Levítico 11 - Significado, temas e aplicação

Entenda os temas principais e aplique Levítico 11 na sua vida hoje

47 versículos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que é Levítico 11?

Levítico 11 apresenta a lei sobre animais puros e impuros para alimentação e contato físico em Israel. O capítulo descreve quais animais terrestres, aquáticos, aves e répteis podem ou não ser comidos, e quais tipos de contato com cadáveres trazem impureza ritual. A seção termina explicando o propósito dessas distinções: o povo deve ser santo porque o Senhor é santo, vivendo separado das contaminações que Ele definiu.

Temas principais em Levítico 11

Santidade expressa em hábitos diários (versículos Lv 11:2-8, 44-47)

A distinção entre puro e impuro não é apenas dietética, mas pedagógica: ensina Israel a viver conscientemente diante de Deus até nas escolhas mais simples, como o que comer e o que tocar.

Versículos-chave: 2, 7, 44, 47

Distinção entre puro e impuro (versículos Lv 11:3-4, 9-12, 13-23, 29-31, 46-47)

O texto detalha categorias de animais e como identificá-los, enfatizando que o povo deve saber diferenciar o que é permitido do que é proibido, tanto na alimentação quanto no contato com cadáveres.

Versículos-chave: 3, 9, 13, 20, 46, 47

Impureza ritual pelo contato com a morte (versículos Lv 11:8, 24-28, 31-36, 39-40)

Tocar ou carregar cadáveres de certos animais traz impureza até a tarde, exigindo lavagem de roupas e, às vezes, quebra de utensílios, mostrando a seriedade simbólica da morte diante de Deus.

Versículos-chave: 24, 25, 32, 33, 39, 40

A santidade de Deus como fundamento da lei (versículos Lv 11:43-45)

O motivo central para obedecer a essas regras é o caráter de Deus: Ele é santo, libertou o povo do Egito e os chama a refletir Sua santidade em sua forma de viver.

Versículos-chave: 44, 45

Identidade do povo resgatado (versículos Lv 11:45-47)

As leis distinguem Israel das outras nações. O povo que foi tirado do Egito pertence ao Senhor e sua dieta e pureza ritual marcam essa identidade especial.

Versículos-chave: 45, 47

Contexto histórico e literario

Levítico 11 faz parte do corpo de leis dadas a Israel no deserto, após a saída do Egito, enquanto o povo se organizava como nação santa ao redor do tabernáculo. Em um contexto do Antigo Oriente Próximo, diversas nações possuíam regras alimentares e rituais ligados à sua religião. Em Israel, porém, essas normas são explícita e diretamente ligadas ao Deus único que os libertou da escravidão.

A distinção entre animais puros e impuros fazia parte da estrutura da aliança. Comer não era apenas uma necessidade física, mas um ato com significado espiritual e comunitário. A lista de animais reflete a fauna conhecida no ambiente do antigo Israel: camelos, lebres, porcos, aves de rapina, animais aquáticos e répteis locais.

A impureza descrita no capítulo é, em primeiro lugar, ritual, não necessariamente uma condenação moral ou um juízo de valor médico sobre os animais. Ser "imundo até à tarde" significa estar temporariamente inapto para se aproximar das coisas sagradas, como o tabernáculo ou certos ritos. Lavagens, espera até o pôr do sol e, por vezes, destruição de utensílios de barro formavam um sistema pedagógico que ensinava o povo a tratar o sagrado com reverência e a perceber a influência da morte e da desordem na criação.

Ao enfatizar que o Senhor os tirou do Egito (v. 45), o capítulo lembra que essas leis não são arbitrárias, mas vinculadas à nova identidade nacional e espiritual de Israel como povo pertencente ao Deus santo.

