2 Crônicas 31 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique 2 Crônicas 31 na sua vida hoje

21 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é 2 Crônicas 31?

2 Crônicas 31 descreve como Ezequias, após a restauração da Páscoa, promove uma reforma profunda na vida espiritual e na organização do povo. Os altares idólatras são destruídos, o serviço dos sacerdotes e levitas é reorganizado conforme a lei, e o povo passa a contribuir generosamente com dízimos e ofertas. Há cuidado detalhado na administração, distribuição e registro das porções destinadas a cada família sacerdotal e levítica. O capítulo termina resumindo o caráter de Ezequias: ele buscou ao Senhor de todo o coração e, por isso, prosperou.

Temas principais em 2 Crônicas 31

Purificação espiritual e abandono da idolatria (versículos v.1)

Depois da celebração da Páscoa, o povo se mobiliza para destruir ídolos, bosques e altos por todo Judá, Benjamim, Efraim e Manassés. A renovação espiritual gera ações concretas de afastamento do pecado e de tudo que competia com a adoração ao Senhor.

Versículos-chave: 1

Restauração da adoração organizada (versículos v.2-3, 11-19)

Ezequias estabelece turmas de sacerdotes e levitas, define funções específicas para holocaustos, ofertas pacíficas, louvor e canto, alinhando o culto à lei do Senhor. A adoração volta a ser central, reverente e ordenada.

Versículos-chave: 2, 3, 11, 18

Generosidade do povo e provisão abundante (versículos v.4-10)

O povo responde ao decreto do rei com grande liberalidade, trazendo primícias e dízimos de tudo. Os recursos se tornam tantos que formam “montões”, sinal visível da bênção de Deus e da disposição do povo em sustentar a obra.

Versículos-chave: 5, 6, 7, 10

Administração fiel e responsabilidade coletiva (versículos v.11-19)

Conanias, Simei e outros levitas são nomeados para coletar, guardar e distribuir as ofertas com fidelidade e justiça, alcançando sacerdotes, levitas, famílias e até crianças. A santidade inclui também transparência e boa gestão.

Versículos-chave: 12, 13, 15, 18

Coração íntegro diante de Deus e verdadeira prosperidade (versículos v.20-21)

O resumo da vida de Ezequias destaca que ele fez o que era bom, reto e verdadeiro perante o Senhor, buscando a Deus de todo o coração. A prosperidade apresentada não é apenas material, mas ligada à obediência e sinceridade diante de Deus.

Versículos-chave: 20, 21

Contexto histórico e literario

2 Crônicas 31 se passa durante o reinado de Ezequias, rei de Judá, por volta do final do século VIII a.C. Após um período de decadência espiritual sob reis anteriores, especialmente Acaz, o templo havia sido profanado, o culto ao Senhor negligenciado e a idolatria se espalhado. Ezequias assume o trono e inicia uma reforma abrangente: reabre o templo, purifica o serviço sacerdotal e convoca o povo para celebrar a Páscoa.

Este capítulo mostra a etapa seguinte dessa reforma: não apenas um evento isolado de renovação, mas a reorganização duradoura da vida religiosa da nação. A lei de Moisés previa o sustento dos sacerdotes e levitas por meio de dízimos, primícias e ofertas (por exemplo, Números 18 e Deuteronômio 14). Como muitos levitas provavelmente haviam abandonado suas funções por falta de sustento e por causa da idolatria generalizada, era necessário reconstruir todo o sistema: redistribuir funções, registrar genealogias, definir responsabilidades e criar depósitos para armazenar as ofertas.

O capítulo também mostra que a influência de Ezequias ultrapassa Judá, alcançando israelitas de Efraim e Manassés, num momento em que o reino do Norte já caminhava para o exílio assírio. A narrativa enfatiza que a restauração espiritual genuína inclui tanto arrependimento (derrubar ídolos) quanto obediência concreta à aliança (sustentar o culto segundo a lei do Senhor).

Estrutura de 2 Crônicas 31

2 Crônicas 31 apresenta uma estrutura relativamente clara, com foco em ações práticas decorrentes da reforma espiritual de Ezequias:

  1. Destruição da idolatria em Judá e em regiões de Israel (v.1)
    O capítulo abre com um resumo da mobilização do povo, que espalha a reforma por várias tribos, destruindo altares idólatras e bosques.

