2 Crônicas 30:1
" Depois disto Ezequias enviou mensageiros por todo o Israel e Judá, e escreveu também cartas a Efraim e a Manassés para que viessem à casa do SENHOR em Jerusalém, para celebrarem a páscoa ao SENHOR Deus de Israel. "
Entenda os temas principais e aplique 2 Crônicas 30 na sua vida hoje
27 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Ezequias envia mensageiros conclamando Israel e Judá a se converterem ao Deus de seus pais, abandonando a dureza de coração e a infidelidade que trouxeram desolação. O texto enfatiza que Deus é misericordioso e compassivo, pronto a voltar o rosto para o povo quando este se volta para Ele.
Gente de Judá, de várias tribos do norte e até estrangeiros se reúnem em Jerusalém para celebrar a Páscoa e a festa dos pães ázimos. Deus dá a Judá um só coração para cumprir a palavra do Senhor, e a assembleia conjunta se torna um símbolo de restauração da unidade em torno da presença de Deus.
Antes da celebração, o povo remove altares e incensários estranhos, lançando-os no ribeiro de Cedrom. Sacerdotes e levitas se envergonham de sua negligência, se santificam e retomam seus postos conforme a Lei. A reforma é concreta, visível e alinhada com a vontade de Deus.
Muitos comem a Páscoa sem a purificação cerimonial exigida. Ezequias intercede pelo povo, pedindo perdão para quem preparou o coração para buscar o Senhor, ainda que imperfeitamente. Deus ouve a oração e sara o povo, revelando que o coração sincero pesa mais do que a performance perfeita.
A celebração é marcada por grande alegria, louvor contínuo, música e generosidade abundante do rei, dos príncipes e do povo. A festa é tão intensa que decidem prolongá-la por mais sete dias, culminando em bênçãos sacerdotais e numa alegria não vista desde os dias de Salomão.
2 Crônicas 30 situa-se no reinado de Ezequias, rei de Judá, por volta do final do século VIII a.C. Ezequias assume um reino marcado pela idolatria e pela infidelidade de seus antecessores, especialmente Acaz. O reino do norte (Israel) já estava em declínio sob a pressão da Assíria, e muitos israelitas haviam sido levados cativos. Nesse cenário, Ezequias promove uma reforma religiosa profunda, reabrindo e purificando o templo, restaurando o culto e, neste capítulo, reintroduzindo a celebração da Páscoa em escala nacional.
Segundo a Lei de Moisés (Êxodo 12; Números 9), a Páscoa deveria ser celebrada no primeiro mês. No entanto, Números 9 prevê uma provisão especial para que a Páscoa seja celebrada no segundo mês por aqueles que estivessem impuros ou afastados no momento correto. Ezequias usa essa concessão para possibilitar uma celebração nacional, pois os sacerdotes ainda não estavam santificados em número suficiente e o povo não havia se reunido em Jerusalém a tempo.
O convite é enviado “desde Berseba até Dã”, expressão que descreve toda a extensão da terra de Israel, incluindo as tribos do norte. Isso significa que, mesmo após as campanhas assírias, ainda havia remanescentes israelitas acessíveis. Muitos zombam do convite, o que mostra a persistente resistência espiritual no norte, mas alguns se humilham e descem a Jerusalém, evidenciando a existência de um remanescente fiel. O texto destaca a mão de Deus agindo para dar a Judá um só coração, interpretando o movimento de retorno à aliança como obra divina.
O capítulo também revela um momento raro de unidade entre habitantes de Judá, remanescentes de Israel e estrangeiros residentes, todos reunidos em Jerusalém. A referência à alegria “como não havia desde os dias de Salomão” liga esse evento à era áurea do reino unido, sugerindo que a reforma de Ezequias é uma espécie de renovação daquele ideal de nação centrada na presença de Deus.
O capítulo apresenta uma estrutura narrativa bem definida, com movimentos claros de convocação, resposta, purificação, celebração e conclusão abençoadora:
Convocação real para a Páscoa (vv. 1-5) – Ezequias consulta príncipes e a congregação e decide celebrar a Páscoa no segundo mês. Cartas são enviadas por todo Israel e Judá, e um pregão é proclamado desde Berseba até Dã.
