2 Crônicas 20 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique 2 Crônicas 20 na sua vida hoje

37 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e 2 Crônicas 20?

Em 2 Crônicas 20, Judá é cercado por uma grande coalizão inimiga, e o rei Jeosafá, tomado de temor, convoca todo o povo a buscar o Senhor em jejum e oração. Deus responde por meio de um profeta, declarando que a batalha pertence a Ele e que o povo apenas deverá tomar posição e contemplar a salvação divina. Enquanto os levitas louvam, o próprio Deus confunde os inimigos, que se destroem entre si. Judá recolhe abundantes despojos, celebra no vale de Beraca e retorna a Jerusalém em alegria. O capítulo termina com um resumo do reinado de Jeosafá, seu compromisso em fazer o que é reto perante o Senhor, mas também seu erro ao se aliar a Acazias, rei ímpio de Israel, aliança que é julgada por Deus.

Temas principais em 2 Crônicas 20

Buscar a Deus em meio ao medo e à ameaça (versiculos vv.1-13)

Diante de uma ameaça militar esmagadora, Jeosafá não confia em sua força, mas admite sua incapacidade, convoca jejum e conduz o povo a buscar o socorro do Senhor em oração unida.

Versiculos-chave: 3, 4, 12

A batalha é do Senhor (versiculos vv.14-17)

Deus fala por meio de Jaaziel, garantindo ao povo que não precisa temer, pois a batalha não é deles, mas de Deus. A vitória não vem da estratégia humana, mas da intervenção divina.

Versiculos-chave: 15, 17

Fé expressa em louvor antes da vitória (versiculos vv.18-23)

Jeosafá coloca cantores à frente do exército, proclamando a misericórdia eterna do Senhor. O louvor antecede o livramento visível e se torna o instrumento através do qual Deus age contra os inimigos.

Versiculos-chave: 21, 22

Graça, livramento e abundância após a provação (versiculos vv.24-30)

Depois da intervenção de Deus, Judá encontra os inimigos totalmente derrotados e recolhe grande quantidade de riquezas, transformando o vale da ameaça em vale de bênção e louvor.

Versiculos-chave: 24, 26, 30

Retidão pessoal e perigo de alianças erradas (versiculos vv.31-37)

Jeosafá é descrito como um rei que fez o que era reto diante de Deus, mas deixou altares pagãos e se associou com um rei ímpio. Deus reprovou essa aliança, frustrando seus planos.

Versiculos-chave: 32, 35, 37

Contexto historico e literario

O capítulo se passa no reino do sul, Judá, durante o reinado de Jeosafá (séc. IX a.C.), sucessor de Asa. O reino já estava dividido há gerações: Israel ao norte e Judá ao sul. Jeosafá é lembrado por suas reformas espirituais, pelo esforço em levar o povo à instrução na Lei do Senhor e, ao mesmo tempo, por algumas alianças políticas questionáveis com o reino do norte.

Os inimigos citados – moabitas, amonitas e os das montanhas de Seir (edomitas) – eram povos vizinhos a leste e sudeste de Israel, com histórico antigo de parentesco (descendentes de Ló e Esaú) e conflitos recorrentes. No passado, quando Israel saiu do Egito, Deus havia ordenado ao Seu povo que não destruísse Amom, Moabe e Edom, respeitando seus territórios. Agora, ironicamente, esses mesmos povos se unem contra Judá.

O cenário geográfico envolve localidades como En-Gedi, um oásis às margens do mar Morto; o deserto de Tecoa, ao sul de Jerusalém; e o vale de Beraca, lugar que ganha novo nome em memória ao grande livramento. Políticamente, Jeosafá tenta fortalecer seu reino por meio de alianças marítimas com Acazias, rei de Israel, construindo navios em Eziom-Geber, porto no golfo de Ácaba. Porém, a Escritura ressalta que Acazias era um rei ímpio, e essa associação é reprovada por Deus.