Estrutura de Levítico 11

Levítico 11 é organizado de maneira ordenada e classificatória, refletindo um estilo jurídico e didático:

  1. Introdução da revelação (11:1-2)

    • O Senhor fala a Moisés e a Arão.
    • Ordem para instruir os filhos de Israel sobre os animais que podem ser comidos.
  2. Animais terrestres (11:3-8)

    • Critérios gerais: animais que têm unhas fendidas e ruminam são permitidos.
    • Exemplos de exceções proibidas (camelo, coelho, lebre, porco).
    • Proibição de comer e até tocar nos cadáveres desses animais.
  3. Animais aquáticos (11:9-12)

    • Critério: barbatanas e escamas.
    • Tudo o que não tiver esses sinais é considerado abominação.
  4. Aves proibidas (11:13-19)

    • Lista de aves impuras: aves de rapina, necrófagas e outras espécies especificadas.
  5. Insetos e pequenos animais voadores (11:20-23)

    • Regra geral: insetos que voam e andam sobre quatro pés são abominação.
    • Exceção: alguns gafanhotos, locustas, grilos, que podem ser comidos.
  6. Impureza pelo contato com cadáveres (11:24-28)

    • Quem tocar ou carregar cadáveres de certos animais fica imundo até a tarde.
    • Instrução de lavagem das vestes.
  7. Répteis e pequenos animais que se arrastam (11:29-31)

    • Lista de animais rastejantes considerados impuros.
    • Tocar seus cadáveres gera impureza até a tarde.
  8. Contaminação de objetos e alimentos (11:32-38)

    • Regras sobre vasos de madeira, roupas, peles, sacos e instrumentos.
    • Tratamento especial de vasos de barro (devem ser quebrados em certos casos).
    • Diferença entre sementes secas e molhadas quanto à contaminação.
  9. Animais de mantimento que morrem naturalmente (11:39-40)

    • Impureza para quem toca, come ou carrega o cadáver, com exigência de lavagem.
  10. Proibição de répteis como alimento (11:41-42)

    • Expansão da proibição a todo réptil que se arrasta, anda sobre o ventre, quatro ou muitos pés.
  11. Fundamentação teológica e chamada à santidade (11:43-45)

    • Advertência contra contaminação.
    • Declaração da santidade de Deus e chamado para santificação do povo.
    • Lembrança da libertação do Egito como base da obediência.
  12. Conclusão resumida (11:46-47)

    • Resumo da lei sobre animais, aves, criaturas aquáticas e répteis.
    • Finalidade: fazer diferença entre o imundo e o limpo, entre o que se pode comer e o que não se pode.

Significado teológico

Levítico 11 mostra que a santidade de Deus não é um conceito abstrato, mas se traduz em distinções concretas dentro da criação. A diferença entre puro e impuro serve como um lembrete constante de que o povo pertence a um Deus separado de tudo o que representa desordem, morte e impureza.

O capítulo está profundamente ligado à doutrina da santidade: "Sereis santos, porque eu sou santo" (v. 44-45). A identidade de Israel deriva de quem Deus é e do que Ele fez (tirar o povo do Egito). As normas alimentares e de contato com cadáveres funcionam como sinais externos dessa identidade interna, ensinando a discernir e separar.

Teologicamente, a impureza aqui é majoritariamente ritual, não moral, mas aponta para a realidade do pecado e da morte que impedem a plena comunhão com Deus. A necessidade de purificações, lavagens e períodos de espera prepara o entendimento de que a aproximação a Deus exige mediação e limpeza, temas que se aprofundam em todo o livro.

Na perspectiva da história da salvação, essas leis servem como um pedagogo que conduz à compreensão mais plena em Cristo. No Novo Testamento, a questão dos alimentos é reinterpretada: Jesus declara puros todos os alimentos e desloca o foco da impureza externa para a interna, do coração humano. Contudo, o princípio permanente de Levítico 11 permanece: o povo de Deus é chamado a viver de forma distinta, discernindo e rejeitando aquilo que o afasta da presença santa de Deus.

Assim, o capítulo ressalta a soberania de Deus sobre toda a criação, a seriedade da morte e da contaminação espiritual, e a vocação do povo de viver como comunidade separada, guiada pelo caráter santo daquele que os resgatou.

Aplicação restauradora e de saúde mental

Levítico 11 pode ser lido como um texto que organiza a vida em meio ao caos. Em vez de um conjunto arbitrário de proibições, o capítulo oferece ao povo uma estrutura clara: o que é permitido, o que é proibido, e como lidar quando se entra em contato com aquilo que contamina. Esse senso de ordem, em um contexto de transição e incerteza no deserto, tem efeito estabilizador.

Psicologicamente, normas claras sobre o cotidiano — especialmente sobre comer, tocar, limpar — ajudam a reduzir ansiedade e a reforçar a identidade comunitária. O povo sabe a quem pertence, o que o diferencia de outros e como restaurar a normalidade (purificação, espera até a tarde) quando rompe limites.