Mensagem de arrependimento e promessa de misericórdia (vv. 6-9) – O conteúdo das cartas é transcrito: um chamado direto à conversão, à não imitação dos antepassados rebeldes, e a promessa de que Deus se voltaria para eles e teria misericórdia de seus irmãos cativos.
Reações ao convite (vv. 10-12) – Descrevem-se as diferentes respostas: zombaria e desprezo de muitos, mas também humilhação e obediência de alguns. Em Judá, destaca-se a ação da mão de Deus unindo o povo em um só coração.
Preparação e purificação em Jerusalém (vv. 13-17) – Grande assembleia se junta. O povo remove altares e incensários estranhos. Sacerdotes e levitas, envergonhados, se santificam, retomam seus postos e executam o serviço da Páscoa conforme a Lei.
Intercessão de Ezequias e resposta de Deus (vv. 18-20) – É apresentado um problema: muitos não estavam ritualmente puros, mas mesmo assim participaram. Ezequias intercede por eles, fundamentando-se na bondade de Deus e no coração preparado. Deus responde favoravelmente e sara o povo.
A celebração prolongada e a alegria geral (vv. 21-25) – A festa dos pães ázimos é celebrada por sete dias com grande alegria e louvor diário. Ezequias encoraja os levitas instruídos no conhecimento do Senhor. A congregação decide prolongar por mais sete dias. O texto detalha as abundantes ofertas de Ezequias e dos príncipes, e a alegria de todos os grupos presentes.
Clímax e conclusão com bênção (vv. 26-27) – O narrador destaca a magnitude da alegria, comparando-a aos dias de Salomão. O capítulo termina com os sacerdotes e levitas abençoando o povo, e com a afirmação de que a oração chegou até a habitação santa de Deus, nos céus, reforçando o reconhecimento divino daquele momento.
2 Crônicas 30 apresenta vários eixos teológicos importantes:
A centralidade do arrependimento e do retorno à aliança – O chamado a “dar a mão ao Senhor” e a não endurecer a cerviz mostra que a restauração começa com o abandono da rebeldia e a submissão humilde a Deus. A condição para que Deus se volte ao povo não é o mérito, mas a conversão sincera.
Deus misericordioso e compassivo – O texto declara explicitamente que o Senhor é “misericordioso e compassivo” e que não desviará o rosto de quem se volta para Ele. A resposta favorável à oração de Ezequias, mesmo com falhas nos ritos, mostra um Deus que olha para o coração e está disposto a curar e restaurar.
Reforma verdadeira envolve coração e prática – Há um equilíbrio entre transformação interna e mudanças externas. O povo se humilha, mas também remove altares estranhos. Sacerdotes se envergonham e se santificam, assumindo seu papel segundo a Lei. A fé é expressa em ações concretas de obediência.
Unidade do povo de Deus em torno da adoração – A reunião de Judá, remanescentes de Israel e estrangeiros em Jerusalém destaca a adoração ao Senhor como ponto de convergência. A “mão de Deus” que dá um só coração a Judá revela que a verdadeira unidade espiritual é obra divina.
A importância da intercessão – Ezequias aparece como rei intercessor, lembrando a figura do mediador que se coloca entre o povo imperfeito e o Deus santo. Sua oração pelaqueles que não estavam purificados antecipa, em certa medida, a necessidade de um mediador perfeito que represente o povo diante de Deus.
Alegria como fruto da restauração – A grande alegria que marca a celebração, superior a qualquer outra desde os dias de Salomão, mostra que a verdadeira adoração e reconciliação com Deus resultam em júbilo profundo e em bênção compartilhada entre toda a comunidade.
Em conjunto, o capítulo apresenta um quadro de avivamento em que a iniciativa real, a resposta do povo, a obediência à Lei, a intercessão e a misericórdia divina convergem para uma renovação da aliança e uma experiência de alegria espiritual coletiva.
