar a autoridade dos sacerdotes e juízes, e de garantir que o futuro rei viva em humildade, dependência da lei do Senhor e longe de excessos de poder, riqueza e prazeres.

Temas principais em Deuteronômio 17

Pureza no culto e rejeição de ofertas defeituosas (versículos 1)

O capítulo começa mostrando que Deus não aceita sacrifícios com defeito. A adoração deve ser marcada por reverência e integridade, não por sobras ou aquilo que não tem valor.

Versículos-chave: 1

Gravidade da idolatria e necessidade de purificação da comunidade (versículos 2-7)

Servir outros deuses é apresentado como violação direta da aliança. A comunidade deve investigar cuidadosamente, confirmar os fatos com testemunhas e, se comprovado, remover o mal do meio do povo.

Versículos-chave: 3, 6, 7

Autoridade dos sacerdotes e juízes nos casos difíceis (versículos 8-13)

Em situações complexas de julgamento, o povo devia buscar o lugar escolhido por Deus, consultar sacerdotes levitas e o juiz, e obedecer completamente à decisão dada, reconhecendo-a como expressão da justiça de Deus.

Versículos-chave: 9, 10, 11

Limites ao poder e aos desejos do rei (versículos 14-17)

Ao tratar do futuro rei, Deus define que ele deve ser escolhido pelo próprio Senhor, ser israelita e viver com limites claros quanto a cavalos, mulheres, prata e ouro, para que seu coração não se desvie.

Versículos-chave: 15, 16, 17

Centralidade da lei na vida do líder (versículos 18-20)

O rei deveria copiar a lei com suas próprias mãos, ler diariamente, aprender o temor do Senhor e manter o coração humilde, sem se exaltar acima dos irmãos nem se desviar dos mandamentos.

Versículos-chave: 18, 19, 20

Contexto histórico e literario

Deuteronômio 17 faz parte dos discursos finais de Moisés às vésperas da entrada de Israel na terra prometida. O povo estava deixando o deserto para se tornar uma nação estabelecida em Canaã, com instituições permanentes de culto, justiça e, futuramente, de governo monárquico. No Antigo Oriente Médio, a idolatria e o sincretismo religioso eram prática comum entre as nações vizinhas, que adoravam o sol, a lua e o “exército do céu”. Israel é chamado a ser diferente, ligado exclusivamente ao Deus da aliança.

Os versículos 8–13 refletem um sistema jurídico em que casos simples eram julgados localmente “às portas” da cidade, enquanto casos complexos subiam a uma instância central, no lugar escolhido por Deus, onde atuavam sacerdotes levitas e um juiz principal. Essa estrutura ajudava a manter unidade doutrinária e jurídica em todo o povo.

A segunda parte (versos 14–20) é notável porque antecipa a figura do rei antes mesmo de haver monarquia em Israel. Enquanto nos povos vizinhos o rei era frequentemente visto quase como divino e acumulava riquezas, exércitos e haréns, aqui o rei de Israel é colocado explicitamente debaixo da lei de Deus. Ele é “dentre teus irmãos”, sujeito à aliança e limitado em poder, cavalos (símbolo de força militar), mulheres (alianças políticas, prazeres e idolatria) e riqueza (prata e ouro). Ao exigir que o rei escreva sua própria cópia da lei e a leia diariamente, o texto estabelece um ideal de governante que não governa por capricho, mas como servo do Senhor.

Estrutura de Deuteronômio 17

O capítulo se organiza em três grandes blocos que mostram uma progressão da adoração ao governo:

  1. Sacrifícios e idolatria (v.1–7)

    • v.1: Proibição de oferecer animais com defeito.
    • v.2–3: Descrição do pecado de idolatria (servir outros deuses, sol, lua, exército do céu).
    • v.4–7: Procedimento de investigação, exigência de múltiplas testemunhas e execução para eliminar o mal.
  2. Casos difíceis e autoridade judicial (v.8–13)

    • v.8: Situações jurídicas complexas (entre sangue e sangue, demanda e demanda, ferida e ferida).
    • v.9–11: Busca pela decisão dos sacerdotes levitas e do juiz; obrigação de obedecer.
    • v.12–13: Pena para a rebeldia contra a autoridade estabelecida e seu efeito pedagógico para o povo.
  3. Regulamento para o rei (v.14–20)

    • v.14: Antecipação do desejo do povo por um rei, semelhante às nações ao redor.
    • v.15: Condição de escolha do rei pelo Senhor e de ser “dentre teus irmãos”.
    • v.16–17: Proibições ao rei: multiplicar cavalos, voltar ao Egito, multiplicar mulheres e riquezas.
    • v.18–20: Deveres espirituais do rei: escrever a lei, lê-la diariamente, aprender o temor do Senhor, manter-se humilde e fiel aos mandamentos para prolongar seus dias.