Estrutura de 2 Crônicas 20

2 Crônicas 20 apresenta uma narrativa cuidadosamente construída, com clara progressão da ameaça ao livramento e à reflexão final sobre o reinado de Jeosafá:

  1. A ameaça e o medo coletivo (vv.1-4) – A coalizão inimiga se aproxima, e a notícia causa temor. Jeosafá responde convocando Judá ao jejum e à busca conjunta do Senhor.
  2. A oração pública de Jeosafá (vv.5-12) – O rei se coloca diante da congregação e faz uma oração teológica e histórica: reconhece o poder de Deus, relembra Sua aliança com Abraão e apela para as promessas divinas, confessando a incapacidade humana.
  3. A resposta profética e a promessa de Deus (vv.13-17) – No meio do povo reunido, o Espírito do Senhor vem sobre Jaaziel, que proclama a palavra de consolo e direção: não temer, pois a batalha é do Senhor.
  4. Adoração, fé e a marcha ao campo de batalha (vv.18-21) – O povo se prostra em adoração e os levitas louvam em alta voz. Na manhã seguinte, ao marcharem, Jeosafá encoraja o povo à fé e ordena que cantores vão adiante do exército.
  5. Intervenção divina e autodestruição dos inimigos (vv.22-24) – Quando começa o louvor, o Senhor arma emboscadas, gerando confusão entre os inimigos, que se destroem mutuamente. Judá encontra apenas corpos no campo.
  6. Despojos, celebração e impacto regional (vv.25-30) – O povo recolhe abundantes despojos por três dias e, no quarto, reúne-se no vale de Beraca para louvar. O temor de Deus se espalha entre as nações e o reino de Jeosafá desfruta de paz ao redor.
  7. Resumo do reinado e advertência final (vv.31-37) – O narrador avalia o reinado de Jeosafá, enfatizando sua retidão, mas também as falhas (altos não removidos e a aliança com Acazias). Uma profecia anuncia o fracasso dos navios como juízo de Deus, encerrando o capítulo com uma nota de advertência.

Significado teologico

Este capítulo destaca diversas verdades teológicas centrais. Em primeiro lugar, apresenta Deus como o soberano sobre todas as nações (vv.6-7). Ele governa acima dos reinos, detém força e poder em Suas mãos e cumpre Suas promessas à descendência de Abraão, chamado de Seu amigo. O confronto militar torna-se, assim, um palco para a manifestação da soberania divina.

Em segundo lugar, a narrativa ressalta a dimensão da dependência e confiança. A confissão “em nós não há força” (v.12) é um modelo de humildade diante da incapacidade humana. O povo se volta ao templo, lugar onde Deus havia prometido ouvir orações em meio a juízo, peste ou fome (v.9), mostrando que a aliança e a presença de Deus são o verdadeiro refúgio.

A palavra profética de Jaaziel torna claro que a luta do povo de Deus é, em última instância, uma luta de Deus: “a peleja não é vossa, mas de Deus” (v.15). Isso não invalida a responsabilidade humana: Judá precisa sair, tomar posição e obedecer à instrução recebida (vv.16-17). Contudo, a eficácia da vitória vem do Senhor, não da habilidade militar.

O texto também evidencia o papel da fé e do louvor. O povo responde à promessa com adoração, e o louvor antecede a intervenção visível de Deus (vv.18-22). A fé se expressa não apenas em palavras, mas em atitudes concretas: jejum, oração, obediência à palavra profética, marcha em direção ao perigo, colocando à frente cantores que proclamam a bondade eterna do Senhor.

Por fim, o capítulo traz uma tensão entre fidelidade e compromisso ambíguo. Embora Jeosafá seja descrito como alguém que fez o que era reto (v.32), sua ligação com um rei ímpio e a permanência dos altos mostram que a obediência parcial traz consequências. Deus abençoa, concede paz (v.30), mas também disciplina, despedaçando os planos construídos sobre alianças comprometedoras (v.37). O texto ensina que a confiança plena deve estar no Senhor, não em estratégias ou parcerias que ignoram o caráter de Deus.

Aplicacao restauradora e de saude mental

Este capítulo oferece um quadro poderoso de como pessoas e comunidades lidam com situações de ameaça extrema, medo e impotência. Em termos emocionais, é um relato do impacto da notícia assustadora (“uma grande multidão” vem contra eles), do reconhecimento honesto do temor e da sensação de não saber o que fazer. Em vez de negar o medo, o texto mostra uma resposta saudável: admitir a fraqueza, buscar apoio comunitário e se voltar, juntos, a uma fonte estável de segurança.

