Deuteronômio 31:1
" Depois foi Moisés, e falou estas palavras a todo o Israel, "
Entenda os temas principais e aplique Deuteronômio 31 na sua vida hoje
30 versículos | Almeida Corrigida Fiel
Moisés reconhece o limite de sua vida e ministério, mas mostra que o propósito de Deus não depende de um único líder. A missão continua com Josué, sob a mesma promessa: o Senhor vai adiante do seu povo.
A ordem para ser forte e corajoso não se apoia na força humana, mas na certeza de que o Senhor caminha com seu povo, não abandona nem desampara, mesmo diante de inimigos e desafios.
Moisés escreve a Lei e ordena sua leitura periódica diante de todo o povo, incluindo crianças e estrangeiros. A Palavra deve ser ouvida, aprendida e obedecida, garantindo a transmissão da fé às próximas gerações.
Deus revela que, após a morte de Moisés, Israel se desviará, buscará outros deuses e quebrará a aliança. Em resposta, o Senhor esconderá o seu rosto e permitirá que males e angústias os alcancem.
Deuteronômio 31 se passa no final da vida de Moisés, por volta do século XIII a.C., nas planícies de Moabe, antes da travessia do Jordão e da conquista de Canaã. Israel já havia peregrinado quarenta anos no deserto e estava às portas da Terra Prometida, depois de vitórias sobre reis amorreus como Seom e Ogue (v.4). A geração que saíra do Egito em grande parte já havia morrido, e uma nova geração se preparava para assumir a herança da aliança.
Moisés, com 120 anos (v.2), sabe que não entrará em Canaã por causa de sua desobediência anterior e porque Deus estabeleceu que Josué o sucederia. A relação entre Lei, culto e liderança é reforçada: os sacerdotes levitas levam a arca da aliança (v.9) e são responsáveis pela guarda do Livro da Lei, colocado junto à arca (v.26). O mandamento de ler a Lei a cada sete anos, no ano da remissão, durante a festa dos tabernáculos (v.10-11), aponta para uma estrutura social e religiosa onde o calendário, as festas e o ensino público da Torá moldam a identidade nacional.
A audiência na tenda da congregação (v.14-15) mostra a continuidade do modelo de encontro com Deus estabelecido desde o Êxodo. O anúncio antecipado de apostasia (v.16-18,27-29) reflete a teologia da aliança: bênçãos pela fidelidade, maldições pela desobediência. O cântico mencionado, escrito por Moisés (v.19-22,30), será desenvolvido no capítulo seguinte como um documento litúrgico e profético que acompanha a história de Israel.
O capítulo pode ser organizado em blocos claros, com alternância entre narrativa, discurso e instruções divinas:
Declaração de Moisés sobre sua idade e limitação (v.1-2)
Moisés anuncia que tem 120 anos e não poderá mais liderar o povo na travessia do Jordão.
Promessa da presença de Deus e comissionamento geral de Israel (v.3-6)
Ênfase na ação de Deus à frente do povo, na destruição das nações e na ordem para que Israel seja forte e corajoso.
Comissionamento público de Josué (v.7-8)
Diante de todo o Israel, Moisés encoraja Josué a liderar o povo na posse da terra, repetindo a promessa da presença divina.
Escrita da Lei e instrução sobre a leitura septenal (v.9-13)
Moisés escreve a Lei, a entrega aos sacerdotes e anciãos, e estabelece a leitura pública a cada sete anos, envolvendo todo o povo, inclusive crianças e estrangeiros.
Chamado de Deus a Moisés e Josué na tenda da congregação (v.14-15)
Deus anuncia a proximidade da morte de Moisés e convoca ambos à tenda, onde aparece na coluna de nuvem.
Profecia da apostasia de Israel e anúncio do juízo (v.16-18)
O Senhor revela que, após a morte de Moisés, o povo seguirá outros deuses, quebrará a aliança e experimentará a ira divina e o ocultar do rosto de Deus.
Mandato do cântico-testemunha (v.19-22)
Deus ordena que Moisés escreva um cântico para ser testemunha contra Israel, ligado à futura fartura na terra e ao consequente desvio do povo.
