Levítico 17:1
" Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: "
Entenda os temas principais e aplique Levítico 17 na sua vida hoje
16 versículos | Almeida Corrigida Fiel
O povo é instruído a não sacrificar animais em qualquer lugar, mas a trazê-los à tenda da congregação. Isso protege a pureza do culto e impede práticas religiosas paralelas fora da presença de Deus.
Deus deixa claro que os israelitas não devem mais oferecer sacrifícios a demônios, linguagem que denuncia a infidelidade espiritual e associa práticas pagãs à prostituição religiosa.
Versículos-chave: 7
O sangue é apresentado como portador da vida e como elemento dado por Deus para expiação no altar, por isso comer sangue é proibido e traz séria consequência espiritual.
Quem comer animal morto ou dilacerado fica impuro até a tarde e deve lavar as vestes e o corpo, mostrando que até práticas comuns, como alimentar-se, são reguladas pela santidade de Deus.
Levítico 17 está inserido no chamado “Código de Santidade” (Levítico 17–26), um conjunto de leis que visam formar Israel como um povo santo, distinto das nações vizinhas. Israel vivia em meio a povos que praticavam sacrifícios em diversos lugares, frequentemente ligados a cultos idólatras e rituais de fertilidade. A ordem de levar todos os sacrifícios à tenda da congregação era uma forma de centralizar o culto, supervisioná-lo pelo sacerdócio e evitar a contaminação com práticas pagãs.
A referência a sacrifícios oferecidos “sobre a face do campo” indica que havia o costume de matar animais fora do sistema sacrificial prescrito, possivelmente em altares improvisados ou em rituais familiares. Deus transforma até a matança de animais em um ato relacionado à Sua presença, lembrando constantemente o povo de que a vida vem dEle.
A proibição de comer sangue era comum em diversas culturas antigas, mas aqui recebe fundamento teológico claro: o sangue contém a vida e foi reservado por Deus para o uso específico de expiação no altar. Assim, não é apenas uma prática alimentar, mas uma afirmação de que o perdão e a reconciliação pertencem a Deus e são mediadas da forma que Ele determina.
A menção constante aos estrangeiros que peregrinam em Israel mostra que essas leis não valiam somente para os nascidos israelitas. Qualquer um que vivesse dentro da comunidade da aliança devia respeitar as mesmas normas de culto e pureza, refletindo a unidade do povo sob o mesmo Deus e o mesmo padrão de santidade.
Levítico 17 apresenta uma estrutura legal clara, com repetições típicas do estilo sacerdotal, reforçando a autoridade divina e o caráter permanente dos estatutos:
Introdução e autoridade da ordenança (17:1-2)
Proibição de abate e sacrifício fora da tenda da congregação (17:3-6)
Condenação de sacrifícios a demônios e estatuto perpétuo (17:7)
Reforço da centralização sacrificial para israelitas e estrangeiros (17:8-9)
Proibição de comer sangue e fundamento teológico (17:10-14)
Regulamentos sobre carne de animal morto ou dilacerado (17:15-16)
O capítulo avança do geral (autoridade divina e centralização do culto) para o específico (proibições alimentares e rituais de purificação), amarrando tudo com a ênfase na vida que está no sangue e na necessidade de manter a comunidade santa diante de Deus.
Levítico 17 traz verdades teológicas fundamentais para compreender a relação entre vida, sangue, expiação e santidade.
Deus como fonte e dono da vida A afirmação “a vida da carne está no sangue” estabelece um princípio: a vida pertence a Deus. O sangue, como símbolo dessa vida, não pode ser usado de maneira trivial. Ao reservar o sangue para o altar, Deus reivindica o direito sobre a vida de Suas criaturas e mostra que apenas Ele define como a vida é oferecida, preservada ou resgatada.
O sangue como meio de expiação O texto explica que Deus deu o sangue “sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas”. Expiação é a remoção ou cobertura da culpa e da impureza que se interpõem entre Deus e as pessoas. O sangue derramado no sacrifício substitui a vida do pecador; uma vida é dada em lugar de outra. Esse princípio sacrificial prepara o entendimento da obra redentora que seria plenamente revelada mais adiante, onde o sangue derramado de forma perfeita e definitiva traria reconciliação plena.