Há também um movimento emocional importante: do pânico inicial à confiança, e da confiança ao louvor. Esse processo é marcado por etapas: ouvir a má notícia, sentir o medo, reunir-se, orar, ouvir uma palavra de esperança, adorar, caminhar em obediência mesmo sem ver a solução completa, e finalmente experimentar alívio, alegria e descanso. É um retrato do enfrentamento de crises sem negar a dor, mas ressignificando a experiência por meio da fé, da memória das promessas e da gratidão.

O capítulo também ilustra a importância da coesão comunitária: homens, mulheres e crianças estão juntos diante do Senhor (v.13). Em contextos de sofrimento, esse senso de pertencimento e de intercessão coletiva é um fator de proteção emocional. Ao mesmo tempo, o texto toca na dimensão da responsabilidade: mesmo pessoas que vivem de forma generosa e correta podem tomar decisões relacionais prejudiciais, como a aliança de Jeosafá com Acazias, e sofrer frustração por isso. O reconhecimento desses erros, sem negar o cuidado de Deus, faz parte de um processo de maturidade.

warning Importante: maus usos comuns

O capítulo menciona elementos que, em leituras distorcidas, podem acionar gatilhos ou ser usados de forma prejudicial. A presença de uma grande ameaça militar, a linguagem de batalha e a ideia de destruição completa dos inimigos podem ser sensíveis para pessoas afetadas por violência, guerras ou traumas coletivos. É importante perceber que o foco do texto não é glorificar a violência, mas destacar a intervenção divina e a proteção do povo vulnerável.

Outro ponto delicado é a associação entre fracasso de projetos (navios que se quebram) e juízo de Deus (v.37). Em contextos de sofrimento pessoal, alguém pode interpretar perdas e frustrações como necessariamente punição direta divina. A narrativa, porém, fala de uma situação histórica específica, ligada a uma aliança claramente ímpia, e não de uma regra automática para toda dificuldade humana.

A ênfase na impotência humana (“em nós não há força”) também pode ser mal compreendida se utilizada para negar a responsabilidade, a ação sábia ou o cuidado de si. No texto, o reconhecimento de fraqueza leva a uma postura ativa de buscar, ouvir, obedecer e organizar-se, não a uma passividade destrutiva. Leituras que incentivem resignação fatalista, desvalorização de ajuda profissional ou espiritualidade que dispense recursos humanos legítimos distorcem o propósito do texto.

Aplicacao pratica para hoje

2 Crônicas 20 oferece diversas aplicações práticas para a vida cotidiana. Em primeiro lugar, mostra o valor de responder às crises com honestidade e dependência. Ao admitir que não sabe o que fazer e não tem força suficiente, Jeosafá se torna um exemplo de liderança humilde. Na prática, isso significa aprender a reconhecer limites, buscar apoio, consultar a Deus antes de agir e envolver a comunidade em momentos de decisão difícil.

Outra lição é a importância de lembrar quem Deus é e o que já fez. A oração de Jeosafá recapitula a história de Israel, a promessa feita a Abraão e a provisão passada de Deus. Para a vida diária, isso se traduz em cultivar memória espiritual: registrar respostas de oração, meditar nas promessas e deixar que essas lembranças moldem a forma de enfrentar problemas presentes.

O capítulo também destaca o poder do louvor e da gratidão em meio às lutas. Em vez de colocar à frente apenas guerreiros, Jeosafá coloca também adoradores, e o povo proclama a bondade de Deus antes de ver o resultado. Isso inspira uma postura de fé que não nega a realidade difícil, mas escolhe reconhecer a fidelidade de Deus no meio dela, o que impacta a forma de falar, de se reunir e de enfrentar conflitos.

Por fim, o relato alerta sobre as alianças e parcerias que se faz. Mesmo alguém piedoso e sincero, como Jeosafá, pode comprometer sua integridade ao vincular-se intimamente a pessoas ou projetos que caminham em oposição aos valores de Deus. Na prática, isso chama à reflexão sobre associações no trabalho, em negócios, em relacionamentos e causas que podem comprometer princípios espirituais e éticos, lembrando que nem toda parceria aparentemente vantajosa é sábia diante de Deus.

