2 Crônicas 28:1
" Tinha Acaz vinte anos de idade, quando começou a reinar, e dezesseis anos reinou em Jerusalém; e não fez o que era reto aos olhos do SENHOR, como Davi, seu pai. "
Entenda os temas principais e aplique 2 Crônicas 28 na sua vida hoje
27 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Acaz rompe deliberadamente com o padrão de Davi, mergulhando Judá em idolatria violenta, inclusive com sacrifícios humanos. Sua liderança corrupta arrasta o povo para longe do Senhor e provoca juízo nacional.
As vitórias da Síria, de Israel, dos edomitas e filisteus sobre Judá são apresentadas como resultado direto da infidelidade de Acaz. O texto conecta claramente desobediência persistente com humilhação e fragilidade nacional.
Mesmo durante o juízo, Deus levanta o profeta Obede e alguns líderes de Israel para evitar uma maldade maior. Eles reconhecem a culpa própria, acolhem os cativos com dignidade e os devolvem, demonstrando que ainda há espaço para resposta obediente à Palavra.
Em vez de buscar ao Senhor, Acaz coloca sua confiança na Assíria e nos deuses estrangeiros. Ele entrega tesouros do templo e do palácio, mas não recebe a ajuda esperada; ao contrário, é ainda mais oprimido e espiritualmente arruinado.
O ápice da rebeldia de Acaz é destruir utensílios do templo, fechar suas portas e espalhar altares idólatras por Jerusalém e por todas as cidades de Judá, substituindo o culto ao Senhor por um sistema religioso completamente corrompido.
O capítulo se passa no século VIII a.C., durante o reinado de Acaz, em Judá. Politicamente, a região vivia sob a crescente pressão do Império Assírio, que avançava sobre o Oriente Médio. Reis menores, como os da Síria (Arã) e de Israel (reino do Norte), buscavam alianças entre si ou com potências estrangeiras para sobreviver.
Segundo o relato bíblico, Acaz assume o trono de Judá por volta de 735 a.C. Em paralelo, ocorre a chamada guerra siro-efraimita: a Síria e Israel tentam forçar Judá a se unir contra a Assíria. Em vez de confiar no Senhor, Acaz decide apelar justamente aos assírios, enviando tributos retirados do templo e do tesouro real.
Religiosamente, o texto mostra que a idolatria em Judá atinge um nível alarmante. Práticas cananeias, como sacrifício de crianças no vale de Hinom, se misturam com a adoração a Baal e a outros deuses. Altares em “altos”, outeiros e debaixo de árvores verdes refletem santuários pagãos espalhados por todo o território.
O profeta Obede, mencionado no capítulo, representa a presença ativa da palavra de Deus também em Israel (reino do Norte), mostrando que, mesmo em contextos espiritualmente decadentes, Deus continua levantando vozes proféticas para confrontar a injustiça e convocar ao arrependimento.
Ao final, a morte de Acaz e o fato de não ser sepultado nos túmulos dos reis mostram a desaprovação histórica e teológica de seu reinado. O texto prepara a transição para o governo de Ezequias, conhecido por promover uma grande reforma religiosa em Judá.
2 Crônicas 28 tem uma estrutura narrativa que acompanha a trajetória descendente de Acaz e intercala juízo e lampejos de misericórdia:
Introdução ao reinado de Acaz e sua maldade (vv. 1-4)
Juízo por meio dos sírios e israelitas (vv. 5-8)
Intervenção profética e misericórdia com os cativos de Judá (vv. 9-15)
Novas opressões: edomitas e filisteus (vv. 16-19)
Fracasso da aliança com a Assíria e agravamento do pecado (vv. 20-23)
Profanação final do culto e fechamento do templo (vv. 24-25)
Conclusão e transição (vv. 26-27)
O capítulo sublinha o peso da liderança espiritual. Acaz não é apenas um indivíduo infiel, ele é apresentado como catalisador da decadência de Judá. Sua recusa em seguir o modelo de Davi não é descrita como mera fraqueza, mas como um abandono consciente do Senhor, chegando ao extremo de sacrificar seus filhos e fechar o templo. Assim, o texto ressalta a responsabilidade especial de quem ocupa posições de influência sobre o povo de Deus.
O juízo divino não surge como algo arbitrário, mas como consequência coerente da infidelidade. A narrativa mostra o Senhor “entregando” Judá nas mãos de nações inimigas, evidenciando que a proteção de Deus não é um direito automático e independente da fidelidade. Quando o povo rompe com a aliança, experimenta o peso da disciplina divina na esfera militar, política e social.