Renovação do encorajamento a Josué (v.23)
Deus mesmo ordena a Josué que seja forte e corajoso, com a promessa de sua presença.
Conclusão da escrita da Lei e instrução sobre sua guarda (v.24-26)
Moisés finaliza o livro da Lei e manda os levitas colocá-lo ao lado da arca, como testemunha contra Israel.
Acusação da rebeldia e convocação dos líderes (v.27-29)
Moisés denuncia a dureza de cerviz do povo, antevê sua corrupção futura e convoca anciãos e oficiais para ouvir suas palavras, tomando céu e terra por testemunhas.
Introdução ao cântico de Moisés (v.30)
Moisés fala as palavras do cântico a toda a congregação, preparando o conteúdo que será registrado no capítulo seguinte.
Deuteronômio 31 destaca a soberania de Deus sobre a história, a seriedade da aliança e a importância da Palavra como eixo da vida do povo de Deus.
A transição de Moisés para Josué mostra que Deus é o verdadeiro líder de Israel. Ele “passará adiante” (v.3,8), independentemente de quem ocupa o posto humano de liderança. A fragilidade de Moisés, aos 120 anos, ressalta que a obra do Senhor não depende da força ou longevidade de um único servo, mas da fidelidade do próprio Deus à sua promessa.
O chamado insistente à coragem (v.6-8,23) tem base teológica clara: “o Senhor teu Deus é o que vai contigo” (v.6). A coragem bíblica não é autoconfiança, mas confiança na presença de Deus. A mesma lógica é aplicada tanto ao povo quanto ao líder, revelando que todos dependem da mesma graça.
A Lei escrita e recitada regularmente (v.9-13,24-26) revela a centralidade da revelação de Deus. A fé bíblica é histórica e textual: Deus age na história, mas também fixa suas palavras em um livro. Essa Palavra escrita é guardada junto à arca, sinalizando sua santidade, e é lida publicamente, formando a consciência coletiva. A inclusão de homens, mulheres, crianças e estrangeiros (v.12) aponta para o caráter comunitário e abrangente da aliança.
O anúncio inequívoco da futura apostasia (v.16-18,20-21,27-29) revela tanto a onisciência de Deus quanto a profundidade do pecado humano. Mesmo sabendo da infidelidade do povo, Deus continua com seu plano de levá-los à terra, mostrando que sua graça antecede e supera a rebeldia, embora não anule as consequências do pecado. O esconder do rosto de Deus (v.17-18) é linguagem de juízo: afastar-se de Deus implica afastar-se da fonte de proteção e vida.
O cântico como testemunha (v.19-22,30) mostra a pedagogia divina. Deus usa a poesia e a música para gravar a verdade no coração do povo, para que, quando vierem os males, eles reconheçam a justiça de Deus e sua própria infidelidade. Mesmo o juízo tem um propósito pedagógico: chamar ao arrependimento e lembrar a aliança.
Teologicamente, o capítulo prepara o terreno para a teologia de bênçãos e maldições, obediência e desobediência, que ecoa em toda a Escritura. Ao mesmo tempo, aponta para a necessidade de um coração renovado e de um Mediador perfeito, pois nem mesmo a melhor Lei e a melhor liderança humana conseguem, por si só, impedir a inclinação ao desvio.
Deuteronômio 31 toca temas profundamente ligados à experiência humana: envelhecimento, despedida, medo do futuro, mudança de liderança, culpa coletiva e previsão de falhas. Moisés aparece como alguém que reconhece seus limites, aceita o fim de seu ciclo e confia que Deus continuará agindo. Isso traz conforto a quem enfrenta transições difíceis, perdas ou aposentadoria de funções importantes.
O encorajamento repetido “esforçai-vos e animai-vos” (v.6-8,23) oferece base para lidar com ansiedade e medo. A segurança não vem de controlar o futuro, mas de saber que Deus vai adiante, não abandona nem desampara. Em contextos de instabilidade, essa verdade funciona como âncora emocional.
