2 Crônicas 29 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique 2 Crônicas 29 na sua vida hoje

36 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é 2 Crônicas 29?

2 Crônicas 29 narra o início do reinado de Ezequias em Judá e a grande reforma espiritual que ele promoveu. Logo no primeiro ano, o rei reabre e restaura o templo, convoca sacerdotes e levitas para se santificarem e purificarem a casa do Senhor, confessa o pecado das gerações anteriores e estabelece uma renovação da aliança com Deus. O capítulo descreve detalhadamente a limpeza do templo, os sacrifícios de expiação oferecidos por todo o Israel, a restauração da música e do louvor segundo as orientações dadas por Davi e pelos profetas, e a resposta espontânea do povo, que traz abundantes ofertas e holocaustos. O resultado é a plena restauração do culto e uma grande alegria, reconhecendo que Deus mesmo preparou e agilizou essa obra de renovação.

Temas principais em 2 Crônicas 29

Reforma espiritual e retorno à aliança (versículos 1-11, 20-24, 31-36)

Ezequias, ao assumir o trono, coloca como prioridade o retorno sincero ao Senhor, corrigindo o abandono de Deus e do templo que marcara o reinado de seu pai. A restauração começa com a liderança, alcança sacerdotes, levitas e todo o povo, e é marcada por confissão, aliança e obediência às instruções divinas.

Versículos-chave: 2, 10, 35, 36

Santificação pessoal e purificação do culto (versículos 4-8, 15-19, 34)

O texto destaca que antes de restaurar os rituais era necessário santificar as pessoas e o lugar. Levitas e sacerdotes se separam para Deus, removem a imundícia do templo e o purificam, mostrando que verdadeira adoração exige limpeza moral e espiritual, não apenas mudanças externas.

Versículos-chave: 5, 15, 16, 34

Sacrifício e expiação pelo pecado (versículos 21-24, 32-35)

Os diversos animais oferecidos – novilhos, carneiros, cordeiros e bodes – são apresentados como sacrifícios pelo pecado do reino, do santuário e de Judá, com o objetivo de fazer expiação e reconciliação por todo o Israel. O sangue derramado no altar ressalta a gravidade do pecado e a necessidade de perdão.

Versículos-chave: 21, 23, 24

Louvor, música e adoração comunitária (versículos 25-30)

A restauração do culto inclui a retomada do louvor com instrumentos, cânticos e palavras de Davi e Asafe. O povo se prostra, adora e louva com alegria, mostrando que a verdadeira reforma espiritual desemboca em adoração viva, reverente e celebrativa.

Versículos-chave: 27, 28, 30

Responsabilidade e exemplo da liderança espiritual (versículos 3-6, 10-11, 12-15, 34-36)

Ezequias assume a responsabilidade pelas falhas do passado, motiva os levitas, convoca o povo e lidera pelo exemplo. Os levitas se mostram mais diligentes que muitos sacerdotes, evidenciando que a fidelidade a Deus não depende apenas de posição, mas de retidão de coração.

Versículos-chave: 3, 6, 11, 34

Contexto histórico e literario

2 Crônicas 29 se passa no reino de Judá, após o governo de Acaz, um rei marcado pela idolatria e pelo desprezo ao culto estabelecido pela Lei de Moisés. Acaz havia fechado as portas do templo, interrompido os sacrifícios e introduzido práticas pagãs, o que trouxe disciplina severa sobre Judá e Jerusalém, incluindo derrotas militares e cativeiro para muitos.

Ezequias, seu filho, assume o trono por volta de 715 a.C. (datas aproximadas) e é apresentado como um rei que segue o exemplo de Davi, buscando restaurar a adoração ao Senhor. A centralidade do templo em Jerusalém reflete o papel que Deus havia designado a esse lugar: o centro do culto, dos sacrifícios e da presença divina no meio de Israel. O autor de Crônicas, escrevendo em período posterior ao exílio babilônico, enfatiza essas reformas para mostrar à comunidade pós-exílica a importância de voltar-se ao Senhor, valorizar o templo reconstruído e obedecer à aliança.

A menção de profetas como Natã e Gade, e de músicos como Davi e Asafe, relembra uma tradição litúrgica antiga, mostrando que Ezequias não inventa uma nova forma de culto, mas restaura aquilo que Deus havia ordenado por meio de seus profetas e líderes.