Ao mesmo tempo, o capítulo destaca a misericórdia de Deus em meio ao juízo. O envio do profeta Obede, a sensibilidade dos líderes de Israel diante da palavra profética e o cuidado com os cativos de Judá revelam que Deus continua chamando à justiça e ao arrependimento, mesmo quando a situação parece espiritualmente irreversível. A bondade demonstrada aos cativos contrasta com a crueldade de Acaz e aponta para o caráter compassivo que Deus deseja ver entre seu povo.
Outra ênfase teológica é a denúncia da confiança em alianças e deuses estrangeiros. Acaz ilustra a lógica da idolatria: quando a fé no Deus vivo é abandonada, o coração busca segurança em poderes visíveis — impérios fortes, deuses populares, práticas religiosas importadas. O texto mostra que essa estratégia é autodestrutiva: a Assíria oprime em vez de libertar, e os deuses de Damasco se tornam ruína, não salvação.
Por fim, o fechamento das portas do templo simboliza o fechamento deliberado do acesso ao culto verdadeiro. Em contraste com essa escuridão, o leitor que acompanha a sequência do livro já antevê a esperança: Deus levantará Ezequias para reabrir o templo e restaurar o serviço ao Senhor. Assim, 2 Crônicas 28 funciona como um retrato da profundidade da queda, preparando o cenário para a graça da restauração.
Sob uma perspectiva terapêutica, 2 Crônicas 28 espelha dinâmicas emocionais e espirituais presentes em processos de autodestruição. Acaz encarna alguém que, diante de crise e pressão, se afasta ainda mais de Deus, toma decisões impulsivas e cria um ciclo vicioso de perda e endurecimento. O texto não romantiza seu comportamento, mas também não esconde a presença constante de oportunidades de retorno, por meio da palavra profética e de atos de misericórdia.
O episódio dos cativos de Judá recebendo cuidado e dignidade em Israel ilustra a possibilidade de restauração de humanidade mesmo em contextos marcados por violência e culpa. Há uma re-humanização daquele que foi humilhado: são vestidos, alimentados, ungidos e transportados com cuidado. Isso pode ser lido como um modelo de resposta compassiva diante do sofrimento de quem carrega as consequências de escolhas próprias ou alheias.
O capítulo também alerta para mecanismos de fuga: quanto maior a pressão sobre Acaz, mais ele se apega a soluções ilusórias, repetindo padrões que só ampliam sua dor e a de seu povo. Em termos de saúde emocional e espiritual, esse movimento sugere a importância de reconhecer cedo os caminhos de fuga que não curam e de cultivar a abertura à correção, em vez de endurecer.
Por fim, a forma como Acaz é lembrado (não honrado nos túmulos reais) reforça que a história registra não apenas sucessos políticos, mas também a qualidade moral e espiritual das escolhas. Em contraste, as atitudes de Obede e dos líderes de Efraim mostram que mesmo dentro de sistemas marcados por pecado, indivíduos podem escolher a compaixão, a responsabilidade e o retorno à vontade de Deus.
['Padrão de endurecimento progressivo: quanto mais Acaz é confrontado pela realidade (derrotas, opressão), mais se aprofunda na rebeldia (vv. 19, 22-25).', 'Busca compulsiva de soluções externas sem mudança interior: apelo à Assíria e aos deuses de Damasco como tentativas de alívio sem arrependimento (vv. 16, 20-23).', 'Espiritualidade autodestrutiva: práticas religiosas que ferem a si mesmo e aos outros, como o sacrifício de filhos (v. 3).', 'Desprezo pelas advertências espirituais: recusa em ouvir o juízo implícito nas derrotas e nas humilhações nacionais (vv. 5-8, 17-19).', 'Uso de recursos sagrados para alimentar dependências destrutivas: saque do templo e do palácio para financiar alianças equivocadas (vv. 21, 24).', 'Fechamento de espaços de cuidado espiritual e comunitário: simbolizado pelo fechamento do templo e espalhar de altares rivais (vv. 24-25).', 'Normalização do pecado estrutural: idolatria e infidelidade espalhadas por todas as cidades de Judá, influenciando toda a comunidade (v. 25).']