Santidade do culto e rejeição da idolatria Ao exigir que todos os sacrifícios sejam feitos apenas diante do tabernáculo, Deus protege o povo de rituais mistos, sincretismo e sacrifícios privados contaminados por práticas pagãs. A referência a demônios mostra que a idolatria não é neutra: é um desvio espiritual profundo, uma ruptura com a fidelidade a Deus. A centralização do culto é uma forma de guardar a pureza da adoração e a identidade do povo como exclusivamente de Deus.
Comunidade santa e disciplina espiritual A expressão “será extirpado do seu povo” aparece várias vezes, indicando que a participação na comunidade da aliança depende de submissão às ordens divinas. A santidade aqui não é apenas interna, mas visível em práticas concretas: onde se sacrifica, como se trata o sangue, o que se come e como se lida com a impureza. Isso mostra que a fé bíblica envolve corpo, hábitos e costumes, não só ideias ou sentimentos.
Responsabilidade pessoal diante da impureza As instruções sobre comer animal morto ou dilacerado ensinam que a impureza exige resposta: lavar as vestes, banhar-se, aguardar até a tarde. Quem ignora essas orientações “levará sobre si a sua iniquidade”. Há um chamado à responsabilidade pessoal em lidar com tudo o que contamina, reconhecendo o impacto disso no relacionamento com Deus e com a comunidade.
Em conjunto, Levítico 17 revela um Deus que governa os detalhes da vida diária do seu povo, conectando culto, alimentação e pureza à grande realidade da expiação e da santidade.
Levítico 17, apesar de legal e ritual, dialoga com dimensões emocionais e psicológicas importantes, como pertencimento, limites saudáveis e respeito à vida.
A centralização do culto na tenda da congregação oferece um eixo comum para o povo. Em termos emocionais, isso cria senso de unidade, segurança e identidade: há um lugar definido para encontrar Deus e lidar com culpa, medo e falhas. A clareza de procedimentos reduz confusão e ansiedade, especialmente diante da consciência de pecado.
A ênfase na santidade do sangue como símbolo de vida reforça uma visão de profundo respeito pela existência, combatendo atitudes de banalização da morte ou da violência. Isso pode apoiar uma ética de cuidado e proteção, especialmente em contextos onde a vida é tratada como descartável.
A proibição de sacrifícios a demônios e de práticas idólatras rompe com padrões espirituais destrutivos que aprisionam emocionalmente. A idolatria frequentemente se associa a medos, culpas e exigências impossíveis; a chamada de Deus para um culto puro pode ser vista como libertação de vínculos espirituais opressores.
As leis de pureza relacionadas a comer carne impura, lavar as vestes e banhar-se também comunicam, simbolicamente, que contaminações podem ser tratadas, que a impureza não é destino final. Há uma pedagogia da restauração: mesmo depois de contato com o que é impuro, existe caminho para ser considerado limpo novamente.
O tom do capítulo, com advertências sérias e até sanções como ser “extirpado do povo”, também reflete o peso dado às escolhas individuais dentro da comunidade. Do ponto de vista terapêutico, isso evidencia que ações têm consequências e que a saúde espiritual e comunitária depende de responsabilidade e limites claros.
Algumas leituras de Levítico 17 podem gerar tensões emocionais ou espirituais se forem entendidas de forma distorcida.
Medo exagerado de Deus As expressões de juízo, como “porei a minha face contra aquela alma” e “será extirpado do seu povo”, podem ser interpretadas como rejeição absoluta e imediata, gerando visão rígida e aterrorizante de Deus. É importante ler essas advertências dentro do quadro maior da aliança, da misericórdia e do propósito de preservar a santidade do povo, não como ameaças arbitrárias.
Culpa patológica ligada à pureza As leis sobre impureza ritual podem ser confundidas com impureza moral intrínseca da pessoa, levando a sentimentos de vergonha intensa ou nojo de si mesmo. O texto trata de categorias específicas de pureza ligadas ao culto e não afirma que quem se torna impuro é necessariamente mal em sua essência. Além disso, há caminhos de purificação, o que aponta para restauração.
