2 Crônicas 29:1
" Tinha Ezequias vinte e cinco anos de idade, quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Abia, filha de Zacarias. "
Entenda os temas principais e aplique 2 Crônicas 29 na sua vida hoje
36 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Ezequias, ao assumir o trono, coloca como prioridade o retorno sincero ao Senhor, corrigindo o abandono de Deus e do templo que marcara o reinado de seu pai. A restauração começa com a liderança, alcança sacerdotes, levitas e todo o povo, e é marcada por confissão, aliança e obediência às instruções divinas.
O texto destaca que antes de restaurar os rituais era necessário santificar as pessoas e o lugar. Levitas e sacerdotes se separam para Deus, removem a imundícia do templo e o purificam, mostrando que verdadeira adoração exige limpeza moral e espiritual, não apenas mudanças externas.
Os diversos animais oferecidos – novilhos, carneiros, cordeiros e bodes – são apresentados como sacrifícios pelo pecado do reino, do santuário e de Judá, com o objetivo de fazer expiação e reconciliação por todo o Israel. O sangue derramado no altar ressalta a gravidade do pecado e a necessidade de perdão.
A restauração do culto inclui a retomada do louvor com instrumentos, cânticos e palavras de Davi e Asafe. O povo se prostra, adora e louva com alegria, mostrando que a verdadeira reforma espiritual desemboca em adoração viva, reverente e celebrativa.
Ezequias assume a responsabilidade pelas falhas do passado, motiva os levitas, convoca o povo e lidera pelo exemplo. Os levitas se mostram mais diligentes que muitos sacerdotes, evidenciando que a fidelidade a Deus não depende apenas de posição, mas de retidão de coração.
2 Crônicas 29 se passa no reino de Judá, após o governo de Acaz, um rei marcado pela idolatria e pelo desprezo ao culto estabelecido pela Lei de Moisés. Acaz havia fechado as portas do templo, interrompido os sacrifícios e introduzido práticas pagãs, o que trouxe disciplina severa sobre Judá e Jerusalém, incluindo derrotas militares e cativeiro para muitos.
Ezequias, seu filho, assume o trono por volta de 715 a.C. (datas aproximadas) e é apresentado como um rei que segue o exemplo de Davi, buscando restaurar a adoração ao Senhor. A centralidade do templo em Jerusalém reflete o papel que Deus havia designado a esse lugar: o centro do culto, dos sacrifícios e da presença divina no meio de Israel. O autor de Crônicas, escrevendo em período posterior ao exílio babilônico, enfatiza essas reformas para mostrar à comunidade pós-exílica a importância de voltar-se ao Senhor, valorizar o templo reconstruído e obedecer à aliança.
A menção de profetas como Natã e Gade, e de músicos como Davi e Asafe, relembra uma tradição litúrgica antiga, mostrando que Ezequias não inventa uma nova forma de culto, mas restaura aquilo que Deus havia ordenado por meio de seus profetas e líderes.
O capítulo tem uma estrutura narrativa organizada em etapas de reforma e restauração:
Introdução ao reinado de Ezequias (29:1-2)
Apresenta a idade do rei, duração do reinado, genealogia materna e uma avaliação teológica positiva de seu governo, comparando-o a Davi.
Decisão inicial de restaurar o templo (29:3-11)
Ezequias abre e repara as portas da casa do Senhor, convoca sacerdotes e levitas, denuncia os pecados das gerações passadas, interpreta as calamidades recentes como disciplina divina e conclama à santificação e à renovação da aliança.
Santificação dos levitas e purificação do templo (29:12-19)
Lista grupos de levitas por famílias, descreve o processo de purificação interna do templo e dos utensílios, bem como a remoção da imundícia para o ribeiro de Cedrom. A seção conclui com o relatório oficial a Ezequias sobre a conclusão do trabalho.
Sacrifícios de expiação pelo reino e por todo o Israel (29:20-24)
O rei e os líderes sobem ao templo; são oferecidos sacrifícios pelo pecado em favor do reino, do santuário e de Judá, com imposição de mãos e derramamento de sangue, enfatizando a expiação coletiva.