A ordem para ler a Lei periodicamente, envolvendo toda a comunidade (v.9-13), sugere a importância de rotinas espirituais e coletivas que alimentam a memória e a identidade. Em termos terapêuticos, práticas regulares de escuta da Palavra, reflexão comunitária e transmissão de valores entre gerações funcionam como proteção contra confusão e desorientação.
O anúncio da futura infidelidade do povo (v.16-18,27-29) pode ressoar em sentimentos de vergonha e impotência diante de padrões destrutivos recorrentes. Ainda assim, o texto mostra que Deus não é pego de surpresa pelas falhas humanas. Ele conhece “a imaginação” do coração (v.21) e, mesmo assim, continua conduzindo a história e provendo recursos (como o cântico) para lembrança, confronto e possível retorno. Isso pode aliviar a culpa esmagadora: Deus leva o pecado a sério, mas não abandona o processo de restauração.
O cântico como testemunha (v.19-22,30) sugere que a verdade pode ser guardada no coração por meio de formas criativas (música, poesia), ajudando na elaboração emocional de dores e falhas. O capítulo, como um todo, oferece um quadro em que a realidade do pecado e do juízo não anula o cuidado contínuo de Deus, criando espaço para uma esperança sóbria e realista.
Imagem distorcida de Deus apenas como punitivo: A ênfase no juízo, na ira e no esconder do rosto de Deus (v.17-18) pode ser interpretada, por quem já carrega culpa intensa ou histórico de abuso espiritual, como sinal de um Deus arbitrário ou sempre irado. Lido isoladamente, o texto pode alimentar medo doentio e sensação de rejeição permanente, sem percepção da graça e da intenção pedagógica de Deus.
Leitura fatalista da apostasia: A declaração de que o povo certamente se corromperá (v.16,29) pode ser mal compreendida como se não houvesse possibilidade de arrependimento ou mudança, gerando desesperança em pessoas que lutam contra pecados recorrentes ou padrões familiares disfuncionais.
Uso opressor da Lei como arma de controle: A função da Lei e do Livro como testemunha contra Israel (v.26) pode ser usada de forma inadequada para justificar legalismo, vigilância opressiva ou manipulação religiosa, intensificando culpa e medo em vez de conduzir ao arrependimento saudável e à restauração.
Medo excessivo de liderança e autoridade espiritual: A forte denúncia da rebeldia e da “dura cerviz” (v.27) pode ser abusivamente aplicada para silenciar questionamentos legítimos ou disfarçar autoritarismo. Em contextos de trauma com líderes religiosos, esse tipo de leitura pode acionar memórias dolorosas.
Confusão entre consequências espirituais e sofrimento geral: As descrições de males e angústias como consequência direta do afastamento de Deus (v.17,21) podem ser deturpadas para afirmar que todo sofrimento é punição por pecado específico, o que agrava a dor de pessoas que já passam por perdas ou doenças sem relação direta com desobediência.
Encarar transições com fé: Moisés aceita o fim de seu ciclo e prepara Josué e o povo (v.2-3,7-8,14). Em mudanças de trabalho, liderança, cidade ou fase de vida, a atitude de reconhecer limites pessoais e confiar que Deus continua agindo é um caminho de sabedoria.
Fundamentar a coragem na presença de Deus: A ordem “esforçai-vos, e animai-vos” (v.6,7,23) é acompanhada da promessa “o Senhor... é o que vai contigo” (v.6,8). Em decisões difíceis, conflitos ou desafios, a força não está em negar o medo, mas em lembrar quem caminha à frente.
Cultivar ritmos regulares de ouvir a Palavra: O ciclo de sete anos e a leitura pública da Lei (v.10-13) inspiram a estabelecer práticas constantes de exposição à Escritura: leitura pessoal, estudo em grupo, culto comunitário. A regularidade ajuda a formar convicções e preservar a fé em tempos de pressão.
Incluir todas as gerações e outsiders na formação da fé: Homens, mulheres, crianças e estrangeiros são chamados a ouvir e aprender (v.12-13). Na vida comunitária e familiar, isso se traduz em envolver crianças nos momentos de culto, explicar a fé de forma acessível, acolher quem vem de fora e transmitir valores de maneira intencional.