A estrutura mostra uma linha que vai da pureza do culto à integridade da justiça e culmina na santidade do governo, sempre sob a autoridade da lei de Deus.

Significado teológico

Deuteronômio 17 destaca a centralidade de Deus e de sua lei em todas as esferas da vida do povo: culto, justiça e governo. A proibição de sacrifícios defeituosos (v.1) enfatiza que Deus é santo e digno do melhor, não do restante. A idolatria (v.2–7) é tratada como quebra de aliança, não apenas erro religioso. É adultério espiritual, exigindo resposta séria da comunidade.

O princípio de “duas ou três testemunhas” (v.6) mostra a justiça de Deus, que não aceita condenações baseadas em acusações isoladas. A participação das testemunhas na execução (v.7) reforça a responsabilidade comunitária pela verdade e pela santidade do povo.

No bloco sobre casos difíceis (v.8–13), a teologia da autoridade aparece com clareza. Sacerdotes e juízes não são meros funcionários civis: servem “ao Senhor teu Deus” (v.12). Resistir deliberadamente à decisão deles, quando agem conforme a lei, é descrito como soberba que precisa ser removida para proteger a comunidade. Obediência às decisões legais não é vista só como ordem social, mas como obediência a Deus, desde que a decisão brote da sua lei.

A seção sobre o rei (v.14–20) é teologicamente rica. O Senhor se reserva o direito de escolher o rei (v.15), deixando claro que a autoridade suprema continua sendo dele. O rei não pode se tornar um novo faraó: não deve acumular cavalos nem fazer o povo voltar ao Egito (v.16), nem repetir um sistema de opressão baseado em riquezas e haréns (v.17). Deus redefine o conceito de realeza: em vez de um soberano acima da lei, o rei é um irmão submetido à lei, que precisa copiá-la, lê-la e se deixar moldar por ela (v.18–19).

Teologicamente, o ideal de rei em Deuteronômio 17 aponta para a figura de um governante humilde, obediente e temente a Deus. Esse ideal encontra sua plenitude em Cristo, o Rei que não se exalta sobre seus irmãos, mas se humilha, cumpre perfeitamente a vontade do Pai e governa em justiça. O capítulo, assim, antecipa a necessidade de um rei perfeito que una autoridade e submissão total à lei de Deus.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Em termos de cuidado emocional e relacional, Deuteronômio 17 transmite segurança ao mostrar que Deus não é arbitrário, mas estabelece parâmetros claros para culto, justiça e liderança. Para quem experimentou injustiça, abuso de poder ou ambientes religiosos confusos, o capítulo revela um Deus que se importa com verdade, com investigação cuidadosa (v.4), com proteção contra falsas acusações (v.6) e com limites ao poder humano (v.16–17).

A exigência de que o rei mantenha a lei sempre consigo e a leia todos os dias (v.18–19) traz um retrato de liderança saudável: humilde, ensinável, consciente de suas fraquezas e limitada por algo maior que si mesma. Essa visão pode aliviar o peso de quem cresceu sob líderes dominadores, mostrando que o modelo de Deus é diferente.

Ao mesmo tempo, a seriedade das penas e da linguagem (morte por idolatria, eliminação do mal do meio do povo) pode gerar desconforto e até gatilhos em pessoas marcadas por disciplina severa ou controle religioso. É importante perceber que o contexto é de formação de uma nação teocrática, com Israel como instrumento específico do juízo e da santidade de Deus naquele período. A intenção não é produzir terror irracional, mas preservar um povo inteiro da autodestruição espiritual.