Perguntas frequentes

Por que Jeosafá teve medo se confiava em Deus?

O texto mostra Jeosafá como um líder piedoso, mas também humano. Ao receber a notícia de uma grande coalizão inimiga já próxima de seu território, ele sente medo (v.3). Esse temor inicial não contradiz sua fé; pelo contrário, se torna o ponto de partida para uma resposta de confiança. O medo o leva a buscar intensamente o Senhor, convocando jejum em todo o Judá. A fé, neste capítulo, não é ausência de emoções, mas escolha de recorrer a Deus em meio a elas e de obedecer à Sua palavra apesar do risco aparente.

O que significa a frase “a peleja não é vossa, mas de Deus”?

Essa declaração, dada pelo Espírito do Senhor por meio de Jaaziel (v.15), afirma que o conflito em questão não será resolvido pela força ou estratégia de Judá, mas pela ação direta de Deus. Isso não exclui a participação humana: o povo ainda precisa descer ao campo de batalha, tomar posição e confiar (vv.16-17). Contudo, a vitória não depende do poder humano, e sim da fidelidade de Deus à Sua aliança e ao Seu nome. Em termos teológicos, a frase aponta para a realidade de que Deus luta por Seu povo quando este se coloca sob Sua direção.

Por que Jeosafá colocou cantores à frente do exército?

Depois de ouvir a promessa de Deus e encorajar o povo a crer no Senhor e em Seus profetas (v.20), Jeosafá ordena que cantores louvem à “Majestade santa” indo adiante dos armados (v.21). Isso simboliza uma confiança prática na palavra de Deus: o povo se comporta como quem já crê no livramento, colocando o louvor na vanguarda. O cântico enfatiza a bondade e a misericórdia eterna do Senhor, e é justamente quando começam a louvar que o Senhor arma emboscadas contra os inimigos (v.22). O louvor aqui não é apenas música, mas expressão de fé ativa.

O que é o vale de Beraca mencionado no capítulo?

O vale de Beraca (v.26) é o lugar onde o povo de Judá se reúne após três dias recolhendo despojos dos inimigos derrotados. Ali, eles louvam o Senhor pelo grande livramento e, por isso, o local passa a ser chamado “vale de Beraca”, que carrega a ideia de bênção. Um cenário que começou como ameaça de destruição é transformado em lugar de adoração e memória da graça divina. O nome se torna um marco geográfico e espiritual da intervenção de Deus em favor de Seu povo.

Por que a aliança de Jeosafá com Acazias foi reprovada por Deus?