Levar a sério os sinais de desvio: Deus antecipa a apostasia e suas consequências (v.16-18,20-21,29). Na prática, isso significa não trivializar pequenos afastamentos espirituais, idolatrias sutis ou decisões que rompem com princípios bíblicos. Reconhecer cedo os sinais de desvio abre espaço para arrependimento e correção de rota.
Usar a criatividade para lembrar a verdade: O cântico escrito por Moisés (v.19-22,30) mostra o valor de formas criativas para guardar a Palavra. Canções, poesias, resumos, arte visual e memorização podem ser meios concretos de manter viva a mensagem de Deus no cotidiano.
Guardar a Palavra em lugar central: O Livro da Lei é colocado junto à arca da aliança (v.26), simbolizando prioridade. Em termos práticos, isso aponta para colocar a Escritura no centro de decisões familiares, comunitárias e pessoais, não apenas como adorno, mas como referência real para escolhas e valores.
Moisés declara que tem 120 anos e que não poderá mais sair e entrar (v.2), indicando seus limites físicos e o fim de seu tempo de liderança. Além disso, ele afirma que o próprio Senhor lhe disse: “Não passarás o Jordão” (v.2). Em outros textos, fica claro que isso se relaciona a um episódio de desobediência anterior. Em Deuteronômio 31, porém, o foco está menos na razão histórica específica e mais na transição ordenada por Deus para Josué, mostrando que o plano divino continua mesmo quando um grande líder se despede.
Moisés determina que, ao final de cada sete anos, no ano da remissão, durante a festa dos tabernáculos, a Lei seja lida diante de todo o Israel (v.10-11). Esse costume garantiria que cada geração, incluindo homens, mulheres, crianças e estrangeiros (v.12-13), fosse lembrada das palavras de Deus, aprendesse a temê-lo e a obedecer. Trata-se de uma espécie de “renovação de aliança” periódica, que reforça a identidade do povo e protege contra o esquecimento espiritual.
Deus diz a Moisés que, após sua morte, o povo se levantará e seguirá deuses estranhos, quebrando a aliança (v.16-18,20-21,27-29). Isso revela a onisciência de Deus: Ele conhece o coração humano e antevê sua infidelidade. Ao mesmo tempo, o texto mostra que isso não impede Deus de continuar com seu plano de levar Israel à terra prometida. O conhecimento antecipado não anula a responsabilidade do povo, nem a misericórdia de Deus. Pelo contrário, Deus providencia meios de advertência, como o cântico, para confrontar e chamar ao arrependimento quando o desvio acontecer.
Deus ordena que Moisés escreva um cântico e o ensine aos filhos de Israel (v.19,22). A função desse cântico é ser “testemunha” contra o povo (v.19,21): quando, no futuro, vierem muitos males e angústias por causa de sua infidelidade, as palavras do cântico lembrarão que Deus tinha advertido e permanecido fiel à sua parte na aliança. A forma poética e musical facilita a memorização e ajuda a gravar no coração tanto as promessas quanto as advertências divinas.
Quando Deus afirma que esconderá o seu rosto de Israel (v.17-18), está usando uma linguagem figurada para comunicar afastamento e juízo. O “rosto” de Deus, na Bíblia, está associado à sua atenção, favor e bênção. Esconder o rosto, portanto, é retirar essa proteção especial e permitir que o povo experimente as consequências de se afastar dele e servir a outros deuses. Não significa que Deus deixa de ser soberano ou perde o controle, mas que suspende, por um tempo, certas expressões de cuidado, como forma de disciplina e advertência.
