2 Crônicas 25:1
" Era Amazias da idade de vinte e cinco anos, quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Joadã, de Jerusalém. "
Entenda os temas principais e aplique 2 Crônicas 25 na sua vida hoje
28 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Amazias faz o que é reto aos olhos do Senhor em alguns aspectos, como obedecer à Lei de Moisés ao não matar os filhos dos assassinos de seu pai. Porém, sua obediência não é íntegra, revelando um coração dividido que mais tarde se mostra claramente na idolatria e na rejeição à palavra profética.
Ao contratar soldados de Israel por grande soma de prata, Amazias demonstra confiança em poder humano. Deus o confronta por meio de um homem de Deus, chamando-o a confiar no Senhor, que é capaz de ajudar ou derrubar, e a aceitar até prejuízos materiais por fidelidade.
Após a vitória contra Edom, o coração de Amazias se exalta. Em vez de reconhecer que o livramento vem de Deus, ele decide provocar uma guerra desnecessária contra Israel, sendo advertido, mas persistindo por orgulho, o que leva à sua derrota e humilhação.
Amazias traz os deuses de Seir, os mesmos que não puderam salvar o povo derrotado, e os adota como seus deuses. Deus envia um profeta para confrontá-lo, mas o rei responde com dureza e ameaça, rejeitando a correção e revelando profundidade de seu desvio.
Por ter buscado os deuses dos edomitas e desprezado a voz de Deus, Amazias é entregue à derrota diante de Israel, sofre perdas materiais e políticas, e mais tarde enfrenta conspiração e morte. O texto relaciona explicitamente esses acontecimentos ao juízo de Deus sobre sua infidelidade.
2 Crônicas 25 situa-se no período da monarquia dividida, quando o reino de Judá (sul) e o reino de Israel (norte) coexistem em tensões políticas, militares e religiosas. Amazias, filho de Joás, reina em Judá por 29 anos, em Jerusalém. O texto se refere a Edom (aqui por Seir), um antigo povo vizinho, frequentemente em conflito com Judá. O recrutamento de cem mil soldados de Israel (versos 6-7) mostra que, embora houvesse parentesco entre os reinos, também havia grande afastamento espiritual, pois o reino do norte vivia mergulhado em idolatria. A referência à Lei de Moisés no versículo 4 aponta para Deuteronômio 24:16, princípio jurídico que proibia punições coletivas por crime alheio. A captura de Amazias e a derrubada de parte do muro de Jerusalém por Jeoás de Israel (verso 23) descreve um duro golpe político e militar: enfraquecimento das defesas da cidade, saque do templo e do palácio (verso 24) e imposição de humilhação ao rei de Judá. A conspiração final contra Amazias, sua fuga para Laquis e morte lá (versos 27-28) seguem um padrão comum no mundo antigo de remoção de reis considerados fracassados ou infiéis, algo que os livros históricos interpretam como consequência da quebra da aliança com Deus.
O capítulo apresenta uma narrativa histórica organizada em blocos bem definidos:
2 Crônicas 25 explora a séria diferença entre obediência externa e coração íntegro diante de Deus. Amazias é descrito como alguém que faz o que é reto, mas sem inteireza de coração (v.2). Isso ressalta a ênfase bíblica de que Deus busca não apenas comportamentos corretos, mas lealdade profunda e exclusiva. A obediência parcial aparece na forma de respeito à Lei de Moisés em um ponto (v.4), seguida, porém, por decisões políticas e espirituais que revelam falta de confiança plena em Deus.
O texto destaca a suficiência de Deus frente a recursos humanos e econômicos. Ao ordenar que Amazias dispense os soldados de Israel, o Senhor afirma, por meio do homem de Deus, que tem poder tanto para ajudar quanto para fazer cair (v.8) e que pode restituir muito mais do que qualquer perda financeira (v.9). A fé verdadeira é chamada a colocar a confiança em Deus acima de cálculos de custo e benefício.