  2. Organização das turmas sacerdotais e levíticas (v.2-3)
    Ezequias estabelece funções, escalas e provisão para os holocaustos diários, sabáticos, festas e luas novas conforme a lei do Senhor.

  3. Decreto sobre o sustento dos sacerdotes e resposta generosa do povo (v.4-10)
    O rei ordena que Jerusalém contribua para que sacerdotes e levitas se dediquem à lei. Em seguida, o povo de Judá e Israel contribui abundantemente com primícias e dízimos, resultando em montes de ofertas e no testemunho da bênção divina.

  4. Criação de depósitos e nomeação de administradores (v.11-15)
    São preparadas câmaras no templo para armazenar ofertas, e levitas específicos são nomeados para supervisionar, recolher e distribuir as porções aos irmãos, em várias cidades.

  5. Registros genealógicos e distribuição ampla e justa (v.16-19)
    O texto detalha que os registros abrangem sacerdotes, levitas, famílias, crianças e os que serviam em diferentes idades, mostrando um cuidado minucioso com todos os envolvidos no serviço do Senhor.

  6. Resumo teológico da vida de Ezequias (v.20-21)
    O capítulo conclui com uma avaliação global do reinado de Ezequias em Judá: ele fez o que era bom, reto e verdadeiro perante Deus, buscou ao Senhor de todo o coração e, por isso, prosperou.

Significado teológico

Este capítulo ressalta que a verdadeira reforma espiritual se manifesta na vida concreta da comunidade. Não é apenas um momento de emoção ou uma grande celebração, mas uma mudança duradoura nos hábitos, na estrutura e na administração da vida religiosa. Ao destruir ídolos e restaurar o culto segundo a lei, Ezequias e o povo demonstram que a fidelidade a Deus envolve tanto afastar-se do mal quanto firmar-se no bem.

A generosidade do povo, ao trazer dízimos e primícias, é apresentada como fruto da bênção de Deus e, ao mesmo tempo, como meio pelo qual a obra de Deus é sustentada. A abundância que “sobejou em grande quantidade” (v.10) mostra a relação entre obediência e provisão divina, sem reduzir a bênção de Deus a mero ganho material. A ênfase está na suficiência e no cuidado de Deus por aqueles que se alinham à sua vontade.

A organização cuidadosa dos sacerdotes e levitas, com registros genealógicos, turmas, responsabilidades e sistemas de distribuição, destaca que Deus valoriza ordem, justiça e fidelidade na administração dos recursos sagrados. A santidade bíblica abrange não apenas o momento do culto, mas toda a logística que o sustenta. Quem lida com as coisas consagradas deve fazê-lo com integridade.

O resumo sobre Ezequias (v.20-21) fornece uma chave teológica para entender o livro: Deus honra aqueles que o buscam de todo o coração. A prosperidade aqui é consequência de um coração reto, não um atalho para obter bens. A vida e o reinado de Ezequias são apresentados como um modelo de liderança que une devoção sincera, obediência à lei e zelo pela casa de Deus.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Este capítulo reflete dinâmicas que tocam dimensões emocionais e comunitárias importantes. A destruição dos altares e bosques idólatras simboliza romper com padrões antigos e nocivos que haviam marcado gerações. Em termos emocionais, isso se assemelha a um processo de limpeza interior e relacional: romper com aquilo que adoecia a fé e a identidade do povo.

A ênfase na generosidade e no cuidado mútuo revela um ambiente de confiança e segurança. O povo oferece, os líderes administram com fidelidade, e as necessidades de todos os envolvidos no serviço do Senhor são atendidas, inclusive de crianças e famílias. Esse quadro apresenta uma comunidade onde há responsabilidade compartilhada, apoio estruturado e alívio da ansiedade relacionada à provisão.

A figura de Ezequias, que busca a Deus de todo o coração e age com transparência e zelo, oferece um contraste saudável a experiências de liderança abusiva ou negligente. O texto descreve líderes que bendizem a Deus e valorizam o povo (v.8), e administradores que cuidam com fidelidade das coisas consagradas (v.12, v.18). Essa imagem de liderança confiável e justa pode trazer consolo a quem carrega feridas causadas por autoridade religiosa mal exercida.

Em termos de bem-estar interior, o capítulo aponta para a importância da coerência: o que se crê se traduz em estruturas e hábitos. Quando há alinhamento entre fé, organização e prática, surgem segurança, estabilidade e espaço para que a esperança floresça.

warning Importante: maus usos comuns

O texto descreve um momento positivo de reforma, mas alguns elementos, lidos fora de contexto, podem suscitar tensões internas.