Acazias, rei de Israel, é descrito como alguém que procedia com toda a impiedade (v.35). Ao se aliar a ele para construir navios rumo a Társis, Jeosafá associa seu reino a um projeto liderado por um rei que não seguia o Senhor. O profeta Eliezer declara que, por causa dessa aliança, o Senhor despedaçou as obras de Jeosafá, resultando no naufrágio dos navios (v.37). Essa reprovação mostra que não é apenas o objetivo de um projeto que importa, mas também com quem se caminha. Alianças com pessoas que deliberadamente se afastam de Deus podem comprometer o testemunho e trazer consequências negativas, mesmo para líderes piedosos.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Este capítulo apresenta um povo inteiro tomado de medo diante de uma ameaça maior do que suas forças. Há um momento em que tudo está escuro: uma multidão inimiga se aproxima, não há saída visível e o próprio rei confessa não saber o que fazer. Em vez de esconder o temor, Jeosafá o leva para a presença de Deus, junto com todo o povo, inclusive mulheres e crianças. A vulnerabilidade é exposta diante do Senhor, e isso se torna o ponto de virada. O texto mostra um Deus que escuta a angústia coletiva, que responde no meio da congregação e que fala diretamente ao medo: “Não temais, nem vos assusteis” (v.15). Essa palavra é repetida, como quem sabe que o coração precisa ouvir mais de uma vez para sossegar (v.17). A imagem de todo o povo em pé, juntos, esperando uma resposta, comunica que ninguém precisa enfrentar o pavor sozinho. Há um lugar seguro para derramar a ansiedade e a incerteza. Também é tocante ver como a dor se transforma em adoração. Antes de qualquer mudança visível, o povo se prostra, os levitas levantam a voz em alto louvor e, na manhã seguinte, marcham ao encontro da ameaça cantando sobre a misericórdia eterna de Deus. O vale que poderia ser lembrado apenas como cenário de medo acaba sendo chamado de “vale de Beraca”, vale de bênção. A história conserva, ainda assim, as marcas das escolhas difíceis, como a aliança equivocada de Jeosafá com Acazias, mostrando que mesmo corações sinceros podem errar. Mas, ao longo de todo o capítulo, a presença fiel de Deus sustenta, consola e reorienta a jornada, transformando momentos de pavor em memória de cuidado.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético, 2 Crônicas 20 é um texto-chave para compreender a teologia crônica da guerra e da dependência de Deus. O cronista contrasta implicitamente batalhas travadas com base em alianças humanas e autoconfiança com esta batalha, em que a iniciativa central é buscá-Lo em oração, jejum e apelo às promessas do templo (cf. 2 Cr 6–7). A oração de Jeosafá está densamente fundamentada na história da salvação: ele evoca o Deus dos pais, o domínio sobre as nações, a concessão da terra a Abraão e a função do santuário como lugar de clamor em meio ao juízo. O oráculo de Jaaziel insere-se na tradição profética de guerra santa, onde o Senhor luta pelo Seu povo (v.15). Expressões como “postai-vos, ficai parados, e vede a salvação do Senhor” (v.17) ecoam episódios como a travessia do mar Vermelho, em que Israel é chamado a assistir à ação divina em seu favor. Ao mesmo tempo, as instruções são concretas e detalhadas: o trajeto inimigo é descrito (ladeira de Ziz, deserto de Jeruel), indicando que a revelação não substitui a realidade geográfica e histórica, mas a ilumina. Literariamente, há um crescendo de resposta à revelação: oração → profecia → adoração → marcha de fé → intervenção divina → recolhimento de despojos → louvor no vale de Beraca → impacto nos povos ao redor. O papel do louvor é teologicamente relevante: ele aparece não apenas como reação após a vitória, mas como ato que acompanha e, em certo sentido, desencadeia o livramento (vv.21-22). O texto mostra, ainda, o costume do cronista de encerrar seções com fórmulas de avaliação do reinado, referências a outras fontes (as notas de Jeú) e um episódio final que sintetiza lições teológicas – neste caso, o fracasso da aliança com Acazias, interpretado profeticamente como juízo divino. A figura de Jeosafá surge, assim, como exemplo complexo: um rei em geral fiel, mas não isento de falhas significativas, útil para refletir sobre a tensão entre graça, responsabilidade e consequências históricas.

Life
Life

2 Crônicas 20 oferece orientações práticas para enfrentar situações em que pressões externas e internas parecem esmagadoras. Jeosafá recebe uma notícia péssima, com urgência e grande risco. Sua primeira reação, depois do temor inicial, é decisiva: ele escolhe parar, buscar o Senhor, chamar todo o povo ao jejum e à oração. Em vez de agir impulsivamente, reorganiza as prioridades, centralizando a decisão em torno de Deus. Esse movimento sugere um padrão útil para a vida: diante de uma crise, fazer uma pausa intencional para alinhar coração, mente e comunidade, antes de definir estratégias. No campo da liderança, o capítulo mostra um rei que assume a responsabilidade, mas não se apresenta como o herói autossuficiente. Ele se coloca diante do povo, ora em público, admite limitações e relembra quem Deus é. Na prática, isso aponta para lideranças que se sustentam mais na verdade e transparência do que em aparências. Ao encorajar o povo a crer no Senhor e nos profetas, Jeosafá sinaliza também o valor de ouvir conselhos confiáveis e se apoiar em princípios, não apenas em cálculos imediatos. Outra dimensão prática está na forma como o povo se posiciona: não foge do campo de batalha, mas também não confia só em armas. Eles vão, obedecem à direção recebida, colocam o louvor em primeiro plano e caminham. Em contextos cotidianos, isso se traduz em tomar atitudes coerentes com a fé – ajustar decisões profissionais, relacionais e financeiras a partir de valores que honram a Deus, mesmo quando o resultado ainda não é visível. Por fim, a aliança de Jeosafá com Acazias funciona como alerta claro na esfera dos relacionamentos e negócios. Projetos podem ser tecnicamente promissores, mas espiritualmente desastrosos se construídos sobre parcerias com quem caminha em oposição frontal a princípios de justiça e verdade. Esse episódio convida à análise criteriosa das alianças que se formam – em sociedades, contratos, compromissos afetivos ou causas – e lembra que nem toda oportunidade é, de fato, boa, se comprometer o alinhamento com Deus.