Em termos de cuidado emocional, a repetição de que a impureza tem um fim definido (até a tarde) e um caminho de resolução (lavar as vestes, aguardar) comunica que estados de "impureza" não são finais. Há provisão, há retorno possível à comunhão. Ao mesmo tempo, a ênfase em Deus como fundamento da santidade oferece um eixo de segurança: a vida não é guiada pelo acaso, mas pela vontade de um Deus que se declara santo e próximo do povo que libertou.

Lido nesse horizonte, o capítulo apoia o desenvolvimento de fronteiras saudáveis, da consciência de que certas coisas contaminam e exigem cuidado, e da esperança de que a contaminação não define a identidade última do povo.

warning Importante: maus usos comuns

Levítico 11, se lido sem contexto, pode ser usado de forma distorcida para gerar culpa excessiva, escrúpulos religiosos ou medo irracional de contaminação física e espiritual. Uma leitura rígida e descolada da revelação progressiva da Escritura pode alimentar perfeccionismo legalista, em que a pessoa se sente permanentemente "imunda" ou incapaz de se aproximar de Deus por pequenas falhas externas.

Há também o risco de projetar essas categorias rituais antigas diretamente sobre hábitos alimentares atuais, criando julgamentos indevidos entre pessoas, grupos ou culturas. Isso pode reforçar estigma, rejeição e sentimentos de superioridade espiritual baseados em regras alimentares, e não na obra de Deus.

Em contextos de sofrimento psíquico, especialmente em quadros de transtorno obsessivo-compulsivo religioso ou fobias de contaminação, a leitura literalista e isolada deste capítulo pode intensificar sintomas. Nesses casos, é importante ressaltar que a impureza aqui é cerimonial, ligada à antiga aliança, e que a mensagem central aponta para a santidade de Deus e para um relacionamento com Ele que, na revelação bíblica como um todo, não se reduz a listas alimentares.

Sempre que surgirem angústias persistentes sobre contaminação, culpa intensa ou pensamentos intrusivos ligados a textos como este, pode ser necessário buscar apoio pastoral equilibrado e, se preciso, acompanhamento profissional em saúde mental.

Aplicação prática para hoje

Levítico 11, mesmo tratando de leis específicas da antiga aliança, inspira princípios práticos para a vida atual.

  1. Consciência de que tudo na vida é vivido diante de Deus A forma como o povo se alimenta e se relaciona com o mundo criado está sob o senhorio de Deus. Isso estimula responsabilidade nas escolhas diárias, inclusive na área de alimentação, consumo e cuidado com o corpo.

  2. Discernir o que contamina O capítulo forma uma mentalidade de atenção: não tudo o que é acessível é adequado. Hoje, esse princípio pode ser aplicado a conteúdos, relacionamentos e hábitos que, embora permitidos socialmente, prejudicam o coração, a mente ou a espiritualidade.

  3. Valorizar limites e fronteiras saudáveis As distinções entre puro e impuro ajudam a perceber a importância de limites claros. Ter critérios sobre o que entra na vida — seja alimento, informação, práticas ou ambientes — protege a integridade pessoal e comunitária.

  4. Reconhecer que contaminações não são definitivas A impureza descrita tem início, meio e fim, com um caminho objetivo para restauração. Isso inspira a lidar com falhas e quedas de forma responsável, mas também esperançosa: há como recomeçar, como limpar, como retomar a comunhão.

  5. Lembrar a identidade como povo resgatado A obediência às orientações de Deus é resposta à graça já recebida. A motivação não é apenas "cumprir regras", mas viver de modo coerente com a libertação e a nova identidade que Deus concede.

  6. Tratar com seriedade aquilo que se aproxima da morte O cuidado com cadáveres e objetos contaminados evidencia a ruptura que a morte causa. Em termos práticos, estimula respeito com o corpo, cuidado com ambientes insalubres e uma postura séria diante de tudo o que promove destruição e desumanização.

Perguntas frequentes

Por que Deus fez distinção entre animais puros e impuros em Levítico 11?