Este capítulo pode ser lido como um retrato de cura comunitária após um período de afastamento e desolação. Em termos de cuidado emocional, o texto mostra um povo que carrega a culpa do passado, a vergonha da infidelidade e o impacto de perdas, inclusive o cativeiro de irmãos e filhos. A convocação de Ezequias não ignora esse passado, mas oferece um caminho de retorno, baseado em misericórdia e compaixão divina, e não em perfeição.
A narrativa valida o sentimento de vergonha (“os sacerdotes e levitas se envergonharam”) e, ao mesmo tempo, mostra essa vergonha sendo transformada em ação saudável: santificação, reorganização, retomada de responsabilidades. A zombaria de muitos nas tribos do norte ilustra que nem todos respondem ao convite de mudança, lembrando que processos de restauração nem sempre encontram apoio geral. Ainda assim, há um remanescente que se humilha e se move em direção ao centro da esperança.
A oração de Ezequias pelos que não estavam plenamente em conformidade ritual é um ponto de profundo consolo terapêutico: pessoas imperfeitas, em processo, são acolhidas por Deus quando o coração está inclinado a buscá-lo. Há espaço para quem está voltando aos poucos, ainda desorganizado, ainda aprendendo a se purificar.
O desfecho com alegria intensa, comunhão, louvor e bênção sacerdotal sugere que épocas de reconexão com Deus e com a comunidade de fé podem se tornar marcos de restauração emocional, reforçando pertencimento, esperança e sentido renovado.
O capítulo, embora consolador, também toca em temas que podem ser sensíveis para pessoas em sofrimento:
Culpa espiritual intensa – A repetida lembrança dos pecados dos pais e da desolação sofrida pode ser gatilho para quem luta com culpa religiosa ou sensação de condenação. É importante lembrar que o texto aponta para a misericórdia de Deus e não para uma fixação na culpa.
Pressão por santificação e pureza – A ênfase na santificação de sacerdotes, levitas e povo pode ser mal interpretada como exigência de perfeição ou performance espiritual. Na leitura pastoral, é essencial ressaltar que Deus olha primeiro para o coração preparado, como o capítulo mostra, e que a transformação é um processo.
Comparações com o passado idealizado – A afirmação de que não havia alegria assim desde os dias de Salomão pode acionar sentimentos de inadequação em quem não vive experiências intensas de alegria espiritual. O texto descreve um momento histórico específico, não uma norma permanente.
Rejeição e zombaria – A zombaria contra os mensageiros pode tocar em memórias de rejeição de fé ou de tentativas de mudança. A narrativa, porém, também apresenta o encorajamento de que Deus vê e honra os que se humilham e obedecem, mesmo quando são minoria.
Em leituras terapêuticas, é importante enfatizar o caráter compassivo de Deus, a aceitação de processos imperfeitos e a legitimidade de caminhar passo a passo rumo à restauração.
2 Crônicas 30 inspira diversas aplicações práticas para a vida diária:
Responder ao convite de mudança – Assim como o povo recebeu cartas conclamando ao arrependimento, muitas vezes surgem sinais e oportunidades de recomeço. Reconhecer esses convites e não endurecer o coração é fundamental para iniciar processos de restauração pessoal, familiar e comunitária.
Lidar com o passado de forma saudável – O capítulo não nega os erros dos pais nem a desolação resultante, mas também não fica preso a eles. Em vez disso, apresenta um caminho: voltar-se ao Senhor, confiar em sua misericórdia e assumir novas atitudes que rompam ciclos destrutivos.
Valorizar a adoração comunitária – A reunião de tribos diferentes e estrangeiros em torno da Páscoa mostra a força da fé vivida em comunidade. Participar de momentos coletivos de louvor, celebração e ensino pode fortalecer identidades, restaurar laços e renovar a alegria.
Transformar vergonha em responsabilidade – Sacerdotes e levitas se envergonham de sua condição, mas não se paralisam: santificam-se e retomam seus postos. De modo semelhante, reconhecer falhas pode se tornar ponto de partida para assumir responsabilidades e servir de forma mais fiel.