No plano pessoal, a ênfase na humildade do rei (v.20) e na obediência à lei ajuda a combater perfeccionismo e autoexaltação. Em vez de um ideal impossível de desempenho, o texto aponta para um coração que se mantém pequeno diante de Deus, dependente da Palavra e consciente de que os dias são prolongados não por força própria, mas pela fidelidade de Deus à sua aliança.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns elementos de Deuteronômio 17 podem ser delicados para pessoas com histórico de abuso espiritual, violência ou legalismo extremo:

  1. Penas severas (v.5, v.12): As descrições de apedrejamento e morte podem ativar lembranças dolorosas em quem sofreu punições físicas ou foi exposto a discursos religiosos agressivos. O texto descreve um contexto jurídico e teocrático específico, não um modelo literal para relações atuais.

  2. Uso da autoridade religiosa (v.9–13): A ordem de obedecer aos sacerdotes e ao juiz pode ser mal usada para justificar abuso de autoridade por líderes atuais. No texto, essa autoridade é limitada pela lei de Deus e pela responsabilidade comunitária, não por caprichos pessoais.

  3. Linguagem de “tirar o mal do meio de ti” (v.7, v.12): Pode ser torcida para exclusão e rejeição de pessoas vulneráveis. No contexto original, trata-se de casos específicos, após investigação séria e múltiplas testemunhas. Usar essa linguagem hoje para justificar perseguição, discriminação ou violência é distorção grave.

  4. Ideal de perfeição no culto (v.1): A exigência de sacrifícios sem defeito, se mal compreendida, pode reforçar sentimentos de inadequação, como se Deus só aceitasse pessoas “sem defeitos”. O foco do texto é na integridade da oferta, não na negação de fraquezas humanas. Ao longo das Escrituras, Deus recebe os quebrantados que se aproximam com sinceridade.

Ao lidar pastoralmente com este capítulo, é importante destacar o contexto histórico, o propósito de proteção comunitária e a plenitude da revelação do caráter de Deus em Cristo, que assume o juízo sobre si e oferece graça, sem legitimar qualquer forma de violência ou opressão religiosa hoje.

Aplicação prática para hoje

Deuteronômio 17 fornece princípios que podem ser traduzidos para a vida atual em diversas áreas:

  1. Integridade na adoração e na oferta (v.1)

    • Oferecer a Deus o melhor do tempo, dos dons e dos recursos, não apenas sobras.
    • Evitar uma espiritualidade de aparência, onde se entrega algo a Deus, mas se guarda o coração para outros “ídolos” modernos (status, consumo, aprovação).
  2. Responsabilidade com a verdade (v.4–7)

    • Investigar fatos com cuidado antes de julgar alguém, especialmente em tempos de redes sociais e boatos.
    • Valorizar o princípio de múltiplas testemunhas: não tomar decisões sérias com base em uma única versão, evitando injustiças.
  3. Respeito a processos justos e autoridades legítimas (v.8–13)

    • Reconhecer a importância de instituições, conselhos e lideranças que buscam aplicar a justiça.
    • Ao discordar, buscar caminhos corretos de diálogo e recurso, em vez de rebeldia soberba ou desrespeito pessoal.
  4. Limites ao poder e aos desejos (v.16–17)

    • Quem exerce liderança (na família, no trabalho, na igreja) precisa de freios claros: limites com dinheiro, relacionamentos, influência e prazer.
    • Evitar construir segurança em “cavalos” modernos: estruturas de poder, controle, bens ou alianças que afastam da dependência de Deus.
  5. Vida moldada pela Palavra (v.18–19)

    • Desenvolver o hábito de contato diário com a Escritura, não como formalidade, mas como forma de aprender o temor do Senhor.
    • Deixar que a Palavra confronte o orgulho, revele motivações e molde decisões concretas.
  6. Humildade duradoura na liderança (v.20)

    • Lembrar que toda posição de autoridade é serviço, não pedestal.
    • Proteger o coração contra a tentação de se “levantar sobre os irmãos”, mantendo memória das próprias limitações e da graça recebida.

Esses princípios ajudam a construir ambientes mais justos, relacionamentos menos abusivos e um estilo de vida em que a Palavra de Deus ocupa o centro, e não o ego humano.

Perguntas frequentes

Por que Deus proíbe oferecer animais com defeito em Deuteronômio 17:1?

A proibição tem a ver com a santidade de Deus e com a sinceridade da adoração. Oferecer um animal defeituoso seria, na prática, reservar o melhor para si e dar a Deus aquilo que tinha menos valor. O sacrifício sem defeito simbolizava que Deus merece o melhor, e apontava para a necessidade de pureza e integridade no relacionamento com Ele.