Estrutura de 2 Crônicas 29

O capítulo tem uma estrutura narrativa organizada em etapas de reforma e restauração:

  1. Introdução ao reinado de Ezequias (29:1-2)
    Apresenta a idade do rei, duração do reinado, genealogia materna e uma avaliação teológica positiva de seu governo, comparando-o a Davi.

  2. Decisão inicial de restaurar o templo (29:3-11)
    Ezequias abre e repara as portas da casa do Senhor, convoca sacerdotes e levitas, denuncia os pecados das gerações passadas, interpreta as calamidades recentes como disciplina divina e conclama à santificação e à renovação da aliança.

  3. Santificação dos levitas e purificação do templo (29:12-19)
    Lista grupos de levitas por famílias, descreve o processo de purificação interna do templo e dos utensílios, bem como a remoção da imundícia para o ribeiro de Cedrom. A seção conclui com o relatório oficial a Ezequias sobre a conclusão do trabalho.

  4. Sacrifícios de expiação pelo reino e por todo o Israel (29:20-24)
    O rei e os líderes sobem ao templo; são oferecidos sacrifícios pelo pecado em favor do reino, do santuário e de Judá, com imposição de mãos e derramamento de sangue, enfatizando a expiação coletiva.

  5. Restauração do louvor e da música sagrada (29:25-30)
    Ezequias organiza levitas e sacerdotes com instrumentos e trombetas segundo as instruções dadas por Davi, Gade e Natã; o holocausto é acompanhado por cânticos e adoração prostrada, culminando em louvor alegre com os salmos de Davi e Asafe.

  6. Resposta do povo e abundância de ofertas (29:31-35)
    Após a consagração, o rei convida ao oferecimento de sacrifícios e ofertas de louvor. O povo responde generosamente, trazendo muitos holocaustos e coisas consagradas. Levitas precisam auxiliar devido ao pequeno número de sacerdotes já santificados.

  7. Conclusão e resultado da reforma (29:36)
    O capítulo encerra destacando a alegria de Ezequias e do povo e reconhecendo que Deus mesmo preparou e apressou a obra, sublinhando o sucesso divinamente assistido da reforma.

Significado teológico

2 Crônicas 29 destaca vários eixos teológicos importantes.

Em primeiro lugar, a centralidade da adoração verdadeira. O livro de Crônicas insiste que a saúde espiritual de Judá está ligada à fidelidade ao culto no templo, conforme a Lei e as orientações dos profetas. Quando o culto é abandonado, a ira de Deus se manifesta em juízo; quando o culto é restaurado com sinceridade, Deus traz restauração e alegria.

Em segundo lugar, o texto enfatiza a necessidade de expiação pelo pecado. Os sacrifícios oferecidos por Ezequias não são meras formalidades, mas atos de substituição e reconciliação. O sangue no altar aponta para a seriedade do pecado coletivo e para a graça de Deus em prover um meio de perdão. Em perspectiva bíblica mais ampla, esses sacrifícios prefiguram a obra definitiva de Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Em terceiro lugar, há um forte destaque na responsabilidade da liderança. O rei, sacerdotes e levitas são chamados a reconhecer as transgressões do passado, a se santificar e a conduzir o povo de volta à obediência. Ezequias modela arrependimento, fé e urgência espiritual, mostrando como um líder piedoso pode ser instrumento de renovação em escala nacional.

Em quarto lugar, o capítulo sublinha o caráter coletivo da aliança. A linguagem usada inclui todo o reino, o santuário, Judá e até “todo o Israel”, lembrando que o povo de Deus é visto como um corpo, e que o pecado e a obediência têm dimensões comunitárias, não apenas individuais.

Por fim, a narrativa aponta para a soberania e a graça de Deus na reforma espiritual. Embora Ezequias e os levitas ajam com diligência, o versículo final atribui a Deus a preparação e a rapidez da obra. Isso revela que toda verdadeira renovação vem, em última instância, da iniciativa e do favor divinos, ainda que por meio de instrumentos humanos obedientes.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Lido em chave terapêutica, 2 Crônicas 29 fala de restauração após períodos de destruição e abandono. A situação de Judá sob Acaz se assemelha a uma vida espiritual, emocional ou moral devastada por escolhas equivocadas e afastamento de Deus. Ezequias inaugura um processo de reconstrução que envolve encarar o passado, admitir perdas, reconhecer culpa coletiva e buscar uma nova aliança.