Acolher processos imperfeitos – Muitos não estavam plenamente purificados, mas buscavam o Senhor de coração. Em situações práticas, isso inspira a tratar com graça quem está voltando, aprendendo e se ajustando, sem exigir maturidade imediata, ao mesmo tempo em que se encoraja o crescimento.
Praticar generosidade e celebração – A generosidade de Ezequias e dos príncipes e a decisão de prolongar a festa refletem o valor de investir tempo, recursos e atenção em momentos que celebram a fidelidade de Deus. Isso pode se traduzir em atitudes de generosidade, hospitalidade e celebrações que reforcem gratidão e comunhão.
Reconhecer a importância da intercessão – A oração de Ezequias pelo povo lembra a relevância de interceder por comunidades, famílias e pessoas em processo. Intercessores colaboram para que muitos sejam alcançados pela graça e cura de Deus, mesmo em meio a limitações.
A Lei estabelecia a Páscoa no primeiro mês, mas previa uma concessão para o segundo mês para quem estivesse impuro ou afastado (conforme Números 9). No tempo de Ezequias, muitos sacerdotes ainda não estavam santificados e o povo não se tinha reunido em Jerusalém no tempo certo. Para possibilitar uma celebração ampla e ordenada, o rei e os líderes decidiram, com aprovação da congregação, celebrar a Páscoa no segundo mês, dentro dessa provisão legal.
Ezequias enviou mensageiros “por todo o Israel e Judá”, desde Berseba até Dã. Isso incluía Judá, as tribos do sul, bem como remanescentes das tribos do norte: Efraim, Manassés, Issacar, Zebulom, Aser e outros. O texto também menciona estrangeiros que viviam na terra de Israel e em Judá. Assim, o convite foi abrangente, chamando todos os descendentes de Israel e até residentes estrangeiros a se voltarem ao Senhor e celebrarem a Páscoa em Jerusalém.
A zombaria dos mensageiros reflete a resistência espiritual e a dureza de coração que ainda marcavam muitas pessoas, especialmente nas tribos do norte, após anos de idolatria e afastamento da aliança. Para esses, o chamado ao arrependimento e à centralização do culto em Jerusalém parecia absurdo ou indesejável. O texto mostra, contudo, que mesmo diante da rejeição, continuava existindo um remanescente que se humilhava e obedecia à convocação de Deus.
Muitos de Efraim, Manassés, Issacar e Zebulom comeram a Páscoa sem terem passado por toda a purificação ritual exigida. Ezequias, reconhecendo essa falha, intercedeu dizendo que o Senhor, que é bom, perdoasse todo aquele que havia preparado o coração para buscá-lo, ainda que não estivesse purificado segundo o santuário. Deus ouviu a oração de Ezequias e “sarou o povo”, demonstrando que Ele valoriza o coração arrependido acima de uma observância ritual perfeita.
O texto afirma que houve grande alegria em Jerusalém, de modo que algo assim não acontecia desde os dias de Salomão. Isso ressalta a intensidade e a singularidade daquele momento de restauração: o povo unificado, o templo purificado, o culto restaurado, a generosidade abundante e a presença de Deus reconhecida por meio da oração e da benção sacerdotal. Essa alegria é apresentada como fruto de um retorno coletivo à aliança e à adoração verdadeira.