A idolatria de Amazias assume um aspecto teologicamente irônico: ele se curva diante de deuses que não foram capazes de salvar seu próprio povo da derrota (v.15). Essa ironia expõe a loucura da idolatria, que troca o Deus vivo por ídolos impotentes. Ao rejeitar a palavra profética e ameaçar o mensageiro (v.16), Amazias se coloca frontalmente contra a revelação de Deus. O profeta discerne que essa atitude revela um ponto de não retorno: Deus já deliberou destruí-lo, ligando juízo e endurecimento do coração.
A narrativa também ressalta o princípio de que o orgulho precede a queda. A parábola do cardo e do cedro (v.18-19) comunica que, embriagado pela vitória sobre Edom, Amazias superestima sua força e se lança em conflito desnecessário com Israel. O cronista interpreta a derrota subsequente como ação de Deus: "isto vinha de Deus" (v.20), pois eles buscaram os deuses dos edomitas. Assim, o texto articula uma teologia da retribuição ligada à aliança: confiança em Deus traz ajuda; abandono de Deus e idolatria atraem juízo e humilhação.
Por fim, o capítulo contribui para o retrato maior de Crônicas, mostrando como o destino dos reis de Judá e da nação está intimamente conectado à fidelidade ou infidelidade ao Senhor. Mesmo um rei que começa com alguma retidão pode, ao persistir na dureza de coração, caminhar para o declínio espiritual, político e pessoal.
Em termos de cuidado emocional, 2 Crônicas 25 retrata a jornada de alguém que começa com alguns acertos, mas gradualmente se perde em orgulho, autoconfiança e idolatria. Há um contraste entre momentos em que Amazias ouve a voz de Deus e momentos em que a rejeita com dureza. Essa tensão lembra como corações feridos, inseguros ou orgulhosos podem resistir à correção, mesmo quando ela vem para preservação e vida.
O texto toca em temas de frustração e perda: Amazias se preocupa com o dinheiro investido nos soldados de Israel, teme o prejuízo e precisa aprender a soltar aquilo que custou caro para se alinhar à vontade de Deus (v.9). Esse movimento de abrir mão é muitas vezes doloroso, mas também libertador. Além disso, a derrota, a humilhação, a conspiração e o fim trágico mostram como escolhas repetidas de obstinação podem levar a histórias de grande sofrimento.
Há também um alerta terapêutico sobre como o orgulho após conquistas pode distorcer a percepção da realidade. Depois da vitória sobre Edom, Amazias perde a medida, se exalta e ignora conselhos de prudência (v.19). Em termos emocionais, o texto reflete a dinâmica de quem, ao se sentir forte, dispensa limites e conselhos, abrindo portas para quedas dolorosas. Ao mesmo tempo, a presença do homem de Deus e do profeta mostra que Deus insiste em falar e corrigir, oferecendo oportunidades de retorno antes que a destruição se consolide.
Alguns sinais de alerta importantes nesse capítulo incluem: 1) Obediência sem inteireza de coração (v.2), indicando uma espiritualidade superficial, que cumpre parte da vontade de Deus, mas mantém reservas profundas. 2) Dependência excessiva de recursos humanos e financeiros para segurança (vv.5-6), evidenciada pela ansiedade de Amazias ao pensar na perda do investimento (v.9). 3) Reação de ira e rejeição à correção espiritual (v.16), com ameaça de violência contra o mensageiro de Deus, sinal de coração endurecido que não tolera ser confrontado. 4) Idolatria em forma de apego a soluções inúteis (v.14-15), recorrendo a "deuses" que não podem salvar, seja na forma de objetos, relacionamentos ou estratégias que ocupam o lugar de Deus. 5) Orgulho após conquistas (v.19), que leva à exposição desnecessária a riscos e conflitos. 6) Padrão de decisões que, somadas, culminam em isolamento, conspiração e fim trágico (v.27), ilustrando os efeitos acumulados de escolhas espiritualmente destrutivas.