Deuteronômio 31 mostra um momento de despedida cheio de emoção: um líder idoso, um povo prestes a viver algo totalmente novo e muitos medos circulando no ar. Moisés sabe que seu tempo está acabando, mas, em vez de se apegar ao controle, ele entrega o futuro nas mãos de Deus e encoraja o povo e Josué com palavras cheias de consolo: “não te deixará nem te desamparará” (v.6,8). O coração desse capítulo é a presença fiel de Deus em meio à mudança. Pessoas mudam, fases terminam, histórias se encerram, mas o Senhor permanece. A repetição da ordem “esforça-te e anima-te” é como um refrão terno dirigido tanto ao povo quanto ao novo líder cansado e talvez inseguro. Não se trata de negar o medo, e sim de lembrar que, na travessia mais delicada, Deus é quem vai adiante. Também é marcante a forma como Deus leva a sério a dor e a fraqueza do coração humano. Ele sabe que Israel vai falhar, conhece a imaginação do povo (v.21) e, ainda assim, segue com eles, prepara um cântico para que, quando caírem, se lembrem de quem Ele é. A previsão do desvio não é frieza, é lucidez misturada com amor persistente: Deus não idealiza o seu povo, mas também não o abandona. Nesse capítulo, a ternura divina aparece tanto nas palavras de encorajamento quanto na preocupação com as futuras gerações, inclusive crianças e estrangeiros (v.12-13). O cuidado de Deus abrange quem está forte e quem está frágil, quem já conhece a Lei e quem ainda está aprendendo. No meio de despedidas, medos e advertências severas, permanece a certeza de um Deus que caminha junto, sustenta e não solta a mão, mesmo sabendo de antemão das fraquezas de quem ama.
Deuteronômio 31 é um texto-chave na estrutura do livro, funcionando como uma espécie de ponte entre os grandes discursos de Moisés e a transição definitiva da liderança para Josué, além de preparar o leitor para o cântico de Deuteronômio 32. Do ponto de vista literário e teológico, o capítulo articula três eixos principais: liderança, Lei e aliança. A liderança é transferida de Moisés para Josué, mas com a clara afirmação de que o verdadeiro agente da conquista é o Senhor (v.3-4). A fórmula “o Senhor teu Deus passará adiante de ti” desloca o foco da pessoa do líder para a fidelidade de Deus. Josué é comissionado publicamente (v.7-8) e, depois, diretamente por Deus (v.23), o que legitima sua autoridade diante do povo. Quanto à Lei, há um movimento de oralidade para textualidade consolidada: Moisés escreve a Lei (v.9,24), confia-a aos levitas e anciãos, ordena sua leitura pública septenal (v.10-13) e determina que o livro fique junto à arca da aliança (v.26). A Lei torna-se um documento central, com função pedagógica (ensinar, levar ao temor) e forense (testemunha contra Israel). O ciclo de sete anos, associado ao ano da remissão e à festa dos tabernáculos, vincula a prática jurídica (remissão de dívidas), o calendário agrícola e o culto, integrando todos os aspectos da vida sob a Palavra de Deus. No que se refere à aliança, o texto explicita a dinâmica de bênção e maldição: Deus promete introduzir o povo numa terra de abundância (v.20), mas antecipa que exatamente a fartura gerará acomodação e idolatria. O anúncio da apostasia (v.16-18,20-21,27-29) é notavelmente realista: Deus sabe que o povo se corromperá, seguirá outros deuses e quebrará a aliança. A resposta divina é expressa em termos de ira e de ocultação do rosto, categorias típicas da teologia da retribuição na aliança mosaica. Um elemento sofisticado é o cântico-testemunha (v.19-22,30). Deus ordena a composição de um texto poético que, ao mesmo tempo, sintetiza a história da aliança e funciona como instrumento de memória, acusação e possível arrependimento. A forma poética facilita a memorização coletiva e, provavelmente, tinha função litúrgica. Desse modo, o capítulo mostra que a revelação de Deus se dá tanto em prosa legal e narrativa quanto em poesia profética. Em suma, Deuteronômio 31 reforça a centralidade da Palavra escrita, estrutura a sucessão de liderança de forma teológica (Deus como líder supremo) e apresenta uma compreensão madura da condição humana e da aliança: Deus permanece fiel, mesmo ao lidar com um povo previsivelmente infiel, usando meios textuais e litúrgicos para preservar sua verdade na memória comunitária.