O processo de purificação do templo, passo a passo, lembra a necessidade de limpeza interior e reorganização de áreas negligenciadas: aquilo que foi fechado, sujo ou esquecido precisa ser reaberto, examinado e purificado. A participação de diversos grupos (sacerdotes, levitas, líderes, todo o povo) sugere que a cura profunda frequentemente é comunitária, exigindo cooperação, ajuda mútua e partilha de responsabilidades.

Há também um componente de esperança: mesmo após morte, cativeiro e vergonha, Deus prepara uma obra rápida de restauração. A alegria final do povo mostra que processos de arrependimento e mudança, por mais dolorosos que sejam, podem resultar em renovação de sentido, de identidade e de adoração. O texto, assim, oferece um mapa espiritual de reconstrução, em que verdade, santificação e louvor caminham juntos rumo à cura.

warning Importante: maus usos comuns

O capítulo descreve, de forma histórica e teológica, temas que podem ativar sensibilidades específicas: juízo divino, morte de familiares em guerra, cativeiro e vergonha coletiva (v.8-9), além de linguagem sacrificial com derramamento de sangue (v.21-24). Para pessoas com histórico de trauma religioso, culpa extrema, ou imagens distorcidas de Deus como apenas irado e punitivo, essas passagens podem reforçar medos ou sentimentos de condenação.

Também há a possibilidade de leituras legalistas, em que a ênfase na santificação e na restauração do culto seja interpretada como exigência de perfeição imediata, sem reconhecer o papel da graça e da paciência de Deus. Além disso, quem vive lutas com culpa crônica pode se identificar excessivamente com o peso da disciplina divina e não perceber a nota de esperança, perdão e alegria que encerra o capítulo.

Em contextos pastorais e terapêuticos, é importante ler o texto destacando tanto a seriedade do pecado quanto a iniciativa amorosa de Deus em prover caminhos de retorno, e distinguir entre culpa saudável (que leva ao arrependimento) e culpa tóxica (que paralisa e afasta).

Aplicação prática para hoje

2 Crônicas 29 oferece direções práticas para a vida contemporânea.

  1. Priorizar a restauração espiritual: Ezequias inicia seu reinado abrindo o templo e reparando o que estava quebrado. Em termos práticos, isso ressalta a importância de colocar a vida com Deus como prioridade em momentos de recomeço: reorganizar rotinas, retomar disciplinas espirituais, restaurar compromissos esquecidos.

  2. Encarar o passado com verdade: O rei não minimiza as transgressões anteriores; ele as reconhece abertamente como causa da crise. Esse princípio se aplica à necessidade de assumir erros pessoais, familiares ou comunitários, sem justificar, para que haja espaço real para mudança e cura.

  3. Santificação como processo coletivo: A purificação do templo envolve cooperação entre sacerdotes e levitas. Na prática, isso lembra que crescimento espiritual saudável acontece em comunidade: igrejas, grupos de fé e relacionamentos de confiança, onde cada um contribui com seus dons para a edificação conjunta.

  4. Reordenar a adoração: A restauração do louvor, da música e dos sacrifícios mostra que a vida do povo precisava voltar a girar em torno da adoração a Deus. Em termos modernos, isso pode significar revisar o que ocupa o centro do tempo, das energias e dos afetos, colocando Deus acima de ídolos contemporâneos como sucesso, consumo ou reconhecimento.

  5. Responder com generosidade: A reação do povo, trazendo ofertas em abundância, ilustra uma espiritualidade que se expressa em entrega concreta de recursos, tempo e dedicação. A aplicação prática envolve desenvolver uma postura de generosidade, serviço e participação ativa na vida comunitária.

  6. Valorizar liderança piedosa e diligente: Ezequias lidera pelo exemplo, e os levitas se mostram mais prontos que muitos sacerdotes. Isso incentiva a buscar líderes de caráter e, ao mesmo tempo, a assumir responsabilidade pessoal, sem esperar perfeição de estruturas ou pessoas, mas contribuindo com disposição e retidão de coração.

Perguntas frequentes

Por que Ezequias começou sua reforma logo no primeiro ano de reinado?

O texto mostra que Ezequias reconhecia a gravidade da situação espiritual deixada por Acaz: o templo fechado, o culto interrompido e o povo sofrendo juízo. Ao agir logo no primeiro ano, e no primeiro mês, ele demonstra entender que a restauração da relação com Deus era urgente e prioritária, acima mesmo de questões políticas ou administrativas. A rapidez sublinha a convicção de que sem reconciliação com o Senhor não haveria verdadeiro futuro para Judá.