Este capítulo é um retrato tocante de um povo que volta para casa depois de um tempo longo de afastamento. Há culpa, vergonha, desolação pela história dos pais e irmãos levados cativos, mas, acima de tudo, há um Deus descrito como misericordioso e compassivo, que não desvia o rosto de quem se volta para Ele. A vergonha dos sacerdotes e levitas é mencionada com honestidade. Eles haviam negligenciado seu chamado, e isso dói. No entanto, essa vergonha não se torna sentença definitiva; ela é transformada em santificação, em retomada do serviço, em reconciliação. O texto não esconde a imperfeição do povo: muitos não estavam purificados da maneira certa, mas mesmo assim desejavam buscar o Senhor. E, ao invés de rejeitá-los, Deus ouve a oração de Ezequias e “sara o povo”. É a imagem de um Pai que acolhe filhos desajeitados, mas sinceros. Há também a dor silenciosa da rejeição. Os mensageiros são alvo de riso e zombaria. Mesmo assim, alguns se humilham e vão a Jerusalém. Esse pequeno grupo, aparentemente frágil, experimenta alegria profunda na presença de Deus. O capítulo termina com bênção e oração que alcança os céus, como se o coração ferido de uma nação finalmente encontrasse descanso nos braços do Senhor. Em toda essa narrativa, o fio que sustenta é o amor paciente de Deus: Ele chama, espera, perdoa, cura e enche de alegria. A história mostra que, mesmo quando a história está marcada por perdas e falhas, ainda pode haver tempos de grande alegria, restauração e comunhão verdadeira na presença do Deus que não desiste do seu povo.
2 Crônicas 30 é um exemplo notável de reforma cultual fundamentada na Escritura, mas aplicada com sabedoria pastoral às circunstâncias do momento. Ezequias retoma a Páscoa, um dos pilares da identidade de Israel, apoiando-se na provisão de Números 9, que permite a celebração no segundo mês. Assim, não se trata de violar a Lei, e sim de usá-la em toda a sua amplitude para possibilitar um retorno ordenado à adoração. A carta enviada “por todo o Israel e Judá” usa linguagem profundamente teológica: evoca o Deus de Abraão, Isaque e Israel, recorda as consequências da infidelidade dos pais e enfatiza o caráter de Deus como misericordioso e compassivo. Há um chamado a não endurecer a cerviz, expressão recorrente no Antigo Testamento para descrever resistência à vontade de Deus. O convite inclui promessas concretas: Deus voltaria o rosto para o restante do povo e teria misericórdia até dos cativos. O relato distingue conscientemente entre duas respostas: zombaria e humilhação. O cronista, escrevendo para uma comunidade pós-exílica, reforça a ideia de remanescente fiel, ecoando temas proféticos. A menção da “mão de Deus” dando a Judá um só coração sublinha que a reforma não é apenas um projeto político de Ezequias, e sim uma obra do próprio Senhor no coração do povo. A questão da impureza ritual é tratada com fineza teológica. Muitos participam da Páscoa “não como está escrito”, o que em outros contextos poderia resultar em juízo. Aqui, porém, Ezequias intercede com base na bondade de Deus e na disposição interior de buscar o Senhor. A resposta divina – ouvir a oração e sarar o povo – não revoga a importância da Lei, mas a coloca em diálogo com a realidade do coração humano, antecipando uma ênfase posterior nos profetas e na teologia da aliança renovada. Literariamente, o capítulo caminha em direção a um clímax de alegria e unidade jamais visto desde Salomão, sinalizando que a verdadeira restauração envolve tanto fidelidade à tradição (Páscoa, templo, sacerdócio) quanto renovação espiritual genuína (coração voltado a Deus, intercessão, alegria comunitária).
2 Crônicas 30 mostra como uma liderança comprometida com Deus pode promover mudanças concretas na vida de uma comunidade. Ezequias não se limita a ideias ou discursos; ele consulta, decide, organiza, envia mensageiros, lida com resistência e persevera. A reforma deixa marcas práticas: altares estranhos são removidos, o templo é usado corretamente, funções são retomadas, e a agenda do povo é reorganizada em torno da celebração ao Senhor. Há um contraste nítido entre as reações ao convite: alguns riem e zombam, outros se humilham e vão a Jerusalém. Na realidade cotidiana, decisões semelhantes aparecem quando surgem oportunidades de correção e restauração. O texto sugere que a postura humilde, disposta a mudar de direção, abre caminho para uma vida mais alinhada com a vontade de Deus e, por consequência, mais cheia de sentido e alegria. O episódio da impureza ritual destaca algo importante para a prática da fé: pessoas em processo, sem tudo “no lugar”, ainda podem dar passos na direção certa. Ezequias não passa pano na necessidade de purificação, mas também não exclui quem está buscando sinceramente. Ele intercede, e Deus responde com cura. Isso aponta para a importância de ambientes comunitários que combinem verdade e graça: que ensinem o caminho de Deus com clareza, mas acolham quem ainda está aprendendo a caminhar. A generosidade do rei e dos príncipes também é um ponto prático relevante. Eles investem recursos significativos para que a celebração seja possível e abundante. Essa disposição de contribuir para o bem espiritual e comunitário mostra um modelo de responsabilidade: líderes e pessoas com recursos são chamados a servir, não apenas a si mesmos. Por fim, a decisão da congregação de prolongar a festa por mais sete dias revela que, quando a comunidade experimenta algo bom e edificante, vale a pena dedicar tempo intencional para consolidar esses momentos. Aplicado à vida diária, isso pode se traduzir em priorizar espaços que fortalecem fé, família e comunhão, reorganizando agendas e recursos em função do que realmente alimenta o coração e a vida.