1) Pressão em torno de dízimos e ofertas: A abundância de ofertas e dízimos e a referência a bênçãos podem ser usados de forma distorcida para alimentar culpa, medo ou manipulação financeira. Em contextos de espiritualidade ferida, a leitura pode despertar lembranças de coerção ou abuso religioso relacionado a dinheiro.

2) Idealização de líderes religiosos: Ezequias é apresentado de forma exemplar, o que é teologicamente significativo. No entanto, quem já experimentou traição ou abuso por parte de líderes pode reagir com desconfiança, dor ou sensação de que não há espaço para questionar autoridades espirituais.

3) Exigência de perfeccionismo espiritual: A descrição de um povo totalmente alinhado, contribuindo em abundância e cumprindo fielmente suas funções, pode ser mal compreendida como um padrão rígido e inatingível, gerando culpa em quem se percebe fraco, cansado ou incapaz de manter esse nível de devoção.

4) Romper com o passado de forma brusca: A destruição de altares e bosques idólatras representa um corte firme com o passado. Pessoas em processo de recuperação de traumas ou de mudanças profundas podem sentir medo ou angústia diante de ideias de “romper radicalmente”, especialmente se já foram forçadas a abandonar relacionamentos ou ambientes de forma traumática.

Esses pontos, embora presentes apenas de forma indireta no texto, podem acionar memórias difíceis ou sentimentos de inadequação e devem ser tratados com cuidado pastoral e sensibilidade.

Aplicação prática para hoje

2 Crônicas 31 oferece vários princípios práticos para a vida comunitária, pessoal e de liderança:

1) Reforma verdadeira vai além do momento emocional: O povo não apenas celebra; muda estruturas, hábitos e prioridades. Na prática, renovação espiritual saudável envolve revisar agendas, finanças, relacionamentos e padrões de vida à luz da vontade de Deus.

2) Romper com o que afasta de Deus: A destruição de altares e bosques mostra que tolerar “pequenos altares” na vida abre espaço para a idolatria. Em termos práticos, isso inclui identificar e afastar práticas, ambientes ou prioridades que competem com a centralidade de Deus.

3) Valor da organização no serviço a Deus: Escalas, registros, funções claras e boa administração não são detalhes secundários. Comunidades saudáveis planejam, registram, distribuem responsabilidades e cuidam da transparência, especialmente em relação a recursos.

4) Generosidade como resposta à graça: O povo não dá por obrigação fria, mas em resposta ao mover de Deus e à orientação do rei. Na prática, generosidade saudável nasce da gratidão, não do medo, e se expressa em sustentar a obra de Deus e o bem-estar de pessoas que servem.

5) Responsabilidade compartilhada: Muitos nomes aparecem no texto, mostrando que a obra não depende apenas de uma pessoa. Isso incentiva delegação, participação ampla e valorização de diferentes dons e funções na comunidade.

6) Integridade que gera confiança: Ezequias é descrito como alguém que faz tudo de coração inteiro. Quando líderes e membros agem com retidão, verdade e clareza, relações de confiança se fortalecem, abrindo caminho para que a comunidade floresça.

7) Família incluída na vida espiritual: Crianças, mulheres, filhos e filhas são mencionados como participantes e beneficiários das porções (v.18). A prática da fé ganha profundidade quando alcança toda a família, não apenas momentos individuais ou eventos pontuais.

Perguntas frequentes

Por que o povo destruiu altares e bosques em várias tribos, e não só em Judá?

Depois da grande celebração da Páscoa organizada por Ezequias, muitos israelitas do reino do Norte também haviam participado. Tocadas pela renovação espiritual, pessoas de Judá, Benjamim, Efraim e Manassés se uniram para remover os símbolos da idolatria em seus territórios (v.1). Isso mostra que a reforma teve alcance além das fronteiras políticas de Judá e que a fidelidade ao Senhor exigia eliminar tudo o que sustentava o culto a outros deuses.

Qual era o propósito de organizar turmas de sacerdotes e levitas?

As turmas garantiam que o serviço do templo fosse contínuo, bem distribuído e em conformidade com a lei do Senhor. Cada grupo tinha tempo específico para servir em holocaustos, ofertas pacíficas, louvor e canto (v.2). Isso evitava sobrecarga, desordem e abandono das funções, e permitia que todos os convocados participassem do serviço sagrado com responsabilidade.