O que significa a purificação do templo descrita em 2 Crônicas 29?

A purificação inclui tanto a limpeza física – remoção de imundícia e objetos impróprios – quanto a santificação ritual dos sacerdotes e levitas. Simbolicamente, isso expressa a necessidade de remover tudo o que contamina a adoração e de consagrar pessoas e coisas ao serviço de Deus. Em chave teológica, o templo representa a presença de Deus entre o povo; sua purificação aponta para a importância de um coração e uma comunidade limpos, alinhados com a santidade divina.

Por que são mencionados tantos sacrifícios de animais neste capítulo?

O sistema sacrificial de Israel, estabelecido na Lei de Moisés, utilizava animais sem defeito como oferta substitutiva pelo pecado. O sangue derramado no altar simbolizava vida oferecida em lugar do pecador, apontando para o custo do perdão. Em 2 Crônicas 29, a grande quantidade de sacrifícios reflete a dimensão coletiva do pecado e o desejo de restauração ampla: pelo reino, pelo santuário e por todo o povo. Em perspectiva bíblica mais ampla, esses sacrifícios prefiguram o sacrifício perfeito de Cristo, que cumpre e supera esse sistema ao oferecer-se uma vez por todas.

Qual o papel da música e do louvor na reforma de Ezequias?

A música e o louvor não aparecem como mero adorno, mas como parte essencial do culto restaurado. Ezequias retoma as instruções dadas por Davi, Gade e Natã, colocando levitas com instrumentos específicos e sacerdotes com trombetas. O holocausto é acompanhado de cânticos e adoração prostrada, e o povo louva com alegria usando as palavras de Davi e Asafe. Isso mostra que a verdadeira renovação espiritual envolve o coração e a voz do povo, que respondem à graça de Deus com adoração organizada, bíblica e fervorosa.

Por que o texto afirma que os levitas foram mais retos de coração que os sacerdotes?

O versículo 34 destaca que havia poucos sacerdotes santificados o suficiente para exercer plenamente suas funções, de modo que os levitas precisaram ajudá-los. O cronista comenta que os levitas foram mais retos de coração para se santificarem do que os sacerdotes, indicando que muitos levitas responderam com maior prontidão e seriedade ao chamado de Ezequias. Isso ressalta que a fidelidade a Deus não depende apenas da posição ou do título religioso, mas da disposição sincera do coração em obedecer e se consagrar.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Este capítulo respira o tema da restauração depois de um tempo longo de descuido e dor. A história de Judá sob Acaz é marcada por portas fechadas, luzes apagadas e silêncio no lugar onde deveria haver vida e adoração. Em 2 Crônicas 29, essas imagens se invertem: portas são abertas, lâmpadas são reacendidas, vozes se levantam em louvor. É como se um coração que havia sido endurecido começasse, de novo, a pulsar. Há uma humildade profunda nas palavras de Ezequias. Ele não tenta maquiar a realidade; assume que os pais transgrediram, que houve abandono de Deus, que as consequências foram duras. Essa lucidez não vem para esmagar, mas para abrir caminho a uma nova aliança. O texto mostra que lágrimas, perdas e memórias difíceis podem se tornar o solo onde Deus planta uma nova estação de graça. Também chama a atenção a forma como o povo se une: sacerdotes, levitas, líderes, congregação inteira. A santificação não é uma caminhada solitária; ela é compartilhada. Muitos se esforçam, alguns precisam de ajuda, outros demoram mais a se santificar, mas a obra avança mesmo assim. Isso revela um Deus paciente, que não abandona seu povo quando está quebrado, mas prepara, apressa e sustenta o processo de reconstrução. No final, a alegria toma o lugar da vergonha. Aquele povo que antes experimentava perturbação e escárnio agora celebra porque Deus mesmo preparou tudo. A narrativa oferece consolo: mesmo depois de muitos erros e períodos de escuridão espiritual, existe espaço para recomeços genuínos, em que a presença de Deus volta a ser percebida como luz, calor e canto no meio da comunidade.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético, 2 Crônicas 29 é um texto-chave para compreender a teologia da reforma em Crônicas. O autor apresenta Ezequias como um “novo Davi”, em contraste direto com Acaz, cuja infidelidade trouxe juízo. A fórmula de avaliação em 29:2 ecoa as avaliações de reis piedosos, sublinhando que o padrão não é meramente administrativo, mas teológico: fazer o que é reto aos olhos do Senhor. O capítulo explicita a lógica de causa e efeito típica deuteronomista-cronista: a transgressão dos “pais” (29:6-9) leva à ira de Deus, manifestada em derrota, morte e cativeiro; a resposta de arrependimento e retorno à aliança, por meio da purificação do templo e dos sacrifícios de expiação, prepara o caminho para restauração. A linguagem de “aliança” (29:10) é fundamental: não se trata apenas de reorganizar práticas religiosas, mas de retomar o vínculo pactuai entre Deus e o povo. Os detalhes sobre a purificação do templo (29:15-19) demonstram preocupação com a continuidade cultual. Objetos que Acaz havia rejeitado são agora restaurados e santificados. A geografia sagrada também é relevante: a imundícia é levada ao ribeiro de Cedrom, lugar associado em outras passagens ao descarte do que é impuro, sublinhando a separação entre santidade e impureza. Outra dimensão importante é a menção explícita aos profetas Gade e Natã (29:25). O autor indica que a organização musical e litúrgica de Davi tinha base profética, legitimando a prática cultual do tempo de Ezequias como continuidade fiel da revelação anterior. Assim, música e instrumentos não são inovações livres, mas expressão da vontade divina mediada pelos profetas. O foco em “todo o Israel” (29:24) é teologicamente estratégico: embora, historicamente, o reino do Norte estivesse em declínio e próximo do exílio, o cronista insiste em uma visão unificada do povo de Deus em torno do templo de Jerusalém. A menção final de que Deus preparou e apressou a obra (29:36) revela uma teologia da providência: reformas genuínas são fruto de iniciativa e capacitação divinas, mesmo quando mediadas por um rei piedoso e colaboradores dedicados.