['Reconhecer o poder da liderança: quem exerce influência — em família, trabalho, igreja ou sociedade — pode direcionar outros para perto ou para longe de Deus. Avaliar como decisões pessoais impactam coletivamente.', 'Perceber ciclos de endurecimento: notar se, diante de crises, a reação é se afastar mais de Deus e de pessoas que confrontam com amor, repetindo padrões de fuga ou idolatria moderna (status, dinheiro, relacionamentos).', 'Responder à correção com humildade: aprender com o exemplo dos líderes de Efraim que, ao ouvirem o profeta, admitem culpa, interrompem o mal e passam a agir com compaixão.', 'Valorizar gestos concretos de misericórdia: o cuidado com os cativos (vestir, alimentar, ungir, transportar) mostra que espiritualidade autêntica inclui ações práticas em favor de quem está ferido ou envergonhado.', 'Evitar confiar em “Assírias” contemporâneas: identificar apoios exagerados em soluções humanas (pessoas, sistemas, poderes) como substitutos de confiança em Deus e discernir quando parcerias e alianças estão sendo guiadas pelo medo e não pela fé.', 'Proteger o espaço do culto verdadeiro: manter central, na vida pessoal e comunitária, a adoração ao Senhor, evitando que práticas, hábitos ou prioridades concorrentes fechem, na prática, as “portas do templo”.', 'Lembrar que o fracasso não encerra a história: apesar do reinado desastroso de Acaz, a sequência mostra que Deus ainda pode levantar nova geração e promover restauração.']
Acaz foi rei de Judá por dezesseis anos e é apresentado como um dos líderes mais infiéis da história do reino do Sul. Em contraste com Davi, ele seguiu os costumes idólatras das nações, fez imagens para Baal, praticou sacrifícios de filhos no vale de Hinom e espalhou culto pagão por toda a terra. Além disso, diante de crises políticas, em vez de se voltar ao Senhor, escolheu confiar em alianças estrangeiras e em deuses de outros povos. Seu legado foi tão negativo que, embora tenha sido sepultado em Jerusalém, não recebeu a honra de ser colocado nos sepulcros tradicionais dos reis.
O texto interpreta essas derrotas como disciplina de Deus sobre Judá por causa da infidelidade de Acaz e do povo. Ao abandonar o Senhor e se entregar à idolatria, Judá perde a proteção que vinha da aliança com Deus. A expressão "o Senhor o entregou" aparece para indicar que as vitórias inimigas não são apenas fatos políticos, mas instrumentos de juízo divino. A multiplicação de atacantes — Síria, Israel, edomitas, filisteus e, por fim, a pressão da Assíria — reforça a gravidade da situação espiritual de Judá.
Obede surge como uma voz profética em Israel (reino do Norte), confrontando a crueldade com que os israelitas trataram os cativos de Judá. Ele lembra que Deus havia entregue Judá nas mãos deles por causa da ira divina, mas denuncia a fúria desmedida com que mataram e o intento de escravizar seus próprios irmãos. Ao chamar o povo ao arrependimento e exigir que os cativos fossem libertos, Obede mostra que, mesmo em meio ao juízo, Deus ainda exige justiça, misericórdia e respeito pela dignidade humana.
Após ouvirem a palavra do profeta Obede, alguns líderes de Efraim reconhecem que Israel já tinha grande culpa diante de Deus e que escravizar os cativos de Judá só aumentaria seus pecados. Movidos por esse reconhecimento, tomam uma atitude radicalmente diferente: vestem os que estavam nus, calçam-nos, alimentam-nos, cuidam dos feridos e os levam de volta a seus irmãos em Jericó. Esse cuidado demonstra arrependimento prático e ilustra como a obediência à palavra de Deus se traduz em ações concretas de restauração e misericórdia.
Fechar as portas do templo representa mais do que uma medida administrativa; é um símbolo espiritual forte. Ao fazer isso, Acaz interrompe oficialmente o culto regular ao Senhor em Jerusalém — sacrifícios, louvor, intercessão — e substitui esse centro de adoração por altares idólatras espalhados por Jerusalém e por todas as cidades de Judá. Na prática, o que deveria ser o coração espiritual da nação é silenciado, e outro sistema religioso toma seu lugar. Isso marca o auge da infidelidade de seu reinado.
A lógica distorcida de Acaz é revelada em sua declaração: "Visto que os deuses dos reis da Síria os ajudam, eu lhes sacrificarei, para que me ajudem a mim". Em vez de interpretar a derrota como um chamado ao arrependimento diante do Senhor, ele supõe que a vitória síria se deve ao poder de seus deuses e tenta conquistar seu favor. O texto, porém, afirma que esses deuses se tornaram sua ruína e a ruína de todo Israel, mostrando que buscar socorro espiritual em fontes falsas leva apenas a maior destruição.