Por que havia tantos detalhes sobre dízimos, primícias e montões de ofertas?

Esses detalhes destacam dois pontos principais: a generosidade do povo, que respondeu à ordem real trazendo em abundância, e a bênção de Deus sobre a nação, de modo que “ainda sobejou em abundância” (v.10). Além disso, o texto mostra que o sustento de sacerdotes e levitas dependia da obediência às orientações da lei, e que a boa administração desses recursos era parte importante da fidelidade ao Senhor.

Qual é a importância das câmaras e da nomeação de administradores no templo?

As câmaras serviam como depósitos para guardar com segurança ofertas, dízimos e coisas consagradas (v.11-12). A nomeação de Conanias, Simei e outros levitas estabelecia uma estrutura de gestão responsável e transparente. Isso evitava desvio de recursos, assegurava a distribuição justa e preservava o caráter sagrado das ofertas, protegendo tanto a comunidade quanto a honra do nome de Deus.

O que significa dizer que Ezequias prosperou porque buscou a Deus de todo o coração?

O texto afirma que Ezequias fez o que era bom, reto e verdadeiro perante o Senhor, e que toda obra que começou no serviço da casa de Deus e na lei, fez de todo o seu coração, e prosperou (v.20-21). Isso indica que a prosperidade descrita está ligada à obediência, integridade e dedicação sincera a Deus. Não se trata de uma fórmula automática de sucesso material, mas de um princípio: Deus honra o coração que o busca com fidelidade e entrega.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Este capítulo retrata um povo que, depois de muito tempo de afastamento, reencontra o caminho da casa de Deus. Há algo profundamente consolador em ver um ambiente inteiro sendo reorganizado para que a presença do Senhor volte a ser o centro. As cenas de altares quebrados e bosques cortados (v.1) não são apenas atos externos; refletem corações que decidiram não mais repartir sua devoção entre muitos deuses. A generosidade transbordante, que forma “montões” de ofertas (v.5-7), mostra um povo que sente liberdade em entregar, não por medo, mas porque percebe a bênção e o cuidado de Deus. Quando o sumo sacerdote diz que comeram, se fartaram e ainda sobrou muito (v.10), há uma nota de descanso: Deus não abandona o seu povo quando este se volta para Ele. Em meio às inseguranças internas, essa imagem de abundância partilhada traz alívio à ideia de escassez e abandono. Também é marcante notar o cuidado com cada pessoa envolvida: sacerdotes, levitas, crianças, mulheres, filhos e filhas (v.18). Ninguém é esquecido. Em contextos de dor e rejeição, esse retrato de uma comunidade onde cada um é contado e cuidado aponta para o coração de um Deus que vê e inclui. O resumo da vida de Ezequias, que buscou ao Senhor de todo o coração e prosperou (v.21), não soa como cobrança, mas como encorajamento: mesmo depois de uma história de falhas, ainda é possível viver dias de restauração, ordem e paz diante de Deus.

Mind
Mind

2 Crônicas 31 é um texto chave para entender a teologia da reforma em Crônicas. O cronista mostra que a verdadeira restauração não consiste apenas em corrigir o culto em Jerusalém, mas em alinhar toda a vida da nação à Torá. A destruição dos locais de culto idólatras em Judá, Benjamim, Efraim e Manassés (v.1) cumpre a exigência de centralização do culto no lugar escolhido por Deus (Deuteronômio 12). A organização das turmas sacerdotais e levíticas (v.2-3) retoma o modelo davídico (1 Crônicas 23–26), sugerindo que o padrão ideal para o cronista é a ordem estabelecida por Davi e Salomão, agora reativada por Ezequias. A provisão de recursos do próprio rei para os holocaustos diários e festivais (v.3) destaca o papel do rei como patrono do culto legítimo, reforçando a relação entre realeza fiel e adoração correta. O longo trecho sobre dízimos, primícias e administração (v.4-19) cumpre função didática para a comunidade pós-exílica que lê este texto: enfatiza a responsabilidade do povo em sustentar o ministério levítico e sacerdotal, e a necessidade de gestão honesta e ordenada dos recursos. A lista de nomes e cargos cria um modelo de administração e transparência. A menção às genealogias (v.16-18) reforça a importância da linhagem correta e da estrutura cultual estabelecida. Por fim, os versículos 20-21 funcionam como um selo teológico sobre a figura de Ezequias: ele é apresentado como paradigma de rei fiel, em contraste com muitos outros. A tríade “bom, reto e verdadeiro” diante de Deus sintetiza a ética régia ideal. A prosperidade relatada não é meramente política ou econômica, mas expressão da bênção de Deus sobre um rei que submeteu culto, lei e mandamentos ao centro de seu governo. O cronista, assim, catequiza sua comunidade a ver a obediência à aliança como caminho para a restauração nacional.