Restauração do louvor e da música sagrada (29:25-30)
Ezequias organiza levitas e sacerdotes com instrumentos e trombetas segundo as instruções dadas por Davi, Gade e Natã; o holocausto é acompanhado por cânticos e adoração prostrada, culminando em louvor alegre com os salmos de Davi e Asafe.
Resposta do povo e abundância de ofertas (29:31-35)
Após a consagração, o rei convida ao oferecimento de sacrifícios e ofertas de louvor. O povo responde generosamente, trazendo muitos holocaustos e coisas consagradas. Levitas precisam auxiliar devido ao pequeno número de sacerdotes já santificados.
Conclusão e resultado da reforma (29:36)
O capítulo encerra destacando a alegria de Ezequias e do povo e reconhecendo que Deus mesmo preparou e apressou a obra, sublinhando o sucesso divinamente assistido da reforma.
2 Crônicas 29 destaca vários eixos teológicos importantes.
Em primeiro lugar, a centralidade da adoração verdadeira. O livro de Crônicas insiste que a saúde espiritual de Judá está ligada à fidelidade ao culto no templo, conforme a Lei e as orientações dos profetas. Quando o culto é abandonado, a ira de Deus se manifesta em juízo; quando o culto é restaurado com sinceridade, Deus traz restauração e alegria.
Em segundo lugar, o texto enfatiza a necessidade de expiação pelo pecado. Os sacrifícios oferecidos por Ezequias não são meras formalidades, mas atos de substituição e reconciliação. O sangue no altar aponta para a seriedade do pecado coletivo e para a graça de Deus em prover um meio de perdão. Em perspectiva bíblica mais ampla, esses sacrifícios prefiguram a obra definitiva de Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Em terceiro lugar, há um forte destaque na responsabilidade da liderança. O rei, sacerdotes e levitas são chamados a reconhecer as transgressões do passado, a se santificar e a conduzir o povo de volta à obediência. Ezequias modela arrependimento, fé e urgência espiritual, mostrando como um líder piedoso pode ser instrumento de renovação em escala nacional.
Em quarto lugar, o capítulo sublinha o caráter coletivo da aliança. A linguagem usada inclui todo o reino, o santuário, Judá e até “todo o Israel”, lembrando que o povo de Deus é visto como um corpo, e que o pecado e a obediência têm dimensões comunitárias, não apenas individuais.
Por fim, a narrativa aponta para a soberania e a graça de Deus na reforma espiritual. Embora Ezequias e os levitas ajam com diligência, o versículo final atribui a Deus a preparação e a rapidez da obra. Isso revela que toda verdadeira renovação vem, em última instância, da iniciativa e do favor divinos, ainda que por meio de instrumentos humanos obedientes.
Lido em chave terapêutica, 2 Crônicas 29 fala de restauração após períodos de destruição e abandono. A situação de Judá sob Acaz se assemelha a uma vida espiritual, emocional ou moral devastada por escolhas equivocadas e afastamento de Deus. Ezequias inaugura um processo de reconstrução que envolve encarar o passado, admitir perdas, reconhecer culpa coletiva e buscar uma nova aliança.
O processo de purificação do templo, passo a passo, lembra a necessidade de limpeza interior e reorganização de áreas negligenciadas: aquilo que foi fechado, sujo ou esquecido precisa ser reaberto, examinado e purificado. A participação de diversos grupos (sacerdotes, levitas, líderes, todo o povo) sugere que a cura profunda frequentemente é comunitária, exigindo cooperação, ajuda mútua e partilha de responsabilidades.
Há também um componente de esperança: mesmo após morte, cativeiro e vergonha, Deus prepara uma obra rápida de restauração. A alegria final do povo mostra que processos de arrependimento e mudança, por mais dolorosos que sejam, podem resultar em renovação de sentido, de identidade e de adoração. O texto, assim, oferece um mapa espiritual de reconstrução, em que verdade, santificação e louvor caminham juntos rumo à cura.