2 Crônicas 28 retrata uma fase muito escura da história de Judá. A figura de Acaz traz à tona o peso da dor gerada por decisões persistentes de afastamento de Deus. Há sofrimento, vergonha, cativeiro, perdas em massa e um sentimento de desamparo coletivo. Em volta de um rei endurecido, há um povo que carrega consequências duríssimas. No meio desse quadro pesado, a atenção se volta por um momento para os cativos que voltam derrotados. Eles foram arrancados de casa, envergonhados, alguns estavam nus e fracos. Então surgem homens que os vestem, alimentam, ungindo suas feridas e carregando os mais frágeis em jumentos até a segurança de Jericó. Essa imagem é profundamente consoladora: em meio a tanto pecado, Deus ainda faz brotar gestos concretos de cuidado e dignidade. O capítulo também mostra que a dor não é ignorada por Deus, mesmo quando está ligada a erros reais. Ele vê a opressão, levanta um profeta para confrontar a crueldade e exige que os cativos sejam tratados como irmãos. A culpa não é encoberta, mas também não anula o valor de cada vida ferida. Há um chamado velado à restauração de coração: reconhecer o mal, cessar a violência, acolher quem está quebrado. Embora Acaz se afaste cada vez mais, inclusive fechando as portas do templo, o texto sugere que a história de Judá não termina com esse fechamento. Esse não é o fim do povo, nem o fim do cuidado de Deus. Em linguagem de afeto, pode-se dizer que, mesmo quando alguém ergue barreiras, o coração de Deus continua buscando caminhos para resgatar, consolar e reerguer, como se vê na compaixão concedida aos cativos e, adiante, na nova fase que virá com Ezequias.
Do ponto de vista exegético, 2 Crônicas 28 é um texto denso, que articula teologia da aliança, história política e crítica à idolatria. O cronista destaca desde o início a quebra do padrão davídico: Acaz não fez o que era reto “como Davi, seu pai”. Essa fórmula é típica da avaliação dos reis e indica que o critério de julgamento não é primariamente militar ou administrativo, mas teológico e ético. O autor conecta explicitamente a derrota de Judá à infidelidade religiosa. Termos como “o Senhor o entregou” (v. 5) recobrem uma leitura providencial da história: a perda de proteção não ocorre por acaso, mas como consequência do rompimento do pacto. O massacre de 120 mil homens e o cativeiro de 200 mil pessoas revelam a dimensão catastrófica do juízo. A seção sobre Obede (vv. 9-15) é literariamente notável. O cronista, frequentemente crítico a Israel do Norte, aqui mostra líderes de Efraim respondendo positivamente a um profeta. O discurso de Obede sublinha dois pontos: primeiro, Deus, de fato, se irou contra Judá e o entregou; segundo, a fúria desmedida de Israel “chegou até aos céus”, sendo também condenável. Assim, as nações usadas como instrumento de juízo também são responsabilizadas por sua crueldade. Do ponto de vista histórico, a menção a Tiglate-Pileser (v. 20) e à política de tributos combina com o cenário conhecido da expansão assíria. A tentativa de Acaz de garantir segurança por meio de aliança com a Assíria se mostra contraproducente: o verbo usado indica que o rei assírio o “pôs em aperto”, em vez de fortalecê-lo. A narrativa se coloca em tensão com eventuais interpretações políticas que poderiam considerar tal aliança um sucesso diplomático. Teologicamente, Acaz representa um anti-modelo em vários níveis: assume práticas cananeias extremas (sacrifício de filhos), substitui o culto no templo por altares múltiplos, e adota um sincretismo pragmático — “os deuses da Síria ajudam, logo vou adorá-los”. O cronista pretende mostrar que essa lógica é fundamentalmente equivocada: o verdadeiro controle da história não está nos deuses locais, mas no Senhor da aliança. Isso prepara o leitor para apreciar, no capítulo seguinte, a reforma de Ezequias como retorno ao padrão correto de adoração e dependência.