Life
Life

Na dimensão prática, 2 Crônicas 29 mostra como se conduz uma mudança profunda em contextos marcados por atraso, negligência e estruturas desgastadas. Ezequias recebe um legado espiritual arruinado, mas escolhe não se acomodar. Ele define uma prioridade clara – restaurar o centro da vida espiritual – e começa pelas estruturas básicas: abrir portas, reparar, convocar as pessoas certas. É um modelo de liderança que não foge de decisões difíceis nem de confrontar problemas herdados. A forma como o rei fala aos levitas é instrutiva. Ele lembra o passado, explica as consequências, mostra a urgência e, em seguida, destaca o chamado deles: “o Senhor vos tem escolhido”. Ou seja, não apela apenas ao dever, mas à identidade e vocação. Em muitas situações da vida, mudanças duradouras acontecem quando as pessoas lembram quem são e para que foram chamadas, não apenas o que precisam fazer. Outro ponto prático é a organização do trabalho. O texto menciona grupos específicos, etapas, prazos (do primeiro ao décimo sexto dia) e relatórios ao rei. Há intencionalidade e acompanhamento. Para qualquer processo de reforma — seja em uma família, comunidade ou organização —, isso sugere a importância de estrutura mínima: designar responsabilidades, estabelecer metas e verificar o andamento. A cooperação entre levitas e sacerdotes, especialmente quando se percebe que “os sacerdotes eram mui poucos”, ensina flexibilidade saudável. Em vez de deixar a obra paralisada por falta de mão de obra especializada, os levitas se santificam e ajudam, sem violar princípios essenciais. É um retrato de times que se ajustam, aprendem novas funções e se apoiam para cumprir um propósito maior. Por fim, a resposta espontânea do povo, trazendo ofertas de forma generosa, indica que reformas verdadeiras não ficam apenas no topo da liderança; elas alcançam o cotidiano das pessoas, afetam como administram recursos, tempo e energia. Quando coração e estrutura caminham juntos – convicção interna e práticas externas –, o resultado é um ambiente em que a adoração se torna visível nas escolhas diárias.