Uso legalista em contextos modernos Aplicar literalmente todas essas práticas rituais a situações atuais, ignorando o desenvolvimento posterior da revelação bíblica, pode gerar legalismo, medo e controle espiritual excessivo. O foco terapêutico deve estar nos princípios subjacentes (respeito à vida, santidade, rejeição da idolatria), não em reconstruir o sistema sacrificial antigo.
Intolerância e exclusão religiosa O trecho sobre ser “extirpado do povo” pode ser usado como justificativa para exclusões duras e sem amor em comunidades religiosas. A disciplina bíblica, porém, tem como alvo a restauração, não a destruição da pessoa. Leituras que promovem perseguição ou humilhação fogem da intenção de formação de um povo santo e cuidadoso.
Nesses pontos sensíveis, o texto precisa ser lido com atenção ao contexto maior das Escrituras, que enfatizam a misericórdia, o chamado ao arrependimento e o desejo de Deus de reconciliar, não apenas punir.
Levítico 17 inspira algumas aplicações práticas importantes, mesmo em um contexto onde o sistema sacrificial antigo não está mais em vigor.
Cuidar da pureza da adoração O princípio de não sacrificar em qualquer lugar, nem de qualquer jeito, aponta para a importância de uma adoração centrada em Deus, não misturada com práticas e valores que o negam. Isso se traduz hoje em avaliar motivações, prioridades e influências na vida espiritual, evitando transformar culto em espetáculo, interesse pessoal ou mistura acrítica com padrões contrários ao caráter de Deus.
Rejeitar formas modernas de idolatria O texto denuncia sacrifícios a demônios, associados à prostituição espiritual. Hoje, isso pode ser visto na entrega do coração a poderes, sistemas, desejos ou pessoas que ocupam o lugar que pertence a Deus. O capítulo convida a reconhecer e romper com compromissos internos que competem com a fidelidade ao Senhor.
Honrar e proteger a vida A ênfase na vida que está no sangue inspira ética de cuidado com o corpo, a saúde e a dignidade humana. Isso inclui postura contra violência gratuita, exploração, injustiça e desprezo pela vida, especialmente dos mais vulneráveis.
Levar a sério as consequências das escolhas A repetição de que quem desobedece “será extirpado do povo” lembra que decisões pessoais têm impacto comunitário. Em termos práticos, isso convida a considerar como hábitos, vícios e posturas espirituais afetam família, igreja e sociedade, e a assumir responsabilidade pelas próprias ações.
Tratar a impureza com seriedade e esperança As instruções de lavar as vestes, banhar-se e esperar até a tarde ensinam que situações de contaminação exigem passos concretos para restauração. No cotidiano, isso pode significar reconhecer erros, buscar ajuda, ajustar hábitos, reparar danos e adotar práticas que favoreçam limpeza moral e espiritual.
Ver Deus nas rotinas diárias Até o abate de animais e a caça são regulados por Deus, mostrando que não há área neutra da vida. Trabalho, alimentação, lazer e relações podem ser vividos diante de Deus, com consciência de Sua presença e de Seus valores, transformando o ordinário em espaço de fidelidade.
A proibição protegia a pureza do culto e combatia a idolatria. Ao exigir que todo sacrifício fosse levado à porta da tenda da congregação, Deus centralizava a adoração sob a supervisão do sacerdócio e afastava o povo de altares privados, improvisados e facilmente misturados com práticas pagãs. Assim, o sacrifício se tornava ato público de fidelidade ao Senhor, e não ritual isolado, sem controle espiritual.
A expressão aponta para práticas idolátricas em que o povo se envolvia com divindades estrangeiras, que aqui são descritas como demônios. A idolatria é vista como prostituição espiritual, um afastamento do relacionamento exclusivo com Deus. Ao proibir esses sacrifícios, o texto denuncia que não há neutralidade nessas práticas religiosas: servir outros deuses é aliança com poderes espirituais contrários ao Senhor.
Porque, segundo o próprio texto, a vida da carne está no sangue, e Deus reservou o sangue para um uso sagrado: fazer expiação pelas almas no altar. Comer sangue significaria tratar de forma comum aquilo que Deus separou para um propósito santo, banalizando o símbolo da vida e do perdão. A proibição reafirma que Deus é o Senhor da vida e que a reconciliação com Ele acontece da maneira que Ele determina.