Esses elementos funcionam como alerta sobre comportamentos e atitudes que, se mantidos, tendem a aprofundar sofrimento emocional, rupturas relacionais e distanciamento espiritual.
2 Crônicas 25 oferece aplicações práticas fortes sobre escolhas, orgulho, confiança e correção.
1) Cultivar inteireza de coração: não basta fazer coisas certas de forma parcial. A integridade começa em decisões internas: deixar que Deus sonde motivações, não apenas comportamentos visíveis. Isso implica disposição constante de rever prioridades e abandonar alianças que competem com a confiança em Deus.
2) Aprender a perder por fidelidade: Amazias é chamado a abrir mão de um grande investimento financeiro por obediência (v.9). A vida prática exige, muitas vezes, renúncias materiais, profissionais ou de status para permanecer em coerência com a fé. A convicção de que o Senhor pode "dar mais do que isso" encoraja a não vender princípios em troca de segurança aparente.
3) Ouvir conselhos antes do desastre: o homem de Deus e o profeta representam advertências preventivas. Na prática, isso reforça o valor de ouvir correção bíblica, conselhos sábios e alertas de pessoas piedosas, especialmente quando apontam para orgulho, autossuficiência ou caminhos destrutivos.
4) Cuidar do coração após vitórias: conquistas podem inflar a vaidade e levar a decisões imprudentes. Uma aplicação concreta é estabelecer, em momentos de sucesso, práticas de humildade: reconhecer a graça de Deus, manter prestação de contas, evitar comparações e provocações desnecessárias, como a de Amazias contra Israel.
5) Rejeitar ídolos que falharam: Amazias se apega justamente aos deuses que não puderam livrar Edom (v.15). De forma prática, o texto convida a identificar e abandonar fontes de segurança que já se mostraram vazias: vícios, padrões de relacionamento, promessas de sucesso ou poder que se provaram incapazes de trazer vida verdadeira.
6) Perceber o ciclo do endurecimento: a recusa repetida à correção leva Amazias a um ponto em que o texto descreve o juízo de Deus como já decidido (v.16, 20). Como aplicação, é sábio responder cedo às advertências, enquanto o coração ainda é sensível, evitando que padrões de autodefesa se tornem quase inquebráveis.
Essas lições podem orientar decisões em família, trabalho, finanças e vida comunitária, lembrando que a verdadeira segurança está em caminhar em humildade, obediência e escuta constante da voz de Deus.
A expressão indica que Amazias praticou alguns atos corretos diante de Deus, como obedecer à Lei de Moisés ao não matar os filhos dos assassinos de seu pai (v.4). Porém, seu coração não era totalmente devoto ao Senhor. Ele mantinha reservas, alianças e desejos que não estavam alinhados à vontade de Deus, o que mais tarde se manifesta em sua idolatria, orgulho e rejeição da palavra profética. Em outras palavras, havia obediência externa em certos pontos, mas não uma entrega plena e exclusiva do coração.
O texto diz que "o Senhor não é com Israel, a saber com os filhos de Efraim" (v.7). Naquele período, o reino do norte vivia em constante idolatria e rebelião contra Deus. Ao contratar soldados de Israel, Amazias se aliava a um povo em oposição espiritual ao Senhor, colocando sua confiança em uma força que não estava debaixo da bênção divina. Deus ordena que ele dispense essas tropas para deixar claro que a vitória deveria vir da confiança exclusiva no Senhor, não em alianças humanas comprometidas espiritualmente.
Quando o profeta é ameaçado por Amazias e mandado calar-se (v.16), ele responde: "Bem vejo eu que já Deus deliberou destruir-te; porquanto fizeste isto, e não deste ouvidos ao meu conselho". Isso significa que a atitude do rei revelou um endurecimento grave: ele não apenas havia adotado deuses estranhos, mas agora rejeitava ativamente a correção de Deus. O texto apresenta a destruição como consequência dessa combinação de idolatria e recusa persistente à voz de Deus. O juízo não é arbitrário, mas resposta a um coração que, repetidamente, resiste à graça e à advertência.
Jeoás, rei de Israel, responde ao desafio de Amazias com uma parábola: um cardo (uma planta pequena e frágil) tenta igualar-se a um cedro do Líbano (uma árvore alta e imponente) e acaba sendo pisoteado pelos animais (vv.18-19). A imagem comunica que Amazias, após derrotar Edom, ficou orgulhoso e se superestimou, provocando Israel como se estivesse em pé de igualdade ou superioridade. Jeoás alerta que essa arrogância levaria Amazias à ruína. A parábola ilustra o perigo do orgulho depois de uma vitória e a falta de percepção realista sobre forças e limites.
O texto conecta diretamente esses fatos. No versículo 20, é dito que Amazias não deu ouvidos ao conselho de Jeoás porque "isto vinha de Deus, para entregá-los na mão dos seus inimigos; porquanto buscaram os deuses dos edomitas". Ou seja, a escolha de adorar os deuses de Seir (v.14-15) e de rejeitar a correção profética (v.16) abriu caminho para que Deus o entregasse à derrota contra Israel. A derrubada do muro de Jerusalém, o saque do templo e do palácio e a captura de Amazias (vv.23-24) são apresentados como consequências históricas e teológicas de seu desvio espiritual.
2 Crônicas 25 revela um coração que começa com algum desejo de fazer o certo, mas vai se perdendo aos poucos. Amazias não é retratado como totalmente mau desde o início; ele tenta agir com justiça ao punir os assassinos do pai sem tocar nos filhos deles. Ainda assim, algo nele permanece dividido, e essa divisão vai crescendo até tomar conta de sua história. Há dor nesse capítulo: Amazias experimenta a tensão entre confiar em Deus e apegar-se aos próprios planos, sente o peso de perder dinheiro, enfrenta traições e termina sua vida em conspiração e morte longe de casa. O orgulho que o inflama depois da vitória se torna uma armadura falsa, que não protege do vazio interior nem da queda que vem em seguida. Também é marcante a maneira como ele reage à voz de Deus. Quando o homem de Deus fala sobre dispensar as tropas de Israel, Amazias consegue ouvir, mesmo lutando com a perda financeira. Mas, mais tarde, quando já está mais endurecido, ele manda o profeta se calar e ameaça feri-lo. Esse contraste mostra como o coração humano pode se tornar mais resistente à medida que se afasta de Deus. Nesse texto, a presença de Deus aparece na insistência em enviar mensageiros, em lembrar que Ele é capaz de ajudar e de restituir as perdas, e até mesmo na firmeza do profeta que diz a verdade, ainda que rejeitada. Em meio às falhas e ao fim triste de Amazias, permanece o testemunho de um Deus que observa o coração, chama ao arrependimento e oferece caminhos de vida antes que a destruição se consolide.
Do ponto de vista exegético, 2 Crônicas 25 é um estudo de caso sobre a teologia da retribuição e o tema da integridade do coração em Crônicas. A avaliação de Amazias no versículo 2 — retidão sem inteireza de coração — é chave para compreender toda a narrativa. O cronista descreve um rei que inicialmente se alinha com a Lei de Moisés (v.4, ecoando Deuteronômio 24:16), mas cuja lealdade a Deus é parcial, permitindo infiltrações de confiança humana e idolatria. A intervenção do homem de Deus (vv.7-9) reforça a teologia cronicista de que a segurança do povo não depende do tamanho do exército nem de alianças políticas, mas da presença de Deus. A frase "força há em Deus para ajudar e para fazer cair" resume a soberania divina sobre vitórias e derrotas. O problema de Amazias não é apenas militar, mas teológico: ao contratar tropas de Israel, ele se une a um reino espiritualmente infiel, e Deus o chama a rever essa parceria. A vitória sobre Edom (Seir) é seguida pela adoção dos deuses derrotados (vv.11-15), o que é teologicamente irônico. O profeta explicita essa ironia: se esses deuses não puderam salvar o próprio povo, como poderiam agora ser fonte de proteção para Amazias? Esse episódio lembra cenas de Isaías e Jeremias, que ridicularizam a impotência dos ídolos. O cronista, ao registrar tal escolha, reforça a irracionalidade da idolatria e sua raiz no afastamento do coração. A resposta agressiva de Amazias ao profeta (v.16) marca o ponto de virada: o servo de Deus reconhece que o juízo já foi decretado, associando a decisão divina à rejeição da palavra profética. Quando Amazias, movido por orgulho após vencer Edom, provoca Jeoás, o rei de Israel devolve com uma parábola sapiencial (o cardo e o cedro), típica de literatura de sabedoria, para ilustrar a desproporção e a presunção do rei de Judá. O versículo 20 é teologicamente programático: a recusa de Amazias em ouvir o conselho de Jeoás é vista como algo que "vinha de Deus", ligado ao fato de terem buscado os deuses dos edomitas. Aqui, soberania divina e responsabilidade humana se entrelaçam: Deus utiliza as decisões endurecidas de Amazias como meio de aplicar juízo. A subsequente derrota, saque de Jerusalém e enfraquecimento político de Judá (vv.22-24) são, assim, interpretados não apenas como eventos históricos, mas como leitura teológica da história. O epílogo (vv.25-28) encerra com fórmula típica de Crônicas, remetendo a outras fontes e relacionando a conspiração e morte de Amazias ao seu afastamento do Senhor. O capítulo, portanto, contribui para o quadro global em Crônicas, no qual a prosperidade ou ruína de Judá e de seus reis é consistentemente interpretada à luz da fidelidade à aliança, do culto verdadeiro e da escuta atenta à palavra profética.
Em termos de vida prática, 2 Crônicas 25 mostra como escolhas aparentemente lógicas podem ser profundamente equivocadas quando nascem de um coração dividido. Amazias organiza o exército, contrata tropas adicionais, calcula custos e benefícios. Do ponto de vista humano, faz sentido reforçar o contingente militar. Porém, quando Deus diz "Dispensa essas tropas", isso exige uma mudança de lógica: fidelidade passa a valer mais que a segurança comprada. Isso toca em várias áreas concretas da vida: negócios, parcerias, decisões de carreira, alianças familiares. Às vezes, envolver-se com certas pessoas ou sistemas parece vantajoso, mas contraria princípios claros de fé e integridade. A cena em que Amazias pergunta sobre o dinheiro investido (v.9) revela exatamente essa tensão entre o que já foi gasto e o que ainda precisa ser obedecido. Outra lição prática está na forma como ele lida com o sucesso. Após vencer Edom, em vez de consolidar a vitória com humildade e gratidão, Amazias se embriaga de autoconfiança: adota os deuses do povo derrotado e provoca Israel. Esse padrão se repete em contextos de trabalho, ministério e relacionamentos: conquistas podem alimentar um senso inflado de capacidade, levando a desafios desnecessários e riscos tolos. O texto também destaca o valor de escutar conselhos em duas frentes: ouvir a palavra de Deus, simbolizada pelo homem de Deus e pelo profeta, e ouvir até mesmo advertências vindas de fora, como a parábola de Jeoás. Ignorar esses alertas tem consequências muito práticas: perda de recursos, relacionamentos rompidos, reputação abalada, exposição da família e da comunidade a situações de vergonha. Por fim, a trajetória de Amazias ilustra como o afastamento progressivo de Deus afeta toda a rede de relacionamentos ao redor. Sua teimosia não atinge apenas a ele: Judá é ferido, o muro de Jerusalém é derrubado, tesouros são levados. Em termos de vida diária, isso lembra que decisões de liderança — em casa, no trabalho, na igreja — têm impacto coletivo. Cuidar do coração, do orgulho e da disposição de ser corrigido é um investimento direto na saúde de todos os que são influenciados por essas decisões.
No nível mais profundo, 2 Crônicas 25 confronta a realidade de um coração dividido diante de Deus. Amazias é um retrato de alguém que se aproxima da vontade de Deus em certos aspectos, mas não se rende por inteiro. Essa falta de inteireza acaba abrindo espaço para idolatria, orgulho e endurecimento. A questão de fundo não é apenas o que Amazias faz, mas em quem ele confia e a quem ele adora. Espiritualmente, o capítulo contrasta dois caminhos: confiar plenamente em Deus, disposto a abrir mão de recursos por obediência, ou buscar segurança em alianças humanas e ídolos impotentes. O homem de Deus afirma que há força em Deus para ajudar e para fazer cair. Isso revela um Senhor soberano, que conduz a história com propósito, inclusive permitindo quedas quando o coração insiste em afastar-se. A idolatria de Amazias, ao trazer os deuses de Seir, é um símbolo da tendência humana de se apegar a substitutos espirituais que já provaram não trazer salvação. O profeta destaca a incoerência: esses deuses não livraram seu próprio povo, e ainda assim são adotados como refúgio. Em termos de eternidade, isso aponta para a necessidade de discernir que só o Deus vivo, e não os ídolos feitos por mãos humanas ou construídos em desejos, pode dar vida, perdão e futuro. A rejeição da palavra profética marca um ponto espiritual crítico. Quando Amazias manda o profeta calar-se, ele não está apenas recusando um conselho humano, mas desprezando a correção divina. O resultado é descrito como uma decisão já tomada por Deus de destruí-lo. Esse momento ressalta a seriedade da resposta do coração ao chamado de Deus: há um tempo de advertência e graça, e também um tempo em que a persistência na rebeldia conduz a juízo. O fim de Amazias — conspirado, morto longe de Jerusalém, embora ainda sepultado entre os pais — é um lembrete de que uma vida pode ser marcada por começos promissores, mas desfechos tristes quando não há perseverança na fidelidade. Em perspectiva eterna, o capítulo convida à busca de um coração inteiro diante de Deus, disposto a ouvir, a se arrepender quando confrontado e a confiar somente no Senhor como fundamento último de segurança e esperança.
" Era Amazias da idade de vinte e cinco anos, quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Joadã, de Jerusalém. "
" E fez o que era reto aos olhos do Senhor, porém não com inteireza de coração. "
" Sucedeu que, sendo-lhe o reino já confirmado, matou a seus servos que mataram o rei seu pai; "
" Porém não matou os filhos deles; mas fez segundo está escrito na lei, no livro de Moisés, como o Senhor ordenou, dizendo: Não morrerão os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais; mas cada um morrerá pelo seu pecado. "
" E Amazias reuniu a Judá e os pôs segundo as casas dos pais, sob capitàes de milhares, e sob capitàes de cem, por todo o Judá e Benjamim; e os contou, de vinte anos para cima, e achou deles trezentos mil escolhidos que podiam sair à guerra, e manejar lança e escudo. "
" Também de Israel tomou a soldo cem mil homens valentes, por cem talentos de prata. "
" Porém um homem de Deus veio a ele, dizendo: Ó rei, não deixes ir contigo o exército de Israel; porque o Senhor não é com Israel, a saber com os filhos de Efraim. "
" Se quiseres ir, faze-o assim, esforça-te para a peleja. Deus, porém, te fará cair diante do inimigo; porque força há em Deus para ajudar e para fazer cair. "