Life
Life

O capítulo mostra que mudança duradoura exige tanto decisão quanto organização. Ezequias e o povo não se limitaram a um grande evento espiritual; eles mexeram em estruturas, funções e rotinas. Isso tem forte paralelo com a vida prática. Romper com “altares” e “bosques” (v.1) lembra romper com hábitos, ambientes e padrões que alimentam o que se quer deixar para trás. Não é apenas uma intenção; são decisões concretas sobre o que será mantido ou removido do cotidiano. A forma como Ezequias lida com o sustento dos sacerdotes e levitas (v.4-10) é um retrato de gestão responsável: ele emite uma ordem clara, o povo responde, e há acompanhamento do resultado. Quando aparecem montões de ofertas, o rei não ignora: ele vai, vê, pergunta aos sacerdotes (v.8-9). Há supervisão, não apenas boa vontade. Na prática, isso aponta para a importância de acompanhar processos, prestar contas e ajustar o que for necessário. A nomeação de pessoas específicas para administrar recursos e distribuir porções (v.12-15) mostra que trabalho em equipe, delegação e funções claras são fundamentais para que qualquer projeto avance. Nomes e funções definidos evitam sobrecarga, confusão de responsabilidades e injustiças. A menção à distribuição a “pequenos e grandes” (v.15) indica um princípio de equidade: todos que estão envolvidos devem ser lembrados, inclusive os que não aparecem em destaque. O resumo da vida de Ezequias (v.20-21) oferece um eixo para decisões diárias: integrar trabalho, obediência à Palavra e busca sincera de Deus. Não é apenas fazer muitas coisas, mas fazer com intenção correta e coração inteiro. No cotidiano, isso significa alinhar metas, uso de tempo, finanças e relacionamentos com aquilo que se reconhece como vontade de Deus, desenvolvendo consistência entre fé professada e escolhas práticas.

Soul
Soul

Espiritualmente, este capítulo descreve um povo que redescobre sua vocação de ser inteiro para Deus. A destruição dos altares e bosques (v.1) é um gesto simbólico profundo: retirar da terra aquilo que ocupava um lugar que pertence ao Senhor. Em termos de formação espiritual, isso aponta para a necessidade de exclusividade na adoração. A vida interior é chamada a ser unificada, sem dividir a confiança entre Deus e outros “deuses” que disputam o coração. A restauração do serviço sacerdotal e levítico, com cada um em sua função (v.2-3), pode ser lida como imagem de uma alma ordenada, onde cada área da vida se submete ao senhorio de Deus. O culto cotidiano – ofertas de manhã e à tarde, festas e solenidades – representa uma existência ritmada pela presença de Deus. A espiritualidade aqui não é episódica, mas tecida na rotina, em ciclos e disciplinas constantes. A generosidade abundante e o testemunho de que Deus abençoou o seu povo de tal forma que sobrou (v.10) lembram que a vida com Deus não é marcada apenas por renúncias, mas por uma experiência de plenitude. Deus se apresenta como Aquele que sustenta, sacia e ainda faz transbordar, para que a bênção alcance outros. A distribuição fiel das coisas consagradas (v.12-19) indica que tudo o que é recebido de Deus está destinado a servir um propósito maior, não a ser retido de forma egoísta. O retrato final de Ezequias, que buscou a Deus de todo o coração e prosperou (v.20-21), aponta para a vocação eterna do ser humano: viver voltado para Deus com integridade, não dividido. Nessa perspectiva, prosperidade é estar em sintonia com o Criador, ter a vida orientada pela sua lei e sua presença, e participar da obra que Ele realiza na história. O capítulo convida a ver a própria jornada espiritual como um processo contínuo de reforma: abandonar ídolos, ordenar a vida ao redor da presença de Deus e caminhar com um coração inteiro até o fim.