A distinção entre animais puros e impuros tinha função pedagógica e teológica. Ela ensinava o povo a discernir, a viver separado das práticas das outras nações e a lembrar, diariamente, que pertencia a um Deus santo. Comer não era ato neutro: tornava-se um exercício de obediência e identidade. Essas leis também criavam fronteiras culturais que preservavam Israel como povo distinto. A impureza aqui é, sobretudo, ritual, ligada ao culto e à aproximação do santuário, e não apenas uma questão de higiene ou moralidade individual.

O que significa ser "imundo até à tarde" em Levítico 11?

Ser "imundo até à tarde" indica um estado temporário de impureza ritual. A pessoa não podia participar de certos atos de culto ou se aproximar das coisas sagradas até o pôr do sol. Em alguns casos, precisava lavar as vestes. Após esse período, a pessoa voltava à condição normal de pureza. Esse sistema comunicava que a impureza é séria, mas não definitiva, e que Deus provê caminhos concretos de restauração à comunhão plena.

As proibições alimentares de Levítico 11 ainda se aplicam da mesma forma hoje?

Levítico 11 foi dado especificamente a Israel dentro da antiga aliança, em um contexto de tabernáculo, sacrifícios e pureza ritual. Na progressão bíblica, esses regulamentos recebem nova compreensão. A mensagem central — santidade, discernimento, separação do mal — permanece relevante. Contudo, a forma de aplicá-la, especialmente em relação a alimentos específicos, precisa considerar toda a revelação bíblica e o contexto em que se vive, sem importar diretamente todas as regras cerimoniais para a realidade atual.

Por que havia tanta ênfase no contato com cadáveres de animais?

No simbolismo de Levítico, a morte está associada à impureza e à ruptura da ordem criada. O Deus de Israel é o Deus vivo, fonte de vida, e por isso o contato com a morte exigia cuidados e ritos de purificação. As regras sobre tocar ou carregar cadáveres de animais — incluindo lavagem de roupas, quebra de certos vasos e espera até a tarde — reforçavam visualmente que a morte não é algo trivial diante de Deus e que a aproximação do sagrado requer separação dela.

Qual é o propósito do resumo final em Levítico 11:46-47?

Os versículos 46-47 funcionam como uma conclusão que organiza e reforça o objetivo do capítulo: oferecer uma lei abrangente sobre animais, aves, criaturas aquáticas e répteis, com o propósito claro de ensinar o povo a fazer diferença entre o imundo e o limpo, entre o que se pode e o que não se pode comer. Esse resumo ajuda a perceber que a intenção principal não é listar curiosidades zoológicas, mas formar um povo capaz de discernir e viver de acordo com a santidade de Deus.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Levítico 11 pode, à primeira vista, parecer um texto distante da experiência emocional, por tratar de listas e regras. Mas há algo muito terno e cuidadoso na forma como Deus organiza a vida do povo. Em meio ao deserto, depois de anos de opressão no Egito, Israel recebe uma estrutura, um caminho claro, quase como uma casa sendo colocada em ordem depois de muito caos. O cuidado nos detalhes — o que pode comer, o que não pode, como se limpar, até quando dura a impureza — revela um Deus que não abandona o povo à confusão. Ele não deixa que vivam perdidos entre o medo e a culpa. Em vez disso, mostra com clareza o que os aproxima e o que os afasta do sagrado, e também como voltar quando se afastam. A frase "sereis santos, porque eu sou santo" não é apenas um peso, mas também uma promessa: o Deus santo se aproxima, chama pelo nome, lembra que tirou o povo do Egito e deseja relacionamento. A santidade aqui não é frieza; é um amor tão comprometido que modela cada área da existência. Há consolo em perceber que estados de impureza são temporários e que há um caminho de purificação. O texto não diz que, após um contato impuro, tudo está perdido. Pelo contrário, repete que, depois de lavar, depois de esperar, a pessoa volta à sua condição. Isso fala de um Deus que conhece as fragilidades, que leva a sério as quedas, mas que também oferece meios para recomeços. Na dimensão do coração, Levítico 11 mostra um Deus que entra até na rotina, inclusive na comida, para lembrar constantemente ao seu povo: vocês são meus, eu os separei, eu os guardo. É uma forma concreta de dizer que a vida inteira está acolhida sob o cuidado de um Deus santo e, ao mesmo tempo, atento, que organiza o caos com amor.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético, Levítico 11 é um exemplo marcante de legislação sacerdotal que organiza a realidade em categorias de pureza e impureza. O texto não argumenta diretamente as razões por trás de cada classificação animal, mas deixa claro que a base última é teológica: a santidade de Deus e a necessidade de um povo que reflita essa santidade. Estruturalmente, o capítulo procede por domínios da criação: terra (animais quadrúpedes), águas (peixes e outros), ar (aves e insetos voadores) e pequenos animais que se arrastam. Essa organização ecoa a ordem da criação em Gênesis, sugerindo que as categorias de pureza não são arbitrárias, mas refletem uma leitura teológica da própria estrutura do mundo. Os critérios (unha fendida e ruminar; barbatanas e escamas) servem como "sinais" facilmente identificáveis. Não se trata de uma lista fechada, mas de princípios orientadores que permitem ao israelita comum discernir no dia a dia. Algumas hipóteses acadêmicas veem aqui preocupações higiênicas, simbólicas ou socioculturais, mas o texto bíblico insiste na motivação teológica: "porque eu sou santo". Importante distinguir entre impureza ritual e pecado. Muitas impurezas descritas não implicam culpa moral, mas incapacidade temporária de participar do culto. O trecho que fala de ser "imundo até à tarde" ilustra bem isso: há procedimentos de purificação, espera de um tempo determinado e, então, retorno à normalidade. O sistema funciona como um mapa de proximidade ou distância em relação ao sagrado. A relação entre Levítico 11 e o restante da Escritura é igualmente relevante. Posteriormente, debates sobre alimentos tornam-se centrais em contextos judaicos e, mais tarde, entre judeus e gentios. Embora esse capítulo seja específico para Israel sob a antiga aliança, ele estabelece categorias conceituais — puro/impuro, santo/profano — que serão reaprofundadas nos profetas, na literatura sapiencial e, mais adiante, na reflexão neotestamentária sobre a verdadeira fonte de impureza. Assim, Levítico 11 funciona como um alicerce teológico para a compreensão bíblica de santidade, corporeidade e culto.

