2 Crônicas 36 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique 2 Crônicas 36 na sua vida hoje

23 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e 2 Crônicas 36?

2 Crônicas 36 encerra o livro com um resumo trágico dos últimos reis de Judá, descrevendo a rápida sucessão de governantes infiéis, a crescente corrupção espiritual, o cumprimento dos avisos proféticos e, por fim, a queda de Jerusalém e o exílio babilônico. O capítulo conclui com uma nota de esperança: o decreto de Ciro, rei da Pérsia, autorizando o retorno e a reconstrução do templo em Jerusalém, mostrando que, mesmo em juízo, Deus preserva Seu plano de restauração.

Temas principais em 2 Crônicas 36

Declínio espiritual e político de Judá (versiculos 2–14)

A sucessão de Jeoacaz, Jeoaquim, Joaquim e Zedequias mostra um povo e uma liderança que se afastam cada vez mais do Senhor, praticando o que é mau e rejeitando a correção. Esse declínio interior resulta em fragilidade política, humilhação diante de outras nações e, por fim, destruição.

Versiculos-chave: 5, 12, 14

Rejeição persistente da Palavra de Deus (versiculos 12–16)

Mesmo cercado por profetas e mensageiros de Deus, o povo zomba, despreza e resiste às advertências divinas. O texto destaca a paciência de Deus e, ao mesmo tempo, a seriedade de ignorar repetidamente Sua voz.

Versiculos-chave: 15, 16

Juízo inevitável e cumprimento das profecias (versiculos 17–21)

Quando não há mais arrependimento, o juízo se torna inevitável. A invasão dos caldeus, a destruição do templo e o exílio para Babilônia são apresentados como cumprimento exato da palavra anunciada por Jeremias, inclusive quanto aos setenta anos de desolação.

Versiculos-chave: 17, 21

Soberania de Deus sobre as nações (versiculos 17–23)

Deus levanta Nabucodonosor para disciplinar Judá e, depois, desperta o espírito de Ciro, rei da Pérsia, para iniciar o processo de restauração. Mesmo reis pagãos são instrumentos nas mãos de Deus para cumprir Seus propósitos.

Versiculos-chave: 20, 22, 23

Juízo que abre caminho para a restauração (versiculos 20–23)

A desolação da terra e o exílio não são o fim da história. O repouso dos “sábados” da terra e o edito de Ciro mostram que, depois da disciplina, Deus prepara um novo começo para o Seu povo, mantendo viva a esperança.

Versiculos-chave: 21, 23

Contexto historico e literario

2 Crônicas 36 resume os últimos anos do reino de Judá, logo antes do exílio babilônico, no final do século VII e início do século VI a.C. Após a morte do rei Josias, que havia promovido uma grande reforma religiosa, o cenário muda rapidamente. O Egito, sob o faraó Neco, interfere na sucessão real: Jeoacaz é deposto após apenas três meses, e seu irmão Eliaquim é colocado no trono com o nome de Jeoaquim, como vassalo egípcio.

Pouco tempo depois, o cenário geopolítico muda com a ascensão da Babilônia. Nabucodonosor derrota o Egito e passa a dominar a região. Jeoaquim torna-se servo da Babilônia, mas se rebela e acaba sendo levado em cadeias, junto com parte dos vasos do templo. Seu filho Joaquim reina por um período muito curto e também é deportado, com mais tesouros do templo. Em seu lugar, Nabucodonosor coloca Zedequias como rei fantoche sobre Judá.

Zedequias, porém, além de manter a infidelidade espiritual, quebra o juramento feito a Nabucodonosor e se rebela. Isso resulta em uma grande campanha militar babilônica que culmina, em 586 a.C., na queda de Jerusalém, destruição completa do templo, derrubada dos muros e deportação em massa do povo para a Babilônia. O cronista interpreta esse evento como cumprimento das profecias de Jeremias, especialmente sobre os setenta anos de cativeiro, até que a terra desfrutasse de seus “sábados”.

Com a queda da Babilônia diante do Império Medo-Persa, Ciro, rei da Pérsia, em 538 a.C., decreta que os judeus podem voltar a Jerusalém e reconstruir o templo. O capítulo termina precisamente com esse edito de Ciro, conectando o fim de Crônicas com o início do retorno narrado em Esdras.

Estrutura de 2 Crônicas 36

O capítulo apresenta uma estrutura de resumo histórico-teológico, com forte ênfase interpretativa:

  1. Reinado de Jeoacaz e intervenção egípcia (vv. 1–4)
    Breve relato da aclamação de Jeoacaz pelo povo, sua curta duração no trono e sua deposição por Neco, rei do Egito, que impõe tributo e coloca Eliaquim (Jeoaquim) como rei.

  2. Reinado de Jeoaquim e primeira intervenção babilônica (vv. 5–8)
    Descrição de seu reinado de onze anos, caracterizado pelo mal aos olhos do Senhor, seguido da campanha de Nabucodonosor, sua prisão e o saque inicial dos vasos do templo.

  3. Reinado de Joaquim e segunda deportação (vv. 9–10)
    Relato conciso do breve governo de Joaquim, também avaliado como mau, e da deportação dele e de mais vasos preciosos para Babilônia. Zedequias é então colocado como rei.

  4. Reinado de Zedequias e resistência à Palavra profética (vv. 11–14)
    Avaliação negativa de Zedequias: recusa em se humilhar diante de Jeremias, quebra de juramento com Nabucodonosor, endurecimento de coração e generalização das transgressões entre sacerdotes e povo.

  5. Rejeição dos mensageiros de Deus e ponto sem retorno (vv. 15–16)
    Comentário teológico: Deus envia mensageiros com compaixão, mas o povo zomba, despreza e resiste. O texto conclui que chegou a um ponto em que “já não havia remédio”.

  6. Queda de Jerusalém e destruição do templo (vv. 17–19)
    Narração da invasão caldeia, matança, saque completo do templo e do palácio, queima da cidade e derrubada dos muros.

  7. Exílio na Babilônia e teologia do descanso da terra (vv. 20–21)
    Resumo do cativeiro babilônico, descrito como cumprimento da palavra de Jeremias e como período em que a terra desfruta de seus sábados durante os setenta anos.

  8. Edicto de Ciro e esperança de restauração (vv. 22–23)
    Conclusão esperançosa: Deus desperta o espírito de Ciro para autorizar a reconstrução da casa do Senhor em Jerusalém, convidando o povo de Deus a subir.

Significado teologico

O capítulo destaca, de forma concentrada, a seriedade da infidelidade à aliança, a paciência de Deus e a inevitabilidade do juízo quando há rejeição persistente da Sua Palavra. A sequência de reis infiéis mostra que nenhum poder humano, por mais estratégico ou político, é capaz de sustentar um povo que se afasta da vontade de Deus.

Teologicamente, 2 Crônicas 36 enfatiza que o juízo não é arbitrário, mas resposta à recusa contínua de ouvir os profetas. Deus é apresentado como alguém que insiste, envia mensageiros “madrugando”, movido por compaixão pelo Seu povo e por Sua habitação. Contudo, a zombaria, o desprezo e a dureza de coração conduzem a um ponto em que “já não havia remédio”, revelando que a resistência deliberada à graça tem consequências.

O exílio babilônico é interpretado como cumprimento das profecias, em especial de Jeremias, e também como uma espécie de sabático forçado para a terra. Isso reforça a ideia de que a história é governada por Deus, que conecta juízo e restauração em um mesmo plano soberano.

Ao mesmo tempo, o texto sublinha a soberania universal de Deus sobre as nações: Ele levanta o rei dos caldeus para disciplinar Judá, e depois desperta o espírito de Ciro, rei da Pérsia, para possibilitar o retorno e a reconstrução do templo. Assim, o capítulo termina com esperança: Deus não abandona Seu povo no exílio, mas prepara um novo começo. O juízo não é a última palavra; a fidelidade de Deus à Sua aliança sustenta a história, mesmo através dos grandes colapsos nacionais.

Aplicacao restauradora e de saude mental

O movimento deste capítulo, da rebeldia ao colapso, e do colapso ao vislumbre de restauração, toca temas profundos da experiência humana: endurecimento de coração, consequências de escolhas destrutivas, sensação de “ponto sem retorno” e também a descoberta de que Deus ainda é capaz de recomeçar histórias.

A linguagem de “não haver mais remédio” descreve um estado de ruptura grave, em que o ciclo de negação e resistência se torna crônico. Em termos emocionais, isso ecoa padrões de autossabotagem, vícios, relacionamentos abusivos e fugas constantes de confrontos saudáveis. O texto mostra que esse processo é gradual: pequenas recusas à correção vão se somando até uma ruptura maior.

Ao mesmo tempo, o capítulo evidencia a paciência de Deus. Ele envia mensageiros repetidas vezes, motivado por compaixão. Essa imagem é relevante para quem lida com culpa intensa ou com a sensação de ter ultrapassado o limite da graça: o juízo vem depois de longos apelos, não como explosão impulsiva. E mesmo quando a disciplina é aplicada, a história não termina no exílio, mas com a abertura de um novo tempo por meio do decreto de Ciro.

Em contexto terapêutico, essa narrativa ajuda a nomear a dor de ver sistemas inteiros (famílias, comunidades, nações) caminhando para a autodestruição, e também valida o luto por perdas profundas: casa, cidade, segurança, símbolos de fé. Mostra que Deus reconhece a gravidade disso tudo, mas continua presente na reconstrução, produzindo esperança em meio aos escombros.

warning Importante: maus usos comuns

Este capítulo descreve situações intensas de violência, guerra, morte e destruição que podem acionar memórias dolorosas em pessoas com histórico de trauma, especialmente conflitos armados, perda súbita de familiares, deslocamento forçado ou perda de casa e bens. A narrativa da destruição do templo e da cidade, com “sem piedade” de jovens, donzelas e idosos, pode ressoar fortemente com experiências de abandono ou desamparo.

A frase de que “já não havia remédio” pode ser mal interpretada por pessoas em situação de depressão, desesperança extrema ou pensamentos suicidas como se não houvesse possibilidade de ajuda ou mudança. Também pode acionar culpa tóxica em quem carrega um senso exagerado de responsabilidade por tragédias passadas. Nesses casos, é importante lembrar que o texto trata de uma situação histórica coletiva específica, não de uma condenação individual irreversível.

Pessoas com tendência a pensamentos religiosos rígidos ou punitivos podem usar este texto para reforçar autoacusação extrema ou julgamentos severos sobre outros. A ênfase deve recair na longa paciência de Deus, no envio repetido de mensageiros e no final de esperança com o decreto de Ciro.

Se houver sinais de ideação suicida, autoagressão, violência doméstica ou abuso em curso, o uso deste texto precisa ser acompanhado de orientação profissional adequada e, se necessário, busca imediata de ajuda especializada e apoio comunitário seguro.

Aplicacao pratica para hoje

2 Crônicas 36 traz lições práticas sobre responsabilidade, escolhas e consequências:

  1. Atenção às pequenas desobediências acumuladas
    O texto mostra que o afastamento de Deus é um processo. Decisões repetidas de ignorar o que é justo, verdadeiro e bom endurecem o coração e criam padrões difíceis de quebrar. Reconhecer cedo os próprios desvios, pedir perdão e fazer correções concretas na rotina é mais simples do que tentar reconstruir depois de um colapso.

  2. Valor da correção e da voz profética
    Os mensageiros de Deus são rejeitados, zombados e desprezados. Na prática, isso se traduz em recusar conselhos sábios, feedbacks honestos, alertas de pessoas maduras ou da própria consciência. Desenvolver a humildade de ouvir, ponderar e, quando necessário, mudar de direção evita muito sofrimento.

  3. Integridade em compromissos e alianças
    Zedequias quebra o juramento feito diante de Deus, e isso agrava a situação política e espiritual. Em termos cotidianos, a seriedade com a palavra dada — em contratos, relacionamentos, acordos de trabalho ou família — protege da ruína moral e relacional. Cumprir compromissos, ou, se for necessário romper, fazê-lo com transparência e responsabilidade, é sinal de maturidade.

  4. Responsabilidade coletiva e não só individual
    O capítulo enfatiza reis, sacerdotes e povo. Erros estruturais em liderança, espiritualidade e cultura geram consequências amplas. Isso convida a pensar não apenas em práticas pessoais, mas também em como comunidades, igrejas e instituições podem cultivar justiça, verdade e cuidado mútuo para evitar ciclos coletivos de destruição.

  5. Esperança depois do colapso
    Mesmo após a destruição da cidade e do templo, Deus desperta Ciro para um novo começo. Depois de falhas graves, perdas materiais ou morais, ainda é possível recomeçar com base na graça de Deus. Isso passa por assumir a realidade, aprender com o passado e, com coragem, dar passos de reconstrução — relacionamentos, caráter, finanças, comunidade — confiando que Deus continua agindo na história.

Perguntas frequentes

Quem foram Jeoacaz, Jeoaquim, Joaquim e Zedequias em 2 Crônicas 36?

Eles foram os últimos reis do reino de Judá antes do exílio babilônico. Jeoacaz, filho de Josias, foi escolhido pelo povo, mas deposto pelo faraó Neco do Egito após três meses. No lugar dele, Neco colocou Eliaquim, rebatizado como Jeoaquim, que reinou onze anos e agiu de forma má diante do Senhor. Após Jeoaquim, seu filho Joaquim governou por pouco mais de três meses e também foi deportado para a Babilônia. Por fim, Nabucodonosor colocou Zedequias, tio de Joaquim, como rei, mas ele se rebelou tanto contra Deus quanto contra a Babilônia, contribuindo para a queda definitiva de Jerusalém.

O que significa dizer que o povo zombou dos mensageiros de Deus?

Significa que o povo não apenas ignorou, mas desrespeitou ativamente os profetas e mensageiros que Deus enviava. Eles ridicularizavam as advertências, desprezavam as palavras de Deus e faziam pouco caso dos apelos ao arrependimento. Na prática, tratavam a correção divina como se fosse irrelevante ou motivo de piada. Esse desprezo contínuo pela Palavra de Deus é apresentado como uma das principais razões para o juízo que veio sobre Judá.

O que quer dizer que “não havia mais remédio” para o povo?

A expressão indica que a situação chegou a um ponto em que, diante da recusa persistente em ouvir e se arrepender, não haveria mais intervenção corretiva que evitasse o juízo. Não se trata de limitação no poder de Deus, mas da dureza extrema do povo, que rejeitou todas as oportunidades de mudança. Assim, o juízo por meio da invasão e do exílio torna-se inevitável dentro daquele contexto histórico específico.

Por que a terra precisava “se agradar dos seus sábados” por setenta anos?

A referência aos “sábados” da terra aponta para a prática ordenada na lei de Moisés de deixar a terra descansar em determinados períodos, como no ano sabático. Judá havia negligenciado esses mandamentos por muito tempo. O cronista interpreta os setenta anos de desolação como um período em que a terra finalmente descansa dos usos abusivos, cumprindo simbolicamente os descansos antes ignorados. Isso reforça a ideia de que Deus leva a sério tanto a obediência espiritual quanto o cuidado com a terra e o ritmo da vida do povo.

Qual é a importância do decreto de Ciro no final do capítulo?

O decreto de Ciro é crucial porque marca o início da restauração após o exílio. Ciro, rei da Pérsia, declara que o Senhor, Deus dos céus, lhe deu todos os reinos da terra e o encarregou de reconstruir a casa de Deus em Jerusalém. Ele autoriza e encoraja o povo de Deus a voltar e reconstruir o templo. Isso mostra que Deus continua no controle da história, usa um rei estrangeiro para cumprir Seus propósitos e abre um novo capítulo de esperança para o Seu povo, conectando o fim de Crônicas com o começo do período pós-exílico narrado em Esdras.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Este capítulo carrega um peso emocional profundo: é o relato de uma casa que cai, de uma cidade que arde, de um povo que é arrancado do lugar que conhecia como lar. Há dor na imagem dos jovens, donzelas e idosos sem proteção, na visão do templo destruído e dos tesouros de Deus levados embora. É a descrição do fim de um ciclo longo de resistência ao cuidado de Deus. No meio dessa dor, porém, o texto insiste em algo muito terno: antes de qualquer juízo, Deus “madruga” para falar, envia mensageiros repetidas vezes, movido por compaixão pelo Seu povo e pela Sua habitação. Isso revela um coração divino que não é frio nem indiferente. Ele vê o perigo se aproximando e tenta, de muitas formas, evitar que o desastre aconteça. Quando tudo desaba, não é porque Ele não se importou, mas porque Sua voz foi rejeitada por muito tempo. A sensação de “não há mais remédio” pode ressoar com histórias em que as decisões de alguém levaram a rupturas irreversíveis: relacionamentos que terminaram, perdas materiais, marcações emocionais profundas. Esse texto oferece um espaço para lamentar de verdade, sem minimizar a gravidade do que aconteceu. Ao mesmo tempo, ele deixa claro que o coração de Deus não desiste: após o exílio e as lágrimas, Deus move o coração de Ciro para abrir um caminho de volta. O capítulo termina com a palavra “suba”, como um convite à reconstrução. Em termos emocionais, 2 Crônicas 36 legitima tanto o luto pelas consequências das escolhas passadas quanto a esperança de que Deus ainda é capaz de levantar algo novo das ruínas. A história não termina com a cidade em chamas, mas com a possibilidade de recomeço. Isso fala de um Deus que permanece presente mesmo quando tudo parece ter desmoronado.

Mind
Mind

2 Crônicas 36 funciona como um epílogo teológico da história de Judá. O cronista não apenas relata fatos, mas os interpreta à luz da aliança e das profecias. A sucessão de reis — Jeoacaz, Jeoaquim, Joaquim e Zedequias — é tratada de forma resumida, pois o foco não está em detalhes políticos, e sim na avaliação espiritual: todos, em maior ou menor grau, “fizeram o que era mau aos olhos do Senhor”. O texto sugere que a crise nacional é resultado direto desse afastamento. Um ponto central é a função dos profetas, especialmente Jeremias. Zedequias é descrito como alguém que se recusa a se humilhar diante da palavra profética (v.12). Em seguida, o cronista amplia a lente e mostra que não se trata apenas de um rei, mas de “todos os chefes dos sacerdotes e o povo” (v.14). A rejeição da palavra de Deus é retratada com três ações progressivas: zombar dos mensageiros, desprezar as palavras e mofar dos profetas (v.16). Essa sequência indica uma crescente insensibilidade espiritual, culminando numa situação em que o juízo se torna inadiável. A teologia da história é outro aspecto marcante. Deus é quem “faz subir” o rei dos caldeus contra Judá, e mais tarde quem “desperta” o espírito de Ciro, rei da Pérsia. Isso mostra que, para o cronista, eventos geopolíticos não são meramente dinâmicas humanas: estão sob a direção soberana de Deus. O exílio não é visto apenas como resultado de más decisões políticas, mas como cumprimento de profecias específicas, inclusive o período de setenta anos de desolação, ligado ao descanso sabático da terra (v.21). Por fim, o edito de Ciro (vv. 22–23) serve como ponte literária e teológica para o período pós-exílico. O fato de um rei estrangeiro reconhecer o “Deus dos céus” e ordenar a reconstrução do templo em Jerusalém mostra que Deus continua avançando Seu propósito mesmo através de agentes inesperados. Assim, o capítulo encerra o livro de Crônicas com uma combinação de juízo merecido, fidelidade divina à palavra profética e esperança de restauração, reforçando um dos grandes temas do livro: buscar o Senhor traz vida; resisti-lo persistentemente traz ruína.

Life
Life

A narrativa de 2 Crônicas 36 mostra, em escala nacional, o que muitas vezes acontece na vida pessoal e comunitária: decisões repetidas de desconsiderar advertências levam, cedo ou tarde, a colapsos reais. Os reis são um espelho de lideranças que não ouvem conselhos, se cercam de vozes convenientes e negligenciam responsabilidades. O resultado é instabilidade, perda de credibilidade e, no limite, destruição daquilo que deveria ser cuidado. Esse capítulo chama atenção para a importância de honrar compromissos. Zedequias quebra um juramento feito diante de Deus com Nabucodonosor (v.13), e isso agrava tanto o cenário político quanto o espiritual. Em termos práticos, integridade com a palavra dada — em contratos, sociedades, casamento, acordos familiares — protege relacionamentos e estruturas. A quebra sistemática da confiança corrói tudo ao redor, por mais hábil que alguém pareça ser nas negociações. Outro aspecto importante é a maneira como o povo lida com a correção: zombaria, desprezo, escárnio. Em ambientes de trabalho, família ou igreja, isso aparece quando alguém ri de qualquer tentativa de ajustar o rumo, marca quem adverte como “pessimista” ou “alarmista” e segue como se nada estivesse acontecendo. O texto mostra que ouvir conselhos difíceis é uma das chaves para evitar tragédias evitáveis. O capítulo também fala de consequências que vão além da geração presente: o exílio atinge filhos e netos, e a terra inteira sofre. Isso ressalta a responsabilidade intergeracional das escolhas de hoje — em finanças, ética, espiritualidade, cuidado ambiental e justiça social. Cada decisão tem alcance maior do que parece. Ao mesmo tempo, a parte final do capítulo aponta para uma verdade prática animadora: mesmo depois de um grande colapso, é possível reconstruir. O decreto de Ciro abre espaço para organizar retorno, planejar reconstrução do templo, reorganizar culto e sociedade. Isso, no cotidiano, se traduz em encarar a realidade das perdas, buscar ajuda, reordenar prioridades e, passo a passo, levantar novas estruturas de vida mais alinhadas a Deus e mais saudáveis para todos ao redor.

Soul
Soul

Em 2 Crônicas 36, a questão de fundo é espiritual: o que acontece quando um povo resiste, por longo tempo, à ação de Deus em sua história? O texto mostra que o relacionamento com Deus não é um detalhe lateral, mas o eixo que sustenta tudo: identidade, segurança, propósito. Quando esse eixo é rejeitado, todo o restante se fragiliza, por mais que se tente compensar com alianças políticas e estratégias humanas. O capítulo revela a seriedade da Palavra de Deus. As profecias de Jeremias não são apenas avisos abstratos, mas se cumprem de forma concreta, inclusive no tempo determinado (setenta anos de desolação). Isso ressalta que Deus é fiel àquilo que fala, tanto em promessas quanto em advertências. A espiritualidade bíblica, portanto, não se baseia em sentimentos soltos, mas em ouvir, crer e alinhar a vida ao que Deus diz. Ao narrar a destruição do templo, o livro toca num ponto sensível: o lugar que simbolizava a presença de Deus é queimado. Espiritualmente, isso levanta a questão: o que permanece quando símbolos e estruturas religiosas são abalados? A resposta do próprio texto é que Deus não está limitado ao templo; Ele continua agindo na história, ao ponto de mover o coração de um rei estrangeiro, Ciro, para promover um novo ciclo. A presença de Deus vai com o Seu povo, mesmo no exílio, e prepara o retorno. Essa dinâmica de juízo e restauração aponta para um padrão maior na revelação bíblica. Deus confronta o pecado com seriedade, porque ama profundamente e não compactua com aquilo que destrói suas criaturas. Mas o juízo nunca é o último capítulo. O decreto de Ciro funciona como uma espécie de prenúncio da graça: depois da disciplina, abre-se o caminho para recomeçar, reconstruir o lugar de encontro com Deus e renovar a aliança. Em perspectiva eterna, o capítulo convida a olhar além das ruínas visíveis e enxergar a fidelidade de Deus atravessando gerações. O convite final — “suba” — ecoa como chamado espiritual: levantar-se da dispersão, voltar-se a Deus, participar da reconstrução daquilo que Ele deseja estabelecer. A alma encontra descanso não na estabilidade aparente de reinos humanos, mas na certeza de que Deus governa a história, cumpre Sua palavra e conduz Seu povo, mesmo através de vales de juízo, a um futuro de restauração.

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Versiculos em 2 Crônicas 36

2 Crônicas 36:3

" Porque o rei do Egito o depôs em Jerusalém, e condenou a terra à contribuição de cem talentos de prata e um talento de ouro. "

2 Crônicas 36:4

" E o rei do Egito pôs a Eliaquim, irmão de Jeoacaz, rei sobre Judá e Jerusalém, e mudou-lhe o nome em Jeoiaquim; mas a seu irmão Jeoacaz tomou Neco, e levou-o para o Egito. "

2 Crônicas 36:5

" Tinha Jeoiaquim vinte e cinco anos de idade, quando começou a reinar, e reinou onze anos em Jerusalém; e fez o que era mau aos olhos do Senhor seu Deus. "

2 Crônicas 36:8

" Quanto ao mais dos atos de Jeoiaquim, e as abominações que fez, e o mais que se achou nele, eis que estão escritos no livro dos reis de Israel e de Judá; e Joaquim, seu filho, reinou em seu lugar. "

2 Crônicas 36:9

" Tinha Joaquim a idade de oito anos, quando começou a reinar; e reinou três meses e dez dias em Jerusalém; e fez o que era mau aos olhos do Senhor. "

2 Crônicas 36:10

" E no decurso de um ano enviou o rei Nabucodonosor, e mandou trazê-lo a babilônia, com os mais preciosos vasos da casa do SENHOR; e pôs a Zedequias, seu irmão, rei sobre Judá e Jerusalém. "

2 Crônicas 36:13

" Além disto, também se rebelou contra o rei Nabucodonosor, que o tinha ajuramentado por Deus. Mas endureceu a sua cerviz, e tanto se obstinou no seu coração, que não se converteu ao Senhor Deus de Israel. "

2 Crônicas 36:14

" Também todos os chefes dos sacerdotes e o povo aumentavam de mais em mais as transgressões, segundo todas as abominações dos gentios; e contaminaram a casa do Senhor, que ele tinha santificado em Jerusalém. "

2 Crônicas 36:15

" E o Senhor Deus de seus pais, falou-lhes constantemente por intermédio dos mensageiros, porque se compadeceu do seu povo e da sua habitação. "

2 Crônicas 36:16

" Eles, porém, zombaram dos mensageiros de Deus, e desprezaram as suas palavras, e mofaram dos seus profetas; até que o furor do Senhor tanto subiu contra o seu povo, que mais nenhum remédio houve. "

2 Crônicas 36:17

" Porque fez subir contra eles o rei dos caldeus, o qual matou os seus jovens à espada, na casa do seu santuário, e não teve piedade nem dos jovens, nem das donzelas, nem dos velhos, nem dos decrépitos; a todos entregou na sua mão. "

2 Crônicas 36:18

" E todos os vasos da casa de Deus, grandes e pequenos, os tesouros da casa do SENHOR, e os tesouros do rei e dos seus príncipes, tudo levou para babilônia. "

2 Crônicas 36:19

" E queimaram a casa de Deus, e derrubaram os muros de Jerusalém, e todos os seus palácios queimaram a fogo, destruindo também todos os seus preciosos vasos. "

2 Crônicas 36:20

" E os que escaparam da espada levou para babilônia; e fizeram-se servos dele e de seus filhos, até ao tempo do reino da Pérsia. "

2 Crônicas 36:21

" Para que se cumprisse a palavra do Senhor, pela boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da assolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram. "

2 Crônicas 36:22

" Porém, no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia (para que se cumprisse a palavra do Senhor pela boca de Jeremias), despertou o Senhor o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: "

2 Crônicas 36:23

" Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor Deus dos céus me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá. Quem há entre vós, de todo o seu povo, o Senhor seu Deus seja com ele, e suba. "

Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, entre em contato com o 988 (National Suicide Prevention Lifeline) ou procure ajuda profissional imediata.