Em 2 Crônicas 30, a restauração da Páscoa em Jerusalém aponta para realidades espirituais profundas. A Páscoa é a memória da libertação do Egito, do sangue que protege, da passagem da morte para a vida. Ao recolocar essa celebração no centro da vida nacional, Ezequias está chamando o povo a reencontrar sua identidade mais profunda: um povo salvo pela intervenção de Deus, separado para viver em aliança com Ele. O apelo das cartas fala de conversão: voltar-se ao Senhor, não endurecer a cerviz, dar a mão a Deus. A promessa é que, ao se converterem, Deus se voltaria para eles e até seus irmãos cativos seriam alcançados por misericórdia. Há aqui uma visão espiritual que ultrapassa o momento imediato: quando um povo se volta ao Senhor, as bênçãos da graça se estendem para além das fronteiras visíveis, alcançando gerações e contextos distantes. A oração de Ezequias pelos que não estavam devidamente purificados acentua um princípio que atravessa toda a Escritura: Deus olha para o coração que O busca. A perfeição ritual não é a base da aceitação; o coração preparado, sim. Essa realidade prepara o terreno para a compreensão de uma salvação baseada na graça, mediada por um intercessor que se coloca diante de Deus em favor de um povo imperfeito. A alegria que enche Jerusalém, não vista desde Salomão, antecipa algo da alegria plena da comunhão restaurada com Deus. A bênção pronunciada pelos sacerdotes e levitas, cuja oração chega até a habitação santa de Deus nos céus, sugere uma ligação viva entre a adoração na terra e a realidade celestial. A vida de fé é descrita como algo que se estende para além do visível: as orações sobem, a resposta vem, e o povo experimenta uma antecipação de descanso e júbilo que apontam para a comunhão eterna. Assim, o capítulo convida a enxergar a própria história à luz de uma grande narrativa de libertação, retorno e alegria. No centro dessa história está um Deus que chama, perdoa, cura, reúne e sela com bênção quem se volta para Ele, preparando um povo que vive no tempo presente com os olhos voltados para a realidade maior da presença de Deus para sempre.