Life
Life

Levítico 11 trabalha um tema muito prático: como viver, comer e se relacionar com o ambiente de maneira coerente com a identidade de povo de Deus. O texto mostra que a fé não fica isolada em momentos de culto; ela desce para o prato, para a cozinha, para a forma de lidar com objetos e ambientes. Um aspecto marcante é a presença de critérios claros e simples que qualquer pessoa podia aprender: certos sinais nos animais, tipos de movimento, presença de barbatanas e escamas, entre outros. Isso ensina o valor de ter parâmetros objetivos para as escolhas diárias. Em vez de viver reagindo a impulsos ou modismos, Israel é chamado a agir com base em princípios que expressam a sua aliança com Deus. Outro ponto prático é o cuidado com higiene e organização: lavar vestes, colocar objetos na água, quebrar vasos de barro contaminados. Ainda que o foco seja ritual, há um reflexo prático evidente. Cumprir essas orientações exigia disciplina, atenção, hábito de limpeza e respeito pelos limites. Em termos de vida cotidiana, isso contribui para um ambiente comunitário mais saudável e para um senso de responsabilidade compartilhada. As categorias de puro e impuro também mostram a importância de reconhecer que certas coisas, por mais comuns que sejam no entorno, não combinam com a identidade do povo. Em nível prático, isso se traduz em saber dizer "não" a práticas, ambientes e conteúdos que contrariem os valores de santidade, ainda que sejam amplamente aceitos pela sociedade. A repetição de que a impureza dura "até à tarde", somada às instruções de lavagem, ensina uma forma equilibrada de lidar com erros e contaminações: não minimizar, mas também não absolutizar. Há reconhecimento da falha, atitudes concretas para corrigi-la e um horizonte de retorno à normalidade. Essa dinâmica é aplicável à gestão de conflitos, falhas éticas e deslizes diários: responsabilidade sem desespero, disciplina sem dureza destrutiva. Por fim, ao ligar tudo isso à memória da libertação do Egito, o capítulo lembra que o estilo de vida não é construído ao acaso, mas como resposta agradecida a quem resgatou. Na prática, isso orienta decisões sobre consumo, rotinas e hábitos para que expressem, de forma coerente, a identidade de quem pertence a Deus.