O que significa servir o sol, a lua e o exército do céu em Deuteronômio 17:3?

Na época, muitas nações vizinhas de Israel praticavam a adoração aos astros, atribuindo poder divino ao sol, à lua e às estrelas. Servir e se encurvar a esses elementos significava trocar o Criador pela criação, quebrando a aliança com o Deus verdadeiro. Por isso o texto trata essa prática como abominação e infidelidade espiritual.

Por que é exigido o testemunho de duas ou três testemunhas em Deuteronômio 17:6?

O princípio de duas ou três testemunhas servia para proteger as pessoas de condenações injustas baseadas em uma única acusação. Em crimes graves, especialmente puníveis com morte, era necessário um padrão mais elevado de comprovação. Esse cuidado reflete o caráter justo de Deus e se tornou um princípio jurídico importante em toda a Bíblia.

Quem são os sacerdotes levitas e o juiz mencionados em Deuteronômio 17:9?

Os sacerdotes levitas eram responsáveis pelo culto, ensino da lei e algumas funções jurídicas em Israel. O “juiz” provavelmente era a principal autoridade civil ou um grupo de anciãos que decidia casos de maior complexidade. Juntos, representavam o tribunal máximo da nação, especialmente no lugar escolhido por Deus, ligado ao santuário.

Por que o rei não deveria multiplicar cavalos, mulheres e riquezas em Deuteronômio 17:16–17?

Cavalos simbolizavam força militar; mulheres, muitas vezes, alianças políticas e prazeres; e riquezas, segurança em bens materiais. Multiplicar essas coisas inclinaria o coração do rei a confiar em poder humano, alianças e luxo, desviando-o do temor do Senhor. Deus estabelece limites para que o rei permaneça dependente dEle, humilde e fiel à aliança.

Qual o propósito de o rei escrever sua própria cópia da lei em Deuteronômio 17:18?

Escrever a própria cópia da lei era um exercício de internalização e submissão. Ao copiar o texto, o rei meditava no conteúdo, lembrava-se de que estava debaixo da Palavra de Deus e não acima dela. Ter o livro consigo e lê-lo todos os dias o ajudaria a temer o Senhor, obedecer aos mandamentos e evitar que o coração se exaltasse sobre os irmãos.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Deuteronômio 17 mostra um Deus profundamente comprometido em proteger o coração do seu povo, inclusive através de leis firmes. Por trás das palavras fortes, há um cuidado para que Israel não se perca em caminhos que trazem destruição interior, como a idolatria, a injustiça e o abuso de poder. O texto fala de um culto que não aceita sobras (v.1) e de um povo chamado à fidelidade total. Nesse cenário, Deus não busca perfeccionistas sem falhas, mas filhos que não o tratem com desprezo ou indiferença. Isso conversa com dores de quem já se sentiu usado, enganado ou deixado por último: Deus não age assim. Ele pede algo inteiro, porque também se entrega inteiro. Quando o capítulo fala de decisões difíceis e de autoridades (v.8–13), ele oferece descanso para corações cansados de confusão e injustiça. Deus não se agrada de ambientes em que cada um faz o que quer, e os mais fracos são esmagados. Ao estabelecer processos, Ele está cuidando para que ninguém seja esmagado por acusações levianas ou por julgamentos superficiais. Na parte sobre o rei (v.14–20), há um consolo especial para quem sofreu com lideranças duras ou egocêntricas. O ideal de Deus é um líder que não se exalta, que lê a Palavra todos os dias, que lembra que é irmão, não tirano. Esse retrato pode mexer em feridas, porque mostra o contraste entre o que muitos experimentaram e o que Deus planejou. Mas, ao mesmo tempo, acende a esperança de que o coração do Pai nunca aprova abusos, e de que Ele mesmo é o Rei que não oprime, que se aproxima com mansidão e verdade. Para corações feridos por injustiça, descaso ou legalismo, este capítulo pode ser lido como um lembrete: Deus leva o mal a sério justamente porque leva você a sério. Ele não é indiferente ao que fere, distorce ou oprime. E seu desejo é formar um povo, e líderes, que reflitam esse cuidado firme, mas profundamente amoroso.