Soul
Soul

Neste capítulo, a experiência de Judá diante de um inimigo numeroso se torna metáfora profunda da caminhada espiritual. A confissão “não sabemos o que faremos; porém os nossos olhos estão postos em ti” (v.12) sintetiza a postura da alma que, cercada por limites e ameaças, escolhe fixar-se em Deus como referência última. Essa frase reúne impotência humana e confiança radical, movendo o olhar do problema para a presença do Senhor. A cena do povo inteiro em pé diante de Deus, com homens, mulheres e crianças, evoca a espiritualidade como realidade comunitária e geracional. O cuidado de Deus não se restringe a indivíduos isolados, mas abarca uma comunidade reunida em torno da Sua promessa. A resposta divina, através de Jaaziel, não é apenas instrução tática; é uma palavra de identidade: a batalha não é deles, e sim do Senhor. Espiritualmente, isso remete à verdade de que a maior luta – contra o pecado, o mal e a morte – não é vencida pela capacidade humana, mas pela ação salvadora de Deus em favor do Seu povo. O movimento do capítulo conduz a alma da súplica à contemplação da salvação: primeiro, oração e jejum; depois, promessa e encorajamento; em seguida, adoração e marcha de fé; por fim, visão concreta do inimigo derrotado e louvor em um vale transformado em lugar de bênção. É um retrato do processo espiritual em que Deus transforma cenários de pavor em marcos de graça, onde a memória de Sua intervenção alimenta a confiança para futuras jornadas. O resumo final do reinado de Jeosafá, com suas virtudes e falhas, lembra que a vida espiritual nesta era é marcada por fidelidade real e, ao mesmo tempo, imperfeita. Alianças mal feitas, altares não removidos, projetos frustrados: tudo isso compõe um quadro honesto da condição humana. Ainda assim, Deus continua a trabalhar, corrigir, disciplinar e conduzir à paz (v.30). A perspectiva eterna vê nestes episódios temporais sinais de um Deus que luta por Seu povo, chama à confiança plena e prepara um descanso mais profundo do que qualquer paz política – um repouso final na Sua própria presença, onde toda batalha terá cessado definitivamente.

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Versiculos em 2 Crônicas 20

2 Crônicas 20:1

" E sucedeu que, depois disto, os filhos de Moabe, e os filhos de Amom, e com eles outros dos amonitas, vieram à peleja contra Jeosafá. "

2 Crônicas 20:2

" Então vieram alguns que avisaram a Jeosafá, dizendo: Vem contra ti uma grande multidão dalém do mar e da Síria; e eis que já estão em Hazazom-Tamar, que é En-Gedi. "

2 Crônicas 20:6

" E disse: Ah! Senhor Deus de nossos pais, porventura não és tu Deus nos céus? Não és tu que dominas sobre todos os reinos das nações? Na tua mão há força e potência, e não há quem te possa resistir. "

2 Crônicas 20:7

" Porventura, ó nosso Deus, não lançaste fora os moradores desta terra de diante do teu povo Israel, e não a deste para sempre à descendência de Abraão, teu amigo? "

2 Crônicas 20:9

" Se algum mal nos sobrevier, espada, juízo, peste, ou fome, nós nos apresentaremos diante desta casa e diante de ti, pois teu nome está nesta casa, e clamaremos a ti na nossa angústia, e tu nos ouvirás e livrarás. "

2 Crônicas 20:10

" Agora, pois, eis que os filhos de Amom, e de Moabe e os das montanhas de Seir, pelos quais não permitiste passar a Israel, quando vinham da terra do Egito, mas deles se desviaram e não os destruíram, "

2 Crônicas 20:12

" Ah! nosso Deus, porventura não os julgarás? Porque em nós não há força perante esta grande multidão que vem contra nós, e não sabemos o que faremos; porém os nossos olhos estão postos em ti. "

2 Crônicas 20:14

" Então veio o Espírito do Senhor, no meio da congregação, sobre Jaaziel, filho de Zacarias, filho de Benaia, filho de Jeiel, filho de Matanias, levita, dos filhos de Asafe, "

2 Crônicas 20:15

" E disse: Dai ouvidos todo o Judá, e vós, moradores de Jerusalém, e tu, ó rei Jeosafá; assim o Senhor vos diz: Não temais, nem vos assusteis por causa desta grande multidão; pois a peleja não é vossa, mas de Deus. "

2 Crônicas 20:17

" Nesta batalha não tereis que pelejar; postai-vos, ficai parados, e vede a salvação do Senhor para convosco, ó Judá e Jerusalém. Não temais, nem vos assusteis; amanhã saí-lhes ao encontro, porque o Senhor será convosco. "

2 Crônicas 20:18

" Então Jeosafá se prostrou com o rosto em terra, e todo o Judá e os moradores de Jerusalém se lançaram perante o Senhor, adorando-o. "

2 Crônicas 20:19

" E levantaram-se os levitas, dos filhos dos coatitas, e dos filhos dos coratitas, para louvarem ao Senhor Deus de Israel, com voz muito alta. "

2 Crônicas 20:20

" E pela manhã cedo se levantaram e saíram ao deserto de Tecoa; e, ao saírem, Jeosafá pôs-se em pé, e disse: Ouvi-me, ó Judá, e vós, moradores de Jerusalém: Crede no Senhor vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas, e prosperareis; "

2 Crônicas 20:21

" E aconselhou-se com o povo, e ordenou cantores para o Senhor, que louvassem à Majestade santa, saindo diante dos armados, e dizendo: Louvai ao Senhor porque a sua benignidade dura para sempre. "

2 Crônicas 20:22

" E, quando começaram a cantar e a dar louvores, o Senhor pôs emboscadas contra os filhos de Amom e de Moabe e os das montanhas de Seir, que vieram contra Judá, e foram desbaratados. "

2 Crônicas 20:23

" Porque os filhos de Amom e de Moabe se levantaram contra os moradores das montanhas de Seir, para os destruir e exterminar; e, acabando eles com os moradores de Seir, ajudaram uns aos outros a destruir-se. "

2 Crônicas 20:24

" Nisso chegou Judá à atalaia do deserto; e olharam para a multidão, e eis que eram corpos mortos, que jaziam em terra, e nenhum escapou. "

2 Crônicas 20:25

" E vieram Jeosafá e o seu povo para saquear os seus despojos, e acharam entre eles riquezas e cadáveres em abundância, assim como objetos preciosos; e tomaram para si tanto, que não podiam levar; e três dias saquearam o despojo, porque era muito. "

2 Crônicas 20:26

" E ao quarto dia se ajuntaram no vale de Beraca; pois ali louvaram ao Senhor. Por isso chamaram aquele lugar o vale de Beraca, até ao dia de hoje. "

2 Crônicas 20:27

" Então voltaram todos os homens de Judá e de Jerusalém, e Jeosafá à frente deles, e tornaram a Jerusalém com alegria; porque o Senhor os alegrara sobre os seus inimigos. "

2 Crônicas 20:29

" E veio o temor de Deus sobre todos os reinos daquelas terras, ouvindo eles que o Senhor havia pelejado contra os inimigos de Israel. "

2 Crônicas 20:31

" E Jeosafá reinou sobre Judá; era da idade de trinta e cinco anos quando começou a reinar e vinte e cinco anos reinou em Jerusalém; e o nome de sua mãe era Azuba, filha de Sili. "

2 Crônicas 20:34

" Ora, o restante dos atos de Jeosafá, assim, desde os primeiros até os últimos, eis que está escrito nas notas de Jeú, filho de Hanani, que as inseriu no livro dos reis de Israel. "

2 Crônicas 20:37

" Porém Eliezer, filho de Dodava, de Maressa, profetizou contra Jeosafá, dizendo: Porquanto te aliaste com Acazias, o Senhor despedaçou as tuas obras. E os navios se quebraram, e não puderam ir a Társis. "

Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.