" Depois disto Ezequias enviou mensageiros por todo o Israel e Judá, e escreveu também cartas a Efraim e a Manassés para que viessem à casa do SENHOR em Jerusalém, para celebrarem a páscoa ao SENHOR Deus de Israel. "
" Porque o rei tivera conselho com os seus príncipes, e com toda a congregação em Jerusalém, para celebrarem a páscoa no segundo mês. "
" Porquanto não a puderam celebrar no tempo próprio, porque não se tinham santificado sacerdotes em número suficiente, e o povo não se tinha ajuntado em Jerusalém. "
" E isto pareceu bem aos olhos do rei, e de toda a congregação. "
" E ordenaram que se fizesse passar pregão por todo o Israel, desde Berseba até Dã, para que viessem a celebrar a páscoa ao Senhor Deus de Israel, em Jerusalém; porque muitos não a tinham celebrado como estava escrito. "
" Foram, pois, os correios com as cartas, do rei e dos seus príncipes, por todo o Israel e Judá, segundo o mandado do rei, dizendo: Filhos de Israel, convertei-vos ao Senhor Deus de Abraão, de Isaque e de Israel; para que ele se volte para o restante de vós que escapou da mão dos reis da Assíria. "
" E não sejais como vossos pais e como vossos irmãos, que transgrediram contra o Senhor Deus de seus pais, pelo que os entregou à desolação como vedes. "
" Não endureçais agora a vossa cerviz, como vossos pais; dai a mão ao Senhor, e vinde ao seu santuário que ele santificou para sempre, e servi ao Senhor vosso Deus, para que o ardor da sua ira se desvie de vós. "
" Porque, em vos convertendo ao Senhor, vossos irmãos e vossos filhos acharão misericórdia perante os que os levaram cativos, e tornarão a esta terra; porque o Senhor vosso Deus é misericordioso e compassivo, e não desviará de vós o seu rosto, se vos converterdes a ele. "
" E os correios foram passando de cidade em cidade, pela terra de Efraim e Manassés até Zebulom; porém riram-se e zombaram deles. "
" Todavia alguns de Aser, e de Manassés, e de Zebulom, se humilharam, e vieram a Jerusalém. "
" E a mão de Deus esteve com Judá, dando-lhes um só coração, para fazerem o mandado do rei e dos príncipes, conforme a palavra do Senhor. "
" E ajuntou-se em Jerusalém muito povo, para celebrar a festa dos pães ázimos, no segundo mês; uma congregação mui grande. "
" E levantaram-se, e tiraram os altares que havia em Jerusalém; também tiraram todos os altares de incenso, e os lançaram no ribeiro de Cedrom. "
" Então sacrificaram a páscoa no dia décimo quarto do segundo mês; e os sacerdotes e levitas se envergonharam e se santificaram e trouxeram holocaustos à casa do Senhor. "
" E puseram-se no seu posto, segundo o seu costume, conforme a lei de Moisés, o homem de Deus; e os sacerdotes espargiam o sangue, tomando-o da mão dos levitas. "
" Porque havia muitos na congregação que não se tinham santificado; pelo que os levitas tinham o encargo de matarem os cordeiros da páscoa por todo aquele que não estava limpo, para o santificarem ao Senhor. "
" Porque uma multidão do povo, muitos de Efraim e Manassés, Issacar e Zebulom, não se tinham purificado, e contudo comeram a páscoa, não como está escrito; porém Ezequias orou por eles, dizendo: O Senhor, que é bom, perdoa todo aquele "
" Que tem preparado o seu coração para buscar ao Senhor Deus, o Deus de seus pais, ainda que não esteja purificado segundo a purificação do santuário. "
" E ouviu o Senhor a Ezequias, e sarou o povo. "
" E os filhos de Israel, que se acharam em Jerusalém, celebraram a festa dos pães ázimos sete dias com grande alegria; e os levitas e os sacerdotes louvaram ao Senhor de dia em dia, com estrondosos instrumentos ao Senhor. "
" E Ezequias falou benignamente a todos os levitas, que tinham bom entendimento no conhecimento do Senhor; e comeram as ofertas da solenidade por sete dias, oferecendo ofertas pacíficas, e louvando ao Senhor Deus de seus pais. "
" E, tendo toda a congregação conselho para celebrarem outros sete dias, celebraram ainda sete dias com alegria. "
" Porque Ezequias, rei de Judá, ofereceu à congregação mil novilhos e sete mil ovelhas; e os príncipes ofereceram à congregação mil novilhos e dez mil ovelhas; e os sacerdotes se santificaram em grande número. "
" E alegraram-se, toda a congregação de Judá, e os sacerdotes, e os levitas, toda a congregação de todos os que vieram de Israel, como também os estrangeiros que vieram da terra de Israel e os que habitavam em Judá. "
" E houve grande alegria em Jerusalém; porque desde os dias de Salomão, filho de Davi, rei de Israel, tal não houve em Jerusalém. "
" Então os sacerdotes e os levitas se levantaram e abençoaram o povo; e a sua voz foi ouvida; porque a sua oração chegou até à santa habitação de Deus, até aos céus. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.