Soul
Soul

Espiritualmente, 2 Crônicas 29 descreve um movimento de volta à fonte. O povo vinha vivendo uma fé esvaziada, com o centro da presença de Deus — o templo — fechado e escurecido. A reforma de Ezequias representa um chamado à essência da vida com Deus: aliança, santidade, sacrifício e adoração. A linguagem de “aliança” é decisiva: Ezequias declara que entrou em seu coração fazer uma aliança com o Senhor, para que se desvie o ardor da ira divina. Espiritualmente, isso aponta para uma realidade permanente: a existência humana ganha sentido quando é vivida como resposta a uma aliança com o Criador, não como um projeto isolado. O pecado rompe, distorce e distancia; a aliança restaurada recoloca o povo (e o indivíduo) sob o senhorio amoroso de Deus. Os sacrifícios abundantes de expiação mostram que não há retorno a Deus sem lidar com o pecado. O sangue que corre no altar, no contexto bíblico, representa vida oferecida em substituição, antecipando o sacrifício perfeito de Cristo. Em perspectiva de eternidade, o capítulo funciona como um ícone da reconciliação: aquilo que era motivo de juízo é coberto, e a comunidade passa da perturbação para a paz, da vergonha para a adoração prostrada. A presença forte do louvor e da música revela uma espiritualidade que engloba razão, vontade e afeto. O povo não apenas cumpre um rito; canta, se prostra, adora com alegria. Essa adoração nasce da consciência de que Deus tomou a iniciativa — Ele preparou e apressou a obra. A vida espiritual madura se alimenta dessa percepção: a resposta humana é sempre resposta à graça que veio primeiro. Na perspectiva da formação espiritual, o processo de purificação do templo é uma metáfora poderosa da jornada interior. Espaços obscuros são iluminados, imundícias escondidas são levadas para fora, o que foi desprezado é restaurado e santificado. Aos olhos da eternidade, a alma é chamada a esse caminho de purificação contínua, em que o ser inteiro se torna, pouco a pouco, lugar de presença e louvor ao Deus vivo.

IA cristã companheira

Pronto para aplicar 2 Crônicas 29? Receba orientação personalizada

Junte-se a milhares de pessoas aprofundando sua compreensão das Escrituras com planos de estudo personalizados, aplicações de versículos e reflexões guiadas.

1 Sua pergunta arrow_forward 2 Correspondencia bíblica arrow_forward 3 Aplicação guiada

✓ Sem cartão de crédito • ✓ Seus dados ficam privados • ✓ 30 créditos grátis

Versículos em 2 Crônicas 29

2 Crônicas 29:1

" Tinha Ezequias vinte e cinco anos de idade, quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Abia, filha de Zacarias. "

2 Crônicas 29:5

" E lhes disse: Ouvi-me, ó levitas, santificai-vos agora, e santificai a casa do Senhor Deus de vossos pais, e tirai do santuário a imundícia. "

2 Crônicas 29:6

" Porque nossos pais transgrediram, e fizeram o que era mau aos olhos do Senhor nosso Deus, e o deixaram, e desviaram os seus rostos do tabernáculo do Senhor, e lhe deram as costas. "

2 Crônicas 29:7

" Também fecharam as portas do alpendre, e apagaram as lâmpadas, e não queimaram incenso nem ofereceram holocaustos no santuário ao Deus de Israel. "

2 Crônicas 29:8

" Por isso veio grande ira do Senhor sobre Judá e Jerusalém, e os entregou à perturbação, à assolação, e ao escárnio, como vós o estais vendo com os vossos olhos. "

2 Crônicas 29:9

" Porque eis que nossos pais caíram à espada, e nossos filhos, e nossas filhas, e nossas mulheres; por isso estiveram em cativeiro. "

2 Crônicas 29:10

" Agora me tem vindo ao coração, que façamos uma aliança com o Senhor Deus de Israel, para que se desvie de nós o ardor da sua ira. "

2 Crônicas 29:11

" Agora, filhos meus, não sejais negligentes; pois o Senhor vos tem escolhido para estardes diante dele para o servirdes, e para serdes seus ministros e queimadores de incenso. "

2 Crônicas 29:12

" Então se levantaram os levitas, Maate, filho de Amasai, e Joel, filho de Azarias, dos filhos dos coatitas; e dos filhos de Merari, Quis, filho de Abdi, e Azarias, filho de Jealelel; e dos gersonitas, Joá, filho de Zima, e Éden, filho de Joá; "

2 Crônicas 29:15

" E ajuntaram a seus irmãos, e santificaram-se e vieram conforme ao mandado do rei, pelas palavras do Senhor, para purificarem a casa do Senhor. "

2 Crônicas 29:16

" E os sacerdotes entraram na casa do Senhor, para a purificar, e tiraram para fora, ao pátio da casa do Senhor, toda a imundícia que acharam no templo do Senhor; e os levitas a tomaram, para a levarem para fora, ao ribeiro de Cedrom. "