Deuteronômio 31 é extremamente prático quando se pensa em liderança, transições e construção de cultura em famílias ou comunidades. Moisés, ao perceber o fim de seu ciclo, não se agarra ao poder, nem deixa um vácuo: ele prepara o terreno, fortalece o sucessor e reafirma o foco em Deus. Esse modelo é valioso para quem lidera equipes, ministérios, negócios ou a própria família. Em primeiro lugar, a coragem é tratada de forma concreta. O chamado “esforçai-vos, e animai-vos” (v.6-8,23) é repetido em um contexto de tarefa real: entrar e possuir uma terra, enfrentar nações e administrar um povo. Coragem aqui é persistência diante da responsabilidade que Deus coloca nas mãos, e não apenas sensação interna. Na prática, isso significa encarar desafios com preparo, mas também com convicção de que Deus está envolvido no processo. Segundo, há um princípio de sustentabilidade espiritual: rotinas que mantêm viva a memória da verdade. A leitura da Lei a cada sete anos, diante de todos, inclusive crianças e estrangeiros (v.10-13), é um dispositivo para evitar que a comunidade perca o rumo com o passar do tempo. Em termos práticos, isso inspira a criar momentos regulares de “recalibragem” – reuniões familiares para conversar sobre valores, estudos bíblicos, retiros periódicos, ciclos de avaliação em equipes. São práticas que realinham a vida com o propósito maior. Terceiro, o capítulo encara de frente a tendência ao desvio. Deus diz que, na terra da fartura, o povo se engordará e se voltará a outros deuses (v.20). A prosperidade traz riscos: autossuficiência, esquecimento de Deus, idolatria de obras das próprias mãos (v.29). Na prática, ao experimentar estabilidade financeira ou profissional, é sábio criar mecanismos de vigilância: revisar prioridades, manter generosidade, buscar prestação de contas espiritual. Por fim, a forma como o Livro da Lei é tratado (v.24-26) oferece uma lição de prioridades. Ele é guardado junto à arca, não como objeto decorativo, mas como referência de aliança. No cotidiano, isso se traduz em não reduzir a Bíblia a símbolo, mas fazê-la funcionar como “manual de referência” real para decisões: relacionamentos, finanças, ética no trabalho, uso do tempo. A vida prática é continuamente colocada diante da Palavra, não o contrário. Deuteronômio 31, portanto, orienta a viver transições com responsabilidade, a manter a memória espiritual ativa e a lidar com sucesso e abundância com sobriedade, sabendo que até os melhores planos precisam ser protegidos contra o esquecimento de Deus.
" Depois foi Moisés, e falou estas palavras a todo o Israel, "
" E disse-lhes: Da idade de cento e vinte anos sou eu hoje; já não poderei mais sair e entrar; além disto o Senhor me disse: Não passarás o Jordão. "
" O Senhor teu Deus passará adiante de ti; ele destruirá estas nações de diante de ti, para que as possuas; Josué passará adiante de ti, como o Senhor tem falado. "
" E o Senhor lhes fará como fez a Siom e a Ogue, reis dos amorreus, e à sua terra, os quais destruiu. "
" Quando, pois, o Senhor vo-los der diante de vós, então com eles fareis conforme a todo o mandamento que vos tenho ordenado. "
" Esforçai-vos, e animai-vos; não temais, nem vos espanteis diante deles; porque o Senhor teu Deus é o que vai contigo; não te deixará nem te desamparará. "
Deuteronômio 31:6 mostra que Deus permanece ao lado do seu povo em qualquer batalha, mesmo quando inimigos ou problemas parecem maiores. Em situações como desemprego, …
Ler análise completa" E chamou Moisés a Josué, e lhe disse aos olhos de todo o Israel: Esforça-te e anima-te; porque com este povo entrarás na terra que o Senhor jurou a teus pais lhes dar; e tu os farás herdá-la. "
" O Senhor, pois, é aquele que vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas, nem te espantes. "
Deuteronômio 31:8 mostra que Deus guia o caminho, não abandona e dá coragem em momentos de medo. O versículo significa que, diante de decisões difíceis, …