Mind
Mind

Deuteronômio 17 é um texto-chave para entender a estrutura teológica da sociedade israelita e o lugar da lei na vida comunitária. O capítulo está inserido no chamado “código deuteronômico”, que aplica de forma concreta os Dez Mandamentos à vida do povo. Aqui aparecem três áreas principais: culto (v.1–7), tribunal superior (v.8–13) e monarquia (v.14–20). No campo cultual, o versículo 1 retoma a lógica dos sacrifícios sem defeito em Levítico, sublinhando que a qualidade da oferta comunica algo sobre a percepção da santidade divina. A idolatria descrita nos versículos 2–3 é uma violação direta do primeiro e segundo mandamentos, com menção específica à adoração dos corpos celestes, prática comum entre cananeus e outros povos do antigo Oriente. O procedimento de investigação (v.4–7) é um exemplo de direito penal antigo que busca conciliar severidade e garantias processuais: há inquérito, verificação de verdade, exigência de duas ou três testemunhas (princípio retomado em outros textos bíblicos) e participação das próprias testemunhas na execução da pena, o que inibia falsas acusações. Nos versículos 8–13, temos um vislumbre da organização jurídico-religiosa de Israel. As “portas” das cidades eram o fórum local, onde casos corriqueiros eram julgados. Situações complexas subiam para o santuário central, onde sacerdotes levitas e um juiz representavam uma corte suprema. A ordem de obedecer estritamente às decisões (v.10–11) visava preservar a unidade jurídica e impedir que cada região criasse interpretações divergentes da lei. A seção sobre o rei (v.14–20) é teologicamente e historicamente notável. Israel ainda não tinha monarquia, mas o texto antecipa essa realidade e coloca molduras teológicas claras: o rei deve ser escolhido por Deus, ser israelita, não reproduzir o modelo de faraó (Egito, cavalos, poderio militar) nem o padrão de reis orientais com seus haréns e tesouros acumulados. Em vez de estar acima da lei, ele é explicitamente colocado debaixo dela. O ato de escrever a própria cópia da lei e de lê-la diariamente funciona como disciplina espiritual e como declaração política: o verdadeiro soberano em Israel é o Senhor, e o rei humano governa como servo da aliança. Do ponto de vista canônico, o ideal de Deuteronômio 17 se torna uma lente crítica para avaliar a história dos reis em Samuel e Reis. Muitos falham exatamente nos pontos listados aqui (multiplicam cavalos, mulheres, riquezas e se desviam da lei), o que confirma a função do capítulo como padrão regulador. Em última instância, o texto alimenta a expectativa por um rei que cumpra plenamente essas exigências, algo que o Novo Testamento identifica na realeza messiânica de Jesus.

Life
Life

Deuteronômio 17 é extremamente prático quando se pensa em como pessoas, comunidades e organizações podem funcionar de maneira saudável. Ele oferece parâmetros claros para culto, decisões difíceis e exercício de poder. No começo, a questão da oferta com defeito (v.1) toca no tema das prioridades diárias. É um retrato de algo muito comum: dar o que sobra de tempo, energia e atenção às coisas que realmente importam, inclusive a Deus e às pessoas mais próximas. O princípio é simples e desafiador: o que é mais importante deve receber o melhor, não o resto. A parte sobre investigação e testemunhas (v.4–7) fala diretamente ao mundo atual, cheio de julgamentos precipitados, cancelamentos e boatos. O texto ensina a não tomar decisões sérias com base em um único relato, a checar fatos e a assumir responsabilidade pelo que se afirma. Tomado como princípio, isso melhora conversas em família, decisões em empresas, conflitos em igrejas e amizades. Quando surgem casos difíceis (v.8–13), a orientação não é resolver tudo sozinho, nem agir por impulso: é buscar quem tenha preparo e responsabilidade para ajudar a discernir. Na prática, isso sugere a importância de conselhos, de ouvir pessoas maduras, de recorrer a instâncias adequadas em conflitos – em vez de se apoiar apenas na própria perspectiva. Ao mesmo tempo, ressalta o valor de respeitar decisões tomadas em conjunto, evitando que o orgulho desgaste lares, equipes e comunidades. A seção sobre o rei (v.14–20) é um manual de liderança. O rei é chamado a viver com limites concretos em relação a poder, relacionamentos e dinheiro. Esse tripé continua atual: influência, afetos e finanças. Sem freios claros, qualquer líder – de família, equipe, ministério ou empresa – corre risco de desviar o coração e prejudicar quem está ao redor. O texto mostra que líderes saudáveis: - sabem dizer “basta” para expansão de poder; - não transformam pessoas em instrumentos para seus interesses; - não constroem sua segurança em acúmulo de bens. Por fim, o hábito do rei de escrever e ler a lei todos os dias (v.18–19) aponta para uma disciplina simples e poderosa: manter a mente e o coração constantemente alinhados com valores superiores. Aplicado hoje, isso envolve cultivar rotinas de reflexão, leitura bíblica, avaliação de motivação e prestação de contas. Líderes que fazem isso tendem a permanecer mais humildes, previsíveis e confiáveis. E mesmo quem não se considera líder se beneficia desse estilo de vida: menos guiado por impulsos, mais guiado por princípios claros.