Lido sob uma ótica prática, 2 Crônicas 28 é um estudo sobre como decisões de liderança, motivadas por medo e incredulidade, podem destruir comunidades inteiras. Acaz enfrenta ameaças reais — pressões militares, perdas territoriais, tensão política —, mas responde de modo desastroso: em vez de encarar suas responsabilidades espirituais, recorre a atalhos e alianças que aprofundam a crise. Ele ilustra um padrão comum: quando a situação aperta, em vez de revisar o rumo, dobra a aposta em estratégias falhas. Procura ajuda na Assíria, sacrificando recursos valiosos (tesouros do templo, bens do palácio) e a própria identidade espiritual da nação. O resultado é mais opressão, mais perda de autonomia e maior desorganização interna. Por contraste, os líderes de Efraim oferecem um modelo diferente de reação responsável. Quando confrontados pela palavra de Obede, não tentam justificar o injustificável. Reconhecem a culpa, interrompem uma prática errada (a entrada dos cativos como escravos) e adotam ações concretas de reparação: devolvem, cuidam, vestem, alimentam, transportam. Ou seja, não basta parar de fazer o mal; é necessário tomar iniciativas práticas para restaurar o que foi quebrado. O fechamento do templo, além de um ato religioso, tem implicações sociais e pessoais: interrompe o ponto de referência espiritual do povo, desorganiza o calendário de culto, impacta ensino, arrependimento, celebração e solidariedade. Aplicado à vida cotidiana, isso alerta para o risco de “fechar” os espaços que alimentam valores corretos — como momentos de reflexão, comunidade saudável e práticas espirituais — enquanto se multiplicam “altares” voltados a interesses imediatos, status ou prazer. Em termos de decisões diárias, o capítulo convida a: observar a quem ou ao que se recorre em primeiro lugar nos momentos de crise; assumir responsabilidade pelas consequências de escolhas incorretas; estar disposto a corrigir rumos e reparar danos; e manter como prioridade a fidelidade a Deus, em vez de sacrificar princípios em troca de segurança momentânea.
2 Crônicas 28 aponta para uma realidade espiritual profunda: quando o coração se afasta do Deus vivo, ele não fica vazio; passa a ser preenchido por outros centros de confiança e adoração. Acaz não abandona simplesmente o templo; ele o substitui por altares em cada canto de Jerusalém e de Judá. Não deixa de sacrificar; troca o sacrifício ordenado por ofertas a deuses estranhos, inclusive às custas da vida dos próprios filhos. Essa dinâmica expõe um princípio eterno: o ser humano foi criado para adorar. Se o culto ao Criador é rejeitado, outros “deuses” — poder, medo, sucesso, tradições religiosas distorcidas — ocupam o trono do coração. O capítulo mostra o fim dessa rota: ruína pessoal, sofrimento coletivo, sensação de abandono e fechamento simbólico do acesso ao lugar onde a presença de Deus é buscada. Entretanto, a presença de Obede e a atitude dos líderes de Efraim sugerem que Deus continua chamando, mesmo na escuridão. A palavra profética entra justamente no momento em que a violência parece triunfar. Essa intervenção mostra que Deus não é indiferente ao modo como seu povo é tratado e que o juízo não elimina a responsabilidade de agir com misericórdia. Há sempre um convite implícito: reconhecer a própria culpa, cessar o mal, voltar-se para a vontade do Senhor. Em perspectiva de longo prazo, o reinado de Acaz funciona como uma espécie de vale profundo antes de uma subida: a reforma de Ezequias, que logo virá, trará reabertura do templo, restauração do culto e renovação da aliança. Isso ilustra, em chave espiritual, que Deus é capaz de restaurar até contextos que pareceriam espiritualmente perdidos. Mesmo quando uma geração fecha portas para Deus, Ele pode levantar outra para reabrir, purificar e reconsagrar. Assim, o capítulo coloca diante da alma humana uma escolha permanente: seguir o caminho de Acaz, de endurecimento crescente e confiança em ídolos que não salvam, ou o caminho da resposta humilde à voz de Deus, que conduz à restauração, à vida e à comunhão duradoura com o Senhor.