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Versículos em 2 Crônicas 31

2 Crônicas 31:1

" E acabando tudo isto, todos os israelitas que ali se achavam saíram às cidades de Judá e quebraram as estátuas, cortaram os bosques, e derrubaram os altos e altares por toda Judá e Benjamim, como também em Efraim e Manassés, até que tudo destruíram; então tornaram todos os filhos de Israel, cada um para sua possessão, para as cidades deles. "

2 Crônicas 31:2

" E estabeleceu Ezequias as turmas dos sacerdotes e levitas, segundo as suas turmas, a cada um segundo o seu ministério; aos sacerdotes e levitas para o holocausto e para as ofertas pacíficas, para ministrarem, louvarem, e cantarem, às portas dos arraiais do Senhor. "

2 Crônicas 31:3

" Também estabeleceu a parte da fazenda do rei para os holocaustos; para os holocaustos da manhã e da tarde, e para os holocaustos dos sábados, e das luas novas, e das solenidades; como está escrito na lei do Senhor. "

2 Crônicas 31:4

" E ordenou ao povo, que morava em Jerusalém, que desse a parte dos sacerdotes e levitas, para que eles pudessem se dedicar à lei do Senhor. "

2 Crônicas 31:5

" E, depois que se divulgou esta ordem, os filhos de Israel trouxeram muitas primícias de trigo, mosto, azeite, mel, e de todo o produto do campo; também os dízimos de tudo trouxeram em abundância. "

2 Crônicas 31:6

" E os filhos de Israel e de Judá, que habitavam nas cidades de Judá, também trouxeram dízimos dos bois e das ovelhas, e dízimos das coisas dedicadas que foram consagradas ao Senhor seu Deus; e fizeram muitos montões. "

2 Crônicas 31:10

" E Azarias, o sumo sacerdote da casa de Zadoque, lhe respondeu, dizendo: Desde que se começou a trazer estas ofertas à casa do Senhor, temos comido e temos fartado, e ainda sobejou em abundância; porque o Senhor abençoou ao seu povo, e sobejou esta abastança. "

2 Crônicas 31:12

" Ali recolheram fielmente as ofertas, e os dízimos, e as coisas consagradas; e tinham cargo disto Conanias, o levita principal, e Simei, seu irmão, o segundo. "

2 Crônicas 31:13

" E Jeiel, Azarias, Naate, Asael, Jerimote, Jozabade, Eliel, Ismaquias, Maate, e Benaia, eram superintendentes sob a direção de Conanias e Simei, seu irmão, por mandado do rei Ezequias, e de Azarias, líder da casa de Deus. "

2 Crônicas 31:14

" E Coré, filho de Imna, o levita, porteiro do lado do oriente, estava encarregado das ofertas voluntárias que se faziam a Deus, para distribuir as ofertas alçadas do Senhor e as coisas santíssimas. "

2 Crônicas 31:15

" E debaixo das suas ordens estavam Éden, Miniamim, Jesua, Semaías, Amarias e Secanias, nas cidades dos sacerdotes, para distribuírem com fidelidade a seus irmãos, segundo as suas turmas, tanto aos pequenos como aos grandes; "

2 Crônicas 31:16

" Exceto os que estavam contados pelas genealogias dos homens, da idade de três anos para cima, a todos os que entravam na casa do Senhor, para a obra de cada dia no seu dia, pelo seu ministério nas suas guardas, segundo as suas turmas. "

2 Crônicas 31:17

" Quanto ao registro dos sacerdotes foi ele feito segundo as suas famílias, e o dos levitas, da idade de vinte anos para cima, foi feito segundo as suas guardas nas suas turmas; "

2 Crônicas 31:18

" Como também conforme às genealogias, com todas as suas crianças, suas mulheres, e seus filhos, e suas filhas, por toda a congregação. Porque com fidelidade estes se santificavam nas coisas consagradas. "

2 Crônicas 31:19

" Também dentre os filhos de Arão, os sacerdotes, que estavam nos campos dos arrabaldes das suas cidades, em cada cidade, havia homens que foram designados pelos seus nomes para distribuírem as porções a todo o homem entre os sacerdotes e a todos os que estavam contados entre os levitas. "

2 Crônicas 31:21

" E toda a obra que começou no serviço da casa de Deus, e na lei, e nos mandamentos, para buscar a seu Deus, ele a fez de todo o seu coração, e prosperou. "

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