O capítulo descreve, de forma histórica e teológica, temas que podem ativar sensibilidades específicas: juízo divino, morte de familiares em guerra, cativeiro e vergonha coletiva (v.8-9), além de linguagem sacrificial com derramamento de sangue (v.21-24). Para pessoas com histórico de trauma religioso, culpa extrema, ou imagens distorcidas de Deus como apenas irado e punitivo, essas passagens podem reforçar medos ou sentimentos de condenação.
Também há a possibilidade de leituras legalistas, em que a ênfase na santificação e na restauração do culto seja interpretada como exigência de perfeição imediata, sem reconhecer o papel da graça e da paciência de Deus. Além disso, quem vive lutas com culpa crônica pode se identificar excessivamente com o peso da disciplina divina e não perceber a nota de esperança, perdão e alegria que encerra o capítulo.
Em contextos pastorais e terapêuticos, é importante ler o texto destacando tanto a seriedade do pecado quanto a iniciativa amorosa de Deus em prover caminhos de retorno, e distinguir entre culpa saudável (que leva ao arrependimento) e culpa tóxica (que paralisa e afasta).
2 Crônicas 29 oferece direções práticas para a vida contemporânea.
Priorizar a restauração espiritual: Ezequias inicia seu reinado abrindo o templo e reparando o que estava quebrado. Em termos práticos, isso ressalta a importância de colocar a vida com Deus como prioridade em momentos de recomeço: reorganizar rotinas, retomar disciplinas espirituais, restaurar compromissos esquecidos.
Encarar o passado com verdade: O rei não minimiza as transgressões anteriores; ele as reconhece abertamente como causa da crise. Esse princípio se aplica à necessidade de assumir erros pessoais, familiares ou comunitários, sem justificar, para que haja espaço real para mudança e cura.
Santificação como processo coletivo: A purificação do templo envolve cooperação entre sacerdotes e levitas. Na prática, isso lembra que crescimento espiritual saudável acontece em comunidade: igrejas, grupos de fé e relacionamentos de confiança, onde cada um contribui com seus dons para a edificação conjunta.
Reordenar a adoração: A restauração do louvor, da música e dos sacrifícios mostra que a vida do povo precisava voltar a girar em torno da adoração a Deus. Em termos modernos, isso pode significar revisar o que ocupa o centro do tempo, das energias e dos afetos, colocando Deus acima de ídolos contemporâneos como sucesso, consumo ou reconhecimento.
Responder com generosidade: A reação do povo, trazendo ofertas em abundância, ilustra uma espiritualidade que se expressa em entrega concreta de recursos, tempo e dedicação. A aplicação prática envolve desenvolver uma postura de generosidade, serviço e participação ativa na vida comunitária.
Valorizar liderança piedosa e diligente: Ezequias lidera pelo exemplo, e os levitas se mostram mais prontos que muitos sacerdotes. Isso incentiva a buscar líderes de caráter e, ao mesmo tempo, a assumir responsabilidade pessoal, sem esperar perfeição de estruturas ou pessoas, mas contribuindo com disposição e retidão de coração.
O texto mostra que Ezequias reconhecia a gravidade da situação espiritual deixada por Acaz: o templo fechado, o culto interrompido e o povo sofrendo juízo. Ao agir logo no primeiro ano, e no primeiro mês, ele demonstra entender que a restauração da relação com Deus era urgente e prioritária, acima mesmo de questões políticas ou administrativas. A rapidez sublinha a convicção de que sem reconciliação com o Senhor não haveria verdadeiro futuro para Judá.
A purificação inclui tanto a limpeza física – remoção de imundícia e objetos impróprios – quanto a santificação ritual dos sacerdotes e levitas. Simbolicamente, isso expressa a necessidade de remover tudo o que contamina a adoração e de consagrar pessoas e coisas ao serviço de Deus. Em chave teológica, o templo representa a presença de Deus entre o povo; sua purificação aponta para a importância de um coração e uma comunidade limpos, alinhados com a santidade divina.
