2 Crônicas 25 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique 2 Crônicas 25 na sua vida hoje

28 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e 2 Crônicas 25?

2 Crônicas 25 descreve o reinado de Amazias, um rei que começou seguindo parcialmente a vontade de Deus, mas terminou em desobediência e derrota. O capítulo mostra suas primeiras atitudes corretas, seu erro ao confiar em alianças humanas, sua vitória sobre Edom, seguida pela idolatria aos deuses conquistados, o desprezo à correção profética e, por fim, sua humilhação diante de Israel e sua morte em meio a conspiração.

Temas principais em 2 Crônicas 25

Obediência parcial e coração dividido (versiculos 1-4)

Amazias faz o que é reto aos olhos do Senhor em alguns aspectos, como obedecer à Lei de Moisés ao não matar os filhos dos assassinos de seu pai. Porém, sua obediência não é íntegra, revelando um coração dividido que mais tarde se mostra claramente na idolatria e na rejeição à palavra profética.

Versiculos-chave: 2, 4

Confiar em Deus acima de recursos humanos (versiculos 5-10)

Ao contratar soldados de Israel por grande soma de prata, Amazias demonstra confiança em poder humano. Deus o confronta por meio de um homem de Deus, chamando-o a confiar no Senhor, que é capaz de ajudar ou derrubar, e a aceitar até prejuízos materiais por fidelidade.

Versiculos-chave: 7, 8, 9

Orgulho depois da vitória (versiculos 11-23)

Após a vitória contra Edom, o coração de Amazias se exalta. Em vez de reconhecer que o livramento vem de Deus, ele decide provocar uma guerra desnecessária contra Israel, sendo advertido, mas persistindo por orgulho, o que leva à sua derrota e humilhação.

Versiculos-chave: 11, 18, 19

Idolatria absurda e rejeição à correção (versiculos 14-16)

Amazias traz os deuses de Seir, os mesmos que não puderam salvar o povo derrotado, e os adota como seus deuses. Deus envia um profeta para confrontá-lo, mas o rei responde com dureza e ameaça, rejeitando a correção e revelando profundidade de seu desvio.

Versiculos-chave: 14, 15, 16

Juízo como consequência da infidelidade (versiculos 20-28)

Por ter buscado os deuses dos edomitas e desprezado a voz de Deus, Amazias é entregue à derrota diante de Israel, sofre perdas materiais e políticas, e mais tarde enfrenta conspiração e morte. O texto relaciona explicitamente esses acontecimentos ao juízo de Deus sobre sua infidelidade.

Versiculos-chave: 20, 22, 27

Contexto historico e literario

2 Crônicas 25 situa-se no período da monarquia dividida, quando o reino de Judá (sul) e o reino de Israel (norte) coexistem em tensões políticas, militares e religiosas. Amazias, filho de Joás, reina em Judá por 29 anos, em Jerusalém. O texto se refere a Edom (aqui por Seir), um antigo povo vizinho, frequentemente em conflito com Judá. O recrutamento de cem mil soldados de Israel (versos 6-7) mostra que, embora houvesse parentesco entre os reinos, também havia grande afastamento espiritual, pois o reino do norte vivia mergulhado em idolatria. A referência à Lei de Moisés no versículo 4 aponta para Deuteronômio 24:16, princípio jurídico que proibia punições coletivas por crime alheio. A captura de Amazias e a derrubada de parte do muro de Jerusalém por Jeoás de Israel (verso 23) descreve um duro golpe político e militar: enfraquecimento das defesas da cidade, saque do templo e do palácio (verso 24) e imposição de humilhação ao rei de Judá. A conspiração final contra Amazias, sua fuga para Laquis e morte lá (versos 27-28) seguem um padrão comum no mundo antigo de remoção de reis considerados fracassados ou infiéis, algo que os livros históricos interpretam como consequência da quebra da aliança com Deus.

Estrutura de 2 Crônicas 25

O capítulo apresenta uma narrativa histórica organizada em blocos bem definidos:

  1. Introdução ao reinado de Amazias (vv.1-2): nota cronológica, informação sobre a mãe do rei e avaliação teológica de seu caráter: fez o que era reto, porém sem inteireza de coração.
  2. Justiça inicial segundo a Lei (vv.3-4): vingança contra os assassinos de seu pai, mas respeito ao princípio bíblico de não matar os filhos pelos pecados dos pais.
  3. Preparação militar e confronto profético (vv.5-10): organização do exército de Judá, contratação de mercenários de Israel e a intervenção de um homem de Deus, chamando Amazias a confiar no Senhor e a abrir mão do investimento feito.
  4. Campanha vitoriosa contra Edom, mas com crueldade (vv.11-12): descrição da vitória no Vale do Sal e do tratamento brutal aos prisioneiros, lançados do alto da rocha.
  5. Retaliação dos soldados despedidos (v.13): vingança das tropas de Israel dispensadas, que atacam cidades de Judá e saqueiam bens.
  6. Queda espiritual de Amazias: idolatria e correção rejeitada (vv.14-16): o rei traz deuses estrangeiros, prostra-se diante deles e é confrontado por um profeta, a quem responde com desprezo e ameaça.
  7. Orgulho e conflito com Israel (vv.17-19): Amazias desafia Jeoás; a resposta de Jeoás vem em forma de parábola (cardo e cedro), expondo a arrogância e a insensatez do rei de Judá.
  8. Derrota, saque e humilhação de Judá (vv.20-24): explicação teológica do conflito como juízo de Deus, batalha em Bete-Semes, derrota de Judá, captura de Amazias, derrubada do muro de Jerusalém e saque do templo e do palácio.
  9. Epílogo do reinado e morte de Amazias (vv.25-28): nota cronológica final, referência às fontes históricas, desvio de Amazias do Senhor, conspiração contra ele, fuga para Laquis, morte e sepultamento entre os pais em Judá.

Significado teologico

2 Crônicas 25 explora a séria diferença entre obediência externa e coração íntegro diante de Deus. Amazias é descrito como alguém que faz o que é reto, mas sem inteireza de coração (v.2). Isso ressalta a ênfase bíblica de que Deus busca não apenas comportamentos corretos, mas lealdade profunda e exclusiva. A obediência parcial aparece na forma de respeito à Lei de Moisés em um ponto (v.4), seguida, porém, por decisões políticas e espirituais que revelam falta de confiança plena em Deus.

O texto destaca a suficiência de Deus frente a recursos humanos e econômicos. Ao ordenar que Amazias dispense os soldados de Israel, o Senhor afirma, por meio do homem de Deus, que tem poder tanto para ajudar quanto para fazer cair (v.8) e que pode restituir muito mais do que qualquer perda financeira (v.9). A fé verdadeira é chamada a colocar a confiança em Deus acima de cálculos de custo e benefício.

A idolatria de Amazias assume um aspecto teologicamente irônico: ele se curva diante de deuses que não foram capazes de salvar seu próprio povo da derrota (v.15). Essa ironia expõe a loucura da idolatria, que troca o Deus vivo por ídolos impotentes. Ao rejeitar a palavra profética e ameaçar o mensageiro (v.16), Amazias se coloca frontalmente contra a revelação de Deus. O profeta discerne que essa atitude revela um ponto de não retorno: Deus já deliberou destruí-lo, ligando juízo e endurecimento do coração.

A narrativa também ressalta o princípio de que o orgulho precede a queda. A parábola do cardo e do cedro (v.18-19) comunica que, embriagado pela vitória sobre Edom, Amazias superestima sua força e se lança em conflito desnecessário com Israel. O cronista interpreta a derrota subsequente como ação de Deus: "isto vinha de Deus" (v.20), pois eles buscaram os deuses dos edomitas. Assim, o texto articula uma teologia da retribuição ligada à aliança: confiança em Deus traz ajuda; abandono de Deus e idolatria atraem juízo e humilhação.

Por fim, o capítulo contribui para o retrato maior de Crônicas, mostrando como o destino dos reis de Judá e da nação está intimamente conectado à fidelidade ou infidelidade ao Senhor. Mesmo um rei que começa com alguma retidão pode, ao persistir na dureza de coração, caminhar para o declínio espiritual, político e pessoal.

Aplicacao restauradora e de saude mental

Em termos de cuidado emocional, 2 Crônicas 25 retrata a jornada de alguém que começa com alguns acertos, mas gradualmente se perde em orgulho, autoconfiança e idolatria. Há um contraste entre momentos em que Amazias ouve a voz de Deus e momentos em que a rejeita com dureza. Essa tensão lembra como corações feridos, inseguros ou orgulhosos podem resistir à correção, mesmo quando ela vem para preservação e vida.

O texto toca em temas de frustração e perda: Amazias se preocupa com o dinheiro investido nos soldados de Israel, teme o prejuízo e precisa aprender a soltar aquilo que custou caro para se alinhar à vontade de Deus (v.9). Esse movimento de abrir mão é muitas vezes doloroso, mas também libertador. Além disso, a derrota, a humilhação, a conspiração e o fim trágico mostram como escolhas repetidas de obstinação podem levar a histórias de grande sofrimento.

Há também um alerta terapêutico sobre como o orgulho após conquistas pode distorcer a percepção da realidade. Depois da vitória sobre Edom, Amazias perde a medida, se exalta e ignora conselhos de prudência (v.19). Em termos emocionais, o texto reflete a dinâmica de quem, ao se sentir forte, dispensa limites e conselhos, abrindo portas para quedas dolorosas. Ao mesmo tempo, a presença do homem de Deus e do profeta mostra que Deus insiste em falar e corrigir, oferecendo oportunidades de retorno antes que a destruição se consolide.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns sinais de alerta importantes nesse capítulo incluem: 1) Obediência sem inteireza de coração (v.2), indicando uma espiritualidade superficial, que cumpre parte da vontade de Deus, mas mantém reservas profundas. 2) Dependência excessiva de recursos humanos e financeiros para segurança (vv.5-6), evidenciada pela ansiedade de Amazias ao pensar na perda do investimento (v.9). 3) Reação de ira e rejeição à correção espiritual (v.16), com ameaça de violência contra o mensageiro de Deus, sinal de coração endurecido que não tolera ser confrontado. 4) Idolatria em forma de apego a soluções inúteis (v.14-15), recorrendo a "deuses" que não podem salvar, seja na forma de objetos, relacionamentos ou estratégias que ocupam o lugar de Deus. 5) Orgulho após conquistas (v.19), que leva à exposição desnecessária a riscos e conflitos. 6) Padrão de decisões que, somadas, culminam em isolamento, conspiração e fim trágico (v.27), ilustrando os efeitos acumulados de escolhas espiritualmente destrutivas.

Esses elementos funcionam como alerta sobre comportamentos e atitudes que, se mantidos, tendem a aprofundar sofrimento emocional, rupturas relacionais e distanciamento espiritual.

Aplicacao pratica para hoje

2 Crônicas 25 oferece aplicações práticas fortes sobre escolhas, orgulho, confiança e correção.

1) Cultivar inteireza de coração: não basta fazer coisas certas de forma parcial. A integridade começa em decisões internas: deixar que Deus sonde motivações, não apenas comportamentos visíveis. Isso implica disposição constante de rever prioridades e abandonar alianças que competem com a confiança em Deus.

2) Aprender a perder por fidelidade: Amazias é chamado a abrir mão de um grande investimento financeiro por obediência (v.9). A vida prática exige, muitas vezes, renúncias materiais, profissionais ou de status para permanecer em coerência com a fé. A convicção de que o Senhor pode "dar mais do que isso" encoraja a não vender princípios em troca de segurança aparente.

3) Ouvir conselhos antes do desastre: o homem de Deus e o profeta representam advertências preventivas. Na prática, isso reforça o valor de ouvir correção bíblica, conselhos sábios e alertas de pessoas piedosas, especialmente quando apontam para orgulho, autossuficiência ou caminhos destrutivos.

4) Cuidar do coração após vitórias: conquistas podem inflar a vaidade e levar a decisões imprudentes. Uma aplicação concreta é estabelecer, em momentos de sucesso, práticas de humildade: reconhecer a graça de Deus, manter prestação de contas, evitar comparações e provocações desnecessárias, como a de Amazias contra Israel.

5) Rejeitar ídolos que falharam: Amazias se apega justamente aos deuses que não puderam livrar Edom (v.15). De forma prática, o texto convida a identificar e abandonar fontes de segurança que já se mostraram vazias: vícios, padrões de relacionamento, promessas de sucesso ou poder que se provaram incapazes de trazer vida verdadeira.

6) Perceber o ciclo do endurecimento: a recusa repetida à correção leva Amazias a um ponto em que o texto descreve o juízo de Deus como já decidido (v.16, 20). Como aplicação, é sábio responder cedo às advertências, enquanto o coração ainda é sensível, evitando que padrões de autodefesa se tornem quase inquebráveis.

Essas lições podem orientar decisões em família, trabalho, finanças e vida comunitária, lembrando que a verdadeira segurança está em caminhar em humildade, obediência e escuta constante da voz de Deus.

Perguntas frequentes

O que significa Amazias ter feito o que era reto, mas não com inteireza de coração?

A expressão indica que Amazias praticou alguns atos corretos diante de Deus, como obedecer à Lei de Moisés ao não matar os filhos dos assassinos de seu pai (v.4). Porém, seu coração não era totalmente devoto ao Senhor. Ele mantinha reservas, alianças e desejos que não estavam alinhados à vontade de Deus, o que mais tarde se manifesta em sua idolatria, orgulho e rejeição da palavra profética. Em outras palavras, havia obediência externa em certos pontos, mas não uma entrega plena e exclusiva do coração.

Por que Deus não queria que Amazias lutasse com a ajuda do exército de Israel?

O texto diz que "o Senhor não é com Israel, a saber com os filhos de Efraim" (v.7). Naquele período, o reino do norte vivia em constante idolatria e rebelião contra Deus. Ao contratar soldados de Israel, Amazias se aliava a um povo em oposição espiritual ao Senhor, colocando sua confiança em uma força que não estava debaixo da bênção divina. Deus ordena que ele dispense essas tropas para deixar claro que a vitória deveria vir da confiança exclusiva no Senhor, não em alianças humanas comprometidas espiritualmente.

Por que o profeta diz que Deus já havia deliberado destruir Amazias?

Quando o profeta é ameaçado por Amazias e mandado calar-se (v.16), ele responde: "Bem vejo eu que já Deus deliberou destruir-te; porquanto fizeste isto, e não deste ouvidos ao meu conselho". Isso significa que a atitude do rei revelou um endurecimento grave: ele não apenas havia adotado deuses estranhos, mas agora rejeitava ativamente a correção de Deus. O texto apresenta a destruição como consequência dessa combinação de idolatria e recusa persistente à voz de Deus. O juízo não é arbitrário, mas resposta a um coração que, repetidamente, resiste à graça e à advertência.

Qual o sentido da parábola do cardo e do cedro contada por Jeoás a Amazias?

Jeoás, rei de Israel, responde ao desafio de Amazias com uma parábola: um cardo (uma planta pequena e frágil) tenta igualar-se a um cedro do Líbano (uma árvore alta e imponente) e acaba sendo pisoteado pelos animais (vv.18-19). A imagem comunica que Amazias, após derrotar Edom, ficou orgulhoso e se superestimou, provocando Israel como se estivesse em pé de igualdade ou superioridade. Jeoás alerta que essa arrogância levaria Amazias à ruína. A parábola ilustra o perigo do orgulho depois de uma vitória e a falta de percepção realista sobre forças e limites.

Como a derrota de Amazias e o saque de Jerusalém se relacionam com sua idolatria?

O texto conecta diretamente esses fatos. No versículo 20, é dito que Amazias não deu ouvidos ao conselho de Jeoás porque "isto vinha de Deus, para entregá-los na mão dos seus inimigos; porquanto buscaram os deuses dos edomitas". Ou seja, a escolha de adorar os deuses de Seir (v.14-15) e de rejeitar a correção profética (v.16) abriu caminho para que Deus o entregasse à derrota contra Israel. A derrubada do muro de Jerusalém, o saque do templo e do palácio e a captura de Amazias (vv.23-24) são apresentados como consequências históricas e teológicas de seu desvio espiritual.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

2 Crônicas 25 revela um coração que começa com algum desejo de fazer o certo, mas vai se perdendo aos poucos. Amazias não é retratado como totalmente mau desde o início; ele tenta agir com justiça ao punir os assassinos do pai sem tocar nos filhos deles. Ainda assim, algo nele permanece dividido, e essa divisão vai crescendo até tomar conta de sua história. Há dor nesse capítulo: Amazias experimenta a tensão entre confiar em Deus e apegar-se aos próprios planos, sente o peso de perder dinheiro, enfrenta traições e termina sua vida em conspiração e morte longe de casa. O orgulho que o inflama depois da vitória se torna uma armadura falsa, que não protege do vazio interior nem da queda que vem em seguida. Também é marcante a maneira como ele reage à voz de Deus. Quando o homem de Deus fala sobre dispensar as tropas de Israel, Amazias consegue ouvir, mesmo lutando com a perda financeira. Mas, mais tarde, quando já está mais endurecido, ele manda o profeta se calar e ameaça feri-lo. Esse contraste mostra como o coração humano pode se tornar mais resistente à medida que se afasta de Deus. Nesse texto, a presença de Deus aparece na insistência em enviar mensageiros, em lembrar que Ele é capaz de ajudar e de restituir as perdas, e até mesmo na firmeza do profeta que diz a verdade, ainda que rejeitada. Em meio às falhas e ao fim triste de Amazias, permanece o testemunho de um Deus que observa o coração, chama ao arrependimento e oferece caminhos de vida antes que a destruição se consolide.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético, 2 Crônicas 25 é um estudo de caso sobre a teologia da retribuição e o tema da integridade do coração em Crônicas. A avaliação de Amazias no versículo 2 — retidão sem inteireza de coração — é chave para compreender toda a narrativa. O cronista descreve um rei que inicialmente se alinha com a Lei de Moisés (v.4, ecoando Deuteronômio 24:16), mas cuja lealdade a Deus é parcial, permitindo infiltrações de confiança humana e idolatria. A intervenção do homem de Deus (vv.7-9) reforça a teologia cronicista de que a segurança do povo não depende do tamanho do exército nem de alianças políticas, mas da presença de Deus. A frase "força há em Deus para ajudar e para fazer cair" resume a soberania divina sobre vitórias e derrotas. O problema de Amazias não é apenas militar, mas teológico: ao contratar tropas de Israel, ele se une a um reino espiritualmente infiel, e Deus o chama a rever essa parceria. A vitória sobre Edom (Seir) é seguida pela adoção dos deuses derrotados (vv.11-15), o que é teologicamente irônico. O profeta explicita essa ironia: se esses deuses não puderam salvar o próprio povo, como poderiam agora ser fonte de proteção para Amazias? Esse episódio lembra cenas de Isaías e Jeremias, que ridicularizam a impotência dos ídolos. O cronista, ao registrar tal escolha, reforça a irracionalidade da idolatria e sua raiz no afastamento do coração. A resposta agressiva de Amazias ao profeta (v.16) marca o ponto de virada: o servo de Deus reconhece que o juízo já foi decretado, associando a decisão divina à rejeição da palavra profética. Quando Amazias, movido por orgulho após vencer Edom, provoca Jeoás, o rei de Israel devolve com uma parábola sapiencial (o cardo e o cedro), típica de literatura de sabedoria, para ilustrar a desproporção e a presunção do rei de Judá. O versículo 20 é teologicamente programático: a recusa de Amazias em ouvir o conselho de Jeoás é vista como algo que "vinha de Deus", ligado ao fato de terem buscado os deuses dos edomitas. Aqui, soberania divina e responsabilidade humana se entrelaçam: Deus utiliza as decisões endurecidas de Amazias como meio de aplicar juízo. A subsequente derrota, saque de Jerusalém e enfraquecimento político de Judá (vv.22-24) são, assim, interpretados não apenas como eventos históricos, mas como leitura teológica da história. O epílogo (vv.25-28) encerra com fórmula típica de Crônicas, remetendo a outras fontes e relacionando a conspiração e morte de Amazias ao seu afastamento do Senhor. O capítulo, portanto, contribui para o quadro global em Crônicas, no qual a prosperidade ou ruína de Judá e de seus reis é consistentemente interpretada à luz da fidelidade à aliança, do culto verdadeiro e da escuta atenta à palavra profética.

Life
Life

Em termos de vida prática, 2 Crônicas 25 mostra como escolhas aparentemente lógicas podem ser profundamente equivocadas quando nascem de um coração dividido. Amazias organiza o exército, contrata tropas adicionais, calcula custos e benefícios. Do ponto de vista humano, faz sentido reforçar o contingente militar. Porém, quando Deus diz "Dispensa essas tropas", isso exige uma mudança de lógica: fidelidade passa a valer mais que a segurança comprada. Isso toca em várias áreas concretas da vida: negócios, parcerias, decisões de carreira, alianças familiares. Às vezes, envolver-se com certas pessoas ou sistemas parece vantajoso, mas contraria princípios claros de fé e integridade. A cena em que Amazias pergunta sobre o dinheiro investido (v.9) revela exatamente essa tensão entre o que já foi gasto e o que ainda precisa ser obedecido. Outra lição prática está na forma como ele lida com o sucesso. Após vencer Edom, em vez de consolidar a vitória com humildade e gratidão, Amazias se embriaga de autoconfiança: adota os deuses do povo derrotado e provoca Israel. Esse padrão se repete em contextos de trabalho, ministério e relacionamentos: conquistas podem alimentar um senso inflado de capacidade, levando a desafios desnecessários e riscos tolos. O texto também destaca o valor de escutar conselhos em duas frentes: ouvir a palavra de Deus, simbolizada pelo homem de Deus e pelo profeta, e ouvir até mesmo advertências vindas de fora, como a parábola de Jeoás. Ignorar esses alertas tem consequências muito práticas: perda de recursos, relacionamentos rompidos, reputação abalada, exposição da família e da comunidade a situações de vergonha. Por fim, a trajetória de Amazias ilustra como o afastamento progressivo de Deus afeta toda a rede de relacionamentos ao redor. Sua teimosia não atinge apenas a ele: Judá é ferido, o muro de Jerusalém é derrubado, tesouros são levados. Em termos de vida diária, isso lembra que decisões de liderança — em casa, no trabalho, na igreja — têm impacto coletivo. Cuidar do coração, do orgulho e da disposição de ser corrigido é um investimento direto na saúde de todos os que são influenciados por essas decisões.

Soul
Soul

No nível mais profundo, 2 Crônicas 25 confronta a realidade de um coração dividido diante de Deus. Amazias é um retrato de alguém que se aproxima da vontade de Deus em certos aspectos, mas não se rende por inteiro. Essa falta de inteireza acaba abrindo espaço para idolatria, orgulho e endurecimento. A questão de fundo não é apenas o que Amazias faz, mas em quem ele confia e a quem ele adora. Espiritualmente, o capítulo contrasta dois caminhos: confiar plenamente em Deus, disposto a abrir mão de recursos por obediência, ou buscar segurança em alianças humanas e ídolos impotentes. O homem de Deus afirma que há força em Deus para ajudar e para fazer cair. Isso revela um Senhor soberano, que conduz a história com propósito, inclusive permitindo quedas quando o coração insiste em afastar-se. A idolatria de Amazias, ao trazer os deuses de Seir, é um símbolo da tendência humana de se apegar a substitutos espirituais que já provaram não trazer salvação. O profeta destaca a incoerência: esses deuses não livraram seu próprio povo, e ainda assim são adotados como refúgio. Em termos de eternidade, isso aponta para a necessidade de discernir que só o Deus vivo, e não os ídolos feitos por mãos humanas ou construídos em desejos, pode dar vida, perdão e futuro. A rejeição da palavra profética marca um ponto espiritual crítico. Quando Amazias manda o profeta calar-se, ele não está apenas recusando um conselho humano, mas desprezando a correção divina. O resultado é descrito como uma decisão já tomada por Deus de destruí-lo. Esse momento ressalta a seriedade da resposta do coração ao chamado de Deus: há um tempo de advertência e graça, e também um tempo em que a persistência na rebeldia conduz a juízo. O fim de Amazias — conspirado, morto longe de Jerusalém, embora ainda sepultado entre os pais — é um lembrete de que uma vida pode ser marcada por começos promissores, mas desfechos tristes quando não há perseverança na fidelidade. Em perspectiva eterna, o capítulo convida à busca de um coração inteiro diante de Deus, disposto a ouvir, a se arrepender quando confrontado e a confiar somente no Senhor como fundamento último de segurança e esperança.

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Versiculos em 2 Crônicas 25

2 Crônicas 25:1

" Era Amazias da idade de vinte e cinco anos, quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Joadã, de Jerusalém. "

2 Crônicas 25:4

" Porém não matou os filhos deles; mas fez segundo está escrito na lei, no livro de Moisés, como o Senhor ordenou, dizendo: Não morrerão os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais; mas cada um morrerá pelo seu pecado. "

2 Crônicas 25:5

" E Amazias reuniu a Judá e os pôs segundo as casas dos pais, sob capitàes de milhares, e sob capitàes de cem, por todo o Judá e Benjamim; e os contou, de vinte anos para cima, e achou deles trezentos mil escolhidos que podiam sair à guerra, e manejar lança e escudo. "

2 Crônicas 25:7

" Porém um homem de Deus veio a ele, dizendo: Ó rei, não deixes ir contigo o exército de Israel; porque o Senhor não é com Israel, a saber com os filhos de Efraim. "

2 Crônicas 25:8

" Se quiseres ir, faze-o assim, esforça-te para a peleja. Deus, porém, te fará cair diante do inimigo; porque força há em Deus para ajudar e para fazer cair. "

2 Crônicas 25:9

" E disse Amazias ao homem de Deus: Que se fará, pois, dos cem talentos de prata que dei às tropas de Israel? E disse o homem de Deus: Mais tem o Senhor que te dar do que isso. "

2 Crônicas 25:10

" Então separou Amazias as tropas que lhe tinham vindo de Efraim, para que se fossem ao seu lugar; pelo que se acendeu a sua ira contra Judá, e voltaram para as suas casas ardendo em ira. "

2 Crônicas 25:12

" Também os filhos de Judá prenderam vivos dez mil, e os levaram ao cume da rocha; e do mais alto da rocha os lançaram abaixo, e todos se despedaçaram. "

2 Crônicas 25:13

" Porém os homens das tropas que Amazias despedira, para que não fossem com ele à peleja, deram sobre as cidades de Judá desde Samaria, até Bete-Horom; e feriram deles três mil, e saquearam grande despojo. "

2 Crônicas 25:14

" E sucedeu que, depois que Amazias veio da matança dos edomitas e trouxe consigo os deuses dos filhos de Seir, tomou-os por seus deuses, e prostrou-se diante deles, e queimou-lhes incenso. "

2 Crônicas 25:15

" Então a ira do Senhor se acendeu contra Amazias, e mandou-lhe um profeta que lhe disse: Por que buscaste deuses deste povo, os quais não livraram o seu próprio povo da tua mão? "

2 Crônicas 25:16

" E sucedeu que, falando ele ao rei, este lhe respondeu: Puseram-te por conselheiro do rei? Cala-te! Por que haveria de ser ferido? Então parou o profeta, e disse: Bem vejo eu que já Deus deliberou destruir-te; porquanto fizeste isto, e não deste ouvidos ao meu conselho. "

2 Crônicas 25:17

" E, tendo tomado conselho, Amazias, rei de Judá, mandou dizer a Jeoás, filho de Jeoacaz, filho de Jeú, rei de Israel: Vem, vejamo-nos face a face. "

2 Crônicas 25:18

" Porém Jeoás, rei de Israel, mandou dizer a Amazias, rei de Judá: O cardo que estava no Líbano mandou dizer ao cedro que estava no Líbano: Dá tua filha por mulher a meu filho; porém os animais do campo, que estavam no Líbano passaram e pisaram o cardo. "

2 Crônicas 25:19

" Tu dizes: Eis que tenho ferido os edomitas; e elevou-se o teu coração, para te gloriares; agora, pois, fica em tua casa; por que te entremeterias no mal, para caíres tu e Judá contigo? "

2 Crônicas 25:20

" Porém Amazias não lhe deu ouvidos, porque isto vinha de Deus, para entregá-los na mão dos seus inimigos; porquanto buscaram os deuses dos edomitas. "

2 Crônicas 25:23

" E Jeoás, rei de Israel, prendeu a Amazias, rei de Judá, filho de Joás, o filho de Jeoacaz, em Bete-Semes, e o trouxe a Jerusalém; e derrubou o muro de Jerusalém, desde a porta de Efraim até à porta da esquina, quatrocentos côvados. "

2 Crônicas 25:24

" Também tomou todo o ouro, a prata, e todos os utensílios que se acharam na casa de Deus com Obede-Edom, e os tesouros da casa do rei, e os reféns; e voltou para Samaria. "

2 Crônicas 25:26

" Quanto ao mais dos atos de Amazias, tanto os primeiros como os últimos, eis que, porventura, não estão escritos no livro dos reis de Judá e de Israel? "

2 Crônicas 25:27

" E desde o tempo em que Amazias se desviou do Senhor, conspiraram contra ele em Jerusalém, porém ele fugiu para Laquis; mas perseguiram-no até Laquis, e o mataram ali. "

Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.