" E disse Amazias ao homem de Deus: Que se fará, pois, dos cem talentos de prata que dei às tropas de Israel? E disse o homem de Deus: Mais tem o Senhor que te dar do que isso. "
" Então separou Amazias as tropas que lhe tinham vindo de Efraim, para que se fossem ao seu lugar; pelo que se acendeu a sua ira contra Judá, e voltaram para as suas casas ardendo em ira. "
" Esforçou-se, pois, Amazias, e conduziu o seu povo, e foi ao Vale do Sal; onde feriu a dez mil dos filhos de Seir. "
" Também os filhos de Judá prenderam vivos dez mil, e os levaram ao cume da rocha; e do mais alto da rocha os lançaram abaixo, e todos se despedaçaram. "
" Porém os homens das tropas que Amazias despedira, para que não fossem com ele à peleja, deram sobre as cidades de Judá desde Samaria, até Bete-Horom; e feriram deles três mil, e saquearam grande despojo. "
" E sucedeu que, depois que Amazias veio da matança dos edomitas e trouxe consigo os deuses dos filhos de Seir, tomou-os por seus deuses, e prostrou-se diante deles, e queimou-lhes incenso. "
" Então a ira do Senhor se acendeu contra Amazias, e mandou-lhe um profeta que lhe disse: Por que buscaste deuses deste povo, os quais não livraram o seu próprio povo da tua mão? "
" E sucedeu que, falando ele ao rei, este lhe respondeu: Puseram-te por conselheiro do rei? Cala-te! Por que haveria de ser ferido? Então parou o profeta, e disse: Bem vejo eu que já Deus deliberou destruir-te; porquanto fizeste isto, e não deste ouvidos ao meu conselho. "
" E, tendo tomado conselho, Amazias, rei de Judá, mandou dizer a Jeoás, filho de Jeoacaz, filho de Jeú, rei de Israel: Vem, vejamo-nos face a face. "
" Porém Jeoás, rei de Israel, mandou dizer a Amazias, rei de Judá: O cardo que estava no Líbano mandou dizer ao cedro que estava no Líbano: Dá tua filha por mulher a meu filho; porém os animais do campo, que estavam no Líbano passaram e pisaram o cardo. "
" Tu dizes: Eis que tenho ferido os edomitas; e elevou-se o teu coração, para te gloriares; agora, pois, fica em tua casa; por que te entremeterias no mal, para caíres tu e Judá contigo? "
" Porém Amazias não lhe deu ouvidos, porque isto vinha de Deus, para entregá-los na mão dos seus inimigos; porquanto buscaram os deuses dos edomitas. "
" E Jeoás, rei de Israel, subiu; e ele e Amazias, rei de Judá, viram-se face a face em Bete-Semes, que está em Judá. "
" E Judá foi ferido diante de Israel; e fugiu cada um para a sua tenda. "
" E Jeoás, rei de Israel, prendeu a Amazias, rei de Judá, filho de Joás, o filho de Jeoacaz, em Bete-Semes, e o trouxe a Jerusalém; e derrubou o muro de Jerusalém, desde a porta de Efraim até à porta da esquina, quatrocentos côvados. "
" Também tomou todo o ouro, a prata, e todos os utensílios que se acharam na casa de Deus com Obede-Edom, e os tesouros da casa do rei, e os reféns; e voltou para Samaria. "
" E viveu Amazias, filho de Joás, rei de Judá, depois da morte de Jeoás, filho de Jeoacaz, rei de Israel, quinze anos. "
" Quanto ao mais dos atos de Amazias, tanto os primeiros como os últimos, eis que, porventura, não estão escritos no livro dos reis de Judá e de Israel? "
" E desde o tempo em que Amazias se desviou do Senhor, conspiraram contra ele em Jerusalém, porém ele fugiu para Laquis; mas perseguiram-no até Laquis, e o mataram ali. "
" E trouxeram-no sobre cavalos e sepultaram-no com seus pais na cidade de Judá. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.