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Versículos em Deuteronômio 17

Deuteronômio 17:1

" Não sacrificarás ao SENHOR teu Deus, boi ou gado miúdo em que haja defeito ou alguma coisa má; pois abominação é ao SENHOR teu Deus. "

Deuteronômio 17:2

" Quando no meio de ti, em alguma das tuas portas que te dá o Senhor teu Deus, se achar algum homem ou mulher que fizer mal aos olhos do Senhor teu Deus, transgredindo a sua aliança. "

Deuteronômio 17:3

" Que se for, e servir a outros deuses, e se encurvar a eles ou ao sol, ou à lua, ou a todo o exército do céu, o que eu não ordenei, "

Deuteronômio 17:4

" E te for denunciado, e o ouvires; então bem o inquirirás; e eis que, sendo verdade, e certo que se fez tal abominação em Israel, "

Deuteronômio 17:5

" Então tirarás o homem ou a mulher que fez este malefício, às tuas portas, e apedrejarás o tal homem ou mulher, até que morra. "

Deuteronômio 17:6

" Por boca de duas testemunhas, ou três testemunhas, será morto o que houver de morrer; por boca de uma só testemunha não morrerá. "

Deuteronômio 17:7

" As mãos das testemunhas serão primeiro contra ele, para matá-lo; e depois as mãos de todo o povo; assim tirarás o mal do meio de ti. "

Deuteronômio 17:8

" Quando alguma coisa te for difícil demais em juízo, entre sangue e sangue, entre demanda e demanda, entre ferida e ferida, em questões de litígios nas tuas portas, então te levantarás, e subirás ao lugar que escolher o Senhor teu Deus; "

Deuteronômio 17:10

" E farás conforme ao mandado da palavra que te anunciarem no lugar que escolher o Senhor; e terás cuidado de fazer conforme a tudo o que te ensinarem. "

Deuteronômio 17:11

" Conforme ao mandado da lei que te ensinarem, e conforme ao juízo que te disserem, farás; da palavra que te anunciarem te não desviarás, nem para a direita nem para a esquerda. "

Deuteronômio 17:12

" O homem, pois, que se houver soberbamente, não dando ouvidos ao sacerdote, que está ali para servir ao Senhor teu Deus, nem ao juiz, esse homem morrerá; e tirarás o mal de Israel; "

Deuteronômio 17:14

" Quando entrares na terra que te dá o Senhor teu Deus, e a possuíres, e nela habitares, e disseres: Porei sobre mim um rei, assim como têm todas as nações que estão em redor de mim; "

Deuteronômio 17:15

" Porás certamente sobre ti como rei aquele que escolher o Senhor teu Deus; dentre teus irmãos porás rei sobre ti; não poderás pôr homem estranho sobre ti, que não seja de teus irmãos. "

Deuteronômio 17:16

" Porém ele não multiplicará para si cavalos, nem fará voltar o povo ao Egito para multiplicar cavalos; pois o Senhor vos tem dito: Nunca mais voltareis por este caminho. "

Deuteronômio 17:18

" Será também que, quando se assentar sobre o trono do seu reino, então escreverá para si num livro, um traslado desta lei, do original que está diante dos sacerdotes levitas. "

Deuteronômio 17:19

" E o terá consigo, e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer ao Senhor seu Deus, para guardar todas as palavras desta lei, e estes estatutos, para cumpri-los; "

Deuteronômio 17:20

" Para que o seu coração não se levante sobre os seus irmãos, e não se aparte do mandamento, nem para a direita nem para a esquerda; para que prolongue os seus dias no seu reino, ele e seus filhos no meio de Israel. "

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