" Tinha Acaz vinte anos de idade, quando começou a reinar, e dezesseis anos reinou em Jerusalém; e não fez o que era reto aos olhos do SENHOR, como Davi, seu pai. "
" Antes andou nos caminhos dos reis de Israel, e, além disso, fez imagens fundidas a Baalins. "
" Também queimou incenso no vale do filho de Hinom, e queimou a seus filhos no fogo, conforme as abominações dos gentios que o Senhor tinha expulsado de diante dos filhos de Israel. "
" Também sacrificou, e queimou incenso nos altos e nos outeiros, como também debaixo de toda a árvore verde. "
" Por isso o Senhor seu Deus o entregou na mão do rei dos sírios, os quais o feriram, e levaram dele em cativeiro uma grande multidão de presos, que trouxeram a Damasco; também foi entregue na mão do rei de Israel, o qual lhe infligiu grande derrota. "
" Porque Peca, filho de Remalias, matou em Judá, num só dia, cento e vinte mil, todos homens valentes; porquanto deixaram ao Senhor Deus de seus pais. "
" E Zicri, homem valente de Efraim, matou a Maasias, filho do rei, e a Azricão, o mordomo, e a Elcana, o segundo depois do rei. "
" E os filhos de Israel levaram presos de seus irmãos duzentos mil, mulheres, filhos e filhas; e também saquearam deles grande despojo, que levaram para Samaria. "
" Mas estava ali um profeta do Senhor, cujo nome era Obede, o qual saiu ao encontro do exército que vinha para Samaria, e lhe disse: Eis que, irando-se o Senhor Deus de vossos pais contra Judá, os entregou na vossa mão, e vós os matastes com uma raiva tal, que chegou até aos céus. "
" E agora vós cuidais em sujeitar a vós os filhos de Judá e Jerusalém, como cativos e cativas; porventura não sois vós mesmos culpados contra o Senhor vosso Deus? "
" Agora, pois, ouvi-me, e tornai a enviar os prisioneiros que trouxestes cativos de vossos irmãos; porque o ardor da ira do Senhor está sobre vós. "
" Então se levantaram alguns homens dentre os cabeças dos filhos de Efraim, a saber, Azarias, filho de Joanã, Berequias, filho de Mesilemote, Jeizquias, filho de Salum, e Amasa, filho de Hadlai, contra os que voltavam da batalha. "
" E lhes disseram: Não fareis entrar aqui estes cativos, porque, além da nossa culpa contra o Senhor, vós intentais acrescentar mais a nossos pecados e a nossas culpas, sendo que já temos grande culpa, e já o ardor da ira está sobre Israel. "
" Então os homens armados deixaram os cativos e o despojo diante dos príncipes e de toda a congregação. "
" E os homens que foram apontados por seus nomes se levantaram, e tomaram os cativos, e vestiram do despojo a todos os que dentre eles estavam nus; e vestiram-nos, e calçaram-nos, e deram-lhes de comer e de beber, e os ungiram, e a todos os que estavam fracos levaram sobre jumentos, e conduziram-nos a Jericó, à cidade das palmeiras, a seus irmãos. Depois voltaram para Samaria. "
" Naquele tempo o rei Acaz mandou pedir aos reis da Assíria que o ajudassem. "
" Porque outra vez os edomitas vieram, e feriram a Judá, e levaram presos em cativeiro. "
" Também os filisteus deram sobre as cidades da campina e do sul de Judá, e tomaram a Bete-Semes, e a Aijalom, e a Gederote e a Socó, e os lugares da sua jurisdição, e a Timna, e os lugares da sua jurisdição, e a Ginzo, e os lugares da sua jurisdição; e habitaram ali. "
" Porque o Senhor humilhou a Judá por causa de Acaz, rei de Israel; porque este se houve desenfreadamente em Judá, havendo prevaricado grandemente contra o Senhor. "
" E veio a ele Tiglate-Pileser, rei da Assíria; porém o pôs em aperto, e não o fortaleceu. "
" Porque Acaz tomou despojos da casa do Senhor, e da casa do rei, e dos príncipes, e os deu ao rei da Assíria; porém não o ajudou. "
" E ao tempo em que este o apertou, então ainda mais transgrediu contra o Senhor, tal era o rei Acaz. "
" Porque sacrificou aos deuses de Damasco, que o feriram e disse: Visto que os deuses dos reis da Síria os ajudam, eu lhes sacrificarei, para que me ajudem a mim. Porém eles foram a sua ruína, e de todo o Israel. "
" E ajuntou Acaz os utensílios da casa de Deus, e fez em pedaços os utensílios da casa de Deus, e fechou as portas da casa do Senhor, e fez para si altares em todos os cantos de Jerusalém. "
" Também em cada cidade de Judá fez altos para queimar incenso a outros deuses; assim provocou à ira o Senhor Deus de seus pais. "
" Ora, o restante dos seus atos e de todos os seus caminhos, tanto os primeiros como os últimos, eis que estão escritos no livro dos reis de Judá e de Israel. "
" E dormiu Acaz com seus pais, e o sepultaram na cidade, em Jerusalém; porém não o puseram nos sepulcros dos reis de Israel; e Ezequias, seu filho, reinou em seu lugar. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.