O sistema sacrificial de Israel, estabelecido na Lei de Moisés, utilizava animais sem defeito como oferta substitutiva pelo pecado. O sangue derramado no altar simbolizava vida oferecida em lugar do pecador, apontando para o custo do perdão. Em 2 Crônicas 29, a grande quantidade de sacrifícios reflete a dimensão coletiva do pecado e o desejo de restauração ampla: pelo reino, pelo santuário e por todo o povo. Em perspectiva bíblica mais ampla, esses sacrifícios prefiguram o sacrifício perfeito de Cristo, que cumpre e supera esse sistema ao oferecer-se uma vez por todas.
A música e o louvor não aparecem como mero adorno, mas como parte essencial do culto restaurado. Ezequias retoma as instruções dadas por Davi, Gade e Natã, colocando levitas com instrumentos específicos e sacerdotes com trombetas. O holocausto é acompanhado de cânticos e adoração prostrada, e o povo louva com alegria usando as palavras de Davi e Asafe. Isso mostra que a verdadeira renovação espiritual envolve o coração e a voz do povo, que respondem à graça de Deus com adoração organizada, bíblica e fervorosa.
O versículo 34 destaca que havia poucos sacerdotes santificados o suficiente para exercer plenamente suas funções, de modo que os levitas precisaram ajudá-los. O cronista comenta que os levitas foram mais retos de coração para se santificarem do que os sacerdotes, indicando que muitos levitas responderam com maior prontidão e seriedade ao chamado de Ezequias. Isso ressalta que a fidelidade a Deus não depende apenas da posição ou do título religioso, mas da disposição sincera do coração em obedecer e se consagrar.
Este capítulo respira o tema da restauração depois de um tempo longo de descuido e dor. A história de Judá sob Acaz é marcada por portas fechadas, luzes apagadas e silêncio no lugar onde deveria haver vida e adoração. Em 2 Crônicas 29, essas imagens se invertem: portas são abertas, lâmpadas são reacendidas, vozes se levantam em louvor. É como se um coração que havia sido endurecido começasse, de novo, a pulsar. Há uma humildade profunda nas palavras de Ezequias. Ele não tenta maquiar a realidade; assume que os pais transgrediram, que houve abandono de Deus, que as consequências foram duras. Essa lucidez não vem para esmagar, mas para abrir caminho a uma nova aliança. O texto mostra que lágrimas, perdas e memórias difíceis podem se tornar o solo onde Deus planta uma nova estação de graça. Também chama a atenção a forma como o povo se une: sacerdotes, levitas, líderes, congregação inteira. A santificação não é uma caminhada solitária; ela é compartilhada. Muitos se esforçam, alguns precisam de ajuda, outros demoram mais a se santificar, mas a obra avança mesmo assim. Isso revela um Deus paciente, que não abandona seu povo quando está quebrado, mas prepara, apressa e sustenta o processo de reconstrução. No final, a alegria toma o lugar da vergonha. Aquele povo que antes experimentava perturbação e escárnio agora celebra porque Deus mesmo preparou tudo. A narrativa oferece consolo: mesmo depois de muitos erros e períodos de escuridão espiritual, existe espaço para recomeços genuínos, em que a presença de Deus volta a ser percebida como luz, calor e canto no meio da comunidade.