Ser extirpado do povo significa ser excluído da comunidade da aliança, perdendo os privilégios e a proteção ligados à pertença ao povo de Deus. Essa linguagem mostra a seriedade de desobedecer às ordens que sustentam a santidade coletiva. A ruptura não é apenas social, mas tem dimensão espiritual, pois expressa afastamento da ordem que Deus estabeleceu para que o povo vivesse na Sua presença.
Comer animal que morreu por si ou foi dilacerado envolvia maior risco de contaminação e contato com sangue fora do contexto sacrificial. As regras que exigem lavar as vestes, banhar-se e considerar-se impuro até a tarde tinham função de proteção sanitária e, principalmente, pedagógica: ensinar que o povo devia lidar com cuidado com tudo que envolvia morte e impureza, respeitando a santidade de Deus e a sua própria condição de povo separado.
Levítico 17 revela um Deus profundamente atento, que entra até nos detalhes mais concretos da vida do povo para protegê-lo. Ao ler esse capítulo, pode surgir a impressão de um rigor pesado, mas também aparece um cuidado firme: Deus não deixa o povo solto, sem direção, em um mundo cheio de práticas destrutivas e confusas. Quando o texto fala da vida que está no sangue, toca num ponto delicado: a vida é preciosa demais para ser tratada como algo comum. Para corações feridos, isso é um lembrete consolador de que Deus vê cada existência com tremendo valor. Nada daquilo que pertence à vida é irrelevante para Ele. O cuidado com o sangue, com o que é puro e impuro, diz que Deus leva a sério o que machuca, contamina e pesa sobre a alma. As advertências duras sobre ser extirpado do povo também apontam para a importância de pertencer. A comunidade não é descartável, e o vínculo com Deus e com o povo tem peso real. Em meio a sentimentos de solidão ou de não pertencimento, esse capítulo mostra que Deus pensa a vida em termos de povo, de comunhão, de partilha de fé e de limites que protegem. Há, ainda, um fio de esperança: mesmo quando alguém se torna impuro ao comer o que não deveria, existe um caminho de retorno – lavar as vestes, banhar-se, esperar até a tarde. Impureza não é sentença definitiva, mas situação que pode ser tratada. Para quem carrega culpa ou sensação de “estar sujo por dentro”, esse detalhe sutil revela um Deus que prepara caminhos de limpeza e restauração, não apenas de condenação. No fundo, Levítico 17 fala de um Deus que não é distante, mas que se aproxima dos aspectos mais básicos da existência – comida, sangue, morte, comunidade – para dizer que a vida não está fora de Seu cuidado amoroso.
Do ponto de vista exegético, Levítico 17 marca o início do bloco conhecido como Código de Santidade (Levítico 17–26), onde o tema da santidade perpassa normas éticas, cultuais e sociais. Este capítulo funciona como uma ponte entre as leis sacrificiais iniciais e as exigências de santidade mais amplas que virão a seguir. O primeiro eixo é a centralização do culto. A proibição de matar animais para sacrifício fora da tenda da congregação (17:3–4) e a ordem de trazê-los ao sacerdote (17:5–6) visam eliminar altares locais e práticas sacrificiais não reguladas. Esse movimento se liga à necessidade de distinguir Israel das religiões cananeias, onde sacrifícios eram oferecidos em diversos “lugares altos” e associados a prostituição cultual. O verso 7 deixa explícita a dimensão polemica: os sacrifícios “aos demônios” revelam uma leitura espiritualizada dos ídolos, entendidos aqui como poderes pessoais malignos. O segundo eixo é a proibição de consumir sangue (17:10–14), acompanhada de fundamentação teológica rara em leis rituais: “Porque a vida da carne está no sangue” e “é o sangue que fará expiação pela alma”. Essa é uma chave interpretativa para todo o sistema sacrificial. O sangue possui função representativa: ele simboliza e carrega a vida da vítima, que é oferecida vicariamente em favor do pecador. A reserva do sangue para o altar demarca a fronteira entre o sagrado e o comum. Comer sangue significaria contrariar a destinação que Deus lhe deu, abolindo, em termos simbólicos, a necessidade de expiação mediada. A inclusão dos estrangeiros (17:8, 10, 12, 13, 15) é notável. As normas aqui não são apenas identitárias para um grupo étnico, mas definidoras de pertencimento religioso dentro da comunidade israelita. Quem reside em Israel deve submeter-se ao mesmo padrão de pureza e culto. Isso reforça a função teológica da terra e do povo como espaço consagrado. O material sobre animais mortos ou dilacerados (17:15–16) se conecta ao tema já estabelecido do sangue e da impureza. Comer tais animais implica contato com sangue e morte fora do enquadramento cultual. A solução ritual (lavar, banhar-se, impureza temporária) demonstra que nem toda impureza é pecado deliberado, mas todas devem ser levadas a sério. Em síntese, Levítico 17 estrutura a vida de Israel ao redor de três grandes noções: (1) culto centralizado e exclusivista ao Senhor; (2) sangue como portador da vida e instrumento de expiação; (3) comunidade organizada por uma teologia da santidade que integra culto, alimentação e pureza. Esses elementos serão essenciais para compreender, mais adiante, releituras teológicas da expiação e da santificação nas demais partes das Escrituras.
