2 Crônicas 13 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique 2 Crônicas 13 na sua vida hoje

22 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é 2 Crônicas 13?

2 Crônicas 13 narra a guerra entre Abias, rei de Judá, e Jeroboão, rei de Israel. Mesmo com grande inferioridade numérica, Judá confia no Senhor, preserva o sacerdócio e o culto estabelecido por Deus e experimenta uma vitória impressionante. O capítulo destaca a fidelidade de Deus à aliança com Davi, a seriedade da idolatria e a diferença entre confiar nas próprias forças e depender do Senhor.

Temas principais em 2 Crônicas 13

Fidelidade à aliança de Deus com a casa de Davi (versículos v.1-5)

Abias lembra a Jeroboão que Deus deu a Davi e a seus filhos o reino por uma “aliança de sal”, uma expressão que aponta para permanência e firmeza. A legitimidade do trono de Judá não se baseia apenas em política ou força militar, mas na promessa do Senhor.

Versículos-chave: 4, 5

Idolatria e rejeição do sacerdócio legítimo (versículos v.6-9)

Jeroboão afastou os sacerdotes levitas, instituiu um sistema religioso próprio e ergueu bezerros de ouro como deuses. O texto mostra a gravidade de criar formas de culto independentes da vontade de Deus, substituindo a verdadeira adoração por conveniências humanas.

Versículos-chave: 8, 9

Confiança no Senhor em meio à desvantagem (versículos v.3, 10-16)

Judá enfrenta um exército numericamente muito superior. Mesmo assim, Abias afirma que Deus está com eles e, quando são cercados, o povo clama ao Senhor, os sacerdotes tocam as trombetas e Deus intervém trazendo libertação.

Versículos-chave: 12, 14, 15

Consequências espirituais e históricas da confiança ou rebelião (versículos v.17-20)

Israel é humilhado e sofre enorme derrota, enquanto Judá prevalece porque confiou no Senhor. A narrativa mostra que decisões espirituais produzem efeitos concretos na história, tanto em juízo quanto em livramento.

Versículos-chave: 18, 20

Memória histórica e registro dos atos dos reis (versículos v.21-22)

O capítulo termina apontando para a história do profeta Ido, onde estariam os demais atos de Abias, reforçando a importância da memória escrita para compreender a ação de Deus ao longo das gerações.

Versículos-chave: 22

Contexto histórico e literario

2 Crônicas 13 situa-se no período da monarquia dividida, após a morte de Salomão. O reino unido de Israel havia se dividido em dois: o reino do Norte (Israel), governado por Jeroboão, e o reino do Sul (Judá), governado pelos descendentes de Davi, entre eles Abias, filho de Roboão. Jeroboão, para evitar que o povo de Israel voltasse a Jerusalém para adorar, instaurou um sistema religioso alternativo: bezerros de ouro, altares espalhados e sacerdotes que não eram levitas. Isso foi entendido como uma grave ruptura com a lei dada por Deus a Moisés.

O texto mostra um conflito militar entre Judá e Israel em que a questão não é apenas política, mas profundamente religiosa. O autor de Crônicas, escrevendo séculos depois, provavelmente para a comunidade pós-exílica, enfatiza que a verdadeira segurança de Judá não estava em números ou estratégias, mas na fidelidade à aliança de Deus com Davi, ao templo e ao sacerdócio levítico.

A expressão “aliança de sal” (v.5) reflete um costume antigo em que o sal simbolizava durabilidade e incorruptibilidade. Sal era usado em sacrifícios e em pactos, indicando uma relação firme e estável. Mencionar essa aliança reforça que o reino de Davi tinha uma base espiritual estabelecida pelo próprio Deus.

A derrota de Jeroboão e a humilhação de Israel no texto se alinham com a avaliação teológica dos Cronistas: a idolatria e a ruptura com o culto verdadeiro trazem juízo; a confiança em Deus e o respeito às suas ordenanças trazem livramento e restauração.

Estrutura de 2 Crônicas 13

O capítulo pode ser organizado em quatro grandes movimentos:

1) Introdução histórica e cenário da guerra (v.1-3) - Localização cronológica: ano 18 de Jeroboão, início do reinado de Abias. - Informações breves sobre Abias (duração do reinado, mãe, origem). - Descrição do confronto militar: ambos os lados reúnem grandes exércitos, com clara vantagem numérica para Israel.

2) Discurso teológico de Abias (v.4-12) - Abias sobe ao monte de Zemaraim e faz um discurso público dirigido a Jeroboão e a todo Israel. - Afirma a aliança perpétua de Deus com Davi e seus filhos (v.5). - Denuncia a rebelião de Jeroboão e a formação de um grupo de homens ímpios contra Roboão (v.6-7). - Destaca a idolatria (bezerros de ouro) e a remoção dos sacerdotes e levitas (v.8-9). - Contrasta isso com a fidelidade de Judá ao culto prescrito (v.10-11). - Conclui com um apelo solene: não pelejar contra o Senhor, pois isso não trará prosperidade (v.12).

3) Batalha, clamor e livramento (v.13-18) - Jeroboão arma uma emboscada pelas costas de Judá (v.13). - Judá se vê cercado por todos os lados e reage clamando ao Senhor; os sacerdotes tocam as trombetas (v.14). - O povo de Judá grita, e Deus intervém, ferindo Jeroboão e Israel diante de Abias (v.15). - Há uma grande derrota de Israel, com enorme número de mortos (v.17). - A conclusão teológica: Judá prevaleceu porque confiou no Senhor Deus de seus pais (v.18).

4) Consequências e conclusão do reinado de Abias (v.19-22) - Abias persegue Jeroboão e toma cidades importantes (Betel, Jesana, Efrom) (v.19). - Jeroboão perde poder e, atingido pelo Senhor, morre (v.20). - Abias se fortalece, amplia sua família e sua descendência (v.21). - Referência final à fonte histórica do profeta Ido, onde estão registrados os demais atos de Abias (v.22).

Significado teológico

2 Crônicas 13 aprofunda temas centrais da teologia bíblica relacionados à aliança, ao culto e à soberania de Deus na história.

Em primeiro lugar, o capítulo enfatiza a fidelidade de Deus à aliança com Davi. A expressão “aliança de sal” sugere estabilidade e permanência. Isso não significa que todos os reis de Judá seriam justos, mas que Deus havia escolhido a linhagem de Davi como linha messiânica e como centro de seu plano para o povo. A vitória de Abias, mesmo com suas limitações pessoais, aponta para a fidelidade de Deus à sua própria palavra, mais do que à perfeição dos reis.

Em segundo lugar, a narrativa contrasta o culto verdadeiro com o culto adulterado. O sistema religioso de Jeroboão é apresentado como invenção humana, guiada por conveniência política, e não pela revelação divina. A remoção dos levitas, a instalação de sacerdotes sem critério espiritual e o culto a bezerros de ouro mostram que não basta haver “religião”; é necessário alinhar-se ao que Deus estabeleceu. Crônicas insiste que a adoração segundo a vontade de Deus está ligada ao templo, ao sacerdócio legítimo e à obediência à lei.

Em terceiro lugar, o texto revela que a verdadeira força do povo de Deus está na confiança no Senhor, não em números ou estratégias. Judá, com metade do contingente de Israel, prevalece porque se volta a Deus em meio ao cerco. O clamor, o toque das trombetas e a fé explícita de que Deus está à frente da batalha são elementos que mostram dependência e submissão.

Por fim, o capítulo aponta para a responsabilidade humana diante da revelação divina. Jeroboão e Israel são advertidos a não pelejar contra o Senhor, mas persistem na rebelião. A derrota e a humilhação são descritas como consequência direta dessa postura. A teologia de Crônicas reforça que confiar em ídolos, sistemas religiosos distorcidos ou no próprio poder conduz à ruína, enquanto confiar no Deus da aliança conduz ao livramento e à restauração, preparando o caminho para a esperança messiânica que culminará em Cristo, o Filho de Davi.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Lido em chave terapêutica, 2 Crônicas 13 fala à experiência humana de se sentir em desvantagem, cercado e pressionado por circunstâncias maiores que as próprias forças. A narrativa de Judá, numericamente inferior, cercado por todos os lados e ainda assim experimentando o socorro de Deus, pode ressoar com quem vive sobrecarga emocional, sensação de impotência ou medo do futuro.

O capítulo também toca em feridas ligadas à injustiça e traição. Jeroboão se rebela contra seu senhor, junta homens perversos e aproveita a fragilidade de Roboão. Essa dinâmica reflete situações em que uma pessoa fraca ou inexperiente é explorada por outros mais fortes. O texto reconhece que estruturas desiguais e escolhas injustas existem, mas aponta que Deus continua ativo e capaz de intervir.

Há ainda a dimensão de culpa coletiva e caminhos distorcidos. Israel se envolve com ídolos e um culto fabricado, o que pode dialogar com sistemas familiares ou culturais adoecidos, onde padrões nocivos são normalizados. A ênfase na volta ao culto verdadeiro, na preservação do que Deus estabeleceu, oferece um modelo de reencontro com o eixo central da vida espiritual como fator de reordenação interna.

Por fim, a frase “prevaleceram, porque confiaram no Senhor” funciona como uma síntese terapêutica: diante de medos, perdas e ameaças, o deslocamento da confiança das próprias forças para Deus favorece um senso de segurança mais profundo, que não depende totalmente do controle das circunstâncias.

warning Importante: maus usos comuns

Algumas partes do capítulo podem ser sensíveis para leitores emocionalmente fragilizados. A descrição da guerra, com números elevados de mortos (v.17), pode despertar angústia em pessoas com histórico de trauma, violência, perdas recentes ou ansiedade intensa. A noção de que “Deus feriu” Jeroboão e Israel (v.15, 20) pode ser difícil para quem já associa sofrimento pessoal diretamente a punições divinas, reforçando sentimentos de culpa ou medo religioso distorcido.

Também é importante cuidado com a leitura do contraste entre Judá e Israel. A ideia de que um lado foi humilhado e o outro prevaleceu pode ser interpretada de forma simplista, como se toda derrota humana fosse automaticamente prova de falta de fé. Esse tipo de conclusão pode agravar a dor de quem enfrenta fracassos, doenças ou lutas que não se resolvem rapidamente.

Lido sem discernimento, o texto poderia ser usado para justificar triunfalismo espiritual, ou a sensação de superioridade de um grupo sobre outro, o que tende a alimentar conflitos, culpa tóxica ou exclusão. Leituras terapêuticas saudáveis vão enfatizar a misericórdia e a fidelidade de Deus, a importância da confiança e do retorno ao caminho de Deus, sem transformar sofrimento em condenação automática ou medir a fé apenas por resultados visíveis.

Aplicação prática para hoje

2 Crônicas 13 sugere várias aplicações práticas para a vida cotidiana:

1) Lembrar das promessas de Deus em tempos de crise: Abias encara um inimigo maior lembrando da aliança de Deus com Davi. Em situações de pressão, a memória das promessas bíblicas e da fidelidade de Deus ao longo da história ajuda a enfrentar o medo e a paralisia.

2) Cuidar do “culto” antes da “batalha”: Judá é descrito como zeloso com o serviço do Senhor, os sacrifícios, os sacerdotes e a adoração diária. Em termos práticos, isso aponta para priorizar a vida espiritual – oração, meditação nas Escrituras, comunhão com o povo de Deus – como base para lidar com decisões difíceis, conflitos e desafios.

3) Evitar soluções espirituais convenientes, porém infiéis: Jeroboão cria um sistema religioso mais fácil e controlável, mas distante da vontade de Deus. Hoje, isso pode se traduzir em ajustar princípios bíblicos às conveniências pessoais, relativizar o pecado ou usar a fé apenas como instrumento de interesse próprio. O texto incentiva a alinhar convicções e práticas a Deus, mesmo quando isso exige renúncia.

4) Clamar a Deus quando não há saída humana: Quando Judá percebe que a batalha está pela frente e por trás, não tenta apenas uma manobra militar, mas clama ao Senhor e se apoia no ministério dos sacerdotes. Em situações em que as opções parecem esgotadas, o texto aponta a importância de buscar a Deus com sinceridade, reconhecer a própria limitação e depender da intervenção divina.

5) Reconhecer a dimensão espiritual das escolhas: A derrota de Israel e a vitória de Judá são interpretadas como resultado de posicionamentos espirituais, não apenas estratégicos. Isso orienta a perceber que decisões morais, relacionais e profissionais têm repercussões que vão além do imediato, reforçando a responsabilidade de escolher caminhos que honrem a Deus.

Perguntas frequentes

O que significa a expressão "aliança de sal" em 2 Crônicas 13:5?

A expressão “aliança de sal” remete ao uso do sal em pactos e sacrifícios no mundo antigo. O sal simbolizava durabilidade, preservação e incorruptibilidade. Falar de uma aliança de sal é enfatizar sua firmeza e permanência. Em 2 Crônicas 13:5, essa expressão sublinha que o Senhor estabeleceu com Davi e seus filhos um compromisso estável de reinar sobre Israel, apontando para a fidelidade de Deus à sua promessa.

Por que Jeroboão é retratado de forma tão negativa neste capítulo?

Jeroboão é apresentado de forma negativa porque liderou uma ruptura dupla: política e espiritual. Ele se rebelou contra a casa de Davi e também contra o culto estabelecido por Deus. Ao expulsar sacerdotes e levitas, levantar bezerros de ouro e criar um sacerdócio próprio, Jeroboão afastou o povo do centro da adoração verdadeira. O autor de Crônicas avalia essa atitude como grave infidelidade, por isso insiste em mostrar as consequências dessa rebelião.

Como Judá venceu a batalha mesmo com um exército menor?

O texto destaca que a vitória de Judá não se explica apenas por fatores militares. Israel tinha o dobro de soldados, e ainda organizou uma emboscada. A chave da narrativa é teológica: diante do cerco, Judá clama ao Senhor, os sacerdotes tocam as trombetas, e Deus intervém, ferindo Jeroboão e Israel. O versículo 18 resume: “os filhos de Judá prevaleceram, porque confiaram no Senhor Deus de seus pais”. A vitória é atribuída à ação divina em resposta à confiança e fidelidade de Judá.

O grande número de mortos em 2 Crônicas 13:17 deve ser entendido literalmente?

O texto menciona quinhentos mil homens escolhidos caídos de Israel, um número muito elevado. Alguns estudiosos entendem esse número como hiperbólico ou como uso de formas antigas de contagem, o que pode dificultar uma leitura literal moderna. Outros defendem que o autor quis enfatizar, por meio desse dado, a grandeza da derrota. Em qualquer caso, o foco principal de Crônicas não está na estatística exata, mas em mostrar a seriedade da rebelião contra Deus e o impacto da intervenção divina.

Quem foi o profeta Ido mencionado em 2 Crônicas 13:22?

O profeta Ido é citado em Crônicas como autor de registros históricos ou proféticos relacionados aos reinados de Salomão, Roboão e Abias. Pouco se sabe sobre ele além dessas referências. Sua menção indica que o autor de Crônicas teve acesso a fontes anteriores, combinando relatos históricos e teológicos para compor a narrativa. Isso reforça que os acontecimentos descritos eram parte de uma memória mais ampla do povo de Israel.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

2 Crônicas 13 mostra um povo em clara desvantagem, cercado por todos os lados, mas que escolhe clamar ao Senhor em vez de se entregar ao desespero. A cena de Judá olhando para frente e para trás, percebendo que a batalha vinha de todos os lados, reflete o sentimento de quem se vê pressionado por problemas simultâneos, sem saída aparente. O texto não nega a ameaça, nem minimiza a dor, mas inclui um momento decisivo: o clamor ao Senhor e o som das trombetas dos sacerdotes. A narrativa também reconhece o peso das injustiças. Roboão havia sido fraco, Jeroboão se aproveitou disso, homens perversos se juntaram a ele. As feridas causadas por lideranças falhas e por decisões erradas têm efeitos reais. Mesmo assim, a mensagem que emerge é que Deus não abandona seu povo quando ele se volta para Ele, mesmo depois de histórias complicadas. A fidelidade de Deus à aliança com Davi mostra que a última palavra não é dada pelos erros humanos, mas pela graça que persiste ao longo das gerações. Ao descrever Judá como vitorioso porque confiou no Senhor, o capítulo sinaliza uma verdade consoladora: o amor e o cuidado de Deus não dependem de forças perfeitas, de números favoráveis ou de um passado impecável. Ele se faz presente no meio da fragilidade, responde ao clamor sincero e sustenta quando o medo aperta por todos os lados. Para corações cansados, essa história oferece um lembrete terno de que, mesmo em cenários que parecem perdidos, há um Deus que ouve, vê e continua fiel à sua palavra.

Mind
Mind

2 Crônicas 13 é uma peça teológica cuidadosamente construída. O autor não se limita a relatar uma batalha, mas interpreta o conflito à luz da aliança davídica e da teologia do culto. O discurso de Abias funciona como chave interpretativa: ele relembra a “aliança de sal” com Davi, denuncia a rebelião de Jeroboão e ressalta a fidelidade de Judá ao culto legítimo – sacerdotes levitas, sacrifícios diários, pão da proposição, castiçal aceso. Tudo isso aponta para a centralidade do templo e do sacerdócio como sinais visíveis da aliança. O contraste entre Judá e Israel é marcante. Jeremias e Reis já haviam criticado Jeroboão por “fazer Israel pecar” com os bezerros e os altares. Crônicas retoma essa crítica, acrescentando um olhar pós-exílico: a comunidade que retorna do cativeiro precisa compreender que a infidelidade ao culto e à aliança levou à ruína, e que o caminho da restauração passa por uma volta às ordenanças do Senhor. A vitória de Abias, mesmo como um rei que não é idealizado em outras narrativas, é usada aqui para ilustrar a tese de que a confiança em Deus e a fidelidade cultual têm impacto concreto. Narrativamente, o cerco e a emboscada de Jeroboão intensificam a tensão. A resposta de Judá – clamor e trombetas sacerdotais – ecoa práticas litúrgicas ligadas à guerra santa no Antigo Testamento, onde o Senhor é o verdadeiro guerreiro. A declaração final de que Judá prevaleceu “porque confiaram no Senhor Deus de seus pais” resume a hermenêutica do autor: por trás de números, estratégias e movimentos militares, está a mão soberana de Deus, que honra sua palavra e julga a idolatria. Assim, o capítulo serve não apenas como relato histórico, mas como ensino sobre como ler a própria história à luz da aliança e da fidelidade divina.

Life
Life

O cenário de 2 Crônicas 13 é intensamente prático: dois reinos em conflito, decisões políticas arriscadas, lideranças com motivações diferentes. Abias e Jeroboão representam dois modos de conduzir a vida e as responsabilidades. Jeroboão monta estruturas convenientes, afastando quem poderia constrangê-lo espiritualmente (sacerdotes e levitas) e criando um sistema adaptado a seus interesses. Na prática, isso se parece muito com escolhas cotidianas que ignoram princípios por conveniência, buscando soluções rápidas sem considerar as consequências espirituais e morais. Abias, por outro lado, apela para algo mais sólido: a promessa de Deus e o compromisso com o culto. Ainda que ele não seja um modelo perfeito em toda a sua biografia, a narrativa enfatiza que, naquele momento, ele escolhe se posicionar a partir do que Deus já havia estabelecido. Quando a pressão aumenta e a emboscada é revelada, o texto mostra Judá clamando ao Senhor e deixando os sacerdotes agirem de acordo com a função deles. Isso ilustra uma postura prática: em vez de agir apenas por impulso nas crises, buscar apoio em pessoas e práticas que reforcem a direção de Deus. O resultado – vitória e fortalecimento – não significa que toda situação difícil terá desfecho imediato e visivelmente favorável, mas aponta para um princípio: construir a vida em cima da fidelidade de Deus e da obediência à sua vontade é um caminho mais seguro do que apoiar-se em atalhos e autossuficiência. Em termos de trabalho, família e decisões importantes, o capítulo incentiva a priorizar a integridade, manter proximidade com vozes espiritualmente responsáveis e reagir às pressões não apenas com estratégia, mas também com dependência consciente do Senhor.

Soul
Soul

2 Crônicas 13 convida a ler a história com olhos voltados para a eternidade. O foco não está apenas em quem ganhou a guerra, mas em quem se alinhou com o Deus da aliança. A “aliança de sal” com Davi aponta para algo que ultrapassa aquele momento: Deus está conduzindo a história para cumprir seus propósitos, preservando uma linhagem da qual viria o Messias, o verdadeiro Rei eterno. O conflito entre Judá e Israel, nesse sentido, faz parte de um cenário maior em que Deus afirma que sua promessa não pode ser anulada por rebeliões humanas. A diferença entre o culto verdadeiro e o culto aos bezerros de ouro também tem uma dimensão de eternidade. Não se trata só de rituais, mas de quem ocupa o centro da confiança do coração. Israel se apoia em deuses fabricados; Judá declara que “o Senhor é nosso Deus, e nunca o deixamos”. Essa escolha revela uma orientação de alma: entregar-se ao Deus vivo ou a substitutos que não salvam. No horizonte bíblico mais amplo, essa decisão aponta para a necessidade de um coração indiviso, que reconhece em Deus, e finalmente em Cristo, a única fonte de salvação e esperança última. Quando o texto afirma que Judá prevaleceu porque confiou no Senhor, ele antecipa uma verdade espiritual profunda: a vitória que realmente importa é a que nasce da fé. Mesmo que, ao longo da vida, existam derrotas temporárias, perdas e sofrimentos, o chamado é para uma confiança que se ancora na fidelidade de Deus e na certeza de que sua promessa culmina na vida eterna. Assim, 2 Crônicas 13 não fala apenas de uma batalha antiga, mas do convite contínuo para alinhar o coração com o Rei da aliança, participando de um reino que não será abalado.

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Versículos em 2 Crônicas 13

2 Crônicas 13:2

" Três anos reinou em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Micaía, filha de Uriel de Gibeá; e houve guerra entre Abias e Jeroboão. "

2 Crônicas 13:3

" E Abias ordenou a peleja com um exército de valentes guerreiros, quatrocentos mil homens escolhidos; e Jeroboão dispôs contra ele a batalha com oitocentos mil homens escolhidos, todos homens corajosos. "

2 Crônicas 13:4

" E pôs-se Abias em pé em cima do monte de Zemaraim, que está na montanha de Efraim, e disse: Ouvi-me, Jeroboão e todo o Israel: "

2 Crônicas 13:5

" Porventura não vos convém saber que o Senhor Deus de Israel deu para sempre a Davi a soberania sobre Israel, a ele e a seus filhos, por uma aliança de sal? "

2 Crônicas 13:7

" E ajuntaram-se a ele homens vadios, filhos de Belial; e fortificaram-se contra Roboão, filho de Salomão, sendo Roboão ainda jovem, e terno de coração, e não lhes podia resistir. "

2 Crônicas 13:8

" E agora julgais que podeis resistir ao reino do Senhor, que está na mão dos filhos de Davi, visto que sois uma grande multidão, e tendes convosco os bezerros de ouro que Jeroboão vos fez para deuses. "

2 Crônicas 13:9

" Não lançastes vós fora os sacerdotes do Senhor, os filhos de Arão, e os levitas, e não fizestes para vós sacerdotes, como os povos das outras terras? Qualquer que vem a consagrar-se com um novilho e sete carneiros logo se faz sacerdote daqueles que não são deuses. "

2 Crônicas 13:10

" Porém, quanto a nós, o Senhor é nosso Deus, e nunca o deixamos; e os sacerdotes que ministram ao Senhor são filhos de Arão, e os levitas se ocupam na sua obra. "

2 Crônicas 13:11

" E queimam ao Senhor cada manhã e cada tarde holocaustos, incenso aromático, com os pães da proposição sobre a mesa pura, e o castiçal de ouro, e as suas lâmpadas para se acenderem cada tarde, porque nós temos cuidado do serviço do Senhor nosso Deus; porém vós o deixastes. "

2 Crônicas 13:12

" E eis que Deus está conosco, à nossa frente, como também os seus sacerdotes, tocando com as trombetas, para dar alarme contra vós. Ó filhos de Israel, não pelejeis contra o Senhor Deus de vossos pais; porque não prosperareis. "

2 Crônicas 13:13

" Mas Jeroboão armou uma emboscada, para dar sobre eles pela retaguarda; de maneira que estavam em frente de Judá e a emboscada por detrás deles. "

2 Crônicas 13:14

" Então Judá olhou, e eis que tinham que pelejar por diante e por detrás; então clamaram ao Senhor; e os sacerdotes tocaram as trombetas. "

2 Crônicas 13:15

" E os homens de Judá gritaram; e sucedeu que, gritando os homens de Judá, Deus feriu a Jeroboão e a todo o Israel diante de Abias e de Judá. "

2 Crônicas 13:17

" De maneira que Abias e o seu povo fizeram grande matança entre eles; porque caíram feridos de Israel quinhentos mil homens escolhidos. "

2 Crônicas 13:18

" E foram humilhados os filhos de Israel naquele tempo; e os filhos de Judá prevaleceram, porque confiaram no Senhor Deus de seus pais. "

2 Crônicas 13:19

" E Abias perseguiu Jeroboão; e tomou-lhe a Betel com os lugares da sua jurisdição, e a Jesana com os lugares da sua jurisdição, e a Efrom com os lugares da sua jurisdição. "

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