Do ponto de vista exegético, 2 Crônicas 29 é um texto-chave para compreender a teologia da reforma em Crônicas. O autor apresenta Ezequias como um “novo Davi”, em contraste direto com Acaz, cuja infidelidade trouxe juízo. A fórmula de avaliação em 29:2 ecoa as avaliações de reis piedosos, sublinhando que o padrão não é meramente administrativo, mas teológico: fazer o que é reto aos olhos do Senhor. O capítulo explicita a lógica de causa e efeito típica deuteronomista-cronista: a transgressão dos “pais” (29:6-9) leva à ira de Deus, manifestada em derrota, morte e cativeiro; a resposta de arrependimento e retorno à aliança, por meio da purificação do templo e dos sacrifícios de expiação, prepara o caminho para restauração. A linguagem de “aliança” (29:10) é fundamental: não se trata apenas de reorganizar práticas religiosas, mas de retomar o vínculo pactuai entre Deus e o povo. Os detalhes sobre a purificação do templo (29:15-19) demonstram preocupação com a continuidade cultual. Objetos que Acaz havia rejeitado são agora restaurados e santificados. A geografia sagrada também é relevante: a imundícia é levada ao ribeiro de Cedrom, lugar associado em outras passagens ao descarte do que é impuro, sublinhando a separação entre santidade e impureza. Outra dimensão importante é a menção explícita aos profetas Gade e Natã (29:25). O autor indica que a organização musical e litúrgica de Davi tinha base profética, legitimando a prática cultual do tempo de Ezequias como continuidade fiel da revelação anterior. Assim, música e instrumentos não são inovações livres, mas expressão da vontade divina mediada pelos profetas. O foco em “todo o Israel” (29:24) é teologicamente estratégico: embora, historicamente, o reino do Norte estivesse em declínio e próximo do exílio, o cronista insiste em uma visão unificada do povo de Deus em torno do templo de Jerusalém. A menção final de que Deus preparou e apressou a obra (29:36) revela uma teologia da providência: reformas genuínas são fruto de iniciativa e capacitação divinas, mesmo quando mediadas por um rei piedoso e colaboradores dedicados.
Na dimensão prática, 2 Crônicas 29 mostra como se conduz uma mudança profunda em contextos marcados por atraso, negligência e estruturas desgastadas. Ezequias recebe um legado espiritual arruinado, mas escolhe não se acomodar. Ele define uma prioridade clara – restaurar o centro da vida espiritual – e começa pelas estruturas básicas: abrir portas, reparar, convocar as pessoas certas. É um modelo de liderança que não foge de decisões difíceis nem de confrontar problemas herdados. A forma como o rei fala aos levitas é instrutiva. Ele lembra o passado, explica as consequências, mostra a urgência e, em seguida, destaca o chamado deles: “o Senhor vos tem escolhido”. Ou seja, não apela apenas ao dever, mas à identidade e vocação. Em muitas situações da vida, mudanças duradouras acontecem quando as pessoas lembram quem são e para que foram chamadas, não apenas o que precisam fazer. Outro ponto prático é a organização do trabalho. O texto menciona grupos específicos, etapas, prazos (do primeiro ao décimo sexto dia) e relatórios ao rei. Há intencionalidade e acompanhamento. Para qualquer processo de reforma — seja em uma família, comunidade ou organização —, isso sugere a importância de estrutura mínima: designar responsabilidades, estabelecer metas e verificar o andamento. A cooperação entre levitas e sacerdotes, especialmente quando se percebe que “os sacerdotes eram mui poucos”, ensina flexibilidade saudável. Em vez de deixar a obra paralisada por falta de mão de obra especializada, os levitas se santificam e ajudam, sem violar princípios essenciais. É um retrato de times que se ajustam, aprendem novas funções e se apoiam para cumprir um propósito maior. Por fim, a resposta espontânea do povo, trazendo ofertas de forma generosa, indica que reformas verdadeiras não ficam apenas no topo da liderança; elas alcançam o cotidiano das pessoas, afetam como administram recursos, tempo e energia. Quando coração e estrutura caminham juntos – convicção interna e práticas externas –, o resultado é um ambiente em que a adoração se torna visível nas escolhas diárias.