Lendo Levítico 17 sob um olhar prático, o texto mostra como Deus organiza a vida diária do povo para protegê-lo de escolhas que, pouco a pouco, destruiriam sua identidade e sua convivência. A exigência de trazer todo sacrifício à tenda da congregação, e não fazer isso de qualquer jeito, reflete um princípio aplicável a muitas áreas: questões importantes não devem ser tratadas de forma privada, desregulada e improvisada. Assim como o sacrifício precisava passar pelo sacerdote, decisões e práticas que afetam família, fé e comunidade pedem critérios, acompanhamento e responsabilidade compartilhada. Evita-se, assim, que cada um construa sua própria versão de espiritualidade ou ética, desconectada da orientação de Deus. O combate aos sacrifícios “aos demônios” expõe um risco atual: a tendência de negociar valores fundamentais em troca de vantagens, aceitação ou satisfação imediata. A idolatria nem sempre assume forma religiosa explícita; pode aparecer em compromissos profissionais, relacionamentos, dinheiro ou status, nos quais se abre mão de princípios essenciais. Levítico 17 lembra que nem todo “sacrifício” vale a pena, e que alguns custos espirituais são altos demais. A ênfase no sangue como símbolo da vida convida a revisar a forma como se lida com o próprio corpo e com o corpo do outro. Práticas destrutivas, abuso, excesso, negligência com saúde ou com segurança banalizam a vida que Deus valoriza. Em termos concretos, isso pode significar hábitos mais responsáveis com alimentação, descanso, consumo de substâncias e cuidado com ambientes de risco. As leis sobre impureza ao comer animais mortos ou dilacerados ilustram que nem tudo o que está “ao alcance da mão” deve ser consumido. Em linguagem de hoje, ressalta-se a importância de filtrar o que se coloca para dentro, seja alimento físico, seja conteúdo emocional e mental: notícias, entretenimento, conversas, ambientes. Certas exposições exigem “lavar as vestes” – rever rotinas, limitar influências, descansar de contextos que adoecem. Por fim, a ideia de que quem ignora as orientações “levará sobre si a sua iniquidade” ressalta o princípio da responsabilidade pessoal. Ainda que existam fatores externos, o texto insiste que escolhas têm retorno. Isso não anula graça, perdão ou apoio, mas impede terceirizar permanentemente as consequências. Para a vida prática, isso incentiva postura mais consciente diante de decisões que envolvem fé, corpo, família e comunidade.
Levítico 17 abre uma janela profunda para realidades espirituais que tocam o coração da fé: a vida, o sangue e a expiação. Ao afirmar que “a vida da carne está no sangue” e que o sangue é dado “para fazer expiação pelas vossas almas”, o capítulo coloca a questão central de como seres humanos, marcados por pecado e impureza, podem viver em comunhão com um Deus santo. Espiritualmente, o texto mostra que a vida não é autônoma. Ela não nasce, não se sustenta e não se cura sozinha. O sangue derramado no altar aponta para a necessidade de substituição: uma vida é oferecida por outra, para que a culpa não destrua definitivamente a relação com Deus. Esse padrão sacrificial prepara o entendimento de que o caminho de volta à presença divina não é construído por mérito humano, mas por uma vida entregue em favor de outras. A proibição de consumir sangue sublinha que o ser humano não controla a vida a seu bel-prazer. A vida é dom, não propriedade absoluta. Em termos espirituais, isso desmonta a ilusão de autossuficiência e convida a reconhecer dependência: a existência, o perdão e o futuro estão nas mãos de Deus. O sangue reservado para o altar ensina que a reconciliação não é manipulável; ela acontece de acordo com a vontade do próprio Deus, que define o modo de se aproximar dEle. Ao mesmo tempo, o combate à idolatria revela que o coração humano tende a dispersar sua lealdade. Sacrifícios a demônios são o símbolo de um desvio interior profundo: quando o centro da vida espiritual não é mais o Deus verdadeiro, mas outros poderes, expectativas ou medos. A santidade exigida aqui não é apenas comportamental, mas de adoração exclusiva. A alma é chamada a uma fidelidade indivisa, onde não se reparte o altar interno entre Deus e outros senhores. As orientações sobre impureza e a necessidade de se lavar, banhar-se e aguardar até a tarde trazem lição importante para a formação espiritual: a vida com Deus inclui ritmos de purificação, confissão, arrependimento e renovação. Contatos com o que contamina são realidade, mas não destino final. Há um caminho estruturado para voltar à condição de pureza ritual, sinal de que Deus provê meios para restauração contínua. Em conjunto, Levítico 17 convida a encarar a própria existência como algo profundamente sagrado, envolvido num drama de culpa e expiação, afastamento e retorno. A alma é chamada a reconhecer o peso da vida, a gravidade da idolatria e a beleza de um Deus que, ao mesmo tempo que exige santidade, prepara um caminho para que seres humanos impuros possam viver diante dEle em aliança duradoura.
" Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: "
" Fala a Arão e aos seus filhos, e a todos os filhos de Israel, e dize-lhes: Esta é a palavra que o Senhor ordenou, dizendo: "
Levítico 17:2 mostra que Deus fala com Arão, seus filhos e todo o povo, deixando claro que suas orientações valem para todos, não só para …
Ler análise completa" Qualquer homem da casa de Israel que degolar boi, ou cordeiro, ou cabra, no arraial, ou quem os degolar fora do arraial, "
" E não os trouxer à porta da tenda da congregação, para oferecer oferta ao Senhor diante do tabernáculo do Senhor, a esse homem será imputado o sangue; derramou sangue; por isso será extirpado do seu povo; "
" Para que os filhos de Israel, trazendo os seus sacrifícios, que oferecem sobre a face do campo, os tragam ao Senhor, à porta da tenda da congregação, ao sacerdote, e os ofereçam por sacrifícios pacíficos ao Senhor. "
" E o sacerdote espargirá o sangue sobre o altar do Senhor, à porta da tenda da congregação, e queimará a gordura por cheiro suave ao Senhor. "
" E nunca mais oferecerão os seus sacrifícios aos demônios, após os quais eles se prostituem; isto ser-lhes-á por estatuto perpétuo nas suas gerações. "
" Dize-lhes, pois: Qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre vós, que oferecer holocausto ou sacrifício, "
" E não o trouxer à porta da tenda da congregação, para oferecê-lo ao Senhor, esse homem será extirpado do seu povo. "
" E qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre eles, que comer algum sangue, contra aquela alma porei a minha face, e a extirparei do seu povo. "
" Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma. "
" Portanto tenho dito aos filhos de Israel: Nenhum dentre vós comerá sangue, nem o estrangeiro, que peregrine entre vós, comerá sangue. "
" Também qualquer homem dos filhos de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre eles, que caçar animal ou ave que se come, derramará o seu sangue, e o cobrirá com pó; "
" Porquanto a vida de toda a carne é o seu sangue; por isso tenho dito aos filhos de Israel: Não comereis o sangue de nenhuma carne, porque a vida de toda a carne é o seu sangue; qualquer que o comer será extirpado. "
" E todo o homem entre os naturais, ou entre os estrangeiros, que comer corpo morto ou dilacerado, lavará as suas vestes, e se banhará com água, e será imundo até à tarde; depois será limpo. "
" Mas, se os não lavar, nem banhar a sua carne, levará sobre si a sua iniqüidade. "
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