2 Crônicas 29:17

" Começaram, pois, a santificar no primeiro dia, do primeiro mês; e ao oitavo dia do mês vieram ao alpendre do Senhor, e santificaram a casa do Senhor em oito dias; e no dia décimo sexto do primeiro mês acabaram. "

2 Crônicas 29:18

" Então foram ter com o rei Ezequias, e disseram: Já purificamos toda a casa do Senhor, como também o altar do holocausto com todos os seus utensílios e a mesa da proposição com todos os seus utensílios. "

2 Crônicas 29:19

" Também todos os objetos que o rei Acaz no seu reinado lançou fora, na sua transgressão, já preparamos e santificamos; e eis que estão diante do altar do Senhor. "

2 Crônicas 29:21

" E trouxeram sete novilhos e sete carneiros, e sete cordeiros e sete bodes, para sacrifício pelo pecado, pelo reino, e pelo santuário, e por Judá, e disse aos filhos de Arão, os sacerdotes, que os oferecessem sobre o altar do Senhor. "

2 Crônicas 29:22

" E eles mataram os bois, e os sacerdotes tomaram o sangue e o espargiram sobre o altar; também mataram os carneiros, e espargiram o sangue sobre o altar; semelhantemente mataram os cordeiros, e espargiram o sangue sobre o altar. "

2 Crônicas 29:24

" E os sacerdotes os mataram, e com o seu sangue fizeram expiação do pecado sobre o altar, para reconciliar a todo o Israel; porque o rei tinha ordenado que se fizesse aquele holocausto e sacrifício pelo pecado, por todo o Israel. "

2 Crônicas 29:25

" E pôs os levitas na casa do Senhor com címbalos, com saltérios, e com harpas, conforme ao mandado de Davi e de Gade, o vidente do rei, e do profeta Natã; porque este mandado veio do Senhor, por mão de seus profetas. "

2 Crônicas 29:27

" E Ezequias deu ordem que oferecessem o holocausto sobre o altar; e ao tempo em que começou o holocausto, começou também o canto do Senhor, com as trombetas e com os instrumentos de Davi, rei de Israel. "

2 Crônicas 29:28

" E toda a congregação se prostrou, quando entoavam o canto, e as trombetas eram tocadas; tudo isto até o holocausto se acabar. "

2 Crônicas 29:30

" Então o rei Ezequias e os príncipes disseram aos levitas que louvassem ao Senhor com as palavras de Davi, e de Asafe, o vidente. E o louvaram com alegria e se inclinaram e adoraram. "

2 Crônicas 29:31

" E respondeu Ezequias, dizendo: Agora vos consagrastes a vós mesmos ao Senhor; chegai-vos e trazei sacrifícios e ofertas de louvor à casa do Senhor. E a congregação trouxe sacrifícios e ofertas de louvor, e todos os dispostos de coração trouxeram holocaustos. "

2 Crônicas 29:32

" E o número dos holocaustos, que a congregação trouxe, foi de setenta bois, cem carneiros, duzentos cordeiros; tudo isto em holocausto para o Senhor. "

2 Crônicas 29:34

" Eram, porém, os sacerdotes mui poucos, e não podiam esfolar a todos os holocaustos; pelo que seus irmãos os levitas os ajudaram, até a obra se acabar, e até que os outros sacerdotes se santificaram; porque os levitas foram mais retos de coração, para se santificarem, do que os sacerdotes. "

2 Crônicas 29:35

" E houve também holocaustos em abundância, com a gordura das ofertas pacíficas, e com as ofertas de libação para os holocaustos. Assim se restabeleceu o ministério da casa do Senhor. "

2 Crônicas 29:36

" E Ezequias, e todo o povo se alegraram, por causa daquilo que Deus tinha preparado para o povo; porque apressuradamente se fez esta obra. "

auto_awesome

Estudo do capítulo por email

Receba 7 dias de reflexões de 2 Crônicas 29

Receba Escritura, oração e um próximo passo simples conectado a este capítulo.

Grátis. Cancele quando quiser. Nunca compartilhamos seu email.

Aviso importante: Esta orientação bíblica não substitui cuidados profissionais de saúde mental. Se você estiver com sintomas de crise, ligue para 188 (CVV) no Brasil ou 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediatamente.