2 Crônicas 33 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique 2 Crônicas 33 na sua vida hoje

25 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e 2 Crônicas 33?

2 Crônicas 33 narra o reinado de Manassés e de seu filho Amom em Judá. Manassés começa com um governo marcado por profunda idolatria e práticas abomináveis, levando o povo a afastar-se de Deus mais do que as próprias nações pagãs. Como disciplina, Deus permite que ele seja levado cativo à Babilônia. Em sua aflição, Manassés se humilha, ora ao Senhor, é restaurado ao trono e promove uma reforma parcial, removendo ídolos e restaurando o altar do Senhor. Em contraste, Amom imita os pecados do pai, mas não segue seu arrependimento, e seu breve reinado termina em conspiração e morte, abrindo caminho para o governo de Josias.

Temas principais em 2 Crônicas 33

Profunda queda espiritual e idolatria extrema (versiculos v.1-7, 9)

Manassés reverte as reformas de Ezequias e mergulha Judá em idolatria: reconstrói altos, levanta altares a Baal, adora o exército dos céus, pratica feitiçarias e até sacrifica seus filhos no fogo, profanando inclusive o templo do Senhor.

Versiculos-chave: 2, 3, 4, 6, 7, 9

Consequência do pecado e disciplina de Deus (versiculos v.10-11)

A persistente rebeldia de Manassés e do povo, mesmo após Deus falar com eles, leva ao juízo: o rei é preso com ganchos e levado cativo. A disciplina não é arbitrária, mas resposta à recusa em ouvir a voz de Deus.

Versiculos-chave: 10, 11

Arrependimento genuíno e restauração surpreendente (versiculos v.12-13, 18-19)

No auge de sua angústia, Manassés se humilha profundamente, ora sinceramente, e Deus se deixa aplacar, ouve sua súplica e o restaura ao reino. Mesmo após um histórico de grandes pecados, a graça de Deus se manifesta em perdão e nova oportunidade.

Versiculos-chave: 12, 13, 19

Frutos do arrependimento na vida prática (versiculos v.14-17)

Após ser restaurado, Manassés demonstra mudança real: fortalece a cidade, remove ídolos, lança fora os altares pagãos, repara o altar do Senhor e ordena a Judá que sirva ao Deus de Israel. O arrependimento se torna visível em ações concretas.

Versiculos-chave: 15, 16

Influência espiritual entre gerações (versiculos v.20-25)

Apesar da conversão tardia de Manassés, Amom imita seus pecados, mas não sua humilhação diante de Deus. Isso mostra como exemplos de pecado podem marcar profundamente uma geração, e como nem sempre a mudança de um líder é imediatamente replicada pelos filhos.

Versiculos-chave: 22, 23

Contexto historico e literario

Manassés reinou em Judá por cerca de 55 anos, no período pós-Ezequias, em um contexto de pressão política das grandes potências regionais, especialmente a Assíria. Ezequias havia promovido reformas religiosas significativas, centralizando o culto ao Senhor em Jerusalém e eliminando a idolatria. Manassés desfaz grande parte dessas reformas, introduzindo práticas cananeias e assírias, como a adoração aos astros e rituais de sacrifício infantil, inclusive no vale do filho de Hinom, que mais tarde se tornaria símbolo de juízo.

O texto menciona que Manassés foi levado pelos capitães do rei da Assíria para a Babilônia, refletindo o domínio assírio sobre a região e sua prática de deportar reis vassalos rebeldes. Embora os detalhes históricos exatos dessa deportação sejam debatidos entre estudiosos, a narrativa bíblica destaca a dimensão teológica: Deus usa potências estrangeiras como instrumentos de disciplina. O retorno de Manassés ao trono após sua humilhação é um elemento particular realçado em Crônicas, com foco na possibilidade de restauração.

O breve reinado de Amom, de apenas dois anos, ocorre em um cenário de instabilidade política interna. Sua morte por conspiração e a reação do povo, que elimina os conspiradores e coloca Josias no trono, preparam o cenário para uma nova fase de reformas religiosas em Judá sob Josias, um dos últimos grandes reis piedosos antes do exílio babilônico.

Estrutura de 2 Crônicas 33

O capítulo apresenta uma estrutura narrativa bem definida, com contraste marcante entre queda e restauração, e entre dois reis consecutivos:

  1. Introdução ao reinado de Manassés (v.1-2)

    • Idade, duração do reinado e avaliação moral de seu governo.
  2. Descrição detalhada da idolatria e maldade de Manassés (v.3-9)

    • Reconstrução dos altos destruídos por Ezequias.
    • Altares a Baal e bosques sagrados.
    • Adoração ao exército dos céus, inclusive dentro do templo.
    • Sacrifício de filhos, feitiçaria, adivinhação e encantamentos.
    • Colocação de um ídolo esculpido no templo, em contraste com a promessa de Deus sobre Jerusalém.
    • Influência negativa sobre Judá, tornando-os piores que as nações pagãs.
  3. A intervenção de Deus e o cativeiro de Manassés (v.10-11)

    • Deus fala com o rei e o povo, mas eles não ouvem.
    • A disciplina vem pela mão dos capitães do rei da Assíria, que levam Manassés cativo.
  4. Arrependimento e restauração de Manassés (v.12-13)

    • Angústia, oração sincera e profunda humilhação.
    • Deus se aplaca, ouve a súplica e o traz de volta a Jerusalém.
    • Reconhecimento de Manassés de que o Senhor é Deus.
  5. Reformas e ações de Manassés após sua restauração (v.14-17)

    • Fortificação de Jerusalém com muros e capitães de guerra.
    • Remoção dos ídolos e altares estrangeiros do templo e da cidade.
    • Restauração do altar do Senhor e oferta de sacrifícios de paz e louvor.
    • Ordem a Judá para servir ao Senhor, ainda que o povo continue usando altos, mas dedicados ao Senhor.
  6. Referência a registros adicionais sobre Manassés (v.18-19)

    • Menção a crônicas e livros dos videntes, que registram sua oração, seu pecado e sua humilhação.
  7. Transição para o reinado de Amom (v.20-25)

    • Morte e sepultamento de Manassés; ascensão de Amom.
    • Avaliação negativa de Amom, que imita os pecados de Manassés sem seguir seu arrependimento.
    • Conspiração dos servos, morte de Amom, punição dos conspiradores pelo povo.
    • Proclamação de Josias como rei, preparando a narrativa seguinte.

A repetição de fórmulas (“fez o que era mau aos olhos do Senhor”, “humilhou-se”, “falou o Senhor”) e o contraste entre Manassés antes e depois do cativeiro, bem como entre Manassés e Amom, reforçam o tema central de pecado, juízo, graça e resposta humana.

Significado teologico

2 Crônicas 33 destaca de forma intensa a tensão entre a gravidade do pecado e a grandeza da graça de Deus. Manassés é apresentado como um dos reis mais perversos de Judá, não apenas adotando práticas idólatras, mas profanando diretamente a casa de Deus, promovendo injustiça espiritual e moral e levando o povo inteiro a se desviar. Isso evidencia a seriedade do pecado de liderança e a responsabilidade que recai sobre aqueles que influenciam outros.

Ao mesmo tempo, o capítulo mostra que a disciplina de Deus não é o fim da história. Deus fala primeiro, chama ao arrependimento, e somente após a rejeição persistente permite o juízo por meio da Assíria. Mesmo assim, quando Manassés, em profunda angústia, se humilha e ora, o Senhor se deixa aplacar. A restauração de Manassés ao trono ilustra a soberania de Deus sobre as nações e sua disposição em restaurar até mesmo quem caiu tão fundo, quando há arrependimento genuíno.

Teologicamente, o capítulo ressalta:

  • A fidelidade de Deus à sua aliança: o Senhor recorda suas promessas a Davi, Salomão e a Israel, condicionadas à obediência à lei dada por Moisés.
  • A centralidade do culto verdadeiro: a profanação do templo e a restauração do altar demonstram que a adoração ao Senhor é o coração da vida de Judá.
  • A natureza do arrependimento verdadeiro: não é apenas emoção, mas mudança de postura, reconhecimento de que “o Senhor é Deus” e ações concretas de correção.
  • A responsabilidade geracional: as escolhas de um rei afetam profundamente seu povo e sua descendência, como se vê em Amom, que herda o padrão de pecado, mas não o exemplo de humilhação.

Crônicas, com seu foco pós-exílico, usa a história de Manassés como exemplo dramático de que, mesmo após grandes quedas, a porta da restauração está aberta para um povo que se humilha, ora e volta ao Senhor.

Aplicacao restauradora e de saude mental

Este capítulo descreve uma jornada intensa de queda, disciplina, arrependimento e restauração, que toca em temas profundamente humanos: culpa, vergonha, consequências de escolhas erradas, sofrimento, mudança e novas oportunidades.

Manassés vive um período prolongado de autodestruição espiritual, levando outros consigo. Quando suas ações geram consequências inevitáveis e ele experimenta angústia extrema no cativeiro, surge um ponto de virada. A narrativa enfatiza a sinceridade de sua dor e sua humilhação diante de Deus. A resposta divina, acolhendo sua oração e devolvendo-lhe o lugar de honra, oferece uma perspectiva de esperança para histórias marcadas por erros graves.

Do ponto de vista emocional, o texto reconhece a realidade das consequências, sem negar a dor que elas trazem. Ao mesmo tempo, mostra que o passado não precisa definir de forma absoluta o futuro. Há espaço para recomeços, reparos e reconstrução. O contraste com Amom ressalta que nem todos escolhem esse caminho: alguns persistem em padrões destrutivos, mesmo tendo exemplos de arrependimento à sua disposição.

A passagem pode servir como espelho para experiências de culpa pesada, sensação de ter “ido longe demais” ou medo de que não haja retorno. Também aborda a complexa dinâmica entre decisões pessoais e impacto sobre outros, especialmente em contextos de liderança e família. A atitude de Manassés após ser restaurado — remover ídolos, restaurar o altar, reorganizar a cidade — aponta para um processo de cura que envolve tanto o coração quanto práticas concretas de mudança.

warning Importante: maus usos comuns

['História de culpa intensa e remorso por erros do passado, especialmente envolvendo influência negativa sobre outras pessoas ou ambientes.', 'Sensação de ter ido ‘longe demais’ no pecado ou em escolhas destrutivas, com medo de não haver perdão ou possibilidade de restauração.', 'Vivências de disciplina, perdas ou ‘cativeiros’ pessoais que são interpretados apenas como abandono, sem percepção de oportunidade de mudança.', 'Padrões familiares repetidos de comportamento destrutivo, como no contraste entre Manassés e Amom, que podem refletir ciclos intergeracionais de abuso, vícios ou idolatrias emocionais.', 'Dificuldade em lidar com o passado, mesmo após arrependimento, incluindo tendências à autocondenação extrema ou ao outro extremo de minimizar o dano causado.', 'Líderes ou figuras de autoridade que usam sua posição para conduzir outros a caminhos prejudiciais, produzindo traumas espirituais ou emocionais no grupo.', 'Processos de mudança que ficam apenas em intenções internas, sem passos práticos de reparo, renúncia de padrões antigos e reconstrução saudável de limites e estruturas.']

Aplicacao pratica para hoje

['Reconhecer a seriedade das escolhas espirituais e morais, lembrando que decisões pessoais podem afetar muitos outros, especialmente em contextos de liderança e família.', 'Quando confrontado com as consequências do pecado, responder com humilhação e oração sincera, em vez de endurecer o coração ou buscar justificativas.', 'Permitir que o sofrimento e as ‘prisões’ da vida se tornem pontos de virada para voltar ao Senhor, em vez de apenas motivos de amargura.', 'Traduzir o arrependimento em ações concretas: remover ‘ídolos’ práticos (hábitos, ambientes, relacionamentos, objetos) que alimentam o afastamento de Deus.', 'Restaurar o ‘altar’ na rotina diária, reservando tempo e espaço para culto, gratidão e louvor, colocando Deus novamente no centro das prioridades.', 'Rever estruturas ao redor — família, trabalho, comunidade — e buscar fortalecer áreas enfraquecidas, construindo ‘muros’ saudáveis de proteção espiritual e ética.', 'Aprender com exemplos do passado (bons e ruins), evitando repetir padrões destrutivos, como Amom, e buscando imitar o que há de bom, inclusive o arrependimento de quem errou.', 'Registrar e lembrar, de alguma forma, experiências de arrependimento e restauração, como as ‘crônicas’ mencionadas, para que sirvam de testemunho e alerta para as próximas gerações.']

Perguntas frequentes

Por que Manassés é considerado um dos reis mais perversos de Judá?

Manassés é apresentado como extremamente perverso porque reverteu as reformas de Ezequias e introduziu uma série de práticas abomináveis: reconstruiu altos idólatras, levantou altares a Baal, estabeleceu bosques sagrados, adorou o exército dos céus, profanou o templo erguendo altares e um ídolo dentro dele, praticou feitiçaria, adivinhações e sacrifício de filhos no fogo. Além disso, levou Judá e Jerusalém a pecarem de modo ainda pior que as nações que Deus havia expulsado da terra (v.2-6, 9).

Como entender o cativeiro de Manassés na Assíria e sua ida para Babilônia?

O texto afirma que o Senhor trouxe sobre Manassés os capitães do exército do rei da Assíria, que o prenderam com ganchos e o levaram para Babilônia (v.11). Historicamente, a Assíria dominava a região e podia usar diferentes cidades como centros administrativos, inclusive na Babilônia, que naquele momento ainda estava sob influência assíria. Teologicamente, o foco do cronista não é explicar todos os detalhes políticos, mas mostrar que Deus usou a potência estrangeira como instrumento de disciplina, e que mesmo no cativeiro o Senhor continuava no controle da história.

O arrependimento de Manassés foi realmente genuíno?

O texto de 2 Crônicas enfatiza a genuinidade do arrependimento de Manassés. Ele é descrito como profundamente angustiado, humilhando-se muito diante de Deus e orando de forma insistente (v.12-13). A resposta de Deus, aplacando-se, ouvindo sua súplica e restaurando-o ao trono, confirma a sinceridade do processo. Além disso, há frutos concretos: ele fortalece Jerusalém, remove ídolos, lança fora altares pagãos, repara o altar do Senhor e ordena a Judá que sirva ao Deus de Israel (v.14-16). Crônicas ainda menciona registros de sua oração e de como Deus se aplacou (v.18-19), reforçando a importância dessa mudança.

Por que o povo continuou sacrificando nos altos mesmo após as reformas de Manassés?

O verso 17 afirma que o povo ainda sacrificava nos altos, mas somente ao Senhor seu Deus. Isso indica que, embora a idolatria explícita estivesse sendo combatida, nem todas as práticas religiosas se alinharam plenamente com o padrão estabelecido por Deus, que determinava o templo de Jerusalém como lugar central de culto. Havia um processo em andamento: a direção geral era de retorno ao Senhor, mas hábitos antigos e estruturas religiosas espalhadas não foram completamente abandonados. Isso reflete a realidade de que mudanças espirituais nem sempre se consolidam de forma imediata e total em todo o povo.

Por que Amom não seguiu o exemplo de arrependimento de Manassés?

O texto destaca que Amom imitou os pecados de Manassés, sacrificando e servindo às imagens de escultura, mas “não se humilhou perante o Senhor, como Manassés, seu pai, se humilhara; antes multiplicou Amom os seus delitos” (v.22-23). Isso mostra que, embora Manassés tenha se arrependido, o padrão de idolatria já havia deixado marcas profundas. Cada geração, porém, é responsável por sua resposta a Deus. Amom escolheu o caminho da rebeldia, e não o da humilhação, o que resultou em um reinado curto, marcado por conspiração e morte. O capítulo evidencia que exemplos de graça e restauração não obrigam ninguém a se arrepender, mas oferecem um caminho que pode ou não ser seguido.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

2 Crônicas 33 apresenta uma história que toca profundamente o coração, porque mostra alguém que vai muito longe no erro e, ainda assim, encontra um caminho de volta. Manassés não cometeu falhas pequenas: ele se afastou quase por completo do Deus de seus pais, tomou decisões que feriram o povo e profanaram o lugar mais sagrado. A descrição de seus pecados é pesada e, de certo modo, assustadora. Mas o que se destaca é o momento em que ele, já quebrado, amarrado com correntes e levado para um lugar estranho, finalmente se volta para o Senhor. Ali, no ponto mais baixo, ele ora “deveras”, com sinceridade, e se humilha muito. A dor dele não é ignorada. O texto diz que Deus se aplacou, ouviu a sua súplica e o trouxe de volta. Há muita ternura escondida nessa frase: o Deus que viu tudo o que Manassés fez, também viu sua angústia, sua vergonha, seu clamor. Esse capítulo lembra que não existe história tão bagunçada que Deus não possa alcançar. A disciplina é real, as consequências do pecado não desaparecem como se nunca tivessem existido, mas o coração arrependido não é rejeitado. Depois de restaurado, Manassés passa a agir de outra forma, como alguém que entendeu o quanto é precioso ser novamente acolhido. O contraste com Amom traz um peso diferente: ele teve diante de si o exemplo do pai que caiu e se levantou, mas escolheu ficar só com o caminho da rebeldia. Isso mostra como é doloroso ver alguém recusar a mesma graça que foi oferecida. Ainda assim, o capítulo inteiro sussurra que, enquanto há vida, o caminho da humilhação e do retorno a Deus continua aberto, mesmo para quem já fez muito mal e sente que não merece mais ser ouvido.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético e teológico, 2 Crônicas 33 é um texto-chave para compreender a teologia da história em Crônicas. O cronista, escrevendo para uma comunidade pós-exílica, seleciona e amplia a narrativa de Manassés em comparação com outros relatos, enfatizando especialmente seu arrependimento e a resposta de Deus. Isso não apenas registra um fato histórico, mas molda uma leitura teológica: mesmo os piores pecados de Judá não esgotaram a paciência e a graça do Senhor. A primeira parte do capítulo (v.1-9) acumula termos e práticas condenadas na Torá: altos, Baalins, bosques, culto astral, sacrifício infantil, adivinhação, agouros, feitiçarias, consulta a adivinhos e encantadores. A profanação do templo, com a instalação de um ídolo esculpido na casa de Deus, contrasta diretamente com as promessas feitas a Davi e Salomão sobre Jerusalém como lugar do nome do Senhor (v.7-8). O cronista sublinha, assim, que o pecado de Manassés é uma violação frontal da aliança davídica e da centralização do culto. A disciplina por meio da Assíria (v.10-11) está em linha com a teologia profética: Deus fala primeiro, chama ao arrependimento, e só depois, em caso de recusa, traz juízo. A narrativa da captura com ganchos e correntes reforça o caráter humilhante da experiência, tipicamente associado a prisioneiros importantes. A ida à Babilônia sob domínio assírio reflete a complexa situação política da época, mas o ponto central é a soberania de Deus sobre a história. O arrependimento de Manassés (v.12-13) é descrito com verbos fortes: humilhar-se profundamente, orar de verdade, ter sua súplica ouvida. Teologicamente, isso demonstra que a disciplina tem objetivo pedagógico e restaurador, e não meramente punitivo. A restituição de Manassés ao trono e suas subsequentes reformas (v.14-17) funcionam como evidência da eficácia do arrependimento: o rei que antes destruiu a vida espiritual de Judá passa a reconstruir e proteger a cidade, restaurar o altar e orientar o povo ao serviço do Senhor. O registro adicional em crônicas e livros de videntes (v.18-19) sugere uma tradição profética mais ampla e reforça a importância da oração de Manassés como documento teológico para a comunidade. Por fim, o relato de Amom (v.20-25) mostra a ambiguidade da história: a graça experenciada pelos pais não garante, por si só, fidelidade nos filhos. Crônicas, ao fechar esse ciclo com a ascensão de Josias, prepara o leitor para ver como Deus continua atuando na linha davídica, apesar de suas falhas, convidando cada geração a uma resposta própria de fé e obediência.

Life
Life

2 Crônicas 33 é um retrato muito realista de como decisões de liderança e escolhas pessoais se espalham pela vida prática de uma comunidade. Manassés não erra sozinho em um canto isolado: ele usa sua posição para reabrir caminhos de idolatria, autorizar práticas destrutivas e instalar modelos espirituais doentes. O resultado é um povo inteiro influenciado a fazer “pior do que as nações”. Isso lembra que, na família, no trabalho ou em qualquer ambiente de liderança, o exemplo pesa mais do que o discurso. Quando as consequências chegam e Manassés é levado cativo, sua reação muda: ele se humilha, ora e, depois de restaurado, começa a tomar decisões diferentes. Ele não apenas diz que se arrependeu; ele mexe nas estruturas. Fortifica muros, ajusta a defesa da cidade, remove ídolos, joga fora altares, repara o altar do Senhor e reorganiza o culto. Há um princípio prático importante aqui: arrependimento genuíno sempre pressiona por mudanças concretas no cotidiano, na agenda, nas prioridades e até nas relações. O povo, porém, continua sacrificando nos altos, ainda que ao Senhor. Na prática, isso mostra que hábitos antigos demoram a morrer e que reformas de cima para baixo nem sempre alcançam o coração de todos de imediato. Em contextos atuais, isso lembra que mudanças de cultura em uma casa, igreja ou organização exigem tempo, consistência, diálogo e perseverança. Não basta uma decisão isolada; é preciso uma caminhada. O contraste com Amom é um alerta prático forte. Ele absorve o modelo errado de seu pai, mas ignora o exemplo de humildade e retorno a Deus. Em apenas dois anos, sua forma de governar gera tamanha insatisfação que seus próprios servos conspiram contra ele. Isso mostra o risco de persistir em padrões destrutivos, mesmo tendo diante de si oportunidades claras de mudança. Em termos de vida diária, o capítulo convida à avaliação honesta: que padrões herdados precisam ser quebrados, e como transformar arrependimento em ajustes visíveis na maneira de agir, liderar, gastar tempo, usar recursos e se relacionar com os outros.

Soul
Soul

No nível da alma, 2 Crônicas 33 fala sobre distâncias e retornos. Manassés simboliza alguém que se afasta ao máximo da vontade de Deus: rompe com a herança espiritual recebida, troca a adoração ao Criador por ídolos, entrega sua influência a poderes espirituais estranhos, perverte o lugar de encontro com o Deus vivo. Ele parece cruzar todas as linhas imagináveis. É justamente a partir desse extremo que a mensagem ganha profundidade: a disciplina que o alcança não é o fim de sua história. No cativeiro, amarrado, em angústia, ele finalmente se volta para o Deus de seus pais. A humilhação se torna o portal para um novo começo. O texto faz questão de dizer que Deus ouviu, se aplacou, restaurou e se deixou conhecer novamente. A declaração “então conheceu Manassés que o Senhor era Deus” (v.13) indica uma descoberta renovada, quase como se ele encontrasse pela primeira vez, em profundidade, aquele que sempre estivera no centro da história de Israel. Isso toca diretamente na questão da salvação e da esperança. A condição para a restauração não foi um passado limpo, mas um coração quebrantado. A graça não apaga os registros, mas transforma o destino. A partir daquele ponto, Manassés vive e governa de modo diferente, e suas experiências de pecado, disciplina e arrependimento se tornam parte de um testemunho público, registrado nas “crônicas” e nos escritos dos videntes. Amom, por sua vez, mostra que cada alma decide o que fará com a graça que vê ao redor. Ele herda uma história complexa, com exemplos de queda e de reconciliação, mas escolher permanecer no caminho do endurecimento. Sua vida curta e trágica aponta para o perigo de ignorar a voz de Deus quando ainda há tempo. Para a caminhada espiritual, o capítulo reafirma que ninguém está automaticamente perdido enquanto houver disposição de se humilhar diante de Deus. A disciplina pode ser um chamado à vida, não apenas um sinal de rejeição. E a verdadeira conversão sempre conduz a uma reordenação da existência, em que o altar do Senhor volta ao centro, e todas as outras devoções vão sendo lançadas fora. A esperança eterna se ancora nesse Deus que, mesmo diante dos piores desvios, continua disposto a ouvir, perdoar e conduzir de volta à comunhão com Ele.

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Versiculos em 2 Crônicas 33

2 Crônicas 33:2

" E fez o que era mau aos olhos do Senhor, conforme às abominações dos gentios que o Senhor lançara fora de diante dos filhos de Israel. "

2 Crônicas 33:3

" Porque tornou a edificar os altos que Ezequias, seu pai, tinha derrubado; e levantou altares aos Baalins, e fez bosques, e prostrou-se diante de todo o exército dos céus, e o serviu. "

2 Crônicas 33:6

" Fez ele também passar seus filhos pelo fogo no vale do filho de Hinom, e usou de adivinhações e de agouros, e de feitiçarias, e consultou adivinhos e encantadores, e fez muitíssimo mal aos olhos do Senhor, para o provocar à ira. "

2 Crônicas 33:7

" Também pôs uma imagem de escultura do ídolo que tinha feito, na casa de Deus, da qual Deus tinha falado a Davi e a Salomão seu filho: Nesta casa e em Jerusalém, que escolhi de todas as tribos de Israel, porei o meu nome para sempre. "

2 Crônicas 33:8

" E nunca mais removerei o pé de Israel da terra que destinei a vossos pais; contanto que tenham cuidado de fazer tudo o que eu lhes ordenei, conforme a toda a lei, e estatutos, e juízos, dados pela mão de Moisés. "

2 Crônicas 33:9

" E Manassés tanto fez errar a Judá e aos moradores de Jerusalém, que fizeram pior do que as nações que o Senhor tinha destruído de diante dos filhos de Israel. "

2 Crônicas 33:11

" Assim o Senhor trouxe sobre eles os capitàes do exército do rei da Assíria, os quais prenderam a Manassés com ganchos e, amarrando-o com cadeias, o levaram para Babilônia. "

2 Crônicas 33:13

" E fez-lhe oração, e Deus se aplacou para com ele, e ouviu a sua súplica, e tornou a trazê-lo a Jerusalém, ao seu reino. Então conheceu Manassés que o Senhor era Deus. "

2 Crônicas 33:14

" E depois disto edificou o muro de fora da cidade de Davi, ao ocidente de Giom, no vale, e à entrada da porta do peixe, e ao redor de Ofel, e o levantou muito alto; também pôs capitàes de guerra em todas as cidades fortificadas de Judá. "

2 Crônicas 33:15

" E tirou da casa do Senhor os deuses estranhos e o ídolo, como também todos os altares que tinha edificado no monte da casa do Senhor, e em Jerusalém, e os lançou fora da cidade. "

2 Crônicas 33:16

" E reparou o altar do Senhor e ofereceu sobre ele sacrifícios de ofertas pacíficas e de louvor; e ordenou a Judá que servisse ao Senhor Deus de Israel. "

2 Crônicas 33:18

" O restante dos atos de Manassés, e a sua oração ao seu Deus, e as palavras dos videntes que lhe falaram no nome do Senhor Deus de Israel, eis que estão nas crônicas dos reis de Israel. "

2 Crônicas 33:19

" E a sua oração, e como Deus se aplacou para com ele, e todo o seu pecado, e a sua transgressão, e os lugares onde edificou altos, e pôs bosques e imagens de escultura, antes que se humilhasse, eis que estão escritos nos livros dos videntes. "

2 Crônicas 33:22

" E fez o que era mau aos olhos do Senhor, como havia feito Manassés, seu pai; porque Amom sacrificou a todas as imagens de escultura que Manassés, seu pai tinha feito, e as serviu. "

2 Crônicas 33:25

" Porém o povo da terra feriu a todos quantos conspiraram contra o rei Amom; e o povo da terra fez reinar em seu lugar a Josias, seu filho. "

Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.