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Versículos em Levítico 11

Levítico 11:2

" Fala aos filhos de Israel, dizendo: Estes são os animais, que comereis dentre todos os animais que há sobre a terra; "

Levítico 11:2 mostra Deus orientando Israel sobre quais animais podiam ser comidos, separando o povo por meio dos hábitos alimentares. O princípio por trás do …

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Levítico 11:4

" Destes, porém, não comereis; dos que ruminam ou dos que têm unhas fendidas; o camelo, que rumina, mas não tem unhas fendidas; esse vos será imundo; "

Levítico 11:7

" Também o porco, porque tem unhas fendidas, e a fenda das unhas se divide em duas, mas não rumina; este vos será imundo. "

Levítico 11:9

" De todos os animais que há nas águas, comereis os seguintes: todo o que tem barbatanas e escamas, nas águas, nos mares e nos rios, esses comereis. "

Levítico 11:10

" Mas todo o que não tem barbatanas, nem escamas, nos mares e nos rios, todo o réptil das águas, e todo o ser vivente que há nas águas, estes serão para vós abominação. "

Levítico 11:21

" Mas isto comereis de todo o inseto que voa, que anda sobre quatro pés: o que tiver pernas sobre os seus pés, para saltar com elas sobre a terra. "

Levítico 11:22

" Deles comereis estes: a locusta segundo a sua espécie, o gafanhoto devorador segundo a sua espécie, o grilo segundo a sua espécie, e o gafanhoto segundo a sua espécie. "

Levítico 11:26

" Todo o animal que tem unha fendida, mas a fenda não se divide em duas, e todo o que não rumina, vos será por imundo; qualquer que tocar neles será imundo. "

Levítico 11:27

" E todo o animal que anda sobre as suas patas, todo o animal que anda a quatro pés, vos será por imundo; qualquer que tocar nos seus cadáveres será imundo até à tarde. "

Levítico 11:29

" Estes também vos serão por imundos entre os répteis que se arrastam sobre a terra; a doninha, e o rato, e a tartaruga segundo a sua espécie, "

Levítico 11:31

" Estes vos serão por imundos dentre todos os répteis; qualquer que os tocar, estando eles mortos, será imundo até à tarde. "

Levítico 11:32

" E tudo aquilo sobre o que cair alguma coisa deles estando eles mortos será imundo; seja vaso de madeira, ou veste, ou pele, ou saco, qualquer instrumento, com que se faz alguma obra, será posto na água, e será imundo até à tarde; depois será limpo. "

Levítico 11:34

" Todo o alimento que se come, sobre o qual cair água de tais vasos, será imundo; e toda a bebida que se bebe, depositada nesses vasos, será imunda. "

Levítico 11:35

" E aquilo sobre o que cair alguma parte de seu corpo morto, será imundo; o forno e o vaso de barro serão quebrados; imundos são: portanto vos serão por imundos. "

Levítico 11:40

" E quem comer do seu cadáver lavará as suas vestes, e será imundo até à tarde; e quem levar o seu corpo morto lavará as suas vestes, e será imundo até à tarde. "

Levítico 11:42

" Tudo o que anda sobre o ventre, e tudo o que anda sobre quatro pés, ou que tem muitos pés, entre todo o réptil que se arrasta sobre a terra, não comereis, porquanto são uma abominação. "

Levítico 11:43

" Não vos façais abomináveis, por nenhum réptil que se arrasta, nem neles vos contamineis, para não serdes imundos por eles; "

Levítico 11:44

" Porque eu sou o Senhor vosso Deus; portanto vós vos santificareis, e sereis santos, porque eu sou santo; e não vos contaminareis com nenhum réptil que se arrasta sobre a terra; "

Levítico 11:45

" Porque eu sou o Senhor, que vos fiz subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus, e para que sejais santos; porque eu sou santo. "

Leviticus 11:45 mostra que Deus libertou o povo do Egito para viver de um jeito diferente, alinhado ao caráter dele. Ser santo aqui significa refletir …

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Levítico 11:46

" Esta é a lei dos animais, e das aves, e de toda criatura vivente que se move nas águas, e de toda criatura que se arrasta sobre a terra; "

Levítico 11:47

" Para fazer diferença entre o imundo e o limpo; e entre animais que se podem comer e os animais que não se podem comer. "

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