Ler análise completa" E Moisés escreveu esta lei, e a deu aos sacerdotes, filhos de Levi, que levavam a arca da aliança do Senhor, e a todos os anciãos de Israel. "
" E ordenou-lhes Moisés, dizendo: Ao fim de cada sete anos, no tempo determinado do ano da remissão, na festa dos tabernáculos, "
Deuteronômio 31:10 mostra que Deus queria momentos marcados para lembrar sua lei e renovar compromissos. A cada sete anos, todo o povo parava para ouvir …
Ler análise completa" Quando todo o Israel vier a comparecer perante o Senhor teu Deus, no lugar que ele escolher, lerás esta lei diante de todo o Israel aos seus ouvidos. "
" Ajunta o povo, os homens e as mulheres, os meninos e os estrangeiros que estão dentro das tuas portas, para que ouçam e aprendam e temam ao Senhor vosso Deus, e tenham cuidado de fazer todas as palavras desta lei; "
" E que seus filhos, que não a souberem, ouçam e aprendam a temer ao Senhor vosso Deus, todos os dias que viverdes sobre a terra a qual ides, passando o Jordão, para a possuir. "
" E disse o Senhor a Moisés: Eis que os teus dias são chegados, para que morras; chama a Josué, e apresentai-vos na tenda da congregação, para que eu lhe dê ordens. Assim foram Moisés e Josué, e se apresentaram na tenda da congregação. "
" Então o Senhor apareceu na tenda, na coluna de nuvem; e a coluna de nuvem estava sobre a porta da tenda. "
" E disse o Senhor a Moisés: Eis que dormirás com teus pais; e este povo se levantará, e prostituir-se-á indo após os deuses estranhos na terra, para cujo meio vai, e me deixará, e anulará a minha aliança que tenho feito com ele. "
" Assim se acenderá a minha ira naquele dia contra ele, e desampará-lo-ei, e esconderei o meu rosto dele, para que seja devorado; e tantos males e angústias o alcançarão, que dirá naquele dia: Não me alcançaram estes males, porque o meu Deus não está no meio de mim? "
" Esconderei, pois, totalmente o meu rosto naquele dia, por todo o mal que tiver feito, por se haverem tornado a outros deuses. "
" Agora, pois, escrevei-vos este cântico, e ensinai-o aos filhos de Israel; ponde-o na sua boca, para que este cântico me seja por testemunha contra os filhos de Israel. "
" Porque introduzirei o meu povo na terra que jurei a seus pais, que mana leite e mel; e comerá, e se fartará, e se engordará; então se tornará a outros deuses, e os servirá, e me irritarão, e anularão a minha aliança. "
" E será que, quando o alcançarem muitos males e angústias, então este cântico responderá contra ele por testemunha, pois não será esquecido da boca de sua descendência; porquanto conheço a sua imaginação, o que ele faz hoje, antes que o introduza na terra que tenho jurado. "
" Assim Moisés escreveu este cântico naquele dia, e o ensinou aos filhos de Israel. "
" E ordenou a Josué, filho de Num, e disse: Esforça-te e anima-te; porque tu introduzirás os filhos de Israel na terra que lhes jurei; e eu serei contigo. "
" E aconteceu que, acabando Moisés de escrever num livro, todas as palavras desta lei, "
" Deu ordem aos levitas, que levavam a arca da aliança do Senhor, dizendo: "
" Tomai este livro da lei, e ponde-o ao lado da arca da aliança do Senhor vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti. "
" Porque conheço a tua rebelião e a tua dura cerviz; eis que, vivendo eu ainda hoje convosco, rebeldes fostes contra o Senhor; e quanto mais depois da minha morte? "
" Ajuntai perante mim todos os anciãos das vossas tribos, e vossos oficiais, e aos seus ouvidos falarei estas palavras, e contra eles por testemunhas tomarei o céu e a terra. "
" Porque eu sei que depois da minha morte certamente vos corrompereis, e vos desviareis do caminho que vos ordenei; então este mal vos alcançará nos últimos dias, quando fizerdes mal aos olhos do Senhor, para o provocar à ira com a obra das vossas mãos. "
" Então Moisés falou as palavras deste cântico aos ouvidos de toda a congregação de Israel, até se acabarem. "
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