2 Crônicas 24:1
" Tinha Joás sete anos de idade quando começou a reinar, e quarenta anos reinou em Jerusalém; e era o nome da sua mãe Zíbia, de Berseba. "
Entenda os temas principais e aplique 2 Crônicas 24 na sua vida hoje
27 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Enquanto esteve sob a orientação do sacerdote Joiada, Joás fez o que era reto aos olhos do Senhor e liderou um movimento de renovação do culto e da casa de Deus. A presença de um conselheiro temente ao Senhor moldou a direção do seu governo.
Joás organiza a coleta do tributo ordenado por Moisés e mobiliza sacerdotes, levitas e o povo para restaurar o templo profanado durante o governo de Atalia. O povo contribui com alegria, e a casa de Deus é fortalecida e reequipada para o culto.
Após a morte de Joiada, Joás se deixa influenciar pelos príncipes de Judá e abandona a casa do Senhor, voltando-se à idolatria. Um início fiel não garante perseverança, e a mudança de influências revela a fragilidade do seu coração.
Deus envia profetas para reconduzir o povo, mas eles não dão ouvidos. Zacarias, filho de Joiada, cheio do Espírito de Deus, confronta o povo e é apedrejado por ordem do próprio rei, mostrando a dureza do coração diante da correção divina.
Por terem deixado o Senhor, Judá e Jerusalém sofrem a invasão dos sírios, que, mesmo em número reduzido, vencem pelo juízo de Deus. Joás é gravemente ferido e depois morto em conspiração de seus servos, em retribuição pelo sangue de Zacarias.
2 Crônicas 24 se passa no reino de Judá, após o período turbulento do governo de Atalia, que havia usurpado o trono e promovido idolatria. Joás foi preservado em segredo por Joiada e colocado no trono ainda criança. O templo em Jerusalém havia sido profanado e saqueado por Atalia e seus filhos, e os recursos sagrados foram usados para o culto aos baalins (v.7). A referência ao tributo ordenado por Moisés aponta para o meio shekel dado para a manutenção do santuário, mostrando continuidade entre o tabernáculo no deserto e o templo em Jerusalém.
O capítulo também destaca a influência política dos príncipes de Judá após a morte de Joiada, que leva o rei de volta à idolatria. A invasão da Síria, liderada pelo rei de Damasco, reflete o cenário geopolítico da época, em que potências regionais pressionavam os pequenos reinos. A vitória de um pequeno exército sírio sobre um exército numeroso de Judá é apresentada como ação direta de Deus em juízo, mais do que resultado de mera estratégia militar. O registro final menciona que outros detalhes do reinado de Joás, bem como a restauração do templo, constavam em um livro de história dos reis, demonstrando que o cronista seleciona episódios com ênfase teológica e não apenas política.
O capítulo possui uma estrutura narrativa clara, dividida em dois grandes movimentos contrastantes:
Introdução ao reinado de Joás e sua fase fiel (v.1-4)
Projeto de restauração do templo (v.5-14)
Morte honrada de Joiada (v.15-16)
Queda espiritual de Joás após a morte de Joiada (v.17-19)
Profecia e martírio de Zacarias (v.20-22)
Juízo sobre Joás e conclusão do reinado (v.23-27)
2 Crônicas 24 enfatiza temas centrais da teologia de Crônicas: a relação direta entre fidelidade ao Senhor e o destino do rei e do povo; a importância do templo e do culto verdadeiro; e a responsabilidade do líder de ouvir a Palavra de Deus.
O capítulo mostra que a avaliação de um reinado não é apenas política, mas profundamente espiritual. Joás é descrito como alguém que fez o que era reto enquanto esteve sob a influência fiel de Joiada. Isso ressalta a importância de lideranças espirituais firmes e de conselheiros piedosos. Ao mesmo tempo, revela que a fé de Joás parecia depender mais da presença de Joiada do que de uma convicção pessoal profunda.
A restauração do templo manifesta o valor da adoração centralizada e ordenada por Deus. O povo responde com alegria ao chamado para contribuir, mostrando que o coração do povo pode ser despertado para a generosidade quando a liderança é alinhada com a vontade divina. A reconstrução física do templo simboliza a restauração da relação com Deus, mas o capítulo deixa claro que estruturas restauradas não garantem perseverança espiritual se o coração se desviar.
A rejeição às mensagens proféticas é outro ponto crucial. Deus, em sua misericórdia, envia profetas para reconduzir o povo, inclusive Zacarias, cheio do Espírito de Deus. A morte de Zacarias dentro do próprio templo, por mandado do rei, expõe a gravidade da apostasia: não apenas abandonar o Senhor, mas calar violentamente a sua voz. A frase "porque deixastes ao Senhor, também ele vos deixará" (v.20) sintetiza o princípio de retribuição: a recusa persistente da aliança resulta em juízo.
O juízo através da Síria reforça que o Senhor governa a história: exércitos, mesmo pequenos, são instrumentos em suas mãos. O texto interpreta a derrota de Judá não como fraqueza militar apenas, mas como disciplina divina. A morte desonrosa de Joás, sem sepultamento com os reis, contrasta com a honra dada a Joiada, que foi sepultado entre os reis, embora fosse sacerdote. Isso inverte expectativas: diante de Deus, a fidelidade à aliança vale mais do que a posição política.
Assim, o capítulo apresenta uma teologia em que liderança, culto, profecia e juízo se entrelaçam, apontando para a necessidade de um rei e de um povo cujo coração permaneça fiel, mesmo além da influência de líderes humanos.
Este capítulo oferece material rico para reflexão terapêutica, especialmente em temas de influência, memória de favores recebidos, ingratidão e consequências de escolhas. A história de Joás mostra como uma pessoa pode caminhar bem enquanto cercada de apoio saudável e, depois, desorganizar-se emocional e espiritualmente quando muda de referencial e companhia.
A presença de Joiada funciona como um eixo de segurança para Joás. Ele encontra direção, propósito (restaurar a casa do Senhor) e sentido coletivo, engajando a comunidade numa obra maior do que si mesmo. Isso se assemelha à importância, em saúde emocional, de ter figuras de apoio, mentores e comunidades que promovam valores de vida. A restauração do templo, feita de forma progressiva e organizada, ilustra processos de reconstrução interna: passo a passo, com ajuda de muitos, usando recursos compartilhados.
Por outro lado, a mudança radical após a morte de Joiada destaca a vulnerabilidade de uma identidade que não está consolidada. Em termos psicológicos, pode-se ver a dificuldade de manter escolhas saudáveis quando o entorno muda e quando velhas influências reaparecem, como os príncipes de Judá que conduzem Joás à idolatria. A rejeição dos profetas e a violência contra Zacarias simbolizam a resistência à correção e à verdade, algo recorrente em processos de autossabotagem.
A narrativa da conspiração final contra Joás, motivada pelo sangue de Zacarias, toca em temas de culpa, reparação e justiça. A frase de Zacarias, "O Senhor o verá, e o requererá", ecoa a ideia de que injustiças não ficam apagadas simplesmente pelo passar do tempo. Em termos de cuidado emocional, isso aponta para a necessidade de lidar com erros, arrependimento e pedidos de perdão, em vez de tentativas de abafá-los.
2 Crônicas 24, portanto, pode inspirar reflexões sobre como as pessoas constroem e perdem referências saudáveis, como lidam com a correção e como as escolhas vão se acumulando até produzirem frutos, sejam de vida ou de destruição.
Este capítulo apresenta alguns elementos sensíveis que podem acionar lembranças dolorosas ou gatilhos em certas pessoas:
Violência e assassinato:
Traição e ingratidão:
Liderança espiritual abusiva ou falha:
Juízo divino e sensação de punição:
Em contextos de leitura sensível, é importante acolher possíveis reações emocionais, lembrar que se trata de um relato histórico-teológico específico e enfatizar a totalidade do caráter de Deus, que inclui justiça, mas também misericórdia, paciência e disposição em reconduzir ao caminho por meio de seus profetas.
2 Crônicas 24 oferece várias linhas práticas para a vida diária:
Valor das boas influências: A trajetória de Joás mostra que a companhia e os conselhos moldam decisões. Buscar pessoas que incentivem a integridade, a fé e a verdade, e manter proximidade com elas, pode sustentar escolhas saudáveis ao longo do tempo.
Responsabilidade pessoal além dos mentores: Embora mentores e líderes espirituais sejam importantes, o capítulo mostra a necessidade de desenvolver convicções próprias. Construir um relacionamento pessoal com Deus, enraizado na sua Palavra, ajuda a permanecer firme quando figuras de referência já não estão presentes.
Cuidado com a mudança de influências: A aproximação dos príncipes de Judá e a escuta que Joás lhes dá indicam como novas vozes podem desviar o coração. Avaliar criticamente conselhos, ambientes e discursos, perguntando se conduzem à fidelidade a Deus ou à idolatria, é uma prática cotidiana de sabedoria.
Zelo pela “casa de Deus” hoje: O empenho de Joás e do povo na restauração do templo inspira zelo pela vida comunitária de fé: investir tempo, recursos e dons na edificação da igreja local, no cuidado com o espaço de culto e na qualidade da adoração e do ensino.
Generosidade alegre: O povo se alegra em contribuir e enche o cofre repetidas vezes. Na prática, isso se traduz em disposição para ofertar com alegria e senso de participação em algo maior, lembrando que a manutenção da obra de Deus envolve o engajamento de muitos.
Abertura à correção: A recusa em ouvir os profetas e a morte de Zacarias são um alerta. Na vida diária, isso pode se transformar em disposição para receber feedback, admitir erros e ajustar caminhos, em vez de reagir com defesa ou hostilidade.
Lidar com o passado e com a culpa: A conspiração contra Joás por causa do sangue de Zacarias lembra que injustiças não desaparecem simplesmente com o tempo. Praticar arrependimento, confissão e reparação, dentro do possível, pode evitar que erros antigos se transformem em fontes de destruição futura.
Honrar quem faz o bem: Joiada é reconhecido e honrado até na morte. No cotidiano, isso se traduz em agradecer e valorizar pessoas que investem na vida alheia, seja em família, igreja ou sociedade, em vez de esquecer rapidamente os benefícios recebidos.
O texto mostra que Joás fez o que era reto aos olhos do Senhor enquanto o sacerdote Joiada esteve vivo e atuante (v.2). Nessa fase, ele se dedicou à restauração do templo e ao culto. Após a morte de Joiada, porém, Joás passa a ouvir os príncipes de Judá, abandona a casa do Senhor e segue a idolatria (v.17-18). Assim, seu reinado é misto: começa bem, mas termina em queda espiritual e juízo.
O tributo de Moisés se refere à contribuição ordenada por Deus por meio de Moisés para a manutenção do tabernáculo, geralmente associada ao meio shekel que cada israelita deveria pagar como oferta ao Senhor para o serviço do santuário. Em 2 Crônicas 24, Joás retoma essa prática para levantar recursos para reparar o templo, seguindo o padrão estabelecido no deserto (v.5-6, 9).
Joiada foi o sumo sacerdote que salvou Joás da morte quando Atalia tentou exterminar a descendência real. Ele o protegeu, o ungiu como rei e liderou a reforma que derrubou a idolatria de Atalia. Em 2 Crônicas 24, Joiada atua como conselheiro espiritual de Joás, conduzindo-o à restauração do templo e ao culto fiel. Por ter feito bem em Israel e para com Deus e sua casa, ele é sepultado entre os reis (v.16), algo incomum para um sacerdote, mostrando seu destaque e honra.
Zacarias é descrito como revestido pelo Espírito de Deus (v.20) e repreende o povo por abandonar o Senhor. Sua mensagem confronta diretamente as escolhas de Joás e dos líderes. Em vez de se arrependerem, eles reagem com hostilidade, conspiram contra ele e o apedrejam por ordem do rei (v.21). Isso revela a dureza do coração e a recusa em aceitar correção divina, mesmo quando ela vem de alguém com profunda legitimidade espiritual, filho de Joiada, que tanto bem fizera ao rei.
O texto insiste que a vitória da Síria, mesmo com um exército pequeno, sobre um exército numeroso de Judá, foi ação do Senhor em juízo (v.24). Não se trata apenas de uma derrota militar, mas da consequência espiritual de abandonar o Senhor e rejeitar seus profetas. Em Crônicas, eventos históricos são interpretados à luz da aliança: quando o povo e o rei permanecem fiéis, há proteção e bênção; quando se afastam de Deus, Ele permite disciplina e juízo, com o propósito de expor o pecado e chamar ao retorno.
2 Crônicas 24 acompanha um coração que começa protegido, guiado e bem cercado, e depois se perde quando perde esse apoio. A história de Joás é marcada, no início, por cuidado e carinho: ele é salvo ainda criança, cresce sob a tutela de Joiada e encontra, junto com o sacerdote, um propósito bonito — restaurar a casa do Senhor. Há algo profundamente consolador em ver como Deus usa pessoas como Joiada para sustentar vidas frágeis e cheias de potencial. O povo, unido, participa com alegria. As ofertas enchendo o cofre, dia após dia, desenham uma cena de esperança: uma comunidade inteira reconstruindo aquilo que foi destruído pela maldade de Atalia. Para corações que já viram ruínas — de famílias, de fé, de relacionamentos — é reconfortante perceber que Deus não desiste das coisas que foram quebradas. Ele pode inspirar movimentos de restauração, passo a passo. Mas o capítulo também toca em dores profundas: a perda de uma figura amada e firme, como Joiada; a mudança do coração de Joás; a violência contra Zacarias, justamente o filho daquele que tanto o ajudou. Há injustiça, ingratidão, traição. Isso se aproxima de quem já foi ferido por pessoas que um dia foram próximas, ou por líderes que deixaram de ouvir a verdade. Zacarias, morto no pátio do templo, parece carregar a voz de todos os que foram calados quando tentaram apontar para o caminho certo. Quando ele diz: "O Senhor o verá, e o requererá" (v.22), há uma consolação silenciosa: sofrimentos e abusos não passam despercebidos aos olhos de Deus. Mesmo quando a justiça humana falha, mesmo quando o mal parece vencer, o texto insiste que o Senhor vê, sabe e não banaliza a dor. O fim da história de Joás, com a conspiração de seus próprios servos, mostra que Deus não é indiferente à injustiça. Para corações cansados, esse capítulo traz, ao mesmo tempo, lamento e esperança. Lamento, porque nem todas as histórias que começaram bem terminam do jeito que se desejava. Esperança, porque Deus continua presente nas etapas de restauração, levanta pessoas como Joiada para cuidar, e acolhe o clamor silencioso daqueles que, como Zacarias, foram fiéis e feridos. No meio das rupturas, seu olhar permanece atento e seu cuidado, real.
2 Crônicas 24 é um texto denso do ponto de vista teológico e histórico, típico da obra do Cronista, com forte interesse em mostrar o impacto espiritual da liderança sobre o povo e o papel central do templo. Primeiro, a figura de Joás ilustra a estrutura avaliativa comum em Crônicas: "fez o que era reto aos olhos do Senhor" (v.2), porém com uma condição temporal clara: "todos os dias do sacerdote Joiada". O autor quer sublinhar tanto a influência positiva de Joiada quanto a falta de estabilidade espiritual do rei. A fé de Joás parece mediada pelo sacerdote, e não interiorizada de forma autônoma. Isso ajuda a compreender a virada drástica após a morte de Joiada. O projeto de restauração do templo se conecta explicitamente com a legislação mosaica. A menção ao tributo ordenado por Moisés (v.6, 9) e à "tenda do testemunho" estabelece um vínculo entre o culto no deserto e o culto no templo, reforçando a legitimidade das reformas de Joás como continuidade da revelação anterior. O cofre colocado à porta do templo e a participação alegre do povo (v.8-11) oferecem um modelo de financiamento transparente e comunitário para o culto, um tema recorrente em discussões sobre culto e administração na tradição judaica posterior. A descrição detalhada dos trabalhadores (pedreiros, carpinteiros, ferreiros, serralheiros; v.12) e do uso do dinheiro restante para utensílios de culto (v.14) demonstra o interesse do Cronista em mostrar eficiência, organização e reverência. O templo não é apenas um símbolo religioso; é um centro concreto da vida com Deus, cuja restauração é vista como um indicador de fidelidade. A seção sobre a apostasia de Joás após a morte de Joiada (v.17-19) introduz temas caros à teologia de Crônicas: influência dos líderes, idolatria como abandono da herança dos pais e envio de profetas como expressão de misericórdia. A fórmula "enviou profetas entre eles, para os reconduzir ao Senhor" (v.19) ecoa outros trechos da obra, nos quais Deus é retratado como persistente em sua iniciativa de recuperar seu povo. A rejeição desses mensageiros intensifica a culpa de Judá. O episódio de Zacarias (v.20-22) é teologicamente significativo. Ele é "revestido" pelo Espírito de Deus, o que o coloca em continuidade com a tradição profética carismática de Israel. Sua mensagem condensa o princípio de retribuição: "Porque deixastes ao Senhor, também ele vos deixará" (v.20). A morte de Zacarias no pátio do templo, ordenada pelo próprio rei, reforça a gravidade da ruptura: a casa de Deus se torna palco de sangue inocente. A memória dessa injustiça se torna um fator interpretativo do juízo que se segue. A campanha síria (v.23-24) é interpretada teologicamente: um pequeno exército vence um grande por causa da intervenção divina em juízo. Essa lógica ecoa outras passagens em que vitórias improváveis são atribuídas a Deus (como em 2 Crônicas 14–20), mas aqui em sentido inverso: em vez de salvação milagrosa, juízo milagroso. O autor não se limita a relatar fatos militares; ele os lê à luz da aliança. Por fim, a morte de Joás (v.25-27) contrasta explicitamente com a de Joiada. O sacerdote é sepultado entre os reis; o rei, por sua vez, é excluído dos sepulcros reais. Essa inversão é uma forma literária de declarar quem é verdadeiramente honrado diante de Deus. A menção aos registros adicionais no "livro da história dos reis" lembra ao leitor que Crônicas é uma releitura teológica da história, com seleção intencional de episódios para transmitir princípios espirituais, não apenas uma crônica política neutra.
2 Crônicas 24 é um retrato muito prático de como as escolhas de companhia, os conselhos seguidos e a forma de lidar com a correção moldam o rumo de uma vida e de uma comunidade. Na primeira parte, Joás mostra o resultado de ter alguém como Joiada ao lado. Ele encontra direção para um projeto concreto: restaurar o templo. Isso envolve planejamento, comunicação clara (ordem aos sacerdotes e levitas), correção quando há atraso (v.5-6), transparência nas finanças (o cofre na porta, a supervisão do escrivão e do oficial do sumo sacerdote; v.11) e contratação de profissionais adequados (v.12). Em termos de vida diária, isso é um modelo de boa gestão: combinar fé, organização e responsabilidade. A resposta do povo — trazendo com alegria suas contribuições, enchendo o cofre até ficar cheio (v.10) — mostra o poder de uma liderança que inspira e dá direção. Quando objetivos são claros e confiáveis, as pessoas tendem a se engajar. Em ambientes de trabalho, família ou igreja, essa dinâmica se repete: objetivos bem comunicados, uso responsável de recursos e prestação de contas favorecem cooperação. Porém, o capítulo também mostra o outro lado: a mudança radical depois que a principal referência de Joás se vai. Com a morte de Joiada, o rei se abre a outras influências, os príncipes de Judá (v.17). O texto destaca que ele "os ouviu", indicando que a escuta é uma escolha ativa. Na prática, isso toca a necessidade de filtrar conselhos e perceber quando interesses de grupo ou conveniências estão empurrando para longe de valores essenciais. A forma como Joás lida com a correção é um ponto crítico. Em vez de considerar a mensagem de Zacarias, ele permite que a voz que o confronta seja silenciada com violência (v.21). Trazendo para o cotidiano, uma vida que não aceita feedback, que reage com agressividade a qualquer questionamento, tende a caminhar para decisões cada vez mais isoladas e destrutivas. Relações se rompem quando não há espaço para confronto honesto. O desfecho da história — um líder ferido, enfraquecido, e por fim morto por aqueles que o serviam (v.25) — é um alerta sobre o tipo de legado que se constrói. A ingratidão de Joás para com a casa de Joiada acaba gerando ingratidão em seus próprios servos. Em linguagem prática: comportamentos injustos e duros tendem a voltar em forma de quebra de confiança e lealdade. 2 Crônicas 24, aplicado à vida diária, incentiva a: - escolher conselheiros que promovam fidelidade, justiça e honestidade; - construir processos transparentes em finanças e responsabilidades; - cuidar para que a fé e os valores não dependam apenas de uma pessoa, mas sejam internalizados; - manter o coração aberto à correção, evitando reações defensivas que cortam relações saudáveis; - lembrar continuamente de quem apoiou e ajudou ao longo da caminhada, cultivando gratidão em vez de descartar pessoas quando não são mais "necessárias".
2 Crônicas 24 conduz a reflexões profundas sobre perseverança espiritual, responsabilidade diante da luz recebida e o modo como Deus interage com seu povo ao longo da história. A jornada de Joás mostra que um bom começo não garante um fim fiel. Ele cresce protegido, é colocado no trono sob a direção de um sacerdote temente a Deus e lidera uma reforma significativa, centrada no templo. Do ponto de vista espiritual, isso se assemelha a quem inicia a caminhada com Deus em um ambiente favorável, cercado de ensino sólido e bons exemplos. No entanto, a mudança após a morte de Joiada revela que a fé de Joás não se tornou uma convicção profunda e pessoal; estava, em parte, ancorada na presença do mentor. A restauração do templo é uma imagem poderosa de renovação espiritual: pedras recolocadas, estruturas reforçadas, utensílios santos refeitos, holocaustos contínuos (v.13-14). Muito além de um prédio, o templo representa o lugar da presença de Deus e da comunhão com Ele. Em uma leitura espiritual, esse trabalho de restauração lembra que a vida com Deus também exige manutenção, cuidado e investimento constante, não um impulso isolado. A partir do versículo 17, a cena muda. Os príncipes de Judá, figuras de influência e poder, se prostram diante do rei e ganham seus ouvidos. O texto sugere uma espécie de culto às relações de prestígio em detrimento da fidelidade a Deus. A consequência é o abandono da casa do Senhor e a volta aos ídolos (v.18). Espírito e coração se deslocam do culto ao Deus vivo para objetos e práticas que prometem controle, segurança ou prazer rápido. Na perspectiva da alma, isso é a idolatria em sua essência. Mesmo assim, Deus não se cala. Ele envia profetas para reconduzir o povo (v.19). A presença desses mensageiros mostra a paciência divina e seu desejo de restauração. Zacarias, "revestido" pelo Espírito de Deus, representa essa insistência da graça: Deus ainda fala, ainda chama, ainda aponta para o caminho da vida. Sua mensagem é simples e direta: não é possível prosperar enquanto se transgride os mandamentos do Senhor (v.20). A morte de Zacarias no pátio do templo, por ordem do rei, é um dos momentos mais sombrios do capítulo. A voz do Espírito é calada no lugar que deveria ser o centro da adoração. Sua última frase, "O Senhor o verá, e o requererá" (v.22), ecoa como um lembrete de que a história humana não é fechada em si mesma; há um Deus que observa, registra e trará todas as coisas a juízo. Isso não aponta apenas para consequências históricas — como a invasão da Síria e a morte de Joás — mas também para a realidade última de prestar contas da própria vida. O juízo que vem pela Síria, com um pequeno exército vencendo um grande (v.24), mostra que Deus governa sobre as nações, usando eventos históricos para disciplinar o seu povo. Ao mesmo tempo, deixa entrever que Ele não se deixa limitar por aparências de força ou fraqueza humanas. Para a alma, isso é um chamado a confiar mais na fidelidade a Deus do que em números, estratégias ou alianças políticas. O contraste entre o fim de Joiada e o de Joás é também um contraste de destinos espirituais. Joiada é honrado, sepultado entre os reis, por ter feito bem a Israel e à casa de Deus (v.16). Joás, mesmo rei, morre ferido, traído e sem a honra do sepulcro real (v.25). A narrativa sugere que, na perspectiva eterna, o que define o valor da vida não é o título, mas a fidelidade à aliança. Assim, 2 Crônicas 24 convida a pensar em uma fé que não dependa apenas de circunstâncias ou pessoas, mas que se enraíze no próprio Deus; uma fé que aceita a correção do Espírito e dos profetas e que enxerga a vida diante de um Deus que vê, que chama ao retorno e que um dia pedirá contas com perfeita justiça e misericórdia.
" Tinha Joás sete anos de idade quando começou a reinar, e quarenta anos reinou em Jerusalém; e era o nome da sua mãe Zíbia, de Berseba. "
" E fez Joás o que era reto aos olhos do Senhor, todos os dias do sacerdote Joiada. "
" E tomou-lhe Joiada duas mulheres, e gerou filhos e filhas. "
" E, depois disto, Joás resolveu renovar a casa do Senhor. "
" Reuniu, pois, os sacerdotes e os levitas, e disse-lhes: Saí pelas cidades de Judá, e levantai dinheiro de todo o Israel para reparar a casa do vosso Deus de ano em ano; e vós, apressai este negócio. Porém os levitas não se apressaram. "
" E o rei chamou a Joiada, o chefe, e disse-lhe: Por que não requereste dos levitas, que trouxessem de Judá e de Jerusalém o tributo que Moisés, servo do Senhor, ordenou à congregação de Israel, para a tenda do testemunho? "
" Porque, sendo Atalia ímpia, seus filhos arruinaram a casa de Deus, e até todas as coisas sagradas da casa do Senhor empregaram em Baalins. "
" E o rei, pois, deu ordem e fizeram um cofre, e o puseram fora, à porta da casa do Senhor. "
" E publicou-se em Judá e em Jerusalém que trouxessem ao Senhor o tributo de Moisés, o servo de Deus, ordenado a Israel no deserto. "
" Então todos os príncipes e todo o povo se alegraram, e o trouxeram e o lançaram no cofre, até que ficou cheio. "
" E sucedia que, quando levavam o cofre pelas mãos dos levitas, segundo o mandado do rei, e vendo-se que já havia muito dinheiro, vinha o escrivão do rei, e o oficial do sumo sacerdote, e esvaziavam o cofre, e tomavam-no e levavam-no de novo ao seu lugar; assim faziam de dia em dia, e ajuntaram dinheiro em abundância. "
" O qual o rei e Joiada davam aos que tinham o encargo da obra do serviço da casa do Senhor; e contrataram pedreiros e carpinteiros, para renovarem a casa do Senhor; como também ferreiros e serralheiros, para repararem a casa do Senhor. "
" E os que tinham o encargo da obra faziam com que o trabalho de reparação fosse crescendo pelas suas mãos; e restauraram a casa de Deus no seu estado, e a fortaleceram. "
" E, depois de acabarem, trouxeram ao rei e a Joiada o resto do dinheiro, e dele fizeram utensílios para a casa do Senhor, objetos para ministrar e oferecer, colheres, vasos de ouro e de prata. E continuamente sacrificaram holocaustos na casa do Senhor, todos os dias de Joiada. "
" E envelheceu Joiada, e morreu farto de dias; era da idade de cento e trinta anos quando morreu. "
" E o sepultaram na cidade de Davi com os reis; porque tinha feito bem em Israel, e para com Deus e a sua casa. "
" Porém, depois da morte de Joiada vieram os príncipes de Judá e prostraram-se perante o rei; e o rei os ouviu. "
" E deixaram a casa do Senhor Deus de seus pais, e serviram às imagens do bosque e aos ídolos. Então, por causa desta sua culpa, veio grande ira sobre Judá e Jerusalém. "
" Porém enviou profetas entre eles, para os reconduzir ao Senhor, os quais protestaram contra eles; mas eles não deram ouvidos. "
" E o Espírito de Deus revestiu a Zacarias, filho do sacerdote Joiada, o qual se pôs em pé acima do povo, e lhes disse: Assim diz Deus: Por que transgredis os mandamentos do Senhor, de modo que não possais prosperar? Porque deixastes ao Senhor, também ele vos deixará. "
" E eles conspiraram contra ele, e o apedrejaram por mandado do rei, no pátio da casa do Senhor. "
" Assim o rei Joás não se lembrou da beneficência que Joiada, pai de Zacarias, lhe fizera; porém matou-lhe o filho, o qual, morrendo, disse: O Senhor o verá, e o requererá. "
" E sucedeu que, decorrido um ano, o exército da Síria subiu contra ele; e vieram a Judá e a Jerusalém, e destruíram dentre o povo a todos os seus príncipes; e enviaram todo o seu despojo ao rei de Damasco. "
" Porque ainda que o exército dos sírios viera com poucos homens, contudo o Senhor entregou na sua mão um exército mui numeroso, porquanto deixaram ao Senhor Deus de seus pais. Assim executaram juízos contra Joás. "
" E, quando os sírios se retiraram, deixaram-no gravemente ferido; então seus servos conspiraram contra ele por causa do sangue do filho do sacerdote Joiada, e o feriram na sua cama, e morreu; e o sepultaram na cidade de Davi, porém não nos sepulcros dos reis. "
" Estes, pois, foram os que conspiraram contra ele; Zabade, filho de Simeate, a amonita, e Jeozabade, filho de Sinrite, a moabita. "
" E, quanto a seus filhos, e à grandeza do cargo que se lhe impôs, e à restauração da casa de Deus, eis que estão escritos no livro da história dos reis; e Amazias, seu filho, reinou em seu lugar. "
Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.