Espiritualmente, 2 Crônicas 29 descreve um movimento de volta à fonte. O povo vinha vivendo uma fé esvaziada, com o centro da presença de Deus — o templo — fechado e escurecido. A reforma de Ezequias representa um chamado à essência da vida com Deus: aliança, santidade, sacrifício e adoração. A linguagem de “aliança” é decisiva: Ezequias declara que entrou em seu coração fazer uma aliança com o Senhor, para que se desvie o ardor da ira divina. Espiritualmente, isso aponta para uma realidade permanente: a existência humana ganha sentido quando é vivida como resposta a uma aliança com o Criador, não como um projeto isolado. O pecado rompe, distorce e distancia; a aliança restaurada recoloca o povo (e o indivíduo) sob o senhorio amoroso de Deus. Os sacrifícios abundantes de expiação mostram que não há retorno a Deus sem lidar com o pecado. O sangue que corre no altar, no contexto bíblico, representa vida oferecida em substituição, antecipando o sacrifício perfeito de Cristo. Em perspectiva de eternidade, o capítulo funciona como um ícone da reconciliação: aquilo que era motivo de juízo é coberto, e a comunidade passa da perturbação para a paz, da vergonha para a adoração prostrada. A presença forte do louvor e da música revela uma espiritualidade que engloba razão, vontade e afeto. O povo não apenas cumpre um rito; canta, se prostra, adora com alegria. Essa adoração nasce da consciência de que Deus tomou a iniciativa — Ele preparou e apressou a obra. A vida espiritual madura se alimenta dessa percepção: a resposta humana é sempre resposta à graça que veio primeiro. Na perspectiva da formação espiritual, o processo de purificação do templo é uma metáfora poderosa da jornada interior. Espaços obscuros são iluminados, imundícias escondidas são levadas para fora, o que foi desprezado é restaurado e santificado. Aos olhos da eternidade, a alma é chamada a esse caminho de purificação contínua, em que o ser inteiro se torna, pouco a pouco, lugar de presença e louvor ao Deus vivo.
" Tinha Ezequias vinte e cinco anos de idade, quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Abia, filha de Zacarias. "
" E fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme a tudo quanto fizera Davi, seu pai. "
" Ele, no primeiro ano do seu reinado, no primeiro mês, abriu as portas da casa do Senhor, e as reparou. "
" E trouxe os sacerdotes, e os levitas, e ajuntou-os na praça oriental, "
" E lhes disse: Ouvi-me, ó levitas, santificai-vos agora, e santificai a casa do Senhor Deus de vossos pais, e tirai do santuário a imundícia. "
" Porque nossos pais transgrediram, e fizeram o que era mau aos olhos do Senhor nosso Deus, e o deixaram, e desviaram os seus rostos do tabernáculo do Senhor, e lhe deram as costas. "
" Também fecharam as portas do alpendre, e apagaram as lâmpadas, e não queimaram incenso nem ofereceram holocaustos no santuário ao Deus de Israel. "
" Por isso veio grande ira do Senhor sobre Judá e Jerusalém, e os entregou à perturbação, à assolação, e ao escárnio, como vós o estais vendo com os vossos olhos. "
" Porque eis que nossos pais caíram à espada, e nossos filhos, e nossas filhas, e nossas mulheres; por isso estiveram em cativeiro. "
" Agora me tem vindo ao coração, que façamos uma aliança com o Senhor Deus de Israel, para que se desvie de nós o ardor da sua ira. "
" Agora, filhos meus, não sejais negligentes; pois o Senhor vos tem escolhido para estardes diante dele para o servirdes, e para serdes seus ministros e queimadores de incenso. "
" Então se levantaram os levitas, Maate, filho de Amasai, e Joel, filho de Azarias, dos filhos dos coatitas; e dos filhos de Merari, Quis, filho de Abdi, e Azarias, filho de Jealelel; e dos gersonitas, Joá, filho de Zima, e Éden, filho de Joá; "
" E dentre os filhos de Elisafã, Sinri e Jeuel; dentre os filhos de Asafe, Zacarias e Matanias; "
" E dentre os filhos de Hemam, Jeuel e Simei; e dentre os filhos de Jedutum, Semaías e Uziel. "
" E ajuntaram a seus irmãos, e santificaram-se e vieram conforme ao mandado do rei, pelas palavras do Senhor, para purificarem a casa do Senhor. "
" E os sacerdotes entraram na casa do Senhor, para a purificar, e tiraram para fora, ao pátio da casa do Senhor, toda a imundícia que acharam no templo do Senhor; e os levitas a tomaram, para a levarem para fora, ao ribeiro de Cedrom. "
" Começaram, pois, a santificar no primeiro dia, do primeiro mês; e ao oitavo dia do mês vieram ao alpendre do Senhor, e santificaram a casa do Senhor em oito dias; e no dia décimo sexto do primeiro mês acabaram. "
" Então foram ter com o rei Ezequias, e disseram: Já purificamos toda a casa do Senhor, como também o altar do holocausto com todos os seus utensílios e a mesa da proposição com todos os seus utensílios. "
" Também todos os objetos que o rei Acaz no seu reinado lançou fora, na sua transgressão, já preparamos e santificamos; e eis que estão diante do altar do Senhor. "
" Então o rei Ezequias se levantou de madrugada, e reuniu os líderes da cidade, e subiu à casa do Senhor. "
" E trouxeram sete novilhos e sete carneiros, e sete cordeiros e sete bodes, para sacrifício pelo pecado, pelo reino, e pelo santuário, e por Judá, e disse aos filhos de Arão, os sacerdotes, que os oferecessem sobre o altar do Senhor. "
" E eles mataram os bois, e os sacerdotes tomaram o sangue e o espargiram sobre o altar; também mataram os carneiros, e espargiram o sangue sobre o altar; semelhantemente mataram os cordeiros, e espargiram o sangue sobre o altar. "
" Então trouxeram os bodes para sacrifício pelo pecado, perante o rei e a congregação, e lhes impuseram as suas mãos. "
" E os sacerdotes os mataram, e com o seu sangue fizeram expiação do pecado sobre o altar, para reconciliar a todo o Israel; porque o rei tinha ordenado que se fizesse aquele holocausto e sacrifício pelo pecado, por todo o Israel. "
" E pôs os levitas na casa do Senhor com címbalos, com saltérios, e com harpas, conforme ao mandado de Davi e de Gade, o vidente do rei, e do profeta Natã; porque este mandado veio do Senhor, por mão de seus profetas. "
" Estavam, pois, os levitas em pé com os instrumentos de Davi, e os sacerdotes com as trombetas. "
" E Ezequias deu ordem que oferecessem o holocausto sobre o altar; e ao tempo em que começou o holocausto, começou também o canto do Senhor, com as trombetas e com os instrumentos de Davi, rei de Israel. "
" E toda a congregação se prostrou, quando entoavam o canto, e as trombetas eram tocadas; tudo isto até o holocausto se acabar. "
" E acabando de o oferecer, o rei e todos quantos com ele se achavam se prostraram e adoraram. "
" Então o rei Ezequias e os príncipes disseram aos levitas que louvassem ao Senhor com as palavras de Davi, e de Asafe, o vidente. E o louvaram com alegria e se inclinaram e adoraram. "
" E respondeu Ezequias, dizendo: Agora vos consagrastes a vós mesmos ao Senhor; chegai-vos e trazei sacrifícios e ofertas de louvor à casa do Senhor. E a congregação trouxe sacrifícios e ofertas de louvor, e todos os dispostos de coração trouxeram holocaustos. "
" E o número dos holocaustos, que a congregação trouxe, foi de setenta bois, cem carneiros, duzentos cordeiros; tudo isto em holocausto para o Senhor. "
" Houve, também, de coisas consagradas, seiscentos bois e três mil ovelhas. "
" Eram, porém, os sacerdotes mui poucos, e não podiam esfolar a todos os holocaustos; pelo que seus irmãos os levitas os ajudaram, até a obra se acabar, e até que os outros sacerdotes se santificaram; porque os levitas foram mais retos de coração, para se santificarem, do que os sacerdotes. "
" E houve também holocaustos em abundância, com a gordura das ofertas pacíficas, e com as ofertas de libação para os holocaustos. Assim se restabeleceu o ministério da casa do Senhor. "
" E Ezequias, e todo o povo se alegraram, por causa daquilo que Deus tinha preparado para o povo; porque apressuradamente se fez esta obra. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.